A derrama de dinheiro no Tribunal Superior do Trabalho

“A Justiça é como uma serpente, só morde os pés descalços.” (Eduardo Galeano, jornalista e escritor uruguaio, 1940-2015).

Tribunal Superior do Trabalho (TST). Crédito: Bárbara Cabral/TST

Tão cara quanto desnecessária, a Justiça do Trabalho pagou em dezembro de 2024, R$ 10 milhões a mais a seus 27 ministros do Tribunal Superior do Trabalho, a título de “pagamento de retroativos”.

Cada ministro do TST recebeu, em média, R$ 416 mil, somente em dezembro. Um ministro chegou a receber R$ 706 mil.

Só para lembrar, o salário mínimo é R$ 1.518,00 e a maioria dos brasileiros aposentados, que trabalhou e contribuiu para o INSS durante toda a vida, recebe um salário mínimo ou em volta disto.

“A média desse dinheiro embolsado pelos ministros do TST corresponde a 13 vezes mais que o teto do funcionalismo público, que é o salário de ministro do Supremo Tribunal Federal.” (Diário do Poder, 22/01/2025).

Ou seja, o teto constitucional previsto é uma deslavada hipocrisia.

Os supersalários persistem, os privilégios da elite persistem.

Enquanto pobres, miseráveis e descalços passam fome, a elite do Judiciário se lambuza.

Agora, a piada. Está escrito na sede do TST: “O Tribunal da Justiça Social”.  

Que Justiça Social é esta que permite que um ministro do tribunal receba R$ 716 mil num só mês e um trabalhador aposentado que, por exemplo, trabalhou 35 anos e pagou o INSS, receba somente um salário mínimo?   

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Chorrochó e memória: Padre Conceição.

Padre Ulisses Conceição/Crédito: Boletim Paroquial número 8 – Chorrochó, janeiro de 1987

Em 26/01/2025 completam-se 39 anos da morte do padre Conceição, que faleceu durante os festejos de Senhor do Bonfim.                                            

Para ser o semeador de que nos falam os evangelistas é preciso, dentre outros atributos, crer na imortalidade da alma.

Para “retemperar o ânimo dos que se dão por vencidos precocemente”, como dizia Raul Pompéia, é necessário, sobretudo, embevecer-se na fé.

E para prosseguir no caminho do sacerdócio, é seguramente imprescindível uma inflexível lealdade aos princípios de humildade inerentes à condição de apóstolo.

Neste tempo da festa de Senhor do Bonfim, católicos e povo de Chorrochó em geral também reverenciam a memória do padre Conceição.

Conheci o padre Ulisses Mônico Conceição no início de 1971, em Chorrochó, quando este escrevinhador era estudante do então Colégio Normal São José.

A tendência para a observação, própria dos jovens, sustentava a convicção de que se tratava de uma extraordinária figura humana. O tempo se encarregou de provar isto. 

Os jovens daquele tempo tinham grande respeito pelo vigário do lugar, líder religioso devotado à família e aos princípios da igreja. Fomos assim educados, assim estruturamos nossa formação social.

A postura respeitosa do padre Conceição dava o parâmetro para que todos nós o entendêssemos como um líder de elevada envergadura moral e sólida dedicação à Igreja.

Lembro suas andanças, passos largos e seguros, pelas calçadas de Chorrochó.

Muito presente na vida da comunidade, padre Conceição era atencioso, solícito, contemporizador. Dono de uma memória prodigiosa e de uma apreensão fulminante, atendia a todos que o abordavam.

No trato com os adultos criava um ambiente seguro, como se um amparo à pequenez dos fracos. No contato com os jovens, transmitia-lhes uma auréola de esperança necessária à sede de absoluto da adolescência.

A experiência retratava-se nos cabelos homogeneamente brancos, tingidos pelo tempo.

Não é possível falar do padre Conceição sem associá-lo às tradições de Chorrochó. O sertão é, ainda, uma universidade de costumes.

Como dizia o intelectual sergipano Tobias Barreto, “as tradições são o passado que se faz presente e tem a virtude de se fazer futuro”.

Padre Conceição participou ativamente da história de Chorrochó e viveu essas tradições que ajudou a sedimentá-las.

