Geraldo Menezes e a paixão pela música

Nascido Geraldo José de Menezes, hoje é mais conhecido pelo sugestivo nome de Geraldo Paixão, de Chorrochó.

Geraldo Paixão/Arquivo da família

Creio que adotou Paixão para firmar-se no meio artístico e, sobretudo, no que mais gosta de fazer: compor e cantar.

A mãe Maria Menezes (Pina) e o pai Francisco Arnóbio de Menezes, ambos de família tradicional de Chorrochó, deixaram prole numerosa e decente sustentada nas tradições locais.

A família de Pina e Arnóbio cresceu e hoje está ornamentada com descendência bem estruturada, alguns já famosos e, sobretudo, carrega sabedoria, honra e resepeito ao nome familiar.   

Jovem ainda, Geraldo Menezes optou pela arte. Canta e compõe canções desde a juventude.

Não consigo esquecê-lo na juventude em Chorrochó, década de 1970, jovem bonito e elegante de cabelos longos, sonhador e inteligente, cantando sucessos no então famoso Bar Potiguar, que iam de Quem mandou você errar, de Claudia Barroso a Detalhes, de Roberto Carlos.  

Geraldo andou por São Paulo, viveu no meio artístico e por lá vislumbrou a carreira de cantor, sem contudo abdicar de suas raízes interioranas chorrochoenses e, mais do que isto, nunca se tenha esmorecido quando enfrentou os tropeços naturais tão comuns na vida de artista. 

Tempos difíceis, que acompanhei na condição de amigo e admirador de Geraldo Menezes.

As noites insones, a procura de gravadora que lhe desse oportunidade, a possibilidade consequente de um contrato, a concorrência com cantores famosos, o mundo desconhecido e cruel dos shows, empresários, programas de televisão e a janela em direção ao sucesso tão sonhado e sempre distante e difícil.

Perseverante e persistente, Geraldo Paixão sempre trouxe consigo a força em defesa do que luta e acredita: compor, cantar, viver e sonhar.

Não parece inoportuno lembrar que o pai Francisco Arnóbio de Menezes e o tio Vivaldo Cardoso de Menezes eram músicos, embora não se dedicassem a este mister, por força da profissão que exerciam.

Profissionais de sucesso, em suas respectivas áreas de atuação, Arnóbio e Vivaldo herdaram dos antepassados esse pendor pela arte, mormente pela música instrumental.  

Recordo-me, com saudade, Arnóbio declamando e cantando músicas de Vicente Celestino com tal perfeição que O ébrio parecia mais uma invenção sua do que do verdadeiro intérprete.     

A título de exemplo, lembro que a história registra que Francisco Arnóbio Cardoso Varjão, que fazia parte da raiz familiar de Francisco Arnóbio de Menezes, era maestro e poeta. 

Há alguns anos – vai longe no tempo – estive em Chorrochó por ocasião da festa do padroeiro Senhor do Bonfim. Encontrei Geraldo Paixão numa daquelas barracas expostas na praça em frente à igreja.

Geraldo me presenteou com um CD e, mais do que isto, o autografou.  Guardo-o até hoje, com carinho e consideração. Lá está “A raposa e as uvas”, de Reginaldo Rossi, um de seus cantores preferidos.

Relapso, não costumo fazer contato regular com amigos, o que não exclui minha consideração.

Com o intuito de publicar esta matéria, à época fiz contato com Geraldo Paixão. Queria uma fotografia do nosso tempo de jovens, em Chorrochó, ele de cabelos longos, próprio da juventude rebelde da época.

Modesto e educado, Geraldo disse que não tinha fotos daquela época. Sei que ele tem, mas se preservou, evitou a lembrança de um tempo que não se pode mais explicar ao frio e conturbado mundo de hoje.

Estas são lembranças que a memória traz em meio aos tropeços do dia a dia. Chegamos à idade septuagenária. Eu, um pouco à frente de Geraldo, trôpego em direção à continuidade do tempo. Ele nascido em fevereiro de 1955. 

Com a idade chegam as lembranças e a certeza da finitude do caminho. Mas, como diz o dominicano Frei Betto: “É preciso guardar o pessimismo para dias melhores”.

Hoje faço este registro em nome da amizade e da incerteza da vida.

Em tempo:

Publicada pela primeira vez em 18/12/2021, esta crônica foi editada.

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Política, crítica e satisfação aos leitores

“Do rio que tudo arrasta se diz violento, mas não se dizem violentas as margens que o oprimem.” (Bertolt Brecht, dramaturgo alemão, 1898-1956).

De quando em vez sou questionado por leitores deste blog – poucos, felizmente – em razão de minhas críticas a ações de governos de esquerda o que, segundo esses leitores, significa viés político.

Não é. Confesso. Não há viés político.

