Gente de Chorrochó: aniversário de Maria Ita de Menezes

Professora Maria Ita de Menezes/reprodução de seu perfil no facebook

Ela carrega no nome – Ita – o significado de força, rocha, firmeza. É bem por aí a estrutura da aniversariante deste 30 de janeiro.

Os filhos Jorge Jazon Cordeiro de Menezes, Jaílson José Pacheco de Menezes, Ita Luciana Menezes de Menezes e James George Cordeiro de Menezes estão em festa. Os netos, demais parentes, amigos e admiradores, idem.

A descendência é a continuidade da vida, o bálsamo para perfumar o caminho, às vezes árduo, às vezes espinhoso e a doçura que facilita o enfrentamento dos tropeços ao longo do caminhar.

Assim é o escrever da vida. Assim são as surpresas e assim é o imponderável da construção familiar.

Incluo a descendência neste andar, porque são os filhos que, em princípio, sustentam a robustez das raízes de Ita e José Jazon de Menezes. São raízes fortes, seguras, firmes. Os alicerces foram bem estruturados, a construção moral segura e perene.

Meu primeiro contato com a professora Maria Ita de Menezes deu-se em razão de minha matrícula no então Colégio Normal São José, de Chorrochó.

Estávamos lá nos idos de 1971. Ela era professora de Geografia. E não só de Geografia. Tendo em vista a estrutura rudimentar do colégio à época, alguns professores ministravam mais de uma disciplina, o que de certa forma aproximava alunos e professores.

Contudo, o que importa aqui – hoje e neste particular – é o registro do aniversário de Maria Ita de Menezes.

A professora Ita tem grande importância na vida de minha geração e de grande parte da sociedade de Chorrochó.

A robusta participação de Maria Ita de Menezes, educadora e ícone da sociedade chorrochoense deve ser sempre reverenciada.

Em obediência às regras de etiqueta, não fica bem declinar a idade da professora Ita, embora este cronista entenda que quando atingimos a soma de muitos anos, a idade passa a ser um triunfo da vontade de Deus e não um mero detalhe de etiqueta social.

Deixo votos de felicidade e parabéns para a ilustre professora Ita.

araujo-costa@uol.com.br

Chorrochó, página do tempo, página da vida: Virgílio Ribeiro de Andrade

Virgílio e sua irmã Virgínia, em foto de 2012/Reprodução facebook

Virgílio Ribeiro de Andrade, assim como este escrevinhador, já um pouco adiantado em anos, continua firme, impoluto, altivo e, sobretudo, digno.

Aliás, dignidade, retidão de caráter e irrepreensibilidade de conduta são qualidades impressionantes de Virgílio.  

Com ascendência no simpático município de Uauá, filho de Jerônimo Rodrigues de Andrade e de D. Aderlinda Ribeiro de Andrade, Virgílio se mudou para Chorrochó ainda jovem.

Pioneiro na história da comarca de Chorrochó, instalada em outubro de 1967, Virgílio exerceu com zelo e eficiência, a titularidade do Cartório de Registro de Imóveis, Títulos e Documentos e Protesto de Títulos, além de outras subsequentes funções que lhe foram direcionadas pelo Tribunal de Justiça da Bahia na jurisdição da comarca, sempre com absoluta correção e responsabilidade.

Virgílio constituiu família nobre, exemplar e bem estruturada em Chorrochó. Casou-se com a professora Maria do Socorro Menezes Ribeiro e tiveram o filho Rogério Luiz Menezes Ribeiro.

Hoje, Virgílio tem netos que enfeitam sua vida, ajudam a diluir as fragilidades e atribulações e amenizam o prosseguimento da caminhada. Mas não é só. Tem amigos e admiradores. Muitos.

Dinâmico, irrequieto e sobremaneira prestativo, Virgílio participou ativamente da vida social da cidade e, por extensão, do município de Chorrochó.

Fundou e organizou clubes sociais, a exemplo da ARAM – Associação Recreativa Amigos dos Menezes – e sempre se manteve disposto a orientar quem precisasse de auxílio, esclarecimento de dúvidas e colaboração de toda ordem.

