Maurízio Bim fortalece a cultura de Curaçá.   

No próximo dia 28 do corrente mês de abril, o jornalista curaçaense Maurízio Bim estará lançando mais um livro: Escola Dr. Scipião Torres – família, responsabilidade e compromisso.

O evento dar-se-á em Curaçá às 19h.

Autor de outros livros de importância fundamental para a cultura de Curaçá e região, a exemplo de História da Imprensa de Curaçá (2008) e Barro Vermelho – memória e espaço (2015), Maurízio Bim vem se destacando como atento observador da história de Curaçá e, mais do que isto, fazendo alentados registros do tempo e da memória de nossa vida social.  

O exercício do jornalismo não é uma profissão diletante, mas um baluarte que sustenta princípios basilares da sociedade, incluída aí a livre manifestação do pensamento. Maurízio Bim não se tem descuidado dessa verdade, inobstante atuar em mais de uma frente profissional.

Existe uma linha muito tênue entre a atividade de escritor e a de jornalista. O jornalista há de sustentar-se em perguntas sem as quais sua verdade, ainda que suposta, será sempre questionável: O que? Quem? Quando? Onde? Como? Por quê?  

O escritor se ocupa mais da amplitude literária no campo das generalidades, sem contudo, descuidar-se de que, tanto no jornalismo quanto na literatura, há um liame que sustenta a credibilidade de ambos: a ética.  

Onde escasseia a ética, claudica o caráter.

Quando se lê os textos de Maurízio Bim não é difícil perceber que ele se debruça sobre os fatos para neles buscar a essência da escrita.

Assim, a linha que Maurízio seguiu na História da Imprensa de Curaçá e também em Barro Vermelho – memória e espaço.

Enquanto escrevinhador e admirador de Maurízio Bim, aguardo a leitura desta Escola Dr. Scipião Torres – família, responsabilidade e compromisso, que certamente será muito agradável.

A cultura de Curaçá está se fortalecendo.

Êxito ao escritor Maurízio Bim.

Parabéns à sociedade de Curaçá, que passa a abrigar mais uma obra de valor para todos nós.

araujo-costa@uol.com.br

A covardia da Câmara dos Deputados  

“Era a hora do enfrentamento. As esquerdas lutavam contra a ditadura e, preferentemente, lutavam entre si. A intolerância não tinha mais ideologia” (Zuenir Ventura, 1968: o ano que não terminou).

Os fatos são sobejamente conhecidos, estopim do endurecimento do regime militar de 1964 e pretexto para o advento do AI-5 (Ato Institucional número 5) que, dentre muitas atrocidades, sustentou o fechamento do Congresso Nacional, que ficou em recesso até outubro de 1969.

Em 02 de setembro de 1968, o novel deputado fluminense Márcio Moreira Alves (MDB) fez um pequeno discurso na chamada sessão pinga-fogo, da Câmara dos Deputados.

No diminuto discurso de aproximadamente três minutos, sem nenhuma importância, o deputado sugeriu o boicote às festas militares e que as moças se negassem a dançar com rapazes do Exército, porquanto servidores da ditadura.

O governo federal, à frente o general-presidente Arthur da Costa e Silva, sentiu-se ofendido e pediu ao Supremo Tribunal Federal para processar o deputado.

O STF submeteu o pedido de licença à Câmara dos Deputados, nos termos da legislação vigente na ocasião.

À época, funcionava assim: para processar um parlamentar, o STF pedia autorização à Casa Legislativa respectiva.

Naquele tempo, o STF não mandava no Congresso Nacional, como manda hoje, nem o Congresso Nacional ficava de cócoras diante do STF, como fica hoje.

A Câmara dos Deputados negou o pedido por 216 votos contrários à licença, sendo que 94 votos foram de deputados da Aliança Renovadora Nacional (ARENA), partido de sustentação do governo. Votaram favoravelmente à licença 141 deputados.

Estávamos sob o manto do bipartidarismo: ARENA (situação) e MDB (oposição), únicos partidos políticos permitidos pela ditadura.

O líder da Oposição na Câmara dos Deputados era o combativo Mário Covas, anos depois governador de São Paulo. O líder da ARENA era Geraldo Freire, de Minas Gerais.

A sessão terminou com “vivas” à democracia e canto do Hino Nacional. A rejeição da licença foi um ato de corajosa resistência do Poder Legislativo à ditadura militar.    

Naquela quadra do tempo, a Câmara dos Deputados tinha vergonha e zelava por suas prerrogativas, embora em tempo de feroz ditadura.

Os deputados eram deputados mesmo e não se vendiam em troca de mensalão ou de emendas parlamentares.

Antes de ir a plenário, a Comissão de Constituição e Justiça havia aprovado o pedido de licença por 19 votos contra 12.

