Em Chorrochó, premiação destaque do ano vira tradição

É notório que o colunismo social do jornalismo impresso vai-se esvaindo e, em consequência, surgem atalhos na mídia digital que substituem, com vantagem, as formas costumeiras dessa prática jornalística tão comum na vida social.

Neste particular, as redes sociais têm desempenhado papel importante na demonstração do comportamento social e impõem claros reflexos na vida profissional de considerável número de pessoas, independentemente da região em que vivem e atuam.

Em Chorrochó, município encravado no sertão da Bahia, há algum tempo surgiu o site Chorrochoonline, fruto da criatividade de Edimar Carvalho, que se tornou uma espécie de condutor do colunismo social da região, ajustado à nova realidade e ao desconhecido.

Não é só. Com o Chorrochoonline surgiu também uma forma de avaliação de profissionais, que redundou no Troféu Destaque do Ano, que vem agraciando pessoas de variados seguimentos, de modo que isto representa o reconhecimento da sociedade a essas pessoas que se dedicam com esmero ao mister que ocupam.

Aqui não se discute a posição que cada um ocupa no meio social, mas o talento, dedicação e responsabilidade diante do desafio profissional, das intempéries e, sobretudo, da disposição de seguir adiante em direção aos horizontes sonhados.

Segundo o organizador do evento Edimar Carvalho, em 2021 as redes sociais escolheram para receber o Troféu Destaque de 2021 as seguintes personalidades:

Fábio Jericó, empresário; Dr. Marco Antonio de Jesus Bacelar, Delegado de Polícia Civil; Emanuel Rodrigues, prefeito de Rodelas; Waltércio Ramos, servidor público federal; Joana Silva, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Macururé; Maila Soraia, profissional de saúde; Édipo Alcimar Nascimento Silva, líder político; Fábio Pereira Maia, presidente da Câmara Municipal de Macururé; Edmo Alves Novaes, Diretor Escolar; Programa Jornalístico Espaço Aberto, Rádio Educadora AM; Maria Mazzarello Soares dos Santos, ex-prefeita de Rodelas; Érico Almeida Souza, secretário municipal de Macururé; Géssica Cristina Santos Lima, técnica de enfermagem; Brenda Neves de Oliveira, secretária municipal de Rodelas; Romilson Ramos da Cruz, cabeleireiro; Adael Francisco, cabeleireiro; Ademir Varjão, vereador de Macururé; Edimar dos Santos Marinheiro, vereador de Abaré; Dra. Jéssica Andressa Fonseca Bernardes, advogada; Dra. Josenilda Alves Barbosa, advogada; Dr. Caio Alves, médico; Hélio Santos da Silva, vereador de Curaçá; Felipe César Alves Lima e Silva, vereador de Rodelas; Jerson José de Souza (Jerson Florimel), liderança política de Pedra Branca, Abaré; Altemar Silva Maciel, técnico de enfermagem; Aluísio Almeida, vice-prefeito de Rodelas; Marcos Oliveira, locutor; Jackson Alves da Silva, influenciador digital; Francisco José Marciano, vereador de Belém do São Francisco; José Iolando dos Santos, sacerdote; Roselice Jericó (Rosa de Teodoro), comerciante; Risonilton Celso Ramos da Cruz (Celso Ramos), vereador de Macururé; Naldinho Beira Rio, artista e blogueiro de Macururé;    

A solenidade de entrega do troféu Destaque de 2021 será realizada em 04/12/2021 na Câmara Municipal de Chorrochó e, não obstante tratar-se de um evento bastante concorrido, a organização sinalizou que obedecerá às regras sanitárias decorrentes da pandemia estabelecidas pelas autoridades.

Por último, vale acrescentar que o evento Destaque do Ano deixou de ser estritamente um acontecimento do município de Chorrochó para estender-se ao universo regional (Bahia e Pernambuco), o que, de fato, engrandece a iniciativa de Edimar Carvalho.

araujo-costa@uol.com.br

O zoológico de Bolsonaro e a experiência do PT

O presidente Bolsonaro chamou um senador do Amazonas de “anta amazônica” e “cara de capivara” e a turma em redor do presidente apelidou outro senador da região Norte de “gazela saltitante”.

Não sei por que tanta maldade de Bolsonaro e sua turma com os bichos. Comparar animais dóceis e inofensivos com senadores tão desprezíveis é, no mínimo, menosprezar os animais, que não têm nada com vingança e desavença política entre humanos.

Memória já cansada, eu sabia que a cara daquele senador do Amazonas não me era estranha. Só depois lembrei que andei muito no zoológico de São Paulo – passeio melhor do que em shopping atulhado de pessoas – e, portanto, conheci antas e capivaras.

Na CPI da Pandemia, o senador Omar Aziz (PSD-AM) constantemente chamava de “meu amigo” o cavernoso senador baiano Otto Alencar, também do PSD, que tem cara de peixe fora d´água.

