A difícil vida de deputados e senadores

Conjunto arquitetônico do Congresso Nacional

Em fevereiro de 2019, a Câmara dos Deputados compunha-se de 477 parlamentares.

À época, um juiz federal de Sergipe, não enxergou nenhuma ilegalidade e liberou o chamado auxílio-mudança para deputados federais e senadores, inclusive para os que foram reeleitos e, portanto, não precisavam mudar, porque, por óbvio, já moravam em Brasília.

Valor: R$ 33,7 mil para cada parlamentar, no total de R$ 16 milhões (Diário do Grande ABC, Santo André – SP, 26/02/2019).

O auxílio-mudança consiste no seguinte: um valor, em dinheiro, pago pelo povo, para que os parlamentares custeiem suas mudanças para Brasília, quando eleitos.

Considerada ajuda de custo, mesmo os parlamentares reeleitos, que já moram em Brasília, têm direito ao auxílio, embora não precisem fazer qualquer mudança. Ou seja: os parlamentares de 2019, reeleitos, devem ter usado os R$ 33,7 mil para o custoso trabalho de girar a chave e abrir o apartamento.

Além disto, há o auxílio-moradia em torno de R$ 44,8 mil.

O auxílio-moradia, que é diferente do auxílio-mudança, continua para algumas de Suas Excelências. É cumulativo com o salário do parlamentar que gira em torno de R$ 46,3 mil, acrescido de outros valores, as escandalosas verbas de gabinete, por exemplo.

“Cada deputado tem R$ 133.170,54 por mês para pagar salários de até 25 secretários parlamentares, que trabalham para o mandato em Brasília ou nos estados. Eles são contratados diretamente pelos deputados, com salários de R$ 1.548,10 a R$ 18.719,88” (Fonte: Câmara dos Deputados).

É a origem das chamadas “rachadinhas”, que parlamentares inescrupulosos da direita e da esquerda usam para locupletar-se e depois sobem aos palanques para falar de honestidade.

Em 2026, a Câmara dos Deputados pagou, a título de verba de gabinete, R$ 65.879.486,98.

Mas, com esse dinheiro, deputados e senadores vão a festas de aniversários de municípios, vaquejadas e inaugurações, dando tapinhas nas costas de incautos eleitores.

Por exemplo, nós, nordestinos, adoramos políticos, em botecos, sorrindo à toa e dando tapinhas em nossas costas. E embolsando nosso dinheiro.  

Como se vê, com tanto dinheiro, a vida de deputados e senadores não é fácil.

araujo-costa@uol.com.br

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