
Em jornalismo é muito comum o uso da palavra lide, do inglês lead, que significa o primeiro parágrafo de uma reportagem onde se pergunta: o quê? quem? quando? onde? como? por quê?
Isto significa que a informação deve se sustentar em parâmetros tais que a verdade não seja ofuscada, tampouco tendenciosa, mas claramente exposta, inquestionavelmente segura.
Entretanto, parece que parte do jornalismo de hoje não vem obedecendo a esses princípios de credibilidade. Faltam-lhe as perguntas básicas para ampararem a seriedade da informação. Faltam-lhe as respostas.
Em data recente, a imprensa noticiou que o ex-prefeito Pedro Oliveira, de Curaçá, dentre outros ex-alcaides baianos, foi aquinhoado com um cargo na Limpurb, empresa criada em 1979 e que tem a Prefeitura de Salvador como acionista majoritária e cuida da limpeza urbana e sustentabilidade ambiental da capital soteropolitana
Logo, o assunto resvalou para a polarização política, como se isto fosse novidade nas administrações públicas em todas as esferas espalhadas pelo Brasil.
O prefeito Bruno Reis, de Salvador (União Brasil), é muito próximo do sertão e tem amigos em Curaçá. A primeira-dama de Salvador é natural de Uauá.
Grosso modo, nem precisa ir longe. A Prefeitura de Curaçá, por exemplo, certamente teve ou tem apadrinhamentos em cargos comissionados ou não, independentemente do prefeito de plantão e de sua convicção política.
Se a prática não é ilegal, nem imoral, não há impedimento.
Não conheço o senhor Pedro Oliveira, o que para ele, não tem nenhuma ou qualquer importância.
Aliás, quando Pedro Oliveira era prefeito de nosso altaneiro município de Curaçá e estava envolvido numa teia de notícias espinhosas, consultei Sua Excelência no sentido de conceder uma entrevista a este blog.
O então prefeito não respondeu, sequer por educação, mas suponho que seja um homem educado. Tampouco sinalizou qualquer contato e atenção através de sua eficiente e diligente assessoria.
Por óbvio, o prefeito declinou da entrevista e, ato contínuo, demonstrou simultâneo desprezo por este insignificante curaçaense filho de Patamuté, pelo que agradeço.
Entretanto, neste ano eleitoral, a Bahia se prepara para escolher, nas urnas de outubro, a continuidade do petista Jerônimo Rodrigues à frente do governo do Estado ou alçar ACM Neto (União Brasil) que lhe faz oposição, pelo menos, por enquanto.
Esse assunto do cargo do ex-prefeito de Curaçá passou a ser recorrente, tendo em vista que, salvo engano, o político pertence ao grupo de ACM Neto e, por conseguinte, de Bruno Reis.
Pactuar com essa forma rasteira e desgastante de fazer política é apequenar o debate, empurrá-lo para a aridez das incompreensões.
O certo é que ainda não aprendemos a fazer política compatível com a robustez exigida pelos valores da sociedade.
Misturam-se alhos com bugalhos, rebaixa-se o entendimento político, descamba-se para o vale da falta de seriedade.
Talvez por isto, nossa educação política esteja tão longe de se afastar da pequenez e do obscurantismo partidário.
O que o exercício de um cargo periférico ocupado por um ex-prefeito, numa empresa vinculada ao município de Salvador, tem a ver com a seriedade ou não de quem disputa o governo da Bahia?
araujo-costa@uol.com.br










