Chorrochó, tempo de festa e de oração.

A Igreja Católica de Chorrochó dá início aos festejos do padroeiro Senhor do Bonfim.

A paróquia está triste, em razão do aumento de constantes casos de violência. Em data recente, foi assassinado um jovem na cidade, em circunstâncias ainda não esclarecidas.

Em meio a tantas atribulações a que as populações estão envolvidas, de vez em quando o calendário da Igreja possibilita uma pausa para permitir que todos se envolvam em orações.

Em Chorrochó, realiza-se nesta última quinzena de janeiro a festa do padroeiro Senhor do Bonfim. É uma oportunidade para que os católicos abandonem seus momentos de egoísmo e arrogância e dêem lugar às orações, normalmente negligenciadas no dia a dia.

Todos os dias durante o novenário, época de contrição e louvor, após a bênção do Santíssimo Sacramento, o celebrante desperta os fiéis no sentido de que o nome de Jesus é sempre bendito: “Bendito seja Jesus Cristo no Santíssimo Sacramento do Altar!”.

É o louvor em desagravo às blasfêmias, ao indiferentismo com as coisas que dizem respeito à fé. O celebrante pede para que Deus derrame bênçãos “sobre o chefe da nação e do estado e sobre todas as pessoas constituídas em dignidade, para que governem com justiça”.

Palavras fortes e necessárias – dignidade e justiça – sem as quais nenhum governante desempenha seu papel a contento.

A oração é uma velha fórmula adotada pela Ordem dos Frades Menores Capuchinhos (OFMC) do Convento da Piedade, em São Salvador da Bahia, que se estende historicamente deste o século XVII: oração pela pátria, pela Igreja e pelo Santo Padre.

Chorrochó, a exemplo de todos os lugares, padece das injunções de uma sociedade violenta, desrespeitosa, degradante, alheia às coisas da Igreja e, sobretudo, tendente à vulgaridade.

Hoje é comum – e Chorrochó não é diferente – que durante celebrações, tais como missas e quaisquer outras atividades da Igreja, aconteçam, simultaneamente, nas proximidades dos templos, conversas estridentes, algazarras, tumultos e serviços de som incompatíveis com o momento religioso.

Somam-se o uso imoderado de bebidas alcoólicas, inclusive por menores, possível consumo de drogas e movimentação de veículos nem sempre conduzidos por pessoas legalmente habilitadas.

As pessoas não sabem ou não querem discernir horas de lazer de momentos de oração e respeito. Em última análise, é um desrespeito ao direito de quem não compartilha com os mesmos princípios.

Tenho sido crítico da Igreja Católica por não ter conseguido manter em seu rebanho as pessoas que ela mesma batizou, em razão de seu apego a valores sabidamente ultrapassados que a Santa Sé não tem interesse em flexibilizá-los.

Contudo, não deixo de reconhecer que grande parte desse fenômeno deriva da instituição familiar, que se esfacelou de tal forma que se tornou incapaz de educar seus filhos para o caminho da Igreja.

É tempo de lembrar todos aqueles que sustentaram as colunas da Igreja de Chorrochó, quando tudo era ainda muito rudimentar e difícil: Antonio Conselheiro, monsenhor Elpídio Ferreira Tapiranga, celebrante da primeira missa em Chorrochó, em 1886, padre Manoel Félix de Moura, professora Antonina Gomes, João Alves dos Santos, professora Josefa Alventina de Menezes, padre Ulisses Mônico da Conceição, padre Mariano Pietro Bentran e todos os que vieram subsequentemente, como sacerdotes ou colaboradores.

É tempo também de lembrar os bispos da diocese de Paulo Afonso, que delinearam o caminho da fé na Igreja de Chorrochó: D. Jackson Berenguer Prado, D. Aloysio José Leal Penna, D. Mário Zanetta, D. Esmeraldo Barreto de Farias e o atual D. Guido Zendron, que adota o lema episcopal Cristo Redentor dos Homens e tem sido muito presente na vida da Igreja local.

Por fim, é tempo de reconhecer o papel das instituições Pia União das Filhas de Maria e Apostolado da Oração que dignificaram a história da Igreja de Chorrochó.

Chorrochó está em tempo de oração. Rezemos por todos nós.

araujo-costa@uol.com.br

 

 

O PT e outros partidos políticos

O Partido dos Trabalhadores (PT) padece de crise moral, assim como as demais agremiações partidárias inseridas em nosso contexto democrático: MDB, PSDB, PDT, PP, et cetera, para  citar apenas algumas.

Não há exceções neste emaranhado de simulacros de partidos. A ideologia que defendem é o abocanhar do dinheiro público em benefício da vaidade de dirigentes, protegidos e membros graduados.

Está aí o bilionário Fundo Partidário que gira em torno de R$ 2,6 bilhões. A lei o define como “o fundo especial de assistência financeira aos partidos políticos”.

