O governador Rui Costa e a execução do miliciano

Em setembro de 1971, forças de segurança nacional baseadas na Bahia assassinaram o capitão Carlos Lamarca, desertor do Exército Brasileiro.

Calos Lamarca, guerrilheiro da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR)  e do Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8) rebelou-se contra o Brasil e optou pela guerrilha e contra os governos militares.

Muitos fizeram isto: Dona Dilma Rousseff, José Genoíno, ex-presidente do PT, Franklin Martins, que foi ministro de Lula, o jornalista Fernando Gabeira, José Dirceu de Oliveira e Silva, também ministro de Lula, dentre muitos.

Esses sobreviveram às intempéries da repressão. Mais tarde se especializaram em locupletar-se de dinheiro público nos governos petistas. As exceções são Fernando Gabeira e Dona Dilma Rousssef, que não furtaram, até prova em contrário.

Carlos Lamarca estava escondido em Ipupiara, região de Brotas de Macaúbas, na Bahia. Lá foi fuzilado pela direita debaixo de uma árvore, em nome da Segurança Nacional.

A operação repressiva contou com 200 agentes federais.

Anos adiante, veio a Comissão Nacional da Verdade e recuperou a memória da ditadura. O capitão Carlos Lamarca adquiriu mais espaço na história e a família foi indenizada. O crime que ceifou a vida do capitão Lamarca foi cometido pelo Estado brasileiro. Restou o dever de indenizar.

Agora, a Polícia Militar da Bahia assassinou Adriano da Nóbrega, ex-militar fluminense e miliciano condenado pela Justiça, que estava foragido em Esplanada, homiziado em terras baianas.

Diferença entre Lamarca e Adriano: Lamarca se embrenhou na guerrilha e lutou contra as instituições nacionais. Cometeu crime político; Adriano se envolveu com a delinquência em alta escala. Cometeu crime comum.

Fato comum entre eles: ambos escolheram a Bahia para fugir das forças de segurança. E lá foram fuzilados.

O governador Rui Costa e o presidente Bolsonaro entraram na discussão, desnecessariamente. O governador Rui Costa defende as forças de segurança da Bahia, que é seu dever; o presidente Bolsonaro joga lenha na fogueira política.

A discussão é inoportuna. O intuito da polêmica entre ambos tem como pano de fundo a eleição presidencial de 2022.

O que deveria ser tratado no âmbito do cumprimento de um mandado judicial resvalou para a seara política. Tempos estranhos esses!

O presidente Bolsonaro é candidatíssimo à reeleição.

Rui Costa, o melhor nome do Partido dos Trabalhadores (PT) para disputar a eleição presidencial, só não será candidato se Lula da Silva jogar casca de banana em seu caminho. Quem conhece Lula sabe que ele está disposto a deixar escorregadio o caminho do governador da Bahia.

O candidato de Lula não é Rui Costa. O PT obedece a Lula. Mais do que isto: o PT agacha-se diante de Lula. Lançará quem Lula quiser.

E surge essa discussão estéril sobre a morte do ex-policial do Rio de Janeiro.

A esquerda saiu na frente, atabalhoadamente, sem pensar, para dizer que a morte do ex-policial Adriano da Nóbrega foi queima de arquivo, que beneficiaria a família Bolsonaro.

Só não conseguiu explicar qual o interesse da esquerda em participar do assassinato, já que foi a Polícia Militar da Bahia, estado governado pela esquerda, que o executou. Contraditório.

A direita, por sua vez, está confortável. Os tiros que ceifaram a vida do ex-policial não partiram da direita, que está sendo acusada, amiúde, por tudo de ruim que vem acontecendo no Brasil.

O despreparo da Polícia Militar da Bahia foi descomunal. Noticia-se que 70 agentes policiais participaram do cerco e morte ao ex-policial em Esplanada.

Esse número de agentes não seria suficiente para, estrategicamente, mantê-lo vivo?

O quiproquó só aumentou.

Durma-se com um barulho desses.

araujo-costa@uol.com.br

Em Curaçá, o vício do vice-prefeito

“Os vices são como os ciprestes. Crescem à beira do túmulo” (Sebastião Nery).

Em Curaçá, graças a Deus, o vice-prefeito do município não conseguiu emplacar a máxima comum aos vices e, portanto, não cresceu.

Longa vida e saúde ao prefeito Pedro Oliveira (PSC) e ao seu vice-prefeito também.

Conforme a legislação pátria, a possível assunção do vice, em qualquer esfera de poder – municipal, estadual e federal – é sempre uma expectativa de direito. E só.

Por óbvio, a substituição, pelo vice, nos impedimentos e demais casos previstos em lei, ocorre sob os escombros do titular.

Em Curaçá não é diferente, não pode ser diferente.

