A face corrupta da esquerda da Paraíba

O ex-governador da Paraíba Ricardo Coutinho, do Partido Socialista Brasileiro (PSB), provém do movimento estudantil de esquerda. Foi presidente do Sindicato dos Farmacêuticos, alçou voo mais alto e fundou o Sindicato dos Servidores Estaduais.

Aliado do Partido dos Trabalhadores (PT), apoiou politicamente outro sindicalista “honesto”, Lula da Silva. Ambos de esquerda, populistas e demagogos, Ricardo Coutinho e Lula usaram a esquerda para enriquecer, cada um a seu modo, mas na mesma linha: sem vergonha, sem pudor, sem nobreza de caráter e à custa de milhões de miseráveis que foram privados de serviços públicos em razão da rapinagem que fizeram, segundo atestam os órgãos de investigação.

Lula da Silva diz que vai provar sua inocência. Os brasileiros aguardam. Oxalá que faça isto e o faça com urgência.

Esse mesmo Ricardo Coutinho, considerado líder da esquerda no Nordeste e acima de qualquer suspeita foi o responsável pelo convite a Lula da Silva e a dona Dilma Rousseff para a inauguração da transposição do Rio São Francisco no município de Monteiro.

Inaugurada com estardalhaço, mentiras e embromações, hoje já se sabe que a obra se aproxima mais de um fiasco, tamanhas as tramoias que já foram detectadas e estão sob investigação.

O Ministério Público Federal e a Polícia Federal acusam o ex-governador Coutinho de ter recebido R$ 134,2 milhões em propina, por conta de superfaturamento nas sofridas áreas de saúde e educação da Paraíba. As provas são robustas e incontrastáveis, dizem os investigadores.

A secretária de Administração da Paraíba no governo Coutinho disse aos investigadores, que quando ia entregar a propina em caixas de dinheiro vivo, na residência oficial do então governador, a senha que interrompia de imediato a agenda de Sua Excelência era esta: “trouxe mangas de Sousa”. Sousa é o histórico município da caatinga paraibana, terra da secretária.

O estado da Paraíba continua pobre. O ex-governador rico.

Coutinho enxovalhou a memória de Miguel Arraes (1916-2005), que honrou a confiança dos pernambucanos e a história política do Brasil através do Partido Socialista Brasileiro (PSB).

Hoje, em seus quadros, o PSB tem figuras exóticas a exemplo do deputado Alessandro Molon (RJ), a deputada Lídice da Mata (BA) e o próprio ex-governador Ricardo Coutinho, que já disse ao que veio: locupletar-se à custa do dinheiro público.

O PSB, que tem uma história rica como partido político, tem servido de trincheira para esses políticos esquisitos, extravagantes, interesseiros, hipócritas.

Esta desgraçadamente é a face corrupta da esquerda da Paraíba, estado que erigiu os melhores exemplos de caráter na vida pública, como Oswaldo Trigueiro, João Pessoa, Ariano Suassuna, José Américo de Almeida, José Lins do Rego, Assis Chateaubriand, Jackson do Pandeiro  e tantos outros que enriqueceram a história política e cultural do estado.

Para anuviar o curso da história séria da Paraíba, surge Ricardo Coutinho. Muito triste e constrangedor.

araujo-costa@uol.com.br

A farra do ministro Dias Toffoli com dinheiro público

A Folha de S.Paulo, que defende o lulopetismo com unhas e dentes, cometeu ato falho e noticiou a farra que o ministro petista Dias Toffoli, presidente do Supremo Tribunal Federal, fez com o dinheiro público.

Primeiro é bom deixar claro: todo e qualquer ministro do STF tem direito a usar as aeronaves da Força Aérea Brasileira (FAB), desde que em serviço e não para regabofes particulares.

Este não é o caso, em parte, como dizem as sábias e subidas sentenças dos excelentíssimos magistrados, inclusive do Supremo Tribunal Federal.

Em 20 de dezembro último, o presidente do Supremo Tribunal Federal requisitou um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) e o abarrotou de 11 pessoas de suas relações pessoais.

