O sigilo da fonte é proteção constitucional

É conhecido o episódio envolvendo o ex-presidente Jânio Quadros e um estudante universitário.

Jânio ministrava palestra numa instituição. Terminada a preleção, foram franqueadas as perguntas.

Um estudante fez a primeira pergunta, utilizando palavras inapropriadas para se dirigir ao ex-presidente da República.

Jânio o ouviu com atenção, perguntou o nome do interlocutor, remexeu-se na cadeira e disparou:

– “Abraham Lincoln, que o senhor deve saber quem é, dizia que intimidade gera filhos ou aborrecimentos. Como não quero ter nenhum dos dois com o senhor, me respeite e coloque-se no seu lugar”.

Adepto da frase “Jânio é um louco que se julga Jânio”, o jornalista Gilberto Vieira de Souza diz que esse fato se deu em entrevista com uma jornalista. Pode ser que Jânio tenha repetido a frase em mais de uma ocasião.

Jânio em público era ríspido, formal, fazia questão de manter distância de jornalistas e intrusos, principalmente de intrusos.

Em casa era outro, mudava o rumo da conversa, esticava o papo, gostava de prosear.

Frequentei a casa de Jânio Quadros quando ele morou na Rua do Estilo Barroco, em Santo Amaro, capital paulista. Ele tinha diversos endereços.

Em casa, Jânio sabia se metamorfosear: diferente, informal, elegante, curioso, por vezes brincalhão, mas respeitador, sempre respeitador. Por isto a máxima “Jânio não tinha amigos, mas admiradores”.

Conto um desses encontros com Jânio no meu livro Fragmentos do Cotidiano, de 1987.

Bem informado, Jânio Quadros tinha muitos amigos jornalistas. Os jornalistas o respeitavam como fonte de informação segura e respeitável e jamais publicavam qualquer coisa contrária aos princípios do ex-presidente.

Estou dizendo tudo isto, porque em data recente publiquei um texto neste blog que incomodou algumas pessoas de certo município baiano.

Meus textos não têm o intuito de ofender ninguém, tampouco de melindrar quaisquer pessoas. São pontos de reflexões. Só isto. Nada mais do que isto.

Entretanto, fui surpreendido com o contato de um senhor insinuando que eu revelasse a fonte de minhas informações sobre aquela matéria.

Mandei cantar noutro terreiro.

Há pessoas que misturam política com politicagem.

Há pessoas que não sabem a diferença entre debate de ideias e tendência política, ideológica e eleitoral.

Quase me valho da frase de Jânio sobre a intimidade, mas me contive.

O sigilo da fonte é garantia e proteção constitucionais.

Mas nem todo mundo sabe.

araujo-costa@uol.com.br

Curaçá: o limite entre o sonho e a ética

“Ao rei tudo, menos a honra” (Calderon de La Barca, teatrólogo madrileno do século XVII).

O conceituado jornalista Maurízio Bim, honra e glória de Curaçá, conta que Donizete Nunes Franco, curaçaense de boa cepa, senhor honrado e respeitado, dizia que Raul Coelho comprou um rádio lá para as bandas de 1920 ou próximo disto.

Segundo Donizete, “o povo indo se admirar, assistir o bicho falador. O dono o botava na janela de sua casa para o povo ouvir. Uma mulher teimou e teimou, queria ver o homem que estava dentro da caixa”. (Maurízio Bim, História da Imprensa de Curaçá, primeira edição, página 10).

O ínclito sociólogo Esmeraldo Lopes, que sabe tudo de Curaçá, também conhece a história.

À semelhança daquela mulher, os curaçaenses devem estar ansiosos para ver o interior da caixa onde está o monumental desenvolvimento experimentado pelo município de Curaçá na atual administração, conforme apregoa a assessoria de Sua Excelência o prefeito Pedro Oliveira.

Nesses tempos de redes sociais, fake news e outros terrenos perigosos do mundo virtual, nem tudo que se lê ou se ouve deve ser levado a sério. A cautela recomenda sopesar, analisar, checar, ponderar, conferir.

Entretanto, juro que captei num grupo de WhatsApp que, somente em 2019, Curaçá terá 300 empregos diretos oriundos do setor privado até junho, com carteira assinada e mais 2.000 empregos diretos provenientes do setor público, estes presumivelmente até o final do ano.

Isto equivale, segundo a praxe estatística que Curaçá terá, pelo menos e aproximadamente, 6.900 empregos indiretos, somente em 2019.

