Esmeraldo Lopes e os Caminhos de Curaçá

Teatro Raul Coelho/Crédito da foto: Site Viva o Sertão.

Há alguns anos tenho em mãos, gentilmente enviado pelo autor, livro que entendo sinônimo de Curaçá e o é, sem dúvida: Caminhos de Curaçá.

O autor Esmeraldo Lopes dispensa quaisquer salamaleques. Ostenta elevado conceito nos meios universitários e intelectuais. Sociólogo, professor e escritor e, como tal, especialista em seu nobre mister. Curaçaense notável, insigne, conspícuo. Assim, sua ascendência, assim seu esteio familiar.

Por conseguinte, não há o que acrescentar à rica biografia do autor de Caminhos de Curaçá, porquanto sobejamente conhecido dentro e fora de Curaçá, nem é meu intuito fazê-lo.

As palavras do homem não têm fronteiras. Seu conhecimento é vasto, extenso, impressionantemente amplo.

Portanto, minguado em conhecimentos que sou, sinto-me incapaz de discorrer acerca desta obra que, por si só, é o que de mais abrangente foi escrito hodiernamente sobre o município de Curaçá.

Embora apoucado, escrevo. Mais para agradecer a deferência, que nunca esqueço e não me canso de repetir a gratidão quanto ao recebimento do livro.

Antes, lá pelos idos de 1916, um filho de Patamuté, João Mattos, escreveu sobre Curaçá, mas noutros contornos. Cada obra tem seu universo temporal.

Todavia, hoje me refiro a Esmeraldo Lopes e o certo é que ele é mestre na arte de escrever. Sabe interpretar magistralmente a linguagem do povo, os costumes do povo, o sentir do povo. E saiu-se com esses monumentais Caminhos de Curaçá.

É razoável supor que o escritor teve boa formação na chamada escola de sociologia paulista, abeberou-se em boas referências, a exemplo de Octavio Ianni, um de seus expoentes, mas é seguramente certo que tem suas raízes fincadas no sentir curaçaense. Inegável este seu liame telúrico.

O que me impressiona é que o homem tem linguagem disciplinada, que oscila entre a descrição histórica do município e a formação social de sua população. E o faz com tanto apego e fidelidade a nossas raízes que transforma o texto num retrato irretocável da realidade curaçaense.

Há uma uniformidade, um entrelaçamento e uma preocupação com a identidade de nosso povo de tal forma que o livro retrata Curaçá desde os primórdios e dá ao presente a resposta para o futuro, enquanto comunidade sertaneja. Pedindo escusas em razão de minha ignorância, arrisco dizer tratar-se de um tratado sociológico.

A convicção deste escrevinhador é no sentido de que outros caminhos o autor seguiu ao escrever o livro: o pisar na terra seca do sertão e a capacidade de ouvir os mais experientes para deles sorver a essência do livro. Sábios caminhos, benditos caminhos.

Estilo conciso, sóbrio, humilde. Leitura fácil e explicativa, ausência de expressões confusas capazes de dificultarem o entendimento.       

Como bem diz, na orelha do livro, a professora Juscelita Rosa Soares Ferreira de Araujo, Caminhos de Curaçá permite ao leitor “descobrir pistas perdidas na lembrança, congeladas pela insensatez da memória imediatista que nos distancia daquilo que nos mantém vivos: um tênue fio entre o passado e o presente guardado em sentimos adormecidos, que o autor faz despertar, pela riqueza com que relata os fatos e pela clareza que expõe os sentimentos”. Uma síntese, uma verdade.   

Na condição de caatingueiro curaçaense, adotei-o como livro de consulta quase que diária, até para matar as saudades do viver de nossa gente e das barrancas do Riacho da Várzea, lá nas bandas de Patamuté.

Suponho que as escolas de Curaçá também o tenham como referência obrigatória de nosso patrimônio cultural.

araujo-costa@uol.com.br

Cuidado, Ciro Gomes quer falar

Menores de 18 anos devem sair da sala. Ou desligar os televisores. Ciro Gomes quer falar na televisão.

Ciro saiu na frente e está publicando filmetes publicitários nas redes sociais, fora de hora, com o intuito de pavimentar o espinhoso caminho para as eleições presidenciais de 2022.

Essa história começa lá atrás, logo depois do pífio resultado eleitoral que Ciro obteve em 2018.

Abertas as urnas, Ciro sequer conseguiu passar ao segundo turno e saiu por aí, desnorteado, metralhadora giratória em punho, atirando contra Lula da Silva, Fernando Haddad e o PT como um todo.

Foi parar em Paris, a Cidade Luz, famosa também em razão das boas qualidades etílicas. Lá Ciro sente-se em casa, certamente.  