Exemplo de hospitalidade e generosidade, sua casa se transformou numa espécie de refúgio encantador e sempre esteve de portas abertas para receber amigos, conhecidos, autoridades, visitantes, pessoas simples da zona rural e até intrusos, como este atabalhoado cronista que, por algum tempo, vivi lá.  

Virgílio é uma espécie de consultor em generalidades. Orienta, sugere, indica as encruzilhadas e pedras do caminho e, sobretudo, é generoso, educado, essencialmente prestativo.   

Tão depressa vi os anos se passarem que, nalgum ponto desta espinhosa estrada, me veem lembranças – boas lembranças, inesquecíveis lembranças.

São famosos, em todas as cidades, os bares frequentados por artistas, jornalistas, políticos, advogados, intelectuais, escritores e gente que a fama não alcançou. Conheço alguns, vários.   

Em Chorrochó, o Bar Potiguar, hoje desaparecido (merece um livro), era o ponto de encontro de muitos da sociedade chorrochoense numa quadra do tempo.  Era uma espécie de universidade de costumes.

De lá saía o conhaque para o Dr. Olinto Lopes Galvão Filho, primeiro juiz de Direito da comarca de Chorrochó. Lá frequentou, mais tarde, outro juiz da comarca, querido de todos, Dr. Benedito José Carvalhal de Souza.

Virgílio Ribeiro de Andrade era dono do Bar Potiguar e responsável por agregar todas essas pessoas. Ágil, atencioso, exemplo de anfitrião e de amigo, carrega até hoje a virtude de saber aproximar as pessoas e tratá-las bem e educadamente.  

Confesso. Aqui a modéstia dá lugar à vaidade. Guardo um pouco de orgulho de ter sido garçom do Bar Potiguar sob a supervisão de Virgílio, que era meu patrão. Lá construí muitas amizades nascidas ao entorno de seu balcão. Algumas persistem até hoje.

Virgílio engendrou, organizou e comandou muitas coisas boas em Chorrochó e contribuiu tenazmente com as instituições do lugar.

A História de Chorrochó certamente lhe reservará algumas páginas para não ofuscar sua importância no município.

araujo-costa@uol.com.br

Todas as ditaduras são parecidas e abomináveis

A Constituição Federal assegura o direito à livre expressão do pensamento e de manifestação (artigo 5º, incisos IV e XVI).

A manifestação, pacífica e sem armas, pode ser feita e é permitida em locais abertos ao público e independentemente de autorização.

Por conseguinte, não é necessário pedir permissão prévia ao Poder Público para se manifestar, nos termos do mandamento constitucional.

Em 13/12/1968, na ditadura militar, o marechal Arthur da Costa e Silva editou o Ato Institucional número 5 (AI-5) que, dentre outras restrições, proibia manifestações, mormente políticas.

O caso se repete. Aliás, a crueldade das ditaduras se repetem.

Em 23/01/2026, mais de 57 anos depois do ato extremo da ditadura militar, o Supremo Tribunal Federal proibiu que admiradores e apoiadores do ex-presidente Bolsonaro, pacíficos e sem armas, se manifestassem em frente ao presídio onde ele está preso, em Brasília. Pior: estão sujeitos à prisão.  

Só para lembrar.

Quando Lula da Silva esteve preso em Curitiba, lulopetistas e admiradores faziam manifestações e vigílias continuamente, acampavam e gritavam “Lula Livre” durante aproximados 580 dias.

Essas manifestações davam-se em frente à carceragem da Polícia Federal, inclusive protestando contra a decisão do Poder Judiciário que o mantinha lá.

Salvo engano, naquela ocasião da prisão de Lula da Silva, já existia o Supremo Tribunal Federal – ou não? – porquanto foi instituído em 1890 com o advento da República.

E não se tem notícia de que o Supremo Tribunal Federal tenha proibido nenhuma manifestação, acampamento, vigílias e gritos a favor de Lula nas imediações da Polícia Federal em Curitiba.

Deixa pra lá. Coisas de ditadura.

araujo-costa@uol.com.br

Chorrochó: Memórias dos outros e outras memórias

Já se vão, por aí, 55 anos.

Em 1971, conheci Raimunda Ribeiro Coelho, em Chorrochó. Anos depois, em razão do casamento com Raimundo Bezerra do Nascimento, acrescentou Bezerra ao nome.