O presidente da Comissão, Djalma Marinho, do Rio Grande do Norte, que era a favor das prerrogativas dos deputados e contrário à licença, renunciou ao cargo, em protesto, e proferiu a famosa frase de Calderón de la Barca, dramaturgo e poeta espanhol (1600-1681):

– Ao rei, tudo; menos a honra.

Djalma Marinho ponderou, anos mais tarde: “Quando me opus a que se concedesse licença para processar um deputado, por palavras proferidas da tribuna, entendi que era a Câmara dos Deputados que se preservava”.

No contexto atual, a condenação do deputado Daniel Silveira (PTB-RJ) merece uma reflexão.

Ao analisar a condenação do deputado pelo Supremo Tribunal Federal, não se deve perder de vista que o STF agiu também com respaldo em decisão da Câmara dos Deputados que, consultada em 2021, concordou com a decretação da prisão do deputado determinada pelo ministro Alexandre de Moraes.

Como se vê, a Câmara dos Deputados abriu mão de suas prorrogativas, acovardou-se e jogou o deputado Daniel Silveira às feras.

Aqui não se discute se o deputado está certo ou errado, tampouco lança-se concordância sobre os destemperos que ele falou. Discute-se se sua condição de deputado, tal como prevê a Constituição, foi arranhada pelo STF. Discute-se se o STF invadiu esfera do Poder Legislativo.

O fato é que o STF agigantou seu corporativismo, espezinhou a lei e se vingou do deputado federal, condenando-o em tempo recorde e incompatível com a costumeira morosidade do STF.

Diante de tanta agilidade no julgamento do deputado Daniel Silveira, incomum na Corte Suprema, o STF precisa explicar por que há tantos processos contra políticos poderosos, os “donos do poder”, engavetados na Corte e sem previsão de julgamento.

De qualquer modo, culpar unicamente o STF pela condenação do deputado fluminense não parece guardar coerência com os fatos.    

O Congresso Nacional, como um todo, fomenta o surgimento de figuras patéticas, a exemplo do senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), que se transformou ridiculamente numa espécie de contínuo e serviçal do Supremo Tribunal Federal e cuja principal atuação no Senado Federal tem sido protocolar petições nos balcões do STF.

O Congresso Nacional cultiva figuras asquerosas como o senador Renan Calheiros (MDB-AL), espécie caricata de “barão de Maracutaia” às avessas e colecionador de inquéritos criminais no STF por corrupção e, embora assim, é admirado por seus pares e pelo próprio STF, que “cozinha o galo” de tal forma a ponto de nunca pautar o julgamento dos processos que os envolve.   

Por sua vez, a Câmara dos Deputados está de cócoras, o Brasil à beira do caos institucional e a intolerância se generalizou.

Lá, em 1968, o pequeno discurso de um inexpressivo deputado ocasionou o endurecimento da ditadura. Hoje, outro deputado gera crise semelhante, embora o tempo seja outro, não estamos sob ditadura e outras sejam as proporções dos fatos.

Curiosidade: ambos fluminenses e ambos deputados inexpressivos.

araujo-costa@uol.com.b

Dinheiro público, assalto e pergunta inoportuna     

“Do rio que tudo arrasta se diz violento, mas não se dizem violentas as margens que o oprime” (Bertolt Brecht, dramaturgo e poeta alemão, 1898-1956).

– Você não está pensando em me assaltar, está?

– Não estava, mas é uma boa ideia.

Ato contínuo, o meliante aboletou-se ao pescoço da mulher, arrancou-lhe a corrente de ouro com pingente e escafedeu-se em meio à multidão.

Esse inusitado diálogo aconteceu no Rio de Janeiro e era contado pelo jornalista e escritor mineiro Fernando Sabino (1923-2004).

Vítima e assaltante estavam lado a lado, esperando o semáforo abrir para atravessarem a rua e a mulher notou que o homem não tirava o olho de seu pescoço.

Daí a pergunta incomum, inusitada, inoportuna.

Em seguida, a vítima comentou com outra mulher, que também estava ao seu lado:

– Também, eu fui perguntar!

Portanto, não perguntemos a nossas autoridades se elas estão pensando em nos assaltar. Sempre estão.

O complô político-eleitoral que Lula da Silva e o outrora conservador e ex-governador paulista Geraldo Alckmin estão fazendo, não deixa dúvida: vem assalto por aí.

A explicação é simples: se, antes, Geraldo Alckmin dizia que Lula é amigo do alheio e pretendia “voltar à cena do crime” e, agora, ele se aliou ao ex-presidente, então se presume que Lula vai continuar com a prática delituosa, se é que praticou alguma vez. Alckmin, por sua vez, de crítico feroz e adversário de Lula, passou a ser seu cúmplice.

Mudando de assunto – e ficando no mesmo assunto, que é assalto – a imprensa noticiou fartamente que nossas Forças Armadas gastaram uma fortuna com a compra de viagra, prótese peniana, botox e outras coisas mais, que custaram milhões de reais aos cofres públicos. 

Das duas, uma: ou nossos valorosos militares estão frequentando mais as camas do que os quartéis ou a história está mal contada.

