Na Bahia, tudo farinha do mesmo saco

Mais citando do que parafraseando o baiano Sebastião Nery, honra e glória do jornalismo político nacional, se colocar o PSD e o PT da Bahia “dentro de um coco e enterrar, é pouco provável que consiga qualquer tipo de batida, mas é absolutamente certo que o coco apodrece”.

O cavernoso senador Otto Alencar (PSD) que, de arraigado carlista passou a ser lulista de carteirinha e adora apadrinhar parentes nos Tribunais de Contas da Bahia, está às voltas com uma discordância de araque com o colega Ângelo Coronel.

Tudo em razão da disputa por uma vaga no Senado Federal. O PT insiste em lançar chapa chamada puro sangue, mediante a qual o governador Jerônimo Rodrigues vai para a reeleição e os senadores Jaques Wagner e o atual ministro da Casa Civil de Lula da Silva e ex-governador Rui Costa se dispõem a concorrer ao Senado da República.

Consequência: Ângelo Coronel (PSD) ficou sobrando e sinaliza se debandar para a oposição.

Alguém acredita que ele vai para a oposição?  

Acontece que o PSD de Ângelo Coronel – que ele sinalizou deixar – é o mesmo partido de Otto Alencar. E o senador Otto, que virou lulista desde criancinha, não quer largar a rapadura dos conchavos com o PT, porque as benesses do poder na Bahia lhe são interessantes.

A rapadura é doce. Otto acaba de emplacar o filho para um cargo vitalício no Tribunal de Contas do Estado com o apoio do PT e certamente é grato aos petistas e dane-se Ângelo Coronel.

Assim, o senador de Coração de Maria, Ângelo Coronel, está se sentindo abandonado tanto por seu partido, o PSD, quando pelo PT, do qual ainda é aliado.

Em resumo: tudo farinha do mesmo saco.

Todos acabam se entendendo, mais por interesse pessoal do que por defesa da Bahia.

Os baianos amargam monumental falta de segurança, ensino público deficiente, obras prometidas e não entregues e mais uma série de pendências que somente o PT sabe prometer e não fazer com inquestionável maestria.  

A tão propalada ponte Salvador-Itaparica, prometida desde o primeiro governo Jaques Wagner, virou meme de internet e não há nenhuma possibilidade de acontecer nos governos petistas

Todavia, ninguém duvide: na campanha eleitoral de 2026, depois de 20 anos no poder na Bahia, o PT vai procurar colocar nos adversários a culpa por sua ineficiência política e administrativa.

E haverá quem acredite.

O governador Jerônimo Rodrigues (PT), o mesmo que propôs uma retroescavadeira para enterrar adversários bolsonaristas, já está fugindo dos eleitores e nem sequer começou a campanha eleitoral.

Em 30/01/2026, em Gandu, no baixo sul do Estado, o governador escapuliu pelos fundos do local onde se realizava um evento público, para livrar-se das vaias e protestos de produtores de cacau.

Mas a Bahia petista e os petistas que vivem pendurados nos cofres do governo vão muito bem.

Os baianos nem tanto.   

araujo-costa@uol.combr  

Em Patamuté, uma fazenda histórica com nome de abelha

Casa sede da Fazenda Mandaçaia/Arquivo Zelinho Sena

A Fazenda Mandaçaia fica na solidão dos domínios de Patamuté e no encravar da caatinga garranchenta e espinhenta do sertão do município baiano de Curaçá.

Lá viveu uma distinta família e sua descendência que deixou – e ainda deixa – suntuosas marcas de Pedro Alves de Sena (1913-1968), vaqueiro, agricultor e comerciante.

Pedro de Joaquim Grande, como era conhecido na região, era casado com Maria Alves (1923-2022), Mariinha, para as pessoas de sua convivência e circunstantes.

O casamento deu-se em 1945 e a Fazenda Mandaçaia foi refúgio, sustentáculo de vida e aconchego da família.  Lá eles plantaram, colheram, criaram, viveram.

Defensor da natureza e da caatinga, Pedro Alves de Sena construiu na Fazenda Mandaçaia e seus arredores o modo de vida que foi possível nas condições da época para estruturar a educação dos filhos (Zelinho e Helena) e, sobretudo, fincar as raízes de sua família, com retidão de caráter e decência social.

