Patamuté e os festejos de Santo Antonio

Começa no primeiro dia do mês de junho – e se prolonga até o dia 13 – a festa de Santo Antonio de Patamuté, padroeiro do lugar, no sertão baiano de Curaçá. Mui remotamente Patamuté elevou-o à condição de padroeiro, assim como Abaré, Canudos, Glória e muitos outros lugares da região e inúmeros espalhados pelo mundo.

É impressionantemente popular e querido “o santo de todo o mundo”, como assim é chamado pelos católicos desde o século XII.

O que é ser padroeiro? Significa ser protetor, patrono, ser presente no dia a dia do povo.

A festa de Santo Antonio, conhecida como trezena, porque se estende por treze dias, vai acontecendo, fervorosamente, avivando a fé de quem a tem ou, pelo menos, pensa que tem. Mas, em termos de fé, o importante é pensar conforme o preceito bíblico, que diz: “Fé é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não veem” (Hebreus, 11-1).

Diz a história de Patamuté – e a história é sábia – que a primeira imagem de Santo Antonio, que ainda está lá na igreja, ao lado de outra adquirida depois, foi doada por um retirante lá pelos idos de 1902 ou 1903.

Com os auspícios do coronel Galdino Ferreira Matos (1840-1930) deram-se os primeiros passos para a construção da igreja de Patamuté, isto por volta dos primeiros anos do século XX.

A torre da igreja foi levantada em 1906. O certo é que Patamuté já ultrapassou um século de fé e devoção ao padroeiro.

Antigamente, a expectativa do povo era muito grande à espera da festa. Quer dizer, antigamente é modo de dizer, porque não sou tão velho assim, para que um antigamente venha se intrometer nesta crônica. É que sou de uma quadra do tempo em que o respeito à igreja e ao seu calendário era mais evidente. Revestia-se de seriedade e a religião não se misturava tanto com as coisas profanas. Havia uma separação criteriosa e necessária.

Havia expectativa à espera dos festejos, porque naquele tempo, aguardava-se a festa do padroeiro para se realizarem casamentos e batizados e até crismas, se o bispo diocesano estivesse presente.

Houve um tempo em que os casamentos de Patamuté eram acompanhados pela Orquestra Filarmônica 15 de Março, de Barro Vermelho, sob a regência do maestro Filemon Martins.

A procissão de encerramento da festa, dia 13, acontecia num clima de reverência. Os comerciantes fechavam as portas de seus estabelecimentos em sinal de absoluto respeito, independentemente da fé que professavam.

Entretanto, sabe-se que nos dias de hoje não é mais assim. Mudou o tempo, mudaram-se os costumes e o conceito de respeito à fé alheia.

Há mais de uma década, pelo menos, a falta de criatividade permitiu que se fizesse uma pista de dança nos fundos da igreja de Santo Antonio. Não sei se ainda está lá. Podia ser mais distante do local onde se praticam as atividades religiosas, porque espaço sempre teve.

Entretanto, minha pequenez de raciocínio não me autoriza a criticar a inteligência de nossos governantes municipais e seus representantes locais. Todavia, mudou ou está mudando, parece.

Além do mais, falando de antigamente, participei, como pude, das atividades da pequena igreja de Patamuté e fui até, em certo ponto, um ingênuo defensor da ideia de que lá fosse criada e instalada uma sede de paróquia, para que tivesse padre diuturnamente, cuidando das fraquezas e misérias humanas.

Coisas da juventude, uma ideia difícil de acontecer e de explicar, mas própria dos sonhos da idade. Os sonhos são os melhores atributos da juventude.

O padre Adolfo Antunes da Silva, que foi vigário de Curaçá e meu amigo, disse-me, sabiamente, que a juventude às vezes não tem em que se amparar a não ser na própria utopia. Eu era utópico neste particular. A utopia é inerente à juventude.