Nas litanias e procissões que se realizavam, era o destaque, paramentos brancos, como uma flor de lírio. Recordo de sua adoração fervorosa ao Santíssimo Sacramento. Interpretava magistralmente a fé.

Nascido em 09.09.1914, em Conceição de Almeida, faleceu em 26.01.1986 em Chorrochó, torrão ao qual vinha se dedicando desde o meado da década de 1950, primeiro espontaneamente, depois na condição de vigário da Paróquia do Senhor do Bonfim de Chorrochó, que ajudou a ser realidade.

A Paróquia foi criada em 27.01.1985. O jesuíta paulista D. Aloysio José Leal Penna (1933-2012), à época bispo da diocese de Paulo Afonso, instituiu a Paróquia de Senhor do Bonfim de Chorrochó

Mais tarde, D. Aloysio foi arcebispo de Botucatu (SP).

A instituição da Paróquia se deu durante as comemorações do centenário da Igreja de Chorrochó, construída em 1885 por Antonio Conselheiro.

A data está no frontispício do majestoso tempo do sertão da Bahia, construção histórica sustentada na fé e deixada pelo beato Conselheiro. Resistiu ao implacável passar dos anos e às intempéries.

Padre Conceição vinha de caminho longamente trilhado. Professor do Colégio Padre Antonio Vieira, em Salvador, certamente lá deixou fincada a eloquência de seus ensinamentos. Eloquência que talvez tivesse origem no sermão que o próprio padre Vieira pregou em maio de 1640 na igreja de Nossa Senhora da Ajuda, quando os holandeses apertavam o cerco à cidade da Bahia.

As ações do padre Conceição e as palavras do padre Vieira guardam incrível semelhança: a intensidade da fé.

A opção pelo sertão sofrido foi uma de suas qualidades de pastor humilde. Ter-lhe-ia sido fácil ficar na cidade grande, onde a comodidade das estruturas de vida e trabalho seria mais favorável. Não o fez. Preferiu Chorrochó.

O beato Conselheiro foi fixar-se nas fraldas das serras contíguas ao Vaza-Barris, onde em 13.06.1893 fundou Belo Monte, hoje Canudos, para ali construir uma sociedade supostamente igualitária.

Chorrochó, como outras localidades do sertão, ergueu-se sobre o pedestal da fé e perdurou. Canudos foi destruído pela crueldade dos homens.

Padre Conceição sempre foi atento aos pequenos nadas de que se compõe a vida, um homem de personalidade marcante. Sucedeu-o na igreja de Chorrochó, outro religioso dinâmico, ativo e muito dedicado à obra de Cristo: padre Mariano Pietro Brentan, italiano trabalhador e dedicado às causas da igreja.

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O esperançar do tempo

“Sonhador é aquele que percebe a aurora antes dos outros.” (Oscar Wilde, escritor irlandês, 1854-1900)

Em primeiro plano, vereador Anselmo Filho/Arquivo do vereador

Nesta legislatura iniciada em 2025, a Câmara Municipal de Curaçá passou a abrigar Anselmo Filho, dentre as demais e respeitáveis Excelências que compõem a Edilidade.

A democracia compatibiliza a soberania do voto popular com o esperançar do tempo.

Noutras ocasiões, escrevi alguns artigos sobre esse ilustre descendente de Patamuté, filho de D. Zaira Maria Souza Brandão e do ínclito Anselmo Vital Matos, de modo que, para não ser repetitivo, hoje faço somente o registro de sua presença na Câmara de Curaçá nesses próximos quatro anos.

Ainda jovem, Anselmo Filho traz a expectativa de lutar por seus sonhos da juventude e a esperança de uma aurora alvissareira em Patamuté.  

Minha esperança é que Patamuté passe a ter voz firme e persistente em defesa de sua população, quaisquer que sejam as instâncias possíveis.

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Curaçá e política de acusações

É indubitável que estamos vivendo tempos excêntricos e formas enviesadas de comportamento na vida pública.

Na condição de curaçaense, temo que o prefeito Murilo Bonfim (PT) siga o caminho temerário e truculento adotado pelo lulopetismo: “nós contra eles”.