O senador Otto, por si só, está fora da água política. É opaco, inoperante e pouco importante para a Bahia.      

Pelo que se viu na CPI da Pandemia, Otto Alencar não anda bem acompanhado. É uma pena.

Para muitos baianos, chega a ser deprimente a representação da Bahia no

Senado Federal.

Embora aparência não qualifique a representação no Senado da República, mas a soberania do voto popular – e viva a democracia! – Jaques Wagner tem cara e pinta de Senador. Os dois outros nem isto têm.

Ao longo da história, tivemos parlamentares (deputados e senadores) de caráter suntuoso como Waldir Pires, Otávio Mangabeira, Tarcilo Vieira de Melo, Manoel Novaes, Josaphá Marinho, Aluísio de Carvalho Filho, Heitor Dias, Rui Santos, Lomanto Júnior, Antonio Balbino, Luís Viana Filho, Landulfo Alves, Pereira Moacir e tantos outros.

Omar Aziz está sendo investigado pelo desvio de milhões de dinheiro público da saúde do Amazonas, quando governador de lá, de modo que a proximidade e amizade dele com Otto Alencar remetem ao “diz-me com quem andas que te direi quem és”. 

Em minha juventude, os mais velhos advertiam: “cuidado com as más companhias!”.

Décadas mais tarde, no exercício diário da profissão de advogado, ouvi de mães de perigosos meliantes presos: “ele é um bom rapaz, honesto, trabalhador, mas vivia em más companhias”. 

A CPI da Pandemia do Senado deixou registros inapagáveis, dentre esses, a cara de pau de alguns de seus membros.

À frente Omar Aziz (PSD-AM), Randolfe Rodrigues (Rede-AP) e Renan Calheiros (MDB-AL), mestres na arte de querer aparecer diante dos holofotes, a CPI quebrou o sigilo telemático do presidente da República.

Qualquer aluno do primeiro ano de Direito sabe que a medida é ilegal, por se tratar de presidente da República, qualquer que seja ele, Bolsonaro ou outro, seja de direita ou de esquerda.

Dentre outros empecilhos, a medida é ilegal, por uma razão muito simples: o presidente da República não estava, nem podia ser investigado pela CPI. A CPI não foi criada para investigar o presidente da República.

Em 23/11/2021, o ministro Alexandre de Moraes (STF), espécie de inimigo figadal de Bolsonaro e que, portanto, não morre de amores pelo presidente, diante da flagrante ilegalidade, suspendeu a decisão esdrúxula da CPI dos imorais.

Os senadores caras de pau Omar Aziz, Randolfe Rodrigues e Renan Calheiros, feias e abomináveis vedetes da CPI, devem estar cabisbaixos com a decisão do Supremo Tribunal Federal.

Certamente virão mais decisões judiciais em favor de outros perseguidos pela CPI, que foram humilhados pelos senadores “estrelas”: Omar Aziz, Randolfe Rodrigues, Renan Calheiros e Otto Alencar.

Todavia, essa direita bolsonarista não tem jeito. Desceu o malho na espevitada deputada Gleisi Hoffmann (PT-PR), presidente nacional do PT, porque Sua Excelência disse o seguinte: “Se tem alguém que tem moral para discutir sobre corrupção, somos nós do PT” (O Globo, 26/08/2021).

Confesso que não entendi a ironia e gozação da direita bolsonarista.

Gleisi Hoffmann fala de cátedra. O PT, quando no poder, passou anos engendrando, discutindo, idealizando e pondo em prática a corrupção e formas de corromper, o que não é nenhuma novidade.

Basta ler o noticiário da época. Basta pesquisar as decisões judiciais, “mensalão do PT”, por exemplo.

Logo, a deputada Gleisi está certíssima.

O PT tem know-how, habilidade e experiência para discutir corrupção. Entende do assunto, como poucos.

Acho que essa direita não tem mesmo o que fazer.

Gleisi Hoffmann cometeu apenas um “sincericídio” e falou a pura verdade.

araujo-costa@uol.com.br

Curaçá e região perdem um filho ilustre

José Pires Belfort (Dedé). Crédito: Kakazinho Duarte

Em 19/11/2021, familiares noticiaram o falecimento de José Pires Belfort (Dedé), cidadão de conduta ilibada e caráter irrepreensível, educado nos moldes da família tradicional sertaneja.

Dedé era filho de Joanna Silvina Belfort e de Agatão Pires Belfort, que constituíram família valorosa e viveram nos domínios do município de Chorrochó, onde ostentavam exemplos de honestidade, respeito e elevado conceito junto a todos da região.   

Da estrutura que compõe o núcleo familiar de Dedé em Chorrochó fazem parte Enok Pires Belfort (falecido), Josaphá Pires Belfort, Maria das Graças Silva Belfort e Leontina Maria de Jesus.

Dedé se casou com a professora Maria Auxiliadora Lima Belfort, de família tradicional de Curaçá. Dodora, como era carinhosamente conhecida, foi professora do conceituado Colégio Municipal Professor Ivo Braga e destaque no meio educacional do município.