Patamuté sempre segurou suas tradições religiosas, com a força de sua gente, independentemente de ser sede de paróquia. Continua não sendo e, apesar disto, Santo Antonio está lá, excelso, galante, protetor. Com a dedicação de seus moradores e a indiferença injustificável de alguns filhos relapsos e distantes como eu.

O certo é que Patamuté já está em festa. Desde os primeiros dias de maio já acontece um quê de felicidade. Alguns de seus filhos mais presentes não deixam esmorecer a homenagem ao santo padroeiro, tampouco se esquecem do lugar nesta época do ano. E para lá acorrem com o intuito de sustentar a fé e tradição do lugar.

Escravo dos meus defeitos, eu não me tenho feito presente há anos.

Cada dia, nesses treze da festa, a comunidade se faz presente, como se angariando forças para a continuidade da vida. Reflete sobre os temas de cada noite, temas fortes, necessários, importantes para a comunidade.

Generosamente, a organização da festa tem incluído meu nome nas festividades do dia 06. Sou grato e elevo minhas preces ao glorioso Santo Antonio para que cuide bem de seu povo, como sempre fez.

Santo Antonio de Patamuté está lá, acolhedor, hospitaleiro, protetor e glorioso. E seus filhos pedem sua bênção tão necessária neste mundo de turbulências, crueldades e desassossego.

araujo-costa@uol.com.br

Os fantasmas de Curaçá

Notícia de empregados “fantasmas” existe no Brasil desde o primeiro dia do descobrimento, em terras de nossa garbosa e galante Bahia.

Diz a lenda – e alguns historiadores corroboram sem muita certeza – que, ao comunicar em carta ao rei de Portugal, a notícia alvissareira do descobrimento, o escrivão e fidalgo Pero Vaz de Caminha, da esquadra de Pedro Álvares Cabral, aproveitou a carta e pediu ao rei D.Manuel um emprego para o genro que não era muito chegado ao trabalho.

Não se tem notícia se o pedido existiu mesmo – a carta não diz isto – se constou em algum documento complementar e se o rei português concedeu o emprego ao felizardo desocupado. Ou, se de fato, é apenas uma lenda.

Curiosamente, Pero Vaz de Caminha foi vereador na histórica cidade do Porto, o que não significa dizer que vereadores gostam de apadrinhar “fantasmas”.

Em Curaçá, não sei se maldade da oposição ou alguma fumaça de verdade, dizem que o prefeito do município emprega alguns “fantasmas”, o que chega a ser difícil de acreditar.

Emprego público pressupõe alguns requisitos, tais como, dentre outros, concurso de provas e títulos, vínculo celetista, licitação e outros penduricalhos mais que a legislação exige ou permite, talvez para legitimar as maracutaias, exceto quando se tratam de cargos de confiança, os chamados cargos em comissão ou funções de assessoramento imediato.

Logo, em quadro assim, é de supor que os ditos servidores “fantasmas” de Curaçá devem exercer, de fato, algumas atribuições que a oposição não vê, mesmo que seja abrir a porta do carro do prefeito (todo emprego é digno), recepcioná-lo em arruamentos, povoados e distritos, informá-lo sobre estradas esburacadas, mercados municipais desmoronando (saudade de Patamuté), falta de calçamento em bairros da sede, alagamentos, assessoria em algum mister e coisa e tal.

E, se assim for, não são “fantasmas”, mas diligentes servidores preocupados com o andar do município em direção a algum lugar que não se sabe qual é.

A suposição tem lógica. Com a Câmara Municipal, que tem o dever de fiscalizar os atos do Executivo, o Ministério Público nas barbas do prefeito (acho que ele não tem barba), portal de transparência à disposição, ferramentas outras e tantos meios de fiscalizá-lo, inclusive os conhecidos órgãos de controle, afigura-se inadmissível que ainda se vislumbre funcionários “fantasmas” em Curaçá.

Agride a lógica, sem dúvida. Com tanta coisa para fazer no município, tão carente de atenção, qual o sentido de pagar alguém para não trabalhar?

