Lula da Silva e Sérgio Moro

“As pazes entre Lula e a TV Globo começaram no restaurante Dinho´s Place, no Largo do Arouche, em São Paulo. Alberico levou-lhe de presente o livro Vastas emoções e pensamentos imperfeitos, de Rubem Fonseca”.

Abraçaram-se e Lula logo amenizou o clima e disse: “sem ressentimentos”.

Ali nasceu a ideia do encontro com Roberto Marinho, dono da Globo, que aconteceria dias depois, segundo Gilberto Dimenstein e Josias de Souza, in A História Real, Editora Ática, 1994.

Alberico de Souza Cruz era o todo-poderoso diretor da Central Globo de Jornalismo entre 1990 e 1995.

Naquela ocasião, Lula e a TV Globo andavam se estranhando, porque Lula e os petistas diziam que a Globo elegeu Fernando Collor de Melo à presidência da República nas eleições de 1989, em acirrada disputa com o petista.

Lula e seus seguidores entendiam que a TV Globo editou o último debate na televisão entre Lula e Collor e puxou a sardinha para o lado do alagoano, que ganhou a eleição presidencial.

As pazes de Lula com a Globo duraram alguns anos.

Agora, de novo, Lula vive às turras com a TV Globo, acusando-a de perseguição a ele e ao PT. É uma desinteligência sem nenhuma importância. Depois Lula chama a família Marinho e passa a lamber-lhe as botas, como fez na década de 1990.

Fernando Haddad que se cuide. Em política não há absurdo.

Sérgio Moro saiu do governo Bolsonaro acusando o presidente da República de criminoso e elogiando os dois últimos governos do PT: Lula da Silva e Dona Dilma. Quem diria!

Bateu a porta na cara do patrão Bolsonaro e foi-se embora à semelhança de uma “libélula deslumbrada” (esta expressão foi inventada pelo grande “gramático” cearense Ciro Gomes).

Moro é obcecado para ser ministro do Supremo Tribunal Federal ou presidente da República, o que der certo primeiro.

Saiu do governo dizendo que está pronto para “ajudar o Brasil”, o que para bom entendedor basta. Sonha em ser candidato em 2022.

Inobstante, Moro não sabe exatamente o que quer, mas sabe o que não quer: cair no ostracismo e continuar sendo apedrejado e insultado por desafetos de esquerda, inclusive aquele deputado espevitado do PSOL do Rio de Janeiro, que costuma chamá-lo de nomes impublicáveis. 

Como já se sabe que Moro não foi um juiz correto, segundo o vazamento das mensagens por ele trocadas com procuradores da República – e isto é uma questão de caráter – é possível que ele aceite até filiar-se ao Partido dos Trabalhadores (PT) com o intuito de alcançar o seu intento a qualquer custo.

Se for para o PT conquistar a presidência da República novamente, o morubixaba Lula da Silva e os radicais Gleisi Hoffmann e Paulo Pimenta, dentre outros, até darão beijinhos em Moro.

Afinal, o amor é lindo e Lula de vez em quando assume a fase “Lulinha paz e amor”.

Dizer isto hoje é absurdo? Hoje pode parecer que é.

Entretanto, como Lula gosta de fazer as pazes com seus desafetos – e isto é uma boa qualidade dele – não será estranho se o PT algum dia vier a ter Sérgio Moro em suas fileiras.

O exemplo claro é João Dória, governador de São Paulo.

Dória vomitou ofensas pesadas contra Lula, atribuindo-lhe figuras tipificadas no Código Penal, nos momentos mais difíceis da vida de Lula: o encarceramento.

Agora Lula e João Dória andam-se elogiando mutuamente. É difícil acreditar na aproximação de ambos, mas ela existe.

Diante dos holofotes, Lula sempre desceu a cepa em Fernando Henrique Cardoso. Longe da imprensa, faz cara de arrependido: “É uma merda bater nele. É uma merda bater em alguém que, no fundo, sinto como amigo”. 

Post scriptum:

Aos leitores mais conservadores, observo que merda não é considerado palavrão, segundo os dicionários, que vêm se ajustando ao correr do tempo e à evolução da sociedade.   

araujo-costa@uol.com.br

As névoas do entardecer e o presidente Bolsonaro

O governo Bolsonaro vem passando por alguns e sérios percalços que o presidente e seus filhos atabalhoadamente construíram.

Tem-se a impressão que o governo não está conseguindo enxergar as agruras por que está passando e seus monumentais reflexos nas instituições nacionais.

No momento, o caminho mais plausível é estancar as ingerências que os filhos do presidente vêm adotando e afastá-los de vez e imediatamente do âmbito da presidência da República. Lá não é o lugar de nenhum deles.

Dentre os desacertos do governo, o erro político maior e mais primário do presidente Bolsonaro até agora foi ter escolhido para ministro da Justiça e Segurança Pública o ingênuo e despreparado Sérgio Moro.

Sérgio Moro é deslumbrado, inocente e excessivamente sem noção relativamente ao Brasil como estado e nação.

