Os famosos cabos eleitorais de Lula da Silva

Lula da Silva/Capa do livro “Lula, o filho do Brasil”, de Denise Paraná, Fundação Perseu Abramo, 2002

“O ser humano é inviável. Mas eu não sou” (Millor Fernandes, jornalista, escritor e humorista carioca, 1923-2012)

Cabo eleitoral do Partido dos Trabalhadores (PT), outrora ligado à Central Única dos Trabalhadores (CUT), o ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, em 2010 fez campanha eleitoral para D. Dilma Rousseff.

Deu certo. Grata, D. Dilma o nomeou em 2015 para ministro do STF. O sentimento de gratidão é muito relevante e esta é uma qualidade inegável da ex-presidente petista (Opa! A turma do politicamente correto diz que o certo é presidenta).

Anos mais tarde, numa só canetada petista, Edson Fachin declarou incompetente a 13ª Vara Federal Criminal de Curitiba – que julgou e condenou Lula da Silva à prisão – e abriu caminho para o STF declarar suspeito o ingênuo e atabalhoado Sérgio Moro, que hoje virou uma espécie de político aventureiro e despreparado e está levando bordoadas de todos os lados, da direita e da esquerda.

Mais: mui diligentemente, Edson Fachin anulou as sentenças (leiam-se condenações) que mandaram Lula da Silva para o xilindró porque, afinal, foi o PT que o indicou ministro vitalício do STF e não é errado exercer o sentimento de gratidão.

Em consequência, embora não tenha sido declarado inocente, por força de disposição processual – que, em quadro assim, manda os processos começarem da estaca zero – Lula está leve e solto da silva, apto e habilitado para disputar a presidência da República, graças ao cabo eleitoral Edson Fachin.

Dentre os membros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), três são também ministros do STF, por mandamento constitucional. Até aí, tudo bem, deve-se cumprir fielmente a Constituição da República.

Entretanto, como o STF virou uma espécie de partido político defensor da esquerda, os três ministros da Corte, que compõem o STF, conseguiram levar para a instância máxima da Justiça Eleitoral uma pitada ardente de participação política que costumam cultivar dentro do Supremo ao arrepio da Constituição da República.

Nesses 90 anos da Justiça Eleitoral (o Código Eleitoral foi criado em 24/02/1932, por Getúlio Vargas), essas eleições vindouras de 2022 terão mais ministros do TSE se imiscuindo em assuntos políticos do que julgando questões estritamente eleitorais.

Lula da Silva precisa ganhar. Outros precisam perder. Assim querem seus famosos cabos eleitorais.   

Mas Lula é um sujeito esperto, aliás espertíssimo. Anda dizendo por aí que a eleição não está ganha e ainda há muito trabalho pela frente.

As pesquisas sustentadas pela esquerda estão exagerando a seu favor e Lula não está engolindo esse maná tão facilmente. Lula sabe onde pisa.

Amigos muito próximos de Lula dizem que ele está com o “pé no chão” e não anda tão eufórico assim como seus apoiadores, tanto que está arrebanhando votos do paulista Geraldo Alckmin, ex-PSDB e outrora seu adversário, para tentar construir uma margem segura nas urnas.

O PT nunca ganhou eleição para o governo de São Paulo, mesmo nos tempos que estava no auge e Alckmin sempre foi uma pedra no sapato de Lula.

Antes adversários ferrenhos e irreconciliáveis, Lula e Alckmin viviam se engalfinhando. Hoje vivem se beijando. O amor é lindo.

Lula conhece política, é mestre em campanha eleitoral e, se ele estiver achando assim, é porque tem informações seguras de que há otimistas demais exagerando e dizendo que a eleição dele está garantida.

Lula vem perdendo os cabelos de tanto andar na estrada da malandragem política.

Nesse quiproquó todo – e Lula pisando no chão – os cabos eleitorais de Lula da Silva, inclusive o ministro Edson Fachin, devem estar perdendo o sono com uma possível queda do morubixaba de Caetés nas pesquisas, embora fortemente maquiadas pela esquerda.

Millor Fernandes tinha razão: “o ser humano é inviável”.

O jornalista Elio Gaspari conta uma história engraçada em sua coluna na Folha de S.Paulo de 20/02/2022:

“O marquês do Paraná, grande ministro do Império, morreu em 1856. Velado na velha catedral, a família aproveitou a madrugada para descansar em casa. Quando voltou, o marquês estava sem o fardão de senador e sem as condecorações nele espetadas”.  

Levaram o fardão e as condecorações do defunto, sorrateiramente.

Lembrete às más línguas: naquele tempo, por óbvio, não existia o PT, nem todo esse amontoado de excrescência partidária, que abunda hoje, especialista em surrupiar dinheiro público. A arte de furtar vem de longe.  

araujo-costa@uol.com.br

Curaçá, Poço de Fora e as Raízes da professora Railda.

Capa do livro Raízes, de autoria de Railda Vieira da Silva

Agradabilíssima a leitura de Raízes, valioso livro de autoria de Railda Vieira da Silva, professora, agrônoma e mestre em Administração Rural e Comunicação Rural. Acresce-lhe a importância de ser graduada pela tradicional Faculdade de Agronomia do Médio São Francisco-FAMESF.