A família cresceu: Roseane Coelho Bezerra, Rubenilton Coelho Bezerra, Rubenilson Coelho Bezerra, Railson Coelho Bezerra e Ralciene Coelho Bezerra.

Os amigos próximos a Raimunda, aos quais me incluo, chamavam-na “Raimunda de Rosinha”.

Rosinha era uma alegre, distinta e espirituosa senhora, sempre afável com todos, muito educada, acolhedora e da mesma estrutura familiar de Raimunda. Mais do que isto: amiga sincera. 

Às vezes e quase sempre assumo o papel de mequetrefe e me atrevo a buscar no passado lembranças de pessoas que conheci nos caminhos da vida e fatos que circunstanciaram o viver de nosso tempo.

Estávamos na década de 1970 e, portanto, éramos jovens. Em Chorrochó, vivíamos numa sociedade hospitaleira, pacata, sossegada, dentro dos padrões do interior. E sobretudo, civilizada.

Nossas maiores referências eram os mais velhos – exemplos de caráter e sustentação moral – e o Colégio Normal São José, esteio da educação dos jovens da época e impulso para o andar sonhador de todos nós.

Aí, nesse ambiente sadio e responsável, nasciam as amizades, que eram o bálsamo da juventude, o condizer com a simplicidade de então.   

Professora bem preparada e dedicada ao seu mister, Raimunda constituiu família exemplar, educou-a, mostrou-lhe o caminho, os passos da caminhada e o seguir dos ditames da vida.

Natural que a passagem do tempo tenha dificultado o contato com Raimunda. A última notícia que tive dela – faz alguns anos – morava na Fazenda Jurema, nos domínios do município de Chorrochó.

A trilha da vida de Raimunda a manteve como sempre: uma pessoa boa e decentemente amiga.  

Esses fragmentos de memória fazem parte de meu mundo de reminiscências que alguns veem como sinônimo de saudosismo.

Pode ser. Não importa.

araujo-costa@uol.com.br

Chorrochó dá sinais de preservação de sua história

“Quem não muda deixa de ser” (Menotti Del Picchia, romancista paulista, 1892-1988)

A população de Chorrochó – ou parte dela – entra em 2026 com a sensação de que o município despertou do longo e injustificável marasmo por que passou durante anos ininterruptos, mormente na área da cultura.

O prefeito Dilan Oliveira (PC do B) vem demonstrando dinamismo, habilidade política e inegáveis qualidades de trabalho voltado às exigências da população.

De outro turno, a Câmara Municipal se mostrou um tanto diligente com a história do município e aprovou lei, em votação unânime, mudando o nome da Rua Coronel João Sá, na sede, para Rua Dorotheu Pacheco de Menezes.

Este blog não conseguiu confirmar se o prefeito já sancionou a lei, se ainda está no prazo ou se a sanção dar-se-á tacitamente.

Desnecessário me alongar neste particular porque, ademais, muito já escrevi sobre a reivindicação dessa mudança. Até fui repetitivo e, algumas vezes, abelhudo relativamente ao assunto. 

De todo modo, a Câmara Municipal merece boas e honrosas menções, tendo em vista inegável desenvoltura demonstrada no decorrer dos últimos períodos legislativos.

À frente Sheila Jaqueline Miranda Araújo (Sheila de Zé Juvenal) e, em sequência, Ednaldo José dos Santos (Ednaldo de Zé de Nita), ambos com raízes no povoado de Caraíbas, conduziram a presidência da Casa com reconhecida competência, considerada também a valiosa participação dos demais membros da Edilidade que se comportaram com louvável empenho.  

A votação e aprovação do projeto de mudança do nome da Rua Coronel João Sá para Rua Dorotheu Pacheco de Menezes, inobstante algumas poucas vozes discordantes fora da Edilidade, parece ter assegurado à Câmara de Vereadores o necessário respeito à história do município, sinalizado interesse na preservação de seus valores culturais e a capacidade de auscultar a voz da sociedade chorrochoense.    

A impressão que se tem é que Chorrochó está mudando para não deixar de ser.

araujo-costa@uol.com.br

Todas as ditaduras são parecidas e perigosas

A ditadura militar corria solta no Brasil.

