Colunismo social, jabá e a liderança de Mário Negromonte Júnior.

Vereador Rogério Bahia, de Curaçá/Crédito Curaçá Oficial

Nos jornais impressos – sou um jurássico ultrapassado, com redundância e tudo – inventou-se uma tripa com notas curtas, quase imperceptíveis, para que nelas fossem publicadas as demandas de fontes que se achavam no direito de ser recompensadas pelas informações passadas ao jornalista.

As redações dos jornais, jocosamente, apelidaram essas tripas de “lixão”, porque lá se descartavam as demandas de somenos, as reivindicações daquelas fontes pretensiosas.

Nos dias de agora, por óbvio, predominam as geringonças eletrônicas que se incompatibilizam com os tradicionais jornais impressos, o que não significa dizer que os jabás desapareceram. Eles estão por aí, vivíssimos da silva, rodeando comentaristas políticos, colunistas sociais, et cetera.

E os jabás se materializam em presentes, entradas em regabofes, acesso a maçanetas de gabinetes importantes e por aí vai.   

Esta lembrança vem a propósito de um artigo que publiquei neste blog em 28/05/2023 com o título Deputado Mário Júnior pode ser a esperança do sertão (link no final deste texto).

Professor da região, que prezo muito, fez uma crítica ácida sobre dito artigo: “Esta matéria tem cheiro de jabá”, sentenciou o mestre.

À vista da equívoca interpretação, agradeci o comentário do insigne mestre e respondi nos termos seguintes:

“Não, professor. Não tem cheiro de jabá. Seu olfato não está bom. Convém cuidar dele para não sair por aí sentindo cheiro onde não existe.

Jabá, para quem não sabe – e ninguém tem obrigação de saber – é um eufemismo existente nos meios jornalísticos e de comunicação para significar recebimento de recompensa, noutras palavras, de propina, para priorizar publicação de matérias ou viabilizar o comparecimento a programas jornalísticos, de entretenimento ou de qualquer natureza do interesse de quem se dispõe a pagar.

Como se vê, é uma pratica aética, imoral, desprezível, hipócrita.     

Confesso ao conspícuo e nobilíssimo professor que, inobstante a prática que ele parece achar corriqueira, ainda sou um dinossauro ético e prezo pelo exercício diuturno da ética em qualquer profissão ou atividade humana, inclusive, por óbvio, no jornalismo.

Não tenho a pretensão de ter a “espinha inflexível do caráter”, como diria Raul Pompéia (O Ateneu), mas considero-me incapaz de receber quaisquer recompensas a troco de eventual publicação de qualquer assunto, em meu blog, que beneficie A, B, C ou Z.

Quiçá, eu seja o “avesso, do avesso, do avesso”, como diz Caetano Veloso, concernentemente à prática que o ilustre mestre equivocadamente aponta em minha humilde conduta.

Para conhecimento do insigne professor, esclareço que não conheço o deputado Mário Negromonte Júnior (PP-BA) e nunca fiz contato com sua assessoria pessoal ou parlamentar, de modo que o jabá não existiu, nem é do meu feitio receber.

Ademais, é razoável supor que o deputado não estaria disposto a pagar se, indecentemente, fosse instado a fazer. É temerário generalizar, menos ainda, quando se trata de um jornalista das caatingas de Patamuté.

Em Patamuté, naquela caatinga esturricada, a vergonha vem do berço.

O artigo restringe-se tão somente à história política do sertão baiano e, como tal, não tem o intuito de elogiar ou enaltecer o deputado Mário Negromonte Júnior.

No mais, sou grato ao professor por ter lido meu texto e penitencio-me se não estiver à altura de seu conhecimento de mestre, mormente relativamente ao jabá”.

Em frente.

Agora noticia-se que o deputado Mário Negromonte Júnior foi bem votado nos municípios de nossa região nas eleições de 04/10/2026.

Em Curaçá – parece – o retro aludido deputado teve o apoio do sempre lembrado e conspícuo vereador Rogério Bahia que lhe assegurou votação considerável. 

Vai daí que meu artigo de 2023 nada tem a ver com jabá, mas se espelha na realidade política de nossa região.

Mário Negromonte Júnior é uma liderança inconteste na região.

araujo-costa@uol.com.br

Eleições no Nordeste e conversa para nordestino cochilar

Abertas as urnas de 04 de outubro no Nordeste, o mapa da vontade  popular permanece intacto relativamente aos pleitos anteriores: a dianteira de Lula da Silva.

