
Saudade de José Araújo Costa, esse nobre caatingueiro, que nasceu e se criou nos barrancos do Riacho da Várzea.
Viveu em meio a pedras, espinhos e garranchos. Viveu a secura da caatinga, a falta de água, o cantar dos pássaros, a voz da seriema, o barulho do Riacho de Várzea, a poeira, o sol escaldante, a lua, a noite escura, a terra quente. Mas viveu também a fartura, quando a chuva caía e trazia alegria e verde ao sertanejo.
Andou por outras paragens, cavando a vida, o sustento, os sonhos.
Morou em São Paulo por algum tempo, mas a saudade de sua terra lhe puxou de volta para o sertão.
Cuidou da mãe Sátira até o final da vida, casou, teve filhos, cuidou da família, cuidou de seu lugar, cuidou de seus animais, curtiu seu mundo que tanto gostava, teve esperança.
Lutou, sofreu, sorriu, chorou e, por fim, nos deixou no início de julho de 2025.
Quando me telefonava, fazia a costumeira pergunta:
“Cadê você, homem?”
Zé de Sátira se transformou em saudade. Dilacerante saudade.
araujo-costa@uol.com.br