Lula da Silva cresce sob as bênçãos do ministro Fachin

O Datafolha, em pesquisa presencial, aponta que Lula da Silva está à frente do presidente Bolsonaro na disputa pela presidência da República, com vistas às eleições de 2022.

Num dos confortáveis cenários, Lula supera Bolsonaro em, pelo menos, 23%. Isto deixou a esquerda em estado orgástico, embora faltando um ano e meio para as eleições presidenciais.

A situação só mudará se o presidente Bolsonaro se livrar dos mentecaptos que o cercam, a começar pelos filhos truculentos e os integrantes da direita radical e extremistas de toda ordem.

O presidente da República está rodeado de tolos, idiotas e malucos, que não têm nenhuma noção do que seja governo. São deslumbrados da direita  imbecilizada que somente dificultam o governo e arranham a popularidade do presidente.

Soma-se o costumeiro destempero do presidente da República, que é um sábio milenar quando está calado.

Portanto, se o cenário não mudar e o ex-presidente continuar crescendo nas pesquisas, o ministro Edson Fachin já pode arrumar as malas para deixar o Supremo Tribunal Federal e assumir a função de ajudante-de-ordem de Lula da Silva no Palácio do Planalto.

Ajudante-de-ordem, para lembrar, é uma digníssima função auxiliar do presidente da República. Exerce-a o assistente imediato, o secretário particular, uma espécie de sombra do presidente.

O ajudante-de-ordem é o dono da maçaneta da porta –  qualquer porta – por onde entra e sai o presidente da República. É o condutor da pasta com os pertences pessoais do presidente, tais como creme dental, escova de dente, pentes e outros penduricalhos mais. 

O ministro Edson Fachin cavou pacientemente essa função. Supõe-se que desde a época que subia em palanque para pedir votos para D. Dilma Rousseff que – muito grata – o nomeou ministro do Supremo Tribunal Federal.

Em data recente, Edson Fachin declarou que a 13ª Vara Federal Criminal de Curitiba é incompetente para processar e julgar o ex-presidente Lula e, em consequência, anulou todos os processos que o envolviam, coisa que, na condição de relator da Lava Jato, poderia ter feito há cinco anos, como insistentemente pediu a defesa do ex-presidente.  À época, sem êxito.

Só agora Fachin determinou que as ações judiciais devem começar da estaca zero, desta vez no foro de Brasília.

Um maná para Lula da Silva. Até ser julgado novamente, já teremos ultrapassado pelo menos mais uma década que virá rebocando prescrições e outros benefícios.

Não precisa ser especialista em Lógica, nem mestre em Tratado da Consequência, para entender que Fachin deixou aproximar-se 2022 para anular as sentenças de Lula e permitir a inserção do nome do ex-presidente nas urnas.

Diante da exiguidade do tempo que nos separa de 2022, não haverá mais espaço para eventuais sentenças condenatórias, julgamento em segunda instância e inclusão de Lula na Lei da Ficha Limpa.

Edson Fachin desobstruiu o caminho eleitoral de 2022 e colocou Lula da Silva em condição de elegibilidade e, portanto, apto juridicamente para disputar a presidência da República em 2022.

Antes, Fachin teve o cuidado de combinar a decisão com os demais colegas de tribunal que, para inglês ver, disseram-se “surpresos” e “perplexos” com a posição de Fachin, mas referendaram-na com urgência incomum no STF.

Nada mais justo que o ministro Edson Fachin assuma a função de ajudante- de-ordem de Lula, num eventual mandato presidencial a iniciar-se em janeiro de 2023.

Até por um dever de gratidão e lealdade, Lula da Silva deve levá-lo para cuidar de sua maçaneta.

araujo-costa@uol.com.br

A farra parlamentar na Codevasf

O jornal O Estado de S.Paulo publicou matéria cabeluda e bem fundamentada, segunda a qual existe no Congresso Nacional um orçamento secreto da ordem de R$ 3 bilhões, manuseado por deputados e senadores, de acordo com suas conveniências políticas.

Diz a matéria que esse orçamento foi engendrado pelo presidente da República para beneficiar aliados e manter sua base parlamentar nas duas casas do Congresso Nacional. Noutras palavras: comprar apoiadores.

Partindo desse pressuposto, é através desse orçamento sigiloso e paralelo, que corre longe das vistas dos contribuintes, que o governo afaga parlamentares de ideias flexíveis – ou vazios de ideias –  aqueles que mudam de lado a qualquer tempo e votam de acordo com a quantidade de “cascalho” que escorrega em seus bolsos.