Como se vê, a grande  votação de Lula da Silva foi assegurada, basicamente, pelos estados da Região Nordeste. Lá ele ganha em grande estilo.

Isto foi suficiente para que vozes ancoradas  nas redes sociais lançassem pedras contra os nordestinos, que precisam mesmo é de sossego para enfrentar os problemas diários, que são muitos e não há hipótese de Lula da Silva resolvê-los, inobstante as promessas. 

No segundo turno, a mesma lengalenga vai se repetir, certamente.

Nordestino e baiano que sou, quero meter o bedelho nessa conversa insossa, excessivamente idiota, desconexa, inoportuna e abominável.

O pessoal que fala mal dos nordestinos gosta mesmo é de lorota, balela. O voto é a expressão maior da democracia, que todos dizem querer. Ou não?

Então, devemos conviver com os contrários e respeitar suas escolhas.

A população nordestina tem o direito de votar em quem bem entender, seja em candidatos da esquerda ou da direita, ou em quaisquer outros sustentados por essas excrescências partidárias que estão por aí.

Eleição não é mesmo para escolher? 

Oportuno lembrar que na região Nordeste, ainda prevalece, com muita clareza, a figura do político bonachão que se sobressai sobre questões ideológicas, que pouco ou nada importam.

O eleitor vota no candidato, independentemente do partido político que o abriga.       

Contudo, os nordestinos são duros na queda.

Estamos acostumados com seca, sofrimento, fome, miséria, abandono do poder público, críticas de sociólogos e cientistas políticos e abismos de toda ordem. E continuamos firmes, fortes, decididos e, sempre, dando o que falar.

Somos mesmo importantes. E daí? 

E mais: não obstante as constantes safras de políticos ruins, eles ainda não conseguiram destruir o Nordeste. Bem que tentam.  

Os nordestinos não estão interessados em conversa fiada. Têm o direito de decidir sobre o seu destino. Se a escolha não for bem-feita, isto não invalida o direito de escolher.

Escolher errado também faz parte do exercício democrático.

Na Bahia, persiste o feudo petista, como já era esperado.

ACM Neto perdeu simplesmente porque o governador petista Jerônimo Rodrigues teve mais votos. Só isto. A democracia é assim, a maioria vence e a minoria baixa a crista.

Entretanto, ACM Neto disse que a derrota foi reflexo de uma campanha de “baixo nível” (G1 Bahia, 04/10/2026). Isto é o que o PT sabe fazer com maestria, mas a maioria dos eleitores baianos acolheu a campanha petista.

A diferença, acima de um milhão de votos, parece não comportar explicações para justificar a derrota.

Havemos de nos submeter às regras. E as regras dizem que a disputa se dá nas ruas e nas urnas. Quem tiver mais votos vence. É lógico, razoável, incontrastável, inquestionável.

Essa conversa cabeluda de que o Nordeste não sabe escolher tem tanta importância quanto a falta de importância. É de somenos, coisa de gente que não está acostumada com as surpresas das disputas eleitorais.

Nós nordestinos conhecemos muito bem isto. Desde sempre convivemos com campanhas eleitorais desde os tempos das oligarquias rurais.

Temos experiência até para dizer que o candidato que ganhar nas urnas de outubro não vai resolver a situação do Nordeste. Nem do Brasil. Mas fará o seu papel de demagogo, como todos fazem em épocas eleitorais e dirá estrategicamente o que o povo quer ouvir.

Há muita gente do Sul e Sudeste em polvorosa, criticando os nordestinos. Isto nos dá uma malemolência danada.

É conversa para nordestino cochilar.

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O dever de não arranhar a História

Capa do Livro História de Chorrochó, de 2015

Lançado em 2015, com rico prefácio de lavra da professora Maria Rita da Luz Menezes, é razoável presumir que o livro já faz parte das bibliotecas das escolas de Chorrochó. E, se ainda não o faz, urge fazê-lo.

Trata-se de obra fundamental para conhecimento das origens do município, peculiaridades e costumes de sua gente, em toda dimensão social e política.  

O livro registra a concepção da Bandeira de Chorrochó, importante símbolo do município.

Bandeira de Chorrochó

É tão somente um tênue registro.