Ciro Gomes começou a disparar para todos os lados onde houvesse alvo e mesmo que alvo não houvesse.

Ingrato e vaidoso, deu seguidas estocadas em Lula da Silva que lhe havia presenteado com o então poderoso Ministério da Integração Nacional de 2003 até parte de 2006.

Demagogo e falastrão, Ciro Gomes nada ou quase nada fez pelo Nordeste, enquanto ministro de Lula, embora cearense (é paulista de Pindamonhangaba) e conhecedor das dificuldades da região. Continua lulista enrustido, mas tem vergonha de dizer que é, por conveniência política e para tentar desvincular-se dos tropeços de Lula.

Ciro Gomes pensa que o Brasil é semelhante ao município cearense de Sobral, onde a “dinastia” Ferreira Gomes, da qual ele faz parte, administra no grito e jogando retroescavadeira contra opositores. E ele diz que é democrata.

Ciro Gomes quer defenestrar o presidente Bolsonaro do poder. A rigor, eles são parecidíssimos no que tange à arrogância e truculência. Com uma diferença: Bolsonaro diz o que pensa; Ciro Gomes é embusteiro e demagogo, beira a aventura.

Agora, surge um personagem na vida de Ciro Gomes: o marqueteiro João Santana, que trabalhou, com êxito, para as campanhas presidenciais de Lula da Silva em 2006 e Dona Dilma Rousseff em 2010 e 2014, o que lhe custou uma prisão de quase oito anos decretada pela Lava Jato, mas esta é outra história que não vem ao caso, menos agora com a iminente descoberta do desmoronamento moral do ex-juiz Sérgio Moro.

Baiano de Tucano, sertão de Canudos e formado em Comunicação Social pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), João Santana é jornalista experiente, com passagem pelos seguintes órgãos de imprensa, dentre outros: O Globo, Istoé, Veja e Jornal do Brasil.

João Santana foi repórter do Jornal da Bahia e Tribuna da Bahia e secretário de comunicação social (1986-1988) do prefeito ex-carlista de Salvador, Mário Kértesz.

Em 1992, João Santana foi agraciado com o Prêmio Esso de Reportagem, à época o mais importante do jornalismo.

Bagagem e inteligência João Santana tem de sobra.

A história com Ciro Gomes começou no ano passado. Ele sugeriu que em 2022 Lula da Silva componha, na condição de vice, a chapa de Ciro Gomes na disputa pela presidência da República.

Ciro Gomes adorou a ideia. Lula da Silva não viu nenhuma graça.

Pois bem. Agora o Partido Democrático Trabalhista (PDT), abrigo de Ciro Gomes, contratou João Santana para começar a engendrar a campanha de Ciro Gomes de 2022, intenção que ele nunca negou.

Em resumo: Ciro Gomes saiu na frente. É seu estilo querer ocupar espaços. A imprensa tem sido sua aliada irresponsável neste particular.

E a verdade? A imprensa nem sempre se preocupa com a verdade.

A grande imprensa brasileira é assim.

A imprensa joga os destemperos de Ciro Gomes no ventilador sem se preocupar com o conteúdo do que ele diz. E Ciro adora deleitar-se com a ignorância alheia.

A função principal de João Santana, por enquanto, segundo os entendidos, é tentar amaciar o vocabulário do boquirroto e espalhafatoso Ciro Gomes, pelo menos reduzir os palavrões a um patamar razoável.

Será um embate difícil entre o marqueteiro e Ciro Gomes. João Santana também gosta de palavrões. Quem tiver dúvida, basta ler o livro Aquele Sol Negro Azulado que ele lançou em 2002.  

Também músico, João Santana fundou na década de 1970 o grupo musical Bendegó, mas se encantou pela comunicação social e o marketing político, de modo que, além de ganhar muito dinheiro, ainda se encanta com figuras estrambólicas como Ciro Gomes.

Ninguém é perfeito.   

araujo-costa@uol.com.br

Chorrochó perde Dr. Pacheco, exemplo de honradez.

Dr. Pacheco/Professora Therezinha. Álbum de família.

A difícil perda do Dr. Antonio Pacheco de Menezes Filho (1936-2021) reúne lágrimas, gratidão, saudade, exemplos e lembranças, muitas lembranças.

Conheci-o em 1971. Já se vão, por aí, cinco décadas. Equilibro-me no tempo para reverenciar sua memória.

Primeiro Diretor do Ginásio Municipal Oliveira Brito, fundado em 08/02/1963 e embrião do hoje Colégio Estadual São José, Dr. Antonio Pacheco de Menezes Filho sustentou, com seriedade e dedicação, a causa do ensino em Chorrochó.