Do alto de minha ignorância – ainda tenho muito o que aprender – eu pensava que nossas Forças Armadas estavam cuidando da Pátria e não desses assuntos que qualquer civil entende.

A ISTOÉ, dentre outros órgãos de imprensa, publicou que as Forças Armadas compraram 35.320 comprimidos de viagra e gastou R$ 3,5 milhões em prótese peniana.

A lista de compras inclui botox e remédio para calvície que, como se sabe, são produtos usados em procedimentos estéticos e não em operações militares.

O combativo general Mourão, vice-presidente da República, disse que há cem mil velhinhos militares que precisam de remédio para disfunção sexual e, logo, em sua avaliação, não é muita coisa essa quantidade de medicamentos comprados.

Mas o vice-presidente de nossa combalida República não explicou se é obrigação legal dos pagadores de impostos, aos quais me incluo, cuidarem da vida sexual dos militares, sejam eles viris soldados ou velhos vaidosos e assanhados.

De qualquer modo, parece que os brasileiros estão sendo assaltados de todos os lados. Sorrateiramente.

O desperdício acintoso de dinheiro público é uma violência que nos oprime e nos constrange, enquanto milhões de brasileiros passam fome e outras privações.

Portanto, não devemos perguntar aos nossos respeitáveis agentes públicos que nos governam:

– Você não está pensando em me assaltar, está? 

A autoridade perguntada pode achar uma boa ideia.

araujo-costa@uol.com.br

Na Bahia, a vida da elite petista está difícil.

“A ladroagem é o melhor caminho para chegar ao coração da esquerda” (J.R.Guzzo, in O Estado de S.Paulo, 04/10/2020)

O caso é conhecido. Conta-se nos rincões e montanhas das Minas Gerais.

Fazendeiro abastado deu uma festa para amigos e pessoas de confiança de seus arredores.

Dentre os convidados, “seu” Orozimbo, senhor respeitado e conhecido de todos nas redondezas.

Lá para as tantas, “seu” Orozimbo notou a falta de seu chapéu. Procurou aqui e acolá. Muitos o ajudaram. Nada. Ninguém o achou.

Todos negaram tê-lo furtado, alegando serem honestos. Onde já se viu furtar um chapéu, logo de “seu” Orozimbo? E coisa e tal.

O chapéu não apareceu e, finda a festa, todos se retiraram.

O caso virou adágio popular: “Todo mundo diz que é honesto, mas furtaram o chapéu de “seu” Orozimbo”.

Na Bahia, feudo do Partido dos Trabalhadores (PT), pelo menos 75% dos eleitores de lá são petistas ou votam no PT. Esse quadro pode se repetir nas eleições de 2022, se ACM Neto não conseguir manusear o balaio de problemas em que se transformou a política baiana.

Na Bahia tem de tudo: um senador que, de lambe-botas do carlismo se transformou em arraigado e desprezível defensor de Lula e do petismo; traição entre aliados; brigas internas no PT; criador brigando às escondidas com criatura e por aí vai.

Tem até um Leão pernambucano nessa safadeza política, que nada tem a ver com o zoológico da Bahia, mas vem cutucando Jaques Wagner, o único senador de verdade da Bahia. Os outros dois são simulacros, arremedos, imitações.

O governador Rui Costa confessou que colocaram “a faca no pescoço” dele para definir-se sobre o seguinte quiproquó: se ele vai ficar no governo da Bahia ou concorre ao Senado Federal.

Rui Costa acabou cedendo e ficando, não se sabe se em razão da faca imaginária ou dos conchavos espúrios que estão rolando nas entranhas da política baiana.

Parafraseando o baiano Sebastião Nery, honra e glória do jornalismo político nacional: se colocar a Situação e a Oposição da Bahia dentro de um coco, é provável que não sairá nenhuma batida, mas é seguramente certo que o coco apodrece.

Na Bahia, o lulopetismo abunda e, em consequência, segundo os petistas, todos são honestos.

Nem tudo que se vê na imprensa é verdade. Mas, neste caso, parece que é.

Em 31/03/2022, o poderoso PT da Bahia fez um evento fechado, em Salvador, com autoridades locais e seus militantes, para lançar a pré-candidatura do ex-secretário estadual Jerônimo Rodrigues ao governo do Estado, com pompa e circunstância, inclusive com a presença do ex-presidente Lula da Silva, estrela maior da festa.

Lula deitou falação, gesticulou, contou lorotas, fez campanha antecipada, que os ministros do TSE Alexandre de Moraes, Barroso, Fachin e o espevitado senador-holofote Randolfe Rodrigues não conseguem enxergar, nem enxergarão nunca, por uma razão muito simples: o candidato que o STF e o TSE querem eleger é Lula da Silva e não se fala mais noutro, nem por hipótese. 

Os baianos acreditam piamente no morubixaba de Caetés.

