Rachadinhas e delinquentes

“A ocasião apenas o revela. O ladrão já nasce feito” (Machado de Assis, escritor, 1839-1908)

Nordestinos espirituosos diziam que “prostituta e político ruim têm sempre que mudar de zona”.

A diferença é que o caráter da prostituta é infinitamente melhor em relação aos políticos, excetuados alguns políticos, poucos políticos. Evidentemente que sempre há.

Generalizar não é de todo justo, nem de bom tom, tampouco exercício razoável da inteligência.

Há políticos sonhadores, utópicos, de boa vontade, ingenuamente esperançosos de mudar os rumos do País e o norte da vida política nacional.

A imprensa noticiou que 42 dos 70 deputados estaduais do Rio de Janeiro de diversos partidos estão envolvidos com as chamadas rachadinhas, prática segunda a qual o político se apropria de parte dos salários dos funcionários que contratou.

Há até casos de funcionários fantasmas, que recebem o salário e nunca moveram sequer uma palha em benefício do serviço público.

Como se vê, a Assembleia Legislativa fluminense está infestada de desonestos. Esses deputados estão sendo investigados pelo Ministério Público de lá.

O Tribunal Superior Eleitoral classifica a prática como “clara e ostensiva modalidade de corrupção”, o que de fato é.

Mais do que isto, a prática é crime de peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Um dos acusados é o senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ) que, segundo consta no noticiário, quando deputado estadual era useiro e vezeiro da prática de rachadinhas, assim como seu irmão Carlos Bolsonaro (Republicanos), atual vereador carioca, filhos do presidente da República.

Ambos já mudaram de zona. O senador Flávio mora em Brasília, por ser senador e o irmão Carlos continua no Rio de Janeiro, mas fica mais na capital da República, em razão da proximidade com o pai presidente.

Todavia, é preciso esclarecer que a rachadinha é uma prática comum em assembleias legislativas, câmaras municipais e Congresso Nacional, segundo noticia-se com frequência.

Em data recente uma ex-vereadora de São Paulo foi condenada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pelo uso da rachadinha.

A condenação, quando há, implica em cassação do registro e inelegibilidade do político embusteiro, além dos reflexos na esfera penal.

O boquirroto Ciro Gomes diz que o hoje presidente Jair Bolsonaro se beneficiava da rachadinha quando deputado federal. Mas o que Ciro Gomes diz não é lá de se levar muito a sério.

Um sujeito que vivia pendurado nos quibas de Lula, foi até seu ministro e hoje tem como predileção falar mal do ex-presidente é ingrato e leviano, para dizer o mínimo.

Os Bolsonaros citados estão no bico do corvo e frequentam diariamente as páginas policiais, porque são filhos do presidente da República e isto lhes expõe ao massacre da mídia, que silencia quanto aos demais políticos cariocas e não cariocas que se utilizam das rachadinhas.

Os filhos de Lula da Silva também foram expostos e massacrados pela imprensa, embora por outras razões, simplesmente por serem filhos de Lula.

Mudam-se os governos e a imprensa esquece o que disse e vai baixar no terreiro do próximo que estiver no poder, em busca de audiência, exceto  quando beneficiada com publicidade oficial.

A publicidade oficial cala a boca dos magnatas das comunicações. Quando o governo de plantão suprime a boca do cofre oficial dos grandes órgãos de comunicação, estes se transformam em oposição e partem para o massacre diário, nem sempre razoável.

Quanto às rachadinhas, na verdade existe um parasitismo dos políticos delinquentes que rapinam os cofres públicos sob o manto da impunidade.

araujo-costa@uol.com.br

O triplex de Lula que não é de Lula

A coluna Radar, da revista Veja, publicou em 15/09/2021, que a defesa do ex-presidente Lula da Silva ajuizou pedido de execução provisória contra a construtora OAS, de Léo Pinheiro, para que a empresa devolva R$ 662.473,32 referente a aquisição do famoso triplex do Guarujá.

A Veja mostrou parte do pedido formulado pelo advogado de Lula que, em resumo, diz o seguinte:

“Requer-se seja dado início à execução provisória da sentença, com a intimação da ré OAS, na pessoa de seus advogados constituídos, para que pague o valor atualizado da condenação, que em setembro de 2021 é de R$ 662.473.32 (seiscentos e sessenta e dois mil, quatrocentos e setenta e três reais e trinta e dois centavos), conforme cálculo descritivos anexos, sob pena da aplicação de multa de dez por cento e, também, de honorários de advogado de dez por cento”.

