
Está na imprensa.
A Polícia Federal sugeriu a suspeição do ministro petista Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, porque, segundo a instituição, há indícios de que Sua Excelência recebeu dinheiro do Banco Master, não se sabe, ainda, a que título.
O ministro Toffoli, confiando na impunidade, inventou uma conversa de cerca-lourenço, disse que não recebeu dinheiro do esquema do Banco Master – mas depois confessou ter recebido – e o valor aproxima-se de R$ 20 milhões, segundo a imprensa.
O princípio ético é elementar: O magistrado não pode receber dinheiro de outras fontes que não o Tribunal a que serve, exceto em situações especialíssimas, o que não é o caso.
O Banco Master está enrolado em rumoroso escândalo de corrupção envolvendo o nome de familiares do ministro Toffoli e ele próprio e próceres dos três poderes da República: Executivo, Legislativo e Judiciário.
Até o presidente Lula da Silva, “a viva alma mais honesta do Brasil”, se reuniu, às escondidas, mais de uma vez, com o elegante banqueiro dono do supracitado Banco Master. O PT tentou negar o encontro, sem êxito.
Presumo que o encontro tenha servido para falar de assuntos etílicos e amenidades e não de conchavos que possam ter resultado em prejuízo aos brasileiros.
O ministro petista Edson Fachin, atual presidente do STF, já atestou a idoneidade do correligionário Lula. Cabo eleitoral de Dilma Rousseff e indicado por ela para o STF, Fachin deu o ponta pé inicial para anular todas as condenações de Lula, inobstante processado regularmente, julgado e condenado.
O fato é que o ministro Dias Toffoli chamou para si o inquérito que investiga o Banco Master e, mais do que isto, decretou sigilo absoluto, como se estivesse a esconder algum podre que os brasileiros não possam saber.
E não é só o ministro Toffoli. Há um contrato nebuloso firmado entre o escritório de advocacia da mulher e filhos do ministro Alexandre de Moraes e o Banco Master.
Enquanto estiver em vigor a lei 6.515/77, a rigor, o escritório também é do ministro Moraes.
O espantoso é o valor do contrato: aproxima-se de R$ 130 milhões para quitação em 3 anos, montante nunca visto na história da advocacia durante a República.
Pior: pelo menos, por enquanto, não há provas de serviços prestados pelo escritório que justifiquem o estratosférico valor do contrato.
Tudo isto acontece porque, na estrutura da República, não há nenhum órgão que processe e julgue os ministros do STF, à exceção do Senado Federal, que ninguém leva a sério.
Em razão disto, eles se acham intocáveis, inatingíveis e absolutamente impunes.
O arcabouço jurídico da República pressupõe que quem chega a ministro da Suprema Corte é sério, impoluto e tem reputação ilibada.
Mas neste caso e noutras palavras: O Supremo Tribunal Federal foi envolvido num lamaçal fétido e vergonhoso.
Talvez esse quiproquó explique o desvio de foco relativamente ao suposto golpe de Estado de 08/01/2023.
É presumível que a balbúrdia criada por ministros do STF no julgamento dos acusados por suposto golpe de Estado tenha servido para ofuscar os escândalos que hoje vêm à tona envolvendo subidas Excelências do Supremo Tribunal Federal.
De outro turno, o Senado Federal que tem o dever constitucional de afastar ministros do STF está inerte, rabo preso, porque muitos dos senadores têm pendências judiciais que serão julgadas pelos mesmos ministros hoje envolvidos nesse escândalo escabroso.
Uma mão lava a outra. Nem os senadores votam o impeachment dos ministros do STF, nem os ministros do STF julgam os senadores.
E os brasileiros ficam com “a boca escancarada cheia de dentes esperando a morte chegar.”
Raul Seixas tinha razão e o STF está submerso num lamaçal nunca visto em sua história.
araujo-costa@uol.com.br