Entendo que para apontar erros na gestão pública, qualquer que seja ela e fazer críticas a ações governamentais, o cidadão não precisa escudar-se num ou noutro lado político, de esquerda, direita, de centro ou qualquer outro.  

Fazer oposição é uma coisa, criticar erros é outra, completamente diferente.

O crítico não precisa ter neutralidade, necessariamente, mas deve amparar-se no dever de dizer a verdade e penitenciar-se diante das incompreensões.

Neste particular, esclareço. Não sou filiado a nenhum partido político e tenho votado de acordo com os ditames de minha consciência, de modo que faço comentários tão-somente sobre aquilo que os governantes, que têm o dever de fazer as coisas certas, geralmente não as fazem, consoante meu ponto de vista.  

Convenhamos, gestões públicas capengas e titubeantes não são problemas deste escrevinhador, tampouco dos leitores.

Contudo, tenho dificuldade de entender pessoas que apóiam este ou aquele líder político municipal, estadual ou federal e descambam para o fanatismo, abandonam o bom senso e desprezam a sensatez.

A cegueira ideológica que impede a argumentação sadia diminui o crítico, lhe tolhe a razão, apequena-o diante da sociedade.

O fato é que, na condição de cidadão – e considerando o plano federal – não consigo me calar diante de um Executivo negligente, um Legislativo inoperante e um Judiciário opressor.

O pensamento de Bertolt Brecht por si só é explicativo. Reclamar das críticas pressupõe entender a razão delas.

Neste sentido, não se afigura estranha a conhecida e lapidar frase do crítico Léo Gilson Ribeiro: “Quem luta para não ser oprimido pode se tornar opressor”.

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Briga interna no PT dificulta governo de Lula da Silva

Senador Jaques Wagner (PT-BA). Crédito: Senado Federal

“A tesouraria do PT é tida como o grande pano de fundo da crise que tomou a eleição interna. É ali que se faz a gestão do fundo eleitoral e do fundo partidário. O que confere ao ocupante da vaga um enorme poder de influenciar a gestão da sigla” (CNN Brasil, 11/03/2025).

Noutras palavras, é a Secretaria de Finanças do partido que está sendo disputada internamente no PT, rachou as correntes do partido e vem dificultando o governo do morubixaba Lula da Silva.

Ou seja, todos querem a cobiçada função de Tesoureiro. Na Tesouraria foram forjadas – ou passaram por lá – partes dos grandes escândalos financeiros dos governos petistas que desaguaram na finada operação Lava Jato.

Agora, Lula engendrou a coisa que acha certa.

Lula colocou a espevitada Gleisi Hoffmann (PT-PR), ex-presidente do partido, na Secretaria das Relações Institucionais, para articular com o Congresso Nacional e, para ficar tudo em casa, manteve o namorado de Gleisi e também deputado Linbdberg Farias (PT-RJ) na liderança do PT na Câmara dos Deputados.

Como se vê, dois radicais incompatíveis com a civilidade política, que apóiam abertamente ditaduras e, não obstante, se dizem democratas.

Experiente, Lula da Silva vê a coisa mais longe, muito distante. A caminho dos 80 anos, muito inteligente, visivelmente fragilizado pela idade e alguns problemas de saúde, já está preparando a estrutura de seu conturbado espólio político na eventualidade de não poder levar adiante.  

Lula quer Edinho Silva, ex-ministro petista e ex-prefeito do município paulista de Araraquara, na presidência nacional do partido.

Vai entronizá-lo, certamente. Ninguém no PT contraria Lula. E neste particular, Lula está certo. Edinho Silva destoa desse radicalismo partidário que Gleisi Hoffmann e outras figuras do PT abraçaram.

Em época de queda de popularidade de Lula e do governo, não parece razoável que Gleisi Hoffmann e Lindberg Farias sejam as pessoas ideais para cuidarem da articulação e das costuras entre o Palácio do Planalto e o Congresso Nacional.

Obscurantismo empaca o governo e ninguém quer isto para o Brasil.

Para piorar, Lula da Silva mantém, salvo engano, o excêntrico Randolfe Rodrigues (PT-AP) como líder do governo no Congresso Nacional. O senador do Amapá é o avesso da razoabilidade política.

Todavia, nem tudo está perdido. O senador Jaques Wagner – se não mudar – deverá continuar líder do governo no Senado Federal. Experiente e equilibrado, é o único senador da Bahia que tem condições de exercer, com êxito, essa função.

A verbosa Bahia de Ruy Barbosa se transformou na capitania hereditária do Partido dos Trabalhadores (PT) e está dando as cartas no governo federal através do ex-governador e ministro da Casa Civil, Rui Costa e do senador Jaques Wagner.

A Bahia, ademais, vai mal de senadores. De adesista de primeira hora do carlismo, homem de confiança de Antonio Carlos Magalhães, Otto Alencar (PSD) passou a ser espalhafatoso lulista desde criancinha.