Entretanto, a imprensa noticiou que o vice-prefeito do simpático município sanfranciscano está um tanto magoado com o titular porque, segundo publicado, o vice sente-se tolhido, inclusive no que tange à estrutura física que lhe foi negada pelo prefeito, gabinete, por exemplo, que entende ser direito seu.

Diz o vice: “Eu não tive direito nem ao meu gabinete”. Este escrevinhador pergunta: e tem?

Parece razoável entender que vice-prefeito é uma função política. Ele deve sustentar-se por si só, independentemente de estrutura custeada pela Prefeitura.

Excetua-se a hipótese de o vice ser nomeado para uma secretaria, por exemplo, ou qualquer outro cargo na estrutura da municipalidade, o que a lei não proíbe.

Mas daí, exigir estrutura – gabinete, por exemplo – parece uma infantilidade, mesmo que a lei permita.

O vice-prefeito desempenha função política móvel e permanente. Pode fazer política em qualquer tempo e lugar, independentemente de ter gabinete fixo ou concordância do prefeito.

O vice de Curaçá aduz, ainda: “foram dez meses tentando diálogo com o prefeito”.

Tirante os exageros, convenhamos que o prefeito de Curaçá não é tão importante assim a ponto de não ter conseguido, em sua agenda, em “dez meses”, sequer uma brecha para atender o seu vice-prefeito e dar-lhe um abraço, mesmo que de urso.

A cidade de Curaçá é pequena. As pessoas tropeçam-se entre si, inclusive prefeito e vice.

O vice-prefeito de Curaçá, que não conheço, parece magoado pela indiferença do alcaide-mor.

O vice está se apequenando: ele existe, por si só, independentemente dos afagos do prefeito. O vice é vice e não depende do titular. A voz das urnas credenciaram-no assim.

O prefeito Pedro Oliveira, que também não conheço, parece mal assessorado, neste particular. Por que não atender o vice?

Todavia, o prefeito deve ter suas razões para não atender o vice, se é que procede esse lenga-lenga, mas política é a arte de conviver com os contrários. Cadê a assessoria política do prefeito?

Este escrevinhador andou telefonando para algumas fontes de Curaçá, tendo em vista o lamento do vice. Todas são unânimes em dizer que “em época de eleição é assim mesmo, todo mundo quer aparecer”. A carapuça parece ter-se adequado ao vice-prefeito.

Há muito chão para pisar até as eleições municipais de 2020. Haverá de tudo em Curaçá, menos grandeza política.

O vício do vice, em Curaçá ou qualquer lugar, é achar que tem as mesmas prerrogativas do titular. Não tem.

araaujo-costa@uol.com.br

O Papa, Lula da Silva e o “Grupo do Mé”

Na década de 1980, quando o Partido dos Trabalhadores (PT) ainda engatinhava, uma animada turma costumava se reunir no bairro de Perdizes, em São Paulo, geralmente no convento dos frades dominicanos.

Essa turma compunha-se dos seguintes frequentadores, dentre outros: Lula; Djalma Bom, que foi deputado e vice-prefeito de São Bernardo do Campo; Jacó Bittar, amigo de Lula desde sempre, pai do dono formal do famoso sítio de Atibaia; Devanir Ribeiro, que tinha sido diretor do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema na gestão de Lula; o combativo advogado de presos políticos Luiz Eduardo Greenhalgh; Paulo de Tarso Vannuchi, mais tarde ministro de Lula e o frade dominicano Carlos Alberto Libânio Christo, frei Betto.

Frei Betto coordenava o grupo e cuidava da comida, experiência adquirida na Ordem dos Dominicanos.

Propósito das reuniões: fazer autocríticas, ouvir críticas dos companheiros e confessar erros e equívocos dos presentes. Uma espécie de confessionário especial e coletivo, embora restrito.

O grupo recebeu o nome de “Grupo do Mé”, porque era regado a conhaque e outras bebidas estimulantes do ego, que permitiam a descontração e a expiação dos defeitos de cada um dos participantes, a submissão às críticas, a penitência.

Lula da Silva aprendeu muito nesse grupo. Mais pela autocrítica – que hoje não gosta de fazer – e menos em razão do “mé”, que ele já conhecia de cátedra. As circunstâncias difíceis da ditadura exigiam as amizades como bálsamo para o enfrentamento das dificuldades.

Os tempos mais difíceis são aqueles de atrocidades.

Esta lembrança vem a propósito da visita que Lula da Silva fez ao Papa Francisco, no Vaticano, nesta semana de fevereiro.

Surgiram algumas críticas destrambelhadas sobre a visita, como se Lula da Silva fosse uma figura de somenos. Não é.

A direita, assim como a esquerda, exagera sempre.

Lula da Silva ainda é líder, independentemente dos erros que eventualmente tenha cometido ao longo do caminho político que vem trilhando.