Prefeito Murilo Bonfim/Reprodução de foto da campanha eleitoral

Não conheço o prefeito, o que para ele não tem nenhuma ou qualquer importância, embora tenha boas referências de Sua Excelência.

O que se convencionou chamar de polarização apequena a política séria, apequena os políticos que se dizem sérios e permite a abertura de um fosso entre a nobreza do mandato popular e a civilidade política, reduzindo-os à mesquinhez e à insensatez.

Seria um desastre para Curaçá.

Pululam acusações contra o ex-prefeito Pedro Oliveira, que também não o conheço e ele deve estar se lixando para o que escrevo. E faz muito bem.

Entretanto, parece que em Curaçá está faltando um senhor equilibrado chamado Bom Senso para desanuviar o emaranhado de entulhos verbais deixados pela campanha eleitoral de 2024 que não podem persistir sob pena de contaminar ideologicamente a administração do município.

A nova administração municipal vem apontando uma série de irregularidades supostamente praticadas na gestão anterior, tais como sucateamento de veículos, insuficiência de recursos para pagamentos de servidores, débito da Municipalidade junto ao INSS, prédios abandonados, negligência de zeladoria, lixo acumulado nas ruas, et cetera.

À vista desse quiproquó entre o prefeito que entrou e o que saiu, é razoável ponderar que tanto a sociedade quanto a Câmara Municipal têm o nobre dever de fiscalizar, sugerir, apontar erros, indicar caminhos razoáveis e, se for o caso, denunciar desmandos eventualmente praticados em toda e qualquer gestão púbica.

Ex-prefeito Pedro Oliveira/Reprodução google

Consequentemente, partindo do pressuposto de que havia tantas irregularidades como agora são apontadas, cabe perguntar onde estavam os vereadores de Curaçá, independentemente do viés político – situação ou oposição – e líderes da sociedade curaçaense que não fiscalizaram e/ou denunciaram tais desmandos no decorrer da administração anterior?

Aliás, Curaçá não é uma metrópole confusa que possa dificultar a detecção dessas irregularidades, de modo que não é difícil constatar falhas da gestão pública, seja a olho nu, ou através dos portais de transparência disponíveis, se for o caso.

Outrossim, há órgãos de controle que também cuidam da vigilância e emprego do dinheiro público, que normalmente agem quando provocados pela sociedade, considerados os que atuam de ofício.   

De outro turno, salvo engano, o prefeito está prestes a mandar para a Câmara Municipal – ou já mandou, se não desistiu – projeto criando algumas dezenas de cargos e definindo vencimentos que, a grosso modo, são incompatíveis com o município que diz faltar dinheiro para pagar o básico, a exemplo de servidores.

Assim, parece haver uma estridente incompatibilidade entre o estado de penúria do município alegado pela nova gestão e o pretendido por ela.

De qualquer modo, o “nós contra eles” é abominável em Curaçá ou em qualquer lugar.

Contudo, revela-se animador saber que o prefeito Murilo Bonfim se cercou de uma equipe experiente e competente, dentre secretários e assessores, o que ajuda a escolher um novo e bom caminho para Curaçá.

É preciso estruturar as mentalidades em Curaçá, sem o que não acontecerá nenhuma mudança. O município não pode ficar atrelado aos erros de gestões opacas e eventualmente negligentes, tampouco se tornar uma fábrica de acusações.

araujo-costa@uol.com.br  

Chorrochó e o pedestal da fé: tempo de refletir

Igreja de Senhor do Bonfim de Chorrochó/Crédito Edilson Oliveira

A Igreja Católica de Chorrochó deu início aos festejos do padroeiro Senhor do Bonfim que se estendem de 16 a 26 de janeiro.

O início, como todos os anos, deu-se com o traslado da bandeira do Santo Cruzeiro até a Igreja de Senhor do Bonfim. Na tradição, que se fez história, o hasteamento da bandeira sinaliza o começo da festa.  

A Igreja é como uma flor que brota continuamente em meio a rudes espinhos do tempo e dos escombros das tragédias humanas, mas a fé a torna mais resistente, indestrutível, acolhedora.

Assim, a Igreja de Chorrochó.

Em meio a tantas atribulações a que as populações estão envolvidas, de quando em vez o calendário da Igreja possibilita uma pausa para permitir que todos se envolvam em orações.

