O lamaçal fétido do Supremo Tribunal Federal

Fachada principal do Supremo Tribunal Federal

Está na imprensa.

A Polícia Federal sugeriu a suspeição do ministro petista Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, porque, segundo a instituição, há indícios de que Sua Excelência recebeu dinheiro do Banco Master, não se sabe, ainda, a que título.

O princípio ético é elementar: Nenhum magistrado pode receber dinheiro de outras fontes que não o Tribunal a que serve como servidor público.

O Banco Master está enrolado em rumoroso escândalo de corrupção envolvendo familiares do ministro Toffoli e próceres dos três poderes da República: Executivo, Legislativo e Judiciário.

Até o presidente Lula da Silva, “a viva alma mais honesta do Brasil”, se reuniu, às escondidas, com o elegante banqueiro dono do supracitado Banco Master. O PT tentou negar, sem êxito.

Presumo que o encontro tenha servido para falar de bebidas e amenidades e não de conchavos que resultem em prejuízo aos brasileiros.

Lula não é chegado a maracutaias. O ministro petista Edson Fachin, atual presidente do STF, está aí para atestar a idoneidade do correligionário Lula. Cabo eleitoral de Dilma Rousseff e indicado por ela para o STF, Fachin deu o ponta pé inicial para anular todas as condenações de Lula, inobstante processado regularmente, julgado e condenado.

O ministro Dias Toffoli chamou para si o inquérito que investiga o Banco Master e, mais do que isto, decretou sigilo absoluto, como se estivesse, por hipótese, a esconder algum podre que os brasileiros não podem saber.

Por outro lado, há um contrato nebuloso firmado entre o escritório de advocacia da mulher e filhos do ministro Alexandre de Moraes e o Banco Master.

Enquanto estiver em vigor a lei 6.515/77, a rigor, o escritório também é do ministro Moraes.

O espantoso é o valor do contrato: aproxima-se de R$ 130 milhões para quitação em 3 anos, montante nunca visto na história da advocacia desde a proclamação da República.

Pior: pelo menos, por enquanto, não há provas de serviços prestados pelo escritório que justifiquem o estratosférico valor do contrato.

Tudo isto acontece porque, na estrutura da República, não há nenhum órgão que processe e julgue os ministros do STF, à exceção do Senado Federal e, em razão disto, eles se acham intocáveis, inatingíveis e absolutamente impunes.

O arcabouço jurídico da República pressupõe que quem chega a ministro da Suprema Corte é sério, impoluto, tem reputação ilibada. E nem sempre é assim.  

Noutras palavras: O Supremo Tribunal Federal foi envolvido num lamaçal fétido e vergonhoso.

Talvez esse quiproquó explique o desvio de foco relativamente ao suposto golpe de Estado de 08/01/2023.

A balbúrdia criada por ministros do STF no julgamento dos acusados por suposto golpe de Estado, escondeu, em muito, os escândalos que hoje vêm à tona envolvendo subidas Excelências do Supremo Tribunal Federal.  

De outro turno, o Senado Federal que tem o dever constitucional de afastar ministros do STF está inerte, rabo preso, porque muitos dos senadores têm pendências judiciais que serão julgadas pelos mesmos ministros hoje envolvidos nesse escândalo escabroso.

Neste caso, uma mão lava a outra.

Nem os senadores votam o impeachment dos ministros do STF, nem os ministros do STF julgam os senadores.

E os brasileiros ficam com “a boca escancarada cheia de dentes esperando a morte chegar.”

Raul Seixas tinha razão.

araujo-costa@uol.com.br

Um padre no lugar errado.

Desde a catequese, a Igreja Católica Apostólica Romana ensina a plantar a semente do amor e apontar o caminho do bem.

Ainda na infância e adolescência aprendíamos a respeitar os padres.

Contudo, há padres desnorteados e até insignificantes para a Igreja, mas estão lá, dentro dela, atrapalhando e, talvez por isto, o êxodo dos católicos em direção a outras religiões venha se acentuando a cada ano, irreversivelmente.

Esses padres frequentaram seminários, estudaram Teologia e Filosofia, mas quando o sacerdócio lhe caiu às mãos não sabem o que fazer dele.

Um padre da paróquia de Córrego Novo, diocese mineira da Caratinga, jogou a batina pela janela da incompreensão e da imprudência.

O estrambólico padre, em plena missa, se negou a distribuir a eucaristia às pessoas que concordam com o pensamento de um deputado do PL mineiro. Mais do que isto, mandou esses fiéis saírem da igreja. Em última análise, expulsou-os do templo.