Todavia, chega a ser deselegante atribuir ao servidor que exerce alguma função, mesmo que não seja de grande visibilidade, a condição de “fantasma”, quando certamente há outras almas penadas por aí dizimando os cofres públicos.

De todo modo, este é só um comentário irrelevante, sem cutucar o mérito da discussão. Minha insignificância não me permite ir além. Sequer constatar se há ou não esses queridos “fantasmas”. Há pessoas mais abalizadas para isto.

Entretanto, pelo que se vê, Sua Excelência o prefeito de Curaçá deve ter uma estrutura respeitável de apoio basilar em todo município, tanto que o assunto mixou nas redes sociais ou por falta de amparo fático ou porque a Prefeitura tem condições de provar que não há “fantasmas”.

Mas se houver esse escoamento de recurso público, o dever de fiscalizar não é somente da Câmara Municipal, mas também de todo e qualquer cidadão curaçaense.

araujo-costa@uol.com.br

A imprensa é o túmulo dos vaidosos

Em 1969, o poderoso general Emílio Garrastazu Médici (1905-1985), que foi chefe do temido Serviço Nacional de Informações (SNI), órgão de inteligência da ditadura militar no período de 1967-1969 era chefe do então III Exército e foi indicado pelo Alto Comando das Forças Armadas para presidente da República, em substituição ao general-presidente Arthur da Costa e Silva.  

Um dia, o jornalista Carlos Fehlberg, da Zero Hora, de Porto Alegre, crítico feroz da ditadura, chegou à redação do jornal, onde trabalhava e lhe informaram que o general Médici estava à sua procura.

Em pânico, comunicou aos colegas e à família que talvez fosse preso, torturado e, quiçá, morto.

Nada disto. Ao contrário, ficou sabendo que Médici queria lhe convidar para ser seu assessor de comunicação e com isto neutralizar as críticas do jornalista à ditadura.  

A imprensa servil à ditadura, à frente Rede Globo (Jornal O Globo e TV Globo, que ainda não era rede, à época serviçal dos militares e, hoje, contraditoriamente, lambe botas da esquerda), endeusava os chefes militares e, em consequência, ganhou muito dinheiro e cresceu à sombra da ditadura. A Globo se tornou um dos órgãos de comunicação mais poderosos do mundo.

Mas a imprensa é o túmulo dos vaidosos.

Basta citar que, contraditoriamente, jornalistas que foram ou são expoentes do Grupo Globo, a exemplo de Miriam Leitão e o ex-guerrilheiro petista Franklin Martins e outros tantos, defendem despudoradamente Lula da Silva e seus descalabros.

Deixando os prolegômenos, anotem aí: daqui a uns meses, a imprensa não mais citará os nomes de figuras estrambólicas como o ingênuo Sérgio Moro; o hipócrita Omar Aziz, senador do Amazonas; o ridículo senador Randolfe Rodrigues, do Amapá (exceto se for ministro de eventual governo Lula); o pernóstico João Dória, ex-governador de São Paulo; o senador baiano e admirador de protozoário Otto Alencar e tantas outras figuras ridículas produzidas pela política nacional.

Aparecerão outros, também ridículos, que ocuparão o noticiário nacional. E desaparecerão em seguida, porquanto insignificantes. E os insignificantes têm prazo de validade.

Entretanto, Lula da Silva continuará na pauta dos grandes órgãos de imprensa, por duas razões óbvias: transita, livremente, entre as classes sociais mais necessitadas, que ainda acreditam nele – e segundo o próprio Lula, matou a fome de todos os brasileiros carentes e os tirou da pobreza – e a elite financeira nacional que mais ganhou nos governos petistas, segundo o próprio Lula diz orgulhosamente.  

Como se vê – e se verá – a imprensa é o túmulo dos vaidosos.   

Tolos de toda ordem dizem que Lula da Silva é comunista.

Lula não é e nunca foi comunista. Lula não é solidário, não gosta de dividir nada com ninguém, tampouco com os que acreditam nele.