A única exigência para que os partidos recebam dinheiro público é que tenham estatuto registrado no Tribunal Superior Eleitoral e prestem contas regularmente à Justiça Eleitoral. E só. O que eles fazem com o dinheiro, pouco importa.

Gastam com regabofes, jatinhos, viagens nababescas, hotéis, bebidas caríssimas e outras inacreditáveis coisas mais.

Como se vê, basta ter estatuto registrado para qualquer partido político encher suas burras de dinheiro público, mesmo que seja tão somente um arcabouço jurídico para habilitar-se no contexto democrático.

Não há outro critério.

Aí surgem aventureiros e oportunistas que fundam agremiações insignificantes, nanicas, imbecilizadas, travestem-se de dirigentes partidários bem intencionados e saem, por aí, atabalhoadamente, arrebanhando filiados.

Há aproximadamente quarenta partidos políticos no Brasil, todos recebendo dinheiro público. Pelo menos, em tese.

O que eles fazem em benefício do Brasil? São parasitas que abrigam aventureiros nas urnas. Quando eleitos, esses aventureiros compõem o Congresso Nacional e lá  passam a expor suas demagogias.

E ainda, por vezes, formam quadrilhas para afanar dinheiro público, a exemplo dos já conhecidos casos descobertos pela Polícia Federal e Ministério Público.

Contudo, relativamente ao PT, é inegável que o partido foi fundado com propósitos louváveis, porque assim pensavam seus abnegados fundadores. Entretanto, muitos deles abandonaram o barco quando perceberam que estava à deriva e rumando em sentido contrário às convicções que defendiam.

Com o passar do tempo, o PT foi-se desviando de seu ideário e descambou para a vala comum dos demais partidos inchados de inescrupulosos, aproveitadores, mentirosos, meliantes.

Deu no que deu: Lula da Silva, sua maior liderança, vai-se caindo no despenhadeiro das incertezas jurídicas e, seguramente, decepcionou parte dos brasileiros que nele acreditavam.

Mesmo laborando por hipótese de que Lula da Silva possa ser absolvido, em fase recursal, em todos os processos, não há mais como ele e o PT recuperarem a credibilidade do patamar anterior aos governos petistas.

A presidente nacional do PT, destemperada e radicalmente engajada na tentativa de desmoralizar as instituições nacionais, mormente Poder Judiciário, Polícia Federal e Ministério Público, vomita impropérios a cada vez que abre a boca. É um mau exemplo.

Isto vem prejudicando membros do partido, inclusive o ex-presidente Lula da Silva, estrela de maior grandeza, que aos poucos vem moralmente se apagando.

O PT sabe disto. Entretanto, não pode exteriorizar sua derrocada, para não desencorajar a militância e admiradores. Faz um discurso inverso, sem base fática, difícil de convencer, às vezes delirante.

Em consequência, a cada dia fica mais escancarado que o PT não prima pela verdade, mas por tudo aquilo que lhe interessa, principalmente dinheiro e poder.

O partido foi ávido por cargos em todos os níveis e posições da República, mas se descuidou de seu maior patrimônio: a ética.

Em 10/02/1980, o PT já nasceu errado. Foi fundado nas dependências do tradicionalíssimo e centenário Colégio Nossa Senhora de Sion, frequentado pela elite quatrocentona paulistana. Naquele dia, ali tinha de tudo, menos trabalhadores.

O inventário de 39 anos do PT apresenta um amontoado de resultados abomináveis, entulhos de radicalismo e, sobretudo, a falta de compromisso com a ética, que tanto defendeu.

Todavia, o PT não está isolado neste imbróglio de desfaçatez e lama. Estão aí os outros partidos políticos que lhe fazem companhia, igualmente desmoronados sob o ponto de vista ético. São aliados espertos, comparsas, malandros, velhacos.

A explicação para tudo isto é simples: o PT abandonou o caminho que idealizou e abraçou o fisiologismo, a avidez por posições e cargos, a ânsia pelo poder, o radicalismo, o apoio a ditaduras cruéis.

Não podia dar certo.

No próximo mês de fevereiro, o PT comemora aniversário de 39 anos.

Aniversário triste, macambúzio, insignificante.

araujo-costa@uol.com.br

 

Patamuté: lugares e lembranças de minha aldeia

“Tudo está neste lugar: os silêncios, o tempo, o calor, a poeira, a solidão” (José Luiz Villamarin)

Modéstia à parte, nasci em Patamuté, lugar encravado no sertão da Bahia, lá para as bandas de Curaçá. Em Patamuté é modo de dizer, porque nascer lá é muita honra e por isto sempre digo que sou de lá, com orgulho.

Todavia, nasci mesmo foi numa rústica casa de taipa, entre pedras e cactos, na caatinga, na divisa com o município de Chorrochó, nos barrancos do Riacho da Várzea. Mas esse lugar pertence ao distrito de Patamuté, minha querida aldeia.

Um amigo metido a filósofo, depois do terceiro uísque, quis saber a razão de tanto orgulho. Expliquei-lhe. Melhor, perguntei-lhe.