Destino: Ourinhos, Estado de São Paulo, distante 1.050 km de Brasília, aproximadamente.

Finalidade: inaugurar o Forum da cidade de Ribeirão Claro, município do Paraná, com 10.668 habitantes, vizinho à Marília, cidade paulista e natal do vaidoso ministro. Nome do Forum: Luiz Toffoli, pai do ministro.

Até aí tudo bem. É direito do ministro. É direito da memória do pai do ministro.

O que não está bem é o ministro Dias Toffoli usar o avião da FAB e esticar a viagem até um resort de luxo, com diária de R$ 915,00 e por lá ficar até segunda-feira, 23 de dezembro, tudo por conta do erário público. Ele e seus acompanhantes, que ninguém é de ferro.

Um lembrete:

Condições previstas na lei para que ministros do STF e demais autoridades autorizadas usem as aeronaves da Força Aérea Brasileira:

– Viagem a serviço (Toffoli estava em serviço somente algumas horas da sexta-feira, 20 de dezembro e não todo o final de semana até segunda-feira, dia 23);

– Motivo de segurança (o que não foi o caso do ministro Toffoli);

– Emergência médica (o que não foi o caso do ministro Toffoli, que goza de boa saúde, graças a Deus);

– Deslocamento para local de residência (o que não foi o caso do ministro Toffoli, que não mora no interior do Paraná, nem de São Paulo);

Conclusão:

O presidente do Supremo Tribunal Federal, em explícita vaidade pessoal, abarrotou a aeronave da FAB de amigos e pessoas próximas e foi curtir as piscinas do resort cinco estrelas.

Tudo por conta dos impostos que os brasileiros pagam com dificuldades.

Isto pode?

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Cartões de Natal e outras lembranças

“Quando o carteiro chegou
E o meu nome gritou
Com uma carta na mão
Ante surpresa tão rude
Nem sei como pude chegar ao portão”

(Mensagem, Isaurinha Garcia, 1923-1993)

O carteiro que serve minha rua, que é jovem, não viveu a época em que as pessoas mandavam cartões desejando votos de “feliz Natal e próspero Ano Novo” para amigos, conhecidos e sujeitos de suas relações, ainda que comerciais.

Os envelopes continham traços de sinos e adereços alusivos à ocasião e dizeres bonitos, floridos, admiráveis. Abarrotavam as agências e postos dos correios em finais de ano.

Ao receber as correspondências, perguntei ao diligente estafeta se havia cartões de Natal. Ele me olhou com cara de surpresa, como se diante de uma novidade e respondeu seco, quase assustado:

– Acho que não.

Esse costume já não existe mais. As comunicações online extinguiram essa forma tão aconchegante e eficiente de relacionamento.

Hoje quase ninguém mais manda cartões de Natal, chega ser uma cafonice, um atestado de desinformação e até, em certos casos, um comportamento irrefletido diante de tanta parafernália eletrônica em tempo real.

Interessante é que a mudança se deu mui rapidamente. Eu que tinha o hábito de mandar cartões de Natal, vi-me ultrapassado de repente, quase jurássico. Em 2019 não mandei sequer um. Fui desencorajado pela onda de frieza que assola a cidade grande.

A evolução da sociedade vai dizimando, em seu bojo, as formas simples de convivência, destruindo friamente os relacionamentos e corroendo os vínculos sociais.

As pessoas estão menos calorosas, desinteressadas pelos outros, excessivamente críticas e egoístas, de sorte que muitas coisas perderam importância. Todavia, muitos de nossos valores estão ínsitos nas pequenas coisas.

Em breve os cartões de Natal serão lembranças e relíquias para colecionadores, assim como as cartas que não escrevemos mais e os recados verbais que não mais mandamos para amigos e familiares.

As futuras gerações não chegarão a conhecê-los.

As cartas foram substituídas por mensagens eletrônicas frias, sucintas, automáticas, protocolares.

A emoção, ao receber as cartas, que Isaurinha Garcia tão bem retratou em Mensagem, realmente é coisa do passado, assim como os cartões de Natal.