Como se vê, Curaçá será um oasis de desenvolvimento neste Brasil de desemprego e desesperança.

Já era madrugada quando tive conhecimento do milagre curaçaense.

Confesso que me deu uma vontade danada de telefonar para meus amigos empresários paulistas mais chegados, acordá-los e dizer, orgulhosamente: estão vendo! São Bernardo do Campo, que faz parte de uma metrópole, está padecendo por falta de empregos, mas em meu caatingueiro município baiano de Curaçá, nas barrancas do São Francisco, só este ano de 2019 haverá vagas para 2.300 empregos diretos.

É muito emprego. Em proporção à população de Curaçá, até as formigas de lá estarão empregadas.

Do alto de minha insignificância, não estou duvidando da informação veiculada no grupo de WhatsApp, mas Curaçá deve ser o único município brasileiro onde o dinheiro está rolando adoidadamente. Isto é animador.

Como sou homem de fé, atribuo o milagre curaçaense às bênçãos de São Benedito e do Bom Jesus da Boa Morte.

Mãe Sérgia (Sérgia Maria da Conceição), que tanto amou Curaçá e seus filhos deve ter ajudado os santos a elevarem Curaçá às alturas do desenvolvimento.

As associações de municípios, prefeitos, governos estaduais e governo federal são unânimes em dizer que os municípios estão financeiramente quebrados, muitos até com dificuldade de cumprirem a folha de pagamento.

Em Curaçá, não é bem assim, a julgar pelas informações veiculadas pela assessoria do prefeito Pedro Oliveira. O município parece que se transformou num canteiro de obras, em todos os setores.

Não há crise, deduz-se.

Todavia, essa bonança apregoada pela assessoria do prefeito ainda não chegou ao setor que cuida do desenvolvimento rural do município. Pelo menos é o que me informam pessoas que solicitam apoio da Prefeitura e não são atendidas sob a alegação de falta de equipamento necessário para suprir as necessidades do homem do campo.

Curaçaense que sou, com muito orgulho, torço que Curaçá se desenvolva nos moldes delineados pela assessoria da Prefeitura, mas ainda não cheguei à fase de acreditar em Saci-Pererê.

Entendo que os sonhos não podem ultrapassar o limite da ética. E a ética recomenda, no mínimo, prudência.

A população tem o direito de ser informada e o Poder Público tem o dever de informar. Mas com serenidade e sem exageros.

araujo-costa@uol.com.br

O PT e as manchas do comunismo

1961. Em Cuba, o ditador Fidel Castro mandou prender 20 sacerdotes da Igreja Católica Apostólica Romana e, ato contínuo, determinou que fossem fuzilados.

O papa João XXIII pediu ao Núncio Apostólico no Brasil, D. Armando Lombardi, que pedisse ao presidente Jânio Quadros para interceder junto à ditadura cubana no sentido de evitar o fuzilamento dos padres.

Jânio Quadros agiu rápido. Conhecia Ernesto “Che” Guevara (1928-1967), que exercia função equivalente à de ministro da Economia de Cuba e, por intermédio dele, evitou o fuzilamento dos padres que o sanguinário Fidel Castro havia determinado.

Em seguida, os padres foram expulsos de Havana e mandados para a Espanha. O Vaticano ficou grato a Jânio.

A participação de “Che” Guevara é conhecida na revolução cubana e na consequente derrubada do presidente Fulgêncio Batista.

A implantação da ditadura cubana deu-se com a decisiva participação de “Che” Guevara, esteio do pensamento comunista da época que ajudou a implantar na “Ilha” dos Castro.

Hoje, seis décadas depois, é estarrecedor que ainda existam admiradores contumazes dos métodos de Fidel Castro. Quem o admira, em consequência, admira também suas práticas nefastas.

Na Venezuela, o ditador Nicolás Maduro está dizimando o país.

Seguidor do pensamento de Fidel Castro, Maduro é insensato e cruel.

Maduro já prendeu opositores, fechou órgãos de imprensa, forjou pleitos eleitorais e, hoje, de forma cruel, está impedindo o ingresso na Venezuela de ajuda humanitária consistente em gêneros alimentícios e remédios para os venezuelanos.

Noutras palavras: Maduro está matando parte da população de fome e suprimindo as condições mínimas de sobrevivência de seus nacionais venezuelanos. Coisa de ditador.