Tempos difíceis. Naquela época o transporte de animais, gêneros alimentícios e quaisquer produtos do comércio era feito no lombo de burros, tendo em vista a precariedade das condições do lugar, prática ainda muito comum no sertão nordestino até os dias de hoje.

Pedro Alves de Sena labutou nessas circunstâncias, cuidou de sua Fazenda e de sua família com absoluto zelo e dedicação e deixou legado de exemplo e construção de caráter.

Embora sucinto este registro, o cronista deixa a observação que, nalgum tempo em Patamuté – década de 1960 – teve saudável e agradável convivência com familiares de Pedro Alves de Sena, que muito acrescentou e lhe deu lições de vida.

Em tempo:

Mandaçaia é uma espécie de abelha muito comum no sertão nordestino.

araujo-costa@uol.com.br     

As ditaduras e o “prosperar da desonra”

Em 30/01/2026 a presidente interina da Venezuela anunciou uma lei geral de anistia para soltar todos os presos políticos que os ditadores Hugo Chávez e Nicolás Maduro encarceraram desde 1999.

Lá, como aqui, existe uma simbiose vergonhosa entre Governo e Suprema Corte.

Aqui também temos presos políticos.

Entretanto, não temos políticos corruptos presos, tampouco temos encarcerados magistrados envolvidos em falcatruas.

O Congresso Nacional, esse valhacouto de interesseiros, queda-se inerte e não se dispõe a votar uma lei de anistia para corrigir injustiças.

Quem sabe o Supremo Tribunal Federal siga o exemplo da presidente interina da Venezuela e mande soltar dezenas de inocentes que estão encarcerados, inclusive pessoas humildes do povo condenadas sob o argumento de tentativa de um suposto golpe de Estado.  

Dentre os presos e processados pelo STF estavam pessoas em condições de vulnerabilidade, tais como: vendedor ambulante de água em semáforos de Brasília, morador de rua, autista e pessoas com deficiência.

Todavia, para suas subidas e intocáveis Excelências do STF, essas humildes criaturas são perigosos criminosos que estavam arquitetando um golpe de Estado no Brasil.  

Definitivamente não vivemos num País sério.

Talvez a atabalhoada pressa do Supremo Tribunal Federal ao julgar os acusados de participarem do 08/01/2023 tenha sido para ofuscar os escândalos em que alguns ministros estão envolvidos e que só agora veio à tona e inundam as páginas do noticiário.

Quiçá o escarcéu, o excesso de barulho e a ânsia por holofotes de ministros do STF sobre essa suposta tentativa de golpe de Estado tenham servido para desnudar a hipocrisia e a vaidade de alguns deles.  

Com se vê, estamos diante do “prosperar da desonra” e assistindo, impotentes, “agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus” dos quais falava o jurista Ruy Barbosa.

araujo-costa@uol.com.br

Gente de Chorrochó: aniversário de Maria Ita de Menezes

Professora Maria Ita de Menezes/reprodução de seu perfil no facebook

Ela carrega no nome – Ita – o significado de força, rocha, firmeza. É bem por aí a estrutura da aniversariante deste 30 de janeiro.

Os filhos Jorge Jazon Cordeiro de Menezes, Jaílson José Pacheco de Menezes, Ita Luciana Menezes de Menezes e James George Cordeiro de Menezes estão em festa. Os netos, demais parentes, amigos e admiradores, idem.

A descendência é a continuidade da vida, o bálsamo para perfumar o caminho, às vezes árduo, às vezes espinhoso e a doçura que facilita o enfrentamento dos tropeços ao longo do caminhar.

Assim é o escrever da vida. Assim são as surpresas e assim é o imponderável da construção familiar.

Incluo a descendência neste andar, porque são os filhos que, em princípio, sustentam a robustez das raízes de Ita e José Jazon de Menezes. São raízes fortes, seguras, firmes. Os alicerces foram bem estruturados, a construção moral segura e perene.

Meu primeiro contato com a professora Maria Ita de Menezes deu-se em razão de minha matrícula no então Colégio Normal São José, de Chorrochó.

Estávamos lá nos idos de 1971. Ela era professora de Geografia. E não só de Geografia. Tendo em vista a estrutura rudimentar do colégio à época, alguns professores ministravam mais de uma disciplina, o que de certa forma aproximava alunos e professores.