Talvez o padre estivesse à procura de fama, mas pelo caminho inverso, de tal modo que forçou o bispo da diocese a tentar explicar seu inexplicável destempero através de uma Nota de Esclarecimento.  

Se o padre gosta de fazer política partidária, ninguém tem nada com isto. Que faça nos momentos apropriados e vote em quem bem entender no silêncio indevassável da urna.

Daí, a fazer politicagem mesquinha usando, para isto, o altar da Igreja e ainda se negar a ministrar o sacramento da eucaristia aos fiéis que não são da mesma laia dele, já é demais.

Se o fanatismo político do padre está ofuscando seu ofício religioso, talvez seja o caso de ele refletir e não de escorraçar os católicos da Igreja, mormente neste tempo tão carente de compreensão.

A nota pública do bispo é insuficiente. O padre merece punição maior, talvez a suspensão ou expulsão de sua condição clerical por infringência à disciplina da Igreja e dando-lhe oportunidade de fazer o que gosta: política. O lugar dele é nos palanques eleitorais e não no recato da Igreja.

Com a nota, o bispo da diocese passou a mão na cabeça do padre, dizendo ser “um fato isolado” e que o impropério inoportuno do sacerdote aconteceu em “momento de forte emoção”.

Forte emoção?

Como se vê, o padre não tem preparo nenhum para o sacerdócio e, menos ainda, para dirigir uma paróquia.

Jesus Cristo pregou amor e não discórdia.

araujo-costa@uol.com.br  

Lula da Silva e o “voto de cabresto”

Presidente Lula da Silva/Reprodução Viva

Sinônimo de submissão ao paternalismo dos “coronéis” latifundiários, grandes proprietários de terra, o “voto de cabresto” remonta aos idos do Império.

Folclore político do Nordeste:

O “coronel” escolheu o nome do seu candidato, “votou” e entregou o envelope lacrado a seu empregado.

Naquele tempo, o voto era colocado na urna em envelope. Hoje o Supremo Tribunal Federal endeusou as urnas eletrônicas.

Depois de receber o envelope do patrão e colocar na urna, o homem das labutas da roça, calejado pelo tempo, perguntou:

– Coronel, em quem eu votei?

O coronel, responde:

– Nunca mais pergunte isto, meu filho. O voto é secreto.  

Os abastados “coronéis” pontificavam em todos os setores da sociedade e mantinham o controle do poder político e econômico, mormente nos pequenos municípios.

Líderes que se destacavam perante à população, os “coronéis” obtinham contínuo reconhecimento do Império e controlavam tudo, inclusive o voto. Daí a expressão “voto de cabresto”, submissão do trabalhador rural às ordens eleitorais do patrão, realidade que se estendeu, marcadamente, durante toda a República Velha.

Em 18 de agosto de 1831 nasceu a Guarda Nacional comandada pelo padre Diogo Antonio Feijó, ministro da Justiça do Império. Os títulos de coronel e major, por exemplo, eram concedidos aos líderes políticos rurais pela Guarda Nacional.

Nos dias de hoje, os benefícios sociais criados pelo governo subjugam o eleitor à demagogia e à esperteza dos políticos de seriedade duvidosa.

É bem verdade que Lula da Silva não inventou os benefícios sociais (bolsa-família, por exemplo), mas é seguramente certo que os ampliou e se serve deles para, como bandeira política, sobressair-se eleitoralmente.

Lula descobriu a mina de voto, mormente na Região Nordeste e vive em palanques contando lorotas e sugando a boa-fé dos pobres.

O manto do assistencialismo não pode significar submissão do eleitor à vontade do presidente e de políticos aliados, tampouco estimular a ociosidade, dificultando a perspectiva de parte da população e, sobretudo, dos jovens.

O olhar de generosidade do poder público sobre a população carente não pode, sub-repticiamente, calçar-se em contrapartida eleitoral, nem traduzir-se em votos nas urnas.

Em ano de eleições, Lula da Silva instituiu e lançou o chamado “Gás do Povo” que, segundo ele, beneficiará pelo menos 50 milhões de pessoas necessitadas, embora números estatísticos citados por Lula da Silva nunca devam ser levados a sério.

Quando os índices e números são a favor dele, Lula aumenta, quando desfavoráveis, ignora-os.

Entretanto, não deixa de ser um programa ambicioso e louvável sob o ponto de vista de ajuda à população carente, mas não pode enxotar o eleitor beneficiado pelo programa em direção à urna lulopetista.