Lula gosta de dinheiro, muito dinheiro, de vida nababesca: luxo, jatinhos, mansões, bebidas caríssimas, et cetera. Aliás, uma das características da esquerda: quando oposição, critica; quando no poder, abocanha o que for possível, principalmente dinheiro público.

Se colocar esquerda e direita dentro do mesmo espaço o ambiente apodrece, fica irrespirável. Ambas são iguais.

Quem conhece Lula de perto sabe que ele não é comunista e escorrega de um lado ao outro da seara política, de acordo com suas conveniências.

Quem lê ou leu meus textos lembra de duas frases, que sempre repito: uma minha, segundo a qual Lula é o único aposentado do Brasil que ficou milionário  e outra do intelectual Ferreira Gullar, que foi admirador petista e membro da Academia Brasileira de Letras: “de tanto defender os pobres, os petistas acabaram ficando ricos”.   

Quem tiver dúvida, pergunte a Palocci, ex-ministro da Fazenda e amigo de Lula.

Mas a imprensa é, sem dúvida, o túmulo dos vaidosos. Destaca aqueles que hoje são poderosos e acham que continuarão sendo manchetes do dia a dia.

Depois os empurrará no despenhadeiro de suas ilusões e imbecilidades.

araujo-costa@uol.com.br

A insensatez e estupidez da despedida.

Ivanildo Araújo Costa

Ivanildo Araújo Costa (1946-2002) faleceu neste 05 de abril de 2022.

Sertanejo nascido nos barrancos do Riacho da Várzea, domínios territoriais de Patamuté, sertão de Curaçá, mudou-se para São Paulo, ainda jovem, no início da década de 1970.

Mauá e São Bernardo do Campo, ABC paulista: Ivanildo viveu aqui, lutou aqui, sofreu aqui, morreu aqui.

Arriscou-se a viver noutro estado – Mato Grosso – mas não deu certo, como todo sonho mal sonhado.  

Já trôpego, alquebrado pelas vicissitudes da vida, regressou a São Paulo há algumas décadas. Caiu e não conseguiu se levantar, como tantos outros que não aguentam os cruéis e inexplicáveis chutes da vida.

Parafraseando Márcia Freire e  Noite Ilustrada, em Volta por cima, Ivanildo chorou, não procurou esconder, todos viram. Ali, onde ele chorou, qualquer um chorava.

A despedia, além de insensata, também é estúpida.

Ivanildo morreu.

Suas últimas palavras, abraçado comigo, a caminho do hospital, olhar triste de dor:

“Só estou esperando o esquife”.

Algumas pessoas de minha família e eu acompanhamos sua agonia até o fim.

Mas chegou a hora do esquife, da ida ao túmulo, da solidão dilacerante, da estupidez da morte, do indizível do adeus.

A estupidez da despedida

Uma solidão de lágrimas, que não tem fim.

Que Deus o ampare, meu irmão.

araujo-costa@uol.com.br

Um amigo que o tempo não afastou

“A infância, como a ciência, é curiosa” (Machado de Assis, Reflexões de um burro, crônica de 09/09/1894)

Conheci-o num hotel, ao lado da Igreja de Nossa Senhora da Barroquinha, centro histórico de Salvador.

Ali ficávamos hospedados de quando em vez. Eu fazia treinamento no Instituto de Identificação Pedro Mello e ele, também jovem irrequieto, filho de Santa Maria da Vitória, lá das bandas do Rio Corrente, oeste baiano. Ia regularmente a Salvador.

Estávamos na primeira metade da década de 1970.

Passaram-se décadas.

Agora, quase 50 anos depois, recebo, desvanecido, um contato seu, milagre da santa aproximação produzida pelas redes sociais.

Inobstante a selvageria ínsita nas redes sociais, elas servem também para bons propósitos, desanuviar as angústias e dificuldades da vida e, sobretudo, mostrar que nem tudo está perdido, mesmo que persista o império das incompreensões.