No evento de 31/03/2022 que, evidentemente, só tinha petistas e admiradores do PT e, portanto, todos honestos, furtaram o celular de uso pessoal e que estava na bolsa da prefeita de Lauro de Freitas, também do PT.

Presume-se que ao redor da prefeita e de sua bolsa, além de seus seguranças, ficaram somente pessoas que lhe são próximas e certamente petistas, por óbvio.

Seguranças não permitem que estranhos fiquem próximos de autoridades, exceto pessoas acima de qualquer suspeita. 

Pois é. Numa reunião de petistas, furtaram o telefone celular da prefeita petista.

A coisa está difícil no PT da Bahia.

araujo-costa@uol.com.br

Sérgio Moro e João Dória afundam na patifaria

João Dória e Sérgio Moro/Reprodução Google

Sérgio Moro: como juiz foi medíocre, parcial, arrogante, incapaz de vislumbrar seus erros, rancoroso; como político é ingênuo, inexperiente, titubeante, trapalhão, desprezível.

Num e noutro caso expõe caráter duvidoso.

À procura de imunidade para enfrentar os dias nebulosos que certamente hão de vir, Sérgio Moro tentou firmar-se como pré-candidato a presidente da República pelo Podemos, o que não deu certo e todo mundo já sabia que não daria certo.

Agora, Sérgio Moro anuncia que vai se candidatar a deputado federal por São Paulo, talvez a senador e, quiçá a vereador de algum município de nossos rincões. Mas alguma coisa ele quer ser, deverá ser.

Entretanto, hoje, amanhã, semana que vem, próximo mês, ele pode mudar de ideia.

Traíra, deselegante, falso. Sérgio Moro se filiou a outro partido (União Brasil), posou, para a imprensa, segurando a ficha de filiação, mas não teve a delicadeza de comunicar ao Podemos que estava de saída, partido que lhe deu guarida e sustentação para ser candidato a presidente.

A deputada Renata Abreu, presidente do Podemos comentou: “Para a surpresa de todos, tanto a Executiva Nacional quanto os parlamentares souberam via imprensa da nova filiação de Moro, sem sequer uma comunicação interna do ex-presidenciável” (Folha de S.Paulo, 01/04/2022).

A presunção é de que, sendo ela presidente do partido, a afirmação deve ser verdadeira.

Sérgio Moro está desesperado para cavar o chamado foro por prerrogativa de função (foro privilegiado), mas também à procura de uma “boquinha”, um emprego pago pelo contribuinte que lhe mantenha a fama, dinheiro, sinecura.

Patacoada à parte, depois de jogar para os ares duas décadas de magistratura, a ficha dele deve estar caindo agora, com uma agravante: a memória do povo é curta, daqui a alguns meses ninguém mais se lembrará dele e de seu alardeado e suposto “heroísmo” construído na Lava Jato.

João Dória: vaidoso, arrogante, pernóstico, galhofeiro, debochado, politicamente frágil.

Esfacelou o PSDB de São Paulo – o que já era esperado – traiu companheiros de jornadas políticas anteriores e arvorou-se como candidato a presidente da República, mas não saiu dos 2% nas sondagens de intenção de voto, embora indicado pelas prévias do partido em novembro de 2021.

Bolsonarista de primeira hora e eleito com os votos e na esteira do bolsonarismo, João Dória deu um coice no presidente de quem hoje se diz feroz adversário.      

João Dória prometeu passar o governo do Estado para o vice Rodrigo Garcia, mas impôs uma condição: que Garcia saísse do DEM e ingressasse no PSDB. O vice obedeceu e selou a promessa.

Acordo costurado, agora João Dória tentou recuar, ameaçou não mais sair do governo e abandonar a disputa presidencial.

Jogou a malandragem na imprensa para adquirir visibilidade – já que poucos paulistas lembram que votaram nele – povoou as manchetes e depois recuou do recuo, desistiu da desistência. Saiu do governo e cumpriu o acordo com o vice.

“João Dória esteve decidido a desistir. Mas foi o amigo Orlando Morando, prefeito de São Bernardo, exímio articulador, quem o fez ver que, na política, é preciso honrar a palavra. E Dória havia prometido entregar o governo de São Paulo ao vice, Rodrigo Garcia, e disputar a presidência” (Diário do Poder, 01/04/2022).

João Dória fez mais: usou o aparato oficial do Palácio dos Bandeirantes, a estrutura pública posta à disposição de centenas de prefeitos e políticos convidados e fez o comício de despedida do governo à sombra da mordomia e da desfaçatez.

Campanha eleitoral antecipada claríssima. Mais claro do que isto, só isto.

Não se tem notícia de que os ministros arautos da moralidade eleitoral, Edson Fachin, Alexandre de Moraes e Luís Roberto Barroso tenham se manifestado a respeito da festa partidária de João Dória regada a dinheiro público no Palácio dos Bandeirantes.

Pela semelhança de conduta entre ambos, Sérgio Moro e João Dória vão acabar juntos nessas eleições de 2022.