Mas o Nordeste parece não ser mais o mesmo.

Na Bahia, por exemplo, o sofrível governo de Jerônimo Rodrigues (PT) está mostrando ao resto do Brasil as vísceras abomináveis da esperteza do petismo no Estado.

É visível o desmoronamento da credibilidade política do governador. Promessas não cumpridas, ineficiência no combate à criminalidade e falta de firmeza na execução dos programas de governo somam-se à fragilidade da articulação política que está capengando.

De todo modo, o uso da miséria alheia para inflar discursos espalhafatosos, com o intuito de ganhar eleições, longe de significar grandeza política, corrói a seriedade do petista Lula da Silva, que já não é tão boa, aliás bastantemente conhecida.

Aos 46 anos de existência, o PT continua olhando para trás, quando a realidade era outra, inclusive as condições sociais, políticas e econômicas de governar.

O retrovisor do PT parece que está precisando de limpeza, para permitir enxergar, com mais clareza, o olhar atento da população.

No mais, somente a educação dos jovens e a conscientização política podem exterminar o “voto de cabresto”.

araujo-costa@uol.com.br

Arquivo e memória: Esteios da história de Patamuté

Otaviano Ferreira de Matos, filho de Galdino Ferreira Matos (1840-1930), primeiro líder político de Patamuté, casou-se com D. Haidê Torres e constituiu família nobre, exemplar e bem estruturada, que deu sustentáculo, tradição, cultura e honradez à história do lugar.  

Major Otaviano Matos/Arquivo de Sumaya Matos

Otaviano era Major da Guarda Nacional, título oriundo do Império, que perdurou nos primeiros anos da República, para agraciar pessoas que prestavam relevantes serviços ao povo e às instituições nacionais.

À semelhança do pai Galdino, Otaviano também foi líder político e vereador em Curaçá. Dentre seus filhos, Osmário Matos Torres, nascido em 19/04/1928, fazia parte dessa ilustre família. Osmário era comerciante em Patamuté.

A referência de todos, além da sede do Distrito, era a Fazenda Papagaio, que existe até os dias de hoje e onde a família gravitava historicamente.

Osmário Matos Torres/Arquivo de Sumaya Matos

Modéstia à parte – e modéstia sempre faz bem – sou afilhado de batismo de Osmário Matos Torres. Minha madrinha era Marieta Matos Torres, também filha do Major Otaviano.  

Como um assunto puxa outro, Cleómenes Brandão Matos (Quezinho), filho de Otaviano, foi subdelegado de polícia em Patamuté. Meu primeiro atestado de antecedentes foi redigido à mão e assinado por ele.

Guardo-o até hoje. Mais do que relíquia, é o registro de um documento histórico.

Como se vê, esses cidadãos construíram a história de Patamuté e, como tais, firmaram os esteios indestrutíveis do lugar.

araujo-costa@uol.com.br

Caatinga de Patamuté, saudade do tempo, saudade de Zé 

José Araújo Costa, Zé de Sátira

Saudade de José Araújo Costa, esse nobre caatingueiro, que nasceu e se criou nos barrancos do Riacho da Várzea.

Viveu em meio a pedras, espinhos e garranchos. Viveu a secura da caatinga, a falta de água, o cantar dos pássaros, a voz da seriema, o barulho do Riacho de Várzea, a poeira, o sol escaldante, a lua, a noite escura, a terra quente. Mas viveu também a fartura, quando a chuva caía e trazia alegria e verde ao sertanejo.

Andou por outras paragens, cavando a vida, o sustento, os sonhos.

Morou em São Paulo por algum tempo, mas a saudade de sua terra lhe puxou de volta para o sertão.

Cuidou da mãe Sátira até o final da vida, casou, teve filhos, cuidou da família, cuidou de seu lugar, cuidou de seus animais, curtiu seu mundo que tanto gostava, teve esperança.

Lutou, sofreu, sorriu, chorou e, por fim, nos deixou no início de julho de 2025.  

Quando me telefonava, fazia a costumeira pergunta:

“Cadê você, homem?”

Zé de Sátira se transformou em saudade. Dilacerante saudade.

araujo-costa@uol.com.br

O STF e a democracia do “prendo e arrebento”

Ainda candidato à presidência da República pela ARENA (Aliança Renovadora Nacional), o general João Batista de Oliveira Figueiredo assumiu a dianteira da abertura lenta, gradual e segura, proposta e fiada pelo presidente Ernesto Geisel, seu antecessor na presidência.