Em Chorrochó, portanto, realiza-se a festa do padroeiro Senhor do Bonfim. É uma oportunidade para que os católicos abandonem seus momentos de egoísmo e arrogância e dêem lugar às orações, normalmente negligenciadas no dia a dia, inclusive em razão da luta pela sobrevivência.

Todos os dias durante o novenário, época de contrição e louvor, após a bênção do Santíssimo Sacramento, o celebrante desperta os fiéis no sentido de que o nome de Jesus é sempre bendito: “Bendito seja Jesus Cristo no Santíssimo Sacramento do Altar!”.

É o louvor em desagravo às blasfêmias, ao indiferentismo com as coisas que dizem respeito à fé.

O celebrante pede para que Deus derrame bênçãos “sobre o chefe da nação e do estado e sobre todas as pessoas constituídas em dignidade, para que governem com justiça”.

Palavras necessárias, mormente nos dias de hoje – dignidade e justiça – sem as quais nenhum governante desempenha seu papel a contento.

A oração é uma velha fórmula adotada pela Ordem dos Frades Menores Capuchinhos (OFMC) do Convento da Piedade, em São Salvador da Bahia, que se estende historicamente deste o século XVII: oração pela pátria, pela Igreja e pelo Santo Padre.

Chorrochó, a exemplo de outros lugares, padece das injunções de parte de uma sociedade desrespeitosa e degradante, alheia às coisas da Igreja e, sobretudo, tendente à vulgaridade.

É notório que a Igreja Católica não tem conseguido manter em seu rebanho as pessoas que ela mesma batizou.

Contudo, não deixo de reconhecer que grande parte desse fenômeno deriva da instituição familiar, que se esfacelou de tal forma que se tornou incapaz de educar seus filhos para o caminho da Igreja.

Também é notório que a Igreja persiste em seu caminho sereno em benefício de seus fiéis e isto não se pode negar.

É tempo de lembrar todos aqueles que sustentaram as colunas da Igreja de Chorrochó, quando tudo era ainda muito rudimentar e difícil: Antonio Conselheiro; monsenhor Elpídio Ferreira Tapiranga, celebrante da primeira missa em Chorrochó, em 1886; padre Manoel Félix de Moura; professora Antonina Gomes; João Alves dos Santos; professora Josefa Alventina de Menezes; padre Ulisses Mônico da Conceição, padre Mariano Pietro Bentran e todos os que vieram subsequentemente, na condição de sacerdotes ou colaboradores.

É também tempo de lembrar os bispos da diocese de Paulo Afonso, que delinearam o caminho da fé na Igreja de Chorrochó: D. Jackson Berenguer Prado, D. Aloysio José Leal Penna, D. Mário Zanetta, D. Esmeraldo Barreto de Farias e D. Guido Zendron, que adota o lema episcopal Cristo Redentor dos Homens e tem sido muito presente na vida da Igreja local.

Por fim, é tempo de reconhecer o papel das instituições religiosas Pia União das Filhas de Maria e Apostolado da Oração que dignificaram a história da Igreja de Chorrochó.

Chorrochó está em tempo de oração e tempo de refletir.

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Chorrochó dá um passo à frente

José Nilson Rodrigues dos Santos (Nilsinho), secretário de Administração de Chorrochó

A nova administração municipal de Chorrochó, capitaneada pelo prefeito Dilãn Oliveira, começou apontando alguns sinais positivos no sentido  de que vai praticar uma boa gestão.

É cedo. Muito cedo para qualquer avaliação e eventual crítica sobre o caminho que o prefeito pretende seguir à frente dos destinos de Chorrochó. Contudo, o alcaide demonstra boa vontade e deu o primeiro passo.

Vê-se que o prefeito se cercou de secretários e assessores competentes. A escolha da equipe diz muito em quadro assim.

Destaca-se, neste cenário, o secretário de Administração José Nilson Rodrigues dos Santos (Nilsinho), pernambucano de Belém do São Francisco e radicado em Chorrochó há 27 anos.

Experiente, com passagem pela Câmara Municipal de Belém do São Francisco, lá exerceu a chefia de Gabinete da presidência no período 1998/1999. Mais tarde, foi secretário parlamentar na Assembleia Legislativa de Pernambuco.

