Política de Chorrochó: Dorotheu Pacheco de Menezes e seu tempo

“Ser homem público é ser curioso com a vida, catucar a história e conspirar para mudar o tempo” (Armando Falcão, político cearense, ministro da Justiça dos presidentes Juscelino Kubitscheck e Ernesto Geisel, 1919-2010).

Aqui me tenho, novamente, a falar de fatos, impressões e ideias sobre Chorrochó.

Em setembro comemora-se o aniversário de emancipação político-administrativa do município.

Trata-se de um septuagenário trôpego e corroído pelo descaso de seus governantes.

Impressiona negativamente as imagens dos equipamentos públicos e das estradas, dentre outras. É gritante a não preservação da história do município. A mesmice política campeia, abunda, ultrapassa a razoabilidade da dinâmica democrática.

Dorotheu Pacheco de Menezes/Arquivo Maria do Socorro Menezes Ribeiro

Em 12/09/1954, deu-se a instalação dos serviços públicos municipais e Eloy Pacheco de Menezes, uma das vozes do movimento de emancipação, foi investido nas funções de gestor provisório. Em outubro realizaram-se eleições.

Estávamos no governo de Luís Régis Pacheco Pereira, que tinha como um de seus secretários de Estado um jovem de 24 anos: Francisco Waldir Pires de Souza. Ambos foram fundadores do Partido Social Democrático (PSD) da Bahia.

A primeira composição da Câmara Municipal de Chorrochó ficou assim constituída, salvo engano, erros e omissões: Maria Joselita de Menezes, Ercilina Soares de Almeida, Walter Augusto Jones, Onofre José Possidônio, Eliseu Bispo Damasceno, Emiliano Soares Fonseca, Antonio Pires de Menezes e José Campos de Menezes.  

Meu plantão de lembranças remete-me ao maior responsável por esta conquista: Dorotheu Pacheco de Menezes, que sustentou a ideia do pai Francisco Pacheco de Menezes e a levou adiante.

Grande líder do seu tempo, incansável batalhador, Dorotheu não se prendeu somente à luta pela emancipação. Dedicou-se, diuturnamente, ao seu povo e à causa de Chorrochó, antes e depois da emancipação.

Dorotheu costumava dizer: “Chorrochó não é meu, é do povo”. Quem hoje, com o poder na mão, tem a humildade de dizer isto?

Dorotheu Pacheco de Menezes foi prefeito de Chorrochó em duas ocasiões (1959-1963/1966-1971).

Difícil para este escrevinhador falar sobre a vida de Dorotheu, porque sempre fui seu admirador, o que não respinga em generosidade ao retratar sua atuação política.

Quiçá seja mais fácil fazê-lo somente relativamente ao líder político de qualidades inumeráveis: humilde, honesto, dedicado, vigilante, convicto de suas posições e contemporizador, dentre muitas. E, sobretudo, essencialmente defensor de sua gente. 

Transigente e altivo, Dorotheu enquanto podia, nunca deixou Chorrochó cair no abismo. Era capaz de direcionar os caminhos, antever o que o povo queria e, mais do que isto, entendia de povo.

Para o político e administrador público o fundamental é entender de povo e não de si próprio. Dorotheu fazia isto com maestria.

Hoje vejo Chorrochó equilibrando-se, politicamente, para não frequentar o noticiário como um município mal administrado, envolto em deslizes, injustificadamente paupérrimo e, mais do que isto, negligente quanto ao seu futuro.

Faltou altruísmo aos seus administradores mais recentes, falta vontade política de colocá-lo nos trilhos do desenvolvimento, vontade essa sustentada nos recursos disponíveis que, convenhamos, em Chorrochó não são poucos.

Há uma frase do presidente Juscelino Kubitscheck, essencial e exemplar: “O bom administrador não deve buscar recursos nos cofres públicos, mas em sua própria cabeça”.

É a definição de prioridades, a adequação do dinheiro público às necessidades mais prementes da população, a vigilância diuturna no que tange aos gritos sociais e dos desamparados.

Pergunto, então: é este o município de Chorrochó que Dorotheu Pacheco de Menezes, Eloy Pacheco de Menezes, José Calazans Bezerra, Antonio Pires de Menezes, Pascoal de Almeida Lima e tantos outros queriam para seus munícipes?

Não, evidentemente.

Também não é este o Chorrochó que seu povo deseja, presumo. E muito menos, o alicerce que os jovens de hoje querem para a construção do seu futuro.

A crítica não é restrita à administração atual, que bem ou mal está aí por vontade das urnas, mas soma-se a todas as outras que a antecederam, mesmo que sustentadas pelos mesmos líderes.

Há algum tempo um chorrochoense me mandou e-mail chamando-me de saudosista.

Democraticamente, aceitei seu ponto de vista, porque quem escreve tem de aceitar as críticas, penitenciar-se diante delas. Ele estava certo, está certo, mas laborou num equívoco: falar de história e de nossos antepassados não significa tão somente saudosismo, mas tentativa de sedimentar valores.

Tenho saudade das coisas boas, dos sonhos, da esperança.

Aliás, isto até me honra, porque significa o reconhecimento de que não abdiquei de minhas raízes caatingueiras. Todavia, prefiro ser saudosista a aceitar Chorrochó definhando pacientemente.  

Minha geração fracassou. Mais do que isto, acomodou-se. Confesso que vejo a forma de fazer política hoje diferente daqueloutra que sonhava na juventude.

Considerando tudo que a União Federal e Estado asseguram aos municípios nos dias de hoje, não me omito em dizer que Chorrochó está aquém da posição que merece.

Pelo andar da carruagem, nas eleições de outubro de 2024 ter-se-á, a rigor, candidato único na disputa pela chefia do Executivo Municipal. Longe de representar unanimidade política, isto beira à subserviência aos atuais líderes ou, por outra, o retrato da falta de novas lideranças, o que é ruim para um município de 70 anos.  

Entretanto, isto significa também – e principalmente – a capacidade de cerzidura estratégica do prefeito Humberto Gomes Ramos e a fragilidade da pálida Oposição no município.

Trata-se de um desabafo de quem deseja um município melhor para as novas gerações. Minha geração não logrou êxito. Fracassou. Mais do que isto: frustrou-se.

araujo-costa@uol.com.br

Uma consideração sobre “Política de Chorrochó: Dorotheu Pacheco de Menezes e seu tempo

  1. Olá boa noite primo
    Que lembrança em
    Mais sim vejo que e um município que tem muito o que melhorar
    Vi de perto sempre que vou lá
    Presisa inovar as políticas
    Públicas há favor das pessoas
    E não de sei próprio.
    Abraço.

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