O Brasil ainda está muito longe de se livrar da patifaria política e de seus patifes.

araujo-costa@uol.com.br

Inspetor de quarteirão, CUT, Alckmin e jornalismo militante

Alguns ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) conseguiram a façanha de ressuscitar a figura do inspetor de quarteirão, o guarda da esquina.

Essa figura está hoje bem representada por ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) com assento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que – parece – abdicaram de suas nobres e altas funções de ministros constitucionais de nossa Suprema Corte e passaram a vigiar picuinhas, destemperos verbais e inoportunos de Bolsonaro, idiotices do governo e fofocas inconsequentes disseminadas nas redes sociais.

Essa função seria competentemente exercida por quaisquer inspetores de quarteirão, guardas de esquina (se houvessem) e auxiliares de agentes policiais em início de carreira, sem necessidade de que elevados, respeitáveis e conspícuos ministros se afastassem de suas nobilíssimas e precípuas tarefas no tribunal para se ocuparem de redes sociais e outros assuntos de somenos.

As Brigadas da CUT

A Central Única dos Trabalhadores (CUT) criou um projeto ambicioso chamado Brigadas Digitais.

Segundo a entidade, “o projeto Brigadas Digitais da CUT nasce como um instrumento estratégico para a classe trabalhadora ocupar as redes sociais e fortalecer a pressão em defesa das pautas e lutas do movimento sindical”.

Ainda segundo a CUT: “Integrantes do Coletivo de Comunicação das CUTs nos estados e ramos, dirigentes sindicais, lideranças, trabalhadoras e trabalhadores em comunicação das entidades sindicais, educadoras e educadores militantes de sindicatos, trabalhadoras e trabalhadores nos seus locais de trabalho e todo  movimento sindical CUTista estão sendo convidados para serem uma ou um comunicador popular, atuar em rede e de forma organizada em uma Brigada Digital para contribuir com a construção de uma nova política de comunicação que dialogue com a classe trabalhadora, com as pautas e saberes e sonhos da classe trabalhadora”. 

Se o objetivo é esse, nada demais. É até louvável. Admirável.

Mas perguntar não ofende

Se essas Brigadas Digitais da CUT tivessem sido criadas por quaisquer entidades ligadas ao bolsonarismo não seriam acusadas de milícias digitais perigosas à democracia?

Se essas Brigadas Digitais da CUT tivessem sido criadas por quaisquer entidades ligadas ao bolsonarismo, o senador-holofote Randolfe Rodrigues (Rede-AP) já não teria acionado o STF contra elas?

Se essas Brigadas Digitais da CUT tivessem sido criadas por quaisquer entidades ligadas ao bolsonarismo, a grande imprensa não estaria dando destaque exaustivo em seus noticiários diários?

O provável vice de Lula vira caricatura

Há uma corrente do PSDB de São Paulo, incluídos a filha de Mário Covas (um dos fundadores do partido) e José Henrique Lobo, figuras históricas do PSDB, que estão classificando Geraldo Alckmin como “caricatura de si mesmo”.

Só para lembrar: o insigne ministro Alexandre de Moraes (STF/TSE), que presidirá as eleições presidenciais de 2022, foi secretário de Justiça e Defesa da Cidadania do então governador paulista Geraldo Alckmin entre 2002 a 2005.

Agora, Geraldo Alckmin está sendo engendrado como provável vice de Lula, que tem o apoio de ministros do STF, que indicou Alexandre de Morais para o TSE, que comandará as eleições na condição de presidente da Corte Eleitoral.   

Coincidências e coisas da democracia e de nossa privilegiada elite. Viva a democracia!

Jornalismo militante

O veterano jornalista Carlos Alberto Sardenberg, do Grupo Globo, está confundindo formador de opinião com militante político.

Em recente comentário no Jornal das 10, da GloboNews, Sardenberg fez indisfarçável campanha a favor de Lula da Silva, o que, convenhamos, arranha a credibilidade do programa e da emissora, que já é pouca.

Meses atrás, no programa Em Pauta, da mesma emissora, a experiente e sempre elogiável Eliane Cantanhêde surtou de repente e passou a fazer um discurso veemente e fora de lugar, ao vivo, a favor de Lula da Silva, por ocasião da visita do ex-presidente ao Parlamento Europeu.

Não o comparou com Deus, mas chegou perto.

Diante do exagero constrangedor, alguém da produção do programa deve ter advertido a jornalista, pelo ponto eletrônico.

Eliane se recompôs imediatamente do surto lulopetista e ponderou, como se tivesse respondendo à produção do programa: “eu não estou fazendo campanha para o Lula”.

Tarde demais. Ao vivo, não foi possível consertar a gafe.

Lula da Silva é um homem de sorte.   

