Quando Deus é questionado

“Sufocar a voz dos cidadãos é violar a ordem do mundo” (Papa Pio XII).

O livro Torre das Guerreiras e Outras Memórias, de Ana Maria Ramos Estêvão, é o retrato cruel de uma época de terror no Brasil.

Tempo da ditadura militar, a autora esteve presa em São Paulo, em companhia de Dilma Rousseff, décadas mais tarde presidente da República.

O relato é assustador. Fala de tortura, perseguições e outros momentos vividos nos porões da ditadura militar.

Hoje aos 73 anos, a autora foi companheira de Dilma Rousseff no presídio Tiradentes, centro de São Paulo. Mais do que colega de presídio, Ana Maria Ramos Estêvão foi companheira de cela de Dilma.

Amargaram juntas a maldade e incompreensão humanas.

A autora ficou presa durante sete meses. Dilma ficou mais tempo, aproximadamente três anos.

A autora fazia parte da ALN (Ação Libertadora Nacional), comandada pelo terrorista baiano Carlos Marighella, ícone da luta armada contra a ditadura militar.

Quem quiser e puder, deve ler.

“Uma dor permanece doendo”, diz a autora. Compreensível, muito compreensível.

Hoje quem fala asneiras de Bolsonaro, de Lula da Silva, de esquerda, direita, de terceira via, não sabe o que é sofrimento político, tampouco tortura, ausência de liberdade.

É bom ler para refletir. E crescer culturalmente.

“Deus não existe na tortura. Ficamos sós” (Ana Maria Ramos Estêvão)  

Sempre é bom lembrar as palavras do Papa Pio XII:

“Sufocar a voz dos cidadãos é violar a ordem do mundo”.

Um lembrete oportuno para alguns “intocáveis” ministros (não todos) do Supremo Tribunal Federal (STF).  

araujo-costa@uol.com.br

Alexandre Frota e o lixo

“Por que sua janela é tão alta?” (Rubem Braga, 1913-1990)

Já se disse alhures – e os entendidos repetiram exaustivamente – que a crônica não tem estilo.

A crônica se faz sobre andaimes que o cronista prepara para uma construção que nunca se acaba. Indefinidamente, não se acaba.

Assim, a crônica política.

Alexandre Frota é ator e modelo que se fez nas novelas da TV Globo e, mais tarde, se enveredou pela seara dos filmes pornográficos. Fez sucesso, em razão de seu talento, que não é talento político.  

Alexandre Frota ingressou na carreira política. É deputado federal eleito na esteira do bolsonarismo, do qual se beneficiou, defendeu e abraçou e hoje está no Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), para onde se mudou de mala e cuia depois de espezinhar o presidente Bolsonaro e seus filhos, que tanto os paparicava.

Hoje Alexandre Frota deleita-se nos braços de João Dória, o governador-pavão de São Paulo, criatura desprezível que enxovalhou a história do Palácio dos Bandeirantes e conspurcou a cadeira onde se sentaram Jânio Quadros, Carvalho Pinto, Lucas Nogueira Garcêz, Franco Montoro (que sabia fazer oposição) e tantos outros honrados que governaram os paulistas.   

Não se sabe se o deputado Frota é “traíra” ou se foi contrariado em algum de seus interesses, o que é mais provável.

Agora, o deputado Alexandre Frota diz que a Câmara dos Deputados “é um lixo” e vai disputar uma vaga na Assembleia Legislativa de São Paulo e não quer mais voltar à Câmara, em Brasília.

Argumento pornográfico do deputado Alexandre Frota: “Não faço parte daquele lixo que se tornou a Câmara dos Deputados” (Coluna de Mônica Bergamo, Folha de S.Paulo, 20/01/2022)

Alexandre Frota fala de cátedra.  

O que esperar de uma Câmara de Deputados que tem Alexandre Frota como um de seus deputados mais votados?

Não sei. Alexandre Frota diz que é lixo. Ele deve saber. Está lá.

A Câmara dos Deputados é o retrato e o espelho da sociedade, sinal de que nossa sociedade vai mal, esteve sempre mal, continuará sempre mal.

Como perguntaria o “professor Raimundo”, gênio de Chico Anysio: cite um projeto, “unzinho”, apresentado por Alexandre Frota, que beneficiou o Brasil e os brasileiros.

