Bahia: sim, somos pobres

Lula da Silva ainda diz, a cada discurso que faz, que os governos do PT exterminaram a pobreza no Brasil ou chegaram perto disto.

Entretanto, Lula se esqueceu de avisar essa façanha aos governadores da Bahia, Jaques Wagner (2007 a 2014) e Rui Costa (atual, a partir de 2015).

Dados do IBGE atestam que desde 2016 a situação da Bahia não se alterou, de modo que “em 2019, o 2º maior número absoluto de pobres, com 6 milhões de pessoas e o maior número de extremamente pobres do país, que totalizava 1,853 milhão” estavam na Bahia.

“Segundo a pesquisa, em 2019, quatro em cada 10 moradores do estado estavam abaixo da linha da pobreza monetária, com renda domiciliar per capita menor que R$ 428”.

“Além disso, pouco mais de 1 em cada 10 estava abaixo da linha de extrema pobreza, com renda domiciliar per capita menor que R$ 148.” (G1 Bahia, 12/11/2020).

O Jornal A Tarde, de Salvador, vai na mesma linha, sustentado em dados do IBGE e, portanto, inquestionáveis:

“Este é o maior índice registrado em todo Brasil, dando ao estado o segundo maior número absoluto de pobres (6,006 milhões de pessoas) e o maior de extremamente pobres do país (1,853 milhão)”.

“Além de terem de sobreviver com um rendimento domiciliar per capita muito baixo, quem vive abaixo da linha de pobreza está muito mais sujeito que a população em geral a enfrentar restrições importantes, sobretudo no que diz respeito aos serviços de saneamento básico, à educação e ao acesso à Internet.” (A Tarde, 12/11/2020).

Não é só Lula da Silva que conta lorotas.

A deputada Fátima Nunes (PT), lá das bandas de Paripiranga, que se vangloria de ter mais de 40 anos de militância política, petista de primeira hora e, por óbvio, aliada dos governos petistas, disse há algum tempo, num discurso sem noção, que o “PT tirou a lata d’água da cabeça das mulheres”. 

A deputada, que começou sua militância política nas comunidades eclesiais de base da Igreja Católica, precisa andar mais pelo interior do Brasil. Ela está sonhando muito.

É caso de sugerir à deputada que frequente menos o Corredor da Vitória, em Salvador, abandone o conforto do asfalto e faça um roteiro turístico pelas caatingas do sertão, em esburacadas estradas de terra.

Para facilitar o roteiro da deputada, sugiro que passe alguns dias visitando as pequenas fazendas, roças e sítios, as casas de taipa que ainda são realidade e talvez ela não lembre mais, as pedras e os buracos dos caminhos.

Certamente ela encontrará mulheres com “lata d’água na cabeça” e até angarie alguns votos para continuar sustentando sua demagogia.      

Em 2015, salvo engano, os diretórios estaduais do PT lançaram um manifesto que dizia textualmente:

“Condenam-nos não por nossos erros, que certamente ocorrem numa organização que reúne milhares de filiados. Perseguem-nos pelas nossas virtudes. Não suportam que o PT, em tão pouco tempo, tenha retirado da miséria extrema 36 milhões de brasileiros e brasileiras.”

Os diretórios petistas não disseram no manifesto quem os condenava, quem os perseguia e tampouco quem não os suportava, mas apresentaram a fatura do suposto sucesso, segundo eles: a retirada de 36 milhões da pobreza.

Em 18/12/2017 a revista Veja publicou: “O IBGE achou os milhões de pobres que Lula e Dilma esconderam. O IBGE constatou que em 2016, quando o PT foi despejado do poder, 52 milhões de brasileiros viviam abaixo da linha da pobreza.”

O PT continua governando a Bahia e, parece, com seguras chances de continuar com as rédeas do estado, a partir de janeiro de 2023, se o cenário não mudar e é difícil mudar.

Superam 70% os admiradores do PT na Bahia. Nesta última década a democracia na Bahia não significou mudança, optou pela mesmice, o que quer dizer que os baianos estão satisfeitos com o governo que têm. E isto é democrático.

O retrovisor da Bahia só mostra o PT, nada além do PT.

A Bahia é um feudo do PT. Seus servos, em sua maioria, reverenciam o domínio petista e se embalam ao vento do conformismo.

Mas o PT baiano deve ler bem essa receita de Lula, para ver se tem algum ingrediente que possa ser mudado, porque a receita dele não deu certo, pelo menos na Bahia, segundo os números do IBGE.

Lula diz que tirou os miseráveis da extrema pobreza, mas eles continuam pobres ou extremamente pobres como dantes, donde se depreende que os número alardeados pelo ex-presidente beiram a ficção. 

A Bahia é o retrato disto, segundo o IBGE.

