Quando a crítica se coaduna com a responsabilidade

Walterson Ramos/Reprodução do blog Josélia Maria

Não costumo contestar comentários sobre matérias publicadas neste blog, exceto quando resvalam em direção a interpretações equivocadas e distorcidas sobre a intenção do texto.

O propósito deste blog é indubitável, muito claro –  aliás, claríssimo –  e está visível ao lado direito da página .

Ei-lo:

Este blog não é órgão noticioso. Publica artigos, análises e opiniões sobre matérias veiculadas na imprensa, assim como crônicas despretensiosas e esparsas, sem nenhum compromisso ou viés político-partidário. Cuida também de assuntos de História e literatura. O blog analisa, comenta, reflete. Cavar notícia é mister apropriado à função de repórter, que vai buscá-la onde quer que esteja, quaisquer que sejam as horas e as dificuldades enfrentadas. O repórter é um garimpeiro do desconhecido. O crítico, o analista, o polemista e o cronista são espectadores da vida. Observam, criticam, argumentam, opinam. O blog tem absoluto respeito pelo sigilo da fonte, nos termos previstos na Constituição da República.

Entrementes, tendo em vista a elegância do comentário feito por Walterson Ramos, que muito prezo e por se tratar de agente público respeitabilíssimo no contexto regional, devo excecionar para dizer o seguinte.

O artigo intitulado Chorrochó e as peripécias do ex-prefeito Humberto Gomes Ramos, que resultou no comentário do ínclito Tércio Tolentino, restringiu-se tão somente ao âmago da matéria publicada na imprensa, de modo que este escrevinhador sequer sinalizou em direção ao mérito da possível acusação, por razões óbvias: escapa ao propósito do artigo e não é função do autor do texto opinar sobre questões estritamente jurídicas que cabem aos advogados dos envolvidos.

De fato, se a competência do órgão que chamou para si as rédeas do caso, consoante noticiado, estiver em desacordo com a legislação, isto é um maná para a defesa do ex-prefeito demolir tais alegações.

E, como se sabe, Humberto Gomes Ramos está muitíssimo bem amparado no que concerne à defesa de seus direitos.

Diz acertadamente Walterson Ramos que “uma investigação fora de sua competência é no mínimo nula” e, mais adiante, pondera que “a democracia dá o direito do texto, da investigação e da defesa do ex-prefeito”.

Correto, indubitável, incontrastável.

“É importante saber de competência para entender de direito”, assegura, com propriedade, Walterson Ramos.

Confesso que a arapuca não se assentou sobre a ignorância deste escrevinhador, porque em nenhum momento entrei na seara jurídica, mas simplesmente no campo jornalístico.

Sou um reles mequetrefe operador do Direito, com aproximados 45 anos no exercício diário da advocacia. Compatibilizo-o com o jornalismo independente, sem amarras e sem subserviência a quem quer que seja.

Contudo, isto não me habilita nem me autoriza dizer que sou entendido em Direito. Não sou. Estou aprendendo a cada dia nesses 74 anos de vida.

Sei do preparo intelectual e da formação de Tércio Tolentino. Graduado em Contabilidade pela Universidade Estadual da Bahia (UNEB), tem pós-graduação em Direito do Trabalho e, mais do que isto, faz parte do respeitável quadro da Justiça do Trabalho.

Acrescenta-lhe, agora, a honrosa função de Diretor-presidente da Agência de Desenvolvimento Econômico, Emprego e Renda (ADEER) do município de Juazeiro.

Sua atuação nesse órgão do município sanfranciscano, com papel estratégico relativamente ao desenvolvimento, tem sido por demais elogiada em toda região.

Walterson sabe dialogar, sabe compor, sabe argumentar, sabe lidar com as estruturas do serviço público e, mais do que isto, afigura-se como exímio conhecedor dos meandros institucionais.

Consta na rica história profissional de Walterson Ramos a função de secretário de Finanças do município de Chorrochó, o que significa que a população esteve bem servida.

Entretanto, minha ignorância não permite aquilatar se o exercício dessa função deu-se à época dos fatos retro aludidos e agora requentados. E mesmo que tenha sido no mesmo período, isto nada tem a ver com possível arranhão à impecável, conhecida e incontestável hombridade de Walterson Ramos.

Fatos às vezes se entrelaçam entre si, o que não significa quaisquer relação entre eles.

No mais, fico lisonjeado e extremamente vaidoso pela afirmação de Walterson Ramos: “Mas sua escrita continua sendo a melhor da região”.

Continuo acreditando que sou um humilde e ingênuo garimpeiro dos fatos e das letras. Minha intenção não é, nunca foi e nunca será ofender ninguém.

A crítica de Walterson Ramos ao meu artigo se coaduna com a responsabilidade tão própria em sua forma de atuação. E só.

araujo-costa@uol.com.br

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