Você sabe o que é nascer ouvindo o canto dos pássaros e a cantiga das cigarras e se criar dividindo espaço com bodes, cabras, ovelhas, tatus, tamanduás, preás, raposas, teiús e gambás?

Sabe o que é passar a infância com os pés descalços e as roupas rasgadas, porque não podia comprar roupas novas e conviver, diariamente, com o sol escaldante do sertão? Sabe o que é beber água de pote?

Você já viu a escuridão ou o luar na caatinga, o fogão a lenha, os galhos retorcidos das árvores em tempo de seca? Já viu o verde, quando Deus manda chuva para alegrar o sertanejo? Já ouviu a conversa despretensiosa do sertanejo, os “causos” que ele conta?

Sabe como é bom tomar banho nas águas barrentas do Riacho da Várzea, que serpenteia, calmamente, em direção ao São Francisco e nem sempre suas águas chegam lá, porque vão se perdendo na secura do tempo?

Sabe o que é beber água salobra de cacimba, em tempo de seca, dividindo o espaço com abelhas e sapos e sentir-se bem e ainda assim agradecer a Deus?

Sabe o que é assistir ao espetáculo de caprinos e ovinos berrando em volta do chiqueiro ao anoitecer? Você já viu a lua na caatinga? As estrelas, o cantar dos pássaros noturnos, o coaxar dos sapos? Você já viu o sol escaldante da caatinga? Já viu o nascer do sol e o crepúsculo na caatinga?

Sabe o que é nascer e ser criado num universo imenso como as caatingas de Curaçá e Chorrochó, onde se faz história de tudo, até do sofrimento de sua gente? Sabe o que é orgulhar-se até do desespero dos desamparados naquele mundão?

Sabe o que é lembrar as lágrimas – e foram tantas – de nossos antepassados? Sabe como um povo consegue ser tão forte, embora em meio a tanto sofrimento e, não obstante, sempre vive alegre e espirituoso?

Sabe o que é ter fome? Sabe o que é ter esperança?

Tudo isto é muito orgulho, que às vezes fica querendo saltar do peito em direção ao mundo. Tudo isto é muita honra e honra maior é dizer: sou filho de Patamuté.

Os lugares de minha aldeia são muitos, inúmeros, inesquecíveis: os riachos, as estradas, a caatinga, os umbuzeiros, a sombra das árvores, o xique-xique, o mandacaru, a terra quente, a pobreza da casa de taipa, o descampado da vida, o sofrimento.

O cenário do sofrimento, que nunca esqueço e o amor que tenho por lá, que nunca saiu de lá, continua me acompanhando onde vou.

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Assalto com hora marcada

“Furtam, furtavam, furtaram, furtariam e haveriam de furtar mais, se mais houvesse” (padre Vieira, O sermão do bom ladrão, 1655)

Jornalista, militante feminista e ícone da esquerda paulista, Irede Cardoso (1938-2000) estava chegando em sua residência às cinco horas da tarde. Ao abrir o portão, um rapaz apontou o revolver:

– É um assalto, dona.

Ambos adentraram a residência. A empregada percebeu, pulou o muro e avisou o vizinho, que chamou a polícia. As barulhentas sirenes se aproximavam.

Irede Cardoso orientou o rapaz:

– É melhor você fugir. Saia por aquela porta e volta amanhã no mesmo horário para terminar o assalto.

Dito e feito. O rapaz fugiu e voltou no dia seguinte na hora marcada para terminar o assalto.

Irede o convenceu a abandonar a delinquência e ainda arranjou um emprego para o rapaz na Folha de S. Paulo.

Essa história, contada pelo escritor Mário Prata, amigo de Irede Cardoso, me faz lembrar os assaltos que os corruptos fazem aos cofres públicos.

Os corruptos conjecturam, tramam, negociam, indicam as contas bancárias que devem ser abastecidas ou as pessoas de confiança que devem carregar as malas de dinheiro. E está feito o assalto. Tudo combinado. Com hora marcada.

Há muitos políticos e outros agentes públicos que entendem bem de furtos, como dizia o padre Antonio Vieira. Mais: furtam com hora marcada.

Exemplos clássicos são os assaltantes da Petrobras (era Lula/Dilma) e as malas recheadas de Geddel Vieira Lima, Aécio Neves e Michel Temer, segundo acusa o Ministério Público.

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A situação política de Abaré

“Negociata é todo bom negócio para o qual não fomos convidados” (Barão de Itararé, 1895-1971)

Abaré está às voltas com um imbróglio envolvendo o chefe do Poder Executivo o que, aliás, tem sido comum na história do município. Outros prefeitos de lá já passaram por situação análoga.

O prefeito Fernando José Teixeira Tolentino, eleito por uma coligação de oito partidos, tendo o PT à frente, foi cassado recentemente pela Câmara Municipal com respaldo em entendimento do Tribunal de Contas dos Municípios.

