“Ao rei tudo, menos a honra.” (Pedro Calderón de La Barca, dramaturgo e poeta espanhol, 1600-1681)
Primeiro, quero dizer que tenho boas referências do político Murilo Bonfim (PT), bem antes de Sua Excelência eleger-se prefeito de Curaçá. E, em razão disto, nada tenho contra o alcaide-mor curaçaense.

Aliás, há algum tempo, um curaçaense me disse: “Você precisa conhecê-lo. É prestativo, atencioso e humilde”.
Não o conheço até hoje, o que para o prefeito, não tem nenhuma importância. Conhecer este abestado e insignificante filho de Patamuté nada lhe acrescenta.
Entretanto, isto não me autoriza a tecer comentários contra o prefeito e, menos ainda, avaliar negativamente sua administração que, dizem alguns, vai indo muito bem.
A lógica me diz que Murilo Bonfim é um bom sujeito, de caráter irrepreensível e, sobretudo, defensor das urgentes causas curaçaenses.
Mas – e sempre há um mas – o prefeito de Curaçá parece ser arraigado defensor da política demagógica, equivocada e um tanto desvinculada do querer do povo.
Quiçá ele precise se espelhar mais no exemplo de Pedro Calderón de La Barca, que vale para todos nós: “Ao rei tudo, menos a honra”.
O prefeito petista Murilo Bonfim vem, amiúde, enaltecendo feitos do governador Jerônimo Rodrigues (PT).
Não precisa ser cientista político, tampouco jornalista abalizado em questões de gestão pública, para saber que o atual governador da Bahia é inexperiente e não tem sabido governar nossa gigante e garbosa Bahia.
Os exemplos de descaso pululam, mormente nas áreas de segurança pública, educação e infraestrutura.
Jerônimo Rodrigues vive pendurado na liderança dos ex-governadores Jaques Wagner e Rui Costa, seus esteios políticos. Sem eles, a administração do governador se derrete no gelo da incompetência.
De outro modo, pendurar-se diuturnamente em Lula da Silva, como faz o prefeito Murilo Bonfim, através de seus vídeos, não parece razoável, exceto aos seus admiradores mais afoitos que, compreensivelmente, sustentam sua base político-eleitoral.
O que Lula tem feito por Curaçá e pelo Brasil é obrigação institucional estranha a quaisquer agradecimentos. A vontade soberana das urnas deu-lhe poderes para governar e não atribuições de messianismo.
Lula é politiqueiro de palanque que não enxerga um palmo adiante do nariz a não ser para enaltecer-se diante de seus admiradores, a maioria humildes eleitores e setores financeiros e econômicos nacionais que vêm se beneficiando dos governos lulopetistas desde 2003, salvo os interregnos conhecidos.
Lula da Silva nunca negou isto e diz, sem rodeios, que banqueiros e grandes empresários nunca ganharam tanto dinheiro como nos seus governos.
Conheci Lula da Silva há décadas, quando ele ainda era pobre. Não preciso de nada que me acrescente sobre sua vida política e seu pensamento ideológico. Conheço-o muito bem.
Fazíamos jantares em São Bernardo do Campo como forma de angariar apoio e recursos para que ele alcançasse seu sonho de ser presidente da República. Alcançou-o depois de diversas tentativas.
Mas voltando a Curaçá, as críticas que alguns curaçaenses fazem ao atendimento na área de saúde, por exemplo, parecem exageradas, de modo que atribuir as falhas somente ao prefeito Murilo Bonfim chega a ser injusto.
Eliminar o descaso, ajustar as demandas e, sobretudo, atender bem às necessidades da população, demora um pouco, mormente se esse atendimento vem sendo negligenciado a partir de outras administrações.
Há providências, por óbvio, que não dependem unicamente da vontade do prefeito, qualquer que seja ele, qualquer que seja a coloração partidária.
Noutro dia, apareceu constrangedora imagem de um equipamento do Hospital de Curaçá enferrujado e incompatível com o dever de cuidar do município.
A ferrugem é petista? Não. Dervemos ser sensatos.
Todavia, ir às redes sociais agradecer ao governador Jerônimo Rodrigues e ao presidente Lula da Silva, por qualquer coisa que acontece de positivo em Curaçá, simplesmente com o intuito de tornar-se visível politicamente em ano eleitoral, não parece resolver os problemas prementes do município.
A população está vendo, sofrendo e acompanhando quem está trabalhando em seu benefício, prefeito, governador ou presidente da República.
A construção de um líder pressupõe seriedade, distância da hipocrisia e apego ao dever de transparêrncia.
O prefeito Murilo Bonfim pode surpreender e se tornar uma grande liderança do município de Curaçá e da região, se abandonar o caminho comum dos hipócritas, o mesmismo costumeiro e se afastar do deslumbramento muito comum na política.
araujo-costa@uol.com.br









