Lula da Silva e Sérgio Moro

“Só quem não se interessa por nada se cansa de tudo” (Luis Goytisolo, escritor espanhol)

Conjecturar não ofende. Então, vou conjecturar. E, se me permite o leitor, vou opinar.

Dizem os entendidos em política que o ex-juiz federal Sérgio Moro quer ser candidato a presidente da República.

Não acredito.

Não consigo vislumbrar um debate eleitoral entre Lula e Sérgio Moro.

Primeiro, porque Sérgio Moro, quando estudante, deve ter faltado a todas as aulas de Português. Ele não consegue formar uma frase correta, sem tropeçar nas reticências, em bruscos cortes de raciocínio e em erros elementares de gramática.

Segundo, porque Lula tem cruel capacidade de engolir Sérgio Moro em questão de minutos, talvez de segundos, sem pestanejar e sem se engasgar, ainda mais se ele estiver com a garganta etilicamente lubrificada.

Seria desonesto colocar Lula, com a experiência, rapidez de raciocínio, malandragem política e malícia que tem, para debater com o ingênuo Sérgio Moro. Presumo que seria um massacre.

Se Sérgio Moro fosse preparado não teria feito tantas lambanças como juiz federal e como ministro da Justiça.

Exemplo claro de despreparo: O Brasil passa por essa crise política, porque nosso presidente da República não tem preparo para exercer a função com grandeza e também com as limitações a ela inerentes, por exemplo, não falar asneiras.

A dignidade do exercício da presidência da República exige certos requisitos formais, que Bolsonaro não tem, não consegue ter.

Desculpem os admiradores e defensores de Sérgio Moro, que o vêem como salvador da Pátria.

Eu não o vejo assim, nem o admiro, como não admiro Lula da Silva.

Não admirar aqui significa, tão-somente, pensar diferente. Só isto.

araujo-costa@uol.com.br

O Centrão, Bolsonaro e Lula da Silva

“Pedro Caroço, filho de Zé Vagamela, passa o dia na esquina, fazendo aceno pra ela” (Genival Lacerda, 1931-2021, paraibano de Campina Grande, in Severina Xique Xique)

O Centrão aboletou-se na butique do presidente Bolsonaro ou, melhor dizendo, agarrou-se aos cofres públicos nacionais, qual carrapato sugando o que ainda resta de seu sustentáculo alimentar.

O Centrão é um carrapato político vergonhoso. Não se sustenta em ideias, mas em dinheiro público.

Como se sabe, o que se convencionou chamar de Centrão é um grupo de políticos inescrupulosos, formado basicamente de parlamentares fisiologistas, corruptos muitos deles, que disputam regularmente as eleições em seus estados, com o intuito de abarrotarem seus bolsos de dinheiro público.

Lula da Silva, que conhece as entranhas do Centrão desde sempre – o grupo participou de todos os governos petistas – passa o dia nas esquinas políticas acenando pra ele, de olho nas urnas de 2022 e na butique valiosa do dinheiro público.

Lula viu o Centrão nascer no Congresso Nacional. Sabe tudo de Centrão, desde a Constituinte de 1987-1988.

Na Bahia, por exemplo, Lula está à vontade. O Partido Progressista(PP), núcleo do Centrão, está com Lula, como sempre esteve. É uma mistura entre petistas e progressistas, todos se engalfinhando silenciosamente com o intuito de continuarem mamando nas tetas do governo da Bahia.

Experiente, Lula sabe que essa mistura confusa lhe faz bem e que o peso do voto na urna é o mesmo, tanto faz se do eleitor paupérrimo dos distantes rincões do Nordeste, do eleitor do elegante Jardim Europa, em São Paulo ou do eleitor do Corredor da Vitória, em Salvador.   

O vice-governador da Bahia, João Leão (PP), disse que “o PP está com Lula em qualquer posição”. Só não disse qual a posição mais confortável ou se isto não faz diferença.

O vice-governador baiano foi prefeito de Lauro de Freitas e deputado federal por cinco mandatos. Entende tudo da arte de encostar nos cofres públicos.