Referindo-se à abertura política, Figueiredo disse à imprensa: “É para abrir mesmo. E quem não quiser que abra, eu prendo e arrebento“. 

O pai de Figueiredo – Euclides de Oliveira Figueiredo –  também general e político, foi perseguido pela ditadura Vargas e, em razão disto, o presidente Figueiredo sempre foi a favor da anistia.

O presidente Figueiredo manteve a abertura política e criou as condições para aprovação da lei de anistia de 1979, que anistiou, além de inúmeras pessoas boas, corretas, decentes e inocentes, alguns desses mentecaptos que hoje governam o Brasil e são contra anistiar inocentes.

Nossa combalida República está sendo pessimamente comandada pela turma do “poder não se ganha, se toma”, segundo as “brilhantes” lições teóricas do petista José Dirceu e do ex-ministro do STF Luís Roberto Barroso, que se escafedeu (que Deus o afaste definitivamente dos assuntos importantes do Brasil) .

Guardadas as proporções de tempo e circunstâncias e sob o pretexto de salvar a democracia, o Supremo Tribunal Federal mandou prender injustamente, até pessoas em extremo estado de vulnerabilidade (autista, morador de rua, vendedor de água em semáforo, por exemplo).

Mais ainda: ocasionou que preso político morresse no cárcere, censurou, desconsiderou artigos da Constituição Federal, espezinhou leis processuais e penais e, sobretudo, extrapolou sua função judicante.

Em consequência, o STF caiu em descrédito perante parte da sociedade e hoje alguns de seus ministros estão no despenhadeiro da hipocrisia, da imoralidade e da indecência.

O STF passou de tribunal constitucional a uma espécie de delegacia de polícia, abrindo inquéritos e imiscuindo-se em atribuições de outras esferas estranhas à sua nobre função, assemelhando-se a comitê político e, mais do que isto, abraçando o ativismo judicial abominável.  

Esse exagero injustificável e nunca visto na República iguala-se ao “quem não quiser, prendo e arrebento”, do presidente Figueiredo, com uma diferença substancial: Figueiredo não prendeu e nem arrebentou. Ao contrário, abriu as portas das prisões de acusados de crimes políticos e tapetou o caminho para a volta dos exilados.

O STF, diferentemente, trancafiou inocentes e os acusou da prática de perigosos crimes contra o sistema democrático.

Não vimos outra coisa no atabalhoado julgamento da suposta tentativa de golpe de Estado de 08/01/2023, que não houve, nunca houve.

Constrangedor, diante disto, ainda a sociedade ver ministros arrogantes do STF dizendo-se defensores da democracia. Esta postura desses ministros hipócritas envergonham a nação. É um acinte à inteligência dos brasileiros cônscios e ávidos por Justiça.

Todavia, a democracia não é compatível com truculência, vingança e humilhação de cidadãos, mesmo que não concordemos com eles.

E não é função de magistrados, quaisquer que sejam eles, concordar ou não com o pensamento político dos brasileiros.

A democracia não se serve do ordenamento jurídico para perseguir. Isto é tirania, desprezo à Constituição e às leis.

O Brasil está no avesso do bom senso e na contra mão da decência política.

araujo-costa@uol.com.br  

Brasil, tempos difíceis e a sabedoria de Luisinho de Curaçá.

“Do rio que tudo arrasta se diz violento, mas não se dizem violentas as margens que o oprimem” (Bertold Brecht, dramaturgo alemão, 1898-1956).

Vamos enfrentar eleições neste conturbado ano de 2026. Se estivéssemos numa democracia plena, tudo bem, tudo normal.

Contudo, estamos numa ditadura disfarçada de democracia. Aqui acontecem prisões políticas, que muitos negam, abafam-se escândalos e escondem-se maracutaias para proteger poderosos e decretam-se sigilos sobre assuntos que a sociedade tem o direito de conhecer.

Riem-se da situação dos miseráveis, espezinham quem precisa comer.

Conchavos e jantares nababescos entre poderosos dos Três Poderes, às escondidas, com o dinheiro de pagadores de impostos, zombam da miserabilidade dos brasileiros que estão nessa condição de miseráveis.

Autoridades sobem ao topo do pedestal da indecência e da imoralidade.

Quanto aos pré-candidatos à presidência da República, de um lado, à esquerda, Lula da Silva (PT), beirando à senilidade e boquirroto, que expele asneiras a torto e a direito, sempre que lhe aparecem à frente microfones, holofotes, asseclas e fanáticos que o admiram e aplaudem.