O jornalista José Carlos Oliveira (Carlinhos Oliveira), famoso, boêmio e conhecidíssimo na sociedade carioca e fora dela, assíduo frequentador dos bares Degrau e Antonio’s, além de outros de Copacabana, Ipanema, Leblon e et cetera, foi abordado abruptamente por policiais, na Zona Sul do Rio, alta madrugada.

Arrogante o policial ordenou:

– Mãos ao alto, documentos!

Muito calmo e seguro de seu estado etílico, Carlinhos sentenciou:

– Ignoro. Não tenho documentos.

O policial, mais arrogante, sentiu-se grande:

– Então você não existe!

Gozador e ciente da fama, Carlinhos foi didático:

– Existo, sim. Sou público e notório.

Em Santo André, A do ABC paulista (Santo André, São Bernardo do Campo e São Caetano do Sul), governo do general Ernesto Geisel, tempo de ditadura já mais amena, de “distensão lenta, gradual e segura”, final de tarde, fui abordado na Rua General Glicério, miolo da efervescência política naqueles tempos difíceis.

Em meio ao burburinho de estudantes, a caminho da escola, depois de estafante dia de trabalho numa fábrica de Mauá, eu e outros colegas fomos cercados por policiais truculentos, grossos, idiotas, pequenos, imbecis.

Fomos encaminhados para o 1º Distrito Policial para averiguação, deixar de ser besta e aprender a falar com a polícia da ditadura.

O primeiro Distrito Policial de Santo André, ainda está lá, no mesmo prédio, soturno, esquisito, histórico. Já na condição de advogado, no regime democrático, fui lá outras vezes, defender interesses de clientes.

Eu sobraçava um exemplar do jornal Folha de S.Paulo, além de uma marmita vazia, guarda-chuva, o minguado dinheiro da passagem do ônibus  e outros poucos penduricalhos de estudante pobre.

O policial me olhou grosseiramente.

– “O que tem aí, algum livro comunista?”

Besta e inocente, respondi:

– Um jornal, não sabe o que é um jornal?

“Já eu lhe mostro o que é um jornal” – disse o policial ofendido – e me encaminhou para o camburão da polícia política do governador Paulo Egydio Martins, grande prócer da Aliança Renovadora Nacional (ARENA), partido de sustentação dos governos militares.

Tempo do temido DOPS (Departamento de Ordem Polícia e Social), DOI-CODI e outras armadilhas de tortura da ditadura. Todo mundo tinha medo de cair lá, inclusive inofensivos estudantes como eu.

Naquele tempo, andar com livros chegava a ser perigoso. Se alguém fosse flagrado com um exemplar de O Capital, de Karl Marx, certamente seria levado para a delegacia.

No distrito policial de Santo André, fomos averiguados, perguntados, apalpados, espiados, humilhados e liberados.

Ditadura é o pior dos governos. Aliás, nem governo é. É barbárie.

No Brasil de hoje a ditadura é outra. Não é de militares e armas. É de canetas.

Na ditadura, ser público e notório não basta. Chega a ser perigoso.

araujo-costa@uol.com.br

João Eloy de Menezes pode ser o nome ideal que Lula precisa

Dr. João Eloy de Menezes/Crédito: Secretaria de Segurança Pública de Sergipe.

A cúpula petista baiana, à frente o senador Jaques Wagner (PT), ex-governador da Bahia e amigo de Lula da Silva há 40 anos, emplacou o advogado Wellington César Lima e Silva para ministro da Justiça e Segurança Pública na vaga deixada pelo experiente e ínclito Ricardo Lewandowiski, que abandonou o pesado barco lulopetista alegando razões pessoais.

O novo ministro da Justiça e da Segurança Pública foi procurador-geral da Justiça da Bahia no governo de Jaques Wagner. É promotor e já exerceu funções em Brasília, nos governos petistas.

Lula da Silva parece que desistiu de estruturar o Ministério da Segurança Pública, por razões mais políticas do que técnicas, de modo que, por enquanto, tudo continua como antes, até em razão de entraves com alguns governadores, além de um polêmico projeto sobre o assunto segurança pública, em trâmite no Congresso Nacional.  

O quiproquó da criação do Ministério da Segurança Pública ficou para destrinchar depois, até que Lula apare as arestas que o incomodam e encontre uma pessoa de perfil compatível com a pasta.