Qualquer neófito em política sabe que Sérgio Moro nada entende de política e, quiçá, pouco conhece sobre os códigos penal e processual penal que presume-se que tenha lido enquanto juiz criminal em Curitiba. Ou deveria ter se dedicado à leitura deles.

Ingênuo e interesseiro, Sérgio Moro sonha com uma vaga de ministro no Supremo Tribunal Federal, que ele nega ter reivindicado.

Como primeira alternativa, Sérgio Moro quer ser ministro do STF e, se isto não der certo – e já não deu – a segunda alternativa é candidatar-se  a presidente da República em 2022.

Parece que o deslumbrado e inocente Moro não alcançará nem uma coisa e nem outra.

Sérgio Moro se empolgou com o apoio da população à operação Lava Jato.  

O que as pesquisas atestam hoje, amanhã podem atestar de forma contrária.

Moro não sabe disto. É uma questão de inteligência ou falta dela.

Até as formigas nos bastidores de Brasília, Rio e São Paulo sabem que o sonho de Sérgio Moro é ser ministro de nossa Corte Suprema. Até abandonou aproximados 22 anos de magistratura à espera da vaga e de sua indicação.

Jornalistas bem informados sabem, mas não publicam, que Sérgio Moro é clinicamente deficiente. É obsessivo com a ideia de ser famoso e isto é um desvio moral. Quase conseguiu a fama, pelo menos chamou para si milhões de xingamentos, principalmente de petistas e seus aliados.  

Sérgio Moro deixou o certo pelo duvidoso. Abandonou a magistratura, inocentemente, com o intuito de costurar o caminho para alcançar a vaga de ministro do STF ou a presidência da República.

O presidente Bolsonaro, se tinha intenção, não vai mais indicá-lo para ministro do STF, tendo em vista as estocadas que Moro lhe deu ao sair do governo, mais que estocadas, acusações de prática de crimes.

Moro deixou o governo acusando o presidente da República de suposta prática de crimes, atitude ingênua e estapafúrdia para um ex-ministro da Justiça. Sua ingenuidade política é assustadora.

A função de ministro da Justiça não pode ser exercida por qualquer um.  

O ineditismo da inocência de Sérgio Moro não encontra nenhum precedente na história do Brasil nesses 520 anos de descobrimento

Como juiz, Sérgio Moro foi espalhafatoso e inconveniente. Imiscuiu-se em assuntos privativos do Ministério Público Federal e das investigações capitaneadas pela Polícia Federal.

Moro intrometeu-se nas atribuições dessas instituições, conforme alega e diz que prova o site The Intercept Brasil.

Quanto à presidência da República, o governo Bolsonaro parece caminhar em meio a névoas de um entardecer triste e obscuro.

Nada enxerga adiante.

O fato é que o governo se vê às voltas com muitos problemas jurídicos graves, dentre eles: pedido de inquérito ao STF para apurar as acusações de Sérgio Moro contra o presidente; inquérito das fake news no STF; uma CPI   das fake news no parlamento; questionamento do presidente da República sobre participação em manifestações ditas antidemocráticas, et cetera. 

O governo não tem lastro confiável de sustentação na Câmara dos Deputados e no Senado Federal, o que dificulta, em muito, suas ações e fragiliza o presidente diante da abertura de possível pedido de impeachment.

O esteio do presidente Bolsonaro, por enquanto, é formado pelos ministros militares e de militares do generalato que têm funções no governo e gravitam ao seu redor.

De fato, parece que o governo transita em meio a névoas do entardecer.

araujo-costa@uol.com.br

A falta de modéstia do PSB de Curaçá.

Não conheço o prefeito Pedro Oliveira de Curaçá, de sorte que sou absolutamente insuspeito para fazer este comentário e, como tal, posso me manifestar, democraticamente

Também não conheço os dirigentes do PSB de Curaçá, o que me deixa em pé de igualdade relativamente aos dois lados.

O Diretório do Partido Socialista Brasileiro (PSB) de Curaçá distribuiu nota oficial argumentando que a Prefeitura Municipal foi ou está sendo negligente quanto ao combate à pandemia de coronavírus. O partido usou a palavra inércia.

A nota pondera, dentre outros argumentos, que “o Governo Municipal não seguiu as orientações determinadas pelo Governo do Estado, o qual baixou decreto ainda em março incluindo barreiras sanitárias nas fronteiras, por considerar uma medida importante”.

A nota é autoexplicativa. Desnecessárias minudências.

Tenho acompanhado com atenção as ações da Prefeitura de Curaçá neste momento de pandemia e o faço menos como jornalista e mais no que tange à minha condição de curaçaense.

É preciso ter em vista que os municípios têm dignidade federativa, como ente da federação, ao lado da União e dos Estados, de modo que gozam de autonomia, o que significa dizer o óbvio: o que outros municípios fizeram ou estão fazendo não obriga Curaçá a fazer o mesmo.

Curaçá não é “maria vai com as outras”. Pressupõe-se que Curaçá tem dignidade própria, tem administração legítima que o povo colocou lá, tem vontade de decidir. A voz das urnas é soberana.