José Nilson também desempenhou funções de relevo no município de Chorrochó, tais como assessor especial, secretário de Governo em três ocasiões e secretário de Agricultura.

Entre 2018 e 2024, José Nilson trabalhou na Prefeitura de Abaré na gestão do prefeito Fernando Tolentino.

Político atuante desde jovem, José Nilson foi quatro vezes presidente do Diretório Acadêmico do Centro de Ensino Superior do Vale do São Francisco (CESVASF) de Belém do São Francisco.

É formado em Contabilidade e História e fez especialização em Gestão Pública na Escola de Contas Públicas de Pernambuco, de modo que parece habilitado para lidar com assuntos dessa natureza e concernentes à administração de Chorrochó.

Com base eleitoral em Caraíbas e acentuado apoio na sede, o hoje secretário de Administração de Chorrochó disputou, em 2024, uma vaga na Câmara Municipal pelo Partido Comunista do Brasil (PC do B) alcançando a 1ª suplência e lastreado em 404 sufrágios.

José Nilson foi o 2º mais votado em Caraíbas de Oscar onde, por óbvio, exerce visível liderança.

Caraíbas, como se sabe, agasalha o respeitável patrimônio eleitoral deixado por Oscar Araújo Costa e sustentado por sua lídima e distinta descendência, mas democraticamente, o povoado dá espaço para o surgimento de novas lideranças.  

A trajetória política de José Nilson, voltada para a atenção ao desenvolvimento rural sustentável e a luta com o intuito de levar energia às comunidades do campo, lhe têm assegurado o reconhecimento da população, agora expresso na votação para a Câmara Municipal.

José Nilson é casado com Edjane Araújo Botelho e pai do bacharel em Direito Pedro Henrique Botelho Rodrigues e Maria Sophia Botelho Rodrigues.

É membro da Loja Maçônica Acácia Nordestina, de Euclides da Cunha.

A função de Nilsinho na Administração de Chorrochó traz razoável expectativa para somar-se ao esforço do prefeito Dilãn Oliveira.     

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Professora Ivete Ribeiro e sua obra

Professora Ivete Ribeiro/Perfil facebook

De supetão, acudiu-me a ideia de ler alguns textos da insigne professora  Ivete Ribeiro, que vem a ser Licenciada em Geografia e com Especialização em Geografia e Pedagogia, além de outras qualificações.

Minhas ideias sempre vivem compatibilizadas com supetões. De repente, pulo a janela dos sonhos e saio, por aí, confusamente,  garimpando meandros de fatos idos e suas versões, mormente quando adstritos à História do sertão da Bahia, terra deste insignificante e abelhudo escrevinhador.

Deparei, en passant, com algumas referências ao livro Barrro Vermelho – História e Genealogia, que a professora Ivete lançou em 23/06/2022 e trata da origem do lugar e, como o título diz, da genealogia de sua gente.

O lançamento do livro deu-se em Barro Vermelho, distrito de Curaçá, celeiro de músicos, escritores e intelectuais de toda ordem, dentre eles se sobressaem, por exemplo, o jornalista e escritor Maurízio Bim, que tem raízes no distrito, Hélio Coelho Oliveira, a própria Ivete Ribeiro e o maestro Filemon Martins, honra e glória do lugar.

Ademais, repousam em Barro Vermelho os esteios da história de João Gilberto que se estenderam a Juazeiro e ao mundo.

A professora Ivete Ribeiro é autora de uma profusão de textos de amplidão impressionante, inclusive sobre famílias de Uauá que, de resto, abriga grande riqueza histórica dos Ribeiro, da qual fez parte o ínclito coronel Jerônimo Rodrigues Ribeiro, falecido em 29 de janeiro de 2015 aos 98 anos, deixando um lastro de exemplos de vida e de enriquecimento histórico.

Aliás, sobre o conspícuo coronel Jerônimo Ribeiro escrevi, alhures, um artigo que anda esparso por aí, pobre e lacunoso, mas fiel à memória do ilustre filho de Uauá.

