A genialidade de Lulinha

“A corrupção é um fenômeno sistêmico que cria, ele próprio, sua continuidade, permanência, persistência e expansão” (Modesto Carvalhosa).

Lulinha, filho do ex-presidente Lula da Silva, até o final de 2003 era monitor de zoológico, aliás, profissão digna, como milhares de outras profissões. Ganhava R$ 600,00 no final de 2003, primeiro ano da presidência do pai.

O pai se tornou presidente da República pela vontade soberana da maioria dos brasileiros. No período em que o pai de Lulinha foi presidente, o inteligentíssimo rapaz pulou da condição de monitor de zoológico para dono e controlador de um conglomerado formado por nove empresas encabeçado pela Gamecorp/Gol.

Mais: no período de 2004 a 2016 – governos de Lula e Dilma – o grupo econômico de Lulinha recebeu R$ 132 milhões de empresas que negociaram com os governos do PT, segundo investigações da Polícia Federal e do Ministério Público em andamento.

O jornalista Reinaldo Azevedo é mais claro:

“Já se sabia, em síntese, que, em novembro de 2003, Lulinha havia se tornado sócio de Fernando e Kalil Bittar, filhos de Jacó Bittar, amigo de Lula, numa empresa que acabou resultando na Gamecorp.

Também era sabido que a Telemar — uma concessão pública, com quase metade do capital dividido entre o BNDES e fundos de pensão — injetara nada menos de R$ 15 milhões no empreendimento, tornando-se sócia dos rapazes.

Que Lulinha era monitor de Jardim zoológico até o fim de 2003 e hoje é um milionário, disso nós já sabíamos, é fato. As oposições sempre evitaram tocar no assunto porque seria “questão pessoal”. Coisa nenhuma!

Até os 28 anos, esse rapaz ganhava R$ 600. Padre Vieira, conta a lenda, era um tanto idiota. Teria tido uma dor de cabeça, um desmaio, e acordado gênio. O episódio ficou conhecido como “O Estalo de Vieira”. Pois bem, já se pode falar de um “Estalo de Lulinha”.

O cara era monitor de zebra, paca e girafa até outro dia. O pai chega à Presidência, e ele se torna um fenômeno.” (Blog do jornalista Reinaldo Azevedo, 23/02/2017).

Reportagem do portal UOL de 10/12/2019 diz:

“A compra do sítio de Atibaia (SP) virou tema de investigação da Operação Lava Jato. A nova fase da operação, deflagrada hoje, apura suspeitas de que o imóvel foi adquirido com recursos oriundos de contratos superfaturados fechados pelo grupo Oi/Telemar com empresas controladas por Fabio Luis Lula da Silva, o Lulinha, filho do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT)”.

“Segundo o MPF (Ministério Público Federal), a Gamecorp/Gol, que tem o filho de Lula com um dos controladores, recebeu cerca de R$ 132 milhões da Oi/Telemar entre 2004 e 2016. Em troca, o grupo foi beneficiado pelo governo federal com “diversas decisões políticas e administrativas no setor de telecomunicações”, diz a Lava Jato. Lula foi presidente em quase todo o período investigado (2003-2010).

Lembrete:

Um dos sócios de Lulinha é o dono formal do sítio de Atibaia, que a OAS e a Odebrecht reformaram e mobiliaram para Lula da Silva, que até hoje ele não sabe porque as construtoras fizeram isto.

araujo-costa@uol.com.br

Esclarecimentos aos leitores do araujocosta.blog

Tendo em vista alguns questionamentos sobre matérias veiculadas neste espaço, honra-me o dever de adicionar outros esclarecimentos às premissas que já constam no blog (lado direito):

Este blog não é órgão noticioso. Publica artigos, análises e opiniões sobre matérias veiculadas na imprensa, assim como crônicas despretensiosas e esparsas, sem nenhum compromisso ou viés político-partidário.

Cuida também de assuntos de História e literatura. O blog analisa, comenta, reflete.

Cavar notícia é mister apropriado à função de repórter, que vai buscá-la onde quer que esteja, quaisquer que sejam as horas e as dificuldades enfrentadas.

O repórter é um garimpeiro do desconhecido.