Permaneceu na trincheira do ensino público e serviu de exemplo para seguidas gerações. Sua atuação se estendeu ao Colégio Normal São José, sempre com dignidade e honradez.

O Colégio São José passou por uma fase cenecista, porquanto estruturado segundo normas e diretrizes da Campanha Nacional de Educandários da Comunidade (CNEC), instituição de providencial importância para os municípios do interior naquele tempo.

O Colégio São José ainda se estava engatinhando, quando a batuta do exímio Dr. Pacheco o transformou num respeitável estabelecimento de ensino, coadjuvado por seu corpo docente dedicado, sério e comprometido com a causa do ensino em Chorrochó.

O ensino propiciado pelo poder público aos municípios era demasiadamente ineficiente e deixava lacunas consideráveis. A CNEC, em alguns casos, preenchia esses espaços, fundando escolas e viabilizando professores locais.

Assim, estribado nesses princípios, Chorrochó construiu significativos valores que perduram até hoje e o Dr. Pacheco teve atuação de destaque nessa quadra do tempo.

Naquela ocasião, Dr. Pacheco já havia ingressado no Ministério Público do Estado da Bahia e exercia a função de Adjunto de Promotor na então jovem comarca de Chorrochó, que tinha sido instalada em outubro de 1967. O Dr. Olinto Lopes Galvão Filho, hoje nome do Forum, era o juiz de direito titular da comarca.

Dr. Antonio Pacheco de Menezes Filho fez brilhante carreira na Bahia e trabalhou em diversas comarcas do Estado, dentre elas Chorrochó, Morro do Chapéu, Euclides da Cunha, Paulo Afonso e Salvador.

Em todas essas comarcas alçou posição de destaque no edificante exercício de sua função de promotor de Justiça. Salvo engano, aposentou-se em novembro de 1994.

Dr. Pacheco era casado com a insigne professora Maria Therezinha de Menezes, brilhante senhora da sociedade chorrochoense, ícone da cultura local, lídima, notável e conspícua intérprete das tradições de Chorrochó, com quem constituiu família.

As filhas Fabíola Margherita e Cynthia Cibelle completam o núcleo familiar e estiverem sempre ao redor do casal, desfrutando a ascendência exemplar e certamente razão de orgulho.

Não custa acrescentar que o Colégio São José, hoje estadual, ainda desempenha importante papel na educação de Chorrochó. Lá está, seguramente, a semente imorredoura plantada pelo Dr. Pacheco.

O falecimento do Dr.Pacheco nos faz rememorar monumentais exemplos de bondade e competência profissional que ele deixou para seguidas gerações.

Culto, simples, inteligente, sensato, moderado e comedido em suas ações, Dr. Pacheco deixa sábio exemplo de vida e de caráter irrepreensível.

Dono de uma humildade impressionante, Dr. Pacheco construiu uma história de elevada honradez e seriedade. É um exemplo para chorrochoenses, admiradores e familiares.

Deixo registrados meus pêsames à professora Therezinha, às filhas Fabíola Margherita e Cyntia Cibelle e aos demais que integram o núcleo familiar do falecido.

Os pêsames são extensivos à toda família Pacheco/Menezes de Chorrochó.

Que o Senhor do Bonfim o acompanhe e Deus o ampare.

araujo-costa@uol.com.br

José Afonso, o artesão da vida

José Afonso/Foto de sua página no Facebook.

“Os que admitem intenções belas nas coisas belas são espíritos cultos. Para eles há esperança. O artista é criador de coisas belas” (Oscar Wilde, 1854-1900)

José Afonso da Cunha Martins (1948-2021) reunia em si muitas condições e qualidades: ator, artista plástico, vigilante diuturno das coisas do sertão e defensor da caatinga. Dir-se-ia um ecologista sem estardalhaço, mas ativo e sempre presente.

Preocupava-se com a preservação de árvores e até chegou a plantar algumas representativas do sertão e presentes na vida do sertanejo, ainda que o tenha feito simbolicamente. Mas é tudo, fez o registro, plantou a esperança, deixou o exemplo.

Preservacionista, mas não conservador, artesão da vida e do significar das coisas belas. Impressionava pela humildade e firmeza de sua luta.

José Afonso “encarnou” Antonio Conselheiro a partir de 1997, em seguidos papéis que desempenhou, durante anos, nas estradas do esturricado sertão da Bahia, vivenciando o beato nas conhecidas Romarias de Canudos.

Mais: levou sua contribuição cultural até o município pernambucano de Exu, terra de Luiz Gonzaga, outro ícone da cultura nordestina.

A aparente fragilidade física contrastava com a força que ostentava no enraizamento de nossa cultura, quer no mister de seu variado e rico artesanato, quer na resistência cultural que representava.