Não tem, não deve ter.

Mas a crônica política se faz de assuntos como esse, até com Alexandre Frota dando lições de moral.

Alexandre Frota não consegue alcançar a janela e enxergar a realidade.

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Curaçá, Luizinho Lopes e o desmantelo do mundo

O vaqueiro Luizinho Lopes e Salvador Lopes, em evento em Curaçá/Crédito: Grupo Curaçá City

Luizinho Lopes chegou aos 103 anos.

Curaçá está em festa, festa de abraços dos amigos de Luizinho, festa em comemoração à vida de Luizinho.

Nesta quadra do tempo – e do passar do tempo de Luizinho – a festa boa não é necessariamente o adjunto, a reunião de pessoas, mas a constatação de que Curaçá está feliz com a presença do aniversariante ilustre.

Retirei d’algum lugar, fragmento do texto de Esmeraldo Lopes, nosso sabido e sempre admirado sociólogo de Curaçá:

“Luizinho é um desses sujeitos que gosta de palestrar, mas às vezes se põe na posição de escutador. E quando está assim, fica ali no silêncio, enrosca as mãos no corpo, cochila, acorda, cochila… Entre todos os assuntos, o que mais lhe atrai são as mudanças do mundo. Ele sempre afirma que o mundo não tem mais jeito, que nada mais lhe surpreende, que está tudo desmantelado.

Mas outro dia ele estava como escutador e chegou um seu camarada e veio contando: “Rapaz, não sei se vocês já ouviram dizer, mas a mulher do finado… tá de homem”. Luizinho, que estava cochilando, levantou a cabeça na rapidez de um piscar e bradou: “Já vi que passou o planeta. Só escapa quem voa!”

Esmeraldo Lopes é abalizado e insuspeito para falar sobre Luizinho Lopes. É catedrático na arte de decifrar o entender dos curaçaenses.

Esteio de sabedoria e decência, Luizinho Lopes é um sustentáculo da história de Curaçá.  

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Geraldo Alckmin, o “engolível”.

“Lula quer tanto enfrentar o Bolsonaro no segundo turno que é capaz de votar nele no primeiro” (Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD, Painel, Folha de São Paulo, 16/01/2022)

Só para refrescar a memória.

O que Alckmin disse de Lula em 2018: “Não existe a menor chance de aliança com o PT. Jamais terão meu apoio para voltar à cena do crime. Seus apoiadores são aqueles que acampam em frente a uma penitenciária”.

O que Lula da Silva disse de Alckmin em 2006: “A única coisa que ele sabe fazer é vender coisas. O PSDB devia ser candidato a dirigir uma empresa de vender estatais”. Mais tarde, ainda em 2006: “O governador nas suas bravatas, fala de uma moralidade que parece que ele está numa sacristia”.

Como se vê, moralidade não é o forte de Lula da Silva. O negócio dele é outro.

Luiz Marinho, ex-prefeito do município paulista de São Bernardo do Campo e ex-ministro de Lula da Silva, presidente estadual do PT de São Paulo é contra a aliança de Lula-Alckmin.

Alguns ex-guerrilheiros que se abrigam no PT também são contra: Rui Falcão (Vanguarda Armada Revolucionária Palmares) e José Genoíno (Guerrilha do Araguaia), ambos ex-presidentes do partido.

Dona Dilma Rousseff, ex-guerrilheira do Colina e da Vanguarda Armada Revolucionária Palmares, também é contra. Mas Dona Dilma não apita muito no PT. Nunca apitou.

Outro ex-guerrilheiro, Franklin Martins (Movimento Revolucionário 8 de Outubro e Ação Libertadora Nacional-ALN), ex-ministro de Comunicação Social de Lula da Silva não diz que é contra, mas é contra, todos sabem que ele é contra.   

Acontece que quem manda mesmo no PT é Lula da Silva. Lula quer que o vice dele seja Geraldo Alckmin. Lula até foi deselegante com os petistas que são contra: “o problema é deles”.

Haverá algum racha no PT, se Alckmin for o vice de Lula?

Nunca, jamais.