A orelha do livro é do saudoso poeta curaçaense Herval Francisco Félix e o substancioso prefácio da lavra do reconhecido pedagogo José Espedito Félix de Martins, que também cuidou da revisão geral.

O professor Herval, meu mestre de tertúlias em Curaçá, lembrou que “um povo sem história é um povo sem nome, cuja tradição tende a se dissolver na noite dos tempos, o que não deverá acontecer com o povo de Poço de Fora, porque Railda não permitirá”.

Lançado em 28/11/2015, a capa é de Sérgio Eduardo F. da Silva e guarda impressionante consentaneidade com o conteúdo proposto pela autora.

Por aí se vê, que a porta de entrada do livro por si só justifica sua importância. A autoridade de ambos é indiscutível. O conhecimento e a experiência inegáveis.

Quanto a Herval Félix, carrego dupla honra: em Curaçá, foi meu professor no Colégio Municipal Professor Ivo Braga e, simultaneamente, colega de trabalho na Prefeitura daquele município do submédio São Francisco.

Colega é modo dizer porque, na verdade, éramos amigos, ajudados pela convivência e faina diárias e constantes discussões que travávamos sobre assuntos gerais e de literatura. Óbvio, eu sempre saía perdendo, diante da monumental cultura do professor Herval.

Contudo, eram saudáveis e enriquecedores os debates que construíamos, alguns no recinto da Prefeitura e muitos outros na calçada do armazém de Juvêncio Ferreira de Oliveira, o espirituoso e querido Maroto.

No que tange ao pedagogo e intelectual Espedito Martins, não o conheço pessoalmente, o que, inobstante, em nada ofusca minha admiração por este profissional exemplar, mormente em razão de sua inteligência e cultura .

Entrementes, vamos ao livro. A autora esmerou-se em fazê-lo baseada em valiosa e ingente pesquisa, certamente coligida em condições adversas, porquanto sabemos que são rudimentares os registros históricos regionais da época. E ela conseguiu com êxito. Uma façanha. Melhor, transformou tais registros num livro rico e essencialmente valioso.   

Entendo que, para compreender o indivíduo será preciso, sempre, a investigação de suas origens. Mais: a formação sociológica de um povo dita o futuro de suas gerações.

A professora Railda não se descuidou disto. Admirável seu trabalho em busca dos valores que sustentam nossa formação regional, com destaque para o município de Curaçá.

O distrito de Poço de Fora está fielmente delineado no livro, esmiuçado, explicado. Líderes e figuras históricas do lugar foram fielmente retratados, de modo a situá-los diante de fatos, épocas, feitos, engendramento social.

A formação político-social e econômica dita o caminho seguro da obra da professora Railda. Significa dizer que é uma obra séria, incontroversa, recomendável.

O livro começa pelas trilhas do povoamento de Curaçá, Pambu como esteio, preocupa-se com as características do Nordeste, retrata o distrito de Poço de Fora no tempo, envereda-se pelos conflitos e disputas regionais, assim como suas influências externas.

No todo, é um apanhado histórico cientificamente amparado e sedimentado nos anos, contradições sociais e formação da gente sertaneja.

O livro é imperdível. É o resultado de pesquisa robusta, séria, vasta e, sobretudo, confiável.  

Os elementos que embasam a obra são importantes, coerentes com o tempo, essencialmente justificáveis sob o ponto de vista histórico.

O livro traz epílogo encantador, lembra o sertão como cenário e a cultura ínsita na história de nosso povo.

Já escrevi, alhures, sobre Raízes e o primeiro contato com a obra, que se deu por intermédio do Dr. Francisco Afonso de Menezes, chorrochoense afeito às coisas da cultura regional.  

Escritora de linguagem escorreita e texto aprumado, Railda Vieira é um agradável destaque no mundo das letras e certamente traz grande contribuição para aprendizes como eu.

Raízes tem admirável qualidade, vasto conteúdo e enriquece a história de Poço de Fora, de Curaçá e, por extensão, de toda região sanfranciscana.

araujo-costa@uol.com.br                             

O abandono do cemitério de Patamuté

Fachada do Cemitério de Patamuté.

Interior do Cemitério de Patamuté.

“Tudo se torna impossível se, de saída, você concluir que é impossível”. jornalista Ricardo Noblat)   

Não sei se a imagem e a postagem são antigas ou recentes o que, neste caso, pouco ou nada importa.

Importam o registro da situação, o protesto veemente do filho indignado de Patamuté, a crítica necessária e o cutucar veemente às autoridades municipais que parecem inertes, acomodadas, irresponsavelmente indiferentes.

Josiná Possidônio da Silva, nosso querido Lalá de Patamuté, assim como eu já beirando os 70 anos (Lalá nasceu em outubro de 1952), aparece nas redes sociais firmemente protestando contra o estado de abandono em que se encontra o cemitério de Patamuté.

É uma indignidade à memória dos mortos.

Lembro que em Patamuté, quando uma pessoa falecia, seguia-se um ritual lúgubre, triste, desalentador, marcante: a conversa do sino da igreja, uma espécie de diálogo que ele mantinha com os vivos.

O sino tristemente badalava, indicando o falecimento de alguém do distrito, sítios, fazendas, circunvizinhança.