Nesta circunstância e cenário, talvez as composições partidárias e as questões políticas devam ser afastadas e deem lugar às qualidades técnicas do ocupante do cargo.

Os aliados e assessores próximos de Lula da Silva não conseguem vislumbrar o conhecido e experiente profissional nessa área: Dr. João Eloy de Menezes, secretário de Segurança Pública de Sergipe pela 3ª vez.

O Dr. João Eloy é formado em Direito, graduado pela Universidade Tiradentes (Unit), conhece sobejamente o assunto, exerceu todas as funções de importância e destaque na área de segurança no estado e cuida da segurança pública de Sergipe, com reconhecido êxito, desde os tempos do governador petista Marcelo Deda (1960-2013), considerado breve interregno.

Aliás, Marcelo Deda era “grande amigo, compadre e irmão” de Lula da Silva, segundo ele próprio (UOL/Agência Brasil, 02/12/2013).

Dr. João Eloy tem experiência, vocação e estilo próprios e leva a sério a questão da segurança pública. É estudioso do assunto e ostenta know-hou para lidar com intrincados assuntos adstritos à segurança.

Baiano do sertão, nascido no município de Chorrochó em 1963 e conhecido nacionalmente em sua área de atuação, o Dr. João Eloy de Menezes pode ser o nome que Lula da Silva precisa encontrar para ocupar o Ministério da Segurança Pública, ainda em gestação, que decorrerá de provável cisão do Ministério da Justiça.  

araujo-costa@uol.com.br

O encanto da curaçaense Iracema Medrado

“A felicidade é o devotamente a um sonho ou a um dever.” (Ernest Renan, filósofo e teólogo francês, 1823-1892)

Iracema Medrado/Reprodução perfil facebook

Já beirando à decrepitude – caminho em direção aos 74 anos – consequência natural da passagem do tempo e do ocaso da vida, atrevo-me a cutucar lembranças, reviver fatos e, sobretudo, reconhecer minha gratidão às amizades que conheci ao longo do tempo e, por óbvio, me foram sobremaneira significativas e acrescentaram alguma coisa em meu conturbado viver.

Assim, a curaçaense Iracema Medrado.

Iracema descende do tronco familiar de Pedro Medrado da Silva e Silvina Maria Vieira.

É uma jovem aposentada do serviço público de saúde, salvo engano.

Conheci Iracema Medrado, em Curaçá, na primeira metade da década de 1970. Já se vão, por aí, algumas décadas, tempo suficiente para considerar a vitalidade das lembranças.

Eu morava na Rua Coronel Pombinho, centro de Curaçá, no Curaçá Hotel, mesmo imóvel que abrigava a residência de Maria Roselita Xavier e Adelson Xavier, proprietários do estabelecimento.

O imóvel, debruçado à margem direita do São Francisco, um velho e simpático casarão, com grandes janelas, traduzia o estilo das primeiras construções curaçaenses.

O Curaçá Hotel ficava na mesma rua da agência dos Correios, vizinho à Sociedade Curaçaense Artística e Beneficente (SCAB). Lá construí inesquecível amizade com Astério Xavier, sujeito decente, educado e respeitador, agente da antiga Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (EBCT).  

Iracema Medrado também morava no Hotel, amiga e parente da família Xavier.

Regina Lúcia Xavier, filha do casal Maria Roselita e Adelson, era minha colega no Colégio Municipal Professor Ivo Braga.

Altiva, sorridente, irrequieta, Regina se mudou de Curaçá, cresceu profissionalmente e nos deixou algumas lições de coragem, tenacidade e capacidade de luta.

Tempos à frente, Iracema Medrado passou a ser protagonista da Serenata da Recordação, evento que acontece anualmente no simpático município pernambucano de Santa Maria da Boa Vista e já faz parte do calendário da cidade.

Admiradora dos curaçaense Zé Raul, Zito Torres e Mirandinha, Iracema compatibiliza, admiravelmente, a boemia com a atividade cultural, de modo que enriquece a história de Curaçá e de Santa Maria da Boa Vista.  

Cordata, encantadora e impressionantemente educada, Iracema Medrado é uma daquelas pessoas que vale a pena conhecer, conversar, sorrir, agradecer a convivência.

