
O Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, símbolo do sindicalismo de Lula da Silva, tem sede em São Bernardo do Campo, berço político do presidente.
Foi lá que Lula despontou para a vida política por intermédio de seu irmão Frei Chico e, anos mais tarde, em 2018, fez aquela patacoada antes de se entregar à prisão de Curitiba, rodeado de súditos e fanáticos, que entraram em delírio.
No subsolo do sindicato, num modesto espaço de 40m2, está sediada uma Organização Não Governamental (ONG) com o pomposo nome de Central de Cooperativas e Empreendimentos Solidários do Brasil – UNISOL Brasil.
A ONG é dirigida por um ex-diretor do Sindicato.
Em dezembro de 2024, o Ministério do Trabalho, comandado por Luiz Marinho, ex-tudo do aludido Sindicato, tesoureiro, secretário geral, vice-presidente e presidente e ex-prefeito de São Bernardo do Campo, amigo pessoal de Lula da Silva, firmou um convênio com essa ONG no valor de R$ 15,8 milhões, pago em parcela única, ou seja, de uma só vez.
O dinheiro público foi transferido à dita cuja ONG no próprio mês de dezembro, dia 31, três dias após a assinatura do contrato.
Agilidade impressionante.
Quem cuidou do contrato foi Gilberto Carvalho, aliado histórico de Lula da Silva, subordinado de Luiz Marinho e titular da Secretaria de Economia Popular e Solidária do Ministério do Trabalho.
Gilberto Carvalho, conhecido entre os mais próximos como seminarista, quase padre, é filósofo, conhecedor de teologia e foi secretário do prefeito Celso Daniel na Prefeitura de Santo André, no ABC paulista, além de ministro palaciano de Lula e pessoa de sua estrita confiança.
Finalidade do contrato: retirada de lixo, além de assessoria contábil e jurídica (mistura de alhos com bugalhos) nas terras dos índios yanomamis em Roraima, distante milhares de quilômetros de São Bernardo do Campo.
Mais: segundo notícias recentes, a ONG ainda está estudando como fazer o serviço que, apesar de ter recebido a bufunfa (R$ 15,8 milhões) em dezembro de 2024 só vai começar a trabalhar no segundo semestre de 2025.
Difícil entender por que a milionária quantia teve de ser paga adiantada e por que uma minúscula entidade sediada dentro do Sindicato do ABC entrou nesse rentável negócio envolvendo dinheiro público.
Pelo volume do serviço em território indigena, em Roraima, e o espaço da ONG (40m2) não há estrutura, sequer de pessoal, para abrigar tamanha empreitada, ainda mais tão distante de São Bernardo do Campo.
O que um sindicato de trabalhadores urbanos entende de limpeza de lixo em terra indígena distante milhares de quilômetros?
Coisas do PT. Não há novidade.
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