A situação faz lembrar o tão conhecido mensalão do Partido dos Trabalhadores (PT), que abastecia parlamentares corruptos com dinheiro público e que Lula da Silva não sabia, não queria saber e tinha raiva de quem sabia. Mas apoiava.

A história é longa.

Em resumo, dá-se o seguinte:

O governo federal reserva uma estratosférica bufunfa para agradar os parlamentares que andam dizendo por aí que votam contra o governo, mas mudam rapidamente de ideia tão logo o Palácio do Planalto lhes faça um cochicho ao pé do ouvido.

Deputados e senadores adoram conversa ao pé do ouvido, principalmente se a conversa for nebulosa.

Um parêntese: outro dia o espevitado senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), pernambucano de Garanhuns radicado no Amapá, disse que, no seu entender, o político que mentir nas dependências do Senado Federal deve ser preso. Pelo jeito o senador Randolfe quer fechar o Congresso Nacional por falta de políticos.

O senador Randolfe Rodrigues se acha o suprassumo da honestidade, embora ostente, além da vontade de aparecer diante dos holofotes, um passado político não muito claro. Deve ser discípulo de Lula da Silva.

Voltando ao caso do orçamento secreto. Na Bahia, por exemplo, o deputado federal Charles Fernandes Silveira Santana (PSD) de Guanambi, da mesma turma do rico senador Ângelo Coronel (PSD), direcionou sua parte do dinheiro previsto nesse orçamento secreto a uma associação beneficente para comprar uma retroescavadeira e até disse o preço que a tal associação teria de pagar pela geringonça: R$ 300 mil.

Estranho aí é que foi o deputado que deu o preço da retroescavadeira e não o fornecedor que vendeu.

Ocorre que o preço da máquina se situava por volta de R$ 250 mil. Com o restante – R$ 50 mil – não se sabe exatamente o que Sua Excelência fez ou faria, se o caso não tivesse vindo à tona.

Essa perigosa conversa de comadres envolvendo dinheiro público passa, necessariamente, pelo Ministério do Desenvolvimento Regional que obedece a ordens dos políticos que mandam na Codevasf (Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e Parnaíba).

Na prática, os parlamentares recebem o dinheiro do governo federal e o direcionam para o Ministério de Desenvolvimento Regional que, por sua vez, manda desaguar na Codevasf e esta adquire tratores, caminhões pipa e retroescavadeiras para uso político de apadrinhados desses parlamentares (prefeitos, vereadores, líderes políticos) nos municípios que compõem seus redutos eleitorais.

O pior é que essas máquinas nem sempre são bem cuidadas pelos prefeitos. Há casos em que a manutenção não é feita regularmente e outros casos em que, para limpar uma barragem ou aguada, o beneficiário tem de comprar o óleo diesel para que a máquina possa fazer o serviço.   

Em Petrolina (PE) manda na Codevasf o senador Fernando Bezerra Coelho (MDB), líder do governo no Senado da República, que recebeu R$ 125 milhões e indicou Aurivalter Cordeiro para superintender a retro aludida companhia estatal.

Em Juazeiro (BA), manda na Codevasf o deputado Elmar Nascimento (DEM) que, salvo melhor juízo, indicou Marcelo Moreira e José Alselmo Moreira Bispo para comandarem a companhia por lá. 

Com o intuito de ajudar esses políticos de ideias frouxas, os governos deram um jeitinho e alargaram legalmente a área de atuação da Codevasf, que hoje abrange 2.675 municípios espalhados por 15 estados e distrito federal.

Até no Amapá,  Pará e Mato Grosso a Codevasf atua. Em Macapá – parece – a estatal terá uma superintendência comandada por apadrinhado do senador David Alcolumbre (DEM), aliado do governo Bolsonaro.

Do alto de minha ignorância, confesso que não sabia que os estados do  Amapá, Pará e Mato Grosso fazem parte dos vales do São Francisco e do Parnaíba.

Mas dinheiro público nas mãos de políticos espertos muda até a geografia do Brasil.

araujo-costa@uol.com.br

Prefeito de Curaçá abandona Patamuté

Igreja de Santo Antônio de Patamuté.

É recorrente o estado de abandono em que se encontra o distrito de Patamuté.

São frequentes as reclamações de moradores da sede do distrito e circunvizinhança, a começar pela ausência de atenção da Prefeitura relativamente aos problemas por que passa a população local.

