“Se não puder convencê-los, confunda-os” (Harry Truman)
Se a “determinação” da ONU, para que o Brasil permita a participação de Lula da Silva nas eleições de outubro, tiver a mesma e costumeira força que sempre teve quando a organização “determinou” o fim das guerras da Síria, Iraque, Bósnia, Afeganistão, conflitos no Oriente Médio e et cetera, a situação eleitoral de Lula não vai mudar um milímetro.
A ONU não “determinou”, como espalhafatosamente diz o PT, simplesmente porque, neste caso, não pode determinar. Apenas recomendou. Qualquer manual de Direito Internacional explica isto.
Mais: não foi a ONU que “determinou”, mas um comitê técnico da instituição que recomendou. É um parecer preliminar. Só isto. Salvo melhor juízo, o parecer ainda precisa ser submetido ao Alto Comissariado de Direitos Humanos.
As eleições de qualquer país democrático obedecem às leis internas e a comunidade internacional abrigada na ONU obedece ao princípio de autodeterminação dos povos. O resto é balela.
A ONU nunca foi e não é capaz de aniquilar a fome no mundo, a exemplo dos países africanos, não é capaz de por ordem em situações degradantes como a que está passando o povo da Venezuela, imaginemos se é capaz de “determinar” que o Brasil seja obrigado a obedecê-la quanto ao caso de Lula da Silva.
A ONU nunca foi capaz de evitar que guerras e conflitos internos em países dominados por ditadores e governantes medíocres matassem centenas de milhares de crianças, idosos e inocentes civis e deixassem mutilados outras tantas centenas de milhares, assim como nunca foi e não é capaz de minorar o sofrimento de milhões de famintos dispersos no mundo.
A ONU é um pêndulo necessário às nações que se dizem unidas, um conchavo entre países, mormente os ricos, para a instituição dizer que resolve os problemas do mundo.
São os tribunais brasileiros que vão decidir a situação jurídica de Lula da Silva e não a ONU. Afirmar de modo diverso é confundir a opinião pública. O PT está fazendo isto.
O PT adotou a frase atribuída a Harry Truman; “Se não puder convencê-los, confunda-os”.
O PT deve disputar as eleições presidenciais, com Lula ou sem Lula, dentro das normas democráticas a que os demais partidos se submetem. Tentar confundir a população beira a ingenuidade. Chega a ser desespero.
Mas as piadas também fazem parte do folclore eleitoral.
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