Já se vão, por aí, 55 anos.
Em 1971, conheci Raimunda Ribeiro Coelho, em Chorrochó. Anos depois, em razão do casamento com Raimundo Bezerra do Nascimento, acrescentou Bezerra ao nome.
A família cresceu: Roseane Coelho Bezerra, Rubenilton Coelho Bezerra, Rubenilson Coelho Bezerra, Railson Coelho Bezerra e Ralciene Coelho Bezerra.
Os amigos próximos a Raimunda, aos quais me incluo, chamavam-na “Raimunda de Rosinha”.
Rosinha era uma alegre, distinta e espirituosa senhora, sempre afável com todos, muito educada, acolhedora e da mesma estrutura familiar de Raimunda. Mais do que isto: amiga sincera.
Às vezes e quase sempre assumo o papel de mequetrefe e me atrevo a buscar no passado lembranças de pessoas que conheci nos caminhos da vida e fatos que circunstanciaram o viver de nosso tempo.
Estávamos na década de 1970 e, portanto, éramos jovens. Em Chorrochó, vivíamos numa sociedade hospitaleira, pacata, sossegada, dentro dos padrões do interior. E sobretudo, civilizada.
Nossas maiores referências eram os mais velhos – exemplos de caráter e sustentação moral – e o Colégio Normal São José, esteio da educação dos jovens da época e impulso para o andar sonhador de todos nós.
Aí, nesse ambiente sadio e responsável, nasciam as amizades, que eram o bálsamo da juventude, o condizer com a simplicidade de então.
Professora bem preparada e dedicada ao seu mister, Raimunda constituiu família exemplar, educou-a, mostrou-lhe o caminho, os passos da caminhada e o seguir dos ditames da vida.
Natural que a passagem do tempo tenha dificultado o contato com Raimunda. A última notícia que tive dela – faz alguns anos – morava na Fazenda Jurema, nos domínios do município de Chorrochó.
A trilha da vida de Raimunda a manteve como sempre: uma pessoa boa e decentemente amiga.
Esses fragmentos de memória fazem parte de meu mundo de reminiscências que alguns veem como sinônimo de saudosismo.
Pode ser. Não importa.
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