Citá-los aqui seria enfadonho. São muitos.

Parece razoável entender que a Prefeitura de Curaçá passa por um período de apatia, de modo a beirar a negligência no que tange ao cumprimento de algumas de suas obrigações prementes.

A reclamação mais recente é a escuridão em Patamuté.

Noticia-se que as praças do distrito estão completamente às escuras porque, segundo moradores, a Prefeitura não faz a manutenção do sistema de iluminação e sequer substitui as lâmpadas queimadas ou defeituosas.

Este Blog apurou que o problema não é na rede de iluminação do distrito, propriamente, mas entre postes, residências, igreja e praças.

Sabe-se, inclusive, que há defeitos no circuito que interliga a fiação da Igreja de Santo Antonio às praças. Se o termo técnico não for este não importa. O que importa é que o problema existe e precisa ser resolvido com urgência.  

Evidente que não se pode exigir da Prefeitura que ela responda por demanda que não é de sua responsabilidade, mas é seguramente certo que o município deve estar atento às necessidades da população, independentemente do lastro eleitoral que o distrito assegurou ao prefeito de plantão.

Isto equivale a dizer que, se os problemas constantes e repetitivos de iluminação do distrito de Patamuté fogem à alçada do município, a Prefeitura deve diligenciar junto às autoridades e/ou empresas que cuidam do sistema de energia que abastece o distrito para que resolvam a situação de imediato.

O que não pode é a Prefeitura sentar-se em cima do problema ou fazer vista grossa e deixar a população desamparada.

Escuridão pressupõe menos segurança, mais riscos aos moradores.

Presume-se que o prefeito de Curaçá tenha assessores que lhe informam sobre questões afetas à gestão municipal. Se não tiver, precisa ter. E assessores diligentes, competentes, responsáveis.

Segundo Anselmo Vital, ouvido por este Blog, o sistema de iluminação de Patamuté precisa de urgentes reparos. A população vem reclamando insistentemente, sem êxito

Líder respeitável e sempre atento às questões locais, Anselmo Vital foi cauteloso ao responsabilizar o município pela situação. Entretanto, ponderou que a Prefeitura é responsável por parte dos problemas, nomeadamente a manutenção de lâmpadas e assuntos correlatos.   

Pelo que se vê, o município deixa a desejar neste particular.

Não é demais lembrar que Patamuté ressente-se com a ausência de atenção do prefeito de Curaçá e isto deixa o alcaide em situação de desvantagem em sua condição de administrador.

Em política, há duas classes de homens públicos: os que estão por baixo e querem subir e os que estão por cima e não querem descer.

Espero que o prefeito Pedro Oliveira, que subiu, não queira descer aos escombros da reprovação e rejeição pela população de Patamuté. É um caminho espinhoso, quiçá sem volta.

Abandonar Patamuté na escuridão pode significar escuridão também de mentalidade política.  

araujo-costa@uol.com.br

Para refletir:

“Os hipócritas, como as setas das encruzilhadas, indicam o caminho que eles não seguem” (Thomas Moore, escritor irlandês, 1779-1852).

Para acordar:

Folha de S. Paulo, Painel de 08/05/2021:

“Hoje. Nesta quinta-feira, 06/05/2021, o ex-presidente Lula (PT) escreveu mensagens em suas redes sociais em que lamenta a operação policial que acabou com 25 mortes na favela do Jacarezinho, na zona norte do Rio”.

 “Ontem. A postura contrasta com o posicionamento que o petista Lula teve em julho de 2007, quando, como presidente da República, defendeu ação da polícia fluminense no Complexo do Alemão, no mesmo Rio de Janeiro, que deixou 19 mortos na época”.

Não sou eu. É o insuspeito jornal Folha de S. Paulo, contumaz defensor intransigente de Lula, que afirma e aponta a contradição.

Aliás, Lula da Silva é mestre em contradições.

Thomas Moore estava certo.  

Observação:

Na verdade, o número de mortes aumentou, por enquanto, para 28.

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Não se faz política com fome

No auge de minha vida acadêmica, hoje decadente – a velhice é sempre decadente – ouvi a seguinte frase de Alaôr Caffé Alves, professor de Filosofia do Direito e ícone da esquerda intelectual paulista: “Ninguém faz política com o estômago vazio”.

Essa frase me cutuca até hoje. Até então eu pensava que a fome impulsionava nossas ações políticas para eliminá-la.