O sino da igreja de Santo Antonio anunciava a morte a todos. Uma tradição que vem se arrastando há um século, pelo menos.

Quem primeiro tinha conhecimento do infortúnio era o sineiro, um senhor responsável por aquele mister, que cumpria o seu importante papel diante da circunstância: fazia o sino dialogar com a população de Patamuté, informando-a sobre o acontecido e gerando dúvidas, expectativas, curiosidades e esclarecimentos sobre o finado.

Hoje o cemitério de Patamuté para onde iam esses mortos que o sino anunciava encontra-se humilhado pela passagem do tempo e pelo descaso.

Cruzes tristemente espetadas no ar ostentam as marcas da indiferença. O que existe sobrando por lá é a presença inconteste do descaso, do esquecimento, do descuido e do entorpecimento.

A imagem mostrada por Lalá é desalentadora. Ausência de limpeza, manutenção e de organização e, sobretudo, de respeito aos mortos.

O cemitério é municipal e, como tal, deve ser cuidado pela Municipalidade, o que não está sendo feito.

Há quem entenda que a comunidade de Patamuté deve cuidar da manutenção do cemitério. Não acho ser esta a decisão mais correta. A Prefeitura tem atribuições, dentre elas cuidar dos próprios municipais.

Parece razoável ponderar que o distrito de Patamuté carece de uma atenta representação na Câmara Municipal que cobre esse e outros serviços da Prefeitura.   

Quando o sino da igreja de Santo Antonio dialogava mais fortemente com a população, o cemitério era bem mais cuidado. Dava-se mais atenção àquela morada dos mortos, abrigo do ocaso das ilusões. 

Todavia, mortos não falam, não cobram, não exigem, não reivindicam, não votam. E para suas excelências, as autoridades municipais, pouco ou nada importa um cemitério abandonado. Em Patamuté ou em qualquer lugar.

Mas os parentes dos mortos votam.

Mais do que isto: a memória dos mortos não pode ser espezinhada, desdenhada e tristemente empurrada em direção à nossa cruel indiferença, indiferença de todos nós (inclusive minha) que não exigimos das autoridades os direitos básicos da população de Patamuté.

Todavia, é possível que a Prefeitura de Curaçá retome a decência e dê mais atenção ao distrito de Patamuté.

Observação:

Não cito o crédito das fotos/imagens do cemitério, por desconhecer a autoria, mas deixo o registro do trabalho valioso e útil à população de Patamuté.    

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Sérgio Moro, o Nordeste e os milhões não explicados

Sérgio Moro/Estadão Conteúdo/Ernesto Rodrigues

O conhecimento do ex-juiz Sérgio Moro sobre o Nordeste é tão duvidoso quanto o seu caráter.

Pré-candidato a presidente a República (Podemos), depois de recente visita ao Ceará, Sérgio Moro escreveu em sua rede social:

“Ouvi de agricultores do agreste cearense que as maiores dificuldades enfrentadas por eles são a falta de chuva, de crédito e de seguro. Garantir boas condições ao homem do campo e fortalecer o agronegócio, trator da nossa economia, estão no centro do nosso projeto”.

Entretanto, agreste é uma sub-região que não existe no Ceará.

Todo o território do estado do Ceará assenta-se no sertão, de clima quente e seco, diferentemente do agreste, que é semiárido e abrange, por exemplo, os estados de Alagoas, Bahia, Sergipe, Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte.

Sérgio Moro errou geograficamente, rude e grosseiramente .

Em toda a região Nordeste, Sérgio Moro amarga 3% das intenções de voto e com esse assustador conhecimento sobre a região a tendência é exalar-se no limbo da indiferença dos nordestinos.

O mínimo que se espera de um candidato a presidente da República é que seja bem informado, bem assessorado ou, no mínimo, adquira alguns conhecimentos sobre os lugares que visita e pretende angariar votos.

Sérgio Moro ainda não conseguiu explicar – nem vai conseguir – como fez a façanha de ganhar R$ 3,7 milhões somente em um ano, da empresa americana Alvarez & Marsal, que cuida da recuperação financeira da Odebrecht, que ele arruinou quando juiz de Curitiba à frente da operação Lava Jato.  

O Tribunal de Contas da União (TCU) sinalizou que seu serviço de inteligência identificou contradições entre os documentos apresentados por Sérgio Moro, para tentar justificar a bufunfa recebida e a documentação exibida, com a mesma finalidade, pela empresa onde o ex-juiz trabalhou (Coluna de Mônica Bergamo, Folha de S.Paulo, 18/02/2022).

Ressalte-se que não é errado qualquer ex-juiz prestar serviços a consultorias da iniciativa privada, qualquer que seja ela e a qualquer tempo.

Todavia, Sérgio Moro não consegue explicar porque, em meio a tantas empresas privadas, inclusive no Brasil, ele foi prestar serviços nos Estados Unidos, exatamente para uma empresa americana que cuida da recuperação financeira da Odebrecht, alvo da operação Lava Jato que ele comandou.

Coisas do caráter? Coincidência? Conflito de interesse? Como ele descobriu a vaga? Quem o indicou?

Atabalhoado e perdido, em data recente Sérgio Moro acusou a Polícia Federal de não combater a corrupção. Logo ele que foi ministro da Justiça ao qual a corporação está historicamente vinculada.