Feliz Natal a todos.

araujo-costa@uol.com.br

Em Chorrochó, os destaques de 2019

O simpático município baiano de Chorrochó, encravado no chamado polígono das secas, vem ocupando espaço garantido no que tange à idealização de eventos, que já fazem parte do calendário local.

O site Chorrochoonline, iniciativa da lavra de Edimar Carvalho, que deu certo, realizará em 21 de dezembro, a cerimônia de entrega do troféu Destaque de 2019.

A premiação acontecerá na Câmara Municipal de Chorrochó e contará com a presença dos agraciados, lideranças políticas e membros da sociedade local e regional.

Segundo o idealizador Edimar Carvalho, a instituição do troféu “tem como objetivo valorizar as pessoas da região que estão se destacando em suas categorias”.

O evento – diz Edimar Carvalho – é “uma excelente oportunidade de relacionamento entre importantes lideranças políticas regionais, empresários, profissionais da educação, justiça e saúde, entre outras”.

Como se vê, a premiação acaba se tornando uma forma de reconhecimento à atuação de pessoas que se destacam nos municípios da região, qualquer que seja sua área de participação e envolvimento político, profissional ou social.

São os seguintes, salvo engano ou omissões, os nomes que se destacaram e suas respectivas áreas de atuação, segundo critério adotado pelo site Chorrochoonline:

Gracilda Pinheiro Cardoso Silva e Carlos Barbosa, diretores de estabelecimento de ensino; Joana Silva Santos, sindicalista; Lucynalva Freire de Carvalho Pires, delegada de Polícia Civil; Irany Miranda, ciclista; Fábio Pereira Maia, vereador, presidente da Câmara Municipal de Macururé; Cícero Marinheiro, cacique Tumbalalá; Jonas Alves, Jerson Florimel, Cleiton Darlan Pires Sertão e José Edmar Fonseca Filho, vereadores; Emanuel Rodrigues, líder político; Gilderlany Silva e Maria do Socorro Silva Paiva, redes sociais; Bergue de Josias, líder político; Niedson Vaquejada e Emisael Santos, artistas; Oscar Araújo Costa Neto, empresário; Flavia Jaciele Gomes do Nascimento, professora; Érico Evilásio de Carvalho Paiva e Edevaldo Paiva, advogados; Socorrinha Tumbalalá, textos em redes sociais; Caio Alves e Diego de Sá Carvalho Pires, médicos; Lívio Fonseca e Antonio Carlos Alves dos Santos Barros, cenário político; José Pereira da Silva, categoria mecânico; Humberto Gomes Ramos, prefeito municipal de Chorrochó.

O evento já se afigura tradição em Chorrochó e esta é a 7ª edição.

É confortador saber que essas pessoas que hoje se destacam em suas respectivas áreas de atuação antes cruzaram incontáveis obstáculos, mas não abandonaram a esperança de novos horizontes. O mérito está na persistência da caminhada.

O evento merece duplo aplauso: pela iniciativa e pelo estímulo.     

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As candeias de Patamuté

As candeias de Patamuté, nascidas entre pedras e cactos, enfeitam as jazidas de mármore ou o que restou delas. São plantas nativas, resistentes, históricas, valiosos adornos do sertão.

Assim como as candeias, Patamuté também resiste à indiferença dos governos municipais. Uns vão, outros vêm. Sucedem-se negligentes e inoperantes, passam sem deixar saudade.

Em duas ocasiões o município de Curaçá escolheu para administrá-lo Theodomiro Mendes da Silva, ilustre filho de Patamuté, que governou nos períodos de 1973-1977 e 1983-1988.

Insta reconhecer que a administração de Theodomiro adormeceu relativamente a Patamuté. E se a administração adormeceu, Patamuté também caiu no sono por longos anos. Onde um dorme é natural que outros durmam.

A memória registra e os fatos atestam que a gestão de Theodomiro Mendes deixou uma estátua do excelso padroeiro Santo Antonio em frente à igreja, que continua lá impoluta, bela, fulgurante, encantadora.