Contextualizando, significa dizer: primeiro a população precisa ter o que comer e poder comer, para adquirir forças e cuidar do debate político-ideológico.

A capacidade de raciocínio sucumbe à fragilidade do corpo dilacerado pela fome.

Isso dito, explico a citação de décadas, que se afigura permanente, atualíssima.

Em conversa casual e despretensiosa, um amigo perguntou por que o povo não vai às ruas protestar contra o atual estado de coisas por que passa o Brasil e exigir que se coloquem os princípios democráticos acima da arrogância de nossos governantes, membros do Judiciário e do Legislativo.

O Poder Judiciário invadiu as esferas dos outros poderes da República, sem freios, sem limites, acintosamente e ilegalmente, embora esteja infestado, em todos os níveis, de juízes corruptos e portadores de “rabos de palha”.

O Poder Legislativo oscila entre a demagogia e o dever de legislar.

O Poder Executivo, sempre apático, claudica por todos os lados.

Há no Brasil, pelo menos 70 milhões de pessoas passando fome, entre desempregados, subempregados, subaposentados, miseráveis e famintos de toda ordem. É um terço da população, número assustador.

São órfãos de governos demagogos e massacrantes em os todos os tempos, quer de direita ou de esquerda. Quando o governo é ruim, pouco ou nada importa o viés ideológico.

Esses famintos fazem parte daqueles milhões que o PT e Lula da Silva alardeavam que excluíram da extrema pobreza.

Há quem acredite. Há quem acreditou. Há quem continua acreditando.

Famílias, por aí, recebem R$ 89,00 de Bolsa-Família, única renda e meio de vida para sobreviverem durante todo um mês. É possível viver assim? É possível comer? È possível alimentar os filhos?

São esses miseráveis, sem voz e sem amparo, que sustentam o discurso de políticos embusteiros e demagogos que abarrotam seus bolsos à custa da miséria alheia.

Nos rincões do Brasil e nas periferias das grandes cidades, os pobres se encolhem de fome, estômagos vazios, lágrimas se equilibrando diante da desesperança.

Faltam-lhes comida e esperança. Sobram-lhes desespero e angustia.

Outros, que ainda comem, entregam-se à imbecilidade e invadem as redes sociais defendendo políticos, muitos até sem argumentos plausíveis, mas embalados pelas paixões políticas.

São legiões vazias e polarizadas de lulopetistas e bolsonaristas que se agridem estupidamente em defesa de políticos que não têm quaisquer compromissos com a população. Mas esses seguidores acreditam que têm ou fingem acreditar.

Em resumo: o povo não sai às ruas para exigir seus direitos porque está com fome e espremido pelas restrições cruéis, ainda que necessárias, emanadas de prefeitos e governadores, nesse tempo de pandemia.

Há ausência de sustança material e política.

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Esmeraldo Lopes e os Caminhos de Curaçá

Teatro Raul Coelho/Crédito da foto: Site Viva o Sertão.

Há alguns anos tenho em mãos, gentilmente enviado pelo autor, livro que entendo sinônimo de Curaçá e o é, sem dúvida: Caminhos de Curaçá.

O autor Esmeraldo Lopes dispensa quaisquer salamaleques. Ostenta elevado conceito nos meios universitários e intelectuais. Sociólogo, professor e escritor e, como tal, especialista em seu nobre mister. Curaçaense notável, insigne, conspícuo. Assim, sua ascendência, assim seu esteio familiar.

Por conseguinte, não há o que acrescentar à rica biografia do autor de Caminhos de Curaçá, porquanto sobejamente conhecido dentro e fora de Curaçá, nem é meu intuito fazê-lo.

As palavras do homem não têm fronteiras. Seu conhecimento é vasto, extenso, impressionantemente amplo.

Portanto, minguado em conhecimentos que sou, sinto-me incapaz de discorrer acerca desta obra que, por si só, é o que de mais abrangente foi escrito hodiernamente sobre o município de Curaçá.

Embora apoucado, escrevo. Mais para agradecer a deferência, que nunca esqueço e não me canso de repetir a gratidão quanto ao recebimento do livro.

Antes, lá pelos idos de 1916, um filho de Patamuté, João Mattos, escreveu sobre Curaçá, mas noutros contornos. Cada obra tem seu universo temporal.

Todavia, hoje me refiro a Esmeraldo Lopes e o certo é que ele é mestre na arte de escrever. Sabe interpretar magistralmente a linguagem do povo, os costumes do povo, o sentir do povo. E saiu-se com esses monumentais Caminhos de Curaçá.