Contudo, o que importa aqui – hoje e neste particular – é o registro do aniversário de Maria Ita de Menezes.

A professora Ita tem grande importância na vida de minha geração e de grande parte da sociedade de Chorrochó.

A robusta participação de Maria Ita de Menezes, educadora e ícone da sociedade chorrochoense deve ser sempre reverenciada.

Em obediência às regras de etiqueta, não fica bem declinar a idade da professora Ita, embora este cronista entenda que quando atingimos a soma de muitos anos, a idade passa a ser um triunfo da vontade de Deus e não um mero detalhe de etiqueta social.

Deixo votos de felicidade e parabéns para a ilustre professora Ita.

araujo-costa@uol.com.br

Chorrochó, página do tempo, página da vida: Virgílio Ribeiro de Andrade

Virgílio e sua irmã Virgínia, em foto de 2012/Reprodução facebook

Virgílio Ribeiro de Andrade, assim como este escrevinhador, já um pouco adiantado em anos, continua firme, impoluto, altivo e, sobretudo, digno.

Aliás, dignidade, retidão de caráter e irrepreensibilidade de conduta são qualidades impressionantes de Virgílio.  

Com ascendência no simpático município de Uauá, filho de Jerônimo Rodrigues de Andrade e de D. Aderlinda Ribeiro de Andrade, Virgílio se mudou para Chorrochó ainda jovem.

Pioneiro na história da comarca de Chorrochó, instalada em outubro de 1967, Virgílio exerceu com zelo e eficiência, a titularidade do Cartório de Registro de Imóveis, Títulos e Documentos e Protesto de Títulos, além de outras subsequentes funções que lhe foram direcionadas pelo Tribunal de Justiça da Bahia na jurisdição da comarca, sempre com absoluta correção e responsabilidade.

Virgílio constituiu família nobre, exemplar e bem estruturada em Chorrochó. Casou-se com a professora Maria do Socorro Menezes Ribeiro e tiveram o filho Rogério Luiz Menezes Ribeiro.

Hoje, Virgílio tem netos que enfeitam sua vida, ajudam a diluir as fragilidades e atribulações e amenizam o prosseguimento da caminhada. Mas não é só. Tem amigos e admiradores. Muitos.

Dinâmico, irrequieto e sobremaneira prestativo, Virgílio participou ativamente da vida social da cidade e, por extensão, do município de Chorrochó.

Fundou e organizou clubes sociais, a exemplo da ARAM – Associação Recreativa Amigos dos Menezes – e sempre se manteve disposto a orientar quem precisasse de auxílio, esclarecimento de dúvidas e colaboração de toda ordem.

Exemplo de hospitalidade e generosidade, sua casa se transformou numa espécie de refúgio encantador e sempre esteve de portas abertas para receber amigos, conhecidos, autoridades, visitantes, pessoas simples da zona rural e até intrusos, como este atabalhoado cronista que, por algum tempo, vivi lá.  

Virgílio é uma espécie de consultor em generalidades. Orienta, sugere, indica as encruzilhadas e pedras do caminho e, sobretudo, é generoso, educado, essencialmente prestativo.   

Tão depressa vi os anos se passarem que, nalgum ponto desta espinhosa estrada, me veem lembranças – boas lembranças, inesquecíveis lembranças.

São famosos, em todas as cidades, os bares frequentados por artistas, jornalistas, políticos, advogados, intelectuais, escritores e gente que a fama não alcançou. Conheço alguns, vários.   

Em Chorrochó, o Bar Potiguar, hoje desaparecido (merece um livro), era o ponto de encontro de muitos da sociedade chorrochoense numa quadra do tempo.  Era uma espécie de universidade de costumes.

De lá saía o conhaque para o Dr. Olinto Lopes Galvão Filho, primeiro juiz de Direito da comarca de Chorrochó. Lá frequentou, mais tarde, outro juiz da comarca, querido de todos, Dr. Benedito José Carvalhal de Souza.

Virgílio Ribeiro de Andrade era dono do Bar Potiguar e responsável por agregar todas essas pessoas. Ágil, atencioso, exemplo de anfitrião e de amigo, carrega até hoje a virtude de saber aproximar as pessoas e tratá-las bem e educadamente.  