Ato contínuo, surgiram dúvidas compreensíveis de mortais comuns e até com razão: Lula sempre disse que o triplex não é dele, nunca foi dele. Como quer o dinheiro que pagou de volta?

O caso é juridicamente intrincado, mas não o é, na prática. Juridicamente o triplex não é de Lula, mas no mundo real é.

O triplex sempre foi de Lula. Ele comprou e pagou. Nunca negou que tivesse pago por ele, embora negasse que o triplex fosse dele.

O triplex é de Lula, mas não é de Lula.

O que Lula sempre negou foi que as reformas feitas no triplex pela Construtora OAS tenham sido feitas a pedido dele, embora feitas no triplex dele, que não é dele.

Ou seja: O triplex é de Lula, mas o elevador que ele colocou lá, a sofisticada cozinha projetada, a piscina e as reformas não são dele, nunca foram dele, mesmo tendo sido feitas e instaladas no triplex dele, que não é dele.

Há uma foto/imagem que circulou exaustivamente na imprensa em que aparecem Léo Pinheiro e Lula no triplex, mas deve ser fantasma. Fantasmas aparecem.

O que Léo Pinheiro e Lula teriam para conversar no triplex de Lula, que não é de Lula?

Antes que alguém se atreva a dizer que o triplex e as reformas são tudo de Lula, alto lá. Cuidado, muito cuidado. O Supremo Tribunal Federal já disse que não.

E, portanto, não podemos contrariar ou discordar do elevado saber jurídico e da ilibada reputação de Suas Excelências os ministros do STF.

Lula tem amigos fidelíssimos no Supremo Tribunal Federal, mas isto não tem nada a ver com o triplex de Lula, que não é de Lula.  

Não é crime ter amigos no STF que, numa eventualidade, decidem a nosso favor. Crime é cometer o crime que o STF absolve e que, evidentemente, não é o caso de Lula.

Os mais velhos lá nas caatingas do meu Nordeste diziam que “mais vale um amigo na praça do que dinheiro no caixa”. Mas isto não tem nada a ver com Lula e os ministros amigos de Lula, nem com o triplex do Guarujá.

Lula pagou o triplex, fez reformas no triplex, mobiliou o triplex, visitou o triplex com Léo Pinheiro, dono da construtora que mandou fazer as reformas no triplex, mas não é dono do triplex. E quer o dinheiro que pagou pelo triplex, que não é dele.

Mas, para os leigos, ouso ponderar: eles não precisam consultar os compêndios de Direito, nem os filósofos pré-socráticos. Basta consultarem os ministros do Supremo Tribunal Federal que eles explicam tim-tim por tim-tim que o triplex de Lula não é de Lula.

Esse triplex do Lula, que não é de Lula, ainda faz um barulho danado.

Nunca vai sair do imaginário popular.

araujo-costa@uol.com.br

Saudade em tempo de primavera.           

Borboleteava entre bares, desde o cair da noite, até o amanhecer do dia seguinte.

Boêmio, simpático, espirituoso, culto, inteligente. Boa pinta, extrovertido, respeitador.

Quando cumprimentava uma mulher, nova ou adiantada em anos, fazia um salamaleque qualquer e, por fim, beijava-lhe a mão, cerimoniosamente.

Tinha um estranho hábito: telefonar para a casa dos amigos, madrugada afora, etilicamente calibrado, dando sustos desesperadores. Naquele tempo não existia telefone celular.

Acreditem os jovens leitores. Sou do tempo em que não existia telefone celular.

Convenhamos, não fica bem telefonar para a casa dos outros na madrugada, exceto para tratar de assuntos urgentes e inadiáveis, como, por exemplo, noticiar a inesperada visita da morte a algum amigo ou conhecido.

Mas ele telefonava, sem constrangimento. Alongava-se em bate-papo e misturava alhos com bugalhos à vontade como se fosse a coisa mais normal do mundo ou uma conversa ao claro do dia.