No Brasil, dirigentes do Partido dos Trabalhadores (PT) endeusam as ditaduras, mormente algumas africanas e outras como Cuba e Venezuela.

Em data recente, a radical presidente nacional do PT, deputada Gleisi Hoffmann, especialista em assuntos asnáticos, provocou um racha no partido. Decidiu sozinha ir à posse do ditador venezuelano e lá o enalteceu perante o mundo. Um vexame, num mundo e numa época em que os ditadores e as ditaduras estão em baixa.

Muitos petistas sensatos não aprovaram o comportamento da presidente nacional do partido, cientes da quadra do tempo em que vivemos. Ainda estão se engalfinhando internamente por causa dessa atitude tresloucada da presidente do partido.

Todavia, o que Gleisi Hoffmann faz e diz é questão de psiquiatria. Só especialistas na ciência entendem seu destrambelhamento.

Mais: Gleisi Hoffmann ainda não explicou quem pagou as despesas com o deslocamento dela e de sua equipe até a Venezuela, incluindo assessores, hotéis, traslados, et cetera, vez que ela mesma apregoa que o dinheiro do PT acabou e o partido está quebrado, em penúria.

Sua Excelência precisa explicar de onde veio o dinheiro para essas despesas feitas simplesmente com o intuito de endeusar o ditador venezuelano.

Gleisi rebaixou o PT perante o mundo.

Aliás, relativamente ao PT, a situação é histórica.

O ex-ministro José Dirceu de Oliveira e Silva, que foi presidente nacional do partido e ministro plenipotenciário de Lula da Silva, quando exilado fez curso de guerrilha em Cuba e lá se valeu de cirurgia plástica para mudar suas compleições físicas e voltar ao Brasil clandestinamente sem ser reconhecido. Deu certo.

Zé Dirceu voltou, casou-se e morou no Paraná durante anos sem ser reconhecido, teve filho e somente revelou a identidade para e esposa após a anistia de 1979. Segredo que só um guerrilheiro bem preparado consegue guardar durante tanto tempo.

Mas, voltando ao comunismo, seus seguidores costumam deixar manchas cruéis.

O Brasil precisa ficar atento com a conduta de alguns políticos “sem noção”.

araujo-costa@uol.com.br

Os desembargadores da Bahia estão com fome

“Restaure-se a moralidade ou locupletemo-nos todos” (Stanislaw Ponte Preta)

Deu na imprensa.

Além dos estratosféricos vencimentos mensais, os desembargadores do Tribunal de Justiça da Bahia recebem R$ 1.100,00 de auxílio-alimentação, que ninguém é de ferro.

Auxílio-alimentação é para comprar comida mesmo, pelo menos é destinado para isto.

Entretanto, esse dinheiro não é suficiente para Suas Excelências encherem suas panças. Eles têm muita fome.

O Tribunal de Justiça dos baianos mandou comprar 400 latas de leite em pó de 400 gramas, o que equivale a 160 quilos de leite.

Ainda segundo a imprensa, em 2013 o Tribunal licitou a compra de 8.000 latas de leite em pó de 400 gramas. Naquele ano a fome dos desembargadores era brava.

Em 2016, o Tribunal pretendeu adquirir 3.000 latas, também de 400 gramas.

Isto é apenas parte da merenda de Suas Excelências, porque há mesa farta com frutas e outros ingredientes mais, tudo para o recreio dos Meritíssimos. Só em frutas, o Tribunal mandou gastar R$ 39,6 mil para o privilegiado lanche no Tribunal.

O Bahia Notícias fez um levantamento e descobriu que os alunos da rede municipal de ensino de Salvador consomem, individualmente, menos da metade do leite que nossas subidas Excelências.

Este é o Tribunal que pretende extinguir comarcas para conter gastos.

Só para lembrar:

O senador Humberto Costa (PT-PE), líder do partido no Senado da República gastou R$ 56.279,99 nestes dois primeiros meses de 2019 com despesas pessoais pagas com impostos dos brasileiros.

Só num almoço, em Brasília, gastou R$ 553,90.

Está explicado porque os petistas resistem em largar a rapadura.

araujo-costa@uol.com.br

A decência diante do infortúnio

A ditadura militar de 1964 corria solta.

O ator e escritor Mário Lago, honra e glória das artes nacionais, comunista até a alma, inteligente, educado, decente e monumento da história, estava apresentando um espetáculo no Teatro Santa Isabel, no Rio.