É razoável supor que o escritor teve boa formação na chamada escola de sociologia paulista, abeberou-se em boas referências, a exemplo de Octavio Ianni, um de seus expoentes, mas é seguramente certo que tem suas raízes fincadas no sentir curaçaense. Inegável este seu liame telúrico.

O que me impressiona é que o homem tem linguagem disciplinada, que oscila entre a descrição histórica do município e a formação social de sua população. E o faz com tanto apego e fidelidade a nossas raízes que transforma o texto num retrato irretocável da realidade curaçaense.

Há uma uniformidade, um entrelaçamento e uma preocupação com a identidade de nosso povo de tal forma que o livro retrata Curaçá desde os primórdios e dá ao presente a resposta para o futuro, enquanto comunidade sertaneja. Pedindo escusas em razão de minha ignorância, arrisco dizer tratar-se de um tratado sociológico.

A convicção deste escrevinhador é no sentido de que outros caminhos o autor seguiu ao escrever o livro: o pisar na terra seca do sertão e a capacidade de ouvir os mais experientes para deles sorver a essência do livro. Sábios caminhos, benditos caminhos.

Estilo conciso, sóbrio, humilde. Leitura fácil e explicativa, ausência de expressões confusas capazes de dificultarem o entendimento.       

Como bem diz, na orelha do livro, a professora Juscelita Rosa Soares Ferreira de Araujo, Caminhos de Curaçá permite ao leitor “descobrir pistas perdidas na lembrança, congeladas pela insensatez da memória imediatista que nos distancia daquilo que nos mantém vivos: um tênue fio entre o passado e o presente guardado em sentimos adormecidos, que o autor faz despertar, pela riqueza com que relata os fatos e pela clareza que expõe os sentimentos”. Uma síntese, uma verdade.   

Na condição de caatingueiro curaçaense, adotei-o como livro de consulta quase que diária, até para matar as saudades do viver de nossa gente e das barrancas do Riacho da Várzea, lá nas bandas de Patamuté.

Suponho que as escolas de Curaçá também o tenham como referência obrigatória de nosso patrimônio cultural.

araujo-costa@uol.com.br

Cuidado, Ciro Gomes quer falar

Menores de 18 anos devem sair da sala. Ou desligar os televisores. Ciro Gomes quer falar na televisão.

Ciro saiu na frente e está publicando filmetes publicitários nas redes sociais, fora de hora, com o intuito de pavimentar o espinhoso caminho para as eleições presidenciais de 2022.

Essa história começa lá atrás, logo depois do pífio resultado eleitoral que Ciro obteve em 2018.

Abertas as urnas, Ciro sequer conseguiu passar ao segundo turno e saiu por aí, desnorteado, metralhadora giratória em punho, atirando contra Lula da Silva, Fernando Haddad e o PT como um todo.

Foi parar em Paris, a Cidade Luz, famosa também em razão das boas qualidades etílicas. Lá Ciro sente-se em casa, certamente.  

Ciro Gomes começou a disparar para todos os lados onde houvesse alvo e mesmo que alvo não houvesse.

Ingrato e vaidoso, deu seguidas estocadas em Lula da Silva que lhe havia presenteado com o então poderoso Ministério da Integração Nacional de 2003 até parte de 2006.

Demagogo e falastrão, Ciro Gomes nada ou quase nada fez pelo Nordeste, enquanto ministro de Lula, embora cearense (é paulista de Pindamonhangaba) e conhecedor das dificuldades da região. Continua lulista enrustido, mas tem vergonha de dizer que é, por conveniência política e para tentar desvincular-se dos tropeços de Lula.

Ciro Gomes pensa que o Brasil é semelhante ao município cearense de Sobral, onde a “dinastia” Ferreira Gomes, da qual ele faz parte, administra no grito e jogando retroescavadeira contra opositores. E ele diz que é democrata.

Ciro Gomes quer defenestrar o presidente Bolsonaro do poder. A rigor, eles são parecidíssimos no que tange à arrogância e truculência. Com uma diferença: Bolsonaro diz o que pensa; Ciro Gomes é embusteiro e demagogo, beira a aventura.

Agora, surge um personagem na vida de Ciro Gomes: o marqueteiro João Santana, que trabalhou, com êxito, para as campanhas presidenciais de Lula da Silva em 2006 e Dona Dilma Rousseff em 2010 e 2014, o que lhe custou uma prisão de quase oito anos decretada pela Lava Jato, mas esta é outra história que não vem ao caso, menos agora com a iminente descoberta do desmoronamento moral do ex-juiz Sérgio Moro.