Somos pobres, sim. O resto é lorota de Lula e do PT.

araujo-costa@uol.com.br

Os caras de pau da CPI da Pandemia

“Brasil de ontem e de amanhã! Dai-nos o de hoje, que nos falta” (Ruy Barbosa, 1849-1923).

Omar Aziz (PSD-AM), presidente da CPI:

Omar Aziz / foto Congresso em Foco.

Omar Aziz responde a inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) por “crimes praticados contra a administração em geral, emprego irregular de verbas ou rendas públicas”. Noutras palavras: desvio de recursos da saúde, quando governador do Amazonas. 

Três pessoas do núcleo familiar de Omar Aziz foram presas pelo desvio de verbas públicas da saúde. Ele escapou da prisão em razão do foro privilegiado.

Randolfe Rodrigues (Rede-AP), vice-presidente da CPI:

Randolfe Rodrigues / foto Wikipédia.

Quando era deputado estadual no Amapá pelo PSOL, Randolfe Rodrigues foi acusado de participar do“propinoduto do Amapá”, também conhecido como “mensalinho”, antecedente do mensalão do PT. Acusação: recebimento de propina no período de 1999 a 2002, em troca de apoio ao governador João Capiberibe.

A acusação foi instruída com recibos assinados por Randolfe, quitando os valores recebidos do governador. Houve perícias, uma delas feita pelo abalizado perito Ricardo Molina (UNICAMP), que confirmou a autenticidade das assinaturas.

Eleito senador, o processo de Randolfe Rodrigues foi para Brasília, em razão do foro privilegiado. 

Roberto Gurgel, então procurador-geral da República não deu seguimento ao caso. Em razão do ineditismo da situação, Roberto Gurgel entendeu “não ser crível que um parlamentar comprado assine um recibo”. E o senador Randolfe está aí, impoluto e com reputação ilibada.

Renan Calheiros (MDB-AL), relator da CPI:

Renan Calheiros / foto Congresso em Foco.

Renan Calheiros responde a nove inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF) por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha, dentre outros delitos.

São esses senhores que se acham habilitados moralmente para investigar corruptos na CPI da Pandemia.

“Brasil de ontem e de amanhã! Dai-nos o de hoje, que nos falta”.

araujo-costa@uol.com.br

A festa macabra da CPI da Pandemia

Em sã consciência, ninguém pode ser contra a punição do presidente da República, ministros, agentes do ministério da Saúde, empresários e eventuais corruptos de toda ordem, se provada a prática de crimes.

Em sã consciência, ninguém pode ser contra investigações, quaisquer que sejam elas, inclusive da CPI da Pandemia, com vista ao estancamento do uso indevido do dinheiro público, omissões e negligência e, em consequência, punição dos culpados.

Entretanto, há duas premissas verdadeiramente incontestáveis: corruptos não podem investigar corruptos e a CPI não pode ser usada como palanque político-eleitoral para seus membros, como vem acontecendo no Senado Federal, acintosamente.

Mais do que isto: a CPI está se utilizando da dor de milhares de famílias que perderam entes queridos,em razão da covid-19, para promover alguns de seus membros.

Noticia-se que a CPI, através de seus excelentíssimos rabos-de-palha Omar Aziz (PSD-AM), Randolfe Rodrigues (Rede-AP) e Renan Calheiros (MDB-AL) está preparando uma festa apoteótica para encerrar os trabalhos da comissão.

Noticia-se, ademais, que a festa será realizada num dos auditórios do Senado Federal para reunir o maior número possível de pessoas e para ela já estão sendo convidadas até figuras globais.

A tônica da festa será o endeusamento de membros da CPI, evidentemente.

O jornalismo do Grupo Globo está fomentando a festa macabra através da exposição diária e permanente dos membros da CPI, com predileção para os três senadores citados, linha de frente da comissão.

Os comentaristas globais Gerson Camarotti, Natuza Nery e Eliane Cantanhêde, dentre outros, estão pateticamente se engasgando com as próprias palavras, todos os dias,no sentido de manter em evidência os senadores-estrelas da CPI da Pandemia.

A sensatez dos comentaristas globais fica por conta de Fernando Gabeira. O sofrimento do exílio lhe acrescentou experiência e profissionalismo para fazer jornalismo e saber o que diz e como diz.

O senador baiano Otto Alencar (PSD-BA), que está se cacifando para ser candidato a governador da Bahia ou, no mínimo, continuar em evidência política, é um dos que mais se esforça para aparecer diante dos holofotes.

Otto Alencar, à semelhança dos protozoários, que ele tanto gosta, vive pendurado nos cofres da Bahia há décadas e se alimentando de dinheiro público.

De qualquer modo, é estarrecedor que senadores se valham da dor de milhares de famílias para promoção pessoal, com vistas às próximas eleições em seus respectivos estados.

Estarrecedor, mais ainda, é parte da sociedade acreditar na seriedade desses senadores.

