“Pra não dizer que não falei das flores” (Geraldo Vandré)

Quem costuma ler este blog sabe que sempre fiz boas e elogiosas referências ao político Jaques Wagner (PT-BA) que, no meu entender, tem cara de senador, pinta de senador, postura de senador e é senador.
Agora, na condição de líder do governo Lula da Silva no Senado da República, o senador está envolvido num baita quiproquó que até os petistas fanáticos estão divididos quanto à continuidade de sua função de liderança.
Há alguns anos Jaques Wagner se mudou de um apartamento na Federação, relativamente modesto, para uma luxuosa residência no Corredor da Vitória, um dos pontos mais caros de Salvador e referência dos superricos que os petistas tanto criticam.
Mas esta é outra história. Hoje, não vem ao caso.
A imprensa vem publicando, com base em informações da Polícia Federal, que Jaques Wagner está envolvido no escândalo do Banco Master e recebeu, não se sabe a que título, um apartamento de R$ 2,5 milhões em Salvador e outras benesses mais, incompatíveis com a digníssima função de senador.
A imprensa diz, também, que uma floricultura da nora de Jaques Wagner recebeu R$ 11 milhões do Banco Master o que, convenhamos, parece destoar da atividade exercida pela empresa, se este, de fato este, for o ramo de atividade.
“Estudante de psicologia, a familiar do parlamentar é florista e graduada em direito. A empresa dela foi contratada para prospectar operações de crédito consignado para o Master. É casada com Eduardo Sodré, secretário de Meio Ambiente da Bahia e enteado do senador.” (Metrópole, 18/06/2026).
O senhor Eduardo Sodré, portanto, é secretário estadual do governador Jerônimo Rodrigues (PT).
O Metrópole também apurou que a BK Financeira, empresa da nora de Jaques Wagner, firmou contratos com a instituição comandada por Daniel Vorcaro em 2021.
O governador e professor Jerônimo, que deve ter lido muito sobre regimes ditatoriais, é o defensor de uso de retroescavadeira para fazer valas e nelas colocar adversários bolsonaristas e eleitores que não votam no PT.
Por tabela, o governador baiano também se enroscou com o rumoroso caso Master, assim como o ex-governador Rui Costa, ex-todo poderoso ministro da Casa Civil de Lula da Silva.
Mas não é só. A oposição também tem que se explicar. E não somente na Bahia.
“Uma empresa do ex-prefeito de Salvador e pré-candidato ao governo da Bahia, ACM Neto (União), recebeu R$ 3,6 milhões em pagamentos efetuados pelo Banco Master, de Daniel Vorcaro, e da gestora de investimentos Reag, segundo apontamentos bancários feitos ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf)”, conforme G1 de 11/03/2026.
Ou seja, a esculhambação é geral, atinge petistas e opositores do lulopetismo e, se brincar, até políticos admiradores dos dois lados.
O fato é que tudo deverá ser esclarecido e o senador Jaques Wagner certamente provará que não tem nada a ver com isto, inobstante todo esse emaranhado de escabrosas sinalizações.
Até tu, Jaques?
Não fica bem para a Bahia, nossa garbosa e admirável Bahia de Todos os Santos, que os políticos de hoje – Jaques Wagner, inclusive – enxovalhem a terra de senadores da estirpe de Landulfo Alves, Josapha Marinho, Luiz Viana Filho, Otávio Mangabeira, Antonio Balbino e J.J.Seabra, dentre outros que enriqueceram o Senado da República.
Quanto às flores, deve ser um bom negócio esse ramo de floricultura na Bahia.
araujo-costa@uol.com.br