A polícia política chegou sorrateiramente e o prendeu no intervalo da peça com os trajes que estava representando o personagem e o levou para o xadrez.

Ao chegar à cela, havia outros presos, alguns conhecidos e amigos de Mário Lago e outros não.

Ao se depararem com a cena, Mário Lago pintado e roupas extravagantes, os amigos caíram na gargalhada. Os demais lançaram um olhar esquisito, gozador, insinuante.

Mário lago foi rápido:

– Olha, estou pintado e vestido assim, mas sou macho para chuchu. Não pensem que sou veado.

Mário Lago era veterano em prisões políticas. Gozador e brincalhão, conhecia todas desde os tempos da ditadura Vargas e até ensinava como os presos políticos deviam se comportar em situações vexaminosas perante os “milicos”.

A polícia prendia Mário Lago, soltava, buscava novamente, prendia de novo, intimava, fazia inquéritos, soltava, prendia, processava… E ele lá, maior que todas as ditaduras.

Esta história foi contada pelo jornalista Hélio Fernandes, da Tribuna da Imprensa, que esteve preso com Mário Lago e reproduzida pelo também jornalista Sebastião Nery, baiano de Jaguaquara e patrimônio do mundo.

Eu, que não chego aos pés de ambos, conto o episódio como entendo ou penso que entendo.

araujo-costa@uol.com.br.

Post scriptum:

À turma do “politicamente correto”, esclareço que isto é história e não palavrão ou preconceito.

Renasce a União Democrática Nacional (UDN)

Está de volta o partido da mística “o preço da liberdade é a eterna vigilância”, fundado em 1945, para enfrentar a ditadura do Estado Novo.

O novo partido político, ainda em formação, pretende abrigar a direita nacionalista e o liberalismo econômico à semelhança da UDN de 1945, com ajustes óbvios, em razão das transformações sociais.

Trata-se de um novo partido com os mesmos princípios dos udenistas da era Vargas, cujos expoentes foram os governadores Juracy Magalhães (Bahia), Carlos Lacerda (Guanabara), Magalhães Pinto (Minas Gerais) e o tribuno e chanceler mineiro Afonso Arinos de Melo Franco.

A última grande eleição que a UDN participou foi o pleito presidencial que elegeu Jânio da Silva Quadros em 1960. Jânio não era udenista, mas aliou-se ao partido e foi por ele sustentado na disputa presidencial.

Daí em diante, a história é demais conhecida: vieram o período conturbado do presidente João Belchior Marques Goulart, o advento do movimento militar de 1964, o apoio à ditadura e, por último, sua extinção em 1965, por força do Ato Institucional número 2 (AI 2), editado pelo governo militar.

A nova UDN nasce forte, tendo em vista os ventos trazidos pelas eleições polarizadas de 2018, que definiram claramente onde se situam direita e esquerda nos dias de hoje.

Políticos que apoiaram o atual presidente Jair Bolsonaro, em campanha, já sinalizam a mudança para a nova UDN, a começar por integrantes sérios do PSL (Partido Social Liberal), partido que está demonstrando ser, não propriamente uma agremiação partidária, mas um invólucro para abrigar políticos corruptos.

Estão aí, embora não comprovados, os primeiros sinais de distribuição de dinheiro do fundo partidário pelo PSL para candidatos inviáveis eleitoralmente.

A dúvida é se o dinheiro foi destinado a candidatos forjados, os chamados “laranjas” e retornava ao bolso dos dirigentes do partido ou, se de fato, os candidatos eram de verdade, mas ruins de votos.

Em Pernambuco, uma candidata do PSL a deputada federal, que recebeu R$ 400 mil do fundo eleitoral três dias antes das eleições, obteve nas urnas apenas 274 votos.  Vai ser ruim de voto assim no inferno!

As investigações determinadas pelo presidente da República certamente chegarão nalgum lugar.

O certo é que a direita estará politicamente bem representada, tendo em vista o ideário ostentado pela UDN, isto se seus dirigentes não se desviarem do caminho, como é comum nesse emaranhado de partidos políticos, reconhecidamente arapucas para aprisionarem dinheiro público em favor de picaretas profissionais.

A direita está se organizando partidariamente. Resta saber se tem estofo para enfrentar o barulho da esquerda no Congresso Nacional. Lá proliferam radicais, idiotas e corruptos de toda ordem.