Raposa política, para não melindrar os progressistas da Bahia que apoiam Bolsonaro, em recente entrevista à rádio A Tarde, de Salvador, Lula disse: “Estou vendo agora Bolsonaro dizer que vai dar um auxílio emergencial de R$ 400,00 que vai durar até o final do ano que vem e tem gente dizendo que não pode aceitar, porque é um auxílio eleitoral. Não, eu não penso assim”.

Vislumbrando as urnas de 2022, Lula sabe que, se for contra o auxílio emergencial de R$ 400,00, mesmo que insuficiente, fica mal com o eleitorado que necessita do auxílio, única renda de milhões de brasileiros.

Em última análise, se contra, Lula estaria criticando o próprio Bolsa-Família, que é o sustentáculo do PT no Nordeste e razão de sua superioridade eleitoral em todos os estados da região.     

No frigir dos ovos, se ainda restarem ovos nesta crise política e pandêmica, o Centrão ficará com quem lhe oferecer mais, Lula da Silva ou Bolsonaro.

Quando não interessa mais a posição que ocupa, o Centrão muda de lado, acintosamente. E começa tudo de novo, independentemente de quem esteja no poder.

O Centrão não gosta do Brasil.

O escritor e diplomata sergipano Gilberto Amado (1887-1969) disse uma frase lapidar, que vale até hoje: “Quem não gosta do Brasil não me interessa”.

Essa frase vale como reflexão na hora de votar.

araujo-costa@uol.com.br  

Demerêncio, a revista e o prefeito de Curaçá

Demerêncio é um desmerecido, humilde e esquecido morador da caatinga de Curaçá.

O telefone tocou logo cedo, como de costume. Demerêncio gosta de reclamar e foi logo reclamando.

– Nunca mais vou procurar o prefeito de Curaçá.

Este escrevinhador quis saber as razões de tão radical decisão e ele foi explicando, um tanto chateado:

– Toda vez que vou à Prefeitura procurar o prefeito ele nunca está e um funcionário informa que o “prefeito foi a um enterro”. Se eu continuar indo lá e o prefeito continuar indo “a um enterro”, ele vai enterrar muita gente e eu não quero isto.

Demerêncio reclamou que a última vez que a Prefeitura mandou uma máquina limpar sua pequena barragem foi no governo de Carlinhos Brandão, que lhe deu muita atenção por intermédio de José Valberto Matos Leite, que não procurei saber se à época era ou não vereador.

Portanto, faz muito tempo, exatamente porque Demerêncio não consegue ter acesso ao prefeito ou ao secretário da área que cuida do assunto, se é que tem secretário da área que cuida do assunto ou outra pessoa que se digne dar atenção ao Demerêncio.

Tento argumentar. Todo prefeito é assim mesmo. Bons para uns (sempre para os amigos) e ruim para outros (geralmente para o restante da população).

Procuro amenizar a decepção de Demerêncio e perguntei:

Já falou com o vereador que você apoiou?

– Imagine, disse Demerêncio. Na campanha, quando candidato, ele apareceu lá em casa, jogou uns quais-quais na orelha de minha mulher, ela acreditou e acabou votando nele e eu também. Depois de eleito o sujeito nunca mais apareceu no meu terreiro.  

Agora leio que uma revista de circulação nacional aponta a administração do prefeito de Curaçá como sendo uma das melhores do município, da região e, quiçá, do Brasil, “referência em gestão política”.

Feito extraordinário! É difícil se vê prefeito tão bom assim, em qualquer tempo.

De início, pensei se tratar de uma montagem ou matéria paga, gozação da oposição ou coisa que o valha.

Vasculho as redes sociais e a matéria está lá, estampada, comentada, elogiada, inclusive na página do prefeito.

Descarto a hipótese de matéria paga. O prefeito não faria isto, não tem verba publicitária para isto, o município não tem dinheiro para fazer isto.

Há outras prioridades. Não é o momento para vaidades.

Diante disto, pensei. Agora vou desmascarar o Demerêncio. Onde já se viu falar mal do prefeito de Curaçá?

Homem tão eficiente, tão competente, tão atencioso, que atende todo mundo que lhe procura na Prefeitura, tão bom administrador!

Desta vez, a iniciativa da ligação foi minha.

