A esquerda que Bolsonaro gosta

“Não há esperança de sobrevivência humana sem homens dispostos a dizer o que acontece” (Hannah Arendt, filósofa alemã, 1906-1975)

Para o PT e a esquerda em geral não dizerem que o presidente Bolsonaro não fala de flores, está aí uma situação que nem Freud explica.

Até os admiradores do paraibano Geraldo Vandré devem estar confusos, mesmo caminhando, cantando e seguindo a razão.

Um dos cargos mais importantes na estrutura burocrática do Estado brasileiro é o de Corregedor da Receita Federal.

Se o Brasil fosse um país sério – e todos sabemos que não é – esse cargo  deveria ser imune a quaisquer ingerências de políticos ou de partidos políticos. Deveria manter-se à distância de influências nem sempre sadias, nem sempre bem intencionadas.

Entretanto, dá-se o contrário.

O senador fluminense Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ), filho do presidente da República, que a esquerda detesta, indicou e quer emplacar no cargo de Corregedor da Receita Federal o auditor Dagoberto Lemos.

Dagoberto Lemos é de esquerda e beneficiado com a “bolsa ditadura” desde julho de 2012, na condição de anistiado político (Lei 10.559/2012), que a direita tanto critica até hoje.

Mais: o preferido do ultradireitista senador Flávio Bolsonaro é simpatizante petista e, como tal, integrante da chamada esquerda barulhenta e perseguida pela ditadura militar (1964-1985).  

Se a moda pega – e o presidente Bolsonaro começar a nomear pessoas da esquerda para o governo – alguns petistas vão gostar e acabar fazendo campanha para a reeleição de Bolsonaro, o que não será nenhuma surpresa, já que petistas adoram poder, cargos e dinheiro público como, aliás, todos os políticos.

Parece até recorte de imprensa sensacionalista, mas não é. É tão-somente o resultado de nossa política de embromação, sem princípios, sem ideais, sem pudor.

À primeira vista, parece mesmo coisa de “imprensa marronzista”, como diria o corrupto e demagogo prefeito Odorico Paraguaçu, de Sucupira.

Com essa indicação, Bolsonaro pode ter achado o caminho para ensaiar um namorico com a esquerda ou parte dela. Em tempos estranhos, não se pode duvidar de nada.

A esquerda não gosta de dinheiro público, desde que desague no bolso dos outros. No bolso dela é outra coisa.

Essas são contradições laboradas nos bastidores do poder e longe daqueles que, ingenuamente, vão para as ruas gritar em defesa de seus políticos de adoração, sejam eles de direita, de esquerda ou de qualquer posição no universo político.

O Brasil precisa de mais escolas, de mais professores. Só assim será possível agigantar nossa consciência política.

araujo-costa@uol.com.br

Deixe um comentário