Extraordinária figura humana, conheci Dedé na primeira metade da década de 1970 e com ele mantive momentos de convivência e cordialidade, o que muito me honra.   

Nas qualidades de Dedé incluíam-se boa índole, urbanidade e decência.

Dedé deixa bons exemplos de sua vida ilibada, assim como deixaram outras pessoas de seu convívio familiar, a exemplo de Themístocles Duarte Sobrinho (Mica) e Antonio Carlos Duarte (KK).

A história de vida de Dedé é uma saudável simbiose entre a estrutura familiar chorrochoense de Joanna e Agatão e as tradições de Curaçá sustentadas na hombridade de Hermes Duarte Lima.

Pêsames a todos da família de Dedé.

Que Jesus Cristo, redentor do mundo, indique-lhe o caminho certo e Deus o ampare.

araujo-costa@uol.com.br

Post scriptum:

Tendo em vista minha memória já esburacada em razão da passagem do tempo, pedi socorro ao ilustre professor Manoel Belfort, de Chorrochó, com o intuito de robustecer as informações sobre a família de Dedé.

Os louváveis conhecimentos profissionais do professor Manoel Belfort lastreiam-se na UNEB, IFBA e CESVASF. Ele foi sobremaneira prestativo e atencioso ao passar as informações que solicitei no que tange aos nomes da família, o que agradeço enormemente.  


 

Os vergonhosos privilégios dos ex-presidentes da República

Da esquerda para direita: Fernando Henrique, Chefe de Cerimonial do Palácio do Planalto, Dilma Rousseff, Lula, José Sarney e Fernando Collor/Reprodução do Facebook

Só para lembrar, porque os leitores conhecem o assunto sobejamente, são inteligentes e, portanto, não há nenhuma novidade nisto.

Com os impostos que os brasileiros pagam, com ingente sacrifício, cada ex-presidente do Brasil abocanha, mensalmente, à custa dos cofres públicos, os seguintes privilégios:

– 08 assessores comissionados com salários variáveis que beiram R$ 13 mil, para atuarem como segurança, apoio pessoal e assessoramento; 

– 02 veículos de luxo, reluzentes e blindados, da Presidência da República ou cedidos pela montadora Fiat aos ex-presidentes, não se sabe a troco de quê;

– Passagens, muitas passagens, inúmeras passagens, inclusive aéreas, para qualquer destino, nacional ou internacional dos ex-presidentes e seus assessores .

Exemplo: de 08 a 19/11/2021, o ex-presidente Lula da Silva está passeando na Europa e fazendo proselitismo político às nossas custas, conforme Diário Oficial da União de 29/10/2021, que definiu o tamanho dos privilégios e da maracutaia oficial;

– Pagamento de diárias, porque o pressuposto é de que os assessores ficam à disposição permanente dos ex-presidentes;

– Combustível para os veículos (presume-se que o outro tipo de combustível, caros uísques envelhecidos, vinhos e outras bebidas importadas, Suas Excelências compram com seus próprios recursos);

– Manutenção dos veículos em oficinas credenciadas pela presidência da República. Por questão de segurança, não pode ser qualquer oficina;

– Apólices de seguro;

A título de exemplo, dados de janeiro a outubro de 2020, os ex-presidentes do Brasil gastaram adoidadamente, segundo a Secretaria Geral da Presidência da República:

Lula da Silva gastou R$ 790 mil (mesmo quando esteve preso, Lula teve à disposição todas essas mordomias, sem interrupção, embora não necessitasse usar toda essa estrutura);

Dilma Rousseff gastou R$ 781 mil;

Fernando Collor gastou R$ 729 mil;

Michel Temer gastou R$ 687 mil;

Fernando Henrique gastou R$ 686 mil;

José Sarney gastou R$ 591 mil.

Em 04 anos, os ex-presidentes da República do Brasil gastaram aproximadamente R$ 19,6 milhões com despesas pessoais sustentadas pelo contribuinte. Significa dizer, por todos nós, que pagamos impostos.

Com esse dinheiro seria possível construir hospitais, comprar remédios, contratar pessoal e equipamentos para a saúde pública, etc.

Esses privilégios são vitalícios, ou seja, os ex-presidentes os recebem até morrer ou até que tais privilégios sejam extintos, se forem extintos.

Não se tem notícia de que algum presidente da República, num arroubo de humildade, tenha mandado projeto para o Congresso Nacional, com o intuito de abolir esses privilégios, nem o parlamento se dignou a tomar tal iniciativa. Nem vai tomar.

Deputados e senadores devem favores aos ex-presidentes e, lógico, não vão contrariá-los.

Alguns desses ex-presidentes vivem alardeando por aí que querem acabar a fome de milhões de brasileiros.

Lula até insiste em dizer que ele e o PT extinguiram a pobreza no Brasil ou quase toda. Louvável, se não fosse lorota. 