Falta-nos a todos nós um quê de discernimento.

Desgraçadamente nos falta educação e cultura política para abrir nossos olhos em direção à realidade e enxergar os embusteiros e embromadores que gravitam em torno do poder, em todos os níveis.

Ainda há tempo de, num lampejo sensato, a CPI desistir da festa e respeitar a dor de milhares de brasileiros.

Com políticos como esses, que Deus tenha piedade de todos nós.

Post scriptum:

587.138 mortos pela covid-19 até 13/09/2021, segundo o consórcio de veículos de imprensa.

araujo-costa@uol.com.br

Chorrochó, 67 anos: quando a utopia esmorece

Neste 12 de setembro, o município baiano de Chorrochó comemora 67 anos de emancipação política.

Vejo nas redes sociais votos de parabéns ao aniversariante, inclusive do prefeito, que diz: “Cidade do progresso e do desenvolvimento”.  

Tive dúvida quanto à afirmação do prefeito. Continuo tendo.  

Já escrevi muito e alhures sobre Chorrochó e reivindiquei algumas demandas que sequer foram apreciadas, o que atribuo a indiferença à minha insignificância.

Uma delas era uma biblioteca pública municipal para servir de sustentáculo cultural aos jovens de hoje e do futuro e à sociedade chorrochoense, como um todo.

Ousei até, inocentemente, sugerir o nome: Biblioteca Municipal Professora Marieta Argentina de Menezes, em homenagem àquela que foi um esteio do ensino e da cultura de Chorrochó.

Debalde. Ninguém me ouviu, ninguém deu importância, embora a reivindicação não fosse, em nada, em meu benefício, mas para lastrear a cultura do município.

Santa ignorância esta minha. Para as autoridades municipais, cultura em Chorrochó teve ou tem importância?

De outra feita, sugeri que a Rua Coronel João Sá, por decisão da Câmara Municipal, mudasse o nome para Rua Dorotheu Pacheco de Menezes. Idiotice, ninguém deu importância.

Minha ignorância nunca me clareou no sentido de entender porque o coronel João Sá, lá das bandas de Jeremoabo, político e poderoso latifundiário, foi mais importante para a história de Chorrochó do que Dorotheu Pacheco de Menezes.

A Câmara Municipal de Chorrochó tem um histórico de apatia e ociosidade, não obstante alguns presidentes dinâmicos que dirigiram a edilidade, a exemplo de Pascoal Almeida Lima Tercius (Tércio de Fafá), que considero um jovem abalizado para a construção do futuro de Chorrochó.

Tirante alguns interregnos louváveis, a Câmara de Chorrochó mais se destacou como anuente de decisões e atos do Poder Executivo Municipal.

Todavia – e apesar de tudo isto – continuo esperançoso quando ao futuro de Chorrochó.

Esperança é como água no leite. Sempre há.

Mas a utopia tem o seu momento de esmorecer. Beirando a idade septuagenária, os sonhos vão-se esvaindo paulatinamente, de modo que não tenho mais expectativa de ver Chorrochó tal como o prefeito vê hoje: “cidade do progresso e do desenvolvimento”.

De qualquer modo, como já escrevi muito sobre este meu querido município de Chorrochó, hoje sou econômico nas palavras, até para contribuir com aqueles leitores que acham meus textos jurassicamente longos.

O escritor e jornalista francês Georges Bernanos (1888-1948) dizia que “a única diferença entre um otimista e um pessimista é que o primeiro é um imbecil feliz e o segundo é um imbecil triste”.

Quanto ao futuro de Chorrochó, apesar do prefeito achar que é a “cidade do progresso e do desenvolvimento”, acho que sou um imbecil triste.

Não consigo vislumbrar o progresso, nem o desenvolvimento de Chorrochó, talvez por me faltar inteligência.

Deixo aqui a homenagem àqueles que, dentre outros, contribuíram ou contribuem para que Chorrochó ainda continue em pé:

Eloy Pacheco de Menezes, Aureliano da Costa Andrade, Dorotheu Pacheco de Menezes, José Calazans Bezerra (Josiel), Antonio Pires de Menezes (Dodô), Pascoal de Almeida Lima, Sebastião Pereira da Silva (Baião), José Juvenal de Araújo, João Bosco Francisco do Nascimento, Paulo de Tarço Barbosa da Silva (Paulo de Baião), Rita de Cássia Campos Souza e, por último, Humberto Gomes Ramos, que acha que colocou Chorrochó na trilha do progresso e do desenvolvimento.

Que Deus acorde o prefeito de seu sono profundo e torne seu sonho realidade. Todos torcemos pelo prefeito e pelo êxito de sua administração.

Por último, deixo meus votos de feliz aniversário também para a professora Maria do Socorro Menezes Ribeiro, ilustre aniversariante, filha de Dorotheu Pacheco de Menezes, baluarte da luta pela emancipação de Chorrochó.

