“Político sem mandato é como chocalho sem badalo: balança, mas não toca.” (José Cavalcanti, paraibano de São José de Piranhas, 1918-1994).
Abaré, simpático município do submédio São Francisco, se destaca em razão de sua efervescência política e, sobretudo, por sua pujança cultural.
Terra de José Amâncio Filho (Meu Mano) e do padroeiro Santo Antonio, Abaré vem produzindo líderes ao longo do tempo, de modo que surgiram fortes lideranças em todas as áreas, mormente na seara política.
Lá se destaca, dentre outros, Delísio Oliveira da Silva, sertanejo de ideias firmes, corajoso e incapaz de recuar quando precisa revidar quaisquer contrariedades de adversários políticos, imprensa, formadores de opinião, eleitores e palpiteiros em geral.

Há momentos em que Delísio chega a ser rústico, sem tornar-se deselegante.
Delísio atravessa um interregno sem mandato. Em consequência, deixou de balançar o chocalho do noticiário do município e incomodar circunstantes e adversários políticos.
Experiente e bem articulado, comporta-se de acordo com o vento dos acontecimentos. É estratégico, vive na trincheira das expectativas, inobstante alguns tropeços no caminho político.
Em 2018, este blog pediu uma entrevista a Delísio Oliveira da Silva. Sem êxito.
O telefone o alcançou cedo, muito cedo, em Abaré. Do outro lado da linha, a voz inconfundível, o atendimento prestativo, a pergunta ríspida, áspera, sem salamaleques: “Não conheço o blog. Quem vai fazer a entrevista? ”.
Feita a apresentação e aparadas as arestas de praxe, prontificou-se a conversar.
Não conversou.
Político experiente, escorregou educadamente e não concedeu a entrevista. Matreiro, avaliou o momento desfavorável por que passava na ocasião e dispensou este escrevinhador, fato comum no meio jornalístico.
O blog não insistiu, tampouco Delísio demonstrou interesse na entrevista. A coisa parou por aí e o blogueiro raspou-se, saiu sorrateiramente do caminho do potencial entrevistado.
Delísio Oliveira da Silva faz parte da geração de 1951. É seguro de suas convicções e, mais do que isto, preparado para eventuais botes maliciosos de entrevistadores.
Parece conhecer bem as armadilhas da imprensa, talvez por estar acostumado a ser cutucado pelos meios de comunicação. Houve um tempo em que ele frequentou o noticiário político e de assuntos judiciais, quase simultaneamente, com a mesma desenvoltura com que transita pelas estradas empoeiradas do município de Abaré.
O fato é que a liderança de Delísio continua inconteste no município. Seu prestígio político ainda se afigura sólido e, por isto, parece que sua estratégia é prevenir uma cilada de seu destino político.
Exemplificando, em 2016 abocanhou nas urnas, salvo engano, 48,92% dos votos válidos, em favor do filho e candidato a prefeito, Delísio Oliveira da Silva Filho (Del de Delísio), lançado pelo então PMDB.
O adversário Fernando José Tolentino Teixeira (PT) ganhou a Prefeitura com uma diferença de 231 votos. Obteve 51,08% dos votos válidos. Decerto, uma disputa difícil, tensa, buliçosa.
Em 2024, as urnas também não foram generosas com Delísio, que lançou, mais uma vez, o filho Del Oliveira (União Brasil) para disputar a eleição de prefeito.
O atual prefeito Emanoel da Farmácia (PT) foi eleito com 82,38% dos votos, uma liderança capaz de reestruturar o mapa político de Abaré.
Vitorioso em diversas eleições majoritárias e prefeito por dois mandatos, salvo engano, Delísio Oliveira também exerceu funções de destaque fora do município de Abaré, o que ampliou sobremaneira o lastro de sua atuação política.
Os ventos da política de Abaré parecem acomodar a atuação de Delísio Oliveira, por enquanto.
Todavia, pelo que parece, ele continua em sua trincheira política.
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