“Furtam, furtavam, furtaram, furtariam e haveriam de furtar mais, se mais houvesse” (padre Vieira, O sermão do bom ladrão, 1655)
Jornalista, militante feminista e ícone da esquerda paulista, Irede Cardoso (1938-2000) estava chegando em sua residência às cinco horas da tarde. Ao abrir o portão, um rapaz apontou o revolver:
– É um assalto, dona.
Ambos adentraram a residência. A empregada percebeu, pulou o muro e avisou o vizinho, que chamou a polícia. As barulhentas sirenes se aproximavam.
Irede Cardoso orientou o rapaz:
– É melhor você fugir. Saia por aquela porta e volta amanhã no mesmo horário para terminar o assalto.
Dito e feito. O rapaz fugiu e voltou no dia seguinte na hora marcada para terminar o assalto.
Irede o convenceu a abandonar a delinquência e ainda arranjou um emprego para o rapaz na Folha de S. Paulo.
Essa história, contada pelo escritor Mário Prata, amigo de Irede Cardoso, me faz lembrar os assaltos que os corruptos fazem aos cofres públicos.
Os corruptos conjecturam, tramam, negociam, indicam as contas bancárias que devem ser abastecidas ou as pessoas de confiança que devem carregar as malas de dinheiro. E está feito o assalto. Tudo combinado. Com hora marcada.
Há muitos políticos e outros agentes públicos que entendem bem de furtos, como dizia o padre Antonio Vieira. Mais: furtam com hora marcada.
Exemplos clássicos são os assaltantes da Petrobras (era Lula/Dilma) e as malas recheadas de Geddel Vieira Lima, Aécio Neves e Michel Temer, segundo acusa o Ministério Público.
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