Imaginoso, como na mocidade, o amigo me questionou sobre minha foto do blog https://www.araujocosta.blog que, segundo ele, não deve espelhar a realidade de hoje.

Espelha, sim. Mas nossos escombros físicos são amparados pelo que ainda nos resta de pureza e bondade. E sempre há, mesmo no ocaso outonal da vida.

É que evito aparecer, mais amiúde, por razões óbvias e, principalmente, porque cheguei a uma conclusão cruel e inafastável: ao atingir a idade septuagenária – e mesmo antes dela – fiquei mais feio e, convenhamos, não fica bem sair, por aí, expondo minha feiura a torto e a direito.

Bastam minhas relações profissionais do dia a dia. Meus clientes já me suportam com meus defeitos, chatices, esquisitices, feiura e tudo.

Agradeço a consideração, a amizade que o tempo não corroeu.

Diz acertadamente José Sarney que “o tempo corrói todas as coisas, mas é o tempo que permite a continuidade da vida”.

Bendito tempo que não corroeu essa lembrança de cinco décadas.  

A esta altura da vida e de nossos janeiros que se foram, constato que eu e ele continuamos com a curiosidade da infância.

Merece um abraço cinquentenário.   

araujo-costa@uol.com.br

Orlando Tolentino Ramos e Barra do Tarrachil

Orlando Tolentino Ramos

O jurista e filósofo sergipano Tobias Barreto (1839-1889) escreveu que “as tradições são o passado que se faz presente e tem a virtude de se fazer futuro”.

Barra do Tarrachil, simpático distrito do município baiano de Chorrochó, sempre prezou por suas tradições e se conduz abraçada ao Rio São Francisco, que lhe dá vida, banho e encantamento sob as bênçãos de outro Francisco, o excelso padroeiro do lugar.

Em 1988 Barra do Tarrachil se deslocou de lugar e de seu traçado de origem, mas manteve as tradições, a hospitalidade, o cenário político, a inteligência e a grandeza de seus moradores.

As palavras escorregam, cutucam a memória e trazem a lembrança de lideranças de Barra do Tarrachil, a exemplo da professora Ivanilde Gomes de Souza Ramos, formada em 1964, assim como de Lucas Alventino, proprietário da primeira loja de tecidos do lugar e Ercília Fonseca de Souza, que se dedicou com afinco à igreja local.

Todavia, hoje desloco a lembrança para outro nome de destaque em Barra do Tarrachil: Orlando Tolentino Ramos (1946-2002).

Este senhor, de ascendência tradicional, constituiu família nobre e a educou nos moldes também tradicionais, com a professora Ivanilde, que lhe deu sustentação e companheirismo durante décadas.

Orlando Tolentino Ramos faleceu em 15/05/2022 e certamente deixou grande vazio aos parentes e amigos, dentre esses Ivanilde, Orlando Tolentino, Rafael Ramos, Waltércio Ramos e Humberto Gomes Ramos, este último prefeito do município de Chorrochó.

Esse vazio, que só a morte explica – ou não consegue explicar – estende-se ao território do distrito de Barra do Tarrachil e ao município de Chorrochó como um todo.

Mantenho, com modéstia, alguns eventuais contatos com Waltércio Ramos, embora espaçados e irregulares. Agradeço pela atenção com que o ilustre tarrachilense sempre me tratou.

A Prefeitura de Chorrochó decretou luto oficial de três dias e ponto facultativo em um deles (Decreto número 015, de 16/05/2022). O fato justifica o ato oficial.

Registro o fato e deixo pêsames à família de Orlando Tolentino Ramos, ao tempo em que peço escusas, em razão de colocar sua foto nesta matéria sem autorização da família..

Post Scriptum:

Registro também o falecimento, em Chorrochó, de Dinorah Monteiro Costa e da estudante do Colégio Estadual São José, Darlane Lopes dos Santos Paiva.