De outro lado, a chamada direita completamente perdida, vazia, dividida, confusa, ingênua e despreparada, sem candidato definido para enfrentar Lula da Silva e seus radicais sem noção. Tem apenas uma hipótese esfrangalhada, por enquanto: o senador Flávio Bolsonaro (PL).

Noutro cenário, também tenebroso, deputados federais e senadores preocupados com o próprio umbigo e o Supremo Tribunal Federal arrogante e de costas para a sociedade, derretendo-se em confusões que beiram ao escândalo, credibilidade ladeira abaixo, despenhadeiro à vista.

Nos estados, tudo como dantes: políticos espertos, “sabidíssimos e safadíssimos”, como dizia o antropólogo Darcy Ribeiro, todos com o intuito indisfarçável de assegurarem as benesses, cargos para seus apaniguados e familiares, poder e dinheiro fácil à custa da miséria do povo.

E Lula da Silva, o PT e aliados dizendo – e os lulopetistas acreditando – que Lula exterminou a pobreza no Brasil.  E quem passa fome não sabe por onde anda a comida e nem o caminho para encontrá-la.

A sociedade – ou, pelo menos, parte dela – está tolhida em seu direito constitucional de liberdade de pensamento e de expressão, amordaçada, censurada e, sobretudo, sem perspectivas de uma alvorada de liberdade democrática.

O Supremo Tribunal Federal chamou para si o monopólio da verdade – a verdade que STF entende verdadeira – e ainda há ministros da Corte que se dizem defensores da democracia. Pior: Há quem acredite.

Tempos difíceis. O Brasil se distancia da ordem e do progresso e aproxima-se do caos.

Como dizia o sábio caatingueiro e vaqueiro Luís Lopes (Luisinho), honra e glória do meu município baiano de Curaçá:

“Já vi que passou o planeta. Só escapa quem voa!”

araujo-costa@uol.com.br

Na Bahia, tudo farinha do mesmo saco

Mais citando do que parafraseando o baiano Sebastião Nery, honra e glória do jornalismo político nacional, se colocar o PSD e o PT da Bahia “dentro de um coco e enterrar, é pouco provável que consiga qualquer tipo de batida, mas é absolutamente certo que o coco apodrece”.

O cavernoso senador Otto Alencar (PSD) que, de arraigado carlista passou a ser lulista de carteirinha e adora apadrinhar parentes nos Tribunais de Contas da Bahia, está às voltas com uma discordância de araque com o colega Ângelo Coronel.

Tudo em razão da disputa por uma vaga no Senado Federal. O PT insiste em lançar chapa chamada puro sangue, mediante a qual o governador Jerônimo Rodrigues vai para a reeleição e os senadores Jaques Wagner e o atual ministro da Casa Civil de Lula da Silva e ex-governador Rui Costa se dispõem a concorrer ao Senado da República.

Consequência: Ângelo Coronel (PSD) ficou sobrando e sinaliza se debandar para a oposição.

Alguém acredita que ele vai para a oposição?  

Acontece que o PSD de Ângelo Coronel – que ele sinalizou deixar – é o mesmo partido de Otto Alencar. E o senador Otto, que virou lulista desde criancinha, não quer largar a rapadura dos conchavos com o PT, porque as benesses do poder na Bahia lhe são interessantes.

A rapadura é doce. Otto acaba de emplacar o filho para um cargo vitalício no Tribunal de Contas do Estado com o apoio do PT e certamente é grato aos petistas e dane-se Ângelo Coronel.

Assim, o senador de Coração de Maria, Ângelo Coronel, está se sentindo abandonado tanto por seu partido, o PSD, quando pelo PT, do qual ainda é aliado.

Em resumo: tudo farinha do mesmo saco.

Todos acabam se entendendo, mais por interesse pessoal do que por defesa da Bahia.

Os baianos amargam monumental falta de segurança, ensino público deficiente, obras prometidas e não entregues e mais uma série de pendências que somente o PT sabe prometer e não fazer com inquestionável maestria.  

A tão propalada ponte Salvador-Itaparica, prometida desde o primeiro governo Jaques Wagner, virou meme de internet e não há nenhuma possibilidade de acontecer nos governos petistas

Todavia, ninguém duvide: na campanha eleitoral de 2026, depois de 20 anos no poder na Bahia, o PT vai procurar colocar nos adversários a culpa por sua ineficiência política e administrativa.

E haverá quem acredite.