A Constituição da República é claríssima quanto à autonomia dos entes federativos. O PSB sabe disto, conhece sobejamente isto.

Cada município tem suas peculiaridades e ao prefeito cabe, dentre suas atribuições legais, tomar as decisões que melhor atenda os interesses da população local.

Quero crer que Curaçá tomou as medidas necessárias na ocasião própria, com vistas ao combate ao coronavírus.

Não se deve exigir de cada um o que cada um não pode dar. Curaçá tem limites, tem o dever de equilibrar suas decisões. Acho que está fazendo isto com sobriedade.

Mas pelo que se vê na nota retro aludida, as decisões até aqui tomadas pela Prefeitura não agradaram o PSB que, legitimamente, deve espernear-se. É democrático.

Contudo, presumo que a Prefeitura de Curaçá está vendo o problema pelo prisma da seriedade do momento, enquanto o PSB parece contentar-se com o viés político-partidário.

Quanto à alegada “ausência da Câmara Municipal de Vereadores“ nas discussões, se de fato existe esse vácuo, parece razoável entender que o PSB deve cobrar isto dos senhores vereadores, institucionalmente.    

Em resumo: não é momento de distribuição de notas partidárias, mas de união de todos os curaçaenses.

A falta de modéstia não costuma beneficiar as incompreensões.

A campanha eleitoral ainda está razoavelmente longe.

araujo-costa@uol.com.br

Em Chorrochó começa a se desenhar o quadro eleitoral de 2020

Há algumas décadas, a essência do engendramento político do município de Chorrochó vem passando, continuamente, pela família de Oscar Araújo Costa e ramificações dela decorrentes.

Líder em Caraíbas, seu berço e paixão –  e também nas circunvizinhanças –  Oscar era casado com Umbelina Miranda de Araújo (D. Bela) e com o apoio diuturno dela construiu uma base política sólida e respeitável.

O legado político de Oscar Araújo Costa foi-se transferindo paulatinamente para o filho José Juvenal de Araújo, cuja história de vida e dedicação à causa do município é sobejamente conhecida e não comporta aqui nenhum acréscimo.

O livro História de Chorrochó, de autoria da professora Neusa Maria Rios Menezes de Menezes e do Dr. Francisco Afonso de Menezes traz merecida homenagem ao grande líder popular e ex-prefeito falecido em 2015 e resume sua conduta política e de administrador: “Fossem ou não seus seguidores na política, atendia e servia a todos igualitariamente”. Aqui o registro claro do político e líder José Juvenal.

Com a morte de José Juvenal, que deixou rica e inquestionável estrutura política e eleitoral, é inevitável constatar que sua liderança transferiu-se em favor dos filhos Sheila Jaqueline Miranda Araújo, ex-vice-prefeita do município e ex-secretária de Saúde e Oscar Araújo Costa Neto, que ocupa uma secretaria municipal na atual gestão.

O fato é que Caraíbas se mantém na política de Chorrochó através da família Araújo, ressalvada a liderança inconteste de Barra do Tarrachil, principal seara política do prefeito Humberto Gomes Ramos.

O quadro eleitoral de 2020 começa a desenhar-se em Chorrochó e certamente faz parte deste cenário Adriana Araújo, sobrinha de José Juvenal.

A ex-secretária Sheila Jaqueline em data recente desincompatibilizou-se com o intuito de participar das eleições, mas é improvável que seja candidata a prefeita. É possível que venha disputar uma vaga na Câmara Municipal, com seguras chances de ser eleita.

O prefeito Humberto Gomes Ramos mantém-se firme: primeiro ele, segundo ele, terceiro ele, se a legislação e a saúde permitirem e, se não for ele, será alguém de sua extrema confiança de Barra do Tarrachil, o que dá na mesma.

Hoje uma das principais vozes da oposição de Chorrochó, Adriana Araújo diz que o prefeito Humberto Gomes Ramos “paga um valor alto para se manter no poder, tanto com gastos exacerbados com escritórios para segurar processos de improbidade administrativa, que não são poucos, como para manter e satisfazer empresários, lobistas, família e lideranças ao seu lado”.   

Embora ainda muito cedo, é razoável entender que do lado da oposição desenha-se a candidatura de Adriana Araújo à sucessão do prefeito Humberto Gomes Ramos.

A surpresa, por enquanto, é que a ex-prefeita Rita de Cássia Campos Souza parece que sonha desgarrar-se do grupo do prefeito Humberto Gomes Ramos, seu criador, e se debandar para o lado da oposição. Há algum tempo isto seria impensável. Mas em política é comum a criatura virar-se contra o criador.

Se assim se configurar o quadro político-eleitoral de Chorrochó, a ex-prefeita Rita Campos somar-se-á aos vereadores de oposição Luiz Alberto de Menezes (Beto de Arnóbio), Josete Ribeiro Lima Alves, Eliete da Conceição (liderança inconteste em Barra do Tarrachil), Manoel Izaías Pires Lima e o presidente da Câmara Municipal, Noélio Alves Barbosa, que vem se revelando liderança de valor e como tal não pode ser desprezado.