A Câmara é composta de onze vereadores. O prefeito conta apenas com a simpatia de três, salvo engano: Gabriel Ribeiro dos Santos, Ítalo Paulo Cerqueira Mariz e Sebastião Alcides dos Santos.

Os demais são da oposição ou concordam com ela.

Os vereadores convocaram sessão extraordinária com base no artigo 90, inciso III, do Regimento Interno da Câmara Municipal e selaram o destino do prefeito por maioria inquestionável: ejetaram-no do cargo.

Para tentar entender a situação política de Abaré é preciso ter em vista algumas premissas que passam inarredavelmente pelo ex-prefeito Delísio Oliveira da Silva. É uma miscelânea.

Delísio, respeitado chefe político local, não obstante carregar uma confusa história política em seu curriculum, manda, desmanda e tem influência em quase todos os redutos do município de Abaré.

Na eleição de 2016, indicou o filho Delísio Oliveira da Silva Filho (Del de Delísio) para concorrer ao Poder Executivo. O indicado teve 48,92% dos votos, ao passo que Fernando Tolentino (PT) abocanhou 51,08%. Diferença pequena, tímida, 231 votos.

Entretanto, como manda a vaidade, Delísio Oliveira da Silva não absorveu a derrota. Experiente, passou a vigiar a atuação do prefeito, os passos do prefeito, a conduta do prefeito.

Marinheiro de primeira viagem, o prefeito não demorou a cair na esparrela e o ex-prefeito Delísio o denunciou por supostas irregularidades, tais como improbidade administrativa e descumprimento da lei de responsabilidade fiscal.

Dentre outras acusações, consta que o prefeito alugou de um ex-vereador e aliado político, um imóvel abandonado, impróprio para o uso. Mesmo assim, manteve o pagamento do aluguel de R$ 8,6 mil durante um ano ou próximo disto, em prejuízo dos cofres públicos.

Mais: por falta de habilidade política, o prefeito ainda sinalizou o rompimento com o vice e, em consequência, engrossou os votos de oposição na Câmara Municipal. Ficou vulnerável às cobras.

Todavia, estranha nisto tudo é a situação do ex-prefeito Delísio Oliveira da Silva, que o denunciou. Estranha, mas nem tanto, consideradas as conhecidas façanhas de Delísio.

Ademais, há notícias de que ele não foi um bom exemplo à frente da administração do município. Mas tem a seu favor o que falta ao prefeito Fermando: carisma e capacidade de driblar o infortúnio.

Delísio antes era adversário político da família do vice-prefeito. Hoje é quem mais quer a posse do vice. Quer neutralizar o grupo político do prefeito petista Fernando Tolentino e atapetar o caminho em direção às próximas eleições.

O silêncio pode significar espera. Há líderes em Abaré aguardando a derrocada do prefeito, embora silentes.

Em razão da cassação do titular, o engenheiro Carlos Augusto Teixeira do Nascimento Filho (Kaká de Eulina) assumiu imediatamente o cargo, mas o Tribunal de Justiça da Bahia, em decisão posterior, suspendeu a decisão da Câmara Municipal e reconduziu o prefeito às suas funções, que continua lá, por enquanto.

Portanto, o caso está sub judice.

A disputa judicial vai continuar e, sendo assim, é prematuro arriscar qual será a situação definitiva do chefe do Poder Executivo de Abaré.

Todavia, a julgar pelo histórico do ex-prefeito Delísio, a situação dele assemelha-se à do prefeito Fernando Tolentino. Se a correnteza jurídica continuar caudalosa, ambos terminarão afogados nas águas da esperteza.

araujo-costa@uol.com.br

 

 

A pequenez dos governadores do Nordeste

“Uma grande tarefa não se realiza com homens pequenos” (Stuart Mill, filósofo britânico, 1806-1873)

Num ato de truculência, deselegância e incivilidade, os governadores dos nove estados do Nordeste se recusaram a comparecer à posse do presidente da República Jair Bolsonaro.

A região Nordeste sustenta o petismo de Lula da Silva, mas os governadores de lá não sabem que foram eleitos para governar para suas respectivas populações e não para Lula da Silva ou Jair Bolsonaro.

Pequenos e grosseiros, os governadores nordestinos confundem oposição com falta de educação. Dizem que fazem parte da resistência.

Que resistência? Discordar da vontade soberana da maioria dos brasileiros é resistência ou pequenez política?

Isto tem outro nome: imbecilidade.

Quem disputa eleições e não aceita a vontade das urnas é demasiadamente contraditório. Mais do que isto, é despreparado para exercer o honroso cargo de governador de estado.

Os governadores nordestinos foram eleitos pela maioria, legitimamente, assim como foi o presidente Jair Bolsonaro. Qual a diferença disto no que tange ao resultado democrático?

A relação entre o presidente da Republica, seja Bolsonaro ou qualquer outro e os governadores dos estados, deve ser estritamente institucional, independentemente dos partidos políticos a que pertencem.