Ângelo Coronel (PSD) não vem demonstrando sabedoria política à altura do cargo, a julgar pelo noticiário.

Sobra Jaques Wagner que, bem ou mal, tem cara de senador, pinta de senador e é senador. Mais do que isto: é atuante.

Entretanto, o que vale é a soberania popular e, neste sentido, a voz das urnas escolheu esses senhores para representarem o estado da Bahia, nos termos da Constituição da República.  

Vamos aturá-los.

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O repórter e a reportagem

O jornalista Sebastião Nery, baiano de Jaguaquara, trabalhava no jornal A Tarde, de Salvador.

O jornal o mandou entrevistar Parsifal Barroso, governador do Ceará, antes ministro do Trabalho de Juscelino Kubitscheck.  

No Ceará, todos diziam, a começar pelo taxista que levou Sebastião Nery do aeroporto ao palácio do governo, que quem mandava de fato por lá era a mulher de Parsifal e não ele.

Informado de que o jornalista faria uma entrevista com o governador, o taxista foi logo dizendo: “se o senhor me permite um palpite, acho que deve falar também com a esposa dele. Quem manda no Ceará é D. Olga”.  

Sebastião Nery foi lá, ouviu Deus e todo mundo e confirmou: quem mandava no Ceará era D. Olga, mulher do governador.

De volta a Salvador, A Tarde deu a manchete: Quem manda no Ceará é a mulher de Parsifal. E seguiu-se a longa reportagem.

Os cearenses apoiadores e amigos do governador ficaram furiosos. A oposição mandou reproduzir a reportagem no jornal O Povo, vinculado à União Democrática Nacional (UDN), antagonista de Parsifal Barroso.

No dia seguinte à publicação da reportagem, Sebastião Nery recebeu um telegrama de Themístocles de Castro, assessor de imprensa do governo do Ceará:

– Jornalista Sebastião Nery: Venha morrer no Ceará.

Sebastião Nery foi ao telégrafo, respondeu.

– Assessor Themístocles de Castro: Não vou.

Um dia procurei Waldir Pires, ministro da Previdência Social do presidente José Sarney, que estava na TV Cultura de São Paulo, onde concederia uma entrevista.

Depois governador da Bahia, Waldir Pires saiu para compor a chapa na condição de vice de Ulysses Guimarães à presidência da República e passou o governo para Nilo Coelho, de Guanambi, mas esta é outra história.

Waldir Pires não respondeu minhas perguntas, que eram duas, alegando falta de tempo, assoberbado com compromissos, mas passou para sua assessoria, que nunca respondeu.

Assessores incompetentes e formigas existem em todo lugar.

Eu havia conhecido Waldir Pires na antiga Sorveteria Primavera, em Juazeiro, recém-chegado do exílio em Paris. Fui apresentado por Francisco Arnóbio de Menezes, de Chorrochó, amigo de Waldir.

Muito sociável, bate-papo convidativo e interessante, Arnóbio fez um salamaleque, elogiou Waldir e coisa e tal e ficamos por alí bebendo e conversando.

A simplicidade de Waldir era impressionante. Memória prodigiosa, democrata convicto, sorriso meigo e sincero, muito atencioso, puxava conversa, queria saber das coisas, engrandecia o ambiente.

Darcy Ribeiro dizia que Waldir Pires tinha cara e pinta de estadista. Ambos eram amigos.

Confesso minha frustração porque não consegui obter as respostas de Waldir. Inexperiente, eu ainda não sabia lidar com os meandros do poder, suas dificuldades e contornos.  Se experiente fosse, teria dado um jeito de colher as respostas.

Eu não tinha – e não tenho – a experiência do gigante Sebastião Nery, que fazia de qualquer momento uma monumental reportagem.

Em tempo:

A entrevista com Parsifal Barroso é contada por Sebastião Nery, in A Nuvemo que ficou do que passou, Geração Editorial, São Paulo, 2009.

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Curaçá perde José Omara Lopes da Silva

À esquerda, José Omara Lopes da Silva e o filho Júlio César, em foto de 2014/Reprodução do ferfil no facebook

Não me lembro a data, assim, de improviso.

Passei a ficar atento e acompanhar o pensamento do curaçaense José Omara quando, ao discordar de um dos meus textos sobre o cenário político nacional, ele o fez com educação, decência, sobriedade, afabilidade e lhaneza.

Presumo que ele não quis melindrar este insignificante autor do texto e, se este foi seu intento, conseguiu: além de não melindrar, incluí-me entre seus admiradores.   

Não o conheci, pessoalmente. Atesto, acanhado, esta lacuna em meu viver na condição de filho de Curaçá, embora as redes sociais me tenham permitido fazer alguns sucintos e ligeiros contatos com ele. Insuficientes, entretanto, para aquilatar sua grandeza de extraordinária figura humana.