Seria recomendável que Lula da Silva subisse os morros da periferia das grandes cidades e visitasse as humildes famílias espalhadas pelo Brasil, mormente nos estados pobres do Nordeste, inclusive na zona rural, para ver de perto “os ricos” que ele e o PT produziram ou, pelo menos, os pobres que eles “tiraram da pobreza”.

O PT se dispôs, alguma vez, a enviar ao Congresso Nacional projeto de lei destinando aos pobres toda a bufunfa que recebem os ex-presidentes petistas Lula da Silva e Dona Dilma Rousseff?

Dir-se-á que é direito dos ex-presidentes. Correto, mas o direito não os impede que eles façam doações aos mais necessitados.

Crianças carentes, doentes desamparados, hospitais, asilos e entidades que cuidam de pessoas idosas, por exemplo, ficariam agradecidos com a generosa atitude petista.

Ou simplesmente extinguir essa vergonhosa mordomia assegurada a todos os ex-presidentes da República, petistas ou não, esquerdistas ou não, ricos ou não.

Pergunta-se mais: os ex-presidentes magnatas Collor, Sarney, Temer e Fernando Henrique precisam viver eternamente pendurados nas tetas do Brasil?

Sintomático é que o Decreto que ampliou essas mordomias foi editado por Lula da Silva em fevereiro de 2008 (está lá a assinatura dele), certamente para garantir sua “boquinha” quando deixasse o governo. Deu certo. Exatamente o homem que adora dizer que defende os pobres.

Há quem acredite na sinceridade dos homens públicos.

Viva a democracia!

(Legislação que ampara as mordomias: Lei 7.474/86 e Decreto 6.381/2008).

araujo-costa@uol.com.br

Em Patamuté, uma imagem de desolação e desamparo

Igreja de Patamuté/crédito: José Valberto Matos Leite

Nesta quadra do tempo, como dantes, a Igreja Católica Apostólica Romana cada vez mais se mantém distante de seu rebanho.

Mater et Magistra, mãe e professora,  a Igreja Católica vem perdendo fiéis, ao longo dos anos. Assim atestam as estatísticas e as razões estão aí claras, cristalinas, palpáveis: a indiferença em relação aos fiéis.

A Igreja vem se descuidando de seu rebanho e, em razão disto, principalmente, dá-se o êxodo de católicos para outras denominações cristãs, mormente evangélicas.

Isto não significa dizer que a opção por outras religiões seja ruim. Ao contrário, Deus é único e onipresente, mas a Igreja Católica tem-se mostrado incapaz de manter em seu rebanho as pessoas que batizou.

Em consequência, surgem agnósticos, trânsfugas e céticos de toda ordem.

A explicação é simples: o gritante e acentuado distanciamento entre bispos, padres, missionários e dirigentes da Igreja em relação aos distantes rincões que os separam de suas zonas de conforto, as sedes das dioceses e das paróquias.

A escassa participação dos jovens nas atividades paroquiais e, sobretudo, a falta de interesse relativamente ao sacerdócio são, basicamente, falhas sustentadas no imobilismo da Igreja.

Em 15/11/2021, a população de Patamuté sentiu-se estarrecida com este episódio, de todo injustificável: a Igreja não abriu as portas para que parentes e amigos fizessem as derradeiras orações diante do corpo de D. Domingas de Jesus e, portanto, antes do enterro (peço desculpas se o nome não estiver correto).

Ou seja: a Igreja estava fechada e assim se manteve. O féretro não pode entrar, os fiéis não puderam entrar.

Pior: ninguém da igreja local se dignou a informar à família da falecida, aos amigos e circunstantes a razão de tão inexplicável menosprezo e desamparo.

Se, por ordem superior, havia impedimento para abrir a Igreja, razoável que pelo menos se tivesse afixado um aviso na porta ou comunicado a população através das redes sociais tão comuns nos dias de hoje, inclusive em Patamuté.

Moradores de Patamuté dizem que este não é o primeiro caso, mas a população não se vê em condições de entender o descaso ainda, vez que a Igreja costuma abrir as portas para atividades religiosas, inclusive nesse tempo de pandemia.

A Igreja já foi mais presente em Patamuté.

Voltando ao caso do cortejo fúnebre de D. Domingas, a Diocese de Juazeiro e, por extensão, a Paróquia Bom Jesus da Boa Morte e São Benedito, de Curaçá, precisam explicar à população de Patamuté o que de fato impediu a abertura da Igreja. As regras devem ser conhecidas da população e não foram.

Este é o papel da Igreja, dentre outros: o diálogo com seus fiéis. Diálogo permanente e não somente em ocasiões de festividades locais, quando padres e bispo se fazem presentes.

A indiferença, o descaso e a desorganização são incompatíveis com o papel evangelizador da Igreja.

A Diocese e a Paróquia precisam conversar amiúde com a população de Patamuté, definir parâmetros segundo os quais as regras para abertura do templo sejam iguais, quer para celebrações, quer para orações aos fiéis defuntos, em seu interior.