A visita de Lula da Silva ao Papa, também tem o condão de reflexão e pedido de compreensão e de solidariedade ao chefe da Igreja Católica Apostólica Romana.

Não há o que criticar sobre essa visita de Lula ao Papa, que é também chefe de Estado do Vaticano e  tem o dever funcional de relacionar-se com líderes mundiais sejam eles políticos ou não.

As misérias e fraquezas de Lula da Silva não devem ser obstáculos à civilidade.

Nessa visita ao Vaticano, Lula deve ter-se lembrado das reuniões do “Grupo do Mé”, que lhe fez refletir muito sobre a vida.

Certamente voltará mais leve.

araujo-costa@uol.com.br

Distorções à esquerda

A cineasta Petra Costa, magnata e herdeira da Construtora Andrade Gutierrez, costurou uma história frágil e nebulosa ao produzir o documentário Democracia em vertigem, indicado ao Oscar.

O documentário é uma inequívoca propaganda do PT com o intuito de disseminar no exterior a fantasiosa versão de que Lula da Silva e Dona Dilma Rousseff foram perseguidos por autoridades e instituições do Brasil.

Os petistas se alvoroçaram com a possibilidade de o documentário ganhar a estatueta americana. Se o filme tivesse sido vitorioso, eles teriam atingido o orgasmo político.

O documentário dá ênfase às imagens de Lula da Silva em abril de 2018, no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo, antes de ser preso.

Pessoas atentas já diziam naqueles dois dias, em São Bernardo do Campo, que a enrolação de Lula antes de se entregar à Polícia Federal era para que as imagens corressem o mundo numa espécie de denúncia. Dito e feito: a cineasta petista usou as imagens no documentário, ad nauseam.

Mas a Academia de Hollywood não engoliu a bazófia petista. A história mal contada no documentário pode ter servido para muita coisa, menos para convencer os jurados.

Depois do fiasco, jornalistas lulistas dizem que a Academia de Hollywood analisou somente os critérios técnicos do documentário e por isso o filme perdeu o Oscar. Risível.

O documentário, por óbvio, também teve o intuito de resgatar a história da Construtora Andrade Gutierrez, que pertence à família da cineasta. Uma tentativa mal sucedida de afastar a construtora dos escombros dos escândalos de corrupção dos governos petistas, incursão na Lava Jato, etc.

Empurrando-se a esquerda para um lado e a direita para outro, ambas comumente exaltadas, o cerne da discussão deve cingir-se ao óbvio: a fragilidade da narrativa da cineasta petista arranhou a história. Omitiu fatos, camuflou outros, deturpou o caminho da verdade política.

Nas entrelinhas, o documentário deixa entender que Dona Dilma Rousseff caiu porque não concordou com os banqueiros. Lorota. O ministro da Fazenda de Dilma, Joaquim Levy, foi indicado pela presidência do Bradesco. Quadro abalizado do banco, Levy fazia parte da superintendência da instituição.

Em nenhum momento a cineasta petista diz que o vice Michel Temer foi criteriosamente engendrado por Lula da Silva para compor a chapa presidencial de Dilma Rousseff por duas vezes seguidas. Logo, farinha do mesmo saco. Lula o empurrou goela abaixo de Dilma, porque Temer fazia parte das estratégias nem sempre confessáveis do ex-presidente.

Outro equívoco da cineasta: os movimentos que tomaram as ruas foram minimizados, de sorte que o documentário deu a entender que a sociedade estava satisfeita com o governo Dilma e que sua queda deu-se unicamente em razão de um golpe adrede estudado para tomada do poder, um complô da direita.

O documentário omitiu, certamente de propósito, que o processo jurídico-político do impeachment foi presidido pelo ministro petista do Supremo Tribunal Federal, Enrique Ricardo Lewandowiski, que rasgou o mandamento constitucional segundo o qual o presidente afastado fica inelegível por oito anos.

Lewandowiski construiu às escondidas, com o PT, uma tese esdrúxula e criou um precedente: permitiu que dona Dilma Rousseff perdesse o mandato, por vontade do Congresso Nacional, mas não perdesse o direito de disputar eleições. Isto não está na Constituição da República.

Assim, Dilma disputou uma vaga ao Senado Federal por Minas Gerais em 2018, mas os espertos mineiros não a conduziram à casa legislativa tal como queria Lewandowiski.

Lewandowiski e o PT ficaram com cara de galo. Os mineiros disseram não.

O documentário estendeu as razões do impeachment à ascensão do presidente Jair Bolsonaro ao poder. Outra ingenuidade. A vitória de Bolsonaro nas urnas de 2018 foi consequência do fragilizado período petista.

Democracia em vertigem nada acrescenta à história democrática do Brasil.

Um aprendiz de cineasta teria feito melhor, com uma vantagem: contado a verdade, sem distorções à esquerda.

O fato é que o documentário recheado de críticas da direita e elogiado pela esquerda não levou o Oscar.