O crítico, o analista, o polemista e o cronista são espectadores da vida. Observam, criticam, argumentam, opinam.

O blog tem absoluto respeito ao sigilo da fonte, nos termos previstos na Constituição da República.

Em consequência, acrescento mais:

O titular do araujocosta.blog não é filiado a nenhum partido político, nem torce pelo fracasso ou sucesso de A, B ou C, em nenhuma esfera, quer municipal, estadual ou federal.

Sequer participa de quaisquer instituições vinculadas a agremiações partidárias ou de assessoramento político.

Eventuais amizades do titular do blog construídas com políticos ao longo do caminhar não têm o condão de contaminar a isenção quanto ao conteúdo do que é pulicado.

Há coisas que são difíceis de ser separadas, mas muitas vezes as circunstâncias impõem a separação.

Logo, os artigos aqui publicados que versam sobre nomes de políticos não obedecem a nenhum viés partidário ou de admiração por quaisquer deles. Limitam-se a comentar e, com isto, esclarecer pontos que, quase sempre, não parecem claros.

O político tem o dever de andar no caminho certo. Se não o faz, é por seu livre arbítrio. A culpa é exclusivamente dele e não deve ser atribuída ou estendida a mais ninguém.

O homem público que se acha imune às críticas deve colocar o boné e escafeder-se para outro terreiro. O campo político é plural, democrático, grande demais para pessoas pequenas.

Por outro lado, o homem público deve primar pela correção de seus atos, pela decência e, sobretudo, pela nobreza de caráter. Deve reconhecer seus equívocos e penitenciar-se diante das críticas.

A sociedade que o colocou no poder, através das urnas, não o fez para ele defender interesses pessoais, mas para cuidar responsavelmente da coisa pública.

Melindrar-se por ter sido citado em matéria jornalística desfavorável é desconhecer seu papel na sociedade e, mais ainda, ignorar a imprensa como valor fundamental dos sustentáculos democráticos.

No que tange às crônicas publicadas no blog elas obedecem à criatividade literária do cronista. E só. Mesmo que, essencialmente, tenham esteio em fatos reais do cotidiano vividos pelo autor.

Quanto aos artigos, estes seguem o caminho da linha crítica, sem nenhum desvirtuamento. Crítica às vezes generosa com alguns e outras, nem tanto, em relação a outros. Mas nunca injusta, tampouco tendenciosa.

Todo comentário feito por este blog é criteriosamente precedido de checagem, quer diretamente, quer através de fontes seguras, muitas vezes confrontadas com outros meios que os deem credibilidade.

Contudo, o blog é aberto às críticas, porque assim é a seara democrática.

No mais, agradeço a todos que acompanham as publicações deste blog.

Walter Araújo Costa

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Esmeraldo Lopes e os Caminhos de Curaçá

Há alguns anos tenho em mãos, gentilmente enviado pelo autor, livro que entendo sinônimo de Curaçá e o é, sem dúvida: Caminhos de Curaçá.

Enriquecem ainda minha diminuta biblioteca outras duas obras do autor: Vozes do Mato Opara.

O autor Esmeraldo Lopes dispensa quaisquer salamaleques. Ostenta elevado conceito nos meios universitários e intelectuais. Sociólogo, professor e escritor, especialista em seu nobre mister. Curaçaense notável, insigne, conspícuo.

Por conseguinte, não há o que acrescentar à rica biografia do autor, porquanto sobejamente conhecido dentro e fora de Curaçá.

Acrescento tão somente que as palavras de Esmeraldo Lopes não têm fronteiras. Seu conhecimento é vasto, extenso, impressionantemente amplo.

Portanto, minguado em conhecimentos que sou, sinto-me incapaz de discorrer acerca desta obra que, por si só, é o que de mais abrangente foi escrito hodiernamente sobre o município de Curaçá.

Embora apoucado, escrevo. Mais para agradecer a deferência, que nunca esqueço e não me canso de repetir, assim como a gratidão quanto ao recebimento dos livros.

Antes, lá pelos idos de 1926, um filho de Patamuté, João Mattos, escreveu sobre Curaçá, mas noutros contornos. Cada obra tem seu universo temporal.