Advogado de sucesso, não precisava ganhar o pão com o exercício da profissão porque, segundo ele, o “pai deixou alguns réis” que davam para comprar um destilador de uísque para abastecer-lhe até o fim da vida. E “morrer bêbado”, acrescentava com alegre desenvoltura. 

Feriado prolongado, telefonou agitado, coisa que só amigo faz, só amigo tem a liberdade de fazer:

– Preciso de uma garrafa de uísque, urgente. Os bares estão fechados e não vou ficar sem beber.

– E eu com isso? Procure nos supermercados, disse-lhe.

– Eu não quero uísque de supermercado, quero de sua casa, para me ajudar a beber.

Logo entendi. Queria a companhia, como sempre. O uísque era desculpa.

Era assim, meu amigo. Bom amigo, grande amigo, difícil nos dias de hoje. Seguiu o caminho para a distância, obedeceu à morte. Deixou as marcas da saudade.

Eu costumava recitar pra ele o verso de José Amâncio Filho, “Meu Mano do Abaré”, ícone das serestas baianas de Curaçá das primeiras décadas do século XX.

“Vivo hoje satisfeito

Gordo, sadio e forte

De nada tenho receio

Não temo nem mesmo a morte

E ainda tem gente que diz

Que cachorro não tem sorte”.

Mas o que ele gostava mesmo era dessa tirada de “Meu Mano”:

“Bebe hoje todo mundo

Branco, preto, pobre e rico

Isto vem de longa data

E eu sem beber não fico”

Dava gostosas gargalhadas.

Deixemos que o inverno se vá. Esperemos a primavera, que se aproxima. Ainda há flores, sempre haverá flores.

Ainda há sorrisos, sempre haverá sorrisos.  

Sempre haverá lembrança dos amigos.

araujo-costa@uol.com.br

Em Curaçá falta esperança.

Os Programas de Aceleração do Crescimento, os chamados PACs, estiveram em evidência nos governos petistas de Lula da Silva e D. Dilma Rousseff e se transformaram numa espécie de carro-chefe daqueles governos.

Esses programas devem ter acelerado alguma coisa, sim.

Em Curaçá, na região do Submédio São Francisco, à época desses programas tocados pelo governo federal, o município foi beneficiado, salvo engano, com algumas retroescavadeiras que se destinavam à agricultura local e familiar, inclusive limpeza e formação de aguadas.

Tudo bem, tudo muito direito.

Por outro lado, a Secretaria de Desenvolvimento Agrário (SDA) da Bahia desenvolve um projeto chamado PROMER (Projeto de Mecanização Rural) que é executado pela Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR) e consiste dito projeto em fazer convênios com as prefeituras baianas no sentido de beneficiar famílias no preparo de solo e limpeza de aguadas, com claros reflexos na agricultura familiar.

É uma forma eficiente de assistência ao homem do campo que, convenhamos, torna-se valiosa e necessária.

Tudo bem, tudo muito direito.

Não obstante isto ou tudo isto, sabe-se que em Curaçá pequenos proprietários rurais vinham reclamando com a falta de assistência da Prefeitura no sentido de fazer chegar esses benefícios a alguns deles.

No caso do PROMER cabe à Prefeitura, através de seus órgãos competentes, informar o governo estadual sobre cadastros, prioridades de inscrições e demanda do município.

Parece aí haver a falha ou isto não está sendo razoavelmente explicado à população, inclusive no que tange a eventuais convênios.

O exercício da função pública exige transparência, o que pressupõe, em última análise, que o munícipe não deve ser engambelado com conversas de cerca-lourenço.  

Este  blog recebeu informação de que na região de Patamuté, por exemplo, há gritante falta de atenção da Prefeitura relativamente a alguns pequenos proprietários rurais, mormente no que tange à limpeza de aguadas, de resto sustentada por esses programas que, a rigor, ajudam o município a cuidar de sua população rural.

E aqui não se discute se esses equipamentos chegaram ao município através de PAC, emendas parlamentares ou outro caminho qualquer e, menos ainda, partidos ou políticos aliados ou não ao prefeito.

Discute-se a eficiência em utilizá-los, inclusive a manutenção permanente e necessária.  

Houve um caso em Patamuté em que o pequeno agricultor solicitou os serviços de uma máquina para limpar pequena aguada em sua diminuta propriedade,porque, segundo ele, achava que tinha direito.