Há uma ressalva, entretanto: o PT já noticiou que terá candidato próprio e o nome em evidência ainda é o do vereador Luiz Alberto de Menezes (Beto de Arnóbio), embora outros nomes respeitáveis componham o horizonte, a exemplo do advogado Manoel Gomes de Menezes Júnior.

Tem-se notícia de que outra liderança respeitável também sinalizou apoio à oposição: José Nilson Rodrigues (Nilsinho), sabidamente um político correto, respeitável, defensor de suas bases e dedicado a tudo que se propõe a fazer.

O vice-prefeito Dilan Oliveira, que sempre frequentou a hipotética lista de candidatos do prefeito Humberto, continua no limbo. Sua lealdade ao prefeito é inquestionável, o que parece não ter sido suficiente, ainda, para ser o escolhido do alcaide-mor.  

Quanto à médica Socorro Carvalho, respeitável figura que sempre se destacou na política de Chorrochó, deve ter subido a outros escalões à procura de novas e palpáveis estratégias políticas para colocá-las em prática.

À semelhança da música de Cauby Peixoto, “se subiu, ninguém sabe, ninguém viu”. Escafedeu-se.

Entretanto, pessoas da oposição consultadas por este blog garantem que a conceituada médica – que prezo muito – também estará ao lado de Adriana Araújo, se ela própria não for candidata a prefeita.

Este escrevinhador disse uma vez que a oposição de Chorrochó é como alma penada. Todo mundo diz que existe, mas ninguém vê.

Teve quem não gostasse.

Convenhamos, uma oposição que não conseguiu consolidar lastro eleitoral durante aproximados 16 anos, tempo do reinado do grupo do prefeito Humberto, precisa ser repensada.

Quem sabe o tão sonhado êxito da oposição de Chorrochó virá nas eleições de 2020.

araujo-costa@uol.com.br

O poder civil, o poder militar e os juízes arrogantes

As Forças Armadas são instituições de Estado, de caráter apolítico e apartidário.

O governo do presidente Jair Bolsonaro é civil, porquanto eleito pelas regras democráticas, mediante sufrágio popular. Não se confunde com governo militar.

O alto escalão do Palácio do Planalto abriga funções de, pelo menos, trinta militares de alta patente, inclusive generais de Exército.

Entretanto, isto não significa que as Forças Armadas sejam governo propriamente, em seu conceito estrito.  

No regime democrático, as Forças Armadas se submetem ao poder civil, independentemente de quem seja o presidente da República, que é o seu comandante supremo. Aqui não se discute nem interessa saber se o presidente da República é de esquerda ou de direita.

As Forças Armadas se assentam na hierarquia e na disciplina. E só. Qualquer que seja o presidente da República.

O que as Forças Armadas não admitem, por óbvio, é bater continência para eventual presidente eleito contra a lei, contra as regras democráticas, ao arrepio dos ditames legais, excetuadas as ditaduras, que fazem parte de outro contexto.

Não podemos esperar subserviência de nossos militares do Exército, Marinha e Aeronáutica, sustentados pelo Ministério da Defesa. Eles não vão apequenar-se, em respeito à hierarquia, à ética, ao Brasil, à Pátria e aos símbolos nacionais.

Dito isto, um lembrete: em 25/07/1966, a esquerda explodiu uma bomba no saguão do aeroporto dos Guararapes, em Recife, causando duas mortes e quatorze feridos.

A bomba era destinada ao então ministro do Exército, general Arthur da Costa e Silva, anos depois presidente da República, mas atingiu fatalmente um jornalista e funcionário do governo de Pernambuco e também um vice-almirante.

Naquele dia, o ministro Costa e Silva participava de atos de campanha no prédio da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (SUDENE), mas não foi envolvido no atentado, para decepção dos esquerdistas autores da ação tresloucada.

O resto da história e da escuridão pela qual o Brasil passou anos seguidos todos conhecem.

A direita alvoroçou-se e contribuiu para endurecimento do regime militar à semelhança de direitistas de hoje, que querem tumultuar o ambiente democrático.

Em razão do discurso do presidente Jair Bolsonaro, em 19/04/2020, em frente ao Quartel do Exército, em Brasília, além de políticos que se manifestaram, entidades de juízes distribuíram notas inoportunas repudiando a fala do presidente da República e extrapolando suas funções.  

Até ministros do Supremo Tribunal Federal saíram de seus casulos nababescos para se manifestarem indevidamente.

A Associação dos Juízes Federais (Ajufe), por exemplo, foi além de suas atribuições de entidade de classe, que cuida basicamente de suas exorbitantes mordomias e disse que “juízes e juízas federais não admitirão qualquer retrocesso institucional ou o rompimento da ordem democrática”.

Parece uma pretensão desnecessária. Juízes não têm que admitir nada fora de suas atribuições legais asseguradas pela Constituição da República.

