Decoro parlamentar.

Semana espalhafatosa na CPI da Pandemia do Senado Federal.

O senador Jorginho Mello (PL-SC) espinafrou o colega Renan Calheiros (MDB-AL) que, do alto da elevada função de relator da CPI, chamou o catarinense de “vagabundo”.

Nessas alturas, a expressão “Vossa Excelência”, como mandam o regimento e o decoro, já tinha sido espezinhada e chutada por Renan Calheiros.

Jorginho Mello devolveu o insulto e elevou o tom, grosseiramente: “você é ladrão e picareta”.

Não precisava dizer. Aí já é demais.

Coitado do Renan, tão honesto!

Renan Calheiros partiu para o ataque físico ao colega de Santa Catarina, mas foi impedido por outros colegas, que evitaram o pugilismo do senador alagoano.

Quinta-feira, dia 23.09.2021. Ao repercutir a matéria vergonhosa e constrangedora, a apresentadora do Jornal das 10, da GloboNews, emissora protetora de Renan Calheiros, perguntou aos colegas comentaristas Merval Pereira e Carlos Sardenberg:

– E o decoro?

Sem ter o que dizer, Sardenberg saiu-se com uma piada sem graça. Merval Pereira, mais contido, silenciou.

A apresentadora do programa jornalístico global desconhece que a história política de Renan Calheiros é uma falta de decoro, por si só. Como, aliás, é a história de grande parte de nossos senadores que se dizem decentes e corretos.

O certo é que decoro parlamentar só existe no dicionário político desses embusteiros, independentemente de qualquer espectro político de que façam parte.  

Quando deputados e senadores se engalfinham, dão um ponta pé no decoro, que sai voando junto com a indecência vocabular deles e se espatifa no esgoto da hipocrisia.

araujo-costa@uol.com.br

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