Mas o nome do Brasil estava lá. Pena que a cineasta o tenha apequenado.

araujo-costa@uol.com.br

O PT chega aos 40 anos.

“Nada está mais próximo da ingenuidade do que a malícia levada ao extremo” (San Tiago Dantas, 1911-1964).

O Partido dos Trabalhadores (PT) chega aos 40 anos.

É inegável que o PT foi fundado com nobreza de propósitos, porque assim pensavam seus fundadores. Entretanto, muitos deles abandonaram o barco quando perceberam que o partido estava à deriva e rumando em sentido contrário às convicções que defendiam.

Insta acentuar que isto ficou evidente tão logo o PT assumiu o poder da República, nos primeiros anos de Lula e sinais do mensalão e com o surgimento de outras práticas antes condenadas pela agremiação.

Em 10/02/1980, o PT nasceu errado. Com grande apoteose, foi fundado nas dependências do tradicionalíssimo e centenário Colégio Nossa Senhora de Sion, frequentado pela elite quatrocentona paulistana.

Naquele dia, ali tinha de tudo: intelectuais exaltados, esquerdistas frustrados, sonhadores, líderes bem-intencionados, ex-presos políticos e opositores ferrenhos da ditadura militar, ingênuos de toda ordem, et cetera. Menos trabalhadores.

O simbolismo não podia ter sido maior. Lula diz até hoje, com todas as letras e até com uma ponta de orgulho, que nunca os banqueiros e a elite empresarial ganharam tanto dinheiro como nos dois mandatos dele.

Com o tempo, o PT foi arrebanhando ativistas da esquerda católica, profissionais liberais e marxistas de alto costado, de forma que atingiu robustez suficiente para sustentar-se por longas décadas, como principal voz da esquerda.

O fôlego do PT ainda não acabou. Está longe disto. Ele tem estrutura e estofo para liderar o pensamento da esquerda no Brasil e carregar com ele outros partidos satélites, por muitos anos.

O PT também lidera grande massa de seguidores que sequer entende o que é ideário partidário. São os fanáticos lulistas e outros milhares que foram beneficiados com benesses, cargos públicos, mordomias e posições de destaque nos governos petistas.

São os deslumbrados que, à época dos governos petistas, gastavam com regabofes, jatinhos, viagens nababescas, hotéis, bebidas caríssimas e outras inacreditáveis coisas mais.

Em seu aniversário de 40 anos, o PT vive às voltas com o maior de seus dilemas: readquirir a confiança de milhões de trabalhadores e grande parte da juventude que migraram para outras bandas, em razão do desmoronamento moral do partido.

Lula da Silva criou a polarização “nós” e “eles”, uma imbecilidade, sem dizer exatamente onde estão, distanciou-se arrogantemente de partidos como PSDB e DEM e hoje, contraditoriamente, quer reaproximar-se desses segmentos que ele mesmo espezinhou.

O fato é que, com o passar do tempo, o PT foi-se desviando de seu ideário e descambou para a vala comum dos demais partidos comumente inchados de inescrupulosos, aproveitadores, mentirosos e meliantes ávidos por cargos públicos. Muitos deles conseguiram seu intento sob a égide petista.

Outro dilema do PT é a incapacidade de desatrelar-se do morubixaba Lula da Silva. O partido não consegue construir ou vislumbrar outra liderança nacional capaz de substituí-lo e possa assumir a candidatura presidencial em 2022.

O PT é Lula. Sem Lula o PT é uma estátua corroída pelo tempo e pelas más ações do partido.

Vaidoso, Lula da Silva dificulta o caminhar do PT por suas próprias pernas. Ele determina com que e com quem o partido deve seguir para retomar o poder que jogou para o alto, em razão de ter priorizado as práticas abomináveis de nossa história política.

Agora fora da prisão, mas não livre, a estratégia de Lula da Silva é lançar o maior número possível de candidatos nas eleições municipais de outubro vindouro para lastrear a eleição presidencial de 2022.

O exemplo de 2016 gritou fundo nas entranhas do partido. O desempenho do PT nas eleições municipais daquele ano foi um descalabro em todo o Brasil. Em São Bernardo do Campo, berço do partido, o PT sequer conseguiu reeleger vereador um dos filhos do ex-presidente que tinha mandato na Câmara Municipal.

Inegável é que, com o passar do tempo, o PT foi-se desviando de seu caminho e descambou para a vala comum dos demais partidos abarrotados de inescrupulosos, aproveitadores, mentirosos, meliantes.

Daí para passar às páginas policiais foi um passo, situação que ofuscou o protagonismo do partido e levou alguns de seus dirigentes ao cárcere.

Deu no que deu: Lula da Silva, sua maior liderança, foi-se caindo no despenhadeiro das incertezas jurídicas e, seguramente, decepcionou parte dos brasileiros que nele acreditavam.

