O convite dista de dezembro de 1989.
Já se vão, por aí, mais de 36 anos. Todavia, o significado se mantém e também a honra de tê-lo recebido.
Vinha da elegante Avenida Hermes Fontes, em Aracaju, Sergipe.
A remetente, bacharelanda em Direito que me convidava para a solenidade de formatura, Maria Clécia Miranda dos Santos, se formava pelas Faculdades Integradas Tiradentes e abria o caminho em direção a uma alvissareira alvorada de sucesso.
A colação de grau deu-se às 20h de 23/12/1989 no Theatro Tiradentes, precedida de culto, encerramento de placa e aula da saudade no dia anterior.
Muitos filhos de Chorrochó entenderam Aracaju como sinônimo de acolhimento e, outros tantos, adotaram-no como município de residência.
Já morando em São Paulo, não fui à festa de formatura. Por óbvio, a pobreza, a distância e a dificuldade de deslocamento impediram-me.
Ela sabia que eu não podia ir, mas o convite, que muito me envaideceu, foi uma deferência à amizade que sempre mantive com a família da então bacharelanda baseada no simpático distrito de Caraíbas, município de Chorrochó.
Aliás, por lá, as famílias Miranda e Araújo se entrelaçam firmemente, de modo que dão vida, alegria e constroem a história do lugar.
A citação do político Oscar Araújo Costa, honra e glória de Caraíbas, acabou sendo uma referência ao nome do povoado: Caraíbas de Oscar.
Líder em Caraíbas e circunvizinhança, Oscar Araújo Costa era casado com a elegante e altiva Umbelina Miranda de Araújo (D. Bela) e com ela construiu base familiar e política sólida e respeitável.
A Doutora Maria Clécia veio de família exemplar, estruturada com base na seriedade e respeito: a mãe Matilde Miranda e o pai Elizeu Cícero dos Santos que tiveram oito filhos, todos educados à maneira e nos moldes dos ditames sertanejos sustentados na Fazenda Riacho dos Bois, circunvizinhança de Caraíbas.
A Doutora Maria Clécia Miranda dos Santos cresceu profissionalmente, progrediu e sempre exerceu função de destaque e prestígio em diversos municípios da região.
O jornalista e escritor Raimundo Reis, baiano de Santo Antonio da Glória, dizia, irônico: “Quando falamos muito do passado é sinal que estamos ficando velhos”.
De repente, cabe mais um aliás, aqui. Faz tempo que a velhice se abancou no meu terreiro, trazendo-me fragilidade e até incômodas dores, mas aguçando a saudade e gratidão.
Deixo o registro do convite e da lembrança.
araujo-costa@uol.com.br