Os petistas – contra ou a favor da aliança – querem mesmo é a vitória de Lula e a volta ao poder para retomarem à dilapidação dos cofres públicos, continuidade ao petrolão,  mensalão e outras conhecidas maracutaias mais.

Nesse último grupo inclui-se José Dirceu, outro participante da ação armada contra a ditadura, exilado e treinado em Cuba. Ele é defensor da aliança Lula-Alckmin e, como todos sabem, uma espécie de sombra discreta de Lula da Silva: o que um faz o outro sabe. E nenhum dos dois confessa.   

Parte da militância arraigada petista também é contra.

Algumas citações dissonantes da aliança Lula-Alckmin:

Luiz Marinho: “Alckmin tem de ser engolível”.

Rui Falcão: “Alckmin é a contradição a tudo que o PT fez”.

José Genoíno: “O que está em jogo é se a esquerda socialista será protagonista do enfrentamento do neoliberalismo ou se a esquerda será domesticada, domada para um projeto de melhorismo por dentro de um neoliberalismo com feição progressista”.

Dilma Rousseff, que não foi convidada para o jantar de Lula com Alckmin em São Paulo, dias mais tarde questionou o ex-presidente sobre a aliança pretendida, mas os petistas favoráveis à aliança dizem que “ela não tem mais relevância eleitoral” e pouco importa a opinião da ex-presidente contrária ao conluio Lula-Alckmin.

Em resumo, Alckmin só não será vice de Lula por questões alheias à vontade de ambos.

Difícil para os petistas engolirem o nariz de Alckmin, o mesmo nariz que torceu, muitas vezes, contra o PT, o petismo e o lulopetismo. E depois ainda enfrentarem um picolé de chuchu, sabe-se lá por quanto tempo.

Mas o morubixaba de Caetés quer assim.

Coisas da política.     

araujo-costa@uol.com.br  

Eleição presidencial: juízo, equilíbrio e diálogo

“Nem sempre fui velho como sou hoje e nem sempre fui jovem como sou hoje. Começa-se incendiário e acaba-se bombeiro. Eu inverti: comecei bombeiro, mas não quero acabar incendiário” (Tristão de Atayde, pensador católico tradicionalista, 1893-1983).

A reflexão pode nos levar à maturidade ou à certeza de que tivemos chance de trilhar caminho melhor até aqui, mas não enxergamos a indicação na encruzilhada.

Neste ano de eleições presidenciais, será necessário não só reflexão, mas cuidado para não cairmos no despenhadeiro do radicalismo, do fanatismo e da ofensa gratuita.

O que devemos colocar na urna é o voto e não a honra.

“Ao rei tudo, menos a honra” (Calderón de la Barca).

Quem está do lado contrário não é necessariamente ruim ou inimigo, apenas pensa de modo diferente.

Quem anda na contramão não significa que venha nos agredir, apenas caminha noutra direção.

Se Lula da Silva ganhar a eleição, já o conhecemos. O Brasil não vai acabar.

Aliás, se depender das sondagens dos tendenciosos institutos de pesquisas financiados pela esquerda, Lula terá 100% dos votos. Os demais postulantes não serão votados.

Se o presidente Bolsonaro for reeleito, também já o conhecemos. O Brasil não vai acabar.

A chamada “terceira via” está capengando e certamente não será realidade, a julgar pelo quadro atual, em razão da vaidade dos pretendentes. Ninguém quer ceder nada.

O ex-juiz Sérgio Moro é amador, aventureiro, inexperiente, atrapalhado, caráter duvidoso, politicamente inocente. Está à procura de foro privilegiado com receio de cair nas armadilhas do Partido dos Trabalhadores.

Mais cedo ou mais tarde vai cair nas garras dos radicais do PT e já está procurando guarida na imunidade. Vai acabar membro do Congresso Nacional, abrigo de corruptos impunes, espertos e carrapatos do dinheiro público, excetuado alguns poucos honestos que ainda gravitam por lá.

O ex-governador cearense Ciro Gomes aponta sua metralhadora giratória para todos os lados e não sai do lugar. É o que sabe fazer. É ingrato com seu guru Lula da Silva e ingratidão é um defeito terrível.

O governador paulista João Dória é pernóstico, pedante, vaidoso, moralmente indecente e politicamente inconveniente. Traiu os próprios companheiros de partido. Difícil ganhar eleição presidencial, essa ou outra. Nem os paulistas gostam dele.