Devemos zelar pela conformidade entre os dias de agora e os alicerces históricos do município.

araujo-costa@uol.com.br

Os estúpidos da República

“Aquele que nesciamente se torna frade, nesciamente morre e, ainda, quiçá, se vai para o inferno” (Alfonso de Valdés, humanista espanhol, 1490-1532)

O Brasil está infestado de néscios. Os estúpidos abundam. Mentecaptos povoam acintosamente os Poderes da República.

O bem público deixou de ser público para ser pretexto de enriquecimento de inescrupulosos.

A ética parece figura desprezível, obsoleta, em extinção.

Alguns ministros do Supremo Tribunal Federal estão moralmente esfacelados, em decorrência do caminho reprovável que escolheram, incompatível com a nobreza da magistratura.

Além de triste e estarrecedora, a situação é vergonhosa. O STF está de cócoras, ajoelhado diante das degenerescências morais e humilhado perante o mundo.

Em consequência, a respeitada e honrada instituição Supremo Tribunal Federal vem perdendo substancialmente a credibilidade diante de parte da sociedade.

Pesquisa Datafolha diz que 48% dos brasileiros não confiam no Supremo Tribunal Federal (G1, 18/09/2026).

De outro turno, pesquisa Atlas/Intel/Estadão diz que 6 a cada 10 brasileiros não confiam em nossa Suprema Corte (Gazeta do Povo, 22/09/2026).

A mesma pesquisa atesta que o índice entre os jovens eleva-se. A desconfiança chega a 81,9% entre jovens de 16 a 24 anos.

Ou seja, os jovens estão perdendo a esperança na Justiça do Brasil que sempre foi exemplo de seriedade e honradez.

Até a Procuradoria-Geral da República, antes inatacável por significar o esteio de defesa da sociedade e instituição altamente respeitada, foi atingida por respingos indecentes protagonizados pelo atual Procurador-Geral.

O sonho de um Brasil decente e gigante se esvai à semelhança de fumaça ao vento.

O Poder Legislativo (Câmara dos Deputados e Senado Federal) caiu no despenhadeiro da falta de credibilidade. Os presidentes das duas casas do Congresso Nacional estão sendo apontados de desvio de conduta o que, a rigor, não chega a ser nenhuma novidade.

Exemplos de pequenez política pululam quaisquer que sejam as ocasiões.

O Poder Executivo federal está capengando, em razão de acusações frequentes contra pessoas do entorno do presidente da República, inclusive quanto possível prática de corrupção, o que não chega a ser nenhuma surpresa nos governos petistas, tampouco noutros governos.

É razoável ponderar que o caráter dos corruptos – ou a falta desse caráter – não escolhe coloração partidária, seja de direita, de centro, de esquerda ou de qualquer lado.

Como se vê, há néscios de sobra em nossa cambaleante República.

Neste particular, eventual vontade de mudar se materializa na voz das urnas. Se não soubermos definir nossas escolhas, estaremos condenando o Brasil a continuar com um Judiciário que abriga indecentes, um Executivo insincero e um Legislativo apodrecido.

araujo-costa@uol.com.br

Quando prosseguir é necessário

Soneide Cardoso Luz/Arquivo pessoal

Encontrando Forças para Prosseguir é o novo livro de Soneide Cardoso Luz, dentre outros já publicados pela autora, a exemplo de Entre o Amor e a Esperança.

O livro é uma agradável reflexão sobre paciência e fé e, sobretudo, a necessidade de seguir adiante, mesmo antevendo os tropeços e a escuridão do caminho.

Trata-se, ainda, de outra reflexão, esta mais teológica: a bondade, fidelidade e o silêncio de Deus, tão fundamentais para apararem as arestas, a arrogância e os rumos das fraquezas humanas.

A autora se debruça sobre as “expressões da fé” para entender o caminho, a ingente caminhada e as surpresas da alvorada desconhecida e distante.

Livro Encontrando Forças Para Prosseguir, de autoria de Soneide Cardoso

Além de escritora, Soneide é cantora. Lembro o início difícil, décadas atrás, ao gravar o primeiro disco – um LP, salvo engano – objetivo inabalável a guiar-lhe a vida evangélica que escolheu e a difusão da palavra de Deus através da música.

Lembro, outrossim, sua passagem pela Rua Cabrobó, na aprazível e pernambucana Belém do São Francisco, o apego e dedicação à família, sua mãe Cecília, sua irmã Ivete e todos do núcleo familiar que a admiram.

