
Sinônimo de submissão ao paternalismo dos “coronéis” latifundiários, grandes proprietários de terra, o “voto de cabresto” remonta aos idos do Império.
Folclore político do Nordeste:
O “coronel” escolheu o nome do seu candidato, “votou” e entregou o envelope lacrado a seu empregado.
Naquele tempo, o voto era colocado na urna em envelope. Hoje o Supremo Tribunal Federal elevou as urnas eletrônicas acima de Deus e vale o que os intocáveis ministros da Corte dizem.
Depois de receber o envelope do patrão e colocar na urna, o homem das labutas da roça, calejado pelo tempo, perguntou:
– Coronel, em quem eu votei?
O coronel, responde:
– Nunca mais pergunte isto, meu filho. O voto é secreto.
Os abastados “coronéis” pontificavam em todos os setores da sociedade e mantinham o controle do poder político e econômico, mormente nos pequenos municípios.
Líderes que se destacavam perante à população, os “coronéis” obtinham contínuo reconhecimento do Império e controlavam tudo, inclusive o voto. Daí a expressão “voto de cabresto”, submissão do trabalhador rural às ordens eleitorais do patrão, realidade que se estendeu, marcadamente, durante toda a República Velha.
Em 18 de agosto de 1831 nasceu a Guarda Nacional comandada pelo padre Diogo Antonio Feijó, ministro da Justiça do Império. Os títulos de coronel e major, por exemplo, eram concedidos aos líderes políticos rurais pela Guarda Nacional.
Nos dias de hoje, os benefícios sociais criados pelo governo subjugam o eleitor à demagogia e à esperteza dos políticos de seriedade duvidosa.
É bem verdade que Lula da Silva não inventou os benefícios sociais (bolsa-família, por exemplo), mas é seguramente certo que os ampliou e se serve deles para, como bandeira política, sobressair-se eleitoralmente.
Lula descobriu a mina de voto, mormente na Região Nordeste e vive em palanques contando lorotas e sugando a boa-fé dos pobres.
O manto do assistencialismo não pode significar submissão do eleitor à vontade do presidente e de políticos aliados, tampouco estimular a ociosidade, dificultando a perspectiva de parte da população e, sobretudo, dos jovens.
O olhar de generosidade do poder público sobre a população carente não pode, sub-repticiamente, calçar-se em contrapartida eleitoral, nem traduzir-se em votos nas urnas.
Em ano de eleições, Lula da Silva instituiu e lançou o chamado “Gás do Povo” que, segundo ele, beneficiará pelo menos 50 milhões de pessoas necessitadas, embora números estatísticos citados por Lula da Silva nunca devam ser levados a sério.
Quando os índices e números são a favor dele, Lula aumenta, quando desfavoráveis, ignora-os.
Entretanto, não deixa de ser um programa ambicioso e louvável sob o ponto de vista de ajuda à população carente, mas não pode enxotar o eleitor beneficiado pelo programa em direção à urna lulopetista.
Mas o Nordeste parece não ser mais o mesmo.
Na Bahia, por exemplo, o sofrível governo de Jerônimo Rodrigues (PT) está mostrando ao resto do Brasil as vísceras abomináveis da esperteza do petismo no Estado.
É visível o desmoronamento da credibilidade política do governador. Promessas não cumpridas, ineficiência no combate à criminalidade e falta de firmeza na execução dos programas de governo somam-se à fragilidade da articulação política que está capengando.
De todo modo, o uso da miséria alheia para inflar discursos espalhafatosos, com o intuito de ganhar eleições, longe de significar grandeza política, corrói a seriedade do petista Lula da Silva, que já não é tão boa, aliás bastantemente conhecida.
Aos 46 anos de existência, o PT continua olhando para trás, quando a realidade era outra, inclusive as condições sociais, políticas e econômicas de governar.
O retrovisor do PT parece que está precisando de limpeza, para permitir enxergar, com mais clareza, o olhar atento da população.
No mais, somente a educação dos jovens e a conscientização política podem exterminar o “voto de cabresto”.
araujo-costa@uol.com.br