José Afonso andou por São Paulo, onde foi ajudante de mecânico e operador de máquina industrial, dentre outras atividades, mas as raízes falaram mais alto do que o êxodo temporário a que se dispôs.

Nascido na Fazenda Boa Esperança, em Patamuté, lá também José Afonso cuidou das coisas da roça, a exemplo da criação de caprinos, em certa quadra da vida, mas a inquietude era maior e saiu do aconchego familiar para o mundo das artes. Chegou a participar de novela da Rede Globo de Televisão, o que acabou lhe dando maior visibilidade de sua grandeza artística.

A região sanfranciscana perde nosso Afonso Conselheiro, o Matusalém, o Minha Pedra, o artesão da vida.

Curaçá lhe deve uma homenagem perene e resistente ao tempo à semelhança de seu estilo e de sua luta.

Tarefa para a Câmara Municipal de Curaçá.

araujo-costa@uol.com.br

O sobrado, Cuba e Lula da Silva

“Se contribuir ao saber ou prazer dos homens fosse justificativa indispensável, pouca palavra se escrevia e menos se publicava” (Saraiva Guerreiro, 1918-2011, diplomata, ministro das Relações Exteriores do presidente Figueiredo).

Avistei o sobrado de estilo arredondado e muitas portas e janelas, no vale, entre árvores e flores e banhado pelo espetacular sol do crepúsculo.

Lá estava meu anfitrião para uma conversa com o jornalista, não com o repórter. Há diferenças abismais entre ambos.  

Falamos de tudo, como convém a amigos de outras quadras da vida. Não era uma entrevista, propriamente, mas uma conversa saudável e saudosa, um bate-papo à moda do velho jornalismo, entremeado aqui e acolá, com a generosa cachaça curtida ao Cambuci, planta nativa da região.

Ouvimos de tudo ou muito de tudo, Lost in Love, com Air Supply, Chão de Giz, com Zé Ramalho, Doce amargura, com Moacir Franco e muito de Roberto Carlos, Jovem Guarda, et cetera. Estávamos em nosso tempo, segundo a saudade.  

Tudo coisa das antigas, como dizem os jovens de hoje.

O papo resvalou-se para a política, como nos velhos tempos de rebeldes estudantes, quando, em tempo de ditadura, enfrentávamos em Santo André, ABC paulista, os cassetetes da polícia do governador Paulo Egydio Martins e do secretário de Segurança Pública coronel Erasmo Dias.

Lembrei-lhe de que “um cabo e um soldado são suficientes para fechar o Supremo Tribunal Federal” (eu não disse isto, alguém disse). Isto foi dito bem antes da insensatez dos tresloucados bolsonaristas da vida.

Lembrei-lhe também do político maranhense Vitorino Freire, ícone da política nordestina: para Vitorino, em tempo de crise, o jurista mais famoso é o senhor Sherman.

Ninguém conhecia o jurista Sherman. Vitorino Freire explicou: Sherman era a marca dos tanques que o Exército brasileiro usava na época. Ponderou: “quando os tanques do Exército saem da Vila Militar para as ruas, já trazem a interpretação da Constituição Federal pronta”, independentemente do que pensam e dizem os vaidosos e intocáveis ministros do Supremo Tribunal Federal.

O STF hoje é um amesquinhado partido político. O STF abdicou de sua nobre função de corte constitucional, guardiã da Constituição da República e se apequenou para ajustar-se e fazer a vontade de minúsculos partidos de esquerda.

Pode ser hilário, mas essa balbúrdia sempre foi assim em todas as crises em que as instituições políticas não conseguiram resolver os problemas nacionais.

Falamos de Cuba, o paraíso dos petistas, da esquerda do Brasil e de Flávio Dino, governador do Maranhão e outros aloprados comunistas e ex-comunistas, que embora governando paupérrimos estados, vivem nababescamente à custa do direito público.

Fidel Castro, que era amigo de Lula da Silva e se engasgou com um bife a rolê na casa de Lula, na Rua São João, em São Bernardo do Campo (esta é outra história, perguntem para José Dirceu), sustentou a ditadura mais longa e sangrenta das Américas. Mas é exemplo do lulopetismo.

Fidel mandou fuzilar dezessete mil opositores, prendeu jornalistas,  perseguiu homossexuais e implantou o ateísmo como “religião” de Cuba. Média de 15% dos cubanos fugiram da Ilha. Mas é exemplo do lulopetismo.

Em Cuba, hoje – paraíso dos petistas- 60% dos trabalhadores são empregados do governo e 60% da comida é importada.  Um ex-genro de Raul Castro, sobrinho de Fidel, controla 75% da economia de Cuba. Mas é exemplo do lulopetismo,

Corrupção? Não, lá não existe. Que é isto?