Todavia, hoje me refiro a Esmeraldo Lopes e o certo é que ele é mestre na arte de escrever. Sabe interpretar magistralmente a linguagem do povo, os costumes do povo, o sentir do povo. E saiu-se com esses monumentais Caminhos de Curaçá.

É razoável supor que o escritor teve boa formação na chamada escola de sociologia paulista, abeberou-se em boas referências, a exemplo de Octavio Ianni, um de seus expoentes, mas é seguramente certo que tem suas raízes fincadas no sentir curaçaense. Inegável este seu liame telúrico.

O que me impressiona é que o homem tem linguagem disciplinada, que oscila entre a descrição histórica do município e a formação social de seu povo. E o faz com tanto apego e fidelidade a nossas raízes que transforma o texto num retrato irretocável da realidade curaçaense.

Há uma uniformidade, um entrelaçamento e uma preocupação com a identidade de nosso povo de tal forma que o livro retrata Curaçá desde os primórdios e dá ao presente a resposta para o futuro, enquanto comunidade sertaneja. Dir-se-ia um tratado sociológico.

A convicção deste escrevinhador é no sentido de que outros caminhos o autor seguiu ao escrever o livro: quiçá o pisar na terra seca do sertão e a capacidade de ouvir os mais experientes para deles sorver a essência do livro. Sábios caminhos, benditos caminhos, enriquecedores caminhos.

Estilo conciso, sóbrio, humilde. Leitura fácil e explicativa, ausência de expressões confusas capazes de dificultarem o entendimento.

Como bem diz, na orelha do livro, a professora Juscelita Rosa Soares Ferreira de Araujo, Caminhos de Curaçá permite ao leitor “descobrir pistas perdidas na lembrança, congeladas pela insensatez da memória imediatista que nos distancia daquilo que nos mantém vivos: um tênue fio entre o passado e o presente guardado em sentimos adormecidos, que o autor faz despertar, pela riqueza com que relata os fatos e pela clareza que expõe os sentimentos”. Uma síntese, uma verdade.

Na condição de caatingueiro curaçaense, adotei-o como livro de consulta quase que diária, até para matar as saudades do viver de nossa gente.

Suponho que as escolas de Curaçá também o tenham como referência obrigatória de nosso patrimônio cultural.

Professora Lígia dos Santos Ferreira

Registro o falecimento, em data recente, da professora Lígia dos Santos Ferreira, de Curaçá. É gritante o vazio que deixa, porque se vai parte do nosso conhecimento. Os jovens perdem um esteio, a educação de Curaçá perde uma grande referência.

Deixo minhas condolências ao corpo docente e discente do histórico Colégio Scipião Torres, familiares e amigos da professora Lígia.

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A mudança na cúpula do Judiciário baiano

Em 1955, o governador Luís Régis Pacheco Pereira, ao sair do governo da Bahia, deu um aumento de 25% para a Polícia Militar.

O comandante da corporação reuniu o alto comando com a finalidade de prestar uma homenagem ao governador que saía, em agradecimento pelo aumento concedido, mesmo porque Régis Pacheco não conseguiu fazer seu sucessor, já que seu candidato, Pedro Calmon, perdeu a eleição para Antonio Balbino.

Decidiu-se pela inauguração de um busto de Régis Pacheco, dentro da sala de comando. Mas o coronel Filadelfo Neves, ponderou:

– O busto está aprovado, mas precisamos pensar no futuro, porque virão outros governadores, outros aumentos, outras homenagens.

– Qual então, sua proposta? – quiseram saber os demais.

– Um busto com pescoço de rosca – foi a resposta do coronel Filadelfo.

A proposta do coronel foi aprovada. Assim, em outras homenagens, mudariam somente as cabeças. Uma maliciosa forma de agradar a todos.

Com a retirada forçada das candidaturas dos desembargadores José Olegário Monção Caldas e Maria da Graça Osório Pimentel Leal, afastados das funções judicantes pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), que eram candidatíssimos à presidência do Tribunal de Justiça, abriu-se caminho para o bom senso, que prevaleceu.