Confesso. Aqui a modéstia dá lugar à vaidade. Guardo um pouco de orgulho de ter sido garçom do Bar Potiguar sob a supervisão de Virgílio, que era meu patrão. Lá construí muitas amizades nascidas ao entorno de seu balcão. Algumas persistem até hoje.

Virgílio engendrou, organizou e comandou muitas coisas boas em Chorrochó e contribuiu tenazmente com as instituições do lugar.

A História de Chorrochó certamente lhe reservará algumas páginas para não ofuscar sua importância no município.

araujo-costa@uol.com.br

Todas as ditaduras são parecidas e abomináveis

A Constituição Federal assegura o direito à livre expressão do pensamento e de manifestação (artigo 5º, incisos IV e XVI).

A manifestação, pacífica e sem armas, pode ser feita e é permitida em locais abertos ao público e independentemente de autorização.

Por conseguinte, não é necessário pedir permissão prévia ao Poder Público para se manifestar, nos termos do mandamento constitucional.

Em 13/12/1968, na ditadura militar, o marechal Arthur da Costa e Silva editou o Ato Institucional número 5 (AI-5) que, dentre outras restrições, proibia manifestações, mormente políticas.

O caso se repete. Aliás, a crueldade das ditaduras se repetem.

Em 23/01/2026, mais de 57 anos depois do ato extremo da ditadura militar, o Supremo Tribunal Federal proibiu que admiradores e apoiadores do ex-presidente Bolsonaro, pacíficos e sem armas, se manifestassem em frente ao presídio onde ele está preso, em Brasília. Pior: estão sujeitos à prisão.  

Só para lembrar.

Quando Lula da Silva esteve preso em Curitiba, lulopetistas e admiradores faziam manifestações e vigílias continuamente, acampavam e gritavam “Lula Livre” durante aproximados 580 dias.

Essas manifestações davam-se em frente à carceragem da Polícia Federal, inclusive protestando contra a decisão do Poder Judiciário que o mantinha lá.

Salvo engano, naquela ocasião da prisão de Lula da Silva, já existia o Supremo Tribunal Federal – ou não? – porquanto foi instituído em 1890 com o advento da República.

E não se tem notícia de que o Supremo Tribunal Federal tenha proibido nenhuma manifestação, acampamento, vigílias e gritos a favor de Lula nas imediações da Polícia Federal em Curitiba.

Deixa pra lá. Coisas de ditadura.

araujo-costa@uol.com.br

Chorrochó: Memórias dos outros e outras memórias

Já se vão, por aí, 55 anos.

Em 1971, conheci Raimunda Ribeiro Coelho, em Chorrochó. Anos depois, em razão do casamento com Raimundo Bezerra do Nascimento, acrescentou Bezerra ao nome.

A família cresceu: Roseane Coelho Bezerra, Rubenilton Coelho Bezerra, Rubenilson Coelho Bezerra, Railson Coelho Bezerra e Ralciene Coelho Bezerra.

Os amigos próximos a Raimunda, aos quais me incluo, chamavam-na “Raimunda de Rosinha”.

Rosinha era uma alegre, distinta e espirituosa senhora, sempre afável com todos, muito educada, acolhedora e da mesma estrutura familiar de Raimunda. Mais do que isto: amiga sincera. 

Às vezes e quase sempre assumo o papel de mequetrefe e me atrevo a buscar no passado lembranças de pessoas que conheci nos caminhos da vida e fatos que circunstanciaram o viver de nosso tempo.

Estávamos na década de 1970 e, portanto, éramos jovens. Em Chorrochó, vivíamos numa sociedade hospitaleira, pacata, sossegada, dentro dos padrões do interior. E sobretudo, civilizada.

Nossas maiores referências eram os mais velhos – exemplos de caráter e sustentação moral – e o Colégio Normal São José, esteio da educação dos jovens da época e impulso para o andar sonhador de todos nós.

Aí, nesse ambiente sadio e responsável, nasciam as amizades, que eram o bálsamo da juventude, o condizer com a simplicidade de então.   

Professora bem preparada e dedicada ao seu mister, Raimunda constituiu família exemplar, educou-a, mostrou-lhe o caminho, os passos da caminhada e o seguir dos ditames da vida.