Entretanto, os governadores do Nordeste descambaram para a promiscuidade político-partidária. São míopes, obscuros, despreparados para exercerem grandes tarefas. Estão longe das lições dos estadistas.

Qualquer estudante secundarista sabe que é soberana a escolha da maioria, através do voto. Mas os governadores do Nordeste acham que a maioria somente vale quando a favor deles.

Os governadores nordestinos demonstraram pequenez, falta de grandeza política. Não conseguem descer do palanque, tampouco abrir mão da hipocrisia eleitoral.

Demagogos, os governadores elevam seus interesses políticos provincianos acima das necessidades da população. A população requer o amparo e atenção do poder público pouco importa se o governador é do partido A, B ou C.

O Estado do Ceará está passando por grave crise na segurança pública. Espremido entre a incompetência e o dever de governar, o governador Camilo Santana (PT) pediu socorro ao governo federal, que mandou pra lá, imediatamente, agentes da Força Nacional de Segurança, com o intuito de combaterem a ação atrevida e cruel dos criminosos.

O Ceará está à mercê do tráfico de drogas. Mandam nos presídios de lá os chefes de quadrilhas e não o governo do estado, que é fraco e politiqueiro.

Ora, mas o governador Camilo Santana é do PT. Cadê a eficiência que o partido tanto alega?

Imaginemos, por hipótese, que o governo federal se negasse a socorrer o governador Camilo Santana, simplesmente porque é do PT. Seria o caos institucional, o desgoverno, o desamparo à população cearense.

Todavia, nem Camilo Santana e nem os demais despreparados governadores do Nordeste sabem fazer a distinção entre alhos e bugalhos e por isto não foram à posse do presidente da República. Apequenaram-se politicamente.

Stuart Mill sempre atualíssimo: “Uma grande tarefa não se realiza com homens pequenos”.

Os governadores do Nordeste são pequenos demais.

araujo-costa@uol.com.br

Memória dispersa de Chorrochó: Antonio Pires de Menezes.

Antonio Pires de Menezes/Arquivo pessoal Dr. Walter Balduino de Abreu Pires

Valendo-me de artigos, crônicas e outros recursos amparados pelo exercício do jornalismo, publiquei seguidamente, há algum tempo, uma série de observações com o título geral de Memórias dispersas de Chorrochó.

Todavia, vi-me desamparado em razão da ausência de registros históricos sobre figuras que fizeram parte da história do município e, por uma questão de prudência, entendi melhor abster-me de continuar com a publicação daquelas anotações que, inobstante, guardo em meus arquivos, embora precariamente.

A memória já esburacada pela passagem do tempo, também não me aconselha a aventurar-me sobre fatos históricos. Evito, assim, o cometimento de erros, omissões, distorções ou equívocos quanto a datas, nomes, origens e pessoas.

Cuidar do passado e tradições é uma tarefa ingente para cautelosos historiadores. Eu não sou e nem tenho pretensão para tanto. Melhor obedecer a minhas limitações. Elas são muitas e podem comprometer a higidez da história.

Entrementes, algumas pessoas de Chorrochó vêm se animando em cutucar a história. Isto é alvissareiro. Os exemplos mais recentes são os livros História de Chorrochó, de autoria da professora Neusa Maria Rios Menezes de Menezes e do Dr. Francisco Afonso de Menezes e Memorial Cordeiro de Menezes, também da lavra do Dr. Francisco Afonso de Menezes.

Em se tratando de dados históricos regionais, uma fonte respeitável e obrigatória é a clássica Fazenda Panela D’Água, de autoria do abalizado intelectual Marlindo Pires Leite, de Belém do São Francisco. Trabalho alentado, cuidadoso, detalhado, admirável.

Certamente há outras iniciativas, outras ideias, outras intenções. Mas limito-me a citar apenas essas, considerando minha ignorância relativamente às demais.

Não obstante o interregno, trago à lembrança Antonio Pires de Menezes (Dodô), elegante político de Várzea da Ema, que foi prefeito de Chorrochó no período de 31/01/1971 a 31/01/1973, eleito pela Aliança Renovadora Nacional (ARENA).

Estávamos em tempo de bipartidarismo – ARENA e MDB – únicos partidos políticos legalmente permitidos à época pelos governos militares oriundos do movimento de 1964, partidos esses que representavam situação e oposição, respectivamente.

Antonio Pires de Menezes havia exercido o mandato de vereador em diversas legislaturas e representava Várzea da Ema, com reconhecido espírito público e grandeza de ânimo.

Salvo engano, tornou-se vereador pela primeira vez na condição de integrante da Câmara Municipal eleita na esteira da emancipação político-administrativa do município. Compôs a primeira legislatura.

Por conseguinte, Antonio Pires de Menezes fez parte da primeira composição da Câmara Municipal de Chorrochó, assim como Onofre José Possidônio, Emiliano Soares Fonseca, Maria Joselita de Menezes, Ercilina Soares de Almeida, Eliseu Bispo Damasceno,  Walter Augusto Jones e José Campos de Menezes.