Obras perenes? Não me recordo de outras. E não recordar não significa negá-las. Pode ser falta de conhecimento ou esquecimento mesmo.

O fato é que os prefeitos daquela quadra do tempo – e Curaçá não era exceção – ocupavam-se de cuidar da máquina burocrática do município e davam ênfase ao assistencialismo, um tanto cultural no Nordeste, até hoje.

O conceito de investimento público não se afigurava tão claro como hoje.

De outro turno, as leis que disciplinavam a administração pública eram frouxas, falhas, flexíveis, circunstantes.

Assim, vieram outros prefeitos e Patamuté resistiu a todos eles.

Patamuté é assim, apesar dos prefeitos, ainda não se acabou. Patamuté é grande demais, o povo de Patamuté é grande demais.

Theodomiro trabalhava na Rovel Couros e Peles S/A, que mais tarde tornou-se Brespel-Companhia Industrial Brasil-Espanha, mas tinha tirocínio, esperteza política e, sobretudo, entendia a língua do povo e transitava, com desenvoltura, em todas as camadas sociais do município.

Um dia ele e eu estávamos no escritório da empresa em Juazeiro e o assunto resumia-se a Patamuté, nossa predileção, como sempre. Theodomiro era apaixonado por Patamuté e por seu recanto, a Fazenda Ouricuri.

Na conversa, em frente à bonita orla sanfranciscana de Juazeiro, Theodomiro demonstrou sincera e impressionante lealdade ao lugar, a ponto de emocionar-se e dizer que jamais esqueceria aquele povo. Theodomiro entrava em estado de êxtase, quando o assunto resvalava para Patamuté.

Passados outros anos, Curaçá elegeu Carlos Luiz Brandão Leite, também filho de Patamuté, para um período de quatro anos, com a expectativa de mais um quatriênio, que não deu certo.

Vislumbrou-se à época mais uma oportunidade para o povo carente de Patamuté manter acesa a esperança do amanhã.

Carlinhos Brandão, descendente de respeitável e tradicional família de Patamuté, tem boa origem e linhagem, tanto do lado paterno, quanto da estirpe materna.

Filho de mãe professora, carrega em seu favor a irrepreensibilidade do caráter e a honradez familiar.

Com estas características, Carlinhos Brandão ostentava cacife para ser um bom prefeito e incluir Patamuté em suas prioridades administrativas. Não o fez.

Para ser breve, o prefeito atual Pedro Oliveira, que não é de Patamuté, caminha na linha dos antecessores, maquiando a realidade do lugar, de modo que Patamuté continua do mesmo jeito.

Quando deixar o cargo – seus admiradores dizem que será reeleito – o prefeito Pedro Oliveira estará habilitado para exercer outra profissão: a publicidade. O homem é bom de propaganda. Irrepreensível nesse particular.

As candeias de Patamuté continuam testemunhando o descaso, a passagem dos prefeitos, o sufocar da esperança.

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Quando a notícia não é notícia

“As manchetes abundam. Não é preciso que eu diga nada” (Gilberto Gil).

Ainda jovem, o jornalista baiano Raimundo Reis trabalhou no Diário de Notícias, em Salvador. Um dia foi escalado para entrevistar o governador Otávio Mangabeira (1886-1960), no Palácio Rio Branco, então sede do governo da Bahia, na Praça Tomé de Sousa.

O jornal agendou com o Palácio dia e hora da entrevista.

O oficial de gabinete encaminhou o jovem jornalista ao governador.  Raimundo Reis se apresentou e, ato contínuo, recebeu das mãos de Otávio Mangabeira um envelope e a observação clara, sem rodeios:

– Estão aqui as perguntas e as respostas. Está dispensado. Gosto muito de facilitar o trabalho de vocês.

Raimundo Reis contava que lhe faltou chão e se retirou. Não fez sequer uma pergunta ao governador, porque não lhe foi permitida. No dia seguinte, o Diário de Notícias publicava extensa entrevista de Otávio Mangabeira concedida a Raimundo Reis.