Pêsames a todos das respectivas famílias.

araujo-costa@uol.com.br

O casamento de Lula da Silva

Rosângela Silva e Lula/Foto de Ricardo Stuckert, da equipe de Lula

Lula vai se casar. Ninguém tem nada a ver com isto.

Assunto pessoal, particularíssimo. Não se deve meter o bedelho.

Entretanto, como Lula é político e famoso, inevitáveis algumas observações, sem descambar para a deselegância, tampouco imiscuir-se em sua vida pessoal.

O casamento acontecerá na próxima quarta-feira, 18 de maio, às 19h, no Bisutti, um dos mais sofisticados espaços da elitista Vila Olímpia, capital de São Paulo, se não for falsa a indicação do local.

O local do enlace foi mantido em segredo e debaixo de algumas chaves, até para os convidados, que seriam avisados do endereço somente algumas horas antes, para evitar que pessoas inconvenientes causem eventuais constrangimentos como vaias e apupos aos noivos ou nas imediações do espaço.

O local é para contos de mil e uma noites, quase uma das sete maravilhas do mundo. Palco suspenso, jardim vertical, 1.000 metros quadrados de espaço, lustres de valor inatingível para a média da sociedade e coisa e tal.

Embora o casamento seja “secreto”, sabe-se que há 200 convidados, somente da elite nacional. Jaques Wagner, senador e ex-governador da Bahia e amigo pessoal de Lula estará lá, assim como aqueles artistas amigos de Lula, a exemplo de Chico Buarque, o imortal e conspícuo Gilberto Gil e outros mais.

O casamento é do pré-candidato do Partido dos Trabalhadores (PT) à presidência da República, mas sabe-se que não há trabalhadores na lista de convidados.  

Lula da Silva bem que poderia ter incluído alguns desempregados em sua lista de convidados. Ele e o PT defendem tanto essas desafortunadas criaturas!

Lula – ou quem pagou por ele – gastou aproximados R$ 100 mil em bebidas, só coisa fina: espumantes, vinhos e outros et ceteras, todos de inquestionável qualidade, segundo o colunista Leo Dias.

Quanto à comida, melhor deixar para lá. Nesse tempo de dificuldade e fome é até afronta aos brasileiros publicar o que esse pessoal lulopetista, que vive nas nuvens, vai comer na festa de casamento de Lula da Silva e da socióloga Rosângela Silva (Janja).

Se somar o valor dos ternos finíssimos, gravatas e sapatos importados dos convidados de elite e vestidos das madames – Gleisi Hoffmann e Daniela Mercury vão estar lá – que circularão nos sofisticados salões da Vila Olímpia, nem se Lula vender o sítio de Atibaia e juntar com o dinheiro das “palestras” pagas pelo Odebrecht vai ser suficiente para pagar o luxo.

Alguém sabe o valor de um terno, de uma gravata e de um par de sapatos usados pelos ministros do Supremo Tribunal Federal, por exemplo?

No dia do casamento, Lula vai precisar de um protetor. Vai ser tanto artista e admiradores lulopetisas puxando, que ele corre o risco de ficar sem alguma parte preciosa.

O primeiro casamento de Lula, quando ele ainda não era famoso, foi em 1969, com D. Maria de Lourdes. Lula ficou viúvo e se casou pela segunda vez em 1974, com D. Marisa Letícia, também viúva.

Sempre admirei D. Marisa, exemplo de esposa e companheira, que enfrentou sérias dificuldades e muito lutou, inclusive nas madrugadas frias, em portas de fábricas, para o sucesso de Lula.

D. Marisa conheceu Lula, que ainda era somente Luiz Inácio, no Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema, hoje Sindicato dos Metalúrgicos do ABC.

D. Marisa começou a trabalhar aos 9 anos, vinha de uma família de 15 irmãos. Os pais plantavam batata, milho e criavam galinhas em São Bernardo do Campo.

Este é o terceiro casamento de Lula.

Curiosidade: a primeira bandeira do PT foi costurada por D. Marisa Letícia.