– Tá vendo aí, Demerêncio? Você reclama de barriga cheia. O prefeito de Curaçá é o melhor. E fui enumerando os feitos do alcaide-mor de meu altaneiro Curaçá.

– A estrada de Barro Vermelho a Patamuté está um brinco, assim como as demais estradas que ligam a sede aos povoados, distritos e fazendas;

– Não há lixo acumulado, nem espalhado, nas ruas de Curaçá;

– Não há esgotos a céu aberto na sede do município;

– Todas as ruas da sede, incluindo os bairros, estão calçadas e recapeadas;

– A situação do lixão de Curaçá está resolvida e não se fala mais nisto;

– As aguadas dos pequenos sitiantes e agricultores são desassoreadas com frequência e regularmente;

–  O prefeito recebe e atende, sem distinção, qualquer munícipe que o procura na Prefeitura;   

E citei uma infinidade de feitos estrondosos da Prefeitura e do prefeito. Coisas de fazer inveja a qualquer município desenvolvido. Está aí o recorte da revista para não deixar dúvida.

Notei que Demerêncio silenciou e, de repente, passou a repetir a mesma pergunta a cada citação e argumento que eu fazia. Ele perguntava:

– É mesmo, rapaz?  

Eu continuava citando os feitos do prefeito de Curaçá e ele repetia a pergunta:

– É mesmo, rapaz?

No fim da conversa, impacientou-se com minha defesa do prefeito e sapecou:

– Vai gozar de outro!

Bem feito para mim. Quem manda acreditar em tudo.

araujo-costa@uol.com.br

Post scriptum:

O nome do munícipe foi substituído ficcionalmente por Demerêncio, por questões óbvias.

João Gilberto, Juazeiro, Barro Vermelho

João Gilberto/Foto Google.

A baiana, bela e sanfranciscana cidade de Juazeiro e o distrito de Barro Vermelho, na vizinha e também baiana e suntuosa Curaçá, devem estar em estado de merecido êxtase.

A editora Companhia das Letras lançou Amoroso: Uma Biografia de João Gilberto, livro escrito pelo jornalista e musicólogo paulista Zuza Homem de Mello (1933-2020), amigo de João Gilberto, talvez o crítico e conhecedor da música brasileira mais respeitado nos últimos cinquenta anos.

O jornal O Estado de S. Paulo, de 17/10/2021, traz um apanhado da monumental biografia e algumas curiosidades, dentre as quais a de que o abalizado autor Zuza Homem de Mello desprezou, sabiamente, o entorno de João Gilberto, inclusive a conhecida desavença pessoal e judicial entre membros da família do juazeirense mundialmente famoso.

“Ele não queria saber dos problemas da família do João”, disse ao Estadão Ercília Lobo, viúva do autor do livro.

Outra curiosidade: o autor, amigo de João Gilberto desde sempre, também desprezou o anedotário que acompanha o juazeirense até hoje e se circunscreveu tão-somente à monumental história musical do cantor, ao que realmente interessa para a posteridade.

Vê-se que, embora assim, o livro não resiste aos encantos de João Gilberto, quando diz, por exemplo: “A vida enclausurada de João Gilberto foi constantemente incompreendida e criticada. Queixam-se que João Gilberto quase não se comunicava, exceto nas intermináveis ligações telefônicas de horas seguidas. Felizes os escolhidos nessas chamadas”.

“Eu só vou contar aquilo que apurar, aquilo que tiver certeza”, esclareceu o autor do livro, segundo o Estadão. E escreveu o que apurou e certamente viu na condição de amigo de João Gilberto.

Desprezou, por exemplo, a lendária história do gato que “teria pulado da janela por não aguentar mais João ensaiando”.

“Alguém entrevistou o gato para saber se era isto mesmo? ”, teria perguntada Zuza.

Juazeiro e o curaçaense Barro Vermelho estão em êxtase, devem estar em êxtase.

As raízes de João Gilberto estão sempre inteiras, vivas, enriquecedoras, inesquecíveis.