Lula nega seus desvios éticos, mas parece não ser o caso de continuar tapando o sol com a peneira.

Como dizia San Tiago Dantas, “nada está mais próximo da ingenuidade do que a malícia levada ao extremo”.

Lula levou a malícia ao extremo. Seguirá líder, mas um líder capenga, desacreditado, inclusive por um grande número de pessoas que antes o admiravam.

Mesmo laborando na hipótese de que Lula da Silva possa ser absolvido, em fase recursal, em todos os processos, não há mais como ele e o PT recuperarem a credibilidade do patamar anterior aos governos petistas. Serão sempre vistos como raposas no galinheiro.

A presidente nacional do PT, destemperada e engajada na tentativa de desmoralizar as instituições nacionais, mormente Poder Judiciário, Polícia Federal e Ministério Público, vomita impropérios a cada vez que abre a boca. É um mau exemplo.

Até petistas convictos vêm discordando do discurso piegas da direção do partido. Entendem que o discurso de perseguição alardeado pelos dirigentes não cola mais. E a direção do partido não sabe mudar de estratégia, ou por falta de inteligência ou por cara de pau mesmo.

O PT sabe que errou. Entretanto, não pode exteriorizar sua derrocada, para não desencorajar a militância desinformada e admiradores. Faz um discurso inverso, sem base fática, difícil de convencer, às vezes delirante.

Em consequência, a cada dia fica mais escancarado que o PT não prima pela verdade, mas por tudo aquilo que lhe interessa, principalmente dinheiro e poder.

O partido foi ávido por cargos em todos os níveis e posições da República, mas se descuidou de seu maior patrimônio: a ética.

O inventário de 40 anos do PT apresenta um amontoado de resultados abomináveis, entulhos de radicalismo e, sobretudo, falta de compromisso com a ética, que tanto defendeu.

Todavia, o PT não está isolado neste imbróglio de desfaçatez e lama. Estão aí os outros partidos políticos que lhe fazem companhia, igualmente desmoronados sob o ponto de vista ético. São aliados espertos, comparsas, malandros, velhacos.

A explicação para tudo isto é simples: o PT abandonou o caminho que idealizou e abraçou o fisiologismo, a avidez por posições e cargos, a ânsia pelo poder, o radicalismo, o apoio a ditaduras cruéis.

O PT faz 40 anos. Aniversário triste, macambúzio, insignificante.

araujo-costa@uol.com.br

TCM-BA: a situação de Mário Negromonte

O gabinete do ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal, não sabe a diferença entre Tribunal de Contas dos Municípios do Estado da Bahia (TCM-BA) e Tribunal de Contas do Estado da Bahia (TCE-BA).

O ministro Fux afastou Mário Negromonte das funções de conselheiro do Tribunal de Contas dos Municípios da Bahia há pelo menos oitenta dias, tendo em vista acusação de corrupção no tempo em que era ministro das Cidades de Dona Dilma Rousseff.

O processo tramitou no Superior Tribunal de Justiça (STJ), em razão do foro privilegiado de Negromente, mas está em andamento no Supremo Tribunal Federal pendente de julgamento.

Ocorre que Mario Negromente, não obstante a decisão do Supremo Tribunal Federal continua regularmente em suas funções e, em consequência, recebendo dos baianos a quantia de R$ 46 mil por mês, aproximadamente.

Noutras palavras: Negromonte está “afastado”, mas não está afastado.

A situação é simples de explicar: o gabinete do ministro Luiz Fux mandou a ordem judicial de afastamento para o Tribunal de Contas do Estado da Bahia e não para o Tribunal de Contas dos Municípios do Estado da Bahia.

Consequência lógica: o destinatário foi grafado errado e o TCM-BA ainda não foi oficialmente comunicado da decisão, embora seja de conhecimento público, nem o gabinete do ministro Luiz Fux se dignou a corrigir o erro, o que pelo menos não tinha feito até 04/02/2020.

Enquanto isso, Mário Negromonte continua impoluto no exercício de sua nobre função de conselheiro e recebendo seus vencimentos, o que não está errado, nem ele é ingênuo a ponto de recusar o recebimento de tão opulenta bufunfa.

Até as moscas do TCM-BA sabem que ele está afastado, mas formalmente o Tribunal não sabe. Nem Negromonte. Tudo certo, tudo muito direito.

Como o Supremo Tribunal Federal não corrigiu o erro, não cabe a Mário Negromonte ir buscar o ofício de seu afastamento em Brasília e entregá-lo à presidência do TCM-BA.

O leitor sabe quem é o advogado de Mário Negromonte, neste caso? Trata-se de Roberto Podval, um dos maiores criminalistas surgidos na era PT, competente defensor de gente graúda, a exemplo do ex-ministro de Lula, José Dirceu. Está no seu papel de causídico.