Ou a Igreja abre suas portas para todos indistintamente ou as fecha também para todos.

As exceções são intoleráveis, inadmissíveis, inexplicáveis, injustificáveis.

Se a Igreja não acolhe seus mortos, quem os pode acolher?

araujo-costa@uol.com.br

Post scriptum (para os leitores de Patamuté que não me conhecem):

Fui batizado em junho de 1952 nesta mesma Igreja de Santo Antonio, de Patamuté.

Meus padrinhos de batismo foram Marieta Matos e Osmário Matos Torres, ambos filhos de Otaviano Matos.

Meu padrinho de crisma é Joãozinho Menezes.

Sou católico tradicional e um tanto conservador. Sou do tempo em que padre usava batina e do tempo em que padre não participava de “balada” regada à bebida alcóolica.

Aprendi a admirar grandes nomes do catolicismo de minha época. Conheci D. Thomas Guilherme Murphy, primeiro bispo da Diocese de Juazeiro, D. José Rodrigues de Souza, da Congregação do Santíssimo Redentor e fui amigo pessoal do padre Adolfo Antunes da Silva, que foi vigário da Paróquia de Curaçá. Com ele aprendi muito do que sou. E com D. Rodrigues, uma espécie de meu anjo da guarda.

Beirando a idade septuagenária, não abdico de minhas convicções católicas, mas não abro mão do direito de criticar minha Igreja, quando ela se desvia do seu mister. E como se tem desviado!

araujo-costa@uol.com.br

Teoria dos juízes corruptos.

Quem quiser confirmar esse caso pergunte ao jornalista Juca Kfouri, lulopetista de alto costado, impoluto homem de esquerda, senhor de grande respeito e que está aí vivíssimo da silva, graças a Deus.

Gosto muito dele.

Em 1969, Carlos Knapp, militante de esquerda, com a ajuda de amigos, inclusive de Juca Kfouri, fugiu da feroz ditadura militar e refugiou-se em Montevidéu, no Uruguai.

Às pressas, perseguido pela polícia da ditadura, que estava em seu encalço, embarcou disfarçado num fusca e deixou seu reluzente Mercedes Benz no aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro. Nunca mais viu o carro.

O delegado Sérgio Paranhos Fleury, ícone da repressão na época da ditadura militar, se apropriou do Mercedes de Carlos Knapp e o usou durante dez anos como se dele fosse, até morrer.

Fleury era o chefe do Departamento Estadual de Investigações Criminais (DEIC) de São Paulo e terror da esquerda militante, que lutava contra a ditadura dos generais.

Ou seja: o delegado Fleury cometeu crime de apropriação, assim como fazem magistrados de norte a sul do Brasil.

Só para lembrar aos mais jovens: Sérgio Fleury foi o delegado comandante da emboscada que matou o guerrilheiro comunista Carlos Marighella em 04 de novembro de 1969, na Alameda Casa Branca, em São Paulo.

Quando o leitor se deparar com juiz, desembargador ou ministro de tribunais superiores arrogante e grosseiro, comece a desconfiar. Ele é potencialmente corrupto.

O magistrado corrupto usa a arrogância e a tática do distanciamento para desviar-se do foco, qual seja, sua conduta repreensível e criminosa.

Magistrado decente, que se preza e respeita a nobre função de juiz, não menospreza advogados, réus, investigados, et cetera, por uma razão muito simples: o magistrado é a nobreza em si, a voz e o poder do Estado e, como tal, deve respeitar qualquer um, independentemente de ser ou não acusado. Aí está sua tão exigida imparcialidade. Aí está sua humildade.

É a lei que assim dá o parâmetro, nada mais do que a lei.

Há inúmeros casos de juízes, desembargadores e ministros de tribunais, que saem por aí atropelando a Constituição e decretando prisões atabalhoadamente, como se fosse o suprassumo da honestidade e o pedestal da intocabilidade.

Conheci um juiz em São Bernardo do Campo, em São Paulo, que certa vez me deixou esperando praticamente uma tarde inteira para colher seu despacho num processo cautelar e, portanto, urgente.

Simplesmente com o intuito de me deixar esperando. Não havia outra razão. Estava em seu gabinete, acompanhado de um auxiliar. Soube depois, que Sua Excelência se ocupava naquela tarde de fazer jogo da loteria esportiva durante o expediente.

Portanto, segundo a acanhada inteligência daquele juiz, dane-se o advogado e dane-se quem, naquele momento, dependia da Justiça. A urgência era apenas um detalhe.

Esse juiz foi condenado e preso, por extorsão. Ele extorquiu 177 vezes, no exercício da função de juiz. Cometeu 177 vezes o crime de extorsão. Pedia dinheiro para decidir a favor de quem lhe atulhava os bolsos.

Esse mesmo juiz, depois de preso, por muito tempo, ainda continuou a ganhar R$ 52 mil, a título de aposentadoria, paga pelo contribuinte, mas o Tribunal de Justiça de São Paulo, diante da aberração e pressão da sociedade, acabou destituindo-o do cargo de juiz.