O jornalista sergipano Joel Silveira, honra e glória da imprensa brasileira, conhecido como “víbora” da reportagem, que trabalhou nos Diários Associados, de Assis Chateaubriand, contava que foi entrevistar o general Góis Monteiro, líder do Estado Novo, como era conhecida a ditadura Vargas.

O general deu a ordem:

– Vá escrevendo o que vou lhe dizer. Confiei demais na memória dos jornalistas e sofri muito com isto.

E ditou a “entrevista” na íntegra. Joel apenas datilografou (naquele tempo não existia computador, mas máquina de escrever).

Os grandes líderes às vezes agiam assim. Ditavam o que os jornais deviam publicar sobre eles ou o governo a que pertenciam. A imprensa os obedecia e respeitava, porque esses líderes interessavam aos jornais. Criavam fatos diários, davam-lhes publicidade.

Hoje é comum autoridades desmentirem, através das chamadas notas, o que os jornalistas publicam, mesmo que informações colhidas em entrevistas gravadas. É uma forma de duvidarem da memória dos jornalistas, como dizia o general Góis Monteiro.

Antes das definições das candidaturas presidenciais de 2018, a jornalista Mônica Bérgamo, da Folha de S.Paulo, lulopetista até a alma, publicou que a então senadora Gleisi Hoffmann, presidente nacional do PT, havia dito que o partido não apoiaria o ex-governador cearense Ciro Gomes, “nem que a vaca tussa”.

Ciro Gomes se sentiu traído por Lula, de quem foi ministro da Integração Nacional e lambe-botas e ficou magoado. Continua uma fera, expelindo veneno contra o ex-presidente por tudo quanto é orifício.

Outrora bajulador e sabujo de Lula da Silva, Ciro Gomes hoje se acha acima do bem e do mal e esquece os benefícios que Lula lhe fez.

Em entrevista à TV dos Trabalhadores, de São Bernardo do Campo (TVT), Gleisi Hoffman desmentiu Mônica Bérgamo. “Nunca falei isso”, disse a presidente do PT.

Tarde. O estrago político já tinha sido feito e Ciro Gomes ainda hoje esbraveja contra o PT e os petistas. Corre atrás de holofotes com o intuito de desmoralizar o PT.

O Brasil está passando por uma quadra confusa. A verdadeira notícia sofre violenta agressão, por conta das fake news, as notícias falsas, de tal sorte que a sociedade ficou vulnerável a todo tipo de mentiras espalhadas nas redes sociais e outros meios de divulgação à disposição de pessoas inescrupulosas.

Essas notícias falsas têm influído negativamente em setores da sociedade, até, quase sempre, com estragos políticos consideráveis.

Hoje, mais do que nunca, a notícia nem sempre é notícia, mesmo que as manchetes abundem.

araujo-costa@uol.com.br

 

 

 

A genialidade de Lulinha

“A corrupção é um fenômeno sistêmico que cria, ele próprio, sua continuidade, permanência, persistência e expansão” (Modesto Carvalhosa).

Lulinha, filho do ex-presidente Lula da Silva, até o final de 2003 era monitor de zoológico, aliás, profissão digna, como milhares de outras profissões. Ganhava R$ 600,00 no final de 2003, primeiro ano da presidência do pai.

O pai se tornou presidente da República pela vontade soberana da maioria dos brasileiros. No período em que o pai de Lulinha foi presidente, o inteligentíssimo rapaz pulou da condição de monitor de zoológico para dono e controlador de um conglomerado formado por nove empresas encabeçado pela Gamecorp/Gol.

Mais: no período de 2004 a 2016 – governos de Lula e Dilma – o grupo econômico de Lulinha recebeu R$ 132 milhões de empresas que negociaram com os governos do PT, segundo investigações da Polícia Federal e do Ministério Público em andamento.

O jornalista Reinaldo Azevedo é mais claro:

“Já se sabia, em síntese, que, em novembro de 2003, Lulinha havia se tornado sócio de Fernando e Kalil Bittar, filhos de Jacó Bittar, amigo de Lula, numa empresa que acabou resultando na Gamecorp.