Imaginemos se fosse uma ordem do Supremo Tribunal Federal contra um pobre sem voz, sem advogado famoso e sem amparo legal.

O funcionário do STF talvez tivesse corrigido o erro no mesmo dia que a imprensa noticiou – e faz tempo – e talvez tivesse levado pessoalmente a ordem judicial ao TCM-BA, em Salvador, para que fosse cumprida imediatamente.

Dura lex sed lex. A lei é dura, mas é a lei, principalmente para os pobres e desvalidos.

Em tempo:

Em 05/02/2020, a Câmara dos Deputados derrubou uma ordem do Supremo Tribunal Federal afastando o deputado Wilson Santiago (PTB-PB) de suas funções de deputado federal.

A ordem judicial de afastamento do mandato, de natureza cautelar, foi proferida pelo ministro decano Celso de Mello, que já está na hora de pegar o boné e escafeder-se.

Os votos do ministro Celso de Mello são prolixos, palavrosos, enfadonhos e, neste caso, agrediu a lógica constitucional.

A razão da decisão da Câmara dos Deputados também é simples: dizem os doutos que não existe na Constituição Federal a figura jurídica de “afastamento de mandato parlamentar”, mas cassação de mandato parlamentar, após crivo do Conselho de Ética da casa legislativa correspondente, o que é completamente diferente.

Aqui não se discute se o deputado petebista paraibano é ou não corrupto. A questão é outra: invasão de competência de outro poder da República. O mérito de sua conduta será discutido na Justiça, no momento próprio.

Mas alguns deslumbrados ministros do STF – quase todos – optaram por invadir a competência do Congresso Nacional e eles próprios se permitem a fazer normas, que é função precípua e estrita do Parlamento. E ainda alardeiam que zelam pela Constituição da República.

Dá nesses vexames. O STF cai em descrédito.

Dir-se-á que é corporativismo da Câmara dos Deputados. Também. Mas a Câmara precisa resgatar suas prerrogativas e impor seu papel perante esses vaidosos ministros do STF.

araujo-costa@uol.com.br

O charme de Patamuté

O charme de Patamuté está em suas dificuldades, inclusive de acesso.

É difícil chegar lá. As estradas são esburacadas, ruins, difíceis.

Mas o alcaide-mor de hoje se espelhou nos prefeitos do passado e diz que está tudo bem em Patamuté. Então tá.

Quando chegamos a Patamuté a emoção é intraduzível. Chega a ser romântico rever as casas antigas, as pedras disformes do mármore surrupiado do lugar, a humildade das pessoas, a poeira das ruas, o riacho Paredão, a igreja de Santo Antonio, o atoleiro dos carros em épocas de chuva, etc.

Todos os moradores se conhecem, todos sabem notícias dos outros, todos perguntam “cadê fulano de tal”, todos jogam conversa fora nas calçadas, mandam recados, beijos, abraços.

Aos sábados, dias de feira, os sertanejos saem de seus sítios, fazendas e rústicas construções e vão se encontrar na rua de Patamuté, para conversar, falar dos criatórios, da chuva que pareceu chegar, mas não chegou, tomar cachaça nos balcões dos poucos bares que lá existem, fazer a feira para a semana.

Confraternizam-se, abraçam-se e dão o adeus até o sábado seguinte.

Quanto ao asfalto, que faz parte dos sonhos de Patamuté, eita coisinha difícil de acontecer! Não é um sonho grande, mas parece impossível.

E por que não acontece? Porque os homens públicos de Curaçá são politicamente fracos, subservientes, pequenos demais. Falta-lhes altruísmo, falta-lhes vontade de lutar pelo lugar e falta-lhes capacidade de saber exigir.

Falta-lhes grandeza política e sobra afago ao governador, seja ele de que partido for, deputados, senadores, et cetera.

Os políticos se apequenam e contentam-se em tirar fotos ao lado de autoridades estaduais e federais.

Pergunta-se: e o governador do Estado? A resposta é simples. A Bahia nunca teve governador, teve simulacros de governador, figuras opacas, mesquinhas, preguiçosas, narcisistas, arrogantes, politiqueiras, despreparadas como estadistas.

O peso dos votos de Patamuté e dos eleitores da caatinga de lá é insuficiente para pressionar quem tem o poder de levar o asfalto para o lugar.

Recentemente a Igreja Católica Apostólica Romana elevou a gruta de Patamuté à condição de Santuário. Parou por aí. Não se sabe de nenhum movimento das autoridades para fomentar o turismo e movimentar a economia do lugar, pelo menos em ocasiões de romarias. Mas cadê a estrada?

Terraplenagem, tapa-buraco e paliativos em ocasiões sazonais não resolve. É o que é feito anualmente.