Estarão sempre.

araujo-costa@uol.com.br    

Legado, alhos e bugalhos da CPI da Pandemia

Criada e instalada sob a égide de boa e necessária causa, qual seja, a investigação direcionada aos erros, omissões e negligências do governo federal no combate à pandemia do coronavírus, a CPI se enveredou, no meio do caminho, pela vaidade de alguns de seus integrantes.

Algumas vezes a CPI perdeu tempo ao enaltecer supostas qualidades de seus membros, talvez tentando criar um álibi para amparar senadores sabidamente corruptos que, ao assumirem a CPI, de repente, num passe de mágica, passaram a ser “honestos”.

Ficou patente que a CPI se desviou do foco, do caminho, do objetivo. Mas construiu alguns resultados positivos, não há porque negar.

Numa das sessões, a CPI cedeu a cadeira da presidência para que o senador Fábiano Contarato (Rede-ES) fizesse a veemente e inoportuna defesa de sua condição de homossexual e da classe LGBTQIA+ que, diga-se de passagem, ninguém é contra que se faça, desde que no foro apropriado.

Os gays têm instituições e instâncias para reivindicarem seus direitos e sustentarem sua condição em sociedade, inclusive, dentre outras e tantas, o Congresso Nacional, sem preconceito e discriminação.  

Contudo, a CPI do Senado não foi criada para esse fim.

Pergunta-se: O que a condição de gay do senador Fabiano Contarato tem a ver com erros, omissões, negligências e irresponsabilidades do governo Bolsonaro no combate à pandemia?

De outra feita, a CPI gastou tempo discutindo se convocaria ou não a ex-mulher do presidente da República para depor sobre a prática de rachadinhas por membros da família Bolsonaro.

Pergunta-se: O que as rachadinhas, que devem ser seriamente investigadas pela polícia judiciária e Ministério Público têm a ver com erros, omissões e negligências do governo Bolsonaro no combate à pandemia?

Por outro lado, membros da CPI, na ânsia de se cacifarem em seus estados,  para as eleições de 2022, descaradamente usaram a CPI para fins político-eleitorais.

Há exemplos claros, inegáveis, cristalinos. Cito apenas alguns.

Na Bahia, o espalhafatoso Otto Alencar (PSD-BA), exemplo de atuação opaca no Senado, que termina o mandato em 2022, articula-se com Lula da Silva e o senador Jaques Wagner (PT) para garantir sua reeleição ao Senado Federal, de modo que o entrave, até agora, é saber se o governador Rui Costa (PT) cederá sua vez natural para Otto.

Com o fim do mandato de governador, Rui Costa é o nome mais natural e apropriado para disputar uma vaga no Senado Federal, mas isto depende dos conchavos locais para a eleição de Lula e a continuidade do PT no poder na Bahia.

Se Rui Costa concordar em ceder a vez, Otto Alencar terá se servido da CPI para beneficiar-se politicamente. Aliás, foi o que ele mais demonstrou lá.

Para sair-se bem de sua atuação pífia no Senado, Otto Alencar não precisava apequenar-se na CPI da Pandemia. Bastava tomar algumas lições de sabedoria política com Jaques Wagner, carioca que entende tudo de malandragem política e sabe o momento certo de falar.

O senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE), que foi delegado-geral de política de Sergipe e está em primeiro mandato, parece que ainda não foi contaminado pela política rasteira e sem pudor, embora já se tenha declarado candidato a presidente em 2022.

Alessandro Vieira, por enquanto, continua sensato e discorda do relatório final da CPI, elaborado por Renan Calheiros (MDB-AL). Renan quer pedir o indiciamento de dois filhos do presidente da República, dentre outras medidas.

Numa referência aos filhos do presidente, o senador Alessandro Vieira ponderou que “ser babaca não é crime. Falar coisas estúpidas também não” e deixou patentemente demonstrado que a intenção de Renan Calheiros é usar politicamente a CPI para se promover ou, pelo menos, amenizar o resultado de seus inúmeros inquéritos em andamento no STF, a maioria por corrupção e lavagem de dinheiro.   

Ninguém tenha dúvida de que o STF o absolverá em todos, se chegarem a ser julgados ou não se forem prescrevendo pelo caminho da conhecida morosidade judicial.