Soneide é graduada em Letras, tem especialização em Educação de Jovens e Adultos. Professora da rede estadual da Bahia, sua atuação lhe agraciou com alguns prêmios ligados à cultura, inclusive em Pernambuco.

À semelhança de um caminhante da fé, Soneide viveu em Pernambuco, morou na pujante e baiana Feira de Santana e, agora, salvo engano, se fixou em Salvador, de onde espalha e irradia seu brilhantismo e sua contribuição à causa evangélica.

É razoável presumir que Soneide Cardoso cuida de indicar o caminho em direção à plenitude da vida, entendida como a compatibilização do possível com equilíbrio social e o bem viver.    

O livro é recomendável, por todos os méritos que contém, assim como os demais que Soneide publicou. É uma lição de vida sempre necessária a todos nós que trilhamos esse pedregoso caminho em direção ao desconhecido e à finitude, tantas vezes desatentos à fé e ao silêncio de Deus.

Êxito sempre à brilhante escritora Soneide Cardoso Luz.

araujo-costa@uol.com.br

O “comandante” e “conselheiro” Otto Alencar

Senador Otto Alencar, PSD-BA/Senado Federal

Parece não haver dúvidas, pelo que se sabe até aqui, que a rede de maracutaias financeiras engendrada pelo banqueiro Daniel Vorcaro tem fortes tentáculos na Bahia.

E, salvo engano, vem de longe.

A EBAL-Empresa Baiana de Alimentos, responsável por uma rede de supermercados públicos foi privatizada em 2018 e vendida para um grupo com base em São Paulo. Com ela foram-se as Cestas do Povo tão fundamentais para os baianos.

A Cesta do Povo foi criada em 1979 pelo então governador Antonio Carlos Magalhães (ACM).

Ou seja, já sob o domínio dos governos do PT, a gestão do excelentíssimo Rui Costa vendeu a estatal Cesta do Povo e, a partir daí o empresário Augusto Ferreira Lima, que tem livre trânsito no feudo petista e depois se associou a Daniel Vorcaro, transformou o Credcesta em eficiente ferramenta de expansão do Banco Master.

O Credcesta foi estruturado para operar com exclusividade o crédito consignado dos servidores estaduais da Bahia.

O ex-governador e senador Jaques Wagner era, à época, Secretário de Desenvolvimento da Bahia e capitaneou o negócio que, segundo ele, foi uma maravilha.

E o que o senador Otto Alencar (PSD) tem com isto?

Aparentemente nada.

Fervoroso carlista, sustentado e pendurado nas rédeas da política de ACM, Otto Alencar passou a ser lulista arraigado, de modo que se trata de um político camaleão, que muda de coloração em consonância com o ambiente e interesses.

Em sua carreira política, pulou de partido em partido, sem nenhum pudor. Esgueirou-se do Partido Democrático Social (PDS), sustentáculo da ditadura militar, passando por PTB, PL, PFL, DEM, PP e hoje se encostou, confortavelmente, ao PSD de Gilberto Kassab, até aparecer outro que lhe estale os dedos.

De filhote da ditadura passou a aliado da esquerda petista. A rigor, sua vida partidária meneia de acordo com a conveniência de momento.   

Otto Alencar adora apadrinhar parentes no Tribunal de Contas do Estado da Bahia (TCM-BA), o que, por extensão, beneficia a si próprio.

Consta que Otto Alencar tem uma rede de amigos prefeitos, ex-prefeitos e membros de Câmaras Municipais nos 417 municípios baianos, em razão de ter sido conselheiro do Tribunal de Contas dos Municípios durante seis anos.

Lulista espalhafatoso, Otto Alencar é defensor das políticas do PT e, talvez aí, tenha nascido a suposta proximidade com o banqueiro Daniel Vorcaro, que o chama de “comandante” e “conselheiro”, o que o senador nega (O Globo/UOL, 19/09/2026).    

Mas esta história de “comandante” e “conselheiro” talvez agasalhe alguma relação dele com o banqueiro, ainda que tênue e mesmo superficial, considerando que na Bahia petistas graúdos estão envolvidos, segundo as investigações em andamento. É o que diz a imprensa.

Todavia, nesse lamaçal do Banco Master, alguém já viu algum político ou ministro do Supremo Tribunal Federal admitir envolvimento com Daniel Vorcaro?