Conseguintemente, quero deixar registrado aqui meu apreço pela obra literária da professora Ivete Ribeiro e me predisponho a pesquisar mais sobre seu vasto caminho intelectual para não correr o risco de sair por aí escrevendo inadequações.  

Post scritum I:

Há alguns anos, um leitor deste blog disse que eu não tenho estilo, misturo diversos assuntos no mesmo texto, alhos com bugalhos.

O leitor tem razão.

Este negócio de ficar me perdendo e me achando no mesmo espaço faz parte de minhas elucubrações.   

Sou um cronista do acaso e nesta altura da vida, não estou preocupado com estilo. Diante de tantas atrocidades que vemos ao nosso redor no dia a dia, há outras razões para reflexões e preocupações.  

Post scriptum II: 

Caminha para dez anos o lançamento do livro Barro Vermelho-memória e espaço, do escritor curaçaense Maurízio Bim. O lançamento da primeira edição deu-se em 06/11/2015 e o da segunda edição aconteceu em 19/06/2022.

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Alice Alves Santana, uma forte raiz de Patamuté

Da esquerda para direita, D. Alice, o neto Egidinho, o filho Paulinho e a nora Rita, em foto de 2015/Arquivo Egídio Felizardo

A família noticiou o falecimento de Alice Alves Santana, que tinha raízes fincadas em Patamuté.

D. Alice nasceu em 1928, filha de Maria Querubina dos Santos e Macário Alves.

Macário Alves é um dos exemplos de decência e honradez que Patamuté guarda nos cadernos de sua História.

D. Alice se casou com Egídio Felizardo de Santana (Zinho) com quem constituiu família bem estruturada e educada nos moldes tradicionais da época e do lugar. Salvo engano, Zinho era filho de Sapeaçu, no recôncavo baiano, mas radicado em Patamuté.

Respeitado, decente e de caráter irrepreensível, numa quadra do tempo Zinho sustentou suas atividades, dentre outras, transportando pessoas, mercadorias e malotes dos correios em um caminhão, entre Patamuté e Juazeiro.

As condições de Patamuté eram outras, outros os costumes e outra a forma de convivência sadia e acolhedora que nossa rudimentar sociedade patamuteense mantinha.

Embora esburacada em razão da passagem do tempo, minha memória vai buscar, em Patamuté, lembranças do ambiente alegre e hospitaleiro da casa de D. Alice, sua simplicidade e o jeito peculiar de lidar com todos.

Convivi, na adolescência, com Pedro Humberto Alves de Santana, um de seus filhos. O tempo afastou a convivência e a amizade, mas a consideração persistiu.

Já se vão, por aí, algumas décadas. A família de Zinho e D. Alice se mudou de Patamuté para o eixo Juazeiro/Petrolina, por circunstâncias que a vida impõe, tais como a necessidade de educar os filhos e lhes permitir colocação e desenvolvimento profissional que Patamuté não tinha condições de assegurar. Deu certo. Todos foram bem encaminhados e ascenderam social e profissionalmente.

Religiosa, quando vivia em Patamuté, D. Alice sempre esteve vinculada à Igreja de Santo Antonio e aos festejos do padroeiro. Construiu sua vida religiosa sob os auspícios de Santo Antonio.

Que Jesus Cristo lhe indique o caminho e Deus a ampare.

Deixo pêsames à família.

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Bahia: Governadores do PT pagaram R$ 301 milhões a ministro de Lula

Publicitário Sidônio Palmeira, novo ministro de Lula/Crédito Marcus Claussen

Dinheiro para o PT não é problema. Nunca foi, desde que seja público.

O PT envolveu os renomados e eficientes publicitários baianos Duda Mendonça (1933-2014) e João Santana em esparrela tal que redundou em problemas de ambos com a Justiça.

Agora, Lula da Silva convidou outro marqueteiro baiano – Sidônio Palmeira – para assumir a chefia da Secretaria de Comunicação da Presidência da República em substituição ao petista Paulo Pimenta que desagradou lulopetistas de toda ordem, inclusive o próprio Lula.

Sidônio Palmeira trabalha para os governos petistas da Bahia desde sempre. É publicitário de respeito, competente e homem de confiança de Lula da Silva.

Como se vê, também no PT, as águas só correm para o mar.