Socorro vive permanentemente no altar de minha admiração.

Parabéns Chorrochó.

araujo-costa@uol.com.br

A esquerda que Bolsonaro gosta

“Não há esperança de sobrevivência humana sem homens dispostos a dizer o que acontece” (Hannah Arendt, filósofa alemã, 1906-1975)

Para o PT e a esquerda em geral não dizerem que o presidente Bolsonaro não fala de flores, está aí uma situação que nem Freud explica.

Até os admiradores do paraibano Geraldo Vandré devem estar confusos, mesmo caminhando, cantando e seguindo a razão.

Um dos cargos mais importantes na estrutura burocrática do Estado brasileiro é o de Corregedor da Receita Federal.

Se o Brasil fosse um país sério – e todos sabemos que não é – esse cargo  deveria ser imune a quaisquer ingerências de políticos ou de partidos políticos. Deveria manter-se à distância de influências nem sempre sadias, nem sempre bem intencionadas.

Entretanto, dá-se o contrário.

O senador fluminense Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ), filho do presidente da República, que a esquerda detesta, indicou e quer emplacar no cargo de Corregedor da Receita Federal o auditor Dagoberto Lemos.

Dagoberto Lemos é de esquerda e beneficiado com a “bolsa ditadura” desde julho de 2012, na condição de anistiado político (Lei 10.559/2012), que a direita tanto critica até hoje.

Mais: o preferido do ultradireitista senador Flávio Bolsonaro é simpatizante petista e, como tal, integrante da chamada esquerda barulhenta e perseguida pela ditadura militar (1964-1985).  

Se a moda pega – e o presidente Bolsonaro começar a nomear pessoas da esquerda para o governo – alguns petistas vão gostar e acabar fazendo campanha para a reeleição de Bolsonaro, o que não será nenhuma surpresa, já que petistas adoram poder, cargos e dinheiro público como, aliás, todos os políticos.

Parece até recorte de imprensa sensacionalista, mas não é. É tão-somente o resultado de nossa política de embromação, sem princípios, sem ideais, sem pudor.

À primeira vista, parece mesmo coisa de “imprensa marronzista”, como diria o corrupto e demagogo prefeito Odorico Paraguaçu, de Sucupira.

Com essa indicação, Bolsonaro pode ter achado o caminho para ensaiar um namorico com a esquerda ou parte dela. Em tempos estranhos, não se pode duvidar de nada.

A esquerda não gosta de dinheiro público, desde que desague no bolso dos outros. No bolso dela é outra coisa.

Essas são contradições laboradas nos bastidores do poder e longe daqueles que, ingenuamente, vão para as ruas gritar em defesa de seus políticos de adoração, sejam eles de direita, de esquerda ou de qualquer posição no universo político.

O Brasil precisa de mais escolas, de mais professores. Só assim será possível agigantar nossa consciência política.

araujo-costa@uol.com.br

A outra face da ditadura

“Um dia vieram e levaram meu vizinho que era judeu.
Como não sou judeu, não me incomodei.
No dia seguinte, vieram e levaram
meu outro vizinho que era comunista.
Como não sou comunista, não me incomodei.
No terceiro dia vieram
e levaram meu vizinho católico.
Como não sou católico, não me incomodei.
No quarto dia, vieram e me levaram.
Já não havia mais ninguém para reclamar.”

(Martin Niemoller, pastor luterano alemão e antinazista, 1892-1984)

As ditaduras se apresentam de muitas formas, quer ostentando tanques e armas de guerra, quer ostentando canetas. Todas são temerárias.

No Brasil de hoje, o que menos preocupa é o destempero verbal e o extremismo inoportuno do presidente da República.  “Cachorro que late não morde”, diz o ditado.

Os golpes ditatoriais não são precedidos de avisos. Quem quer instalar golpe não avisa antes. Isto é elementar. É ingenuidade pensar de modo diverso.  

Os golpes militares são engendrados estrategicamente, em silêncio, sem estardalhaço, com serviços eficientes de inteligência e vigilância de setores da sociedade.

Ou não será golpe. Assim foi em 1964.

O que deve preocupar a população em geral é a ditadura do Poder Judiciário, que está a todo vapor e a sociedade não percebe. Pior: sob o argumento de que está agindo em defesa da democracia.

Democracia não se exerce com prisões arbitrárias, tampouco com a disseminação do medo e da insegurança jurídica e, menos, ainda, rasgando páginas da Constituição Federal.

Parece que o Supremo Tribunal Federal está abdicando de sua condição de Corte Constitucional para assumir o protagonismo de juiz criminal de primeira instância.

