Brasília, estupidez e barbárie

Às vezes é preciso dizer o óbvio que, neste caso, além de óbvio é cristalino.

Lula da Silva ganhou a eleição presidencial porque teve mais votos.

Jair Bolsonaro perdeu a eleição presidencial porque teve menos votos.

Em democracia, a maioria governa e a minoria se curva à voz das urnas e, se quiser, vai para a oposição e aguarda a próxima disputa eleitoral.

Entretanto, oposição se faz com ideias e não com violência. O debate dá-se entre as ideias e não entre indivíduos.

Paixão política exacerbada e fanatismo, qualquer que seja ele, não se coadunam com vivência democrática, tampouco com o confronto de ideias.

A pretexto de fazer oposição ao novo governo empossado em 01/01/2023, uma turba de delinquentes barbarizou Brasília no domingo, 08/01/2023.

Delinquentes destruíram parte das sedes dos três palácios mais importantes da República: Planalto, Congresso Nacional e Supremo Tribunal Federal. Mais do que destruição física, o descalabro ofendeu o âmago do Executivo, do Legislativo e do Judiciário, símbolos maiores de nossas instituições republicanas.

Concordemos ou não com a atuação de membros dessas instituições, elas representam a cidadania que todos nós reivindicamos como sustentáculo de nossa dignidade.

Desrespeitaram o patrimônio nacional e, mais do que isto, o danificaram e espezinharam o viver democrático, apequenaram nossa história política.  

Uma insensatez, uma estupidez, uma barbárie. Menos exercício do direito de discordar, de contestar, de fazer oposição.

A sociedade não pode conviver com esse tipo de comportamento, incompatível com as regras de civilidade.

Os governantes são efêmeros e passam, o Brasil fica.

Os perdedores devem ter a dignidade de entender o resultado desfavorável, os vencedores devem dignar-se a se afastar do revanchismo e, mais do que isto, não misturar ação de governo com vaidade pessoal.

Isto vale para quem está no governo e para quem faz oposição e tem a expectativa de um dia governar.

As instituições bem dirigidas cuidam do resto.

O Brasil não pode se curvar à vontade de baderneiros que se travestem de patriotas e nacionalistas, mas desconhecem o dever de cidadãos.

A democracia é o império das leis. Resta aplicá-las sobre tantos quantos insistem em viver à margem da legalidade, quaisquer que sejam os delitos que praticarem.

araujo-costa@uol.com.br

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