Dúvida

Médica, pneumologista e pesquisadora respeitada da Fiocruz, Margareth Dalcolmo, ardorosa defensora do “Fique em Casa”, aliada da esquerda e estrela da GloboNews no auge da pandemia, até hoje não explicou como conseguiu ser infectada pela Covid-19 em 2020, já que estava em casa.

Se ficar em casa evitava a infecção, por que ela se infectou?

araujo-costa@uol.com.br     

Festival de besteiras

Palácio do Planalto

Fosse vivo o jornalista Stanislaw Ponte Preta (1923-1968) ele teria material de sobra para lançar outras edições de seu livro FEBEAPÁ (Festival de Besteiras que Assola o País).

Primeira besteira:

Alguns ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) desconfiam do inexpressivo e vaidoso vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) e o elegeram como perigosa ameaça à democracia do Brasil, quiçá do mundo.

Suas Excelências querem saber o que o vereador, filho do presidente da República, foi fazer na Rússia, em companhia do pai, que esteve por lá recentemente em visita oficial àquele país.

Presumo que os subidos ministros desconfiam que o obscuro vereador carioca foi vasculhar os antigos arquivos da extinta KGB – a polícia secreta da também extinta URSS – sobre como aprender meios para derrubar a democracia do Brasil.

Neste particular, nossos respeitáveis ministros contam com a idiotice inominável e sempre presente do senador-holofote Randolfe Rodrigues (Rede-AP) que, por falta do que fazer, vive provocando o Judiciário com pedidos estrambólicos e esquizofrênicos como ele.

Supremo Tribunal Federal

Segunda besteira:

Neste mês de março, a diretoria de uma escola do bairro da Penha, zona leste da capital de São Paulo, expulsou um aluno do terceiro ano do ensino médio, por um dia, porque, segundo a escola, ele cometeu atos de indisciplina e transgrediu o regimento escolar.

Transgressão do aluno: levou uma melancia e a dividiu com os colegas nas dependências da escola, no horário do intervalo.

A propósito, Stanislaw Ponte Preta contava que, na época da ditadura militar de 1964, uma mãe de aluno do interior de São Paulo denunciou uma professora aos perigosos órgãos de repressão, acusando-a de comunista, porque tal professora deu nota zero ao filho da denunciante.

Terceira besteira:

Lula da Silva, em vídeo, não sei se já por conta de inserções do PT, disse que os combustíveis estão caro, inclusive gás de cozinha, porque a BR Distribuidora foi privatizada. Demagogo, ele sabe que não é isto, não se trata disto. A BR não decidia política de preços da Petrobras. Compunha-os no final.

Quarta besteira:

A recente entrevista que o ministro Edson Fachin, presidente do TSE, concedeu ao Roda Viva (TV Cultura) foi primorosa. Magistral, tudo que se esperava de um magistrado e, mais ainda, ministro do STF e do TSE. Serve de aula para estudantes de Direito.

Até tive saudade de meu tempo na Faculdade de Direito de São Bernardo do Campo e dos ensinamentos do mestre Ricardo Lewandovisky que, cá entre nós, mudou muito.

Mas, na prática – ora, a prática – o ministro Fachin faz tudo ao contrário. Acha que a democracia do Brasil resulta da vontade de alguns ministros do Judiciário que, como ele, se acham cobertos pelo manto da intocabilidade. Equivocadamente.

Tribunal Superior Eleitoral

A democracia emerge das urnas, da vontade e da soberania popular. E os ministros do STF e TSE, sejam eles esquerdistas, direitistas, militantes do PT ou não, têm a obrigação de submeter-se às leis, como todos nós, pobres mortais.  

O equívoco que o ministro Fachin escancara na prática é monumental.

Entretanto, a entrevista que ele concedeu à TV Cultura, convenhamos, foi esplêndida. Pena que hipócrita.

Stanislaw Ponte Preta faz falta.

araujo-costa@uol.com.br

Prefeitura de Curaçá, descaso e situação vexatória

“Toda ideia precisa de outra que se lhe oponha para aperfeiçoar-se”. (Hegel, filósofo germânico, 1770-1831)

As imagens são constrangedoras e degradantes, para dizer o mínimo. Ou, no mínimo, entender que o nosso bem público não é tão público assim e muito menos nosso.

Pacientes de Curaçá, que precisam de atendimento clínico, inclusive hemodiálise, vêm passando por constantes descasos que beiram à humilhação, em razão de padrões seguidos pela Prefeitura.  

Por exemplo, em Curaçá não há equipamentos e serviços disponíveis para o atendimento de hemodiálise, tendo em vista a precariedade da estrutura do município. Compreensível que seja assim.

Em razão disto, a Prefeitura transporta os pacientes em veículo da Secretaria da Saúde até Juazeiro e, neste particular, o faz corretamente, embora aqui não se esteja questionando as condições do transporte.  

Em Juazeiro, os pacientes são submetidos a procedimento de hemodiálise numa clínica de nefrologia com endereço na Rua José Pititinga, 292 e Rua do Paraíso, Bairro Santo Antonio.