Em 04/12/2019, foi eleito presidente o desembargador Lourival Almeida Trindade, de modo que há sinais claros de que a panela que se formou na cúpula do Judiciário baiano está se quebrando.

O atual presidente afastado temporariamente, desembargador Gesivaldo Britto, que fez parte dos quadros da gloriosa Polícia Militar da Bahia, certamente não reassumirá a presidência, mesmo porque não haverá tempo hábil.

O período de afastamento de 90 dias terminará em fevereiro, quando o novo presidente já terá tomado posse.

Na Polícia Militar da Bahia há uma placa assim, feita para homenagear o desembargador Gesivaldo Britto: “Aqui forjamos nosso caráter, nosso intelecto e o profissionalismo com honra, dignidade, coragem e disciplina”.

Nesse tempo de turbulência, esses dizeres devem servir de reflexão para o presidente afastado do Tribunal de Justiça, desembargador Gesivaldo Britto, que integrou os quadros da Polícia Militar.

Se foi feito algum busto em homenagem ao desembargador, deve ter faltado a ideia do pescoço de rosca.

Post scriptum:

O crédito da história da homenagem ao governador Régis Pacheco é do jornalista baiano Sebastião Nery, de Jaguaquara.

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O deputado Mário Júnior pode ser a esperança do sertão

Jornalista é bicho inconveniente.

Escolho o horário do café da manhã, que o costume do sertão reúne a família – nem tanto como antigamente – e telefono para velho e experimentado líder político da Bahia, que o ostracismo o jogou nos braços da indiferença eleitoral.

Feitos os salamaleques de praxe, pergunto: tem algum líder político de futuro por aí, ainda?

– Rapaz, não tem não. Só aparece por aqui, em tempo de festa, o deputado Mário Negromente Júnior – foi a resposta um tanto reticente e pessimista, mas esclarecedora.

Mário Sílvio Mendes Negromonte Júnior, que tem nome de nobre português, é um jovem deputado federal de 39 anos, eleito pelo Partido Progressista da Bahia (PP).

O deputado Mário Júnior, nascido em Paulo Afonso, tem sólidas raízes no município de Glória, que o progresso hidrelétrico mudou o traçado original, engoliu tradições e suor dos antepassados e o renomeou de Nova Glória, num claro acinte à bonita e rica história de Curral dos Bois e Santo Antonio da Glória.

Terra do lendário Petronilo de Alcântara Reis, conhecido como coronel Petro e de seu ínclito neto Raimundo Reis de Oliveira, escritor, jornalista, político e cronista, Glória mantém intacta sua história de homens públicos respeitáveis.

O lastro biográfico do deputado Mário Júnior vem de longe. O avô Dionízio Pereira foi vereador e prefeito de Glória e seu respeitabilíssimo tio Dr. Adauto Pereira de Souza, honra e glória do sertão, foi prefeito de Paulo Afonso (1963-1966).

A mãe Ena Vilma Pereira de Souza Negromonte foi prefeita de Glória e o pai Mário Negromonte tem uma trajetória política que vai de deputado estadual a deputado federal por diversos mandatos e foi ministro das Cidades no governo de Dona Dilma Rousseff. Hoje é conselheiro do Tribunal de Contas dos Municípios da Bahia. Salvo engano, está afastado judicialmente, mas esta é outra história.

Advogado com extensão em Harvard (EUA), o deputado Mário Júnior parece despontar como uma esperança para a caatinga. O sertanejo gosta de abraçar seus líderes, embora nem sempre líderes.

O Dr. Adauto Pereira de Souza nunca abandonou a caatinga, onde tinha amigos leais na amizade e fiéis na política. Assim faziam os homens públicos daquela geração, boa escola para os jovens políticos de hoje.

Mário Júnior pelo menos tem cavado algumas emendas parlamentares para a região e, sabe-se, é um parlamentar razoavelmente ativo.

O deputado terá futuro sadio, se ouvir a voz da ética e se desviar do caminho que seguem os políticos tradicionais no que tange à avidez por dinheiro público em benefício de interesses pessoais.

Vamos ver no que vai dar.

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O âmago do Judiciário da Bahia está podre.

Na Bahia, cumpre-se o que Rui Barbosa disse: “De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra e ter vergonha de ser honesto”.