De qualquer modo, já se vê a briga silenciosa de foice entre o presidente Omar Aziz (PSD-AM), o vice-presidente Randolfe Rodrigues (Rede-AP) e o relator Renan Calheiros (MDB-AL) todos disputando a paternidade da CPI, ou seja, quem aparecerá mais no final dos trabalhos, mesmo sem melancia pendurada no pescoço.

O estúpido Renan Calheiros até havia engendrado uma festa-apoteose, inclusive com a presença de figuras globais, para encerrar a CPI. Foi convencido de que, com tantas mortes, a festa não cairia bem e até seria interpretada como uma afronta à memória dos falecidos, parentes e vítimas sequeladas da covid-19 e ainda vivas.

Se forem colocados alguns senadores da CPI e o presidente Bolsonaro na mesma balança, certamente eles se igualam, cada um a seu modo, em seu campo de atuação e em sua forma de agir.

Em resumo, entre alhos e bugalhos, a CPI deixará como legado a hipocrisia dos senadores, dentre idiotices e vaidades outras que abundam na comissão.

O que mais abunda na CPI é a abundância de idiotices.

araujo-costa@uol.com.br  

Professores, Colégio São José e outros Colégios

Professores do Colégio São José, de Chorrochó

Atrevo-me a surrupiar de Margareth Gomes Pires, insigne mestra e amiga, a foto que ilustra este artigo.

Trata-se de registro de formatura do Colégio São José, de Chorrochó, em ano que não sei precisar, onde se vê parte de seu corpo docente da época: Margareth Gomes Pires, Edna Maria de Menezes, Maria Therezinha de Menezes, Dr. Antonio Pacheco de Menezes Filho, Maria Ita de Menezes, Maria Nicanor de Menezes Veras e Neusa Maria Rios Menezes de Menezes, um feliz formando e mais duas circunstantes crianças.

No meu tempo de estudante em Chorrochó, ainda se destacavam as professoras Maria Joselita de Menezes, Maria do Socorro Menezes Ribeiro e outros mais, que minha esburacada memória não alcança e, por isso, penitencio-me pela injustificável omissão.

Em data mais recuada no tempo, quando o Colégio São José ainda se denominava Ginásio Municipal Oliveira Brito, na década de 1960, também lá ensinou a professora Maria Rita da Luz Menezes, uma das pioneiras do ensino ginasial de Chorrochó.

Há professores que não esquecemos. Vivos uns, in memoriam, outros. Mas inesquecíveis.

Em Patamuté, na fase da educação primária, sou grato às professoras Maria Vilani Brandão Leite, Ana Mendes Vital Matos (Nanita), Beatriz Gonçalves dos Reis Gomes, Adalzira de Souza Alcântara (Branca), Ana Mendes Callo (Nazinha), Maria Auxiliadora de Menezes Kawabe e Graziela Ferreira da Silva, esta última da Fazenda Bom Jardim.

Em Curaçá, Dr. Pompílio Possídio Coelho, Dr. Jaime Alves de Carvalho, Terezinha Conduru de Almeida, Excelda Nascimento Santos, Noêmia de Almeida Lima, Maria Auxiliadora Lima Belfort, Dionária Bim, Lenir da Silva Possídio e Herval Francisco Félix.  

Este registro vem a propósito do dia dos professores – 15 de outubro – e me traz preito de gratidão, homenagem e respeito a todos aqueles que guiaram meu trôpego caminho inicial em busca de sonhos e de novos horizontes, muitos deles ainda não alcançados, mas perseguidos, insistentemente perseguidos.

São os professores que sustentam nossas esperanças.

araujo-costa@uol.com.br

A fome e o elitismo do Poder Judiciário

Não é nenhuma novidade que alguns juízes – muitos, infelizmente – vivem no mundo da lua, embevecidos no luxo e em suas mordomias, de resto sustentadas em vencimentos que beiram as nuvens.

Esses juízes desconhecem a realidade do Brasil, não sabem o que é estômago vazio, desconhecem a desesperança e, por óbvio, não passam fome, nem seus parentes passam fome e nem seus aderentes passam fome.

Esses juízes não sabem que a fome tem cara de herege. Desconhecem o ruído da fome.