Até mesmo o senador Flávio Bolsonaro (PL) se nega a dizer que teve relações financeiras com o banqueiro. E parece que tem.

araujo-costa@uol.com.br

Suprema indecência

Edifício do Supremo Tribunal Federal

Em 15/09/2026, ministros do Supremo Tribunal Federal protagonizaram um triste e vergonhoso espetáculo de falta de civilidade e jogaram a credibilidade do Tribunal, que já é pouca, no despenhadeiro da indecência e da imoralidade.

A nobreza e a liturgia do Poder Judiciário de nossa combalida República, infestada de mentecaptos, foram gritantemente arranhadas por ministros do Supremo Tribunal Federal, de onde deveria vir o exemplo de sabedoria, lhaneza e decência.

Ministros se engalfinharam verbalmente, de modo que estarreceram a todos nós, simples mortais acostumados com ambientes mais civilizados.

O lamaçal se espalhou pelo Supremo Tribunal Federal e a Corte a cada dia se distancia mais da sociedade, que espera ministros probos, decentes e respeitadores da liturgia do cargo de magistrado. E, sobretudo, de caráter irrepreensível.

Os ministros não chegaram a nenhuma conclusão quanto ao objetivo para o qual a sessão foi convocada.

O ego, a vaidade e a falta de compostura subiram às nuvens, apequenaram os ministros e enxovalharam as já rotas togas de Suas Excelências.

Relativamente ao desfecho, qualquer primeiranista de Direito já sabia que haveria um pedido de vista para adiar a decisão e anuviar a discussão quanto a prática de corrupção no tribunal. A decisão final quando houver, se houver, talvez seja nada.

Ingênuos somos nós que acreditamos que no Brasil todos são iguais perante a lei.

No Brasil, a lei não é igual para todos. Nunca foi.

A lei pune os fracos e oprimidos e beneficia os poderosos e intocáveis.

Que Deus tenha piedade do Brasil e dos brasileiros.

araujo-costa@uol.com.br

As saudáveis peripécias de Raimundo Reis

Raimundo Reis em foto de 1986/Arquivo pessoal

“Depois de certa idade não devemos nos importar muito com o futuro. O que deve ser louvado é o passado.” (Raimundo Reis, 1930-2002).

Raimundo Reis de Oliveira, baiano de Santo Antonio da Glória, antigo Curral dos Bois, sertanejo de espírito irreverente, advogado, político, jornalista, cronista, escritor e radialista, era filho de Filomena Oliveira Reis, sobrinho de Pedro Reis e neto de Petronilo de Alcântara Reis, o lendário “coronel” Petro.

No tempo em que os partidos políticos ainda não eram esse amontoado de excrescência de agora, foi deputado estadual pelo antigo Partido Social Democrático.

O PSD da Bahia foi a maior escola política, filosófica e partidária do período 1946-1964.

Inteligente, boêmio e espirituoso, apaixonado pelo sertão e por Macururé, que ajudou a tornar município, escreveu muita coisa ao longo de sua existência de intelectual.

Raimundo Reis contava que conheceu Macururé, ainda criança, numa viagem que fez até lá em companhia do “coronel” Petro e do tenente José Izidro, seu padrinho. Disse que enfrentou as areias do Brejo do Burgo e do Salgado do Melão e se apaixonou por Macururé que, anos mais tarde, se tornou seu reduto eleitoral. Falava de Hemetério Gomes, Vadinho e Silvino, respeitáveis lideranças de Macururé.

Raimundo Reis escreveu alguns livros, dentre esses Geografia do Amor, Malhada do Sal, A mulher de Boquim e Zé do Brejo, este último lançado por uma editora que tinha o sugestivo nome de Várzea da Ema.

Aliás, o povoado de Várzea da Ema, município de Chorrochó, fez parte dos domínios do “coronel” Petro, assim como as Fazendas Paus Pretos e Perdidos, referências históricas daquela quadra do tempo.

Ainda em Glória, a família o mandou estudar em Sergipe.

Na hora da despedida, o pai lhe disse, com ar professoral de legítimo sertanejo defensor de sua honra:

– Vá. Cuidado com a vida. Seja homem!

Raimundo Reis foi e evoluiu. Estudou o primário em Aracaju e o secundário no Colégio Santanópolis, em Feira de Santana. Cursou Direito, foi jornalista, deputado estadual pelo antigo PSD da Bahia (1959-1963), radialista da Rádio Sociedade da Bahia, cronista, escritor e boêmio incorrigível.