O STF tem expedido mandados de prisão contra deputado federal, presidente nacional de partido político, jornalistas, blogueiros e cidadãos comuns, até contra caminhoneiros e ameaçando fazê-lo em desfavor de inofensivos cantores da Jovem Guarda, a exemplo de Eduardo Araújo e Sérgio Reis que, inocentemente, andaram falando um bocado de asneiras.

Não precisa ser inteligente para saber que os cantores Eduardo Araújo e Sérgio Reis não têm índole de terroristas. Mas o STF acredita que têm.

Quem passou a vida inteira cantando e enaltecendo o amor não vai se transformar de um dia para outro, já na velhice octogenária, num perigoso terrorista e demolidor de instituições.

Em consequência, o que assusta é que esses mandados de prisão, geralmente preventiva, são expedidos ao arrepio da lei, sem o devido processo legal e sem o amplo direito de defesa, de resto assegurado na Constituição, que o Supremo Tribunal Federal diz defendê-la.  

O Supremo Tribunal Federal inventou uma figura que não existe em nenhum ordenamento jurídico, exceto em regimes arbitrários: o flagrante permanente baseado na internet.

Exemplo: um texto escrito há dez anos. Ao ler a matéria hoje e achar-se ofendida, qualquer autoridade pode pedir a prisão do autor, porque, diz o STF, se o texto continua no ar, o flagrante persiste. Um absurdo, uma ilegalidade.

É a caçada contínua a escritores, jornalistas, cronistas em geral, pessoas que lutam com as palavras. É a ameaça permanente de censura prévia, o tolhimento da livre manifestação do pensamento.

Ninguém se assuste se vereadores dos mais afastados rincões do Brasil, prefeitos, deputados estaduais e líderes políticos do interior, mesmo sem mandato, forem surpreendidos com decisões do Supremo Tribunal Federal, com decretos de prisão, por simplesmente terem usado o sagrado direito de expressão para fazer críticas a poderosos.

Ninguém se assuste se o guarda da esquina, em qualquer cidade ou povoado do interior, começar a dar voz de prisão a incautos internautas, porque expressaram suas opiniões em redes sociais. O Supremo Tribunal Federal certamente dará o beneplácito, se não mudar o entendimento.  

O que mais assusta é o silêncio de quem tem o dever de protestar contra o desmoronamento do direito dos cidadãos: de falar, de opinar, de defender, de contestar, de manifestar-se livremente.

Cadê a Associação Brasileira de Imprensa (ABI), cadê os partidos políticos, cadê as entidades que se dizem defensoras dos direitos humanos?

Estão todos silentes, coniventes, extasiados com esse estado de coisas.

Exemplo claro, cristalino e inegável dessa indiferença estarrecedora:

O ex-presidente Lula da Silva foi regularmente processado, teve assegurado seu direito de ampla defesa, foi julgado e, por fim, condenado e preso, após o trâmite em todas as instâncias, como mandam as normas processuais.  

O PT, o lulopetismo e a esquerda em geral alardearam para o Brasil e o  mundo que Lula da Silva foi encarcerado na condição de preso político. Até levaram isto a cortes internacionais. 

Hoje o PT – maior partido de esquerda – o lulopetismo e a esquerda em geral aplaudem – ou, no mínimo, silenciam – quanto às prisões decretadas pelo Supremo Tribunal Federal contra jornalistas, blogueiros, deputado federal, presidente nacional de partido político, mesmo não havendo condenação contra essas pessoas.

Por quê?

Porque as prisões ainda não atingiram pessoas da esquerda, mas estão concentradas em correntes políticas adversárias.

Por aí se vê, que no Brasil não se faz política com seriedade. Os partidos políticos não defendem ideais, mas interesses nem sempre confessáveis.

As ditaduras às vezes se apresentam sorrateiramente, caneta em punho, prendendo, arrebentando consciências, suprimindo direitos, oprimindo e calando a voz de cidadãos que ousam discordar dos poderosos.

A obediência às leis e decisões judiciais é dever de todo cidadão.

Eventuais excessos devem ser evitados e punidos na forma da lei. Mas a subserviência não é virtude, não é dever. É covardia.

Parafraseando Martin Niemoller: quando nos levarem, poderá não haver mais ninguém para reclamar.

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Adonai Matos Torres e a história de Patamuté

Adonai Matos Torres e Cleonice Pedroza Torres/álbum de Cleonaide Pedroza Torres

“Aprendi que não há homem meio honesto. Ou são inteiramente honestos ou não o são” (Jânio Quadros, 1917-1992)

Adonai Matos Torres, nascido em 22.08.1925 e falecido em 30.10.2007, seguramente foi o político de maior destaque de Patamuté antes da ascensão de Theodomiro Mendes da Silva.

Entretanto, na época de Theodomiro, que foi prefeito de Curaçá por dois mandatos (1973-1977/1983-1988), surgiram outros homens públicos que também se dedicaram inegavelmente ao distrito. Exemplos, que não são únicos: João Brandão Leite e João Pedro Cunha (Didi). Ambos foram vereadores de Curaçá.