Juízes devem se preocupar com suas funções judicantes, aliás, sabidamente negligentes e não se imiscuírem em assuntos políticos. Esta é seara do Poder Legislativo e do Poder Executivo.

O Judiciário é, dentre os poderes da República, o mais preguiçoso, o mais lento, o mais arrogante, o mais pretensioso.

Processos se avolumam sem julgamento, as prisões estão abarrotadas porque os juízes não julgam, a sociedade está desamparada, enquanto juízes se engalanam em suas mordomias.

Há tribunais abarrotados de magistrados corruptos, a exemplo do Tribunal de Justiça da Bahia que, parece, agora está fazendo uma limpeza, mas juízes se dão ao direito de imiscuírem-se em assuntos do Poder Executivo e sentam-se em cima de seus monturos de corrupção.

Juiz há de ser impoluto, correto, honesto, incorruptível, seja ele estadual ou federal.

As contestações devem ser feitas civilizadamente, pelas vias do diálogo, através do debate, das urnas, do convencimento, mas sempre de acordo com as atribuições legais de quem as discute.

O lugar dos juízes é nos fóruns e não na seara política.

De qualquer forma, as Forças Armadas do Brasil de hoje se submetem ao poder civil, porque assim diz a Constituição da República, não importa se o presidente faz ou não discursos em manifestações de direita.

Importa se o governante está investido no cargo mediante sufrágio popular e legítimo, de acordo com o nosso ordenamento jurídico.

O poder emana do povo, segundo a Constituição Federal e isto basta.

Entretanto, os imbecis continuam por aí, violentos, soltos, idiotas, ávidos para tumultuarem o ambiente político.

O Brasil tem jeito. E não é com a intromissão de associação de juízes que vamos encontrar o caminho certo.

araujo-costa@uol.com.br

Curaçá: a política não pode substituir a sensatez

Em 16/04/2020 a Prefeitura de Curaçá noticiou o primeiro caso de coronavírus no município e teve o cuidado de esclarecer que a pessoa infectada “não tem histórico de viagem ou contato com pessoas que viajaram”.

O esclarecimento pode parecer irrelevante, mas não é. A transmissão comunitária é um dado fundamental para que as autoridades sanitárias e de saúde possam lastrear estudos e pesquisas com vistas ao combate eficaz ao coronavírus.

Assim como outros municípios brasileiros – ou quase todos – já em março o prefeito Pedro Oliveira (PSC) adotou algumas medidas preventivas de combate à doença, com base em delineamentos recomendados pelas autoridades nacionais de saúde.

As medidas de isolamento social e distanciamento adotadas pelo município de Curaçá não agradam grande parte da população, assim como acontece em todo o Brasil, por uma razão bastante compreensível: as pessoas precisam trabalhar para adquirir o sustento próprio e de suas famílias.

Ninguém resiste a um isolamento sem data definida para terminar, embora esta seja a condição possível no momento para que as autoridades cumpram seu papel diante desse infortúnio.

Embora tenha que me curvar à realidade, também discordo do fechamento de estabelecimentos, sejam eles comerciais ou não, mormente as micro e pequenas empresas que sustentam os empregos e permitem a sobrevivência de muitos.

Estatisticamente são os pequenos empresários que contribuem mais eficazmente para o desenvolvimento do País.

Defender o fechamento rigoroso de atividades econômicas pode ser errado, mas defender o exercício livre dessas atividades nesta quadra do tempo pode parecer egoísmo, falta de solidariedade com os demais que, como todos nós, estão sujeitos à doença.  

Talvez seja o caso de equilibrar as decisões, flexibilizar o entendimento, compatibilizá-lo com a realidade social de cada lugar.

Salvo melhor juízo, o prefeito de Curaçá adotou as providências possíveis à semelhança de outros prefeitos, de modo que o surgimento do caso confirmado e de outros possíveis casos de infecção por coronavírus no município escapam a quaisquer medidas de responsabilidade do prefeito.

Assim é no Brasil, assim está sendo no mundo.

Entretanto, vislumbra-se que, embora o momento seja de compreensão e solidariedade social, há pessoas que estão politizando o assunto, partidarizando eventuais omissões do prefeito.

Prefeito nenhum, seja de Curaçá ou de qualquer município, quer a desgraça de sua população. Desgraça maior quando envolve fome, esgarçamento da economia local e, sobretudo, mortes.

Curaçá não tem estrutura para enfrentar um eventual crescimento dos casos de coronavírus porque seguramente depende de hospitais de outros municípios.

Uma estatística assustadora noticiada pelo prefeito de Curaçá atesta que, se o município necessitar, por exemplo, de 340 internações, não pode sequer contar com os demais hospitais do vale do São Francisco, porque em todos eles não há vagas disponíveis em UTIs suficientes para enfrentarem a demanda.

Curaçá, obviamente, não é um caso isolado. Na Bahia e nos demais estados também não há estrutura hospitalar para enfrentar a pandemia, se ela se agravar.