Aliado ao líder Dorotheu Pacheco de Menezes, que lhe garantiu a eleição de prefeito, o mandato de dois anos (1971-1973) não lhe permitiu realizar grandes feitos. É certo, todavia, que construiu o Açougue Público Municipal e uma barragem em Várzea da Ema.

Dodô, como era conhecido, se casou com D. Francisca Abreu com quem teve os filhos Rita de Cássia Abreu Pires e Walter Balduino de Abreu Pires. Este exerceu, no governo de Waldir Pires, salvo engano, o cargo de procurador do Centro de Desenvolvimento Comercial e Industrial, órgão vinculado à Secretaria da Indústria, Comércio e Turismo da Bahia.

Antonio Pires de Menezes foi o quinto prefeito do município de Chorrochó. Sucedeu-o na administração do município Pascoal Almeida Lima, de Barra do Tarrachil. Entretanto, sua atuação política estendeu-se durante décadas. Em consequência e por óbvio, também ajudou a construir a história chorrochoense.

A história de Chorrochó está sendo recomposta pela iniciativa de pessoas dedicadas, a exemplo da professora Neusa Maria Rios Menezes de Menezes e o Dr. Francisco Afonso de Menezes, com o auxílio intelectual (depoimentos e informações) de outros membros da família Menezes, de Chorrochó.

Em tempo:

Esta matéria será editada em breve, para corrigir e acrescentar algumas informações, tendo em vista esclarecimentos históricos que me foram prestados pelos Doutores Walter Balduino de Abreu Pires (filho de Dodô) e Francisco Afonso de Menezes, abalizados conhecedores da história e da vida de Antonio Pires de Menezes.   

araujo-costa@uol.com.br

 

A oposição de Chorrochó está cambaleando

“Não se constrói sem aglutinar e não se muda sem dividir. Para saber quando aglutinar e quando dividir, não basta ter senso de oportunidade. É preciso ter visão” (Roberto Mangabeira Unger).

Político habilidoso, o que não chega a ser nenhuma novidade, o prefeito de Chorrochó Humberto Gomes Ramos (PP) acaba de neutralizar, sorrateiramente, o que restava de oposição em Chorrochó.

A composição da Mesa Diretora da Câmara Municipal para o biênio que se iniciou em 01/01/2019, tendo como presidente o vereador Noélio Alves, formou-se majoritariamente com membros da suposta oposição ao prefeito – e somente suposta – mas é tão somente uma questão de formação numérica, não de ideário. Nada mais do que isto.

Até aí, nenhuma novidade. Composições políticas, mesmo estranhas, fazem parte da essência do Poder Legislativo em qualquer esfera e em qualquer lugar. É da natureza política dos parlamentos.

Todavia, em Chorrochó, tem um quê a mais. O prefeito sempre manejou a Câmara Municipal como quis, o que não chega a ser nenhum demérito para Suas Excelências os nobilíssimos vereadores.

O resultado da eleição na Câmara de Chorrochó, embora pareça crédito atribuído ao vice prefeito Dilan Oliveira (PC do B), assegura ao prefeito Humberto a garantia de que ele continuará dando as cartas no Legislativo Municipal, por uma razão muito simples: os votos da base de apoio ao prefeito na Câmara, em favor da nova Mesa Diretora, mantêm o grupo do vice-prefeito ao lado do alcaide e, com ele, arrastaram junto a pretensa oposição.

Aliás, oposição em Chorrochó é como alma penada, todo mundo diz que existe mas ninguém vê.

As chamadas lideranças de oposição em Chorrochó escafederam-se, amedrontaram-se, encolheram-se. Há até o caso de uma vereadora que oscila de um lado para o outro e não se sabe exatamente se já definiu onde fica.

De qualquer forma, hoje consta uma oposição superficial na Câmara Municipal, o que faz presumir, ilusoriamente, que a oposição está crescendo. O que está crescendo mesmo é a liderança do prefeito Humberto. A oposição continua cambaleando.

A exceção fica por conta do ilustre vereador Luiz Alberto de Menezes (Beto de Arnóbio), que se acostumou a desempenhar de forma solitária o papel de oposicionista, mas vem se fragilizando em razão da ausência de pessoas que comunguem com ele dos mesmos princípios que defende. Há – parece – uma dificuldade de aglutinação. Mas ele tentou.

Beto de Arnóbio é o clássico exemplo de andorinha que só não faz verão.

Numa primeira análise, dá a impressão que a nova composição da Mesa da Câmara de Chorrochó ficou com a oposição. Não é bem assim. O que vale, neste caso, é o caminho percorrido para a oficialização do resultado: os votos da base do prefeito, que ele arquitetou muito bem, embora tenha parecido de improviso.

O fato é que há uma simbiose política entre o prefeito e seu vice Dilan Oliveira. Dilan  é um bom rapaz e vem tentando levantar vôo solo, mas os ventos oriundos da força política de Humberto o desviam de rota ou, pelo menos, direcionam para o mesmo destino.