O chefe da agência de espionagem de Cuba é filho de Raul Castro.

Depois de 60 anos do comunismo em Cuba, a miséria por lá impera. Os admiradores de Cuba, Fidel Castro e seus seguidores acham romântica a pobreza dos cubanos.

É o que os petistas e seus admiradores sonham para o Brasil.   

O PT é Lula da Silva e Lula emborca umas e outras. Compreensível seu devaneio.

Então, deixa pra lá. É mesmo compreensível.

Ao amanhecer, despedi-me de meu anfitrião. Sol da manhã esplêndido e convidativo para nova visita.

Depende dele.  

araujo-costa@uol.com.br

A esquina do tempo e outras esquinas

“Quando o mundo fecha uma porta, Deus abre uma janela. Quando o mundo fecha as portas e as janelas, Deus derruba as paredes” (Lídia Vasconcelos).

Em meio às madrugadas perdidas – Foram tantas! São tantas! – tenho refletido sobre a fragilidade a que chegamos até esta quadra de nossa sociedade cruel, difícil e indiferente.

Espaçam-se as certezas entre as amizades que tivemos ao longo do tempo e as que ficaram ou o que resta delas.

Amizades também fracassam. Isto é o que atestam o burburinho e o fervor da juventude e a frieza cruel do amadurecimento.

Ficaram as boas amizades, que perduram, se ainda não se foram em direção à finitude da vida.

Ouvi muitas vezes reflexões parecidas sobre portas e janelas fechadas, repetidas por um amigo, em meio às incertezas de nossa mocidade.

Em Chorrochó, o amigo Antonio Euvaldo Pacheco de Menezes (Totó, para os amigos e Corró, para o irmão Ernani do Amaral Menezes), que não está mais por aqui, deixou-me algumas reflexões.

Foi-se antes do combinado, como se diz no interior de São Paulo, mas as frases que ele tanto dizia e repetia sobre o andar da vida continuam cutucando a saudade e dilacerando meus momentos, quando me recolho à solidão.

Nunca esqueci essas reflexões nos momentos de tropeços, que foram muitos, são muitos, continuam sendo muitos.

Lembro alguns amigos. Muitos deles conhecidos nas esquinas da vida e no ziguezaguear do tempo.

Todos nós temos uma esquina em nossa vida. Se não é esta, mais próxima, será aqueloutra, mais distante e nem por isto menos importante.

Eu tive muitas e ainda as tenho. Em Patamuté, ao lado da casa de José Henrique de Souza, que também abrigava o Cartório do Registro Civil e não mais existe; em Chorrochó, a do desaparecido Bar Potiguar; em Curaçá, a do Teatro Raul Coelho; em Salvador, Rua Chile e Praça Castro Alves; em Petrolina, Rua Maurício Vanderley; em Juazeiro, Rua Coronel João Evangelista; em Santo André, Rua Brás Cubas; em Mauá, Rua D. José Gaspar; em São Bernardo do Campo, a esquina da Alameda D. Thereza Cristina, em frente ao meu antigo escritório.

Nas esquinas encontramos os amigos – ou aqueles que se dizem ser – colocamos a conversa em dia, sabemos da vida dos outros e, lá também, sabem da nossa. Espairecemos a sisudez da vida e construímos, às vezes, parte de nosso estado de espírito cultural.

Esquinas deveriam ser patrimônio cultural.

Esquinas costumam ser pontos para jogar conversa fora. Nelas se juntam jornalistas, escritores, políticos, estudantes, boêmios, curiosos, desocupados em geral e outros circunstantes.    

Há notícias boas e más nas esquinas. Foi numa esquina que, décadas atrás, abri o jornal e vi meu nome na lista de aprovados no vestibular da Faculdade de Direito de São Bernardo do Campo.

Hoje isto não tem nenhuma importância, parece pouco, uma coisa vulgar, até visto como narcisismo, mas naquele tempo eu havia me mudado do interior do Nordeste para uma metrópole desconhecida, muito pobre e carregando sonhos, muitos sonhos. Não mudei muito. Continuo pobre e sonhador.

Havia estudado em escola pública do meu sertão da Bahia e, passando a viver em São Paulo, era o coroamento de uma trajetória humilde e difícil. Uma trajetória que começou na Fazenda Bom Jardim com a primeira professora Graziela Ferreira da Silva, depois na Escola Estadual de Patamuté (saudade da dileta professora Beatriz Gonçalves dos Reis Gomes), passou pelo então Colégio Normal São José, de Chorrochó e, mais tarde, pelo Colégio Municipal Professor Ivo Braga, de minha querida e distante Curaçá.

