O governador Rui Costa está certo. O presidente Bolsonaro está certo.

Políticos demagogos, a exemplo do governador de São Paulo, estão aproveitando a pandemia de coronavírus para fazer política suja. São os partidários do caos.

Grande parte de nossa sociedade também fala asneiras, exatamente porque não sabe o que falar. À semelhança de um rebanho, pessoas repetem o comportamento de outras.  

Falta-lhes conhecimento. Sobram-lhes ignorância política, radicalismo e paixão partidária.  

Em São Paulo, o governador João Dória tem ido diariamente à televisão acompanhado de assessores e técnicos e manda exaustivamente que os paulistas “lavem as mãos”, sempre. Previnam-se, tenham cuidado.

Entretanto, o governador não diz na televisão que só na capital de São Paulo, há 70 bairros sem água nas torneiras, sem considerar diversos municípios da região metropolitana, que normalmente falta água todos os dias.

Em São Bernardo do Campo, por exemplo, falta água todas as noites, em alguns bairros centrais. Isto é rotina. Há anos.

Não se tem conhecimento de que o governador João Dória tenha cobrado da presidência da SABESP, empresa que cuida do abastecimento de água em São Paulo, por permissão e conveniência do Estado, para exigir a regularidade no abastecimento de água aos paulistas, principalmente agora, neste tempo de pandemia.

Contudo, as contas de consumo chegam religiosamente nas residências, inclusive com aviso de corte para aquelas pessoas que se encontram em débito.

Pergunta-se ao governador: como lavar as mãos sem água?

Este mesmo governador João Dória, demagogicamente, foi à televisão para dizer que discordava do pensamento do presidente da República, no sentido de que alguns setores da economia devem voltar ao trabalho, excetuando-se, evidentemente, os grupos de risco, a exemplo de idosos.

Ficou evidente que o governador discordou apenas para fazer política baixa.

João Dória já mudou de rumo. Pediu para as fábricas voltarem à normalidade sob o argumento de que o Brasil não pode parar. Corre o risco de desabastecimento, que antes todos vislumbravam, menos ele.

Pergunta-se, novamente ao governador: ontem o Brasil podia parar e hoje não pode?  O que mudou?

A politicagem está clara, às escâncaras.

“Cerca de 200 funcionários de um Poupatempo em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, receberam mensagens na noite desta quarta-feira (25) para que comparecessem a um endereço na manhã desta quinta-feira (26). Quando chegaram, foram avisados que teriam que assinar a suspensão de seus contratos” (SP1, 26/03/2020).

O Poupatempo, para quem não sabe, cuida da maioria dos serviços prestados pelo governo de São Paulo.

O governador João Dória ficou calado, absolutamente silente.

Mais: se as pessoas que têm emprego não voltarem ao trabalho, não terão o que comer daqui a alguns dias. Mais, ainda: as empresas fechadas não têm recursos para arcar com a folha de pagamento.

Na Bahia, houve um alvoroço, porque o presidente da República disse que os brasileiros devem voltar à normalidade. Metade da Bahia discordou, desceu a lenha no presidente.

Agora, o equilibrado governador do estado Rui Costa, que é do PT, mui sensatamente, em reunião com diversos prefeitos, ponderou:

 “Em minha opinião, as restrições têm que ser progressivas e gradativas, de acordo com a evolução do surgimento de casos em cada um dos municípios. O fechamento dos terminais rodoviários, por exemplo, só determinei em cidades com casos confirmados”, disse.

“Cidades que não tenham casos confirmados podem manter algumas atividades, como feiras livres, e evitar medidas mais drásticas, inicialmente” (G1 Bahia, 26/03/2020).

Ou seja, o governador Rui Costa está certo. O presidente Bolsonaro está certo.

A incongruência é esta: as mesmas pessoas que discordaram do presidente Bolsonaro, agora, dias depois, concordam com o governador da Bahia, que disse exatamente a mesma coisa.

As pessoas concordam naquilo que antes não estavam de acordo, simplesmente porque politicamente são contra o presidente ou contra o governo federal.

O que é difícil entender – embora não precise entender – é essa idiotice ínsita em parte da sociedade.

Pessoas falam o que não entendem, porque politicamente são contra o presidente da República.

Tenho receio de que se cumpra o pensamento do jornalista e dramaturgo pernambucano Nelson Rodrigues:

“Os idiotas vão tomar conta do mundo. Não pela capacidade, mas pela quantidade. Eles são muitos”.

Tenhamos piedade do nosso Brasil e de todos nós.

araujo-costa@uol.com.br

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