Ledo engano. Direito ele pode ter. Difícil é exercê-lo.

“Cansei de pedir” – diz o desesperançado agricultor.

“Uma hora dizem que a máquina está quebrada, outra que não tem combustível, que vão entrar em contato e por aí vai”, acrescentou o abandonado homem do campo.

Mas o que parece mais grave é a Prefeitura nunca agendar o serviço desse agricultor, apesar de suas constantes solicitações.

A Prefeitura deixa o coitado a ver navios, o que chega a ser uma crueldade, porque nem navios há por lá.

Por mera curiosidade, perguntei ao abandonado lavrador da caatinga de Patamuté, se ele tinha votado no atual prefeito de Curaçá.

Disse que sim. “Até gostava desse camarada”, disse ele.

Ousei dar-lhe uma sugestão:

– Então, não espere a máquina. Ela nunca vai fazer seu serviço, nem lhe socorrer nesse momento de extrema necessidade. Espere as urnas das próximas eleições e vote contra o prefeito, contra o candidato do prefeito, contra o vereador do prefeito.

Em Curaçá está faltando esperança.

araujo-costa@uol.com.br

Dória e Bolsonaro: os ruins se atraem

Não sei exatamente se é um princípio de Física ou de Psicologia ou de nenhuma dessas ciências, mas o fato é que li nalgum lugar, que os opostos se atraem.

Já se vão distantes minhas aulas ginasiais. A memória tropeça, claudica, me envergonha.

Mas –  parece – cientificamente os opostos não se atraem ou ainda são objetos de discussão, o que aqui não interessa.

À semelhança do que dizia o escritor e jornalista baiano Raimundo Reis, do antigo município de Santo Antonio da Glória, não sou filósofo para querer saber a origem das coisas.

A Folha de S. Paulo, que num dia fala mal do presidente Bolsonaro e no outro também, ao tempo em que elogia desbragadamente o governador paulista João Dória (PSDB), teve que se curvar à ultima pesquisa do seu instituto DataFolha e admitir que tanto Bolsonaro quanto João Dória estão empatados no quesito aprovação de seus governos (24%),embora desta vez a pesquisa não tenha incluído Bolsonaro na sondagem.  

A reprovação a João Dória, segundo o DataFolha está na casa de 38%, entre ruim e péssima.

Isto significa dizer que, se estão tecnicamente empatados na aprovação, presume-se que ambos  – Bolsonaro e João Dória – colecionam reprovação idêntica, considerando que a nota média de aprovação do governador de São Paulo situa-se no patamar de 4,7%.  

Logo, no quesito ruindade, Bolsonaro e João Dória se equivalem.

João Dória patina no interior de São Paulo, onde quase ninguém gosta dele, com ligeira melhora na região metropolitana e Bolsonaro escorrega em todo o Brasil.

Mesmo que cientificamente os opostos não se acheguem, politicamente é provável que sim. Inegável, talvez.

Em certas ocasiões, os ruins também se atraem.

Nas eleições de 2018, João Dória se pavoneou, como ainda hoje o faz e até inventou um slogan “Bolsodória” que estampou em camisetas e demais propaganda política para significar que ele e Bolsonaro estavam juntos. E estavam.

João Dória se elegeu governador na esteira do prestígio que até então Bolsonaro gozava eleitoralmente.

Eleito, arrogante e traidor, João Dória depois virou-lhe as costas, o que não é, propriamente, sinal de bom caráter.  

João Dória vai disputar as prévias do PSDB com outras figuras conhecidas do partido. Mais forte é o governador Eduardo Leite (PSDB), do Rio Grande do Sul.

Mas João Dória tem chances de ganhar as prévias, em razão do peso político de São Paulo e de suas constantes e frequentes viagens por todo o Brasil, cujos jatinhos e outros regabofes até agora ele não disse quem paga.

De qualquer modo, hoje Dória e Bolsonaro situam-se em patamares iguais.

Embora se digam opostos, são politicamente ruins e isto os aproximou.

araujo-costa@uol.com.br  

Bahia: sim, somos pobres

Lula da Silva ainda diz, a cada discurso que faz, que os governos do PT exterminaram a pobreza no Brasil ou chegaram perto disto.

Entretanto, Lula se esqueceu de avisar essa façanha aos governadores da Bahia, Jaques Wagner (2007 a 2014) e Rui Costa (atual, a partir de 2015).

