O ministro Flávio Dino e o escangalhamento da decência

O ministro lulista Flávio Dino (Justiça e Segurança Pública) é o protótipo da indecência institucional.

Diz-se comunista, católico e fala de Deus a todo momento, situações absolutamente incompatíveis com o comunismo. Ele é o avesso do comunista clássico sustentado na ideologia.

Hilária e constrangedora a entrevista que ele concedeu em 2019 a Lilian Witte Fibe, Mariliz Pereira, Carlos Andreazza e Mara Luquet, ainda como governador do Maranhão. Está no Youtube para quem quiser consultar, pensar, rir.

Naquela entrevista, Flávio Dino tentou justificar, pateticamente – e sem conseguir – sua condição de suposto defensor da justiça social, da liberdade e da igualdade entre todos, ao mesmo tempo em que se declara admirador de regimes ditatoriais como Cuba, onde o que menos existe por lá é justiça social e igualdade.

Parêntese: em data recente, já no governo Lula, o Brasil mandou para Cuba, em caráter humanitário – o que é louvável – remédios básicos, dentre outros, para cura da Aids e leptospirose, porque o regime cubano não tem condições de combater enfermidades tais em seu território, sem depender de ajuda humanitária de outros países. Todavia, Cuba exporta médicos com o intuito de angariar dinheiro para o caixa do regime castrista.

Mas o ministro Flávio Dino entende que Cuba é um modelo de sociedade e de regime político, assim como outros países que estão sob o guarda-chuva do comunismo.

Truculento e pernóstico, Flávio Dino disse em entrevista que foi ao Quartel General do Exército e determinou ao General Comandante que prendesse os manifestantes naquele domingo, 08/01/2023, em Brasília.

Pretensioso, Flávio Dino desconsiderou que, segundo os regimentos militares, o comandante do Exército não obedece ordens do ministro da Justiça, que não tem atribuições constitucionais para fazê-las, mas do comandante-em-chefe das Forças Armadas, que é o presidente da República e do ministro da Defesa.  

Disse Flávio Dino: “O general questionou e disse que a prisão não seria feita lá. Outro general interveio e disse que nunca a polícia tinha ido ao quartel prender pessoas” (Veja, 08/07/2023). As prisões aconteceram no dia seguinte, mas por ordem da autoridade competente.

Evidente que os manifestantes que cometeram crimes – não todos que estavam lá, evidentemente – deviam ser presos, mas dentro das normas legais e não por pretensão de um ministro da Justiça atabalhoado com ânsia de aparecer diante dos holofotes.

Como se vê, o ministro Flávio Dino instalou no Brasil o escangalhamento da decência institucional. Quer mandar, quer determinar, quer aparecer, quer punir, quer perseguir.

Coisa de comunista frustrado.

Ideais comunistas não se coadunam com oportunistas. Embora se declarando comunista, segundo ele, “graças a Deus”, Flávio Dino migrou para o PSB, o que dá no mesmo.

Com este proceder hipócrita, Flávio Dino afronta a memória de comunistas sérios e históricos como Luís Carlos Prestes, João Amazonas, Oscar Niemeyer, Gorender, Carlos Marighella e tantos outros.

Comunismo é idealismo e não oportunismo.

Quiçá Flávio Dino queira desfazer a escuridão de seu péssimo governo no Maranhão (pior que a dinastia Sarney) e ser o indicado de Lula da Silva para sua sucessão.

Lula não quer. O PT não quer.

araujo-costa@uol.com.br

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