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) mandou prender a desembargadora Maria do Socorro Barreto Santiago, ex-presidente do Tribunal de Justiça da Bahia, que tinha sido afastada das funções judicantes no mesmo magote do desembargador-presidente do Tribunal, Gesivaldo Brito.

Também já havia sido preso, por ordem do STJ, o juiz Sergio Humberto Sampaio.

Continuam afastados dos seus cargos em caráter temporário os seguintes magistrados baianos:

Gesivaldo Britto, desembargador presidente do Tribunal de Justiça;

José Olegário Monção, desembargador;

Maria da Graça Osório Pimental Leal, desembargadora e 2ª vice-presidente do Tribunal de Justiça;

Marivalda Moutinho, juíza de primeira instância;

Maria do Socorro Barreto Santiago, desembargadora (presa);

Sérgio Humberto Sampaio, juiz de primeira instância (preso);

Antonio Roque Neves, secretário jurídico do Tribunal de Justiça também está sendo investigado e foi preso. Dentre outras acusações, ele é suspeito de redigir as sentenças suspeitas da juíza Marivalda Moutinho.

Estarrecedor. Esses magistrados estão sendo acusados pela prática de diversos crimes, inclusive venda de sentença e formação de quadrilha.

A maioria pertence ao núcleo da direção do Tribunal de Justiça da Bahia, o que faz pressupor que o âmago do Judiciário baiano está podre.

Rui Barbosa tinha razão.

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A liderança política de Barra do Tarrachil

Em 1988, Dorotheu Pacheco de Menezes, que ostentava vistosa liderança em Chorrochó, indicou Luiz Pires Monte Santo, com base eleitoral em Várzea da Ema, para disputar a eleição de prefeito do município.

O candidato a vice-prefeito na chapa de Luiz Pires era um senhor virtuoso e decente de Barra do Tarrachil: Ariçon Gomes de Souza, da estirpe de Bento Freire de Souza, hoje nome de escola no distrito.

A linhagem da família de Ariçon Gomes de Souza faz parte da estrutura genealógica de Barra do Tarrachil e persiste com as gerações que se seguiram até os dias de hoje.

Luiz Pires perdeu a eleição, mas não perdeu o prestígio, o respeito e a admiração de segmentos da população, que vinham desde sempre, por conta do pai Manoel Pires Monte Santo, da mãe Antonia Tolentino e do tio Antonio Pires de Menezes (Dodô) que havia sido prefeito de Chorrochó (1971-1973).

Barra do Tarrachil vive política, respira política, ensina política. Terra de próceres experimentados, de lá saíram, além de vereadores, os prefeitos Pascoal Almeida Lima, João Bosco Francisco do Nascimento, Rita de Cassia Campos Souza e o atual Humberto Gomes Ramos, espécie de defensor diuturno de sua gente na visão de alguns e nem tanto na opinião de outros.

Barra do Tarrachil conduz-se abraçada ao Rio São Francisco, que lhe dá vida, banho e encantamento sob as bênçãos de outro Francisco, o excelso padroeiro do lugar, que por lá se entronou  nos idos de 1959.

Em 1988 Barra do Tarrachil se deslocou alguns quilômetros do traçado original, mas manteve as tradições, a hospitalidade, o cenário político e a grandeza de seus moradores.

As palavras escorregam e trazem a lembrança de outras lideranças locais, a exemplo da professora Ivanilde Gomes de Souza Ramos, formada em 1964, assim como de Lucas Alventino, proprietário da primeira loja de tecidos da Barra do Tarrachil e Ercília Fonseca de Souza, que se dedicou com afinco à igreja local.

Em quadro assim, é natural que despontem novas e importantes lideranças políticas em Barra do Tarrachil. Dou exemplos: Pascoal Almeida Lima Tercius, que desempenhou brilhante trabalho na condição de presidente da Câmara Municipal e Lívio Fonseca, jovem que aparece no cenário político do município com seguras chances de êxito, se tropeços no caminho não lhe tolherem suas eventuais pretensões.