Iracema Medrado faz a diferença na vida social. Devota-se ao dever de ser gentil, viver bem em sociedade

É orgulho de nossa geração curaçaense, modéstia à parte.

araujo-costa@uol.com.br.    

Judiciário e política: Coincidências, indecências e imoralidades

Em tempo de democracia (ainda temos esse bicho no Brasil?), lembro que a imprensa vem publicando, exaustivamente, um emaranhado de coincidências, indecências e imoralidades que envergonham os brasileiros que pensam, sabem pensar ou pretendem pensar nalgum dia.

Neste particular, refiro-me aos brasileiros que ainda não foram cooptados pelo abominável fanatismo. Esses estão perdidos, porque não enxergam nada além do nariz e vivem submersos na escuridão das paixões políticas.

Vamos às coincidências. Somente algumas.

O escritório da mulher do ministro Alexandre de Moraes (STF), firmou um contrato com o investigado Banco Master, no valor de R$ 129 milhões (36 parcelas mensais de R$ 3,6 milhões), segundo a imprensa, quantia estratosférica e nunca vista na área da advocacia.

Em tese, o escritório da mulher do ministro, também é do ministro, que vai julgar os processos do mesmo banco que eventualmente vierem a cair no STF, se o ministro não tiver a grandeza de declarar-se impedido.

Ato contínuo, outro ministro, desta vez o lulopetista Dias Toffoli (STF), que tem – ou teve – o irmão e parentes próximos na condição de sócios de fundos do Banco Master, de repente deu-lhe um estalo salvador e chamou para si o inquérito que investiga os magnatas do banco e seus amigos e colocou tal inquérito em sigilo absoluto.

Não se sabe porque o inquérito do Banco Master foi parar nas mãos do ministro Dias Toffoli, nem a razão do sigilo inexplicável que ele impôs. Sabe-se apenas que foi por determinação de Sua Excelência.

Dias Toffoli é o mesmo ministro que foi passear noutro país, em jatinho do pessoal do Banco Master.

Como é bonita a “imparcialidade” de Suas Excelências!  

Presume-se que durante essas viagens e seus consequentes regabofes, sua Excelência conversou somente sobre evangelhos, versículos bíblicos, terços e rosários e nunca sobre assuntos do Banco Master.

A ministra Verônica Abdalla, do Superior Tribunal Militar (STM), indicada por Lula da Silva para a honrosa função, recebeu de uma empresa do famoso “careca do INSS”, a bagatela de R$ 700 mil (Diário do Poder, 12/01/2026). Consta que o pagamento foi feito antes de Sua Excelência assumir a função no STM, razão maior para não ter sido indicada.

De outro turno, a Polícia Federal parece estar investigando as informações de que o filho de Lula da Silva, o Lulinha, recebeu a bagatela de R$ 25 milhões, segundo a imprensa, mais uma pensão mensal de R$ 300 mil, do famoso “careca do INSS”, conforme sobejamente noticiado.

Não se sabe o que o milionário filho de Lula da Silva fez para receber tão vultoso valor desse suspeito e investigado senhor, que manteve nebulosas relações com o INSS.

Por outro lado, o PT e a base de sustentação do governo Lula no Congresso Nacional foram contra a formação e instalação da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga o assalto aos aposentados e pensionista do INSS, embora digam, até hoje, que a maracutaia foi engendrada no governo passado, o que fica mais difícil explicarem a posição contrária à investigação.

Nada disto surpreende em tempo de consórcio Lula-STF.

Admitindo-se, por hipótese, que essas pessoas ao redor de Lula, venham a ser condenadas por envolvimento nesses escândalos, a bancada de Lula no STF certamente anulará as provas e absolverá tais pessoas envolvidas.

E não se falará mais nisto.  

A Justiça continuará sendo tão somente uma expectativa e esperança dos brasileiros.

Num país sério – e este não é o caso do Brasil – esses excelentíssimos ministros dar-se-iam por impedidos de atuarem no STF até, pelo menos, que os fatos estejam esclarecidos, já que eles próprios não se dispuseram a esclarecê-los.

A reputação de ministros do STF deve ser ilibada. Assim diz a Constituição Federal. Não deve pairar dúvida sobre a envergadura moral dos ministros.

