A fronteira entre o respeito e o direito de divergir

“Uma grande tarefa não se realiza com homens pequenos” (John Stuart Mill, filósofo britânico, 1806-1873)

Há um ditado antigo segundo o qual “quem foi rei sempre será majestade”.

Não estou aqui a pretender que a sociedade de hoje, por óbvio incluída a juventude, pense da mesma forma que este humílimo escrevinhador, o que seria despropositado.

Penitencio-me diante de minha insignificância, mas não abdico do dever de cidadão com vistas a contribuir para que o Brasil seja melhor no que concerne à convivência sadia entre todos.

Fui professor e, como tal, ainda carrego resquícios e manias das salas de aula. Ensinavam-se, além das disciplinas, formas de comportamento, de respeito e de convivência em sociedade.

Todavia, estarreço-me ao ver o nível de desrespeito com que pessoas, fanáticos inclusive, tratam o presidente da República e o ex-presidente Lula da Silva.

São apelidos escabrosos, acusações quase sempre vazias e outras disparidades mais, de modo que não há o mínimo de respeito tanto com o ex-presidente Lula da Silva quanto com o presidente Bolsonaro.

O desrespeito parece generalizado. As redes sociais são terrenos férteis para agressões, disseminação de imbecilidades e espancamento às boas regras de civilidade.

Um ex-presidente da República, qualquer que seja ele, independentemente de sua conduta reprovável e eventuais erros que tenha cometido, deve merecer o respeito de todos, em razão de ter exercido a chefia de Estado e de governo, colocado no poder de maneira democrática.

O presidente da República, no exercício de sua função, seja ele de esquerda, de direita ou de qualquer espectro político, é a autoridade superior da República e deve ser tratado com a urbanidade necessária.

Imagino o que nossa sociedade de hoje deixará como legado para seus descendentes, já que, como se vê, certamente não será educação e respeito.

Durante anos convivi em São Paulo com o ex-presidente Jânio Quadros (1917-1992).

Ninguém me contou. Vi a forma respeitosa como todos o tratavam. Quando a ele nos dirigíamos, mesmo informalmente, sempre tínhamos o cuidado de chamá-lo Presidente. É a majestade e liturgia do cargo que exigem a deferência, o respeito, a urbanidade.

Deve haver uma fronteira entre o respeito e o direito de divergir.

Divergir, sim. Faltar com o respeito, nunca.

Nossas palavras também são limitadas por fronteiras que as colocam na adequação certa às elementares formas de educação.

Uma grande tarefa para nossos nobres professores, desde os mais tenros bancos escolares em todos os rincões até as universidades.

Estamos diante de uma sociedade desrespeitosa, alienada nalguns segmentos e totalmente despreparada para conviver com os antagonismos.

araujo-costa@uol.com.br

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