Noutra quadra do tempo, mais tarde, da mesma linhagem familiar de Adonai, outros filhos de Patamuté foram vereadores de Curaçá e o fizeram com brilhantismo e considerável destaque e dedicação ao lugar: José Valberto Matos Leite e Anselmo Vital Matos (legislatura 2000-2004), ambos sobrinhos de Adonai.

O cotidiano de político do interior é sinônimo de presença diuturna na vida das pessoas carentes. Adonai fez isto com maestria. Filho de Otaviano Matos, major da Guarda Nacional, uma honraria instituída pelo Império e neto do coronel Galdino Ferreira Matos (1840-1930), primeiro chefe político de Patamuté, Adonai herdou de seus ascendentes o gosto e a dedicação à causa do povo.

A política partidária foi sua glória e seu fracasso.

Político marcadamente populista, Adonai entendia que o povo é a razão de ser do homem público. Assim, teve seus momentos efêmeros de glória e outros tantos de fracasso, que não ofuscaram sua biografia.

Tinha qualidades inquestionáveis, dentre essas a fidelidade aos amigos e o respeito aos eleitores.

Quando aliado do prefeito José Félix Filho (Zé Borges), talvez nesse período tenha experimentado o auge de sua glória como político e representante de Patamuté.

Seu declínio político deu-se espontaneamente, por não mais acreditar nos homens da terra e em razão de decepções constantes e traições de próprios correligionários.

Homem sincero, Adonai não aceitava falhas de caráter. Nunca transigiu com falcatruas e jamais aceitou vantagens para flexibilizar as posições que defendia.

Irredutível em seus pontos de vista, a tocha que iluminava o seu caminho era a honestidade. Quando os ventos deixaram de lhe ser favoráveis, achou melhor ficar à margem da política, não obstante décadas de presença e atuação na vida de Patamuté.

Casado com D. Cleonice Pedroza Torres, uma elegante e respeitável senhora e esposa exemplar, Adonai constituiu família numerosa. Com ela viveu seus dias de ostracismo político, recolhido aos ditames de sua consciência.

A esposa Cleonice era sua fortaleza e seu esteio. Com ela dividiu os momentos de glória e de angústia.

Exemplo de dedicação aos filhos, mesmo em tempo de dificuldades, deixou-os criados, encaminhados profissionalmente, respeitáveis e moralmente sadios.

Homem de caráter irrepreensível, a atividade política de Adonai não lhe tirou a capacidade de dedicação aos mais humildes, independentemente de cor partidária. Era presença de destaque em tudo que se discutia no distrito de Patamuté.

Em 13.06.1968 foi um dos fundadores da Sociedade 13 de Junho de Patamuté e fez parte de sua primeira Diretoria ao lado de Manoel Brandão Leite, Mário Matos Lopes, José Mendes Fonseca e José Gomes Reis Filho.

Exemplo de homem público, Adonai Matos Torres deixou um legado para Patamuté: a honestidade e o amor que sempre dedicou à terra. Filho ilustre do lugar, merece ser reverenciado, sempre.

A história também se escreve com os ideais dos antepassados que indicaram, cada um a seu modo, o caminho por onde hoje trilhamos.

Adonai faz parte da história de Patamuté.

araujo-costa@uol.com.br

Sete de setembro, o rei e a barriga do rei

“Bafejado pelo êxito qualquer homem se imagina predestinado a grandes missões. Se é um medíocre, não tardará a cair, mas se estiver à altura da oportunidade, a vitória lhe proporcionará energias imprevistas” (Luís Viana Filho, 1908-1990, historiador, ex-governador da Bahia)

Alfredo Sirkis (1950-2020), jornalista e escritor, esquerdista carioca de relevante atuação política na ditadura militar, conta em seu livro Os carbonários (Global Editora, 1980) um episódio que aconteceu quando regressou ao Brasil.

De volta do exílio, ao desembarcar no aeroporto do Rio de Janeiro, o policial que o atendeu, antes treinado pela ditadura para perseguir e torturar militantes de esquerda, ao analisar seu passaporte e sua condição de anistiado, disse-lhe ironicamente:

– “Agora que tu vais ficar complexado, né rapaz? Não damos mais bola pra ti”.

Quando o Brasil mostrar aos torcedores do caos, que o 7 de setembro de 2021 será apenas mais uma data cívica no calendário, ministros do Supremo Tribunal Federal, que gostam de holofotes, vão ficar complexados ao se darem conta de que os brasileiros exigem deles trabalho e não militância política.

Ministros do Supremo Tribunal Federal ganham estratosféricos salários e mordomias inalcançáveis pelo cidadão comum, pagos pelos brasileiros, para trabalhar e não para fazer política.