De outra feita, um juiz de São Caetano do Sul, também em São Paulo, não me atendeu porque, apesar de estar de paletó, eu não usava gravata. O caso era de extrema urgência e não havia tempo de preocupar-me com gravata.  

Quase fui preso por desacato. Protestei e disse que o direito do meu cliente não estava na gravata que eu deveria usar, mas na lei que eu estava invocando.

Não faz muito tempo, no Rio de Janeiro, um juiz que adorava holofotes, foi condenado à prisão, por apropriar-se de um Porsche do empresário Eike Batista.

O juiz havia apreendido o veículo de luxo em processo que deveria julgar, mas passou a usá-lo como se fosse dele.

Ficaria aqui, horas, citando casos de magistrados arrogantes e corruptos. Dá para compor uma triste e constrangedora enciclopédia.

Não vou cansar o leitor.

Qualquer semelhança com magistrados que estão por aí, diariamente diante dos holofotes e pisando na lei, é mera coincidência.

A sociedade precisa deixar de se apequenar e vigiar nossas autoridades, inclusive magistrados, que se acham intocáveis.

A lei vale para todos, inclusive para os magistrados.

araujo-costa@uol.com.br

Política: só a educação pode nos salvar

Um país que vê o ex-juiz Sérgio Moro como salvador da Pátria carece urgentemente de educação para ajustar os parafusos do discernimento político.

Urge que o Brasil construa escolas, forme e habilite professores para abrirem as mentes das gerações que estão chegando e clareie a escuridão que nos assusta e pode nos levar ao precipício, ao abismo, ao despenhadeiro.

O Brasil precisa estruturar as mentalidades, estimular a inteligência, extirpar a cegueira política e desanuviar nossa capacidade na hora do comparecimento soberano às urnas.

As gerações passadas e as atuais sucumbiram à ignorância política e à bajulação aos políticos poderosos.

O Brasil aumentou a pobreza e seus miseráveis, dizimou a esperança dos mais necessitados.

O Brasil criou uma casta de privilegiados e enalteceu os imbecis, os pusilânimes, os idiotas, os larápios.

Um sujeito que conspurcou o Poder Judiciário e enxovalhou a nobilíssima função de juiz não pode sequer ser idealizado como possível candidato a presidente da República.

Contudo, num País que tem Bolsonaro como presidente e eleva ao pedestal ex-mandatários corruptos, tudo é possível, inclusive achar Sérgio Moro um sujeito intelectualmente honesto, capaz e decente.

Estamos numa quadra do tempo em que, na descida, as pedras rolam para cima, em sentido contrário.

Mas viva a democracia!

Ela ainda é o melhor caminho possível.

araujo-costa@uol.com.br

Sérgio Moro e a trajetória dos covardes

Penitenciária de Salvador, março de 1944.

O jornalista sergipano Joel Silveira, dos Diários Associados, conhecido como a “víbora da reportagem”, foi até lá e entrevistou alguns “cabras” de Lampião, que estavam presos, dentre eles Ângelo Roque, Saracura, Cacheado e Volta Seca.

Volta Seca, o mais petulante, que chegou a enfrentar o chefe Lampião, segundo registro da história, preparou-se para a entrevista.

Joel Silveira perguntou:

– Lampião era valente?

Volta Seca respondeu:

– Homem, não sei. Rodeado de amigos bem armados e dispostos, todo mundo é valente. Nunca vi ele brigar sozinho. Lampião só andava rodeado e assim qualquer trabalho é fácil.

Há 36 anos, Joel Silveira relatou a entrevista em Tempo de Contar, José Olympio Editora, Rio de Janeiro, 1985.

O ex-juiz federal Sérgio Moro vivia rodeado de uma gigantesca estrutura pessoal e jurídica, dentre dezenas de serventuários, seguranças, informantes, jornalistas e poder, muito poder.

Ostentava a judicatura, a arrogância e a caneta e, nesta condição, Sérgio Moro fez miséria e levou o terror até muitos, sem critérios plausíveis de julgador pago pelos contribuintes para fazer justiça.

Perseguiu réus, investigados, advogados, empresários, decretou a prisão de mais de uma centena de criminosos ou supostos criminosos, mandou executar conduções coercitivas ilegais e mais um amontoado de disparates.

Sérgio Moro fez conluio com algumas conhecidas figuras do Ministério Público, de modo que meteu os pés pelas mãos e acabou cometendo muitas e reiteradas injustiças. Pior: presume-se que fez tudo isto de propósito, ciente de que estava proferindo decisões processuais contrárias à lei e de olho em seu futuro.

Agora Sérgio Moro está do outro lado, do lado das pessoas comuns, do lado dos mortais, espectador da realidade, como todos nós.

Para piorar, Sérgio Moro caiu em desgraça no Supremo Tribunal Federal (STF), que o declarou incompetente e suspeito para conhecer e julgar alguns processos. Levou bordoadas doídas até de ministros que antes lhe apoiavam.

