Judiciário e política: Coincidências, indecências e imoralidades

Em tempo de democracia (ainda temos esse bicho no Brasil?), lembro que a imprensa vem publicando, exaustivamente, um emaranhado de coincidências, indecências e imoralidades que envergonham os brasileiros que pensam, sabem pensar ou pretendem pensar nalgum dia.

Neste particular, refiro-me aos brasileiros que ainda não foram cooptados pelo abominável fanatismo. Esses estão perdidos, porque não enxergam nada além do nariz e vivem submersos na escuridão das paixões políticas.

Vamos às coincidências. Somente algumas.

O escritório da mulher do ministro Alexandre de Moraes (STF), firmou um contrato com o investigado Banco Master, no valor de R$ 129 milhões (36 parcelas mensais de R$ 3,6 milhões), segundo a imprensa, quantia estratosférica e nunca vista na área da advocacia.

Em tese, o escritório da mulher do ministro, também é do ministro, que vai julgar os processos do mesmo banco que eventualmente vierem a cair no STF, se o ministro não tiver a grandeza de declarar-se impedido.

Ato contínuo, outro ministro, desta vez o lulopetista Dias Toffoli (STF), que tem – ou teve – o irmão e parentes próximos na condição de sócios de fundos do Banco Master, de repente deu-lhe um estalo salvador e chamou para si o inquérito que investiga os magnatas do banco e seus amigos e colocou tal inquérito em sigilo absoluto.

Não se sabe porque o inquérito do Banco Master foi parar nas mãos do ministro Dias Toffoli, nem a razão do sigilo inexplicável que ele impôs. Sabe-se apenas que foi por determinação de Sua Excelência.

Dias Toffoli é o mesmo ministro que foi passear noutro país, em jatinho do pessoal do Banco Master.

Como é bonita a “imparcialidade” de Suas Excelências!  

Presume-se que durante essas viagens e seus consequentes regabofes, sua Excelência conversou somente sobre evangelhos, versículos bíblicos, terços e rosários e nunca sobre assuntos do Banco Master.

A ministra Verônica Abdalla, do Superior Tribunal Militar (STM), indicada por Lula da Silva para a honrosa função, recebeu de uma empresa do famoso “careca do INSS”, a bagatela de R$ 700 mil (Diário do Poder, 12/01/2026). Consta que o pagamento foi feito antes de Sua Excelência assumir a função no STM, razão maior para não ter sido indicada.

De outro turno, a Polícia Federal parece estar investigando as informações de que o filho de Lula da Silva, o Lulinha, recebeu a bagatela de R$ 25 milhões, segundo a imprensa, mais uma pensão mensal de R$ 300 mil, do famoso “careca do INSS”, conforme sobejamente noticiado.

Não se sabe o que o milionário filho de Lula da Silva fez para receber tão vultoso valor desse suspeito e investigado senhor, que manteve nebulosas relações com o INSS.

Por outro lado, o PT e a base de sustentação do governo Lula no Congresso Nacional foram contra a formação e instalação da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga o assalto aos aposentados e pensionista do INSS, embora digam, até hoje, que a maracutaia foi engendrada no governo passado, o que fica mais difícil explicarem a posição contrária à investigação.

Nada disto surpreende em tempo de consórcio Lula-STF.

Admitindo-se, por hipótese, que essas pessoas ao redor de Lula, venham a ser condenadas por envolvimento nesses escândalos, a bancada de Lula no STF certamente anulará as provas e absolverá tais pessoas envolvidas.

E não se falará mais nisto.  

A Justiça continuará sendo tão somente uma expectativa e esperança dos brasileiros.

Num país sério – e este não é o caso do Brasil – esses excelentíssimos ministros dar-se-iam por impedidos de atuarem no STF até, pelo menos, que os fatos estejam esclarecidos, já que eles próprios não se dispuseram a esclarecê-los.

A reputação de ministros do STF deve ser ilibada. Assim diz a Constituição Federal. Não deve pairar dúvida sobre a envergadura moral dos ministros.

Como diz o provérbio, “À mulher de César não basta ser honesta, deve parecer honesta”.

araujo-costa@uol.com.br

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