Só para dar um exemplo: em 2016, segundo dados do próprio STF, cada um dos 11 ministros do Supremo tinha uma média de 222 assessores.

Rapadura doce, não é?

Quem quer fazer política não deve usar toga. Deve habilitar-se nas urnas e usar a tribuna democrática, que é o lugar próprio para arroubos, defesa de ideias e campo para a luta em benefício da sociedade.

Entretanto, o que se pode esperar de ministros do STF que nunca foram magistrados e sequer redigiram uma sentença na vida e estão no topo do Judiciário por serem amigos do rei de plantão que os indicou?

O Brasil precisa prosseguir em sua caminhada, em paz, independentemente da arrogância de alguns poderosos que se elevam acima dos ombros dos demais brasileiros.

Uma das aulas mais memoráveis que tive – e guardei a lição – foi na condição de ginasiano no querido Colégio Municipal Professor Ivo Braga, de meu belo município baiano de Curaçá.

Dr. Pompílio Possídio Coelho, médico, exemplo de caráter irrepreensível, ex-prefeito do município no período 1967-1971, então professor de Português do Colégio, em aula memorável, transformou em prosa os versos do Hino Nacional.

Foi lá que aprendi, de verdade, que “as margens plácidas do Ipiranga ouviram o brado retumbante de um pouco heroico”.

Continuemos sendo heroicos, apesar do rei e da barriga do rei. E de alguns ministros do Supremo Tribunal Federal.

Não devemos dar bola para gestos extremados, mesmo que venham de lugares de onde se espera a moderação.  

Que fiquem complexados os que apostam no caos.

Algum rei, nalgum lugar, pode estar grávido de arrogância. Não é bom, nunca será bom.

araujo-costa@uol.com.br

Patamuté, Antonio Paixão e seu tempo

Antônio Ferreira Dantas Paixão/foto álbum de Josias Paixão

“Digo a verdade não tanto quanto sei, mas tanto quanto ouso. E ouso mais à medida que envelheço” (Michael de Montaigne, 1533-1592)

Recolho parte de fragmentos de minha memória esburacada pelo tempo e ouso dizer algumas coisas, embora à semelhança de Montaigne, essas coisas tenham muito de ousadia.

Recolho informações de meus amarelados papéis de arquivo, já conhecidas de todos, de modo que não há novidade nisto que escrevo hoje, mas o cronista às vezes se perde e se acha e se enrola no próprio tempo, eleva-se pretensiosamente à condição de memorialista e, quase sempre, acaba colocando os burros n’água.

Quiçá este seja o meu caso que, reconheço, quase sempre meto o bedelho onde não fui chamado.

Em minha trajetória de vida fui ajudado por algumas pessoas que me são caras até hoje, mesmo que já se tenham ido para a eternidade “antes do combinado”, como diz o caipira paulista.  

Prolegômenos à parte, vou aos fatos. Importam aqui os fatos e não o achismo do escrevinhador.

Década de 1960. Em Patamuté, sertão baiano de Curaçá, Antonio Ferreira Dantas Paixão (1899-1976) e sua esposa Rachel do Carmo Paixão (que me chamava “meu filho”, honra que carrego até hoje) muito me ajudaram no princípio de minha caminhada rumo ao desconhecido.

Sob os auspícios de ambos, que condição eu não tinha, foi-me possível frequentar o curso primário na Escola Estadual de Patamuté, então pertencente ao Departamento de Educação Primária, da Secretaria de Educação da Bahia.

A ordem natural na época, para quem podia estudar fora de Patamuté – e eu não podia –  era alcançar o ginásio e depois o curso clássico ou científico.

O prédio da escola ainda está lá, salvo engano, em ruínas, recusando-se ao desmoronamento completo e ao abandono da história, graças ao descaso de nossas competentes autoridades do estado e do município de Curaçá que o ignoram.

Há quem pondere que o prédio escolar de Patamuté é de responsabilidade do Estado da Bahia e não do município de Curaçá. Este argumento não exclui o dever de zelar por ele, já que o prefeito, qualquer que seja ele e seu partido político, tem atribuições para reivindicar do governo estadual tudo que se faça necessário à população.

Ou, então, se o prefeito do município não souber disto, é caso de pegar o boné e escafeder-se em direção ao ostracismo.

Considerando o estado de abandono do prédio escolar de Patamuté, parece razoável entender que o prefeito de Curaçá não conhece bem o alcance de suas atribuições. Possivelmente o prefeito está confundindo política com politicalha.

Em ciência política e na estrutura de direito do estado, há outras figuras importantes no município: os vereadores, por exemplo. Patamuté está precisando de vereadores. Carece de vereadores. Se os tem, precisam ser cobrados, já que não atuam a contento.

Autoridades eleitas pelo povo que não operam em benefício da população devem ser ignoradas e, na primeira oportunidade, substituídas por outras, nas urnas.