Baiano de Tucano, sertão de Canudos e formado em Comunicação Social pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), João Santana é jornalista experiente, com passagem pelos seguintes órgãos de imprensa, dentre outros: O Globo, Istoé, Veja e Jornal do Brasil.

João Santana foi repórter do Jornal da Bahia e Tribuna da Bahia e secretário de comunicação social (1986-1988) do prefeito ex-carlista de Salvador, Mário Kértesz.

Em 1992, João Santana foi agraciado com o Prêmio Esso de Reportagem, à época o mais importante do jornalismo.

Bagagem e inteligência João Santana tem de sobra.

A história com Ciro Gomes começou no ano passado. Ele sugeriu que em 2022 Lula da Silva componha, na condição de vice, a chapa de Ciro Gomes na disputa pela presidência da República.

Ciro Gomes adorou a ideia. Lula da Silva não viu nenhuma graça.

Pois bem. Agora o Partido Democrático Trabalhista (PDT), abrigo de Ciro Gomes, contratou João Santana para começar a engendrar a campanha de Ciro Gomes de 2022, intenção que ele nunca negou.

Em resumo: Ciro Gomes saiu na frente. É seu estilo querer ocupar espaços. A imprensa tem sido sua aliada irresponsável neste particular.

E a verdade? A imprensa nem sempre se preocupa com a verdade.

A grande imprensa brasileira é assim.

A imprensa joga os destemperos de Ciro Gomes no ventilador sem se preocupar com o conteúdo do que ele diz. E Ciro adora deleitar-se com a ignorância alheia.

A função principal de João Santana, por enquanto, segundo os entendidos, é tentar amaciar o vocabulário do boquirroto e espalhafatoso Ciro Gomes, pelo menos reduzir os palavrões a um patamar razoável.

Será um embate difícil entre o marqueteiro e Ciro Gomes. João Santana também gosta de palavrões. Quem tiver dúvida, basta ler o livro Aquele Sol Negro Azulado que ele lançou em 2002.  

Também músico, João Santana fundou na década de 1970 o grupo musical Bendegó, mas se encantou pela comunicação social e o marketing político, de modo que, além de ganhar muito dinheiro, ainda se encanta com figuras estrambólicas como Ciro Gomes.

Ninguém é perfeito.   

araujo-costa@uol.com.br

Chorrochó perde Dr. Pacheco, exemplo de honradez.

Dr. Pacheco/Professora Therezinha. Álbum de família.

A difícil perda do Dr. Antonio Pacheco de Menezes Filho (1936-2021) reúne lágrimas, gratidão, saudade, exemplos e lembranças, muitas lembranças.

Conheci-o em 1971. Já se vão, por aí, cinco décadas. Equilibro-me no tempo para reverenciar sua memória.

Primeiro Diretor do Ginásio Municipal Oliveira Brito, fundado em 08/02/1963 e embrião do hoje Colégio Estadual São José, Dr. Antonio Pacheco de Menezes Filho sustentou, com seriedade e dedicação, a causa do ensino em Chorrochó.

Permaneceu na trincheira do ensino público e serviu de exemplo para seguidas gerações. Sua atuação se estendeu ao Colégio Normal São José, sempre com dignidade e honradez.

O Colégio São José passou por uma fase cenecista, porquanto estruturado segundo normas e diretrizes da Campanha Nacional de Educandários da Comunidade (CNEC), instituição de providencial importância para os municípios do interior naquele tempo.

O Colégio São José ainda se estava engatinhando, quando a batuta do exímio Dr. Pacheco o transformou num respeitável estabelecimento de ensino, coadjuvado por seu corpo docente dedicado, sério e comprometido com a causa do ensino em Chorrochó.

O ensino propiciado pelo poder público aos municípios era demasiadamente ineficiente e deixava lacunas consideráveis. A CNEC, em alguns casos, preenchia esses espaços, fundando escolas e viabilizando professores locais.

Assim, estribado nesses princípios, Chorrochó construiu significativos valores que perduram até hoje e o Dr. Pacheco teve atuação de destaque nessa quadra do tempo.

Naquela ocasião, Dr. Pacheco já havia ingressado no Ministério Público do Estado da Bahia e exercia a função de Adjunto de Promotor na então jovem comarca de Chorrochó, que tinha sido instalada em outubro de 1967. O Dr. Olinto Lopes Galvão Filho, hoje nome do Forum, era o juiz de direito titular da comarca.

