Entre jatinhos, traições e dinheiro público.

A campanha para a presidência da Câmara dos Deputados está escancarando o que a sociedade já sabe: dinheiro público sendo esbanjado a torto e a direito, como se crise pandêmica e econômica não houvesse no Brasil e traições, muitas traições, além de promessas presumivelmente inconfessáveis em público.

Os dois candidatos declarados à presidência da Câmara, Arthur Lira (Progressistas-AL) e Baleia Rossi (MDB-SP) estão percorrendo os estados, para encontros com governadores, aliados e políticos locais, usando jatinhos particulares, geralmente modelos de oito lugares.

Segundo suas Excelências os candidatos, esses sofisticados jatinhos estão sendo pagos por seus partidos respectivos – dinheiro público do fundo partidário, portanto – mas desconfia-se que alguns conhecidos empresários estão financiando, à sorrelfa, dissimuladamente, as duas campanhas e, por certo, vão cobrar a fatura depois, cujo pagamento sairá do bolso do alquebrado contribuinte brasileiro.

Como é praxe, também acontecem traições de ambos os lados. Parte do Partido Social Liberal (PSL), que em princípio havia apoiado Baleia Rossi, rompeu o acordo e se bandeou para o ninho de Arthur Lira, o candidato do presidente Bolsonaro.

Aí surgiu no PSL uma figura estrambótica: a expulsão voluntária, ou seja, a direção do partido sinalizou que os deputados que não honraram o acordo no sentido de votar em Baleia Rossi serão expulsos da agremiação, desde que deixem o partido de livre e espontânea vontade.

É um novo tipo de expulsão, que o PSL inventou. Os humoristas gostaram.

Nesse balaio de gatos, o Partido dos Trabalhadores (PT) está apoiando o outrora “golpista” Baleia Rossi (MDB) e, na campanha simultânea para presidência do Senado Federal, este mesmo PT sinalizou que vai apoiar o candidato do presidente Bolsonaro, senador Rodrigo Pacheco (DEM-MG).

Para o PT, coerência é um bicho que corre em disparada, sem nenhuma hipótese de ser alcançado pelo partido.

Só os petistas acreditam que a direção do partido está costurando esses acordos esquisitos e avessos ao pensamento da esquerda, sem nada em troca e tão-somente em nome da convivência democrática.

Diante disto, difícil descobrir o que o “golpista” paulista Baleia Rossi e o senador mineiro Rodrigo Pacheco prometeram ao PT, em troca desses estranhos e inexplicáveis apoios.  

araujo-costa@uol.com.br

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