Dados do IBGE atestam que desde 2016 a situação da Bahia não se alterou, de modo que “em 2019, o 2º maior número absoluto de pobres, com 6 milhões de pessoas e o maior número de extremamente pobres do país, que totalizava 1,853 milhão” estavam na Bahia.

“Segundo a pesquisa, em 2019, quatro em cada 10 moradores do estado estavam abaixo da linha da pobreza monetária, com renda domiciliar per capita menor que R$ 428”.

“Além disso, pouco mais de 1 em cada 10 estava abaixo da linha de extrema pobreza, com renda domiciliar per capita menor que R$ 148.” (G1 Bahia, 12/11/2020).

O Jornal A Tarde, de Salvador, vai na mesma linha, sustentado em dados do IBGE e, portanto, inquestionáveis:

“Este é o maior índice registrado em todo Brasil, dando ao estado o segundo maior número absoluto de pobres (6,006 milhões de pessoas) e o maior de extremamente pobres do país (1,853 milhão)”.

“Além de terem de sobreviver com um rendimento domiciliar per capita muito baixo, quem vive abaixo da linha de pobreza está muito mais sujeito que a população em geral a enfrentar restrições importantes, sobretudo no que diz respeito aos serviços de saneamento básico, à educação e ao acesso à Internet.” (A Tarde, 12/11/2020).

Não é só Lula da Silva que conta lorotas.

A deputada Fátima Nunes (PT), lá das bandas de Paripiranga, que se vangloria de ter mais de 40 anos de militância política, petista de primeira hora e, por óbvio, aliada dos governos petistas, disse há algum tempo, num discurso sem noção, que o “PT tirou a lata d’água da cabeça das mulheres”. 

A deputada, que começou sua militância política nas comunidades eclesiais de base da Igreja Católica, precisa andar mais pelo interior do Brasil. Ela está sonhando muito.

É caso de sugerir à deputada que frequente menos o Corredor da Vitória, em Salvador, abandone o conforto do asfalto e faça um roteiro turístico pelas caatingas do sertão, em esburacadas estradas de terra.

Para facilitar o roteiro da deputada, sugiro que passe alguns dias visitando as pequenas fazendas, roças e sítios, as casas de taipa que ainda são realidade e talvez ela não lembre mais, as pedras e os buracos dos caminhos.

Certamente ela encontrará mulheres com “lata d’água na cabeça” e até angarie alguns votos para continuar sustentando sua demagogia.      

Em 2015, salvo engano, os diretórios estaduais do PT lançaram um manifesto que dizia textualmente:

“Condenam-nos não por nossos erros, que certamente ocorrem numa organização que reúne milhares de filiados. Perseguem-nos pelas nossas virtudes. Não suportam que o PT, em tão pouco tempo, tenha retirado da miséria extrema 36 milhões de brasileiros e brasileiras.”

Os diretórios petistas não disseram no manifesto quem os condenava, quem os perseguia e tampouco quem não os suportava, mas apresentaram a fatura do suposto sucesso, segundo eles: a retirada de 36 milhões da pobreza.

Em 18/12/2017 a revista Veja publicou: “O IBGE achou os milhões de pobres que Lula e Dilma esconderam. O IBGE constatou que em 2016, quando o PT foi despejado do poder, 52 milhões de brasileiros viviam abaixo da linha da pobreza.”

O PT continua governando a Bahia e, parece, com seguras chances de continuar com as rédeas do estado, a partir de janeiro de 2023, se o cenário não mudar e é difícil mudar.

Superam 70% os admiradores do PT na Bahia. Nesta última década a democracia na Bahia não significou mudança, optou pela mesmice, o que quer dizer que os baianos estão satisfeitos com o governo que têm. E isto é democrático.

O retrovisor da Bahia só mostra o PT, nada além do PT.

A Bahia é um feudo do PT. Seus servos, em sua maioria, reverenciam o domínio petista e se embalam ao vento do conformismo.

Mas o PT baiano deve ler bem essa receita de Lula, para ver se tem algum ingrediente que possa ser mudado, porque a receita dele não deu certo, pelo menos na Bahia, segundo os números do IBGE.