Lívio Fonseca atua sobremaneira em defesa de pessoas desamparadas, com destaque na área de saúde. Pode parecer pouco, mas é assim que os caminhos do futuro político começam a ser estruturados, mormente em municípios carentes, que dependem continuamente do empenho de seus líderes.

O fato é que Barra do Tarrachil mantém vantajosa liderança política no município de Chorrochó. Além do prefeito, o distrito sustenta a representação na Câmara Municipal através dos vereadores Jane Edla Fonseca Souza, Eliete da Conceição e Pascoal Almeida Lima Tercius. Peço escusas ao leitor se omito outros nomes ou se os delineio incorretamente.

Para 2020, a hipótese alvissareira desenha um cenário em que Lívio Fonseca deverá participar mais acentuadamente da vida político-partidária de Chorrochó. Ele carrega – ou pelo menos se espera carregar – a honradez de Ariçon Gomes de Souza, que soube portar-se dignamente na vida política de Chorrochó.

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Em Chorrochó, tempo de construir trincheiras.

O político Heitor Dias, que foi prefeito de Salvador (1959-1963) e senador (1971-1979) pela Aliança Renovadora Nacional (ARENA), baiano de Santo Amaro da Purificação, já velho e calejado da vida pública, sentenciou a conhecida e histórica frase: “agora estou ouvindo tudo, até conselhos”.

O município de Chorrochó, no sertão da Bahia, parece encaminhar-se para uma escolha parecida, mas sábia: tomar juízo ou ouvir conselhos da população, que vive em constante sofrimento.

Às voltas com conhecidos e crônicos problemas decorrentes de longa continuidade administrativa, penduricalhos e restrições de ordem jurídica ao prefeito, a  exemplo de processos judiciais à espera de julgamento, o município vai adentrar o ano eleitoral de 2020 tanto confuso do ponto de vista político quanto atarantado no que tange à escolha de seu futuro.

A oposição, como sempre, parece esvair-se, reduzida a um número ínfimo de políticos. Poucos se atrevem a contestar o governo municipal.

A atual administração, que não é lá um bom exemplo de decisões corretas, ainda vê chances seguras de manter-se no poder, por uma razão bastante simples: por enquanto, a perspectiva eleitoral dá conta de que o atual prefeito – se vier a concorrer e isto for possível sob o ponto de vista jurídico – sairá muito bem nas urnas. Hoje esta hipótese parece clara.

Todavia, em razão dos erros até aqui conhecidos, a gestão atual entrará na disputa eleitoral perdendo, o que é grave. E a oposição de Chorrochó até agora insiste em cometer o mais elementar dos erros políticos: o comodismo.

A oposição tímida, tem medo de escancarar a boca no sentido de cumprir o papel institucional de indicar caminhos e, sobretudo, apresentar projetos próprios para quando, eventualmente, assumir o poder. Mas resta a dúvida: a oposição de Chorrochó tem projetos?

Mas o que se vê em Chorrochó, sem dúvida, é uma demência política. A administração, valendo-se de um marketing arrevesado, usa obras e feitos de outras esferas governamentais, para pavimentar o caminho eleitoral.

A oposição, atônita, desempenha mero papel de circunstante, porque lhe faltam meios e estrutura para investigar, fiscalizar e construir estratégias de luta política.

Quando os tribunais de contas aprovam, mesmo com ressalvas, as contas do prefeito, isto é alardeado como se fosse um feito memorável. O prefeito, qualquer que seja ele, tem mesmo é que primar por contas inquestionáveis, enxutas, corretas. E não vangloriar-se porque as teve aprovadas.

Assim, a situação consolida-se e a oposição não chega a lugar nenhum.

O Poder Executivo não se engrandece, porque não realiza o bem comum esperado pela população e a oposição não constrói seu próprio caminho institucional, enquanto meio de defesa da sociedade. Falta-lhe, sobretudo, conhecer o nobre papel de ser oposição.

Os políticos de Chorrochó contentam-se em aparecer ao lado de autoridades – governador, deputados, senadores, secretários, etc – anunciando que reivindicaram ou conseguiram benefícios para o município, como se isto não fizesse parte de suas obrigações corriqueiras.

Situação e oposição apequenam-se diante dos problemas do município. O interesse público definha por falta de quem o defenda.