A esquerda tem uma vantagem a mais: vem se organizando há décadas, está pulverizada em todo o território nacional e se estende das metrópoles aos pequenos municípios.

Na esquerda juntaram-se, em conluio, embusteiros de toda ordem: batedores de carteira do dinheiro público, dilapidadores de estatais e especialistas em ladroagem.

Todavia, concernentemente à UDN que surge, a esperança é que o partido acolha políticos sérios e preocupados com nosso combalida República.

araujo-costa@uol.com.br

Curaçá: o prefeito e o ato do vice

Heitor Dias (1912-2000), baiano de Santo Amaro, era prefeito de Salvador pela União Democrática Nacional (UDN).

O jornalista conservador José Augusto Berbert de Castro (1925-2008), que também era médico da Prefeitura de Salvador, trabalhava no jornal A Tarde, que fazia oposição ferrenha ao prefeito. Crítico da administração municipal, Berbert era credenciado para fazer a cobertura do gabinete do prefeito.

Um dia Berbert chegou cedo ao gabinete e perguntou ao prefeito se tinha alguma notícia de interesse jornalístico.

Heitor Dias disse: “Tenho sim. O médico José Augusto Berbert de Castro está demitido das funções de otorrino que exerce na Prefeitura. Fale de mim à vontade, Berbert, mas de graça. Eu pagando, não”.

Há uma máxima forense muito usada por juízes, advogados, promotores e demais operadores do Direito, segundo a qual “o que não está nos autos não está no mundo”. Significa dizer que o juiz decide segundo as provas acostadas no processo.

O comentarista, também, qualquer que seja seu estilo, não deve florear, ir além dos fatos.

Por conseguinte, atenho-me aos fatos ou ao que entendi dos fatos.

Não sei exatamente o que consta nesses autos, mas a imprensa noticiou que o prefeito Pedro Oliveira, de Curaçá, requereu concessão de liminar ao Tribunal de Justiça, com o intuito de revogar decisão do vice-prefeito, que cuida da nomeação de seu chefe de gabinete ou coisa parecida, ato este já submetido à apreciação do juiz de primeiro grau.

Segundo noticiado e, salvo melhor juízo, o alcaide curaçaense insurgiu-se contra a medida, porque entendeu que a prerrogativa de nomear é somente do prefeito e, presume-se, deve ter entendido que sua função, neste caso, foi usurpada pelo vice.

Parece que o prefeito alegou prejuízo ao erário e critérios subjetivos, dentre outros argumentos, o que faz pressupor que Sua Excelência prima pela legalidade dos atos de sua administração.

Todavia, o vice-prefeito também tem o dever de zelar pela coisa pública e, por certo, não teve a intenção deliberada de arranhar a legislação, ao nomear seu assessor de confiança.

Espera-se que os atos dos homens públicos sejam cautelosos, éticos, equilibrados, parcimoniosos.

Admitindo-se, por hipótese, que o vice-prefeito assinou a retro aludida nomeação no exercício do cargo de prefeito, em razão de ausência do titular ou nas demais situações previstas em lei, parece um tanto óbvio que não houve ilegalidade nisto.

Entretanto, é o Poder Judiciário que diz o direito e, neste caso, há informação de que a liminar do prefeito foi negada e, portanto, persiste a decisão do juiz de primeiro grau.

Contudo, o que chamou a atenção não foi, propriamente, a questão jurídica, que até chega a ser interessante, mas um quê de desavença política, talvez uma fumaça inoportuna.

De qualquer forma, o Judiciário decidiu, mesmo que não tenha sido em caráter definitivo.

Assim como o prefeito Heitor Dias, o prefeito de Curaçá se valeu de astúcia e insurgiu-se contra o pagamento do assessor do vice-prefeito.

Sabe como é, os vices têm vícios e um deles é torcer pelos tropeços  do titular.

araujo-costa@uol.com.br

Post scriptum:

Peço vênia ao jornalista Sebastião Nery pela versão e referência a Heitor Dias e Berbert de Castro. Nery conhece e conta esta história com elegância impressionante.

Em Chorrochó, há boas e más notícias

Em 02/01/2019, escrevi neste blog um artigo intitulado A oposição de Chorrochó está cambaleando.

Dias depois fiquei sabendo por pessoas fidedignas – alguns amigos, inclusive – que a oposição de lá não gostou, porque não se acha cambaleando assim como eu penso. Ao contrário, está firme.