Também era sabido que a Telemar — uma concessão pública, com quase metade do capital dividido entre o BNDES e fundos de pensão — injetara nada menos de R$ 15 milhões no empreendimento, tornando-se sócia dos rapazes.

Que Lulinha era monitor de Jardim zoológico até o fim de 2003 e hoje é um milionário, disso nós já sabíamos, é fato. As oposições sempre evitaram tocar no assunto porque seria “questão pessoal”. Coisa nenhuma!

Até os 28 anos, esse rapaz ganhava R$ 600. Padre Vieira, conta a lenda, era um tanto idiota. Teria tido uma dor de cabeça, um desmaio, e acordado gênio. O episódio ficou conhecido como “O Estalo de Vieira”. Pois bem, já se pode falar de um “Estalo de Lulinha”.

O cara era monitor de zebra, paca e girafa até outro dia. O pai chega à Presidência, e ele se torna um fenômeno.” (Blog do jornalista Reinaldo Azevedo, 23/02/2017).

Reportagem do portal UOL de 10/12/2019 diz:

“A compra do sítio de Atibaia (SP) virou tema de investigação da Operação Lava Jato. A nova fase da operação, deflagrada hoje, apura suspeitas de que o imóvel foi adquirido com recursos oriundos de contratos superfaturados fechados pelo grupo Oi/Telemar com empresas controladas por Fabio Luis Lula da Silva, o Lulinha, filho do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT)”.

“Segundo o MPF (Ministério Público Federal), a Gamecorp/Gol, que tem o filho de Lula com um dos controladores, recebeu cerca de R$ 132 milhões da Oi/Telemar entre 2004 e 2016. Em troca, o grupo foi beneficiado pelo governo federal com “diversas decisões políticas e administrativas no setor de telecomunicações”, diz a Lava Jato. Lula foi presidente em quase todo o período investigado (2003-2010).

Lembrete:

Um dos sócios de Lulinha é o dono formal do sítio de Atibaia, que a OAS e a Odebrecht reformaram e mobiliaram para Lula da Silva, que até hoje ele não sabe porque as construtoras fizeram isto.

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Esclarecimentos aos leitores do araujocosta.blog

Tendo em vista alguns questionamentos sobre matérias veiculadas neste espaço, honra-me o dever de adicionar outros esclarecimentos às premissas que já constam no blog (lado direito):

Este blog não é órgão noticioso. Publica artigos, análises e opiniões sobre matérias veiculadas na imprensa, assim como crônicas despretensiosas e esparsas, sem nenhum compromisso ou viés político-partidário.

Cuida também de assuntos de História e literatura. O blog analisa, comenta, reflete.

Cavar notícia é mister apropriado à função de repórter, que vai buscá-la onde quer que esteja, quaisquer que sejam as horas e as dificuldades enfrentadas.

O repórter é um garimpeiro do desconhecido.

O crítico, o analista, o polemista e o cronista são espectadores da vida. Observam, criticam, argumentam, opinam.

O blog tem absoluto respeito ao sigilo da fonte, nos termos previstos na Constituição da República.

Em consequência, acrescento mais:

O titular do araujocosta.blog não é filiado a nenhum partido político, nem torce pelo fracasso ou sucesso de A, B ou C, em nenhuma esfera, quer municipal, estadual ou federal.

Sequer participa de quaisquer instituições vinculadas a agremiações partidárias ou de assessoramento político.

Eventuais amizades do titular do blog construídas com políticos ao longo do caminhar não têm o condão de contaminar a isenção quanto ao conteúdo do que é pulicado.

Há coisas que são difíceis de ser separadas, mas muitas vezes as circunstâncias impõem a separação.

Logo, os artigos aqui publicados que versam sobre nomes de políticos não obedecem a nenhum viés partidário ou de admiração por quaisquer deles. Limitam-se a comentar e, com isto, esclarecer pontos que, quase sempre, não parecem claros.

O político tem o dever de andar no caminho certo. Se não o faz, é por seu livre arbítrio. A culpa é exclusivamente dele e não deve ser atribuída ou estendida a mais ninguém.

O homem público que se acha imune às críticas deve colocar o boné e escafeder-se para outro terreiro. O campo político é plural, democrático, grande demais para pessoas pequenas.