Chorrochó sente necessidade de sair desse marasmo político. Urge que a oposição encontre meios sadios para se tornar vigilante quanto a eventuais conchavos espúrios entre pessoas e grupos no ano eleitoral que se avizinha.

Em consequência deste quadro lúgubre, não é de todo recomendável administrar uma sociedade carente como a de Chorrochó baseada em propaganda, em detrimento de atos palpáveis, necessários, indispensáveis e urgentes.

É preciso que a administração tome juízo em benefício de todos. É preciso ouvir conselhos, não de pessoas, mas da própria consciência de quem tem o dever de governar.

Hoje, parece razoável entender que a única força capaz de enfrentar a situação em Chorrochó é liderada pelo Partido dos Trabalhadores (PT), tendo à frente o vereador Luiz Alberto de Menezes (Beto de Arnóbio) ou quem ele apoiar como protagonista nas próximas eleições municipais.

Todavia, em municípios do interior, os partidos políticos nunca tiveram importância. O que vale mesmo é o conchavo entre líderes locais, quase sempre voltados para seus interesses pessoais,  infelizmente.

Neste cenário, para Chorrochó, Partido dos Trabalhadores (PT) ou Partido Progressista (PP), tanto faz. Igualam-se na forma de agir. Estão aí os exemplos em diversas esferas de governo.

Outro nome de peso para enfrentar a corrente política do prefeito Humberto Gomes Ramos (PP) continua sendo a médica Socorro Carvalho que –  dizem algumas fontes – está titubeante entre assumir o papel de candidata da oposição ou bandear-se para o lado do prefeito Humberto que, antes, já lhe deu uma rasteira monumental. À época ela não era confiável ao grupo político do prefeito, mas isto pode mudar. Ah, o tempo!

Padre Vieira disse que “o tempo atreve-se a colunas de mármore quanto mais a corações de cera”. Em política, o tempo também é implacável para derrubar estruturas.

Socorro Carvalho é líder respeitável em todo município. O que menos a população de Chorrochó espera da médica é uma eventual posição de neutralidade no pleito de 2020.

O homem público deve consultar sua consciência, sempre. Ou fará dela um arquivo empoeirado de ações pífias, vergonhosas e indefensáveis.

O município de Chorrochó não pode esperar.

É tempo de construir trincheiras em benefício da população.

araujo-costa@uol.com.br

As orações da desembargadora da Bahia

A desembargadora e 2ª vice-presidente afastada do Tribunal de Justiça baiano parece ser bem protegida por todos os santos da Bahia.

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) assegura que Sua Excelência, dentre outras façanhas, fez 54 ligações para o acusado de ser o mentor do esquema de corrupção em que ela está sendo acusada de envolvimento.

Mas Sua Excelência se explicou ou tentou se explicar: disse que as ligações se davam em razão de “orações que fazia” para a mãe do suposto mentor do esquema corrupto, que tinha problemas de saúde.

Acontece – diz o STJ – que a desembargadora não fez nenhuma ligação para o telefone da suposta doente, mas para o telefone particular do filho da pessoa que alega ter precisado de orações. Não convenceu.

De outro turno, a desembargadora fez 114 ligações para um suspeito de envolvimento com tráfico de drogas e ataques a carros-fortes o que, convenhamos, não fica bem para uma magistrada de tão alta posição no Tribunal de Justiça. Nem para qualquer magistrado, seja ele de primeira ou última instância.

Mais: Sua Excelência possui 57 contas bancárias, segundo o STJ, embora não exista restrição legal para isto.

Não há restrição, tampouco há crime em manter a titularidade de tantas contas bancárias. Todavia, não é razoável que a titular dessas contas seja desembargadora de um Tribunal de Justiça, que deve primar pela transparência de suas ações.

Presume-se, portanto, que só com a ajuda dos santos da Bahia ela pode administrar tantas contas, já que, supõe-se, trabalha todos os dias no TJ-BA e, supõe-se, ainda, mantém expediente no Tribunal para o exercício de seu mister. Por óbvio, é o tribunal que paga seus altos vencimentos.

