“Eles são treinados para acreditar, não para saber. A crença pode ser manipulada. Apenas o conhecimento é perigoso.” (Frank Herbert, escritor e jornalista americano, 1920-1986)
Mais um. E certamente virão outros.
O decorativo Consórcio Nordeste surgiu em 2019 para ser o “instrumento jurídico, político e econômico de integração dos nove Estados da região Nordeste do Brasil, um território de desenvolvimento sustentável e solidário”, segundo ele próprio.
Criado em forma de autarquia interestadual, integra os nove estados da Região para promover o desenvolvimento sustentável, compras públicas conjuntas e políticas integradas.
A ideia é boa, mas não funciona. Seria ótima se interesses escusos não tivessem se imiscuído e respingado nas decisões da autarquia e desfigurado seu louvável objetivo.
Todavia, governadores nordestinos e aliados dizem que funciona.
Aliás, muita coisa no Nordeste funciona. Por exemplo, esposas de ex-governadores ganharem cargos vitalícios em Tribunais de Contas com salários beirando R$ 40 mil por mês, mais penduricalhos e mordomias. São exemplos as mulheres de Rui Costa (PT-BA), Wellyngton Dias (PT-PI), Camilo Santana (PT-CE), Renan Filho (MDB-AL) e a esposa do ministro lulista Waldez Góes, no Norte.
Onde há políticos espertos e dinheiro público é mínima a chance de qualquer empreendimento em benefício do povo dar certo.
O Consórcio Nordeste se envolveu no sobejamente conhecido escândalo dos respiradores, ainda não resolvido.
À época dirigido pelo petista Rui Costa, então governador da Bahia, jogou pelo ralo pelo menos R$ 48 milhões do povo: pagou adiantado os respiradores e não os recebeu.
Protagonista do escândalo, o imponente Rui Costa depois passou pela Casa Civil de Lula da Silva (ministro-chefe) e hoje é candidatíssimo a senador da altaneira Bahia, eleição praticamente garantida.
Em 2022, a Região Nordeste despejou nas urnas 69,34% dos votos válidos em favor de Lula da Silva. Nos dias de hoje, a Região parece não ser bem assim, tão arraigadamente lulopetista.
Em razão disto, o PT pensa em engendrar a criação de outro comitê, desta vez o Comitê Nordeste, com o intuito de uniformizar o discurso de Lula na campanha das próximas eleições de outubro de 2026 em todos os nove estados e tentar estancar o derretimento de Lula nas pesquisas.
Lula não anda falando coisa com coisa e, claro, precisa vigilância em suas falas espalhafatosas, que passaram a ser matéria-prima para os humoristas e desânimo para quem pensa em dias melhores para as novas gerações.
Trata-se de um comitê político e não se sabe, ainda, quem o financiará.
Não parece exagero se conjecturar que o comitê será financiado com o dinheiro dos pagadores de impostos, talvez do fundo eleitoral ou coisa parecida.
Eles sempre dão um jeito. São sabidíssimos.
Messiânico, Lula da Silva fala o que sua legião de fanáticos quer e gosta de ouvir, mas se perde quando o assunto se distancia da demagogia.
Quando, em 1989, fazíamos eventos em São Bernardo do Campo, para turbinar a primeira candidatura de Lula à presidência da República, a gente pensava que Lula ia dar certo. Ainda jovem, mas sempre demagogo.
Deu certo. Mas se juntou a radicais, interesseiros, embusteiros e farsantes que o levaram ao despenhadeiro com a complacência dele.
Alguém, em sã consciência, além dos fanáticos lulopetistas, pode acreditar no que dizem os radicais Guilherme Boulos (SP), André Janones (MG), Paulo Pimenta (RS), Gleisi Hoffmann (PR) e Lindberg Farias (RJ), por exemplo?
Enquanto isto, parte significativa dos brasileiros são treinados politicamente para acreditar e não para saber, como dizia Frank Herbert.
Por isto, a ideia do Comitê Nordeste.
araujo costa-@uol.com.br