Passaram-me a informação de que um vereador da fragilíssima oposição chorrochoense disse que eu estava “falando besteiras” e que, quem manda mesmo na Câmara de Chorrochó, hoje, é a oposição.

Mesmo falando besteiras, até fiquei contente em saber da novidade – que a oposição está mandando em Chorrochó hoje – porque a oposição de lá não apita há décadas e sequer conseguiu trocar o apito nesses anos de incompetência frente ao Poder Executivo.

Há um grupo político no município que manda e desmanda em Chorrochó alegremente e a oposição quando havia, se havia, nunca soube por onde começar sua atuação e acabou nunca começando.  Então, hoje é novidade.

Quero esclarecer aos excelentíssimos senhores vereadores de Chorrochó, mormente os que se dizem de oposição, que não tenho nada contra nenhum deles, aliás os admiro muito,  assim como não tenho nada contra os vereadores da situação. O balaio é deles. Eles que se acomodem lá dentro.

Quero lembrá-los, também, por dever de ofício, alguns pilares mais fortes da democracia: liberdade de expressão do pensamento, capacidade de conviver com os contrários e liberdade de imprensa.

Lembrá-los, por complemento: quem se dispõe a entrar na vida pública também se dispõe a assimilar os ruídos da sociedade, concordando ou não com ela, mesmo que de vez em quando apareça um abelhudo assim como eu.

Ou então deve pegar seu boné e recolher-se ao seu mundo, porque o mundo da política é mais amplo, mais arejado, mais atrevido, mais exigente.

“Quem não pode com o pote não pega na rodilha”, não é assim que dizem nossos caatingueiros?

Em 09/02/2019 escrevi neste mesmo blog um artigo intitulado Em Chorrochó, uma boa notícia versando sobre o possível fechamento do Colégio Estadual Maria Dias Sobrinho, de São José, que acabou não sendo fechado, por enquanto.

De tanto falar bem de São José, de sua gente e de algumas autoridades de Chorrochó, acabei levando pedradas. Mas esta é outra história. Depois eu conto.

Pelo que se vê, em Chorrochó, há boas e más notícias.

araujo-costa@uol.com.br

Outra mina de dinheiro dos petistas.

Mais uma maracutaia do PT.

A revista ISTOÉ publicou extensa reportagem sobre a mina de dinheiro que o PT descobriu logo que começou o primeiro governo de Lula da Silva em 2003.

Aliás, pelo jeito, os petistas já haviam descoberto a mina, bem antes, mas só puderam explorá-la com as ferramentas que passaram a dispor no exercício do poder, já no advento do primeiro governo Lula da Silva.

Os petistas não perdem tempo. O dinheiro os amolece.

Esses espertos parasitas se valeram apressadamente da Lei de Anistia de 1979. Pediram indenizações milionárias à União, por terem atuado nas guerrilhas contra a ditadura militar e se beneficiaram com a “aposentadoria especial de anistiados”. São as chamadas “indenizações políticas”.

Muitos deles explodiram bombas, pegaram em armas, sequestraram, assaltaram bancos, causaram dor, tiraram vidas de inocentes e hoje estão sendo pagos pelos brasileiros por essas barbaridades que cometeram.

É uma espécie de compensação por terem sido delinquentes.

Alguns exemplos, apenas alguns exemplos:

Dilma Rousseff, famosa ex-guerrilheira, ganhou indenização de R$ 72 mil e pediu aposentadoria vitalícia de R$ 10.735,55; José Genoíno, ex-guerrilheiro no Araguaia e ex-presidente do PT, recebeu indenização de R$ 100 mil;  Paulo Vanucci, ex-ministro de Lula, recebeu indenização de R$ 54 mil; Rui Falcão, ex-presidente do PT, recebe pensão vitalícia de R$ 11 mil por mês; José Dirceu, ex-presidente do PT e ex-ministro de Lula, recebeu indenização de R$ 66 mil e requereu aposentadoria de R$ 10 mil.

Entretanto, o caso mais escandaloso, ainda não esclarecido, é o de Lula da Silva. Ele não participou de nenhuma guerrilha, nunca foi torturado, nunca caiu nas garras dos militares da linha dura, nunca viu uma masmorra, mas pediu alta indenização.

Lula teve os direitos sindicais cassados como presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema (hoje Sindicato dos Metalúrgicos do ABC), por ocasião da greve de 1980 e esteve preso durante 31 dias no DOPS de São Paulo, porque liderava a greve dos metalúrgicos.