Lula diz que tirou os miseráveis da extrema pobreza, mas eles continuam pobres ou extremamente pobres como dantes, donde se depreende que os número alardeados pelo ex-presidente beiram a ficção. 

A Bahia é o retrato disto, segundo o IBGE.

Somos pobres, sim. O resto é lorota de Lula e do PT.

araujo-costa@uol.com.br

Os caras de pau da CPI da Pandemia

“Brasil de ontem e de amanhã! Dai-nos o de hoje, que nos falta” (Ruy Barbosa, 1849-1923).

Omar Aziz (PSD-AM), presidente da CPI:

Omar Aziz / foto Congresso em Foco.

Omar Aziz responde a inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) por “crimes praticados contra a administração em geral, emprego irregular de verbas ou rendas públicas”. Noutras palavras: desvio de recursos da saúde, quando governador do Amazonas. 

Três pessoas do núcleo familiar de Omar Aziz foram presas pelo desvio de verbas públicas da saúde. Ele escapou da prisão em razão do foro privilegiado.

Randolfe Rodrigues (Rede-AP), vice-presidente da CPI:

Randolfe Rodrigues / foto Wikipédia.

Quando era deputado estadual no Amapá pelo PSOL, Randolfe Rodrigues foi acusado de participar do“propinoduto do Amapá”, também conhecido como “mensalinho”, antecedente do mensalão do PT. Acusação: recebimento de propina no período de 1999 a 2002, em troca de apoio ao governador João Capiberibe.

A acusação foi instruída com recibos assinados por Randolfe, quitando os valores recebidos do governador. Houve perícias, uma delas feita pelo abalizado perito Ricardo Molina (UNICAMP), que confirmou a autenticidade das assinaturas.

Eleito senador, o processo de Randolfe Rodrigues foi para Brasília, em razão do foro privilegiado. 

Roberto Gurgel, então procurador-geral da República não deu seguimento ao caso. Em razão do ineditismo da situação, Roberto Gurgel entendeu “não ser crível que um parlamentar comprado assine um recibo”. E o senador Randolfe está aí, impoluto e com reputação ilibada.

Renan Calheiros (MDB-AL), relator da CPI:

Renan Calheiros / foto Congresso em Foco.

Renan Calheiros responde a nove inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF) por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha, dentre outros delitos.

São esses senhores que se acham habilitados moralmente para investigar corruptos na CPI da Pandemia.

“Brasil de ontem e de amanhã! Dai-nos o de hoje, que nos falta”.

araujo-costa@uol.com.br

A festa macabra da CPI da Pandemia

Em sã consciência, ninguém pode ser contra a punição do presidente da República, ministros, agentes do ministério da Saúde, empresários e eventuais corruptos de toda ordem, se provada a prática de crimes.

Em sã consciência, ninguém pode ser contra investigações, quaisquer que sejam elas, inclusive da CPI da Pandemia, com vista ao estancamento do uso indevido do dinheiro público, omissões e negligência e, em consequência, punição dos culpados.

Entretanto, há duas premissas verdadeiramente incontestáveis: corruptos não podem investigar corruptos e a CPI não pode ser usada como palanque político-eleitoral para seus membros, como vem acontecendo no Senado Federal, acintosamente.

Mais do que isto: a CPI está se utilizando da dor de milhares de famílias que perderam entes queridos,em razão da covid-19, para promover alguns de seus membros.

Noticia-se que a CPI, através de seus excelentíssimos rabos-de-palha Omar Aziz (PSD-AM), Randolfe Rodrigues (Rede-AP) e Renan Calheiros (MDB-AL) está preparando uma festa apoteótica para encerrar os trabalhos da comissão.

Noticia-se, ademais, que a festa será realizada num dos auditórios do Senado Federal para reunir o maior número possível de pessoas e para ela já estão sendo convidadas até figuras globais.

A tônica da festa será o endeusamento de membros da CPI, evidentemente.

O jornalismo do Grupo Globo está fomentando a festa macabra através da exposição diária e permanente dos membros da CPI, com predileção para os três senadores citados, linha de frente da comissão.

Os comentaristas globais Gerson Camarotti, Natuza Nery e Eliane Cantanhêde, dentre outros, estão pateticamente se engasgando com as próprias palavras, todos os dias,no sentido de manter em evidência os senadores-estrelas da CPI da Pandemia.

