Em 30/01/2026 a presidente interina da Venezuela anunciou uma lei geral de anistia para soltar todos os presos políticos que os ditadores Hugo Chávez e Nicolás Maduro encarceraram desde 1999.
Lá, como aqui, existe uma simbiose vergonhosa entre Governo e Suprema Corte.
Aqui também temos presos políticos.
Entretanto, não temos políticos corruptos presos, tampouco temos encarcerados magistrados envolvidos em falcatruas.
O Congresso Nacional, esse valhacouto de interesseiros, queda-se inerte e não se dispõe a votar uma lei de anistia para corrigir injustiças.
Quem sabe o Supremo Tribunal Federal siga o exemplo da presidente interina da Venezuela e mande soltar dezenas de inocentes que estão encarcerados, inclusive pessoas humildes do povo condenadas sob o argumento de tentativa de um suposto golpe de Estado.
Dentre os presos e processados pelo STF estavam pessoas em condições de vulnerabilidade, tais como: vendedor ambulante de água em semáforos de Brasília, morador de rua, autista e pessoas com deficiência.
Todavia, para suas subidas e intocáveis Excelências do STF, essas humildes criaturas são perigosos criminosos que estavam arquitetando um golpe de Estado no Brasil.
Definitivamente não vivemos num País sério.
Talvez a atabalhoada pressa do Supremo Tribunal Federal ao julgar os acusados de participarem do 08/01/2023 tenha sido para ofuscar os escândalos em que alguns ministros estão envolvidos e que só agora veio à tona e inundam as páginas do noticiário.
Quiçá o escarcéu, o excesso de barulho e a ânsia por holofotes de ministros do STF sobre essa suposta tentativa de golpe de Estado tenham servido para desnudar a hipocrisia e a vaidade de alguns deles.
Com se vê, estamos diante do “prosperar da desonra” e assistindo, impotentes, “agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus” dos quais falava o jurista Ruy Barbosa.
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