Também foi numa esquina, no interior de São Paulo, que um telefonema me alcançou e recebi a notícia da morte de minha mãe, momento muito difícil e dilacerante, talvez a primeira vez que me senti fragilizado ao extremo. Um desespero inominável e inexplicável.

O tempo também constrói suas esquinas. São as esquinas da reflexão e da sabedoria, para entendermos as quedas do caminho, os tropeços, o misturar da poeira, o esvoaçar das cinzas.

Surge da queda a grandeza para enfrentarmos as adversidades e há também a esquina para mostrar o horizonte e divisar as luzes da alvorada.

As esquinas da vida também se prestam para muitas outras coisas, inclusive para servir de assunto para uma crônica de saudade e entender que as amizades também fracassam ou desaparecem.

 araujo-costa@uol.com.br

Chorrochó recupera prédio histórico da Prefeitura

Prédio-sede da Prefeitura de Chorrochó/foto Assessoria de Comunicação da Prefeitura.

Humberto Gomes Ramos, prefeito do município de Chorrochó, sertão da Bahia, em data recente, determinou a realização dos serviços de recuperação do antigo prédio-sede da Prefeitura Municipal.

Trata-se de reivindicação que parte da população vinha fazendo há anos, tendo em vista o valor histórico da construção.

Ademais, o estado de abandono da construção depunha contra seguidas administrações municipais.

Situado na área central da cidade, o prédio foi construído em 1962 por Dorotheu Pacheco de Menezes, segundo prefeito eleito de Chorrochó, para abrigar a sede da Prefeitura.

Lá, durante décadas, forjavam-se as decisões do município gestadas no Poder Executivo e também se realizavam as sessões da Câmara Municipal numa época em que o município ainda engatinhava em busca de seu destino.

O prédio vinha sofrendo inaceitáveis sinais de deterioração. Tornavam-se visíveis os reflexos sobre a história de Chorrochó, incompatível com a altivez de seu povo e com o declínio e decadência de seus valores culturais.

A Assessoria de Comunicação da Prefeitura de Chorrochó, através do conspícuo e atencioso Edilson de Oliveira Maciel, informou a este blog que no prédio recuperado passaram a funcionar os seguintes órgãos da Municipalidade: Secretaria de Agricultura, Secretaria de Infraestrutura, Secretaria de Obras e o Departamento do INCRA, além de outras atividades correlatas.

O atendimento ao público no local dá-se, em dias úteis, das 08:00 às 14:00 horas.

A julgar por informações adicionais obtidas por este blog de outras fontes, presume-se que a Prefeitura de Chorrochó dará prosseguimento à reforma do prédio em referência, de modo a compatibilizá-lo com o slogan da atual gestão: Um novo tempo, Uma nova história.

A este Blog, que sempre defendeu mais atenção das autoridades do município em relação à história do lugar, cumpre fazer o registro desses primeiros e necessários sinais de recuperação do antigo prédio da Prefeitura.

Em consequência, este Blog torce para que a atual gestão de Chorrochó, além de suas metas administrativas já traçadas, passe a enveredar por seguros caminhos, em direção à sedimentação dos valores culturais e históricos do povo chorrochoense.

araujo-costa@uol.com.br

Políticos parasitas e embusteiros

“Parasitas necessitam de ruínas que os façam crescer”(Nathaniel Hawtorne, escritor americano, 1804-1864).

O lulopetismo deu um chute violento nas costas do Brasil e o empurrou para o despenhadeiro.

Os escombros provenientes da queda se transformaram nas ruínas que conhecemos: ruína moral, ruína econômica, ruína social, ruína política e outras tantas.

A sociedade ficou mais desamparada, em razão da incursão da corrupção nas ações dos governos petistas, de modo que ser corrupto no Brasil passou a ser normal, normalíssimo e até sinônimo de elitismo.

O PT institucionalizou a corrupção que, a bem da verdade, sempre existiu desde o colonialismo português.

Se assim não fosse, não veríamos o triste espetáculo em que o Supremo Tribunal Federal dedica todo o seu tempo em desmoronar os alicerces de defesa da moralidade pública.

Os exemplos estão aí escancarados, inegáveis, incontrastáveis. Os ministros do Supremo não têm o menor pudor em demonstrá-los, por uma razão muito simples: no Brasil manda quem tem poder, mesmo que não tenha moral.

“Que país é este? ” – Perguntaria o arenista da ditadura militar Francelino Pereira.

Os processos judiciais que envolvem contumazes ladrões do dinheiro público aportam no Supremo Tribunal Federal com o intuito de que o STF absolva os envolvidos e mande-os de volta para suas sofisticadas mansões. Sempre dá certo. Sempre tem dado certo.