Meu contato com Raimundo Reis remonta ao tempo da Revista Legislação e Jurisprudência Fiscal (LJF), de Salvador, década de 1980. Lá também escrevia o jurista, intelectual e político Edvaldo Brito, um dos mais respeitáveis homens públicos da Bahia que em 2026 é candidato a suplente do senador petista Jaques Wagner.

Inteligente e espirituoso, apaixonado pelo sertão e por Macururé, que ajudou a tornar município, Raimundo escreveu muita coisa ao longo de sua existência de intelectual.

Raimundo Reis e João Carlos Tourinho Dantas, colegas na legislatura de 1959-1963, foram os responsáveis pela aprovação da lei que, em 1962, elevou Macururé à categoria de município, emancipando-o de Glória.

Um dia, já experimentado pelos tropeços do dia a dia e lembrando as palavras do pai, Raimundo Reis sentenciou, irônico:    

– Cuidar da vida até que tem sido fácil. O difícil é ser homem.

Raimundo Reis era encantador. Um dia, em maio de 1987, me chamou de “ínclito filho de Patamuté”. Senti-me lisonjeado. Sou até hoje.

Nascido a 04/03/1930, faleceu em dia de festa, 24 de dezembro de 2002.

Raimundo foi festivo até na morte.

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Chorrochó, 72 anos: É preciso respeitar nossos símbolos.

Dorotheu Pacheco de Menezes/Arquivo Dr. Francisco Afonso de Menezes

Chorrochó alcança 72 anos de emancipação política neste 12 de setembro.

Por óbvio, em todo caminhar há tropeços. Dorotheu Pacheco de Menezes, principal baluarte na luta pela emancipação, fez parte desses tropeços.

Em sendo assim, a história de Chorrochó registra avanços tímidos nessas sete décadas, em razão de sucessivas gestões titubeantes que ofuscaram prioridades, até por ausência de visão de futuro e, talvez, tendo em vista as precariedades das rendas do município.

O aniversário do município comporta outro registro, desta vez relativamente ao Legislativo.

A Câmara Municipal de Chorrochó mudou, vem mudando paulatinamente para melhor. Trata-se de uma constatação.

Há alguns anos, a Câmara Municipal amargava histórico de apatia e ociosidade quanto à construção do futuro do município. Era sofrível a atuação dos vereadores.

Considerados alguns interregnos louváveis, a Câmara de Chorrochó mais se posicionou como simples anuente de decisões e de atos do Poder Executivo Municipal e isto dificultou, em anos, o desenvolvimento do município.

Faltou inquietude aos edis, vigilância, dinamismo e olhar atento às necessidades da população. Quiçá, sobrou comodismo, subserviência, tenaz necessidade de vislumbrar o futuro.

Agora – e já há algum tempo, felizmente – a Edilidade parece ter avançado em direção aos interesses mais prementes da sociedade. E aqui cito a dinâmica e o pontapé inicial da presidência de Pascoal Almeida Lima Tercius (Tércio de Fafá), sem, contudo, ofuscar o mérito das demais, todas merecedoras de respeito e reconhecimento.  

É razoável presumir que a direção da Câmara Municipal, hoje, está em boas mãos.

De qualquer modo, como já escrevi muito sobre o município de Chorrochó – e até tenho sido repetitivo – hoje me quedo mais aos seus encantos de aniversariante, até para contribuir com aqueles leitores que não costumam apreciar meus textos.

O escritor e jornalista francês Georges Bernanos (1888-1948) escreveu que “a única diferença entre um otimista e um pessimista é que o primeiro é um imbecil feliz e o segundo é um imbecil triste”.

Insisto em ser otimista e, neste particular, um imbecil feliz: Acredito que Chorrochó vai melhorar, precisa melhorar. Há sinais de avanço, agora com a dinâmica administração do prefeito Dilan Oliveira (PCdoB) que – parece – está assumindo uma segura trincheira em defesa do município.

O aniversário do município é propício para citar nomes que, dentre muitos, contribuíram ou contribuem para que Chorrochó permaneça célere na construção de seu futuro.

Francisco Pacheco de Menezes, Eloy Pacheco de Menezes, Aureliano da Costa Andrade, Dorotheu Pacheco de Menezes, José Calazans Bezerra (Josiel), Antonio Pires de Menezes (Dodô), Pascoal de Almeida Lima, Sebastião Pereira da Silva (Baião), José Juvenal de Araújo, João Bosco Francisco do Nascimento, Paulo de Tarço Barbosa da Silva (Paulo de Baião), Rita de Cássia Campos Souza, Humberto Gomes Ramos e, agora, Dilan Oliveira.