Enquanto isso, milhões de miseráveis vivem ou tentam viver com fome e, como se diz, abaixo da linha da pobreza. São aqueles milhões de brasileiros “invisíveis” que Lula da Silva e o PT dizem que tiraram da pobreza extrema e eles continuam pobres, desgraçadamente pobres.

Entretanto, nem tudo está perdido.

Em 13/10/2021, um preclaro ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) mandou soltar a mulher, mãe de cinco filhos, moradora de rua e desempregada, que furtou de um mercado na Vila Mariana, capital de São Paulo, dois pacotes de macarrão instantâneo, dois refrigerantes e um refresco em pó.

Abordada ainda dentro do mercado, ela devolveu um leite condensado e disse que precisava levar as demais coisas porque estava com fome.

Total das mercadorias furtadas: R$ 21,69. Alegou que, sendo moradora de rua há mais de dez anos e desempregada, ela e seus cinco filhos estavam com fome.

Foi presa. Pior: a douta e insigne juíza que apreciou o caso decretou cruelmente a prisão preventiva da faminta e “perigosa assaltante”. A juíza enveredou pelo sempre perigoso formalismo processual.

A diligente Defensoria Pública de São Paulo pediu o relaxamento da prisão em primeira instância, que foi negada imediatamente.

A Defensoria recorreu ao Tribunal de Justiça de São Paulo e pediu a transformação da preventiva em prisão domiciliar, mas os senhores subidos e preclaríssimos desembargadores paulistas também negaram.

Será que eles leram o processo? A realidade cruel do processo?

Ou fizeram como o então ministro Marco Aurélio Mello, do STF, que mandou soltar um perigosíssimo e rico traficante de cocaína sob o argumento de que não se atenta ao nome do preso, mas às circunstâncias da prisão?

Diante da visível injustiça, a imprensa fez um bom e louvável papel e publicou o caso da mulher faminta à exaustão e até o comparou com o caso do ex-deputado baiano Geddel Vieira Lima, ex-ministro de Lula da Silva e ex-vice-presidente da Caixa Econômica Federal no governo de Dilma Rousseff, que esteve em prisão domiciliar, ou seja, em casa, depois de ter sido flagrado com R$ 51 milhões em dinheiro vivo e ilícito, num apartamento de Salvador.  

Mais: em setembro, o ministro Edson Fachin, do STF, autorizou o regime semiaberto para Geddel. Salvo engano, ele foi autorizado a passar o dia em atividades fora da prisão e voltar à noite (TV Globo, Brasília, 10/09/2021).   

Quanto ao caso da mulher, a Defensoria Pública recorreu ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) e o ministro Joel Paciornik mandou soltá-la e fundamentou, corretamente: “Cuida-se de furto simples de dois refrigerantes, um refresco em pó e dois pacotes de macarrão instantâneo, bens avaliados em R$ 21,69, menos de 2% do salário mínimo, subtraídos, para saciar a fome por estar desempregada e morando nas ruas há mais de dez anos”.

Não vou aqui discorrer, porquanto desnecessário, sobre entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF) de 2004 que, em quadro assim, diz tratar-se de furto famélico, com ínfimo poder de lesão ao direito e, portanto, manda soltar o infrator.

É o “princípio da insignificância” e o STF orienta que juízes desconsiderem os casos em que o furto é irrelevante, com baixo poder ofensivo.

Ocorre que vaidosos juízes estaduais, sempre no mundo da lua, alheios à miséria que impera no Brasil, não seguem o entendimento do STF ou, em última análise, fazem vistas grossas.

Argumentar-se-á: a lei é igual para todos. Ela furtou, há de ser presa.

Não é. A lei não é igual para todos, exceto na teoria. Só na letra fria da lei todos são iguais. Se todos fossem iguais tantos magnatas que surrupiaram dinheiro público estariam trancafiados. E não estão.

De qualquer modo, nem tudo está perdido.

O lúcido ministro Joel Paciornik, do Superior Tribunal de Justiça, pisou no chão e fez Justiça. Mais do que pisar no chão, o magistrado se elevou acima das hipocrisias e foi buscar a dignidade do Poder Judiciário.