Felicidade para os noivos de hoje. E para o casal, sempre.  

Que Deus lhes dê sossego e paz.

araujo-costa@uol.com.br

Patamuté: Celina Moreira e o mês de Maria

Celina Moreira de Souza/Foto da família

Celina Moreira de Souza nasceu em 02.04.1935.

Celina fez parte de uma geração bem estruturada e de caráter moldado no respeito às tradições das famílias de Patamuté, a exemplo de sua ascendência: José Henrique de Souza e Eliziária Moreira.

Sempre elegante, educada e atenciosa, Celina compunha, em sua mocidade, uma turma muita querida em Patamuté. Dessa turma faziam parte, dentre outras, Ivone Alves de Souza, Adalzira de Souza Alcântara, Euza de Júlia, Regina Reis, Delza, Maria Mendes (Nazinha), Edelzuíta Prado.

O mês de maio, mês de Maria, festivo e alegre, é uma espécie de preparativo para a trezena de Santo Antonio, que se realiza anualmente de 01 a 13 de junho e se traduz na festa centenária do padroeiro de Patamuté.

Celina era um dos esteios dos festejos do mês de Maria. Assídua participante das orações na Igreja de Patamuté durante todo o mês de maio e continuava com a trezena de Santo Antonio até o final da festa do padroeiro.

Ela se fazia presente em todos os eventos religiosos de Patamuté.

Celina se casou com Demerval de Souza Alcântara (Taxú) e com ele constituiu família exemplar.

Deixou os filhos Márcia, Marcondes e Marcos que sustentam as lembranças e a memória de tão ilustre filha de Patamuté.

Celina faleceu em 20/09/2010.

araujo-costa@uol.com.br

O vexame da GloboNews e o ministro Fachin

No Jornal das 10 da GloboNews de 12/05/2022, a apresentadora do noticiário fez patéticos e constrangedores elogios ao ministro Edson Fachin, em razão de o presidente do Tribunal Superior Eleitoral ter espinafrado as Forças Armadas e o presidente da República.

Tietagem mais apropriada para plateia assistente de shows de artistas e não para ser protagonizada por uma jornalista apresentadora de jornal de âmbito nacional com alcance em diversos países e que se pretende sério no mister de informar.

Tendenciosa, a GloboNews mais parece um comitê eleitoral, ora da direita em 2018, ora da esquerda em 2022.

De fato, foi de corar os brasileiros de vergonha que assistiram ao cenário idiota da apresentadora do Jornal das 10. Deprimente, abominável, constrangedor.

No auge da pandemia da covid-19, se excluísse a palavra “negacionista” do vocabulário, apresentadores e comentaristas da GloboNews ficariam mudos, porque não conheciam ou não conhecem o sinônimo daquela palavra, o que evitariam de repeti-la tão enfadonha e de forma insistentemente ridícula.

Agora, a palavra que eles mais pronunciam pateticamente é “recado”. Recado que o Supremo Tribunal Federal mandou para fulano, recado que o Tribunal Superior Eleitoral mandou para sicrano, recado que o ministro tal mandou para o presidente da República e por aí vai.  

O ministro Edson Fachin está certo em defender o tribunal que preside e para isto ele prescinde de torcida de apresentadores e comentaristas da GloboNews.

Quem, institucionalmente, tem o dever de defender o Tribunal Superior Eleitoral é o seu presidente, seja Edson Fachin ou outro qualquer.

Neste particular, o ministro Edson Fachin está correto. Está cumprindo seu papel institucional. Não há reparo a fazer quanto a essa sua condição.

Se ele exagerou é outra história. E isto vem ao caso.

Aqui não se discute se o ministro Edson Fachin é cabo eleitoral de Lula da Silva – o que todos sabemos que é – nem se é militante de esquerda, como sempre foi e nunca negou, o que é um mérito seu não negar.

Edson Fachin não conseguiu separar a toga da militância política. Não cresceu como magistrado, mas agigantou-se como militante político.