Como diz o provérbio, “À mulher de César não basta ser honesta, deve parecer honesta”.

araujo-costa@uol.com.br

Em Abaré, Delísio mantém trincheira política segura

Político sem mandato é como chocalho sem badalo: balança, mas não toca.” (José Cavalcanti, paraibano de São José de Piranhas, 1918-1994).

Abaré, simpático município do submédio São Francisco, se destaca em razão de sua efervescência política e, sobretudo, por sua pujança cultural.

Terra de José Amâncio Filho (Meu Mano) e do padroeiro Santo Antonio, Abaré vem produzindo líderes ao longo do tempo, de modo que surgiram fortes lideranças em todas as áreas, mormente na seara política.

Lá se destaca, dentre outros, Delísio Oliveira da Silva, sertanejo de ideias firmes, corajoso e incapaz de recuar quando precisa revidar quaisquer contrariedades de adversários políticos, imprensa, formadores de opinião, eleitores e palpiteiros em geral.

Delísio Oliveira da Silva/Reprodução perfil facebook

Há momentos em que Delísio chega a ser rústico, sem tornar-se deselegante.

Delísio atravessa um interregno sem mandato. Em consequência, deixou de balançar o chocalho do noticiário do município e incomodar circunstantes e adversários políticos.

Experiente e bem articulado, comporta-se de acordo com o vento dos acontecimentos. É estratégico, vive na trincheira das expectativas, inobstante alguns tropeços no caminho político.

Em 2018, este blog pediu uma entrevista a Delísio Oliveira da Silva. Sem êxito.

O telefone o alcançou cedo, muito cedo, em Abaré. Do outro lado da linha, a voz inconfundível, o atendimento prestativo, a pergunta ríspida, áspera, sem salamaleques: “Não conheço o blog. Quem vai fazer a entrevista? ”.

Feita a apresentação e aparadas as arestas de praxe, prontificou-se a conversar.

Não conversou.

Político experiente, escorregou educadamente e não concedeu a entrevista. Matreiro, avaliou o momento desfavorável por que passava na ocasião e dispensou este escrevinhador, fato comum no meio jornalístico.

O blog não insistiu, tampouco Delísio demonstrou interesse na entrevista. A coisa parou por aí e o blogueiro raspou-se, saiu sorrateiramente do caminho do potencial entrevistado.

Delísio Oliveira da Silva faz parte da geração de 1951. É seguro de suas convicções e, mais do que isto, preparado para eventuais botes maliciosos de entrevistadores.

Parece conhecer bem as armadilhas da imprensa, talvez por estar acostumado a ser cutucado pelos meios de comunicação. Houve um tempo em que  ele frequentou o noticiário político e de assuntos judiciais, quase simultaneamente, com a mesma desenvoltura com que transita pelas estradas empoeiradas do município de Abaré.

O fato é que a liderança de Delísio continua inconteste no município. Seu prestígio político ainda se afigura sólido e, por isto, parece que sua estratégia é prevenir uma cilada de seu destino político.

Exemplificando, em 2016 abocanhou nas urnas, salvo engano, 48,92% dos votos válidos, em favor do filho e candidato a prefeito, Delísio Oliveira da Silva Filho (Del de Delísio), lançado pelo então PMDB.

O adversário Fernando José Tolentino Teixeira (PT) ganhou a Prefeitura com uma diferença de 231 votos. Obteve 51,08% dos votos válidos. Decerto, uma disputa difícil, tensa, buliçosa.

Em 2024, as urnas também não foram generosas com Delísio, que lançou, mais uma vez, o filho Del Oliveira (União Brasil) para disputar a eleição de prefeito.

O atual prefeito Emanoel da Farmácia (PT) foi eleito com 82,38% dos votos, uma liderança capaz de reestruturar o mapa político de Abaré.

Vitorioso em diversas eleições majoritárias e prefeito por dois mandatos, salvo engano, Delísio Oliveira também exerceu funções de destaque fora do município de Abaré, o que ampliou sobremaneira o lastro de sua atuação política.

Os ventos da política de Abaré parecem acomodar a atuação de Delísio Oliveira, por enquanto.

Todavia, pelo que parece, ele continua em sua trincheira política.

araujo-costa@uol.com.br