O governador Jerônimo Rodrigues (PT), o mesmo que propôs uma retroescavadeira para enterrar adversários bolsonaristas, já está fugindo dos eleitores e nem sequer começou a campanha eleitoral.

Em 30/01/2026, em Gandu, no baixo sul do Estado, o governador escapuliu pelos fundos do local onde se realizava um evento público, para livrar-se das vaias e protestos de produtores de cacau.

Mas a Bahia petista e os petistas que vivem pendurados nos cofres do governo vão muito bem.

Os baianos nem tanto.   

araujo-costa@uol.combr  

Em Patamuté, uma fazenda histórica com nome de abelha

Casa sede da Fazenda Mandaçaia/Arquivo Zelinho Sena

A Fazenda Mandaçaia fica na solidão dos domínios de Patamuté e no encravar da caatinga garranchenta e espinhenta do sertão do município baiano de Curaçá.

Lá viveu uma distinta família e sua descendência que deixou – e ainda deixa – suntuosas marcas de Pedro Alves de Sena (1913-1968), vaqueiro, agricultor e comerciante.

Pedro de Joaquim Grande, como era conhecido na região, era casado com Maria Alves (1923-2022), Mariinha, para as pessoas de sua convivência e circunstantes.

O casamento deu-se em 1945 e a Fazenda Mandaçaia foi refúgio, sustentáculo de vida e aconchego da família.  Lá eles plantaram, colheram, criaram, viveram.

Defensor da natureza e da caatinga, Pedro Alves de Sena construiu na Fazenda Mandaçaia e seus arredores o modo de vida que foi possível nas condições da época para estruturar a educação dos filhos (Zelinho e Helena) e, sobretudo, fincar as raízes de sua família, com retidão de caráter e decência social.

Tempos difíceis. Naquela época o transporte de animais, gêneros alimentícios e quaisquer produtos do comércio era feito no lombo de burros, tendo em vista a precariedade das condições do lugar, prática ainda muito comum no sertão nordestino até os dias de hoje.

Pedro Alves de Sena labutou nessas circunstâncias, cuidou de sua Fazenda e de sua família com absoluto zelo e dedicação e deixou legado de exemplo e construção de caráter.

Embora sucinto este registro, o cronista deixa a observação que, nalgum tempo em Patamuté – década de 1960 – teve saudável e agradável convivência com familiares de Pedro Alves de Sena, que muito acrescentou e lhe deu lições de vida.

Em tempo:

Mandaçaia é uma espécie de abelha muito comum no sertão nordestino.

araujo-costa@uol.com.br     

As ditaduras e o “prosperar da desonra”

Em 30/01/2026 a presidente interina da Venezuela anunciou uma lei geral de anistia para soltar todos os presos políticos que os ditadores Hugo Chávez e Nicolás Maduro encarceraram desde 1999.

Lá, como aqui, existe uma simbiose vergonhosa entre Governo e Suprema Corte.

Aqui também temos presos políticos.

Entretanto, não temos políticos corruptos presos, tampouco temos encarcerados magistrados envolvidos em falcatruas.

O Congresso Nacional, esse valhacouto de interesseiros, queda-se inerte e não se dispõe a votar uma lei de anistia para corrigir injustiças.

Quem sabe o Supremo Tribunal Federal siga o exemplo da presidente interina da Venezuela e mande soltar dezenas de inocentes que estão encarcerados, inclusive pessoas humildes do povo condenadas sob o argumento de tentativa de um suposto golpe de Estado.  

Dentre os presos e processados pelo STF estavam pessoas em condições de vulnerabilidade, tais como: vendedor ambulante de água em semáforos de Brasília, morador de rua, autista e pessoas com deficiência.

Todavia, para suas subidas e intocáveis Excelências do STF, essas humildes criaturas são perigosos criminosos que estavam arquitetando um golpe de Estado no Brasil.  

Definitivamente não vivemos num País sério.

Talvez a atabalhoada pressa do Supremo Tribunal Federal ao julgar os acusados de participarem do 08/01/2023 tenha sido para ofuscar os escândalos em que alguns ministros estão envolvidos e que só agora veio à tona e inundam as páginas do noticiário.

Quiçá o escarcéu, o excesso de barulho e a ânsia por holofotes de ministros do STF sobre essa suposta tentativa de golpe de Estado tenham servido para desnudar a hipocrisia e a vaidade de alguns deles.  

Com se vê, estamos diante do “prosperar da desonra” e assistindo, impotentes, “agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus” dos quais falava o jurista Ruy Barbosa.

araujo-costa@uol.com.br