Sérgio Moro não dispõe mais do poder da jurisdição, que não soube usar, não tem mais caneta, não é mais rodeado de toda a estrutura do Poder Judiciário Federal para, através dela, cometer insanidades em nome da Justiça.

Mais: Sérgio Moro caiu em desgraça de deputados, senadores, bolsonaristas, lulopetistas, de grande parte da esquerda que endeusa Lula da Silva e de outra parte considerável da direita que enaltece Bolsonaro.

O portal UOL de 10/11/2021 diz que Sérgio Moro, por ser “muito cru”, vai frequentar aulas de oratória e fonoaudiologia com o intuito de enfrentar os debates com os demais candidatos.

É compreensível. Sérgio Moro não sabe falar.

Sérgio Moro sonhava em ser ministro do Supremo Tribunal Federal. Como não deu certo com o presidente Bolsonaro, acertou-lhe um coice traidor e saiu do governo.

Agora, Sérgio Moro quer ser presidente da República ou, na pior hipótese, pretende apoiar um candidato que, ganhando a presidência, prometa indicá-lo para o Supremo Tribunal Federal.

O ex-procurador Deltan Dallagnol, cúmplice de Sérgio Moro, em data recente deixou o Ministério Público para, à semelhança do ex-juiz, entrar na política e, possivelmente, manter a nebulosa parceria entre ambos.

A atuação atabalhoada de Deltan Dallagnol na Lava Jato, ao lado de Sérgio Moro, rendeu-lhe alguns processos disciplinares e acentuado desprestígio diante da instituição Ministério Público.

Sérgio Moro seguiu a trajetória dos covardes. Quer realizar seu sonho pisando no ombro de centenas de pessoas que perseguiu enquanto juiz federal, em nome da Justiça.

A teoria do cangaceiro Volta Seca se encaixa como uma luva no caráter duvidoso de Sérgio Moro.

araujo-costa@uol.com.br  

Curaçá de lembranças e boemias

Prefeitura de Curaçá/Foto retirada do Google.

Curaçá é um município encravado no sertão da Bahia.

A sede, constituída de casas baixas, debruça-se à margem direita do São Francisco e ostenta uma beleza encantadora, por conta das paisagens e tradições nascidas em torno do rio, sua história e sua gente. Terra de marujos e ribeirinhos espirituosos.

Cidade antiga e admirada por seus filhos, aos quais me incluo, Curaçá traduz um clima cultural que seus antepassados foram sedimentando e perenizando ao longo dos anos.

Curaçá inspira, traduz paz, ternura, alegria.

O crepúsculo em Curaçá é encantador.

Como toda cidade que se preza, Curaçá também teve seus boêmios, como os tem até hoje. Um deles, José Amâncio Filho (“Meu Mano”), nascido ao apagar das luzes do século XIX, suas músicas ainda frequentam a boemia curaçaense.

Outro boêmio mais contemporâneo e sedutor era Zito Torres, inteligente e incorrigível.

Já escrevi noutra ocasião, em algum lugar, que Zito merece um monumento à cordialidade. Era gentil, humilde, atencioso, amigo, cordial.  Zito fazia da vida um turbilhão de bondade e decência.

Havia um imóvel no chamado centro histórico de Curaçá, onde se lia no frontispício, talhadas com esmero, as palavras Luar do Sertão. Não sei se ainda estão lá o imóvel e as letras. Se não continuam lá, é porque extirparam um pouco da história do município, coisa comum nos dias de hoje, em qualquer lugar.

O nome deve ter sido inspirado no clássico Luar do Sertão, do maranhense Catulo da Paixão Cearense, que um colega meu dos tempos da faculdade insistia em dizer que era cearense. Nunca consegui convencê-lo de que Catulo era natural do Maranhão. Hoje acho que era gozação dele.

Composta em 1914, a música alcançou e já ultrapassou cem anos e ainda hoje continua sendo cantada por jovens e velhos.

Catulo sustentava ser o autor de Luar do Sertão, mas a história registra uma controvérsia: o autor seria João Pernambuco, contemporâneo de Catulo.

Em Curaçá vivi parte de minha fase de jovem irrequieto, às vezes afoito com as coisas da vida, outras tantas dedicadas à reflexão e à boêmia, nas horas vagas.

Agora vêm as lembranças que invadem os dias e me trazem a saudade do romantismo daquele tempo, diverso das vicissitudes de hoje. Coisas da idade.

O mundo daquela juventude era a própria juventude. A única droga possível era a bebida alcoólica vigiada pelos pais que nos repreendiam.

O parâmetro que balizava a nossa mocidade era o respeito aos mais velhos e o desejo de ser correto perante a sociedade. Os professores eram nossos melhores exemplos.

Os sonhos eram claros, claríssimos: crescer intelectualmente para a vida, ser irrepreensível em sociedade.