Ressalte-se que, por óbvio, dita clínica não tem responsabilidade sobre eventual ato e descaso da Prefeitura.

Até aí, presume-se que esteja tudo bem. Mas não está. Não pode estar.

Os pacientes já fragilizados em razão do procedimento de hemodiálise sentam-se na calçada e no meio fio, em meio a animais e ali mesmo fazem suas refeições.

Este blog não tem conhecimento da existência de ponto de apoio da Prefeitura de Curaçá, em Juazeiro, de modo a permitir aos munícipes, nesse momento de dor e fragilidade, que façam as refeições em local decente e apropriado e usem sanitários e banheiros, se necessário. E geralmente é necessário, em situação assim.

O blog pede escusas à administração municipal se, neste particular, a verdade dos fatos caminha em sentido inverso e se dispõe a corrigir essa informação se necessário fazê-lo, mas ousa perguntar: se tem casa de apoio, por que os pacientes ficam ao desabrigo da rua?.

Não é função deste blog criticar apenas por criticar, mas publicar, com cautela, o que consegue apurar e seja de interesse público.

Em quadro assim, parece sobrar desrespeito e incapacidade da Prefeitura de Curaçá no sentido de sustentar a dignidade desses munícipes expostos a essa espécie de abandono moral.   

As situações são recorrentes. Este blog teve acesso a imagens estarrecedoras, que remontam a fevereiro de 2021, retratando situação semelhante.

A lógica autoriza a presumir que essa demanda está afeta à Secretaria Municipal de Saúde e, por extensão e subsidiariamente, à Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social, salvo melhor juízo.    

Pelo que se vê, ambas as secretarias não estão desempenhando satisfatoriamente seu mister ou fazem em desacordo com as necessidades da população, o que dá no mesmo, a julgar por esse caso vergonhoso a que nos referimos.

Registro, com clareza indubitável, que esta matéria não pretende arranhar o mérito profissional e a capacidade dos ilustríssimos senhores secretários municipais das referidas pastas e tampouco do prefeito, mas é inegável constatar que essas imagens depõem contra nosso querido município de Curaçá. E isto entristece.

É razoável presumir que a oposição ao prefeito de Curaçá está capengando ou, no mínimo, cochilando. E se estiver cochilando está errada, porque oposição não pode cochilar.

A Câmara Municipal se faz silente, inexplicavelmente silente.

Aliás, neste cenário, é difícil entender o papel da oposição de Curaçá, se é que Curaçá tem oposição ao prefeito.

A oposição tem o dever de vigiar, fiscalizar, acompanhar, perguntar, cutucar, sugerir e, mais do que isto, apontar as falhas da administração, para que o gestor possa melhorar. É a lição do filósofo Hegel que abre esta matéria.  

Ressalte-se, a bem da verdade, que a função de fiscalizar o Executivo Municipal não é somente da oposição. É também da situação, dos vereadores que dão sustentação ao prefeito e não sejam adeptos da subserviência.

Entretanto, nem sempre as falhas eventuais, costumeiras ou constantes do prefeito e de sua equipe resultam de conduta proposital. Pode resultar de visão diversa àquela esperada pela população. É aí que surge a necessidade de ajuste no caminhar da administração, para coadunar-se ao interesse público.

Se a população não reclama, não exige e fica calada, é natural entender que o prefeito acha que está tudo bem.

Ninguém sabe o que calado quer. E o que pensa, se pensa.

Mas é seguramente certo que ninguém deve se apequenar diante de descalabros perpetrados pela administração pública, qualquer que seja a esfera de atuação, municipal, estadual e federal.

Nenhum ato moralmente inaceitável, qualquer que seja ele, deve ser tolerado e absorvido pela sociedade, mormente quando atinge os mais humildes, os economicamente desamparados.

Para isto, estamos construindo a democracia.

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O Juiz eleitoral

“Uma sociedade de carneiros acaba por gerar um governo de lobos” (Victor Hugo, romancista e ensaísta francês (1802-1885), autor de Os Miseráveis.

Bahia, eleições de outubro de 1962.

O general Juracy Magalhães era governador e exercia poderosa influência sobre líderes municipais em todo o estado.

Famoso tenente na década de 1930, integrante do movimento tenentista que derrubou o presidente Washington Luiz, habituado a mandar nos quartéis, Juracy também passou a mandar na Bahia.

Era anticomunista roxo.

Na marcha das apurações em Santo Antonio de Jesus, recôncavo baiano, as urnas asseguravam expressiva votação ao jornalista Sebastião Nery, candidato a deputado estadual pelo Movimento Trabalhista Renovador (MTR), socialista convicto e buliçoso, baiano de Jaguaquara e ex-seminarista em Amargosa.

O juiz eleitoral, subserviente ao governador, na hora de preencher o mapa da apuração, se espantou com o expressivo resultado do candidato e perguntou ao membro da junta apuradora:

– Quantos votos para Sebastião Nery?