No Brasil, furtar pouco dá cadeia brava, mesmo em se tratando de furtos famélicos, quando, por exemplo, o miserável em desespero, surrupia um pacote de biscoito do supermercado para alimentar seus filhos que se retorcem, em casa, com o estômago vazio. Esse é trancafiado no cárcere e até, em certos casos, morre lá.

Ao contrário, furtar milhões e até bilhões de dinheiro público, dá status e garantida absolvição, com direito ao acobertamento da conduta delitiva do delinquente pela Justiça que tem o dever de fazer Justiça, mas não faz.

Pior: o Supremo Tribunal Federal ampara essa conduta de políticos e agentes públicos corruptos, que passam a ostentar o título de pessoas irrepreensíveis diante da sociedade brasileira que elas assaltaram.

Em 2018, as urnas entregaram os destinos do País a uma parte da direita destrambelhada e incapaz de mostrar à população que os governos anteriores foram corruptos e quebraram o Brasil.

Há exemplos claros, inegáveis, incontestáveis, vergonhosos.

Dona Dilma Rousseff passou o Brasil para Michel Temer com aproximadamente 14 milhões de desempregados.

Hoje a esquerda contrariada, imbecilizada e desonesta diz que o desemprego é fruto da incompetência do governo Bolsonaro.

Outro exemplo: Lula da Silva permitiu a abertura de créditos para as pessoas de baixa renda financiarem eletrodomésticos, móveis para guarnição de suas residências e tudo o mais que necessário fosse, o que, em suma, não estava errado.

Todavia, Lula da Silva não engendrou com seus banqueiros amigos, que mandam na economia, regras capazes de impossibilitarem a negativação dos nomes dos inadimplentes, que caíram nessa situação por falta de emprego e em razão do sucateamento da economia nacional, fruto da desastrada política petista.

Resultado: hoje, há no Brasil,  60 milhões de pessoas negativadas, em números aproximados, com “o nome sujo”, porque, sem emprego e renda, não conseguiram pagar as prestações que Lula da Silva dizia, irresponsavelmente, ser a redenção dos pobres.

Lula da Silva lavou as mãos, deu de ombros aos pobres e hoje tem a cara de pau de criticar a situação econômica do Brasil, não obstante ter permitido a dilapidação dos cofres públicos montado no mensalão, petrolão e outras maracutaias que tais.

Mais: obcecadamente de olho nas eleições de 2022, Lula da Silva não considera a pandemia do coronavírus, que dilacerou a economia mundial.

Lula demonstra nítido desrespeito à inteligência dos brasileiros, que ele quer reconquistar e/ou mantê-los como seus eleitores.

Moral da história, em consequência: ressurgem e/ou aparecem os embusteiros, os “salvadores da Pátria”, dentre eles o ex-governador cearense Ciro Gomes, lulista enrustido, que adora uma mamata; Lula da Silva e seus conhecidos velhacos, cujo proceder todos conhecemos; João Dória, embusteiro-mor da República; ex-ministros traíras do atual governo, a exemplo de Sérgio Moro, de caráter duvidoso; Luiz Mandetta, que embora bom sujeito, está se perdendo na vaidade; e até aventureiros apresentadores de televisão, que entendem de administração pública tanto quanto entendem de suas privadas.  

O que se vê, neste cenário, é que as ruínas em que o Brasil se encontra servem de alicerce para os parasitas e embusteiros crescerem.

E crescem à medida em que o governo Bolsonaro patina na forma de conduzir os destinos nacionais.

Sobra muita canalhice aos políticos que faltam com seriedade e respeito aos brasileiros que, em sua maioria, está passando fome.

araujo-costa@uol.com.br   

A estrada da Igreja de Chorrochó

Igreja de Senhor do Bonfim de Chorrochó

O brevíssimo papado de Albino Luciani – 33 dias – patriarca de Veneza, que se tornou Papa João Paulo I em 1978, deixou aos católicos consideráveis lições de humildade, marcas daquele pontificado.

O então patriarca de Veneza se incomodava com as pessoas que estavam na Igreja para criar problemas e deixou esta frase lapidar:

“Parece que algumas pessoas só olham o sol à procura de manchas”.

Tenho acompanhado, dentro do possível, o caminhar da Igreja de Chorrochó nos últimos tempos e até escrevi esparsos artigos que se perderam por falta de importância ou em razão da corrosão produzida pelo tempo.  

Caiu-me às mãos a letra do Hino de Senhor do Bonfim de Chorrochó, composição do Dr. Francisco Afonso de Menezes e música de Isael de Jesus.

O Hino passou a ser entoado nas procissões de entrada das novenas de Senhor do Bonfim, a partir de 2017, ano de sua composição e se incorporou à história religiosa de Chorrochó e ao patrimônio cultural de seu povo.