Mesmo assim, Lula requereu indenização da União e recebeu ou recebe R$ 56,7 mil. Ainda não está claro o caráter da indenização, se única ou mensal. Em razão disto, é prematuro aceitar a informação como definitiva.

Como se vê, muitos petistas estão se locupletando de dinheiro público, alguns com pensão vitalícia, sem nunca terem trabalhado. Todos comendo quieto.

E o PT diz que defende os pobres.

E há quem acredite que o PT defende os pobres.

Com uma mamata dessas, a cúpula do PT vai ser sempre contra qualquer reforma da previdência social. Para eles não interessa nenhuma mudança.

Todavia, mais escandaloso ainda é o evidente aparelhamento e a blindagem que o PT fez em muitas repartições públicas, inclusive no INSS.

Segundo a notícia, instado a apresentar as informações sobre essas aposentadorias e indenizações, o INSS disse que não consegue ter acesso aos dados, que ele próprio administra.

Dá para acreditar?

araujo-costa@uol.com.br

 

Igreja Católica: lugar de bispo é na igreja.

Em outubro acontecerá em Roma o Sínodo sobre a Amazônia, que reunirá pelo menos 250 bispos do mundo inteiro.

O presidente da Comissão Episcopal para a Amazônia, órgão da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), é o cardeal D. Claudio Hummes, ex-bispo da diocese de Santo André no ABC paulista e ex-arcebispo de São Paulo.

D. Claudio Hummes, que é prefeito emérito da Congregação para o Clero, em Roma e participou de outras congregações vaticanas, tem tradição de apoio aos trabalhadores e pessoas mais necessitadas.

Conhece a fundo nossos problemas, inclusive da Amazônia.

Quando bispo de Santo André, D. Claudio apoiou a histórica greve dos metalúrgicos do ABC liderada por Lula da Silva. Num ato de coragem, enfrentou a ditadura militar e franqueou a igreja matriz de São Bernardo do Campo para os metalúrgicos se reunirem e servir de base de apoio ao movimento. O sindicato estava sob intervenção.

O Sínodo discutirá assuntos tais como mudanças climáticas, índios, povos ribeirinhos e conflitos da terra, dentre outros.

Ocorre que órgãos de inteligência do governo já detectaram forte influência de parte do clero da esquerda católica no Sínodo que, dentre outras coisas, é a favor da presença de estrangeiros na Amazônia e defende a política agrária nem sempre compatível com a soberania nacional.

O intuito – diz o governo – é atrapalhar a política governamental para a Amazônia.

A esquerda católica carrega o ranço do enfrentamento à ditadura (1964-1985) e insiste em olhar para o retrovisor da história.

D. Claudio Hummes, moderado e experiente, ciente da efervescência do clero esquerdista na discussão dos temas do Sínodo, sabiamente ponderou: “Deve-se ter a preocupação de não olhar para o passado, mas para o futuro”.

A história registra que, nem sempre a participação de membros do clero católico em assuntos de interesse nacional tem dado certo.

Em 2005, repercutiu como um vexame desnecessário, a greve de fome de D. Luiz Cappio, bispo de Barra-BA, contra a transposição do Rio São Francisco, uma das bandeiras do governo de Lula da Silva. Lula se surpreendeu e nunca entendeu a posição do bispo.

Pode-se dizer tudo da transposição do São Francisco, inclusive que houve superfaturamento e tem qualidade duvidosa da obra em alguns trechos. Mas é inegável que a obra idealizada há século, beneficiou grande parte da população de alguns estados do Nordeste.

Contudo, o bispo de Barra foi contra, o que fica claro que nem sempre a opinião de membros da Igreja sobre assuntos de governo é acertada.

Agora, no limiar do governo Bolsonaro, outro bispo, D. André de Witte, da diocese de Ruy Barbosa, também na Bahia, apareceu com uma conversa arrevesada no sentido de que o governo federal apresenta “perigo real”.

Não consta que os brasileiros tenham pedido a opinião do bispo de Ruy Barbosa, que é belga e, portanto, não deve se intrometer em assuntos nacionais e de governo.

É razoável presumir que o Vaticano mandou Sua Excelência Reverendíssima para o Brasil para cuidar das coisas da igreja e não de assuntos de governo.

O lugar de bispo continua sendo na igreja.

araujo-costa@uol.com.br