Deu-se com estardalhaço a balela da tentativa de golpe de Estado de 08/01/2023 e o barulhento julgamento dos acusados pelo Supremo Tribunal Federal.
Trancafiaram-se presos políticos e desta vez não foi nenhuma ditadura militar, mas prisões protagonizadas por outra ditadura que era impensável no Brasil de hoje.
Enquanto isto, a suprema hipocrisia deitava e rolava.
Inequívoco o desvio de foco.
Alguns exemplos:
“O escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, recebeu R$ 80,2 milhões em pagamentos do Banco Master, em 2024 e 2025. As informações foram antecipadas pelo portal G1 e confirmadas pelo Estadão.” (UOL, 08/04/2026).
E ainda há o esdrúxulo contrato noticiado exaustivamente pela imprensa no valor de R$ 129 milhões firmado entre aquele escritório e o Banco Master, até hoje não explicado.
Mais: O ministro Alexandre de Moraes participou de uma milionária degustação de whisky Macallan em Londres, em 25 de abril de 2024, financiada por Daniel Vorcaro, do Banco Master.
Custo do regabofe: R$ 3,3 milhões.
Participaram do elitista evento o ministro Dias Toffoli (STF), Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal, Paulo Gonet, procurador-geral da República e o ministro Benedito Gonçalves, do STJ, que ficou famoso, diante do contexto, pela subserviente frase “missão dada é missão cumprida” e foi relator da ação de inelegibilidade do ex-presidente Bolsonaro no TSE (Estadão Conteúdo/UOL10/03/2026).
Como se vê, “está tudo dominado” e faz lembrar o samba de Noel Rosa.
“Você tem palacete reluzente
Tem jóias e criados à vontade
Sem ter nenhuma herança nem parente
Só anda de automóvel na cidade
E o povo já pergunta com maldade
Onde está a honestidade?
Onde está a honestidade?”
Parece indubitável que o estardalhaço atribuído à suposta tentativa de golpe de Estado serviu – e foi usado – para ofuscar altas maracutaias que envergonham os brasileiros e desmoronam a credibilidade de autoridades, do Supremo Tribunal Federal e de outras tantas instituições.
A incongruência é gritante.
O diretor-geral da Polícia Federal é Andrei Rodrigues que investiga o Banco Master e seus tentáculos; Paulo Gonet, procurador-geral da República é responsável pela denúncia (se quiser fazer) contra os dirigentes do Banco Master; os ministros do STF julgam o mesmo caso.
Qual a imparcialidade dessas autoridades se o Daniel Vorcaro pagou festas e disponibilizou jatinhos para todos elas?
É o prosperar da desonra de que falava o jurista e político baiano Rui Barbosa.
Mas o Brasil ainda tem jeito.
Resta-nos a esperança.
araujo-costa@uol.com.br