Mas digo que o charme de Patamuté está em suas dificuldades, porque por lá o povo precisa viver e outra maneira não há, ainda, senão viver em meio às dificuldades.

Hoje há modernismos para se chegar a Patamuté. Esse bicho chamado GPS ainda não tem muita serventia.

Chega-se lá perguntando aos sertanejos, ao longo do caminho, mais ou menos assim: qual é a estrada que vai pra Patamuté?

Um dia Patamuté chega ao seu destino.

Basta substituir os homens públicos.

araujo-costa@uol.com.br

Curaçá: a propósito de um aniversário

Fico sabendo pelas chamadas redes sociais, que hoje é o aniversário de Theodomiro Mendes Filho, excelentíssimo vereador de Curaçá e ilustríssimo descendente de respeitável estirpe do lugar.

Sou bicho do mato, cria das caatingas de Patamuté, infância e parte da juventude vivida nos cafundós do Riacho da Várzea, entre cactos, pedras disformes e muitas intempéries.

Confesso que tenho dificuldade de me adaptar às redes sociais. Estou tentando.

Sou cauteloso, tendo em vista o perigo que elas carregam e, sobretudo, o clima de animosidade que muitos ostentam e servem-se delas para atacar, ofender, caluniar, apedrejar. O anonimato que elas escondem às vezes me assusta.

Mas as redes sociais também servem para aproximar pessoas, encontrar amigos, espalhar a amizade, difundir nossos pensamentos e até, em certos casos, ajudar outros em momentos de dificuldade. Este é o ponto positivo delas.

O cronista às vezes se perde e se acha ao mesmo tempo e vai, por aí, aos trancos e barrancos, tropeçando nos assuntos do dia e no imponderável da vida.

O cotidiano e o tempo são os aliados do cronista. Hoje me deparei com este assunto: um aniversário.

Quanto ao aniversariante Theodomiro Mendes, ouso dizer que, a meu juízo, trata-se de um sujeito decente, prestativo, atencioso, amigo de sua gente e, pelo que sei – e sei pouco –  zeloso cumpridor de seu dever de edil.

Tenho costume de carregar algumas pessoas em minha estima. Direi até, em alta consideração. Assim o faço relativamente ao aniversariante Theodomiro Mendes.

Não preciso explicar as razões, mas o fato é que o admiro na condição de conterrâneo e de homem público que é.

Tempos idos. Em Patamuté, eu tinha um amigo experiente nas coisas da vida e de alta consideração: Mário Matos Lopes.

Certo dia – um sábado – eu estava sentado na calçada de Mário Lopes e ele, mais afastado, conversava com Theodomiro Mendes Filho, ainda muito jovem e elegante, iniciante na vida pública.

Theodomiro se retirou e Mário retomou nossa conversa e disse: “rapaz bom, tem futuro”.

Difícil esquecer Mário Lopes, difícil esquecer o que ele dizia.

Parabenizo Theodomiro Mendes Filho e lhe desejo vida longa.

araujo-costa@uol.com.br

PCdoB: quando a foice e o martelo se desgastam

“Quem não muda deixa de ser” (Menotti Del Picchia, 1892-1988)

Nos últimos anos o Partido Comunista do Brasil (PCdoB) abandonou sua história e se permitiu tornar-se um puxadinho do Partido dos Trabalhadores (PT).

Embora a direção do partido negue, a foice e o martelo se desgastaram e estão dando lugar ao chamado Movimento 65, por uma razão muito simples, que os seguidores do partido também negam: não há mais espaço para a defesa das ideias comunistas no mundo, consoante o ideário tradicional da agremiação.

O PCdoB quer se aproximar da população e distanciar-se do PT, mas Lula da Silva percebeu o movimento e está tentando costurar uma duvidosa aliança com o partido, a partir do governador Flávio Dino, do Maranhão.

Ingênuo, à semelhança de Sérgio Moro – ambos são ex-juízes federais – o governador do Maranhão parece acreditar em Lula da Silva. Mas Lula já alardeou por aí, sem rodeios, que o PT não nasceu para ser coadjutor de ninguém. Noutras palavras: mesmo Lula prometendo mundos e fundos a Flávio Dino, o PCdoB vai ser sempre linha auxiliar do PT, se continuarem juntos.

Embora reconhecidamente abrigo e idealizador de maracutaias, o PT tem robustez suficiente para sustentar-se durante longos anos, pelo menos enquanto o morubixaba Lula da Silva se mantiver no controle das rédeas subservientes do partido.

Messiânico, Lula diz o que o partido deve fazer, o que os dirigentes do partido devem obedecer e o que a militância do partido quer ouvir.

O PT é Lula. O resto é hipocrisia. Presidentes nacional, estaduais e municipais da legenda são decorativos. Lula dá as cartas e todos baixam a cabeça. Os diretórios do partido homologam a vontade de Lula.