No que menos João Dória pensa é no bem do Brasil. Pensa que o Brasil se resume em suas mansões, seus negócios milionários e seus jatinhos.

Os demais nomes que despontam no horizonte político são risíveis, por enquanto.

É preciso ser jovem para ter esperança no amanhã e velho para saber distinguir a diferença quanto à escolha do caminho.

O Brasil não precisa de incendiários.

Não é tempo de convocar bombeiros.

Neste 2022 o Brasil precisa de juízo, equilíbrio e diálogo.

araujo-costa@uol.com.br

O senador-holofote e outras idiotices

O presidente Bolsonaro, em mais um de seus destemperos verbais, chamou o governador do Maranhão de “gordo”, o que desagradou à turma do politicamente correto, que costuma saudar “a todos e a todas” e acha que está falando vernáculo castiço.

Há algum tempo, não muito longe, fui à missa. Costumo ir à missa. O padre, que certamente trocou os livros de gramática pelos compêndios de ideologia política, começou assim: “bom dia a todos e a todas”.

Retirei-me imediatamente. Não havia mais o que ouvir ali daquele padre. Ele deve ter faltado às melhores aulas do seminário e desprezado as preleções dos professores de português.

Se um sacerdote não entende as mínimas regras da Língua Portuguesa, como interpretar a Bíblia e os princípios teológicos?  

Flávio Dino, que é um sujeito espirituoso, levou a provocação de Bolsonaro na esportiva e o mandou ir “trabalhar”, depois de chamá-lo de “fracassado e bisonho” (O Globo, 12/01/2022).

Resta saber se o espevitado e desocupado senador-holofote Randolfe Rodrigues (Rede-AP), vai entrar com uma ação no Supremo Tribunal Federal pedindo para Bolsonaro explicar-se judicialmente.

Neste recesso parlamentar, Randolfe Rodrigues deve estar entre a cruz e a espada: não sabe se pendura melancia no pescoço para aparecer ou se continua correndo atrás dos holofotes da imprensa lulopetista, o que dá no mesmo.

Sempre entendi que presidente da República não deve sair por aí, falando o que pensa, mormente se o que fala é besteira e geralmente é, principalmente se ao presidente falta-lhe um parafuso.

Vivi na ditadura militar.

Todos os generais-presidentes, mormente os mais “linha-dura”, Arthur da Costa e Silva e Emílio Garrastazu Médici tinham seus porta-vozes, que falavam em nome do governo.

Assim, os demais, até a redemocratização.  

Os presidentes só falavam em rede nacional de rádio e televisão em ocasiões especiais.

Bolsonaro não segue a liturgia do cargo, não sabe o que é liturgia do cargo.

Bolsonaro confunde democracia com deturpação de regras elementares.

Presidente da República não deve falar o que pensa, se pensa. No fundo, o presidente deve curvar-se à hipocrisia, àquilo que o povo quer ouvir. E o povo gosta de ser enganado.

O presidente Bolsonaro sai, por aí, falando a torto e a direito e acaba dando munição para a oposição e a imprensa, que no fundo é a mesma coisa, nesta quadra do tempo.

Os grandes órgãos de imprensa passaram a ser redutos de oposição ao governo e extensão de partidos políticos de esquerda.

Na campanha eleitoral de 2022, morreremos de tédio ou nossos tímpanos serão estourados.

Que Deus nos proteja das lorotas de Lula da Silva, das imbecilidades de Bolsonaro, do amadorismo de Sérgio Moro, das sandices de Ciro Gomes e das idiotices do governador-pavão João Dória, dentre outras temeridades.

São muitas.

araujo-costa@uol.com.br

Patamuté, registro de uma saudade

Em primeiro plano, da esquerda para a direita, Paulo Souto, Theodomiro Mendes, Etelvir Dantas e Adonai Matos Torres (álbum de família de Adonai)

Presumo – e é apenas presunção, nada mais do que isto – que a foto acima tenha sido tirada em campanha eleitoral no distrito de Patamuté, município de Curaçá.

Retirei dos registros dos familiares de Adonai Matos Torres no facebook e a reproduzo sem autorização da família.