A Polícia Federal, em nota oficial, deu um chega pra lá no ingênuo ex-juiz, que ficou com cara de galo e podia ter evitado esse vexame.

Em nota assinada pela Polícia Federal, o órgão acusou Moro de “mentir” e se defendeu, afirmando que efetuou “mais de mil prisões apenas por crimes de corrupção nos últimos três anos” (O Globo, 15/02/2022).

Mais uma fumaça que será esvoaçada na campanha eleitoral contra Sérgio Moro se a ingenuidade do ex-juiz permitir que ele chegue até lá ou Lula da Silva, os petistas, a imprensa lulopetista e parte da esquerda não o aniquilarem politicamente durante a campanha, o que é muito provável.

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Em Chorrochó, o difícil adeus de Josiel

Josiel abraçado ao filho/álbum do filho Josiel Calazans Menezes Bezerra

Exemplo de homem público, de dignidade e de caráter irrepreensível, Josiel faleceu em 16/02/2022.

José Calazans Bezerra (Josiel) nasceu em Quijingue, ainda município de Tucano e se mudou jovem para Chorrochó. Elegante, cabelos negros, boa pinta, sorriso fácil, educado e atencioso, logo ganhou a simpatia de todos, ou de quase todos de Chorrochó.

Casou-se com Maria Menezes Mattos Bezerra, de tradicional família de Chorrochó, filha de Anna Mattos de Menezes (Quininha) e João Matos Cardoso e com ela constituiu família decente e honrada, incluídos aí os filhos José Calazans Bezerra Filho, Ana Maria Mattos Bezerra Brandão e Josiel Calazans Menezes Bezerra.

Todavia, isto é assunto longo para quem entende de história e este não é o meu caso. Preocupo-me tão somente com o registro do caminhar das boas pessoas, dos feitos que praticaram e das amizades que construíram.  

A memória esburacada pode produzir o vexame de grafar nomes errados, confundir datas e misturar alhos com bugalhos. Corro o risco de arranhar os fatos e mutilar a história. É melhor deixar a tarefa para os entendidos.

Mas – e sempre há um mas – Josiel entrou na política, impulsionado pelos ventos soprados sobre o ainda jovem município e se elegeu prefeito de Chorrochó com 1.888 votos apoiado pelos deputados estaduais José Bezerra Neto e José Eloy de Carvalho e de duas lideranças nacionais, ícones da política da Bahia, os deputados federais Manoel Cavalcanti Novaes, pernambucano de Floresta e sua esposa, a paulista Necy Novaes.

Município novo à época (1963/1967), Chorrochó vivia um clima saudável com um prefeito jovem, socialmente admirável e impressionantemente dinâmico.

Josiel era mesmo admirável.

Josiel cercou-se de nomes respeitáveis da sociedade chorrochoense, a exemplo de José Pacheco de Menezes (Deca), João Mattos Cardoso e Joviniano Cordeiro.

A Câmara Municipal deu-lhe folgada maioria com os vereadores Sebastião Pereira da Silva (Baião), Aurélio Alves de Barros, Lucas Alventino, Pascoal de Almeida Lima e seu cunhado Vivaldo Cardoso de Menezes.

Vivaldo entendia desde burocracia da fiscalização estadual até política de bastidores de Chorrochó, além de instrumentos musicais. Vereador atuante, presidiu a Câmara Municipal  e sustentou, com sabedoria, os altos e baixos da política local.

A administração de Josiel registrou alguns feitos compatíveis com as condições que o município permitia na ocasião: construiu uma barragem para abastecer a sede do município, iniciou a construção do Grupo Escolar Luís Viana Filho e do Posto Médico Francisco Pacheco (terminado na segunda administração de Dorotheu Pacheco de Menezes) e impulsionou o esporte local, além da conservação de estradas, prédios públicos e do campo de aviação.

Já fora da atividade política, Josiel manteve grande carisma junto aos munícipes, incompatível com o ostracismo a que se impôs voluntariamente depois de deixar a vida política.

Juazeiro foi seu refúgio voluntário.

Simpático, atencioso, sensato, indispensável em qualquer reunião de amigos. Afastou-se de disputas eleitorais, embora nunca tenha se afastado de Chorrochó e do apego às tradições locais.

Quando podia, era assíduo frequentador e participante ativo da principal festa da cidade, a do padroeiro Senhor do Bonfim.

Pessoa admirável, Josiel também construiu a história de Chorrochó.

É salutar que os órgãos públicos municipais responsáveis pela sedimentação da história de Chorrochó não se esqueçam de evidenciar o nome de Josiel, dando-lhe o destaque merecido que teve na construção da sociedade local.

Deixo pêsames à família de Josiel.

Que Senhor do Bonfim lhe indique o caminho rumo à eternidade e Deus o ampare.

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Curaçá: a intensidade de uma imagem   

Capa do livro Enquanto enlouqueço, de autoria de Luciano Lugori

Município conhecido como terra de pessoas espirituosas, habitantes hospitaleiros, intelectuais respeitáveis, escritores desenvoltos e, sobretudo, bom lugar para laborar com a reflexão, Curaçá esteia-se na cultura, na beleza e nas tradições encantadoras do rio São Francisco.