Por outro lado, o homem público deve primar pela correção de seus atos, pela decência e, sobretudo, pela nobreza de caráter. Deve reconhecer seus equívocos e penitenciar-se diante das críticas.

A sociedade que o colocou no poder, através das urnas, não o fez para ele defender interesses pessoais, mas para cuidar responsavelmente da coisa pública.

Melindrar-se por ter sido citado em matéria jornalística desfavorável é desconhecer seu papel na sociedade e, mais ainda, ignorar a imprensa como valor fundamental dos sustentáculos democráticos.

No que tange às crônicas publicadas no blog elas obedecem à criatividade literária do cronista. E só. Mesmo que, essencialmente, tenham esteio em fatos reais do cotidiano vividos pelo autor.

Quanto aos artigos, estes seguem o caminho da linha crítica, sem nenhum desvirtuamento. Crítica às vezes generosa com alguns e outras, nem tanto, em relação a outros. Mas nunca injusta, tampouco tendenciosa.

Todo comentário feito por este blog é criteriosamente precedido de checagem, quer diretamente, quer através de fontes seguras, muitas vezes confrontadas com outros meios que os deem credibilidade.

Contudo, o blog é aberto às críticas, porque assim é a seara democrática.

No mais, agradeço a todos que acompanham as publicações deste blog.

Walter Araújo Costa

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Esmeraldo Lopes e os Caminhos de Curaçá

Há alguns anos tenho em mãos, gentilmente enviado pelo autor, livro que entendo sinônimo de Curaçá e o é, sem dúvida: Caminhos de Curaçá.

Enriquecem ainda minha diminuta biblioteca outras duas obras do autor: Vozes do Mato Opara.

O autor Esmeraldo Lopes dispensa quaisquer salamaleques. Ostenta elevado conceito nos meios universitários e intelectuais. Sociólogo, professor e escritor, especialista em seu nobre mister. Curaçaense notável, insigne, conspícuo.

Por conseguinte, não há o que acrescentar à rica biografia do autor, porquanto sobejamente conhecido dentro e fora de Curaçá.

Acrescento tão somente que as palavras de Esmeraldo Lopes não têm fronteiras. Seu conhecimento é vasto, extenso, impressionantemente amplo.

Portanto, minguado em conhecimentos que sou, sinto-me incapaz de discorrer acerca desta obra que, por si só, é o que de mais abrangente foi escrito hodiernamente sobre o município de Curaçá.

Embora apoucado, escrevo. Mais para agradecer a deferência, que nunca esqueço e não me canso de repetir, assim como a gratidão quanto ao recebimento dos livros.

Antes, lá pelos idos de 1926, um filho de Patamuté, João Mattos, escreveu sobre Curaçá, mas noutros contornos. Cada obra tem seu universo temporal.

Todavia, hoje me refiro a Esmeraldo Lopes e o certo é que ele é mestre na arte de escrever. Sabe interpretar magistralmente a linguagem do povo, os costumes do povo, o sentir do povo. E saiu-se com esses monumentais Caminhos de Curaçá.

É razoável supor que o escritor teve boa formação na chamada escola de sociologia paulista, abeberou-se em boas referências, a exemplo de Octavio Ianni, um de seus expoentes, mas é seguramente certo que tem suas raízes fincadas no sentir curaçaense. Inegável este seu liame telúrico.

O que me impressiona é que o homem tem linguagem disciplinada, que oscila entre a descrição histórica do município e a formação social de seu povo. E o faz com tanto apego e fidelidade a nossas raízes que transforma o texto num retrato irretocável da realidade curaçaense.

Há uma uniformidade, um entrelaçamento e uma preocupação com a identidade de nosso povo de tal forma que o livro retrata Curaçá desde os primórdios e dá ao presente a resposta para o futuro, enquanto comunidade sertaneja. Dir-se-ia um tratado sociológico.