A sensatez dos comentaristas globais fica por conta de Fernando Gabeira. O sofrimento do exílio lhe acrescentou experiência e profissionalismo para fazer jornalismo e saber o que diz e como diz.

O senador baiano Otto Alencar (PSD-BA), que está se cacifando para ser candidato a governador da Bahia ou, no mínimo, continuar em evidência política, é um dos que mais se esforça para aparecer diante dos holofotes.

Otto Alencar, à semelhança dos protozoários, que ele tanto gosta, vive pendurado nos cofres da Bahia há décadas e se alimentando de dinheiro público.

De qualquer modo, é estarrecedor que senadores se valham da dor de milhares de famílias para promoção pessoal, com vistas às próximas eleições em seus respectivos estados.

Estarrecedor, mais ainda, é parte da sociedade acreditar na seriedade desses senadores.

Falta-nos a todos nós um quê de discernimento.

Desgraçadamente nos falta educação e cultura política para abrir nossos olhos em direção à realidade e enxergar os embusteiros e embromadores que gravitam em torno do poder, em todos os níveis.

Ainda há tempo de, num lampejo sensato, a CPI desistir da festa e respeitar a dor de milhares de brasileiros.

Com políticos como esses, que Deus tenha piedade de todos nós.

Post scriptum:

587.138 mortos pela covid-19 até 13/09/2021, segundo o consórcio de veículos de imprensa.

araujo-costa@uol.com.br

Chorrochó, 67 anos: quando a utopia esmorece

Neste 12 de setembro, o município baiano de Chorrochó comemora 67 anos de emancipação política.

Vejo nas redes sociais votos de parabéns ao aniversariante, inclusive do prefeito, que diz: “Cidade do progresso e do desenvolvimento”.  

Tive dúvida quanto à afirmação do prefeito. Continuo tendo.  

Já escrevi muito e alhures sobre Chorrochó e reivindiquei algumas demandas que sequer foram apreciadas, o que atribuo a indiferença à minha insignificância.

Uma delas era uma biblioteca pública municipal para servir de sustentáculo cultural aos jovens de hoje e do futuro e à sociedade chorrochoense, como um todo.

Ousei até, inocentemente, sugerir o nome: Biblioteca Municipal Professora Marieta Argentina de Menezes, em homenagem àquela que foi um esteio do ensino e da cultura de Chorrochó.

Debalde. Ninguém me ouviu, ninguém deu importância, embora a reivindicação não fosse, em nada, em meu benefício, mas para lastrear a cultura do município.

Santa ignorância esta minha. Para as autoridades municipais, cultura em Chorrochó teve ou tem importância?

De outra feita, sugeri que a Rua Coronel João Sá, por decisão da Câmara Municipal, mudasse o nome para Rua Dorotheu Pacheco de Menezes. Idiotice, ninguém deu importância.

Minha ignorância nunca me clareou no sentido de entender porque o coronel João Sá, lá das bandas de Jeremoabo, político e poderoso latifundiário, foi mais importante para a história de Chorrochó do que Dorotheu Pacheco de Menezes.

A Câmara Municipal de Chorrochó tem um histórico de apatia e ociosidade, não obstante alguns presidentes dinâmicos que dirigiram a edilidade, a exemplo de Pascoal Almeida Lima Tercius (Tércio de Fafá), que considero um jovem abalizado para a construção do futuro de Chorrochó.

Tirante alguns interregnos louváveis, a Câmara de Chorrochó mais se destacou como anuente de decisões e atos do Poder Executivo Municipal.

Todavia – e apesar de tudo isto – continuo esperançoso quando ao futuro de Chorrochó.

Esperança é como água no leite. Sempre há.

Mas a utopia tem o seu momento de esmorecer. Beirando a idade septuagenária, os sonhos vão-se esvaindo paulatinamente, de modo que não tenho mais expectativa de ver Chorrochó tal como o prefeito vê hoje: “cidade do progresso e do desenvolvimento”.

De qualquer modo, como já escrevi muito sobre este meu querido município de Chorrochó, hoje sou econômico nas palavras, até para contribuir com aqueles leitores que acham meus textos jurassicamente longos.

O escritor e jornalista francês Georges Bernanos (1888-1948) dizia que “a única diferença entre um otimista e um pessimista é que o primeiro é um imbecil feliz e o segundo é um imbecil triste”.