Em Curaçá assentam-se histórias, ideias, pedaços de caminhar. Veem-se horizontes sedutores.

Os sonhos em Curaçá parecem mais atingíveis.

Luciano Lugori, jovem professor, pesquisador e jornalista curaçaense nascido na primeira metade da década de 1980, há algum tempo escreveu um livro monumental sobre os loucos de Curaçá.

Ilustres loucos, admiráveis loucos!

Visão impressionantemente criativa, Lugori escreveu sobre assunto pouco conhecido e pouco explorado: a loucura.

O assunto é vasto, intrincado, extraordinário, inusual.

A loucura vista por Lugori não se circunscreve somente ao município de Curaçá, não obstante os loucos de lá. Distende-se no tempo, na história, no viver, em qualquer lugar.  

A capa do livro Enquanto enlouqueço por si só é uma reflexão. Faz parte de Curaçá, da cultura de Curaçá, da grande história de Curaçá.

A imagem da capa que, registre-se, é de Yuri Kauan Lugori, é intensa e traduz um quê de grandeza e reflexão.  

araujo-costa@uol.com.br

Nulidades criadas pela esquerda atormentada

“Você já foi à Bahia, nêga?
Não?
Então vá!”

(Dorival Caymmi, cantor e compositor baiano, 1917-2008)

Quando o leitor for à Bahia, se for à Bahia, cuidado. Lá quem manda é o Partido dos Trabalhadores (PT) e a esquerda, mais à esquerda do PT, que o acompanha, além de uma atormentada quantidade de políticos interesseiros.

A Bahia é um feudo petista.

Se o leitor cantar a música de Dorival Caymmi, tenha a cautela de suprimir a palavra “nêga”, senão a esquerda lulopetista de lá vai dizer que Dorival Caymmi era racista e você também é.

Se o leitor por descuido, citar a expressão pau de arara, cuidado. Vão dizer que você é preconceituoso.

A esquerda colocou essa palavra na vala do preconceito. Mui idiotamente. Quer aniquilar a história dos nordestinos, nosso principal patrimônio.

Cuidado para, num rompante de alegria, não cantar Meu último pau de arara, de Luiz Gonzaga (“Só deixo meu cariri no último pau de arara”). É uma gafe monumental. Mais do que isto, é preconceito. A esquerda diz que é.

A esquerda do Nordeste deve estar procurando um jeito de criminalizar a expressão pau de arara. Seus ativistas certamente pensam em espezinhar renomados cantores e compositores nordestinos que compuseram, cantaram e cantam músicas com a expressão pau de arara.

Como fica a memória dos antepassados? E o imaginário popular? E nosso folclore? E nossa história?

Cuidado com os gestos. Não levante a mão espalmada, mesmo para cumprimentar uma pessoa mais afastada. Vão dizer que é uma saudação nazista.

Grave. Não aproxime o polegar do indicador. Vão dizer que é um símbolo da supremacia branca, apologia ao preconceito.

Se o leitor for ao Nordeste, não cumprimente, por educação, homens e mulheres. Mantenha-se distante.

Cuidado, um despretensioso aperto de mão pode lhe causar aborrecimentos. Vão dizer que é assédio, enxerimento. Se puder, faça um esforço e incline-se em sinal de respeito, como se continência fora, mesmo que isto não faça parte de nossa cultura.

A esquerda não aceita mais consideração e urbanidade. Isto é coisa do passado e ser educado é conduta que não comporta nos relacionamentos esquerdistas.

A esquerda quer nos transformar em sujeitos antissociais.

Não elogie ninguém. O leitor pode ser mal visto. Fique na sua, contenha-se, mesmo que a pessoa seja merecedora de elogios ou de respeito.

Cuidado com as palavras. A esquerda está dizimando nosso vocabulário, extirpando palavras que outrora faziam parte de nosso dia a dia, há séculos.

Nunca fale a palavra preto ou negro, mesmo que seja para apontar um carvão. Encontre um sinônimo para expressar o que você quer dizer. Se não tiver, cale-se, não diga nada. A esquerda pode lhe crucificar por ter usado uma palavra que está em nossos dicionários e faz parte de nossa gramática.

Nesta pré-campanha presidencial de 2022, se alguém no Nordeste lhe disser que as pesquisas apontam Lula da Silva com 100% das intenções dos votos de lá e os demais pré-candidatos não têm votos, cuidado, fique quieto. Não conteste.

A esquerda lulopetista não pode ser contrariada.

Se o leitor contestar, a esquerda vai dizer que você é de direita ou de extrema direita, fascista, nazista e mais um sem número de adjetivos. Nunca vai dizer que o leitor tem o direito de expressar sua opinião e de exercer sua liberdade de pensamento.

Quando estiver no Nordeste, nunca dê sua opinião política desfavorável sobre qualquer pré-candidatos de esquerda.

O leitor corre o risco de receber saraivadas de ofensas nas redes sociais, xingamentos, cancelamentos e, sobretudo, incompreensões.

Sou nordestino, baiano e preto (fui registrado como pardo). Acho tudo isto uma idiotice da esquerda.

As palavras não mudam o caráter das pessoas, tampouco sua conduta e idoneidade.

araujo-costa@uol.com.br

Esquerda de porre, intolerância e estupidez

Intolerância altamente tóxica.  