Política é arte, nem todos sabem exercê-la. Mas deixa pra lá.

Volto-me à memória de Antonio Ferreira Dantas Paixão, comerciante e político de Patamuté, que é mais importante neste espaço.

Empreendedor de visão, Antonio Paixão exercia o comércio em Patamuté e instalou uma fábrica de beneficiamento de sisal e caroá na Fazenda Bom Jardim. Lá fundou escola e nomeou professora com destaque para Graziela Ferreira da Silva, baluarte do ensino na localidade e circunvizinhanças.    

Antonio Paixão foi vereador de Curaçá em dois mandatos e chegou a arriscar-se na disputa ao cargo de prefeito do município contra o impoluto Gilberto da Silveira Bahia, que ganhou a eleição e governou no período de 1959-1963.  

Gilberto Bahia capitaneou orgulho e admiração dos curaçaenses e seu legado estende-se até os dias de hoje. Sua linhagem herdou a decência política e o amor a Curaçá.

Homem de caráter irrepreensível e reputação ilibada, Antonio Paixão tinha bons relacionamentos com respeitáveis homens públicos.

Em Curaçá, por exemplo, Antonio Paixão foi aliado de Euvaldo Torres de Aquino e Jayme da Silveira Coelho. Em âmbito estadual, Francisco Waldir Pires de Souza e Oliveira Brito, ícones da decência política na Bahia.

Termino este artigo como comecei. Citando Montaigne: “Digo a verdade não tanto quanto sei, mas tanto quanto ouso. E ouso mais à medida que envelheço”.

araujo-costa@uol.com.br     

O ministro e o padre

Em recente artigo na Folha de S.Paulo, o ministro Ricardo Lewandowiski, do Supremo Tribunal Federal, ao discorrer sobre a crise política e as iminentes manifestações previstas para 7 de setembro vindouro,  acaba alertando sobre a inconveniência da impunidade quanto a eventuais transgressores da ordem constitucional.

Titulo do contundente artigo do supremo ministro: Intervenção armada: crime inafiançável e imprescritível.

Admiro muito o ministro Ricardo Lewandowiski. Foi meu professor na Faculdade de Direito de São Bernardo do Campo, quando seus cabelos ainda não tinham sido tingidos pelo tempo e numa época em que o Brasil tinha juízo.

Mestre preocupado com o andar da sociedade e com aquilo que o Direito podia fazer por ela, Lewandowiski brilhava na cátedra e entusiasmava todos nós, seus discípulos. Seus cabelos esvoaçavam à semelhança do poeta baiano Castro Alves.

Qualquer aula de Lewandowiski era memorável, inesquecível, enriquecedora.

Contudo, hoje o ministro Lewandowiski me faz lembrar a história do padre bonito.

Mulheres iam à missa com o intuito de purgar seus pecados, mas quando se deparavam com o padre, diziam que era impossível não continuar pecando, ainda que por pensamento, tamanha a beleza do sacerdote celebrante, já que por palavras e obras não podiam pecar.

O ministro Lewandowiski abomina a impunidade como todos nós, mas  peca, neste particular, pelo apego à teoria e ao excesso de formalismo doutrinário.

Vejamos.

Reiteradas decisões do Supremo Tribunal Federal ou reflexos delas, muitas com o voto de Lewandowiski, mandaram para a rua mais de uma centena de ricos, magnatas e famosos delinquentes que a Lava Jato mandou para os presídios por corrupção, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e outros delitos mais, todos adstritos à dilapidação dos cofres públicos.  

Recente notícia veiculada na imprensa diz que, dos sentenciados pela Lava Lato – cerca de 140 ou perto disto – mesmo considerando os exageros da operação, somente está preso Sérgio Cabral, ex-governador do Rio de Janeiro.   

Pergunta-se:

Todos os demais são inocentes ou foram alcançados pela impunidade?

É justa a justiça tardia, quando os crimes já prescreveram?

Deixá-los soltos não é impunidade?

É elementar e óbvio que todos os brasileiros devem respeitar nossas instituições.

Devemos respeito ao Poder Judiciário como um todo e, por extensão, ao Supremo Tribunal Federal e aos seus supremos ministros.

Mas é preciso ponderar, sem excluir a obediência às normas legais e às instituições nacionais que o Brasil construiu.

Em respeito ao Direito e à democracia, não podemos admitir que a impunidade preocupe o insigne magistrado Lewandowiski somente em relação a eventuais manifestantes discordantes nas ruas e, ao contrário, se transforme num manto aconchegante e protetor para amparar ladrões do dinheiro público.

Pecar em razão da beleza do padre, como as beatas, é admissível. Mas pecar por conivência com o mal feito é, no mínimo, trair o Brasil, independentemente das leis.

A moral fala mais alto, não é, ilustre professor Lewandowiski?

araujo-costa@uol.com.br