Natural que a passagem do tempo tenha dificultado o contato com Raimunda. A última notícia que tive dela – faz alguns anos – morava na Fazenda Jurema, nos domínios do município de Chorrochó.

A trilha da vida de Raimunda a manteve como sempre: uma pessoa boa e decentemente amiga.  

Esses fragmentos de memória fazem parte de meu mundo de reminiscências que alguns veem como sinônimo de saudosismo.

Pode ser. Não importa.

araujo-costa@uol.com.br

Chorrochó dá sinais de preservação de sua história

“Quem não muda deixa de ser” (Menotti Del Picchia, romancista paulista, 1892-1988)

A população de Chorrochó – ou parte dela – entra em 2026 com a sensação de que o município despertou do longo e injustificável marasmo por que passou durante anos ininterruptos, mormente na área da cultura.

O prefeito Dilan Oliveira (PC do B) vem demonstrando dinamismo, habilidade política e inegáveis qualidades de trabalho voltado às exigências da população.

De outro turno, a Câmara Municipal se mostrou um tanto diligente com a história do município e aprovou lei, em votação unânime, mudando o nome da Rua Coronel João Sá, na sede, para Rua Dorotheu Pacheco de Menezes.

Este blog não conseguiu confirmar se o prefeito já sancionou a lei, se ainda está no prazo ou se a sanção dar-se-á tacitamente.

Desnecessário me alongar neste particular porque, ademais, muito já escrevi sobre a reivindicação dessa mudança. Até fui repetitivo e, algumas vezes, abelhudo relativamente ao assunto. 

De todo modo, a Câmara Municipal merece boas e honrosas menções, tendo em vista inegável desenvoltura demonstrada no decorrer dos últimos períodos legislativos.

À frente Sheila Jaqueline Miranda Araújo (Sheila de Zé Juvenal) e, em sequência, Ednaldo José dos Santos (Ednaldo de Zé de Nita), ambos com raízes no povoado de Caraíbas, conduziram a presidência da Casa com reconhecida competência, considerada também a valiosa participação dos demais membros da Edilidade que se comportaram com louvável empenho.  

A votação e aprovação do projeto de mudança do nome da Rua Coronel João Sá para Rua Dorotheu Pacheco de Menezes, inobstante algumas poucas vozes discordantes fora da Edilidade, parece ter assegurado à Câmara de Vereadores o necessário respeito à história do município, sinalizado interesse na preservação de seus valores culturais e a capacidade de auscultar a voz da sociedade chorrochoense.    

A impressão que se tem é que Chorrochó está mudando para não deixar de ser.

araujo-costa@uol.com.br

Todas as ditaduras são parecidas e perigosas

A ditadura militar corria solta no Brasil.

O jornalista José Carlos Oliveira (Carlinhos Oliveira), famoso, boêmio e conhecidíssimo na sociedade carioca e fora dela, assíduo frequentador dos bares Degrau e Antonio’s, além de outros de Copacabana, Ipanema, Leblon e et cetera, foi abordado abruptamente por policiais, na Zona Sul do Rio, alta madrugada.

Arrogante o policial ordenou:

– Mãos ao alto, documentos!

Muito calmo e seguro de seu estado etílico, Carlinhos sentenciou:

– Ignoro. Não tenho documentos.

O policial, mais arrogante, sentiu-se grande:

– Então você não existe!

Gozador e ciente da fama, Carlinhos foi didático:

– Existo, sim. Sou público e notório.

Em Santo André, A do ABC paulista (Santo André, São Bernardo do Campo e São Caetano do Sul), governo do general Ernesto Geisel, tempo de ditadura já mais amena, de “distensão lenta, gradual e segura”, final de tarde, fui abordado na Rua General Glicério, miolo da efervescência política naqueles tempos difíceis.

Em meio ao burburinho de estudantes, a caminho da escola, depois de estafante dia de trabalho numa fábrica de Mauá, eu e outros colegas fomos cercados por policiais truculentos, grossos, idiotas, pequenos, imbecis.

Fomos encaminhados para o 1º Distrito Policial para averiguação, deixar de ser besta e aprender a falar com a polícia da ditadura.

O primeiro Distrito Policial de Santo André, ainda está lá, no mesmo prédio, soturno, esquisito, histórico. Já na condição de advogado, no regime democrático, fui lá outras vezes, defender interesses de clientes.