Em Curitiba, em data recente, grupo liderado pelo vereador Renato Freitas (PT), empunhando bandeiras do Partido dos Trabalhadores (PT) e do Partido Comunista do Brasil (BCdoB), invadiu uma igreja católica, onde se realizava missa. Barbarizaram tudo.

Com gritos de fascistas e racistas, os manifestantes ofenderam os católicos, conspurcaram o templo e, mais do que isto, cometeram delito previsto nas leis penais.

Não está explicado porque os baderneiros escolheram como alvo da intolerância religiosa a Igreja Católica, tampouco se tem notícia da existência de racistas e fascistas dentro daquela instituição local. E se há, é caso de polícia e não para o vereador e seus liderados resolverem.  

A grande imprensa silenciou de maneira vergonhosa, inclusive o conglomerado Folha de S.Paulo e UOL, porta voz da esquerda.

Alguns ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), que se arvoram em arautos da defesa democrática, sequer sinalizaram qualquer desconforto sobre o corrido.

Aqui, do alto de minha neutralidade política e insignificância, fico imaginando se fossem bolsonaristas os líderes daquela turba indecente, desordeira e estúpida que invadiram a Igreja Católica de Curitiba.

Certamente alguns ministros do STF, que adoram holofotes, teriam feito grande estardalhaço e até, quiçá, instaurado inquérito, incontinentemente, para apurar as responsabilidades, assim como o fizeram noutras ocasiões, a exemplo do inquérito dos chamados “atos antidemocráticos”, “fake news ” e outros que tais.

A Constituição da República assegura ser inviolável a liberdade de consciência e de crença, assegurando o livre exercício dos cultos religiosos e garantindo, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e as suas liturgias (artigo 5º, inciso VI).

O Código Penal em seu artigo 208 é claro e pune com pena de prisão quem “escarnecer de alguém publicamente, por motivo de crença ou função religiosa; impedir ou perturbar cerimônia ou prática de culto religioso; vilipendiar publicamente ato ou objeto de culto religioso”.

Como um vereador, que tem obrigação de coibir esse tipo de descalabro, até por sua condição de legislador, lidera um movimento desses?  

Analisemos outra situação, porém diversa.

O presidente da República chamou alguns de seus colaboradores nordestinos “de pau de arara”.

Isto foi suficiente para a grande imprensa se alvoroçar com manchetes, notícias e comentários estridentes, desancando o presidente da República, ao contrário do espaço dado à invasão da Igreja em Curitiba pelos esquerdistas ensandecidos.

Mais do que isto. Noticiou-se que um pré-candidato do PSOL de Pernambuco sinalizou que vai ajuizar notícia-crime contra o presidente no STF, por ter usado a frase “pau de arara”.

Sou nordestino e me orgulho disto. Em São Paulo, eu e muitos nordestinos fomos chamados de pau de arara e cabeça chata.

Isto acontecia despretensiosamente, sem viés de ofensa.

Nunca me ofendi por ser lembrado de minha origem nordestina. Aliás, orgulho-me dela.

Ser chamado de pau de arara em nada me diminui, nem deixar de chamar-me assim vai me engrandecer em alguma coisa.

Vê-se um turbilhão de idiotices, imbecilidade e mentes vazias.

Entretanto, no bojo do politicamente correto, a esquerda empurrou a expressão “pau de arara” para a vala do preconceito. Chega a ser ridículo.

É como se a esquerda tivesse enterrando a realidade e a história do Nordeste e dos nordestinos, uma forma de tentar apagar o passado.

O êxodo de nordestinos, em direção a São Paulo, nos caminhões chamados pau de arara faz parte da história. É ínsito à vida e à história dos nordestinos.

O sofrimento faz parte da vida e da cultura dos nordestinos. Somos calejados em sofrimento. Tentar arrancar isto  da história é negar a própria vida de todos nós, que nascemos lá.

Só falta a esquerda querer criminalizar forrós e composições nordestinas, seus autores e cantores que falam em pau de arara, inclusive o clássico “O último pau de arara”, de Luiz Gonzaga (“Só deixo meu Cariri no último pau de arara”).

Todavia, faz-se necessário perguntar: por que a invasão à Igreja Católica de Curitiba por manifestantes de esquerda é considerada de somenos e chamar um nordestino de “pau de arara”, mesmo que em tom de brincadeira, é afronta, preconceito, crime e outras coisas mais?   

A esquerda se ajoelha aos pés de Lula da Silva. Está na hora de Lula pedir a esse pessoal adepto do radicalismo para baixar a bola. Chamar seus intelectuais, seus formadores de opinião, líderes de militância, parlamentares e quem mais se fizer necessário e possível. Ponderar: o caminho do radicalismo está levando todos ao ridículo.

Além de intolerante, contraditória e estúpida, parte da esquerda parece que está de porre.

Alguns mentecaptos esquerdistas precisam ter cuidado.

O fanatismo está aniquilando seus diminutos neurônios.