Estratégia à parte, o PCdoB diz agora que está de “portas abertas para pessoas progressistas”, com o intuito de “construir um país melhor, com boas ideias e gestão eficiente”, já a partir das eleições municipais de 2020.

O PCdoB sempre encontrou resistências nos setores conservadores do Brasil, de modo que o atrelamento ao lulopetismo somente dificultou seu voo próprio. Esta a razão do Movimento 65, que o partido quer levar às ruas, cutucar os eleitores e tentar conquistá-los nas urnas.

Ciente do desgaste da foice e do martelo e escorregando na corrosão de suas ideias, o PCdoB diz agora que seu “objetivo é eleger em 2020 lideranças que garantam cidades democráticas para o Brasil”.

O PCdoB vai precisar mudar muito, inclusive explicar à sociedade e convencer os setores mais resistentes, que democracia não se compatibiliza com as ideias de Joseph Stalin, cujo legado o partido reivindicou desde o início na década de 1950, tampouco com as táticas de guerrilhas que adotou na década de 1960 e com o pensamento maoísta chinês.

No mais, o PCdoB é igual a todos os demais partidos: um arcabouço jurídico que sustenta as exigências da legislação eleitoral e permite que filiados votem e sejam votados. Existe para isto.

Ideia é o que menos existe nesse amontoado de excrescências partidárias.  

Talvez o PCdoB tenha entendido que é preciso mudar para ser.

Há tempo para tudo.

araujo-costa@uol.com.br

Chorrochó e José Jazon de Menezes

Jazon/Crédito: Dr. James Cordeiro

Ao apagar das luzes de janeiro de 2013 publiquei neste espaço o texto a seguir, em homenagem a José Jazon de Menezes:

Hoje eu queria dizer: ainda bem, que deu tempo. Mas, não deu tempo, infelizmente.

Jazon se foi. Seu enterro aconteceu em 31.01.2013, em Chorrochó. Ele foi peculiarmente, do seu jeito, como sabia fazer, deixando um rastro de saudade, um vazio de sua alegria contagiante. E não deu tempo, porque eu ainda queria vê-lo de perto, curtir seu sorriso, sua presença, sua verve humorística. Sua ida entristeceu este último dia de janeiro, entristeceu Chorrochó, entristeceu o tempo em Chorrochó.

Espirituoso e respeitador era, ao mesmo tempo, amigo e protetor. Vi-o, muitas vezes, sair em defesa de pessoas humildes de Chorrochó, defendendo-as, enaltecendo-as, amparando-as. Como se todos, para ele, fossem imaculados. E eram. Para Jazon não interessava ser rico ou pobre, ser humilde ou célebre. Todos mereciam sua atenção, porque todos eram iguais e ele se entendia igual a todos.

José Jazon de Menezes faz parte da história de Chorrochó. Foi um dos pioneiros dos serviços judiciários da comarca. Após a instalação, em outubro de 1967, foi nomeado o primeiro escrivão dos feitos cíveis, cargo que exerceu com dignidade e brilhantismo. Respondeu também pelo cartório eleitoral.

Respeitado por todos de sua geração, Jazon era espirituoso e, acima de tudo, muito atencioso com todos. Constituiu família nobre, em Chorrochó. Casado com a Dra. Maria Ita de Menezes, também de estirpe tradicional, professora do então Colégio Cenecista São José, com quem teve os filhos Jorge Jazon Cordeiro de Menezes, Jaílson José Pacheco de Menezes, Ita Luciana Menezes de Menezes e James Jeorge Cordeiro de Menezes.

Jazon foi, sem dúvida, um dos esteios da família Menezes de Chorrochó.    

Deixa saudade, deixa um inominável vazio, deixa a certeza de que ainda existem pessoas boas, não obstante a aridez deste mundo.

Todavia, o tempo tem sua lâmina implacável. E ela, cruelmente, nos tirou Jazon de nosso convívio. Que Deus lhe dê amparo e descanso eterno.

Vai com Deus, Jazon!

Sua família ficou com a dor e a dilacerante saudade. E nós também ficamos com a saudade. Eterna saudade.

Post scriptum:

A professora Maria Ita de Menezes publicou em 30 de janeiro de 2020, o seguinte texto, que li e admirei. Ou, seguindo a linguagem forense de Jazon: Li e achei conforme.

Ei-lo:

“Hoje, em situações antagônicas, vivencio momentos bem diferentes. Um misto de alegria e de saudades. Comemoro meu aniversário de 81 anos e ao mesmo tempo me lembro que esta foi a data que o meu parceiro de vida, Jazon, nos deixou. Mas o sentimento nostálgico de alegria prevalece ao olhar para trás e ver tantos momentos maravilhosos vivemos juntos, o tanto que cresci e aprendi com ele e, por fim, o tanto que ele nos ensinou enquanto aqui esteve” (Maria Ita de Menezes).

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