Quanto ao futuro de Chorrochó, apesar do prefeito achar que é a “cidade do progresso e do desenvolvimento”, acho que sou um imbecil triste.

Não consigo vislumbrar o progresso, nem o desenvolvimento de Chorrochó, talvez por me faltar inteligência.

Deixo aqui a homenagem àqueles que, dentre outros, contribuíram ou contribuem para que Chorrochó ainda continue em pé:

Eloy Pacheco de Menezes, Aureliano da Costa Andrade, Dorotheu Pacheco de Menezes, José Calazans Bezerra (Josiel), Antonio Pires de Menezes (Dodô), Pascoal de Almeida Lima, Sebastião Pereira da Silva (Baião), José Juvenal de Araújo, João Bosco Francisco do Nascimento, Paulo de Tarço Barbosa da Silva (Paulo de Baião), Rita de Cássia Campos Souza e, por último, Humberto Gomes Ramos, que acha que colocou Chorrochó na trilha do progresso e do desenvolvimento.

Que Deus acorde o prefeito de seu sono profundo e torne seu sonho realidade. Todos torcemos pelo prefeito e pelo êxito de sua administração.

Por último, deixo meus votos de feliz aniversário também para a professora Maria do Socorro Menezes Ribeiro, ilustre aniversariante, filha de Dorotheu Pacheco de Menezes, baluarte da luta pela emancipação de Chorrochó.

Socorro vive permanentemente no altar de minha admiração.

Parabéns Chorrochó.

araujo-costa@uol.com.br

A esquerda que Bolsonaro gosta

“Não há esperança de sobrevivência humana sem homens dispostos a dizer o que acontece” (Hannah Arendt, filósofa alemã, 1906-1975)

Para o PT e a esquerda em geral não dizerem que o presidente Bolsonaro não fala de flores, está aí uma situação que nem Freud explica.

Até os admiradores do paraibano Geraldo Vandré devem estar confusos, mesmo caminhando, cantando e seguindo a razão.

Um dos cargos mais importantes na estrutura burocrática do Estado brasileiro é o de Corregedor da Receita Federal.

Se o Brasil fosse um país sério – e todos sabemos que não é – esse cargo  deveria ser imune a quaisquer ingerências de políticos ou de partidos políticos. Deveria manter-se à distância de influências nem sempre sadias, nem sempre bem intencionadas.

Entretanto, dá-se o contrário.

O senador fluminense Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ), filho do presidente da República, que a esquerda detesta, indicou e quer emplacar no cargo de Corregedor da Receita Federal o auditor Dagoberto Lemos.

Dagoberto Lemos é de esquerda e beneficiado com a “bolsa ditadura” desde julho de 2012, na condição de anistiado político (Lei 10.559/2012), que a direita tanto critica até hoje.

Mais: o preferido do ultradireitista senador Flávio Bolsonaro é simpatizante petista e, como tal, integrante da chamada esquerda barulhenta e perseguida pela ditadura militar (1964-1985).  

Se a moda pega – e o presidente Bolsonaro começar a nomear pessoas da esquerda para o governo – alguns petistas vão gostar e acabar fazendo campanha para a reeleição de Bolsonaro, o que não será nenhuma surpresa, já que petistas adoram poder, cargos e dinheiro público como, aliás, todos os políticos.

Parece até recorte de imprensa sensacionalista, mas não é. É tão-somente o resultado de nossa política de embromação, sem princípios, sem ideais, sem pudor.

À primeira vista, parece mesmo coisa de “imprensa marronzista”, como diria o corrupto e demagogo prefeito Odorico Paraguaçu, de Sucupira.

Com essa indicação, Bolsonaro pode ter achado o caminho para ensaiar um namorico com a esquerda ou parte dela. Em tempos estranhos, não se pode duvidar de nada.

A esquerda não gosta de dinheiro público, desde que desague no bolso dos outros. No bolso dela é outra coisa.

Essas são contradições laboradas nos bastidores do poder e longe daqueles que, ingenuamente, vão para as ruas gritar em defesa de seus políticos de adoração, sejam eles de direita, de esquerda ou de qualquer posição no universo político.

O Brasil precisa de mais escolas, de mais professores. Só assim será possível agigantar nossa consciência política.

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