Post scriptum:

Na foto acima, reprodução da Revista Oeste, veem-se o vereador do PT e vista da invasão à igreja em Curitiba.

araujo-costa@uol.com.br

SAAE de Curaçá, história e reflexão

“O destino gosta de inventar desenhos e figuras, mas a vida é difícil pela simplicidade” (Rainer Maria Rilke, poeta austríaco, 1875-1926)

Remergulhei na memória, amiúde até, com o intuito de buscar, nos recônditos da distância, a história do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) de Curaçá.

Inevitável rememorar tempos de Gilberto da Silveira Bahia, administração 1959-1963 e José Félix Filho (Zé Borges), gestão 1963-1967, prefeitos visionários, que pensavam à frente, bem à frente, não obstante a precariedade das receitas de Curaçá.   

Mais do que isto, procurei saber de algumas fontes o que se passa com nossa tão querida e tradicional autarquia curaçaense, que vem sendo alvo de constantes críticas e reclamações, que vão desde a falta de água até frequentes vazamentos, demora na reativação do sistema de abastecimento, quando necessária, e outros transtornos mais.

A agravante é que, em muitos desses eventos desagradáveis, para manter em atividade seus serviços essenciais, o SAAE depende da Companhia de Eletricidade do Estado da Bahia (COELBA). Exemplo: surgimento de dificuldades na alimentação da rede elétrica que refletem nos equipamentos do SAAE.

Aliás, a COELBA/Neonergia, que é subsidiária de um grupo espanhol, está se destacando irresponsavelmente como um descalabro no que tange à prestação de serviços às populações de diversos municípios da Bahia, não obstante os reajustes regulares de tarifas, até mesmo indevidos, segundo notícia veiculada na imprensa, mas esta é outra história. Longa história.

Neste 28 de fevereiro de 2022, salvo engano, o SAAE de Curaçá completará 59 anos de existência. Convenhamos, um atestado de que deu certo e vem prestando relevantes serviços aos curaçaenses.

Antes administrado pelo Ministério da Saúde, através de suas fundações ligadas ao setor de esgotos e água potável, no final da década de 1990 o SAAE de Curaçá passou a ser gerido pelo município e, mutatis mutandis, o prefeito de plantão passou a indicar um braço político, geralmente vinculado à sua base parlamentar na Câmara Municipal, para administrar a autarquia.

Isto não significa dizer que a influência política e seus conchavos de ocasião são responsáveis diretos e principais pela deterioração dos serviços do SAAE e origem de tantos transtornos causados à população de Curaçá.

Admitir que os dirigentes do SAAE, enquanto políticos, se políticos, não se acham em condições de sustentar os serviços básicos a que se propõe o órgão é acreditar que eles estão enterrando em profundos buracos os votos que lhes mantêm na vida política local.     

Registro, por oportuno, que o SAAE de Curaçá manteve, em seus quadros, dedicados e abnegados dirigentes, tais como Ponciano Pereira Rêgo (uma das criaturas mais corretas que conheci na vida), Dione Maria Félix de Oliveira, Maurízio Roberto Bim Moreira, Roque José Ferreira Soares, para ficar apenas em alguns exemplos, que se cercaram de equipes de boa qualidade profissional, de modo que a população de Curaçá sempre esteve bem servida, neste particular.

Hoje, diversamente, pelo que se vê, a situação é outra ou, pelo menos, parece ter adquirido contornos de diferença.

Tendo em vista a história de credibilidade do SAAE de Curaçá, quero crer que as dificuldades que a autarquia está passando, talvez não se circunscrevam a uma eventual má gestão, mas o resultado de falta de investimentos, aumento da demanda, dependência de outros órgãos e, possivelmente, ausência de planejamento adstrito à realidade local.   

Entretanto, argumentar-se-á: a autarquia ajusta e cobra regularmente suas tarifas e contas, delineia suas receitas, esteia-se nas estatísticas de suas ligações e nos seus custos operacionais e administrativos e, como tal, deve ter autonomia financeira para gerir-se.  

É razoável pensar assim.

Admitir ao contrário, seria escancarar o fracasso da gestão do SAAE e isto não parece ser a realidade que se vislumbra em Curaçá, sabendo-se, ademais, da respeitabilidade da autarquia ao longo de décadas.

Uma das características da sociedade aqui, ali ou acolá, é esta: cada um se embevece em seus sonhos, preocupações, medos, projetos e devaneios e somente cobra alguma coisa das autoridades quando se defronta com as desgraças, dificuldades, tempestades e angústias.

Curaçá não é diferente. As autoridades reinam absolutas – sempre foi assim – fazem demagogia, prometem, afagam e, sobretudo, têm dificuldade de enxergar as necessidades do povo.

O SAAE talvez seja o reflexo desse desenho, dessa realidade, em que as autoridades nunca foram cobradas quanto ao desempenho correto de seus misteres.

Em quadro assim, parece razoável entender que o resultado dos equívocos passados tende a aparecer mais cedo ou mais tarde.

De qualquer modo, afigura-se deprimente e constrangedor, que a população de Curaçá – ou parte dela – se veja constantemente às voltas com falta de água em suas torneiras olhando para as águas caudalosas do São Francisco.

Há alguma coisa errada em Curaçá e não é o SAAE em si, tampouco suas equipes operacionais destemidas, dedicadas e profissionalmente bem preparadas.

Talvez seja ausência de acuidade e percepção de quem tem o poder de decidir com clareza e respeito à população e não o faz com presteza e na ocasião própria.

