“Do rio que tudo arrasta se diz violento, mas não se dizem violentas as margens que o oprimem” (Bertold Brecht, dramaturgo alemão, 1898-1956).
Vamos enfrentar eleições neste conturbado ano de 2026. Se estivéssemos numa democracia plena, tudo bem, tudo normal.

Contudo, estamos numa ditadura disfarçada de democracia. Aqui acontecem prisões políticas, que muitos negam, abafam-se escândalos e escondem-se maracutaias para proteger poderosos e decretam-se sigilos sobre assuntos que a sociedade tem o direito de conhecer.
Riem-se da situação dos miseráveis, espezinham quem precisa comer.
Conchavos e jantares nababescos entre poderosos dos Três Poderes, às escondidas, com o dinheiro de pagadores de impostos, zombam da miserabilidade dos brasileiros que estão nessa condição de miseráveis.
Autoridades sobem ao topo do pedestal da indecência e da imoralidade.
Quanto aos pré-candidatos à presidência da República, de um lado, à esquerda, Lula da Silva (PT), beirando à senilidade e boquirroto, que expele asneiras a torto e a direito, sempre que lhe aparecem à frente microfones, holofotes, asseclas e fanáticos que o admiram e aplaudem.
De outro lado, a chamada direita completamente perdida, vazia, dividida, confusa, ingênua e despreparada, sem candidato definido para enfrentar Lula da Silva e seus radicais sem noção. Tem apenas uma hipótese esfrangalhada, por enquanto: o senador Flávio Bolsonaro (PL).
Noutro cenário, também tenebroso, deputados federais e senadores preocupados com o próprio umbigo e o Supremo Tribunal Federal arrogante e de costas para a sociedade, derretendo-se em confusões que beiram ao escândalo, credibilidade ladeira abaixo, despenhadeiro à vista.
Nos estados, tudo como dantes: políticos espertos, “sabidíssimos e safadíssimos”, como dizia o antropólogo Darcy Ribeiro, todos com o intuito indisfarçável de assegurarem as benesses, cargos para seus apaniguados e familiares, poder e dinheiro fácil à custa da miséria do povo.
E Lula da Silva, o PT e aliados dizendo – e os lulopetistas acreditando – que Lula exterminou a pobreza no Brasil. E quem passa fome não sabe por onde anda a comida e nem o caminho para encontrá-la.
A sociedade – ou, pelo menos, parte dela – está tolhida em seu direito constitucional de liberdade de pensamento e de expressão, amordaçada, censurada e, sobretudo, sem perspectivas de uma alvorada de liberdade democrática.
O Supremo Tribunal Federal chamou para si o monopólio da verdade – a verdade que STF entende verdadeira – e ainda há ministros da Corte que se dizem defensores da democracia. Pior: Há quem acredite.
Tempos difíceis. O Brasil se distancia da ordem e do progresso e aproxima-se do caos.
Como dizia o sábio caatingueiro e vaqueiro Luís Lopes (Luisinho), honra e glória do meu município baiano de Curaçá:
“Já vi que passou o planeta. Só escapa quem voa!”
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