O Brasil mantém o macabro histórico de abandono da área de saúde, em razão da negligência dos governantes em todos os tempos e em todas as esferas de governo.

O fato é que Curaçá – parece – terá que continuar com as medidas adotadas, mesmo que amargas, no sentido de evitar a disseminação da doença.

A agravante é que os profissionais de saúde de Curaçá, que estão na linha de frente para conter o avanço da doença e curar os doentes também estão vulneráveis e fragilizados, tanto emocionalmente quanto em razão da falta de estrutura de trabalho.

As famílias desses profissionais também estão apreensivas. Natural que estejam.

São esses profissionais de saúde que merecem o respeito e a solidariedade da população. Eles estão na linha de frente da batalha e nós somos circunstantes, enquanto deles não precisamos.

Quanto ao prefeito, não é o momento de criticá-lo, mesmo que discordemos de sua atuação.  

A política não pode substituir a sensatez.

araujo-costa@uol.com.br

Sua Excelência João Dória, o deslumbrado

“A demagogia é a erva daninha que compromete o regime democrático” (Daniel Krieger, 1909-1990, UDN/ARENA, Rio Grande do Sul)

A cadeira em que se sentaram os impolutos governadores paulistas Carlos Alberto Alves de Carvalho Pinto (1910-1987) e Jânio da Silva Quadros (1917-1992) está apequenada com a presença do deslumbrado governador João Dória (PSDB).

João Dória é minguado em sua estatura política. Encantado com o poder, que não sabe lidar com ele, o atual governador de São Paulo mistura atribuições oficiais com política partidária e mete os pés pelas mãos, atabalhoadamente.

Em recente entrevista oficial, o governador ameaçou prender, sem nenhuma base legal, as pessoas que, eventualmente, não obedecerem a suas normas restritivas de distanciamento social lançadas para todo o estado de São Paulo. Normas mal planejadas, diga-se de passagem, estrategicamente capengas.

Essas regras estão arruinando a população, mormente as pessoas que precisam trabalhar para seu sustento e de sua família, exatamente porque não foram cuidadosamente estudadas.

A impressão que se tem é que o governador de São Paulo não sabe a diferença, por exemplo, entre uma empresa que tem cinco mil empregados e outra que tem um ou dois colaboradores. Colocou todas no mesmo balaio e dificultou a vida de milhares de pessoas.

Todavia, nem tudo está perdido. Presume-se que nenhuma autoridade policial se dispõe a atender determinação ilegal do governador Dória e deva sair por aí prendendo trabalhadores.

O direito de ir e vir é constitucional e somente pode decidir sobre ele o presidente da República, em duas situações extremas: estado de defesa e estado de sítio, ainda assim consultados o Conselho da República, o Conselho de Defesa Nacional e o Congresso Nacional.  

O Brasil não está em nenhuma dessas situações e, mesmo que estivesse, não seria o fascinado governador Dória a imiscuir-se no dever constitucional do presidente da República.

O governador João Dória vem demonstrando constante despreparo para o elevado cargo de governador dos paulistas, mas escolher errado também é um exercício democrático. A maioria dos eleitores de São Paulo o escolheu.

Outro dia, as imediações da residência particular do governador, em região nobre da capital, estavam atulhadas de viaturas, policiais militares e agentes de trânsito dando cobertura à residência de Sua Excelência e, por extensão, às residências de seus magnatas vizinhos, o que é ilegal.

Avisado de que a prova da ilegalidade estava sendo filmada, o governador mandou retirar os policiais e demais agentes públicos da porta de sua mansão.

O governador de São Paulo tem à sua disposição a Casa Militar do Palácio dos Bandeirantes para dar-lhe segurança e à sua família, de modo que deslocar policiais das ruas, onde fazem segurança da população, para cuidarem de sua residência particular chega a ser imoral, no mínimo.

Mas o que é imoralidade para um deslumbrado e politiqueiro governador?

Certamente alertado de que falou asneiras, ao ameaçar prender pessoas ilegalmente, Sua Excelência o deslumbrado João Dória, mudou de tom, demagogicamente: disse que sua fala estava sendo utilizada politicamente.

É muito simples não ver sua fala usada politicamente. Basta não falar asneiras. Ele falou em entrevista oficial em palácio e pronto. Não há o que negar, não há o que distorcer.

João Dória gosta de se pavonear. Está aí sua deficiência política.

É soberbo, arrogante, ingênuo, inexperiente.

araujo-costa@uol.com.br

Lula da Silva: mais uma confusão

“Lula é emotivo e sensível, inteligente e articulado e com senso de oportunidade como qualquer bom aluno de Maquiavel. Mostra-se como homem de ação e não de reflexão” (Brito Alves, mestre e doutor em Economia, ex-secretário da Fazenda da Bahia, in A história de Lula, o operário presidente).

O ex-presidente Lula da Silva se acha a quintessência da intocabilidade.

Não duvido que seja, mas não custa nada pisar no chão de quanto em vez.