Post scriptum:

A foto do SAAE de Curaçá que ilustra esta matéria é antiga e não tem o condão de retratar necessariamente a realidade atual. Deixo de citar o crédito da foto por desconhecer o autor.

araujo-costa@uol.com.br     

Chorrochó, tempo de oração.

Igreja de Chorrochó

A Igreja Católica de Chorrochó deu início aos festejos do padroeiro Senhor do Bonfim.

A paróquia está triste, em razão da pandemia do coronavírus que chegou a dizimar vidas em Chorrochó, ainda frequenta as estatísticas de casos da doença e afastou a afluência de fiéis às celebrações, embora eles se mantenham coesos em razão da fé.

Todavia, a Igreja é como um lírio que brota continuamente em meio aos rudes espinhos do tempo e aos escombros das tragédias humanas.

Assim, a Igreja de Chorrochó.

Com o surgimento da pandemia, mudaram-se as formas de celebração. A abertura da festa adquiriu contornos diferentes, o que, de certa forma, espelhou a beleza da devoção dos chorrochoenses católicos ao seu padroeiro.

Em meio a tantas atribulações a que as populações estão envolvidas, inclusive o aumento dos índices de violência, de vez em quando o calendário da Igreja possibilita uma pausa para permitir que todos se envolvam em orações.

Em Chorrochó, portanto, realiza-se a festa do padroeiro Senhor do Bonfim. É uma oportunidade para que os católicos abandonem seus momentos de egoísmo e arrogância e deem lugar às orações, normalmente negligenciadas no dia a dia, inclusive em razão da luta pela sobrevivência cada dia mais difícil.

Todos os dias durante o novenário, época de contrição e louvor, após a bênção do Santíssimo Sacramento, o celebrante desperta os fiéis no sentido de que o nome de Jesus é sempre bendito: “Bendito seja Jesus Cristo no Santíssimo Sacramento do Altar!”.

É o louvor em desagravo às blasfêmias, ao indiferentismo com as coisas que dizem respeito à fé.

O celebrante pede para que Deus derrame bênçãos “sobre o chefe da nação e do estado e sobre todas as pessoas constituídas em dignidade, para que governem com justiça”.

Palavras fortes e necessárias – dignidade e justiça – sem as quais nenhum governante desempenha seu papel fundamental ao bem comum.

A oração é uma velha fórmula adotada pela Ordem dos Frades Menores Capuchinhos (OFMC) do Convento da Piedade, em São Salvador da Bahia, que se estende historicamente deste o século XVII: oração pela pátria, pela Igreja e pelo Santo Padre.

Chorrochó, a exemplo de outros lugares, padece das injunções de uma sociedade violenta, desrespeitosa, degradante, alheia às coisas da Igreja e, sobretudo, tendente à vulgaridade.

Contudo, não deixo de reconhecer que grande parte desse fenômeno deriva da instituição familiar, que se esfacelou de tal forma a ponto de tornar incapaz de educar seus filhos para o caminho da Igreja, mormente tendo em vista o surgimento de novidades tecnológicas de toda ordem que ofuscam o caminhar da juventude.

Também é notório, inobstante, que a Igreja persiste em seu caminho sereno em direção à sedimentação de seus valores e de suas tradições.

É tempo de lembrar todos aqueles que sustentaram as colunas da Igreja de Chorrochó, quando tudo era ainda muito rudimentar e difícil: Antonio Conselheiro; monsenhor Elpídio Ferreira Tapiranga, celebrante da primeira missa em Chorrochó, em 1886; padre Manoel Félix de Moura; professora Antonina Gomes; João Alves dos Santos; professora Josefa Alventina de Menezes; padre Ulisses Mônico da Conceição; padre Mariano Pietro Bentran e todos os que vieram subsequentemente, como sacerdotes ou colaboradores.

Em data recente a Igreja de Chorrochó contou com o dinâmico padre Honildo Carvalho, que ostenta apenas dez anos de sacerdócio, mas se revelou bastante dedicado e atencioso com os paroquianos.

Embora respondendo por outra paróquia, padre Honildo sempre se faz presente em Chorrochó. Nesta quadra do tempo em que se realiza a festa do Senhor do Bonfim, a coordenação pastoral da Igreja de Chorrochó está a cargo do pároco Jorge Mário. 

É tempo também de lembrar os bispos da diocese de Paulo Afonso, que delinearam o caminho da fé na Igreja de Chorrochó: D. Jackson Berenguer Prado; D. Aloysio José Leal Penna; D. Mário Zanetta; D. Esmeraldo Barreto de Farias e o atual D. Guido Zendron, que adota o lema episcopal Cristo Redentor dos Homens e tem sido muito presente na vida da Igreja local.

D. Guido tem robustas raízes fincadas na arquidiocese italiana de Trento, uma das mais antigas e tradicionais da Igreja Católica Apostólica Romana.

Por fim, é tempo de reconhecer o papel das instituições Pia União das Filhas de Maria e Apostolado da Oração que dignificaram a história da Igreja de Chorrochó e se tornaram esteios das tradições locais.

Chorrochó está em tempo de oração.

Somos todos carentes das bênçãos de Senhor do Bonfim.

araujo-costa@uol.com.br