Dr. Antonio Pacheco de Menezes Filho fez brilhante carreira na Bahia e trabalhou em diversas comarcas do Estado, dentre elas Chorrochó, Morro do Chapéu, Euclides da Cunha, Paulo Afonso e Salvador.

Em todas essas comarcas alçou posição de destaque no edificante exercício de sua função de promotor de Justiça. Salvo engano, aposentou-se em novembro de 1994.

Dr. Pacheco era casado com a insigne professora Maria Therezinha de Menezes, brilhante senhora da sociedade chorrochoense, ícone da cultura local, lídima, notável e conspícua intérprete das tradições de Chorrochó, com quem constituiu família.

As filhas Fabíola Margherita e Cynthia Cibelle completam o núcleo familiar e estiverem sempre ao redor do casal, desfrutando a ascendência exemplar e certamente razão de orgulho.

Não custa acrescentar que o Colégio São José, hoje estadual, ainda desempenha importante papel na educação de Chorrochó. Lá está, seguramente, a semente imorredoura plantada pelo Dr. Pacheco.

O falecimento do Dr.Pacheco nos faz rememorar monumentais exemplos de bondade e competência profissional que ele deixou para seguidas gerações.

Culto, simples, inteligente, sensato, moderado e comedido em suas ações, Dr. Pacheco deixa sábio exemplo de vida e de caráter irrepreensível.

Dono de uma humildade impressionante, Dr. Pacheco construiu uma história de elevada honradez e seriedade. É um exemplo para chorrochoenses, admiradores e familiares.

Deixo registrados meus pêsames à professora Therezinha, às filhas Fabíola Margherita e Cyntia Cibelle e aos demais que integram o núcleo familiar do falecido.

Os pêsames são extensivos à toda família Pacheco/Menezes de Chorrochó.

Que o Senhor do Bonfim o acompanhe e Deus o ampare.

araujo-costa@uol.com.br

José Afonso, o artesão da vida

José Afonso/Foto de sua página no Facebook.

“Os que admitem intenções belas nas coisas belas são espíritos cultos. Para eles há esperança. O artista é criador de coisas belas” (Oscar Wilde, 1854-1900)

José Afonso da Cunha Martins (1948-2021) reunia em si muitas condições e qualidades: ator, artista plástico, vigilante diuturno das coisas do sertão e defensor da caatinga. Dir-se-ia um ecologista sem estardalhaço, mas ativo e sempre presente.

Preocupava-se com a preservação de árvores e até chegou a plantar algumas representativas do sertão e presentes na vida do sertanejo, ainda que o tenha feito simbolicamente. Mas é tudo, fez o registro, plantou a esperança, deixou o exemplo.

Preservacionista, mas não conservador, artesão da vida e do significar das coisas belas. Impressionava pela humildade e firmeza de sua luta.

José Afonso “encarnou” Antonio Conselheiro a partir de 1997, em seguidos papéis que desempenhou, durante anos, nas estradas do esturricado sertão da Bahia, vivenciando o beato nas conhecidas Romarias de Canudos.

Mais: levou sua contribuição cultural até o município pernambucano de Exu, terra de Luiz Gonzaga, outro ícone da cultura nordestina.

A aparente fragilidade física contrastava com a força que ostentava no enraizamento de nossa cultura, quer no mister de seu variado e rico artesanato, quer na resistência cultural que representava.

José Afonso andou por São Paulo, onde foi ajudante de mecânico e operador de máquina industrial, dentre outras atividades, mas as raízes falaram mais alto do que o êxodo temporário a que se dispôs.

Nascido na Fazenda Boa Esperança, em Patamuté, lá também José Afonso cuidou das coisas da roça, a exemplo da criação de caprinos, em certa quadra da vida, mas a inquietude era maior e saiu do aconchego familiar para o mundo das artes. Chegou a participar de novela da Rede Globo de Televisão, o que acabou lhe dando maior visibilidade de sua grandeza artística.

A região sanfranciscana perde nosso Afonso Conselheiro, o Matusalém, o Minha Pedra, o artesão da vida.

Curaçá lhe deve uma homenagem perene e resistente ao tempo à semelhança de seu estilo e de sua luta.