Mais: nunca perder de vista que “a felicidade é o devotamento a um sonho ou a um dever”, nas lições do pensador francês Ernest Renan (1823-1892). 

Guardo nas páginas da lembrança alguns amigos daquele tempo. São tantos! Foram tantos!

Um deles, Wilson José Soares Ferreira. Muito jovem, lembro-o cantando “Último desejo”, de Noel Rosa e “Como vai você”, de Antonio Marcos, gravada por Roberto Carlos. Eu o admirava pela obediência que devotava aos seus pais, José Ferreira Só (Zé de Roque) e D. Elita Soares.

Zé de Roque e D. Elita constituíram uma das famílias mais admiráveis de Curaçá. Zé de Roque era simpático, solícito, carismático, compreensivo. D. Elisa era a sapiência, o exemplo de humildade.

O tempo passou. Passaram-se décadas.

Há algum tempo estive em Curaçá, em viagem de urgência, um tanto incógnito, porque a situação exigia e vi, intacta, a boemia em suas calçadas, nos bares por onde andei e, sobretudo, na firmeza de sua cultura. 

Detive-me, por algum tempo, em frente à antiga SCAB (Sociedade Curaçaense, Artística e Beneficente) e Rua Coronel Pombinho. Lembranças caudalosas me impulsionaram de volta à mocidade. Revisitei, em memória, Astério Xavier, Adelson Xavier, Maria Roselita e o Curaçá Hotel. 

Dei um abraço de saudade na memória de Edvaldo Araújo (amigo de constantes e contínuas farras) e Maria Almeida Araújo (D.Nenzinha), acumpliciei-me com Maria de Lourdes Lopes (Maria de Fortunato), recordei as intermináveis conversas com Herval Francisco Félix e deixei outros amigos para a próxima visita.

Do alto de minha insignificância, que não é coisa pouca, ninguém me viu transitando pelas ruas de Curaçá, ninguém me reconheceu.

Retirei-me de volta e trouxe comigo a saudade do tempo, dos amigos, do lugar.
 

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Omar “Babá” Torres e as Raízes do Cangaço

Omar Dias Torres/foto Brasil de Fato, Petrolina.

Raízes do Cangaço é um alentado livro de 360 páginas lançado por ocasião dos 83 anos do episódio de julho de 1938, em Angicos, Sergipe, que dizimou Lampião e alguns dos seus leais cangaceiros.

O autor é o jornalista e escritor Humberto Mesquita, abalizado conhecedor do assunto e cauteloso pesquisador.

O prefácio honra-nos a todos nós, filhos de Curaçá. É da lavra de Omar “Babá” Torres, que contribuiu decisivamente com as pesquisas e tem, por isto, valiosa participação no conteúdo da obra.

O cerne do livro tem como fundo as desigualdades sociais no sertão nordestino e o protagonismo e domínio dos poderosos coronéis de então. Aí – parece – estão as raízes do cangaço, tal como entendem o autor e o prefaciador.

Omar Torres diz que “o sertão nordestino é um mundo profundamente complexo e intenso, talvez por isso, fascinante e sedutor”.

O prefácio acrescenta que “as sofridas relações do homem com a natureza, a aridez das caatingas, a tristeza das secas, as alegrias das chuvas, a sólida estrutura de um poder perverso e opressor, a passividade de alguns e a violenta reação de outros, são exemplos das intensas contradições” por que vem passando o Nordeste, mais ainda, à época do cangaço.

Omar Torres estende-se para acentuar que “o autor atravessou caatingas fechadas, trilhou veredas e caminhos de uma história e de um tempo que ainda não acabou”.

O prefácio é enriquecedor e, mais do que isto, sintetiza o retrato de uma época de violência que, de resto, faz-se presente em nossos rincões nordestinos, embora em circunstâncias outras.

Na larga visão de Omar Torres, “Raízes do Cangaço nos traz o conhecimento e a compreensão de como se formou e se estruturou um poder que parece arcaico, distante e ultrapassado, porque assentado ao longo de séculos sobre a violência, a opressão e a concentração, mas também, e esse é um dos seus grandes méritos, não nos permite esquecer que essa estrutura se transforma, moderniza e sobrevive”.

Forças policiais, também chamadas volantes, cangaceiros, coronéis e coiteiros povoam sobremaneira a obra.  Esses elementos sustentaram o cangaço e com ele o medo e a violência nos sertões.

As raízes do cangaço repousam, segundo o autor, na “ação nefasta dos colonizadores que quiseram escravizar silvícolas e negros africanos”.

As desigualdades sociais teriam nascido dessa ganância, mormente para lastrear os latifúndios e viriam desembocar, mais tarde, no cangaço.

Voltando ao prefácio, Omar “Babá” Torres encerra-o dizendo: “E nós, os velhos catingueiros, continuamos aprendendo e nos conscientizando de que é importante sabermos ser enganados pela vida, convencidos de que mais vale uma esperança tarde do que um desengano cedo”.

Crédito Lampião Acesso

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