A convicção deste escrevinhador é no sentido de que outros caminhos o autor seguiu ao escrever o livro: quiçá o pisar na terra seca do sertão e a capacidade de ouvir os mais experientes para deles sorver a essência do livro. Sábios caminhos, benditos caminhos, enriquecedores caminhos.

Estilo conciso, sóbrio, humilde. Leitura fácil e explicativa, ausência de expressões confusas capazes de dificultarem o entendimento.

Como bem diz, na orelha do livro, a professora Juscelita Rosa Soares Ferreira de Araujo, Caminhos de Curaçá permite ao leitor “descobrir pistas perdidas na lembrança, congeladas pela insensatez da memória imediatista que nos distancia daquilo que nos mantém vivos: um tênue fio entre o passado e o presente guardado em sentimos adormecidos, que o autor faz despertar, pela riqueza com que relata os fatos e pela clareza que expõe os sentimentos”. Uma síntese, uma verdade.

Na condição de caatingueiro curaçaense, adotei-o como livro de consulta quase que diária, até para matar as saudades do viver de nossa gente.

Suponho que as escolas de Curaçá também o tenham como referência obrigatória de nosso patrimônio cultural.

Professora Lígia dos Santos Ferreira

Registro o falecimento, em data recente, da professora Lígia dos Santos Ferreira, de Curaçá. É gritante o vazio que deixa, porque se vai parte do nosso conhecimento. Os jovens perdem um esteio, a educação de Curaçá perde uma grande referência.

Deixo minhas condolências ao corpo docente e discente do histórico Colégio Scipião Torres, familiares e amigos da professora Lígia.

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A mudança na cúpula do Judiciário baiano

Em 1955, o governador Luís Régis Pacheco Pereira, ao sair do governo da Bahia, deu um aumento de 25% para a Polícia Militar.

O comandante da corporação reuniu o alto comando com a finalidade de prestar uma homenagem ao governador que saía, em agradecimento pelo aumento concedido, mesmo porque Régis Pacheco não conseguiu fazer seu sucessor, já que seu candidato, Pedro Calmon, perdeu a eleição para Antonio Balbino.

Decidiu-se pela inauguração de um busto de Régis Pacheco, dentro da sala de comando. Mas o coronel Filadelfo Neves, ponderou:

– O busto está aprovado, mas precisamos pensar no futuro, porque virão outros governadores, outros aumentos, outras homenagens.

– Qual então, sua proposta? – quiseram saber os demais.

– Um busto com pescoço de rosca – foi a resposta do coronel Filadelfo.

A proposta do coronel foi aprovada. Assim, em outras homenagens, mudariam somente as cabeças. Uma maliciosa forma de agradar a todos.

Com a retirada forçada das candidaturas dos desembargadores José Olegário Monção Caldas e Maria da Graça Osório Pimentel Leal, afastados das funções judicantes pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), que eram candidatíssimos à presidência do Tribunal de Justiça, abriu-se caminho para o bom senso, que prevaleceu.

Em 04/12/2019, foi eleito presidente o desembargador Lourival Almeida Trindade, de modo que há sinais claros de que a panela que se formou na cúpula do Judiciário baiano está se quebrando.

O atual presidente afastado temporariamente, desembargador Gesivaldo Britto, que fez parte dos quadros da gloriosa Polícia Militar da Bahia, certamente não reassumirá a presidência, mesmo porque não haverá tempo hábil.

O período de afastamento de 90 dias terminará em fevereiro, quando o novo presidente já terá tomado posse.

Na Polícia Militar da Bahia há uma placa assim, feita para homenagear o desembargador Gesivaldo Britto: “Aqui forjamos nosso caráter, nosso intelecto e o profissionalismo com honra, dignidade, coragem e disciplina”.

Nesse tempo de turbulência, esses dizeres devem servir de reflexão para o presidente afastado do Tribunal de Justiça, desembargador Gesivaldo Britto, que integrou os quadros da Polícia Militar.

Se foi feito algum busto em homenagem ao desembargador, deve ter faltado a ideia do pescoço de rosca.

Post scriptum:

O crédito da história da homenagem ao governador Régis Pacheco é do jornalista baiano Sebastião Nery, de Jaguaquara.

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