Todavia, é inegável o esforço do prefeito e seu vice no sentido de demonstrarem a união política de ambos.

Não há porque negar que os vices crescem somente nas adversidades enfrentadas pelos titulares. E, no caso de Chorrochó, elas têm passado longe das pretensões do vice prefeito.

Resumindo, a frágil oposição de Chorrochó está cambaleando. Sempre esteve.

Tendo em vista a liderança política do prefeito Humberto, a oposição parece que adotou a máxima segundo a qual “em terra de sapo, de cócoras com ele”. E aderiu alegremente aos encantos do prefeito.

Para finalizar, registro minha admiração pelo vereador Pascoal Almeida Lima Tercius (Tércio de Fafá), ex-presidente da Câmara Municipal de Chorrochó, competente e sábio político da nova geração. Este rapaz tem futuro. A história dirá.

araujo-costa@uol.com.br

Prefeito de Curaçá faz balanço otimista

“Prefiro os que me criticam, porque me corrigem, aos que me elogiam, porque me corrompem” (Santo Agostinho).

Em recente entrevista concedida à Radio Boa Vista FM, o prefeito Pedro Oliveira, de Curaçá, eleito por uma coligação de onze partidos, tendo à frente o PSC (Partido Social Cristão), fez uma retrospectiva de sua gestão à frente do município.

A entrevista pecou num ponto: a insistência do prefeito em comparar sua gestão com as anteriores, mormente com a de Carlos Luiz Brandão Leite, embora não o tenha citado e, a partir daí, enumerar os feitos da atual administração municipal.

Essa estratégia dá a impressão de que o prefeito já está se preocupando com o próximo pleito e atapetando o caminho, o que não é bom e pode arranhar suas boas intenções com vistas ao enfrentamento dos atuais problemas do município.

Depreende-se da entrevista que, em Curaçá, nada funcionou antes da atual gestão, embora o prefeito tenha razoavelmente demonstrado os feitos de sua administração e apontado os erros das anteriores.

A prioridade do gestor público deve ser o cumprimento das atribuições que o mandato lhe outorgou. Sempre. O resto é consequência, inclusive a avaliação dos munícipes e a eventual recondução ao cargo através das urnas.

Não sou ingênuo a ponto de acreditar que a administração de Carlinhos Brandão cometeu todos os pecados de Curaçá, tampouco minha ingenuidade permite acreditar que a gestão do prefeito Pedro Oliveira esteja indo tão irrepreensivelmente bem, como apregoam alguns de seus correligionários e ele próprio, embora com mais prudência e moderação.

Dentre os erros de Carlinhos Brandão – e foram muitos – cito apenas dois, para, de certa forma, entender o esforço do prefeito Pedro Oliveira em justificar o que está sendo possível fazer em sua gestão:

  1. a alegada apropriação ilegal de recursos da Caixa Econômica Federal referente às parcelas de empréstimos consignados concedidos aos servidores do município, na ordem de aproximados R$ 2 milhões;
  2. a rejeição das contas de 2016, tendo em vista que o prefeito assumiu obrigações naquele ano, sem condições de cumpri-las integralmente no próprio exercício ou tenha deixado recursos disponíveis para saldá-las no exercício seguinte.

Estas práticas são contrárias à lei. Todo gestor público tem obrigação de conhecer essa regra. É norma elementar e, se não cumprida, certamente produzirá reflexos nos exercícios subsequentes.

Na entrevista, o prefeito citou a reforma do Hospital Municipal, a aquisição de equipamentos novos, contratação de profissionais (psicólogo, pediatra, nutricionista, urologista, etc), além de “médicos de suporte” nos finais de tarde. Informa investimento na unidade hospitalar da ordem de R$ 796 mil.

Os chamados “médicos de suporte”, nos finais de tarde, autoriza a presumir certa provisoriedade, vez que o hospital deve disponibilizar médicos em todos os períodos para atenderem aos que procuram.

O prefeito Pedro Oliveira discorreu sobre uma unidade móvel odontológica já à disposição da população, atendimento médico periódico nos povoados e distritos, viabilização de diversas especialidades médicas, fornecimento de próteses dentárias e, ainda na área da saúde, o fornecimento de refeições aos ocupantes da casa de apoio em Salvador.

No que tange à educação, que o prefeito diz ter encontrado “de pernas para o ar”, é sabido que Curaçá sempre foi relapso nesse particular. Trata-se de uma área crítica, abandonada, negligenciada.

E daí, questiona-se: como chegar a esse ponto, se há leis que definem o percentual mínimo que se deve empregar na educação?

O prefeito Pedro Oliveira citou casos alarmantes, tais como: alunos estudando em mercado há oito anos, em razão de falta de salas de aula, obras inacabadas, apesar de recursos destinados, a exemplo de uma escola em Mundo Novo, equipamentos quebrados, falta de respeito com os recursos públicos e desfiou um rosário de descasos das administrações anteriores.