Nos últimos quatro anos, os governadores Rui Costa (atual ministro-chefe da Casa Civil) e Jerônimo Rodrigues, ambos do PT, pagaram R$ 301 milhões à empresa Leiaute Comunicação e Propaganda, de propriedade de Sidônio Palmeira, a título de publicidade institucional do governo da Bahia.

Em alguns casos, o Ministério Público da Bahia suspeitou de fraude e ajuizou ação civil contra a empresa de Sidônio Palmeira. Sobreveio acordo e a empresa do agora ministro de Lula pagou multa de R$ 306 mil, uma composição para o processo não prosseguir.

Este tipo de acordo é legal, comum em casos tais. É uma forma consensual para evitar a persecução penal.

“O acordo foi homologado pela 8ª Vara da Fazenda Pública de Salvador em decisão proferida em outubro de 2023. Com isso, a acusação foi encerrada.” (UOL, 09/01/2025).

Em 2024, outra empresa de Sidônio Palmeira – Nordx Estratégia e Criatividade – trabalhou para o PT e recebeu R$ 2,2 milhões a título de serviços prestados.

Em 2022, a campanha presidencial de Lula da Silva pagou para Sidônio Palmeira R$ 37,9 milhões, a título de marketing e propaganda. A Nordex participou da coordenação da dita campanha lulista naquele ano.   

A Rádio Metrópole, de Salvador, que vire e mexe recebe Lula da Silva para entrevista, é de propriedade de Chico Kértesz, sócio de Sidônio Pereira, ministro de Lula. Quem costuma entrevistar o presidente é Mário Kértesz, ex-prefeito de Salvador e pai de Chico Kértesz, dono da Metrópole.

O presidente Lula da Silva em entrevista à Rádio Metrópole/Crédito: Ricardo Stuckert/Presidência da República

Sidônio Palmeira estudou engenharia e foi líder estudantil na Universidade Federal da Bahia (UFBA) entre 1981 e 1982 e marqueteiro das campanhas de Jaques Wanger em 2006 e 2010, também das campanhas de Rui Costa de 2014 e 2018 e, subsequentemente, marqueteiro da campanha presidencial de Lula da Silva em 2022.  

Agora, Lula da Silva o encastela no Palácio do Planalto.

Como se vê, no reinado do PT, nada de novo.

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Lembrança e olhos cheios de ausência  

“Toda saudade é uma espécie de velhice. É por isso que os olhos dos velhos vão se enchendo de ausências” (Rubem Alves, psicanalista e educador, 1933-2014).

Maria do Socorro Menezes Ribeiro em foto de 2013/Álbum da família

Início da noite, quando o burburinho do ambiente profissional já se havia dissipado, um amigo pondera, entre confuso e reflexivo: Deve haver explicação para os tropeços, saudades e sofrimentos que enfrentamos na vida.

Para não deixá-lo desapontado, concordei, embora sem nenhum condição de concordar ou discordar. Deve haver, sim. Mas são explicações que não conseguimos explicar.

Às vezes no decorrer da caminhada falta coragem e sobra medo de enfrentar os tropeços, encarar os sofrimentos e as saudades.

É por isto que vamos deixando vácuos pelo caminho, lacunas não preenchidas, dúvidas, reticências, arrependimentos, saudades, arrogâncias.

Cora Coralina (1889-1985) foi além: “Devia ter tido a coragem que me faltou e não devia ter tido o medo que me sobrou”.

Chega o outono inevitável, o período da maturidade, o tempo de grisalhar, de refletir e a expectativa da finitude.  

Até os sonhos às vezes fracassam e caem, à semelhança das folhas e se esvoaçam em direção à distância.

Lembro Maria do Socorro Menezes Ribeiro (1937-2024). Devo-lhe gratidão pela amizade e acolhimento numa quadra do tempo. Madrinha de minha primeira filha. Lembro o dia do batismo numa igreja de Rodelas, diocese de Paulo Afonso.

Saudade. “Olhos se enchendo de ausência”.

Tempo de descer ao pé da escada para refletir, sem perder a coragem de elevar a humildade ao último degrau, pedir desculpas, chorar.

E sorrir, se puder, ao cutucar das lembranças.

araujo-costa@uol.com.br