Eu sobraçava um exemplar do jornal Folha de S.Paulo, além de uma marmita vazia, guarda-chuva, o minguado dinheiro da passagem do ônibus  e outros poucos penduricalhos de estudante pobre.

O policial me olhou grosseiramente.

– “O que tem aí, algum livro comunista?”

Besta e inocente, respondi:

– Um jornal, não sabe o que é um jornal?

“Já eu lhe mostro o que é um jornal” – disse o policial ofendido – e me encaminhou para o camburão da polícia política do governador Paulo Egydio Martins, grande prócer da Aliança Renovadora Nacional (ARENA), partido de sustentação dos governos militares.

Tempo do temido DOPS (Departamento de Ordem Polícia e Social), DOI-CODI e outras armadilhas de tortura da ditadura. Todo mundo tinha medo de cair lá, inclusive inofensivos estudantes como eu.

Naquele tempo, andar com livros chegava a ser perigoso. Se alguém fosse flagrado com um exemplar de O Capital, de Karl Marx, certamente seria levado para a delegacia.

No distrito policial de Santo André, fomos averiguados, perguntados, apalpados, espiados, humilhados e liberados.

Ditadura é o pior dos governos. Aliás, nem governo é. É barbárie.

No Brasil de hoje a ditadura é outra. Não é de militares e armas. É de canetas.

Na ditadura, ser público e notório não basta. Chega a ser perigoso.

araujo-costa@uol.com.br

João Eloy de Menezes pode ser o nome ideal que Lula precisa

Dr. João Eloy de Menezes/Crédito: Secretaria de Segurança Pública de Sergipe.

A cúpula petista baiana, à frente o senador Jaques Wagner (PT), ex-governador da Bahia e amigo de Lula da Silva há 40 anos, emplacou o advogado Wellington César Lima e Silva para ministro da Justiça e Segurança Pública na vaga deixada pelo experiente e ínclito Ricardo Lewandowiski, que abandonou o pesado barco lulopetista alegando razões pessoais.

O novo ministro da Justiça e da Segurança Pública foi procurador-geral da Justiça da Bahia no governo de Jaques Wagner. É promotor e já exerceu funções em Brasília, nos governos petistas.

Lula da Silva parece que desistiu de estruturar o Ministério da Segurança Pública, por razões mais políticas do que técnicas, de modo que, por enquanto, tudo continua como antes, até em razão de entraves com alguns governadores, além de um polêmico projeto sobre o assunto segurança pública, em trâmite no Congresso Nacional.  

O quiproquó da criação do Ministério da Segurança Pública ficou para destrinchar depois, até que Lula apare as arestas que o incomodam e encontre uma pessoa de perfil compatível com a pasta.

Nesta circunstância e cenário, talvez as composições partidárias e as questões políticas devam ser afastadas e deem lugar às qualidades técnicas do ocupante do cargo.

Os aliados e assessores próximos de Lula da Silva não conseguem vislumbrar o conhecido e experiente profissional nessa área: Dr. João Eloy de Menezes, secretário de Segurança Pública de Sergipe pela 3ª vez.

O Dr. João Eloy é formado em Direito, graduado pela Universidade Tiradentes (Unit), conhece sobejamente o assunto, exerceu todas as funções de importância e destaque na área de segurança no estado e cuida da segurança pública de Sergipe, com reconhecido êxito, desde os tempos do governador petista Marcelo Deda (1960-2013), considerado breve interregno.

Aliás, Marcelo Deda era “grande amigo, compadre e irmão” de Lula da Silva, segundo ele próprio (UOL/Agência Brasil, 02/12/2013).

Dr. João Eloy tem experiência, vocação e estilo próprios e leva a sério a questão da segurança pública. É estudioso do assunto e ostenta know-hou para lidar com intrincados assuntos adstritos à segurança.

Baiano do sertão, nascido no município de Chorrochó em 1963 e conhecido nacionalmente em sua área de atuação, o Dr. João Eloy de Menezes pode ser o nome que Lula da Silva precisa encontrar para ocupar o Ministério da Segurança Pública, ainda em gestação, que decorrerá de provável cisão do Ministério da Justiça.  

araujo-costa@uol.com.br