“A justiça é como a serpente, só morde os pés descalços.” (Eduardo Galeano, jornalista e escritor uruguaio, 1940-2015)
“Ministro do TST adia processo de advogado de beca, mas sem gravata”.
“Durante sessão da 8ª turma do TST, realizada nesta quarta-feira, 11, o presidente do colegiado, ministro Sérgio Pinto Martins, determinou o adiamento do julgamento de um processo após constatar que o advogado que faria sustentação oral estava sem gravata.
O advogado participava remotamente e foi questionado pelo ministro sobre o traje utilizado. Ao responder que estava trajando beca, o profissional foi informado de que o julgamento seria adiado para que colocasse a gravata”. (Portal Migalhas, 12/03/2026).
Já passei por isto.
Uma vez, em São Caetano do Sul (SP), há décadas, um juiz se recusou a me atender em seu gabinete, porque, embora convenientemente vestido, inclusive de paletó, eu não estava de gravata, em razão da urgência do caso.
Lembro que se tratava de uma ação de sustação de protesto e faltavam algumas poucas horas para vencer o prazo. Naquele tempo, não existia processo eletrônico.
Como se vê, alguns juízes ainda entendem que o Direito está nos trajes que vestimos e não na Constituição e nas leis.
A lei, ora a lei!
A arrogância, os salários estratosféricos, as mordomias e os penduricalhos, afastam os juízes da realidade e, em consequência, os distanciam da sociedade, principalmente dos que não têm voz.
O Brasil em que o magistrado se preocupa mais com o formalismo e com a elegância do advogado ao vestir-se e não com o Direito e o dever de fazer Justiça, não pode dar certo, nunca dará certo.
Estão aí os exemplos. Abundantes, pululantes e estarrecedores.
Não é à toa que nosso lídimo Poder Judiciário, que tanto respeitamos e admiramos, está em despenhadeiro rumo ao descrédito.
Fonte:
araujo-costa@uol.com.br