O STJ vai mais além para dizer que a desembargadora movimentou R$ 13,3 milhões entre janeiro de 2013 até agora e declina valores que seriam provenientes de vencimentos, mas em desconformidade com a realidade.

Entretanto, o STJ aduz que se trata de “um volume de ganhos totalmente incompatível com os vencimentos recebidos como servidora pública” (O Estado de S.Paulo, 20/11/2019).

Como se vê, a desembargadora precisa explicar mais alguma coisa ou, no mínimo, dizer quais os santos milagreiros que lhe dão essa eficiente e milionária proteção.

O presidente da Assembleia Legislativa da Bahia, deputado Nelson Leal (PP), que é sobrinho da célebre desembargadora e certamente não tem nada com isto, deve estar pedindo a proteção de Nossa Senhora.

Ele é produtor de mangas no município baiano de Livramento de Nossa Senhora, onde o pai foi prefeito.

Post scriptum:

A desembargadora Maria da Graça Osório Pimentel Leal está sendo acusada, o que não significa que seja culpada. Ela exercerá o direito constitucional de ampla defesa e, quiçá, poderá provar sua inocência.

Por outro lado, não é proibido ser rico. Sua Excelência pode ter outras fontes milionárias de renda, mas é absolutamente incompatível sua movimentação bancária com os vencimentos de magistrada.

araujo-costa@uol.com.br

 

Bahia: o Tribunal de Justiça está de cócoras

O presidente do Tribunal de Justiça da Bahia, mais três desembargadores e dois juízes estão em apuros. Acusados da prática de crime, esses magistrados foram afastados do exercício de seus respeitáveis cargos.

A Polícia Federal e a Procuradoria Geral da República estão nos calcanhares desses minúsculos magistrados, por ordem do Superior Tribunal de Justiça.

A encrenca é grande. Suas Excelências estão sendo acusados de venda de sentença, corrupção ativa e passiva, lavagem de ativos, evasão de divisas, tráfico de influência, grilagem de terras e formação de organização criminosa. Não é pouco.

Parece que agora está razoavelmente explicado porque o presidente do Tribunal de Justiça da Bahia andava às turras com a seccional da Ordem dos Advogados do Brasil.

A instituição ousou sinalizar que pretendia ficar atenta à atuação dos juízes baianos ou parte deles, que não estava cheirando bem. Registre-se que na Bahia há juízes impolutos, probos, incorruptíveis. Certamente a absoluta maioria.

Portanto, nem tudo está perdido. Mas é deprimente a sociedade ver o presidente do Tribunal de Justiça de seu estado, de quem devia vir o exemplo, acusado de crimes escabrosos.

O presidente do Tribunal seguiu à risca o ditado, segundo o qual “quem tem rabo de palha não pode passar perto do fogo”. Foi o que ele fez, embora sem êxito.

Agora as labaredas atingiram-no, mesmo ele tentando passar longe do fogo da seccional da OAB da Bahia.

Noticia-se que as investigações dizem que os magistrados estão envolvidos com, pelo menos, R$ 581 milhões, quantia essa angariada em razão de atividades ilegais que carrearam obviamente para a prática de crime.

Há muito que alguns magistrados da Bahia veem envergonhando os baianos, impunemente. É conhecida a tendência de alguns magistrados à delinquência. Poucos, felizmente.

Parece não ser possível minimizar este caso. Trata-se de uma operação monumental que envolve 200 agentes federais e procuradores, todos atuando contra esses maus juízes. Mais: a operação é autorizada pelo Superior Tribunal de Justiça o que, por si só, dá a dimensão da delinquência investigada.

Do alto de suas corruptas arrogâncias, certamente esses pequenos magistrados deram muitas lições de moral em pessoas humildes que procuraram a Justiça para defesa de seus direitos, enquanto eles se locupletavam de dinheiro sujo, segundo o Superior Tribunal de Justiça.

Aliás, passar descomposturas em audiências é comum em magistrados pequenos, insignificantes, arrogantes.

A incompatibilidade entre a nobre função de magistrado e a prática de crime é abismal. Portanto, é inconcebível o desvio moral de magistrados.

O fato é que a Bahia está triste.

O Tribunal de Justiça da Bahia hoje está de cócoras.

araujo-costa@uol.com.br