A imprensa publicou em data recente, com base em documento oficial do Tribunal de Justiça de São Paulo que, além de outros bens, D. Marisa Letícia deixou aproximadamente R$ 256,6 milhões em certificados de depósitos bancários (CDBs) num único banco privado.

O juiz do feito pediu para Lula da Silva esclarecer se, de fato, esse robusto valor está demonstrado corretamente no processo de inventário ou se há alguma coisa a corrigir. Presume-se, então, que para o magistrado não está claro.

A dúvida do magistrado tem razão de ser. É uma questão formal que reflete no recolhimento de custas processuais e na partilha dos bens entre os herdeiros da falecida.

Ademais, segundo o próprio Lula, D Marisa trabalhou em casa de família e dos 13 aos 21 anos na linha de produção de uma fábrica de chocolate em São Bernardo do Campo. Deixou de trabalhar fora de casa e se dedicou à família e a cuidar zelosamente dos filhos.

Sendo assim, convenhamos, amealhar tão grande patrimônio financeiro não é comum em se tratando de uma humilde dona de casa que, aos nove anos, já trabalhava como babá para ajudar no sustento da família. 

Lula da Silva apressou-se em dizer que se trata de fake news. 

A notícia é lastreada em documento extraído do processo de inventário e, logo, não pode ser falsa. A imprensa exibiu o documento oficial da primeira vara de família e sucessões de São Bernardo do Campo.

Se no arrolamento dos bens deixados pela falecida houve erro material, isto não lastreia a alegação de que a notícia é falsa. Os doutos advogados de Lula farão a correção e pronto. Fato comum e corriqueiro na vida forense.

Mais: se o valor constante nos autos não corresponde à realidade, uma simples petição corrigindo-o resolve a questão. E só. Uma coisa é o juiz pedir para esclarecer, outra coisa é a eventual confirmação da existência dos R$ 256,6 milhões.

Mas o que interessa aqui não é o estratosférico e suposto valor que a falecida deixou, se deixou. Esta é uma questão particular e familiar de Lula da Silva e não interessa a ninguém, a menos que se trate de dinheiro de origem duvidosa, o que não deve ser o caso e, se fosse, a vara de família não é a instância judicial competente para esse questionamento.

É uma questão de somenos. Tempestade em copo d’água.

Mas Lula é uma figura pública, exerceu o mais alto cargo da República e quem se dispõe a exercer cargo público deve se submeter ao dever de transparência relativamente à sociedade.

A questão aqui é outra, bem outra. O inventário de D. Marisa Letícia, salvo engano, tramitou ou tramita em segredo de Justiça. Se não há segredo de justiça, tratando-se de assunto de família, o processo não é franqueado a qualquer pessoa.

Em quadro assim, ninguém tem acesso ao processo, exceto o juiz do feito, serventuários da vara de família respectiva, os advogados do ex-presidente e procuradores da fazenda estadual.

Então, pergunta-se: quem extraiu a cópia do longo despacho do juiz declinando os vultuosos valores e determinando que Lula esclareça tais valores?

Quem passou a cópia para a imprensa?

A imprensa publicou o que lhe caiu às mãos. É o dever de informar.

Como se vê, parece razoável entender que houve uma transgressão à lei. Quem a transgrediu, se transgrediu?

Entretanto, Lula se acha no alto grau da perfeição. Em vez de procurar saber quem passou para a imprensa o documento extraído do processo, achou por bem misturar alhos com bugalhos, o que, aliás, é seu feitio: disse que se tivesse esse dinheiro, daria 80% ao juiz do feito.

O que o juiz tem com isto? 

O magistrado apenas preside o processo de inventário.

É a politização desnecessária de um assunto estritamente judicial.

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Arnóbio Menezes e o Judas de Chorrochó

Francisco Arnóbio de Menezes/Arquivo Rosângela Menezes

Judas Iscariotes foi um dos doze apóstolos de Jesus, mas o vendeu aos soldados romanos por 30 moedas de prata.

A história relata que Judas foi o único apóstolo de Cristo que nasceu na Judéia. Os demais nasceram na Galiléia.

Traidor, Judas deu um beijo em Jesus, para que os soldados o identificassem, prendessem no Monte das Oliveiras e o entregassem ao governador romano Pôncio Pilatos.

Ao ver Jesus condenado à crucificação, Judas se arrependeu e enforcou-se no galho de uma figueira, diz a história.  

O arrependimento dos delinquentes deve ter nascido aí.

Como existe em diversas partes do Brasil, Chorrochó, sertão da Bahia, mantinha uma tradição no sábado de aleluia.

Todo sábado de aleluia fazia-se um divertido movimento folclórico e cultural sobre a figura de Judas.

Longe do município há décadas, não sei se a tradição ainda é mantida.

Francisco Arnóbio de Menezes, servidor público estadual, boêmio e espirituoso, organizava o movimento e se autointitulava o “escriba oficial” de Judas.

Arnóbio redigia o testamento do Judas, que ele mesmo lia em praça pública.

