Em agosto de 2012, a imprensa noticiou que apareceu na fazenda Jurema, município de Chorrochó, sertão da Bahia, não se sabe procedente de onde, um simpático porco-espinho, que segundo alguns, parecia um porco-espinho mas não devia ser um porco-espinho.

O descobridor do animal, que não lembro o nome, assegurou que o encontrou em cima de uma árvore, se não me falha a memória.
História incomum, mas é maldade duvidar. Aliás, o porco-espinho tem hábitos noturnos.
Durante o dia, dizem os entendidos, ele se recolhe e não fica por aí nas alturas admirando a paisagem do sertão até porque, em tempos de seca – e agosto comumente é tempo de seca – a paisagem não é lá tão bonita assim que ocupe a atenção turística de um porco-espinho.
O certo é que na ocasião esse porco-espinho chorrochoense ficou famoso, embora um porco-espinho, que não devia ser porco-espinho.
A caatinga nunca foi habitat do porco-espinho ou do ouriço, que é parecido com ele ou, no mínimo, parente dele.
Sou do mato, caatingueiro legítimo dos cafundós de Curaçá e Chorrochó e me atrevo a dizer isto, talvez mais uma besteira das muitas que tenho dito e continuo dizendo.
Mas até aquela ocasião, não conhecia precedente em nossa região. Se esse paisagístico animal estava em cima de uma árvore e, sendo um porco-espinho, como foi tirado de lá, sem que a pessoa que o resgatou se ferisse?
É ilógico admitir que na fazenda Jurema tenha porco-espinho. Se tem um, tem mais de um.
Não sei se os estudiosos chegaram a explicar, cientificamente, como surgiram por lá. Esse não caiu das nuvens, sozinho, isoladamente. Tem – ou teve – pai, mãe, parente, aderente, tem família ou seja lá que nome é usado pelo porco-espinho para definir sua prole.
É uma conclusão mais biológica que conjectural.
À época Chorrochó estava em campanha política acirrada. Até sugeri na ocasião que o porco-espinho fosse eleito símbolo da campanha eleitoral de 2012. Mas ninguém deu bola para esse meu desatino e minha idiotice.
Os espinhos são o mecanismo de defesa do animal. Quando o porco-espinho é atacado, os espinhos se desprendem e anulam a ação do predador.
Como os candidatos não têm espinhos para anular a provocação dos adversários, o porco-espinho poderia servir como analogia para contê-los e a campanha política correria em paz absoluta, sem desavenças, sem acusações mútuas, sem excessos.
Agora, outra notícia de Chorrochó.

Em data recente, apareceu uma raposa no centro de Chorrochó. Esta sim, habitante legítima da caatinga e, por óbvio, comum naquelas paragens.
Pelo jeito, a raposa estava raivosa e chegou a atacar uma senhora de lá e também um rapaz que foi defendê-la da investida do enxerido animal.
Um amigo de lá me telefonou indignado. Já um tanto acostumado com as coisas estranhas que acontecem em Chorrochó, principalmente na política, foi logo dizendo:
“Estranho não foi a raposa aparecer na Praça do Cruzeiro, no centro de Chorrochó. Estranho é que na rede pública de saúde do município não tinha medicamento antirrábico para atender a urgência”.
Parece que a saída foi Chorrochó socorrer-se de Paulo Afonso.
Interessante é que eu tinha lido, nalgum lugar, que o secretário de Saúde de Chorrochó, salvo engano, ganhou selo de qualidade por sua eficiente atuação no setor.
Confesso que me senti orgulhoso com a notícia do desempenho e do mérito atribuído ao ilustre secretário. Isto significa presumir que a saúde de Chorrochó vai muito bem.
Ou alguma coisa não está bem clara.
araujo-costa@uol.com.br