Tarefa para a Câmara Municipal de Curaçá.

araujo-costa@uol.com.br

O sobrado, Cuba e Lula da Silva

“Se contribuir ao saber ou prazer dos homens fosse justificativa indispensável, pouca palavra se escrevia e menos se publicava” (Saraiva Guerreiro, 1918-2011, diplomata, ministro das Relações Exteriores do presidente Figueiredo).

Avistei o sobrado de estilo arredondado e muitas portas e janelas, no vale, entre árvores e flores e banhado pelo espetacular sol do crepúsculo.

Lá estava meu anfitrião para uma conversa com o jornalista, não com o repórter. Há diferenças abismais entre ambos.  

Falamos de tudo, como convém a amigos de outras quadras da vida. Não era uma entrevista, propriamente, mas uma conversa saudável e saudosa, um bate-papo à moda do velho jornalismo, entremeado aqui e acolá, com a generosa cachaça curtida ao Cambuci, planta nativa da região.

Ouvimos de tudo ou muito de tudo, Lost in Love, com Air Supply, Chão de Giz, com Zé Ramalho, Doce amargura, com Moacir Franco e muito de Roberto Carlos, Jovem Guarda, et cetera. Estávamos em nosso tempo, segundo a saudade.  

Tudo coisa das antigas, como dizem os jovens de hoje.

O papo resvalou-se para a política, como nos velhos tempos de rebeldes estudantes, quando, em tempo de ditadura, enfrentávamos em Santo André, ABC paulista, os cassetetes da polícia do governador Paulo Egydio Martins e do secretário de Segurança Pública coronel Erasmo Dias.

Lembrei-lhe de que “um cabo e um soldado são suficientes para fechar o Supremo Tribunal Federal” (eu não disse isto, alguém disse). Isto foi dito bem antes da insensatez dos tresloucados bolsonaristas da vida.

Lembrei-lhe também do político maranhense Vitorino Freire, ícone da política nordestina: para Vitorino, em tempo de crise, o jurista mais famoso é o senhor Sherman.

Ninguém conhecia o jurista Sherman. Vitorino Freire explicou: Sherman era a marca dos tanques que o Exército brasileiro usava na época. Ponderou: “quando os tanques do Exército saem da Vila Militar para as ruas, já trazem a interpretação da Constituição Federal pronta”, independentemente do que pensam e dizem os vaidosos e intocáveis ministros do Supremo Tribunal Federal.

O STF hoje é um amesquinhado partido político. O STF abdicou de sua nobre função de corte constitucional, guardiã da Constituição da República e se apequenou para ajustar-se e fazer a vontade de minúsculos partidos de esquerda.

Pode ser hilário, mas essa balbúrdia sempre foi assim em todas as crises em que as instituições políticas não conseguiram resolver os problemas nacionais.

Falamos de Cuba, o paraíso dos petistas, da esquerda do Brasil e de Flávio Dino, governador do Maranhão e outros aloprados comunistas e ex-comunistas, que embora governando paupérrimos estados, vivem nababescamente à custa do direito público.

Fidel Castro, que era amigo de Lula da Silva e se engasgou com um bife a rolê na casa de Lula, na Rua São João, em São Bernardo do Campo (esta é outra história, perguntem para José Dirceu), sustentou a ditadura mais longa e sangrenta das Américas. Mas é exemplo do lulopetismo.

Fidel mandou fuzilar dezessete mil opositores, prendeu jornalistas,  perseguiu homossexuais e implantou o ateísmo como “religião” de Cuba. Média de 15% dos cubanos fugiram da Ilha. Mas é exemplo do lulopetismo.

Em Cuba, hoje – paraíso dos petistas- 60% dos trabalhadores são empregados do governo e 60% da comida é importada.  Um ex-genro de Raul Castro, sobrinho de Fidel, controla 75% da economia de Cuba. Mas é exemplo do lulopetismo,

Corrupção? Não, lá não existe. Que é isto?

O chefe da agência de espionagem de Cuba é filho de Raul Castro.

Depois de 60 anos do comunismo em Cuba, a miséria por lá impera. Os admiradores de Cuba, Fidel Castro e seus seguidores acham romântica a pobreza dos cubanos.

É o que os petistas e seus admiradores sonham para o Brasil.   

O PT é Lula da Silva e Lula emborca umas e outras. Compreensível seu devaneio.

Então, deixa pra lá. É mesmo compreensível.

Ao amanhecer, despedi-me de meu anfitrião. Sol da manhã esplêndido e convidativo para nova visita.

Depende dele.  

araujo-costa@uol.com.br