Fazer Justiça não é prender os pobres e soltar os ricos.

Que outros juízes desçam de seus arrogantes pedestais e também comecem a fazer Justiça.

araujo-costa@uol.com.br

Curaçá, Maurízio Bim    

Curaçá – diria o francês Honoré de Balzac – oferece pomposamente um pôr do sol “em cores admiráveis de um vermelho vivo sobre as águas em um manto de púrpura, alegre, vivo, espiritual”.

A alvorada em Curaçá também é estrondosa, admirável. Tudo em Curaçá é estrondoso e admirável: o lugar, as pessoas, a história, o tempo, o dizer da amizade ou das amizades.

Entretanto, deixemos Balzac pra lá ou de lado. É demais ou pouco demais para o assunto de hoje.

Falemos de Curaçá, propriamente. Encantador e belo. Extraordinário e belo.

Falemos de um aniversariante curaçaense de hoje: Maurízio Bim Moreira.

Certa vez, cometi uma gafe monumental e grafei seu nome errado numa crônica.

Mais falta de informação do que de atenção. A culpa foi minha, exclusivamente minha, idiotamente minha.

Fui lembrado e questionado, com razão, por um amigo de Maurízio: Como dizer-me amigo de um sujeito e escrever o seu nome errado? Ou a amizade não existe ou minha condição de relapso falou mais alto. Nem uma coisa e nem outra, não obstante envergonhado à época.

Explico: ouso dizer que sou amigo de parte da família de Maurízio e me orgulho de ter convivido com Expedito Bim, Maria de Fortunato (Maria de Lourdes Lopes), Lucinha Bim e Dionária Bim, que foi minha professora no Colégio Municipal Professor Ivo Braga.

Dionária foi minha professora é modo de dizer. Dionária continua sendo minha professora. Será sempre. Admiro sua humildade, admiro sua inteligência, admiro seu caminho em busca da dignidade, monumental dignidade.

Quase em idade septuagenária – e, lógico, Maurízio é bem mais novo do que eu – me sinto ainda no direito de exaltar amigos importantes, cultos, inteligentes, mesmo quando, eventualmente, erro o nome. É o de menos. Ou coisa da idade.

Assim o faço em relação a Maurízio Bim.

Parabéns ao aniversariante. Desejo-lhe saúde e vida longa.

Que Deus direcione seus passos em direção ao pleno sucesso.

araujo-costa@uol.com.br

Corruptos, Banco do Nordeste e Lula da Silva

“A ladroagem é o melhor caminho para chegar ao coração da esquerda” (J.R.Guzzo, in O Estado de S.Paulo, 04.10.2020)

O ultrarradical deputado Jorge Solla (PT-BA), médico sanitarista e ex-secretário de Saúde da Bahia, soteropolitano de Baixa do Quintas, está estranhando as emendas parlamentares que, segundo ele e a imprensa, tratam-se de compra e venda de parlamentares pelo governo Bolsonaro.

O deputado Solla chama isto de “feirão de emendas” e “mercado persa” para, segundo ele, dentre outras vantagens, evitar o impeachment do presidente Bolsonaro.  

É a RP9, também conhecida como emenda do relator-geral, que distribui dinheiro aos parlamentares, em troca de favores ao governo, ainda segundo a imprensa e a oposição.

Jorge Solla deve entender bem de compra de deputados. O PT fez isto, que estourou em 2005, no primeiro governo de Lula da Silva, através do mensalão.

O mensalão resultou na prisão de petistas graúdos, a exemplo de José Dirceu, José Genuíno e outros mais. Aliás, a bem da verdade, não só membros do PT foram presos, mas outros envolvidos na maracutaia petista.

Se for verdade, nota-se que o presidente Bolsonaro apenas sofisticou a forma de compra dos deputados corruptos idealizada e implantada por Lula da Silva, o que não significa dizer que o presidente esteja certo, em nenhum momento. Ao contrário, está erradíssimo.

A gravidade da prática, além de constituir crime, é que os deputados corruptos vendem parte do valor correspondente às emendas a prefeitos, também corruptos, que arrebanham votos em seus municípios para os deputados vendedores de emendas e, paliativamente, adquirem máquinas, retroescavadeiras, tratores, et cetera e com isto engambelam as populações locais e embolsam parte do dinheiro público em conluio com os deputados corruptos.