Sem jactância, guardo a modéstia de ser amigo da família, com demasiado orgulho e também de ter sido amigo de Adonai e de sua dileta esposa Cleonice Pedroza Torres, honra e glória de Patamuté.

Cometi essa imprudência, em nome da história. Há outro meu amigo na foto: Theodomiro Mendes da Silva sobre o qual já escrevi muito em crônicas e artigos.

Veem-se, salvo engano: Paulo Souto, que foi governador da Bahia e senador da República (e ainda tinha cabelos); Theodomiro Mendes da Silva, que foi prefeito de Curaçá em duas oportunidades, 1973/1977 e 1983/1988; Etelvir Dantas, respeitado empresário de Juazeiro, à época dono da rede de supermercados Pinguim e aliado de Theodomiro e também deputado federal pelo Partido Democrático Social (PDS); Adonai Matos Torres, líder político de Patamuté, que foi vereador de Curaçá e figura respeitável até a morte.

A memória de Adonai, na condição de homem público, continua intacta, exemplo de correção de caráter e honestidade.

Confesso que vi, muitas vezes, Adonai brigar em defesa de sua honra. Ele não admitia arranhões à sua honra e tampouco de sua família.

Não tive condições de identificar as demais pessoas que constam na foto, pelo que peço escusas e aceito ajuda para corrigir o texto, em nome da história de Patamuté e de Curaçá.

É um registro despretensioso de saudade. Só isto.

araujo-costa@uol.com.br

Observação:

Theodomiro Mendes Filho esclarece que o evento não se trata de campanha política, mas “a chegada da energia elétrica ao distrito de Patamuté, até então era gerador movido a óleo diesel. Dr. Paulo Souto à época secretário de minas e energia do Estado e ao fundo a professora Terezinha Conduru”.

Wagner Reis esclarece que a professora Terezinha Conduru também aparece na foto e que, ao fundo, vê-se a casa dos seus avós José Gomes Reis e Donana. Detalhe: Wagner também identificou a Belina marrom de seu pai José Gomes Reis Filho.

Maria Gorete esclarece que o senhor que se encontra entre Adonai e a professora Terezinha é seu pai João Mendes de Souza (João Maroto).

Agradeço a todos pelos esclarecimentos.  

Registro de uma saudade

Da esquerda para direita: Francisco Ribeiro, Afonso Menezes, Neusa Rios, Juracy Santana e José Osório de Menezes.

Esta foto é histórica e me foi enviada pelo amigo Dr. Francisco Afonso de Menezes, que hoje se divide entre as belezas sanfranciscanas de Juazeiro e o encanto indizível de Salvador.

Aliás, em Juazeiro, Dr. Francisco Afonso foi um dos pioneiros da Faculdade de Agronomia do Médio São Francisco (FAMESF), marco do ensino agronômico da região.

Trata-se do registro de uma saudade, sem mais salamaleques, tampouco texto prolixo e extenso.

A foto registra, em Chorrochó, sertão da Bahia, ainda na juventude: Francisco Ribeiro da Silva, professor; Francisco Afonso de Menezes, engenheiro agrônomo e historiador; Neusa Maria Rios Menezes de Menezes, professora e historiadora; Juracy Santana, mecânico renomado; José Osório de Menezes, pecuarista.

É possível que nesse tempo eles ainda não ostentassem os títulos com os quais exerceram suas profissões com zelo e dedicação. Eram ainda muito jovens, embevecidos com as peripécias da juventude.

É apenas um registro, uma saudade. Coisas do tempo. Ou da memória.

araujo-costa@araujocosta

Observação:

Na primeira versão deste texto, este idiota escrevinhador havia registrado que a última foto da direita é de João Bosco (Joãozito).

Embora tenha convivido com ambos, errei grosseiramente a identificação.

Entretanto, Neusa Menezes corrigiu imediatamente, pelo que agradeço.

Política no seu lugar, STF no seu lugar.

Aluízio Campos (1914-2002), paraibano de Campina Grande, era consultor jurídico, membro do conselho deliberativo da SUDENE (Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste) e fundador do outrora e respeitado Partido Socialista Brasileiro (PSB) da Paraíba.

O golpe militar de 1964 que derrubou o presidente João Goulart passou a perseguir aliados do governo deposto.

