Um comunista que deixa saudade

“O mais difícil é não fazer nada” (ditado judaico).

Aberto Goldman, ex-governador de São Paulo, faleceu em 01/09/2019, início da semana da Pátria.

Comunista até a alma, marxista que migrou para a social-democracia, Goldman transitou da esquerda a todos os espectros políticos, com desenvoltura exemplar.

Conheci-o em 1976, em Mauá, município da grande São Paulo, em plena ditadura militar. Goldman na trincheira contra os excessos do governo. Sério, atento, idealista, intrinsecamente preocupado com o Brasil.

Ainda jovem, aluno da Universidade de São Paulo (USP), ingressou no Partido Comunista Brasileiro (PCB) de linha soviética. Como todo estudante, acreditava em utopias, mesmo aquelas que os séculos as desmoronaram.

Goldman era idealista. Essencialmente idealista.

Filiado ao Movimento Democrático Brasileiro (MDB), Alberto Goldman foi deputado estadual em São Paulo entre 1971 e 1978 e deputado federal por dois mandatos.

Depois de ser ministro dos Transportes (1992-1993), Goldman retornou ao seu convívio em São Paulo para, mais tarde, ser vice-governador de José Serra. Assumiu a titularidade de governador, embora por curto período.

Recolhido à velhice, o atual governador João Dória, num dos momentos de deselegância o chamou de “fracassado, por viver de pijama em casa”.

Infeliz a frase do governador João Dória. Nem sempre é fracassado quem está de pijama, por ter cumprido o seu dever.

Alberto Goldman deixa saudade. Ele acreditava no Brasil.

araujo-costa@uol.com.br

Deixe um comentário