Mas, vamos em frente.

O uso do cachimbo deixa a boca torta, diz o dito popular.

Segundo a revista Veja, Lula da Silvavoltou aos tempos de ostentação”.

Lula contratou, em Brasília, “pelo menos oito suítes isoladas por seguranças, com sala de espera e de reuniões para recepcionar e acomodar a fila de políticos que procurou o petista. Até uma copa foi improvisada para abastecer regularmente o pessoal”, em hotel de alto luxo nas barbas do Palácio do Planalto, do Supremo Tribunal Federal (STF), do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Tudo pago, com recursos do fundo partidário ou outro nome que se dê à safadeza com o uso do dinheiro público.

Continuemos em frente, ainda.

O Banco do Nordeste do Brasil (BNB) mudou de direção ou está em vias de formalizar a mudança.

O presidente Bolsonaro descobriu que o BNB mantém um contrato, há anos, com uma Organização Não-Govenamental (ONG) chamada Instituto Nordeste Cidadania (INEC), vinculada a petistas para, por intermédio dela – ou deles – viabilizar microcrédito a pequenos agricultores e microempresários.

O serviço de inteligência do governo está fraco, fraquíssimo. Só agora descobriu a maracutaia.

O Banco do Nordeste paga à ONG petista R$ 600 milhões/ano para movimentar R$ 15 bilhões e atender 2 mil municípios em 470 pontos de atendimento.

Não se sabe a troco de quê, já que o BNB não precisa de intermediários para operacionalizar a concessão de créditos a micro e pequenos empresários, mormente da agricultura familiar, os chamados Crediamigo e Agroamigo.

O mais escabroso disto tudo é o seguinte: quem comanda a diretoria do Banco do Nordeste é Valdemar Costa Neto, presidente do Partido Liberal (PL), condenado e preso no processo do mensalão petista e amigo de Lula da Silva.

Somente agora o presidente Bolsonaro descobriu que o BNB está financiando valorosos e arraigados cabos eleitorais de Lula da Silva, razão por que, dentre outras, o ex-presidente petista se mantém folgadamente na dianteira em todas as pesquisas feitas no Nordeste.

Quem financia Lula da Silva no Nordeste é a corrupção. Quem financia ou financiará Jair Bolsonaro no Nordeste é a corrupção.

De qualquer modo, conclui-se que: mudam-se os governos e mantém-se os corruptos e a ladroagem.  

São inquietações que a sociedade experimenta a qualquer tempo, em qualquer governo, enquanto não acordar.

araujo-costa@uol.com.br       

Para refletir:

Constituição Federal, artigo 5º, inciso IV:

“É livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato”.

Constituição Federal, artigo 5º, inciso IX:

“É livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura e licença”.

Ministros do Supremo Tribunal Federal, que agem politicamente e adoram holofotes, não podem impedir que todo e qualquer brasileiro diga o que pensa, tampouco podem censurá-lo por falar o que pensa.

Isto é direito constitucional incontestável e assegurado a todos os brasileiros, independentemente do que pensam Suas Excelências os intocáveis ministros do STF.

Ou a Constituição Federal é apenas um livro?

Ou a democracia no Brasil somente é democracia se os brasileiros estiverem de acordo com os atuais ministros do Supremo Tribunal Federal?

Hoje são alguns e poucos perseguidos.

Se ficarmos calados e submissos, amanhã seremos todos nós brasileiros.

Não custa nada refletir, não custa nada acordar, não custa nada lutar.

Ideologias aqui não importam, se direita, de esquerda, de centro ou de qualquer lado.

As ditaduras militares se sustentam nas armas, inclusive a de 1964, no Brasil. A ditadura do Brasil de hoje se sustenta na caneta do Poder Judiciário, que não quer largar os salários estratosféricos e as mordomias pagas por todos nós, pagadores de impostos.

“Brasil de ontem e de amanhã. Dai-nos o de hoje que nos falta” (Ruy Barbosa).

Acorda Brasil!