Aluízio Campos foi chamado a depor em Recife, em inquérito que apurava “atividades subversivas”, como os militares denominavam a atuação do pessoal de esquerda.  

Naquele tempo a esquerda do Brasil tinha vergonha, era esquerda mesmo, ainda não havia descoberto os cofres públicos para dilapidá-los.

Presidente do inquérito, o major fez a seguinte pergunta a Aluízio Campos:

– O senhor sabe por que faz parte deste inquérito?

– Não senhor, não sei.

O diálogo prosseguiu:

– O senhor está aqui porque é socialista – disse o major.

Ex-deputado, político experiente, sangue frio e esquerdista de verdade, Aluízio se ajeitou na cadeira, digeriu a colocação, fitou o major e perguntou:

– O senhor pode me dar isto por escrito? Que sou socialista?

– Por que? – Quis saber o major

Aluízio respondeu:

– Porque faz 20 anos que eu digo na Paraíba que sou socialista e ninguém acredita.

Houve uma época em que nosso respeitável Supremo Tribunal Federal (STF) era, de verdade, uma Suprema Corte, não esse balcão político-partidário que é hoje.

Agora o STF é tão-somente uma instância acolhedora de pedidos rotineiros e estapafúrdios de partidos políticos de esquerda.

O STF se transformou em cartório de polícia judiciária para abrir e instruir inquéritos policiais, função da polícia e do Ministério Público e deixou de ser tribunal constitucional.

O negócio começou a descambar quando os ministros do STF deixaram de ser juristas, operadores do Direito de renome e passaram a ser indicados e nomeados tão-somente com base num critério: serem amigos do presidente da República de plantão ou de sua caterva.

Alguns desses ministros ao ingressarem no STF nunca tinham redigido uma sentença, exatamente porque não sabiam redigir, não era a praia deles e isto não é demérito.

Há caso de ministro que não teve capacidade técnica e jurídica de passar em concurso de juiz de direito e hoje é ministro plenipotenciário do Supremo Tribunal Federal. Passou pela faculdade de Direito e não aprendeu direito.

Ou seja, o cidadão que não conseguiu, por incapacidade, passar em concurso para juiz de comarca do interior, hoje é ministro do STF. Mais do que isto: acha-se intocável, absolutamente intocável.

A semelhança entre a truculência da ditadura e a atual atuação do STF é assustadora: a ditadura prendia e processava simplesmente porque o sujeito era de esquerda; o STF processa e manda prender simplesmente porque o sujeito expressa sua opinião.

Qual a diferença?

No dia em que a política ficar no seu estuário próprio e o STF ocupar seu lugar de Suprema Corte, o Brasil começará a andar e ser um País sério.

Parece que ainda está longe disto.

araujo-costa@uol.cvom.br

Curaçá: Leitura recomendada

Capa do livro Insustentavelmente Trans, de Roberval Dias Torres.

Insustentavelmente Trans, livro do curaçaense Roberval Dias Torres (Editora Didática Paulista, 2002) é convite para uma boa leitura, agradável leitura, enriquecedora leitura.

Prefácio do ator e dramaturgo Luís Sérgio Ramos, que diz se tratar de “um livro transgressor” e certamente é, como era a agitada juventude de Curaçá.

Retrato das dificuldades pelas quais passava a juventude dos anos 1980, valioso relato dos percalços enfrentados pelos jovens de Curaçá, município do submédio São Francisco.

Na contra capa um depoimento de Antonio Carlos Barros Junior:

“…instigante; algumas vezes deliciosamente profundo; outras vezes delirantemente incompreensível…”

Livro bom para ser lido por nossos jovens de Curaçá – e não só de Curaçá e não somente jovens – para que possam inteirar-se do mundo curaçaense de antanho, não muito distante, mas um tanto diferente relativamente aos dias de hoje, em muitas circunstâncias e em muitas maneiras de encarar a vida.

Essa juventude irrequieta de Curaçá retratada no livro produziu muitos intelectuais que hoje engrandecem a educação e a cultura do município.

O autor é conhecido. Sobejamente conhecido.

Não carece de apresentação. E se precisasse, eu não tenho condições de captar sua grandeza intelectual.

araujo-costa@uol.com.br