– 160, Doutor.

– Corta o zero. Bota no mapa da apuração só 16 votos. O que o governador vai pensar de mim se este comunista ganhar em minha comarca.

E sumiu com 144 votos de Sebastião Nery. E com o seu caráter. E se apequenou moralmente, como tantos juízes de hoje. 

Como se vê, naquela quadra do tempo, havia juízes e juízes. Ainda hoje há. Pior: eles fazem ressobrar desfaçatez e escasseiam-lhes escrúpulos e vergonha.

Qualquer semelhança com atuais magistrados, que visivelmente não escondem o pendor por determinados candidatos, terá sido mera coincidência.

Fonte: A Nuvem, de Sebastião Nery, Geração Editorial, Belo Horizonte (MG), 2009.

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Os pedreiros de Lula e de Jaques Wagner

Agamenon Magalhães (1893-1952) era governador de Pernambuco.

Chamou secretários próximos, saiu do Palácio do Campo das Princesas e resolveu visitar o interior.

Chegou a uma casa à beira da estrada.

Crianças, galinhas e porcos no terreiro.

A dona da casa – que não conhecia o visitante – e um dos filhos estavam sentados no alpendre.

O governador pediu água, puxou conversa, perguntou:

– Como é o nome deste menino?

– É Agamenon, respondeu a mulher.

O governador sentiu-se homenageado e fez mais uma pergunta para completar sua satisfação diante de seus secretários que o acompanhavam:

– E por que a senhora colocou o nome dele de Agamenon?

– Porque ele danou-se a roubar, virou gatuno e eu coloquei o nome do governador.

Há momentos que é melhor não perguntar.

Folclore político à parte, não perguntem a Lula da Silva quais os pedreiros que ele vai contratar, se ganhar a eleição, para “reconstruir o Brasil”, como ele e outros petistas mais arraigados estão alardeando por aí.

Em janeiro de 2003, Lula assumiu o governo federal. Depois se reelegeu, indicou e elegeu Dona Dilma Rousseff, escolheu Michel Temer como vice dela e dos sonhos dele e o resto da história não precisa repetir.

Lula da Silva contratou muitos pedreiros que, invés de cuidarem bem da construção, provocaram o desmoronamento moral de petistas e aliados e, por consequência, transformaram o Brasil em escombros.

Somente a título de exemplo, vão alguns nomes de petistas e aliados condenados, presos ou ainda investigados por corrupção, todos escolhidos por Lula e pelo PT para cuidarem da construção que ele mesmo ruiu e hoje diz que vai reconstruir.

Os ex-presidentes nacionais do PT: José Dirceu e José Genoíno; os ex-ministros Antonio Palocci, Guido Mantega e Paulo Bernardo; os ex-tesoureiros do PT: Delúblio Soares, Paulo Ferreira e João Vaccari Neto; políticos de diversos estados: Fernando Pimentel, Gleisi Hoffmann, Humberto Costa, Lindbergh Farias, Marco Maia, João Paulo Cunha, André Vargas; parte da diretoria da Petrobras que o PT indicou ou se aliou: o presidente Aldemir Bendine; os diretores Pedro Barusco, Renato Duque, Zelada, Paulo Roberto Costa, Nestor Cerveró e outros tantos.

E o mensalão? Ah! Esta é outra história.

O senador Jaques Wagner (PT-BA) também diz que vai ajudar Lula a reconstruir o Brasil.

Convenhamos, Jaques Wagner e Lula da Silva entendem de construção. Ambos eram sindicalistas pobres e viviam fazendo greves em cima de caminhões, em Camaçari e São Bernardo do Campo, respectivamente.

Deu certo, não se sabe se exatamente por isto. Hoje ambos são ricos.

Isto não significa dizer que eles são “amigos do alheio”, como se dizia antigamente nas delegacias de furtos e roubos.

O que se pode dizer é que Jaques Wagner e Lula da Silva, dentre outros petistas, têm inteligência acima da média de nós, mortais brasileiros e trabalhadores de sol a sol. Conseguiram ficar ricos fazendo política e sem trabalhar.

Inteligentíssimos, portanto. Devemos ter orgulho de ter políticos inteligentes assim.

Jaques Wagner é dono de um apartamento avaliado em R$ 10 milhões, com direito a píer que leva ao mar, num dos metros quadrados mais caros do Brasil, o Corredor da Vitória, em Salvador, endereço nobre da elite baiana.

O novo brinquedo onde Jaques Wagner mora é bem diferente do modesto apartamento em São Lázaro, na Federação, sua residência anterior, que ele dizia valer R$ 150 mil.

Como se vê, com uma equipe dessas ou semelhante, não é possível reconstruir nada, mesmo sendo Lula da Silva mestre de obras. Ou principalmente, em razão disto.

Essa equipe de Lula e Jaques Wagner deve estar preocupada com outra coisa e certamente não é Brasil.

araujo-costa@uol.com.br