A Igreja de Chorrochó prima por sua história e tem se esforçado em sedimentá-la. Vem contando, ao longo do tempo, com a dedicação e empenho de muitos dos seus filhos.

Assim pensavam todos quantos se empenharam no sentido de sedimentar as tradições embevecidas na religiosidade herdada dos antepassados que remonta a 1885, tempo de Antonio Conselheiro.

Dr. Francisco Afonso de Menezes se inclui entre aqueles que sempre estiveram atentos à Igreja de Senhor do Bonfim de Chorrochó. Não pertence àquelas pessoas que “só olham o sol à procura de manchas”.

Sempre somou, sempre acrescentou, sempre contribuiu com sua presença intelectual.

Dr. Francisco Afonso de Menezes engrandece o caminho da Igreja e compôs o mais retumbante Hino de louvor ao padroeiro Senhor do Bonfim, talvez a melhor contribuição que um filho de Chorrochó possa deixar para a posteridade.

Há outro Hino, que enriquece a Igreja de Chorrochó, também composto por Dr. Afonso em 2015 com música do mesmo Isael de Jesus: Hino do Jubileu do Apostolado da Oração, que será objeto, em breve, de outras considerações deste blog.

À guisa de registro, reproduzo a letra do Hino de Senhor do Bonfim de Chorrochó, ao tempo em que peço vênia ao autor para sugerir que viabilize o registro autoral do Hino, isto como intuito basilar tão-somente com vistas ao enriquecimento das tradições da Igreja de Chorrochó.

Ei-lo:

Hino ao Senhor do Bonfim de Chorrochó

Letra : Francisco Afonso de Menezes

Música : Isael de Jesus

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Esplendor de luz em Chorrochó  surgiu

Senhor do Bonfim – eis a nossa devoção 

Com os auspícios  de paz e de amor

Vinde a nós,  sois a nossa salvação 

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Glorioso Senhor do Bonfim

Nosso excelso Padroeiro imortal

Fazei-nos a Vossa vontade

E livrai-nos sempre do mal

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Vinde todos com santa alegria

A Jesus do Bonfim exaltar

Grande marco da nossa história 

Água viva a sede matar

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Glorioso Senhor do Bonfim 

Nosso excelso Padroeiro imortal

Fazei-nos a Vossa vontade

E livrai-nos sempre do mal.

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Em tudo cantamos Vossas glórias 

Gerações Vosso auxílio  vem buscar

Na certeza das graças divinas

Nossa luz Sois nosso caminhar.

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Termino dizendo que a beleza do Hino soma-se à grandeza de Senhor do Bonfim e suaviza a estrada da Igreja de Chorrochó.

Somos caminheiros, andantes incertos, peregrinos sujeitos às tempestades e ávidos por novos horizontes.

Precisamos ter fé. Reavivar a fé.  

araujo-costa@uol.com.br

Memória do PT

Gilson Menezes (1949-2020), baiano de Miguel Calmon, mudou-se para São Paulo aos 12 anos de idade. Seu primeiro emprego foi numa fábrica de peças de bicicleta no bairro do Ipiranga, na Capital.  

Sindicalista atuante no Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema (hoje Sindicato dos Metalúrgicos do ABC), ao lado de Lula da Silva, que ainda era Luiz Inácio da Silva, Gilson Menezes foi um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores (PT) e primeiro prefeito eleito pelo partido no Brasil.

Integrante da chamada esquerda democrática, Gilson Menezes elegeu-se prefeito de Diadema com 23.210 votos e passou a ser um símbolo do partido, que o PT deixou escapulir.

Em Diadema, na região do ABC, Gilson Menezes montou seu palco de luta e lá estruturou sua carreira política.  

Saiu do PT quando sentiu que o partido descambava para os vícios comuns às demais agremiações políticas e entrincheirou-se, em princípio, no Partido Socialista Brasileiro (PSB).

Homem de princípios, Gilson Menezes morreu em fevereiro de 2020.

Abaixo uma entrevista que Gilson Menezes concedeu a Veja em 07/10/2016.

A entrevista serve para despertar os petistas mais jovens, que chegaram depois às fileiras do partido e desconhecem a história de seus primeiros idealistas.

Para aqueles petistas sonhadores, o dinheiro não devia ser a mola propulsora do partido, mas os ideais que o sustentavam. Como se vê, o PT mudou de rumo.

Gilson Menezes foi um desses sonhadores.

Havia muitos. Ainda há. Nem tudo está perdido.

https://veja.abril.com.br/brasil/hoje-tenho-vergonha-do-pt-diz-1o-prefeito-eleito-pelo-partido/

araujo-costa@uol.com.br