O aniversário do município requer, ainda, outra observação. A Bandeira de Chorrochó foi apresentada ao público pela primeira vez no desfile cívico de 12/09/1984.

A Bandeira de Chorrochó foi idealizada por uma equipe respeitável constituída de Dr. Francisco Afonso de Menezes, Maria do Socorro Menezes Ribeiro, Maria Therezinha de Menezes, José Juvenal de Araújo, Maria Creuza Miranda dos Santos Araújo e Marina Maria de Araújo Menezes.

Salvo engano, a Câmara Municipal de Chorrochó ainda não se dignou a votar e aprovar a Bandeira e o Hino do município. E se o fez, deve haver algum equívoco ou cochilo do setor de Cultura do Município.

Explico: Há imagens da Bandeira que estão circulando, inclusive em eventos tradicionais do município, completamente divergente do formato oficial. Pergunto: por que?  

Com a palavra a Secretaria de Cultura de Chorrochó.

Neste 12 de setembro, resta-nos desejar êxito às autoridades de Chorrochó, mormente o prefeito Dilan Oliveira, o presidente da Câmara Municipal e o Juiz de Direito titular da comarca.

Muita disposição para o trabalho e soerguimento moral para sustentarem a defesa e respeitar os pilares da sociedade chorrochoense, independentemente de corrente ideológica, viés político e coloração partidária.

araujo-costa@uol.com.br

O lamaçal do Supremo Tribunal Federal

“Brasil de ontem e de amanhã! Dai-nos o de hoje, que nos falta.” (Rui Barbosa, jurista baiano, 1849-1923)

Decisões monocráticas gritantemente ilegais e arrevesadas de ministros vaidosos do STF, referendadas pelo Tribunal, embora contrárias à Constituição da República, sempre foram exaustivamente elogiadas por alguns setores da imprensa que confundem jornalismo com balcão ideológico e condutor para enriquecer as empresas de comunicação.

Agora, escancara-se, vergonhosamente, o desvio de conduta de alguns desses tão elogiados ministros que empurraram o STF para o lamaçal da imoralidade.

O STF está na lama, submerso na indecência e na vaidade de alguns de seus integrantes, arrogantes e despreparados para a magistratura, que se acham donos do Brasil.

Dane-se o Brasil, danem-se os brasileiros. Dane-se a moralidade.

Convenhamos, uma Suprema Corte que processa e até prende autista, morador de rua, vendedor de água em semáforos e cadeirante que se sustentava com um salário mínimo, sob o argumento de que são perigosos arquitetos de golpe de Estado, não pode ser constituída, no seu todo, de juízes sérios.

Uma Corte Suprema que relativiza direitos fundamentais, espezinha cláusula da Constituição Federal e pretende devassar o sigilo da fonte jornalística, não assegura, propriamente, direitos da sociedade, mas converte-se em simulacro de ditadura.

Silentes, onde estão esses jornalistas defensores dos arranhões ao direito, diante dos escândalos que agora vieram à tona?

Se o que aconteceu ou está acontecendo no STF não for corrupção, faz-se necessária a revisão dos dicionários e mudança do conceito de dicionarista.

Mais, ainda: mudem-se os princípios milenares de ética e irrepreensibilidade de caráter.

Todavia, nem tudo está perdido.

Tem-se esperança de que o Supremo Tribunal Federal, que os brasileiros tanto respeitam – ou respeitavam – recupere sua credibilidade e restitua a Justiça e a estima à sociedade.

A atual composição do STF conseguiu a façanha de rebaixar o conceito da Instituição, empurrando-a ao despenhadeiro da vulgaridade e afastando o respeito e a moralidade.

Contudo, tem-se esperança que o STF que, dentre seus pecados, se transformou em gabinete político, retome seu dever constitucional e liberte-se da pequenez em que se encontra, olhe para trás e se espelhe nos grandes e irrepreensíveis ministros que por lá passaram e enriqueceram a história do Poder Judiciário do Brasil.  

Como se vê, o edifício do STF está fisicamente aberto, mas o Tribunal está moralmente fechado.

Vai demorar um longo tempo para limpar a fétida sujeira das entranhas do STF.

araujo-costa@uol.com.br