Chorrochó: José Juvenal e a saudade que não pode esperar

José Juvenal de Araujo/Arquivo da família

Nesse 16/07/2022 completaram-se sete anos do falecimento de José Juvenal de Araújo (1954-2015), que foi prefeito do município de Chorrochó em três ocasiões.

Nascido em 10/05/1954, José Juvenal faleceu com pouco mais de 61 anos, idade quase toda dedicada ao exercício da atividade política.

Completar-se-á mais um ano que não veremos José Juvenal de Araújo na festa dos vaqueiros de Chorrochó que – parece – já se transformou em tradição no calendário do município.

Completar talvez não seja a expressão apropriada, porque a saudade não se completa nunca. Ela deixa sempre um vazio cruel, inominável, inarredável, que não há como preencher.

Preenche-se o vazio com outro vazio mais profundo, mais dilacerante, nunca a saudade, que se faz persistente e cutuca diuturnamente nossas frágeis emoções.

Não falo de José Juvenal de Araújo político, articulador, tampouco do prefeito, do homem do povo. Este, todos conhecem e dele já falei muitas vezes em artigos, crônicas, opiniões, textos longos e até, em certas vezes, incompreensíveis.

Falo de Zé Juvenal amigo, sorriso franco, alegre, encantador, brincalhão, respeitador, prestativo e presente na vida de cada um de nós, que com ele convivemos.

Refiro-me a Zé Juvenal da adolescência, das saudosas manhãs ginasianas do Colégio Normal São José (hoje Colégio Estadual São José), dos encontros no Bar Potiguar, do alegre cair da noite nas ruas de Chorrochó.

Falo dos encontros boêmios, das conversas ingênuas e inofensivas. Situo-me numa quadra do tempo em que Chorrochó ainda apreciava o luar das serenatas, luar que hoje ignoramos porque, quase sempre, estamos ocupados com a pequenez de nossas ações.

Falo de Zé Juvenal da simpática Caraíbas, admiravelmente atencioso com a mãe Umbelina Miranda Araújo (D. Bela) e o pai Oscar Araújo Costa, sempre acolhedor e presente na vida de todos da família e do lugar.

Portanto, falo de José Juvenal acolhedor dos irmãos, da família como um todo.

Falo de Zé Juvenal construtor de amizades e amigos perenes, especialista neste particular. Falo de Zé Juvenal amigo, de presença sempre desejável. Cadê você, Zé?

Deste Zé Juvenal, a saudade não tem tempo de esperar para dizer. Diz a todo o momento, no entrelaçar das recordações e no inevitável das lágrimas.

Este Zé Juvenal não cabia em sua própria bondade, extrapolava-se em si mesmo para acolher amigos, parentes, conhecidos. Como Zé gostava de gostar dos amigos, dos tabaréus, dos humildes!

O Zé Juvenal que ainda amamos – e amaremos sempre – era assim: demais. Demais até demais. Tinha o coração generoso, a ternura visível, a essência da sinceridade, a solidez do acolhimento, a espontaneidade do abraço.

Mas este Zé Juvenal se foi. Podia ter ficado mais, podia ter enrolado um pouco para tomar o rumo da distância, a distância infinita da eternidade. Podia ter sentado no começo do caminho e combinado outra data para a partida.

Gostaríamos de continuar ouvindo suas piadas, seus “causos” engraçados e sua conversa mansa, cordata, agradabilíssima.

Zé Juvenal deixou família, amigos, parentes, admiradores, conhecidos. E deixou a marca de sua passagem por aqui, deixou a lembrança da convivência, deixou o indizível da saudade.

Os anos passam, mas é difícil passar a saudade de Zé Juvenal. Nunca passará.

Deste Zé Juvenal, dentre todas as lembranças que não esqueço, lembrarei sempre de uma pergunta generosa, altiva, sincera, que ele sempre me fazia: “Como vai, primo?”.

araujo-costa@uol.com.br

Post scriptum:

Este texto foi publicado pela primeira vez em julho/2018. Reproduzo-o agora, porque a saudade de José Juvenal sempre se faz presente e para reavivar e repetir a história de Chorrochó.

Como dizia o escritor e jornalista Nelson Rodrigues (1912-1980), “eu não existiria sem as minhas repetições”.

 

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