Discute-se  – isto sim – que não é papel do presidente do Tribunal Superior Eleitoral fazer política para este ou aquele candidato, seja de esquerda ou de direita, tampouco agitar o ambiente político-eleitoral que já está tão carregado.

Os brasileiros não pagam os estratosféricos salários e mordomias do ministro Edson Fachin para Sua Excelência fazer política, mas para exercer a judicatura com dignidade.

Desafiar outras autoridades, outras instituições nacionais e, mais do que isto, atacar e ofendê-las, não se afigura recomendável. É lamentável, mormente tratando-se de um ministro do Poder Judiciário.

Até as eleições de outubro e depois delas virão coisas piores por aí.

Nossas autoridades do Executivo, do Legislativo e do Judiciário precisam tomar juízo.

araujo-costa@uol.com.br

Ideias encarceradas e liberdade vigiada

“Uma grande tarefa não se realiza com homens pequenos” (John Stuart Mill, filósofo britânico, 1806-1873)

Transcrevo a seguir o artigo da Constituição da República e seu parágrafo 2º, que o ministro Alexandre de Moraes rasgou e os demais ministros do Supremo Tribunal Federal incineraram os pedaços que restaram na fogueira da vaidade e da arrogância:

“A manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma, processo ou veículo não sofrerão qualquer restrição, observado o disposto nesta Constituição” (artigo 220).

“É vedada toda e qualquer censura de natureza política, ideológica e artística” (parágrafo 2º, do artigo 220).

Entretanto, nossos subidos e inalcançáveis ministros do Supremo Tribunal Federal dizem que são democratas e que defendem a livre manifestação do pensamento, a liberdade de expressão, o direito de divergir e, mais do que isto, dizem que são contra e vedam a censura.

Há quem acredite em Suas Excelências. É democrático acreditar. É salutar divergir. “São as ideias que devem brigar, não os homens”, dizia o mineiro Tancredo Neves.

Nossas ideias estão encarceradas, espezinhadas, espancadas, humilhadas. Nossa liberdade está sendo vigiada.

Devemos ter muita cautela ao escrever, ao falar, ao cumprimentar qualquer pessoa, quaisquer amigos. Devemos conter até gestos inofensivos e corriqueiros. Eles podem ser usados contra nós próprios por autoridades que se arvoram na condição de eternos vigilantes da sociedade.

O Supremo Tribunal Federal se colocou em posição de espreita e pode sufocar nossa voz, mandar calar a boca, prender, arrebentar qualquer centelha de liberdade.

Nosso egrégio Supremo Tribunal Federal abdicou de seu nobre papel de Corte Constitucional e passou a ser o supremo vigia, o guarda da esquina. Igualou-se às coisas pequenas.  

Um juiz de primeira instância desempenha melhor o papel de dizer a Justiça.

Os ministros do STF de hoje são incompatíveis com muitos outros que por lá passaram, respeitáveis juristas e defensores inconteste da liberdade. Há exemplos, apenas alguns: Hermes Lima (BA), Paulo Brossard (RS), Bilac Pinto (MG), Adauto Cardoso (MG), Ayres Britto (SE), Prado Kelly (RS), Victor Nunes Leal (MG), Evandro Lins e Silva (PI).

A composição do Supremo Tribunal Federal de agora não alcança o agigantamento do emedebista gaúcho Paulo Brossard, em defesa das liberdades públicas, tampouco a humildade do petista sergipano Carlos Ayres Britto, em defesa de um Judiciário técnico, justo e adstrito à lei.

Há ditaduras que empunham armas e há ditaduras que empunham canetas, ostentam togas. Todas são perigosas, todas são temerárias, todas são abomináveis, todas são desprezíveis.

O Brasil está precisando de homens de elevada estatura moral para ajudarem na construção da grande tarefa democrática de que precisamos.

E que Deus tenha piedade de todos nós brasileiros, que ainda pensamos que somos livres.

araujo-costa@uol.com.br