
“O passado não é o que passou. É o que ficou do que passou.” (Alceu Amoroso Lima, Tristão de Athayde, 1893-1983)
Ao apagar das luzes de 2019, em meio aos festejos de São Benedito e Bom Jesus da Boa Morte, Curaçá perdeu D. Elita Soares Ferreira.
Viúva de José Ferreira Só (Zé de Roque), respeitado líder político de Curaçá, D. Elita deixou família numerosa, civilizada, exemplar e bem estruturada.
Conheci D. Elita em sua casa. Estávamos em 1974. Já se vão, por aí, mais de cinco décadas.
Bem situado no contexto político do município, Zé de Roque apoiava o deputado estadual Jayro Nunes Sento Sé e o deputado federal Theódulo Lins de Albuquerque, ambos da Aliança Renovadora Nacional (ARENA). Jayro nascido em Juazeiro e Theódulo em Pilão Arcado.
Jayro Sento Sé fez uma visita ao líder Zé de Roque em Curaçá e os estudantes do Colégio Municipal Professor Ivo Braga aos quais me incluía foram pedir uma contribuição ao deputado, para o “Livro de Ouro”, com o intuito de sustentarem as solenidades de conclusão do curso ginasial. Zé de Roque viabilizou a visita e o contato com os estudantes.
Naquele tempo, era comum estudantes concluintes dos cursos ginasial e colegial instituírem o chamado “Livro de Ouro”, com o intuito de arrecadar contribuições para o custeio das solenidades de formatura.
Não sei se a tradição ainda existe.
Honra-me, até hoje, a amizade de juventude que mantive com dois filhos de D. Elita: Wilson José Soares Ferreira e David José Ferreira Só, meus colegas no Colégio Ivo Braga. As circunstâncias afastaram da convivência, mas mantiveram a consideração.
O tempo me permitiu conviver com D. Elita também na Prefeitura de Curaçá.
A humildade de D. Elita era impressionante. Olhar sincero, palavras sábias, sorriso que falava à alma. Quiçá tenha sido essa sabedoria exemplar e ímpar que tapetou o caminho que ela trilhou na construção de sua nobre família.
Se minha memória esburacada pela passagem do tempo não falha – e sempre falha – o casamento de D. Elita e Zé de Roque lhes permitiu os filhos Hélio, Juscelita Rosa, Helita, Maria do Socorro, Roque, Lilian, Edna, Fábio, Davi, Marcos Aurélio e Wilson.
Este escrevinhador, em idade septuagenária, pede escusas à nobre família de D. Elita se os nomes citados estiverem grafados incorretamente. A citação pode conter omissões, erros, incongruências.
O passar das décadas corrói a memória, dificulta a plenitude das lembranças.
Entretanto, vale aqui, precipuamente, tão somente o registro no sentido de que D. Elita era esteio e exemplo de vida e cuidou, com desvelo, dessa família numerosa, nobre e bem estruturada.
Entretanto, as dobras do tempo se encarregam de impedir o esquecimento de sua presença entre nós.
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