Nesse testamento, que Arnóbio redigia às escondidas e mantinha sob rigoroso sigilo, constavam fofocas, assuntos da política local e tudo o mais que tinha acontecido no município durante o ano anterior e fosse relevante para o testamento.

Se o assunto era delicado, ele não citava nomes das pessoas envolvidas, mas o noticiava, preservando cuidadosamente as fontes de informação. Não era jornalista, mas sabia o que era fonte e a respeitava.

Arnóbio era um perigo. Inteligente e irônico, bisbilhotava a vida de todos durante o ano, para inteirar-se dos temas mais significativos e colocá-los no testamento de Judas do ano seguinte.

Desempenhava um verdadeiro e cuidadoso trabalho investigativo, de modo que, ao conversar com “a vítima”, esta jamais desconfiava de que estava sendo sondada para constar no testamento de Judas.

Elegante e educado, José Calazans Bezerra (Josiel), cunhado de Arnóbio, tinha sido prefeito de Chorrochó. Simpático e querido por todos, no sábado de aleluia de 1972 Arnóbio o contemplou no testamento de Judas:

 “Do amigo Josiel

Levo uma queixa magoada

Foi prefeito quatro anos

E pra nós não deixou nada

O diabo que te persiga

Nesta vida aperreada”

Lido o testamento em praça pública, Maria Mattos, irmã de Arnóbio e esposa de Josiel, ponderou:

– Arnóbio, Josiel não é mais político, por que você não o esqueceu?

– Eu esqueci, mas Judas não esqueceu, respondeu Arnóbio.

Arnóbio cuidava daquela festa folclórica com muito carinho e dedicação. Fazia questão de ser amável com todo mundo.

No testamento, ele não permitia que constassem assuntos delicados que pudessem melindrar pessoas ou famílias. Tanto que aquilo se tornava uma expectativa.

Todos queriam saber o que Judas havia deixado no testamento que, guardado em segredo, somente seria revelado no sábado de aleluia.

Uma brincadeira folclórica sadia, inofensiva e interessante.

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Não há o que explicar, senhor prefeito

São Bernardo do Campo (SP), 08 de abril de 2020.

Com exceção de atividades essenciais, que a lei considera como tais, todas as demais foram fechadas, inclusive comércio varejista, por decreto do prefeito Orlando Morando (PSDB).

No dia anterior, o governador de São Paulo, João Dória, endureceu as medidas restritivas em todo o estado de São Paulo e determinou, com rigor, a continuidade da quarentena antes decretada, inclusive com possibilidade de prisão para quem desobedecer.

João Dória anda por aí mostrando as unhas, porque quer ser presidente da República e, de aliado político do presidente Bolsonaro, passou a ser seu inimigo entre o pôr do sol e o amanhecer do dia seguinte.

O prefeito Orlando Morando foi mais além com a fiscalização e mandou fechar dezenas de estabelecimentos. Até mandou lacrar uma loja varejista de renome nacional.

Do alto de sua autoridade, o prefeito ameaçou bancos, sapateou e fez entender que todos devem saber que quem manda em São Bernardo do Campo é ele, o que, aliás, todos sabemos. Está gravado. Ele não pode negar.

Tudo bem, tudo muito direito.

Entretanto, enquanto todo o comércio de São Bernardo do Campo estava fechado, sujeito à multa e lacração, uma sofisticada loja varejista situada no aristocrático bairro Jardim do Mar, estava aberta e atendendo regularmente seus clientes. É fato. Há imagens.

Dona da loja: a deputada estadual Carla Morando, esposa do prefeito Orlando Morando, o mesmo que mandou fechar todo o comércio do município sob pena de punição.

Mas nem tudo funciona como os espertos programam. Um munícipe filmou a loja da mulher do prefeito aberta, funcionando normalmente e o movimento de clientes.

Mais do que isto: o munícipe jogou as imagens no ventilador das redes sociais.    

O prefeito Orlando Morando, sem jeito e meio abatido, recém-saído da UTI de um hospital da região, onde estava internado por ter sido acometido do coronavírus, tentou explicar, sem sucesso, o porquê da loja de sua esposa estar aberta, enquanto o comércio em geral estava fechado por sua determinação.

Nem sempre a emenda melhora o soneto. Geralmente piora.

Ou a lei vale para todos ou não vale para ninguém. É inepta.

Ficou feio, Excelência. Mais do que feio: é uma transgressão à norma que o senhor mesmo decretou.

Feio, mais ainda, porque sua esposa é deputada e o senhor, ex-deputado. Ambos legisladores, têm o dever de saber que a lei vale para todos.  

Este escrevinhador não é contra e nem a favor do senhor Orlando Morando, tampouco lhe interessa saber se o munícipe que filmou a loja da esposa do prefeito em pleno funcionamento faz ou não oposição ao alcaide de São Bernardo do Campo.

Mas entende que ambos – prefeito e esposa – devem cumprir a lei. Ou o prefeito é um deslavado hipócrita, o que, aliás é comum na vida pública.

Não há o que explicar, senhor prefeito. Assumir o erro é mais sensato e até engrandece.

araujo-costa@uol.com.br