Todavia, o prefeito também falou de coisas alvissareiras. Disse que está com os salários dos servidores em dia, “como manda a lei”, anunciou o fornecimento de fardamento e material escolar a todos os alunos da rede municipal, a expectativa de aquisição de notebook para os professores, finalização das obras do estádio municipal, reconstrução da referida escola de Mundo Novo e a utilização adequada dos recursos dos precatórios.

Entretanto, o prefeito reconheceu outro problema difícil de resolver: a recuperação e manutenção das estradas do município, debitando o estado de precariedade às chuvas e falta de recursos.

Sobre a recente contribuição de iluminação pública (CIP), criada por lei, o prefeito esclareceu que essa contribuição somente é devida por moradores das zonas urbanas, de sorte que, eventuais cobranças de moradores das zonas rurais não procedem, e devem ser reclamadas diretamente na COELBA.

No mais, o balanço do prefeito Pedro Oliveira enveredou pelo otimismo, talvez um pouco exagerado.

Informações que este escrevinhador recebe continuamente dão conta de que Curaçá não vai tão bem assim, até pela escassez de recursos. Mas o prefeito demonstra disposição de melhorá-lo.

O prefeito Pedro Oliveira é inteligente, articulado, parece conhecer bem o seu papel.

Mas ele precisa atentar para o ensinamento de Santo Agostinho: “Prefiro os que me criticam, porque me corrigem, aos que me elogiam, porque me corrompem”.

Há correligionários do prefeito exagerando demais nos elogios.

araujo-costa@uol.com.br

João de Deus, ministros do Supremo e celebridades

Para entender. Ou não entender.

João de Deus.

É sabido que João de Deus, o médium goiano de Abadiânia, não se vê fazendo as cirurgias espirituais. Ele mesmo já confessou publicamente que só cai em si quando termina o procedimento.

Se for assim, é razoável uma dúvida: ele teria ou não consciência de que abusava sexualmente de algumas de suas pacientes, conforme elas alegam? Seriam coisas dos espíritos?

As notícias dizem que, até hoje, pelo menos 600 mulheres já denunciaram o médium ao Ministério Público por abuso sexual. O homem é uma sumidade sexual. Ou os espíritos?

A imprensa noticiou que uma dessas mulheres alegou que foi abusada diversas vezes por João de Deus. Por que ela retornou ao médium outras vezes e não o denunciou logo após o primeiro abuso? Seriam coisas dos espíritos?

O silêncio das celebridades.

As celebridades, feministas de plantão e afins sumiram, escafederam-se, evaporaram-se.

O ator José Mayer foi acusado de assédio por uma funcionária da TV Globo e, ato contínuo, algumas artistas da emissora saíram apressadamente em defesa da mulher supostamente assediada e até cunharam uma frase: “Mexeu com uma, mexeu com todas”.

Uma demonstração louvável de solidariedade dessas atrizes, embora ávidas por holofotes.

Essas globais sequer esperaram a apuração dos fatos para jogar pedras no ator. Antecipadamente o fizeram. Conspurcaram sua reputação. E aqui não discuto o mérito, se o ator estava ou não errado em sua conduta.

José Mayer, João de Deus ou qualquer outro que cometer tais atos deve responder por eles.

Cadê essas atrizes e defensoras dos bons costumes e da moralidade que não se levantaram, até agora, contra o médium João de Deus? Seriam coisas dos espíritos?

João de Deus mexeu com 600 mulheres até agora, segundo o Ministério Público. Não mexeu com uma somente. Onde estão as atrizes da TV Globo? Onde está a solidariedade delas?

O amor é lindo.

Celebridades e socialites de todos os matizes, inclusive da TV Globo, aparecem sorrindo e felizes, em fotos, abraçadas com o médium João de Deus.

Agora, estão todas caladas. Onde estão essas ricas e famosas hipócritas que ainda não se levantaram em defesas das 600 mulheres supostamente abusadas pelo médium?

Cadê as atrizes famosas? Cadê a turma do politicamente correto? Cadê a esquerda histérica? Cadê os adeptos dos holofotes?

Ministros do STF

Pelo menos cinco dos onze ministros do Supremo Tribunal Federal, 50% da Corte, se consultaram com o médium João de Deus: Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Luís Roberto Barroso, Luiz Fux e Rosa Weber (O Estado de S.Paulo, 27/12/2018).

Os ministros devem estar confusos. Acreditam mais no médium João de Deus do que na ciência do Direito.

Parece explicado porque o STF se transformou nessa bagunça em suas decisões. Com tantos espíritos transitando nos corredores do STF!

Agora, inevitavelmente, os recursos de João de Deus cairão nas mãos desses ministros, seus pacientes. Já tem um habeas corpus lá à espera de decisão.

E agora, como vão decidir Suas Excelências, contra ou a favor do médium? Ou vão se declarar suspeitos?

Com um Supremo Tribunal assim, é para entender o momento atual da Corte. Ou não entender.

araujo-costa@uol.com.br