O que sei de José Omara – e sei pouco – é que vivia rodeado de amigos e todos queriam estar com ele.

Alegre, espirituoso, querido e, sobretudo, decente, além de eficiente profissional em sua área de atuação.

José Omara mantinha uma espécie de confraria que cultivava amizades e afastava as intempéries do dia a dia.

Somente a grandeza e seriedade das amizades são capazes de tornar a sociedade possível, diante de tantas atrocidades, egoísmos, degenerescências e incompreensões.

Omara tinha como sustentáculos os valores da família Lopes, conhecida por representar dignidade e respeito no município de Curaçá.

Atrevo-me e me arisco a dizer que ainda tenho alguns amigos na conspícua e digna família Lopes, em Curaçá.

São amigos que perduraram, inobstante a passagem inevitável do tempo e essas longas cinco décadas que me mudei de lá.  

Destacou-se na condição de militante da esquerda política sustentada no bom senso e no equilíbrio. Também professor, exercia função de relevo na Prefeitura de Curaçá.

Em abril próximo, salvo engano, Omara completaria 57 anos.

A fatalidade o afastou de parentes, amigos e de todos que o admirávamos e continuamos admirando, in memoriam.

Deixo pêsames à família.

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Hipocrisia e rabo de palha.

“Nada há encoberto que não venha a ser revelado; e oculto que não venha a ser conhecido” (Lucas, capítulo 12, versículo 2)

Deputado federal André Janones (MG). Crédito: Gilmar Félix/Câmara dos Deputados

Este é o mesmo deputado que frequentava exaustivamente às redes sociais para falar de honestidade. E o mesmo que, em primeira hora, apoiou e participou da campanha presidencial de Lula da Silva condenando as rachadinhas (que ele praticava).

Arrogante e autoritário, parecia defensor da verdade mas, pelo jeito, Sua Excelência tem mesmo é avantajada cara de pau.

“O deputado federal André Janones (Avante-MG) fechou um acordo com a Procuradoria-Geral da República (PGR) e se comprometeu a devolver R$ 131,5 mil para encerrar a investigação sobre as suspeitas rachadinha em seu gabinete.

O Acordo de Não Persecução Penal (ANPP) prevê que o valor será destinado à Câmara dos Deputados. Janones também vai pagar uma multa de R$ 26,3 mil, correspondente a 20% do prejuízo que causou ao erário” (Band Jornalismo, 06/03/2025).

Este caso foi parar no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados, mas o relator Guilherme Boulos – tinha que ser ele – votou pelo arquivamento do processo e livrou André Janones da cassação do mandato.

Com o rabo de palha desse tamanho, certamente o deputado Janones evitava passar perto do fogo.

Mas a falcatrua foi descoberta, a Polícia Federal investigou, levou o caso à Procuradoria Geral da República e ele acabou se queimando.

Ao deputado mineiro, sobram-lhe hipocrisia e rabo de palha.

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Os devaneios de Lula da Silva

Não se sabe se em razão da saúde fragilizada ou, consequentemente, de cansaço, o presidente Lula da Silva já vinha demonstrando sinais de que enfrentava alguns tropeços políticos.

Lula indicou o espalhafatoso senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), para  líder do governo no Senado Federal, uma tragédia.

Randolfe Rodrigues é líder que não sabe liderar, não sabe conversar, não sabe costurar medidas decentes que o governo precisa. Sua especialidade é gritar em seus discursos sem importância, radicalizar, afastar-se do debate político civilizado, espezinhar adversários políticos que ele os transformou em inimigos.

É tudo que a democracia não comporta, não agasalha, não acolhe, não aprova.

Randolfe Rodrigues é o avesso da política sadia, civilizada, decente.

Agora, Lula da Silva segue criando mais alguns tropeços. Convidou a deputada Gleisi Hoffmann (PT-PR), ainda presidente nacional do partido, para assumir o Ministério das Relações Institucionais que cuida, basicamente, das relações do governo com o Congresso Nacional.

Para ficar tudo em casa, mantém como líder do PT na Câmaras, o deputado fluminense Lindberg Farias.

Gleisi e Lindberg são dois radicais incompatíveis com a civilidade política.

Isto pode dar certo num governo em que a popularidade do presidente anda cambaleando? 

Aliás, à exceção de Lula da Silva, o PT não tem líderes nacionais. Tem vassalos, bajuladores, deslumbrados e interesseiros ávidos para achar um encosto nos cofres públicos.  

Para piorar, há um zum-zum-zum (e espera-se que não se confirme) que Lula da Silva vai entronizar o invasor de propriedade Guilherme Boulos na Secretaria Geral da Presidência da República, que cuida, dentre outras atribuições,  dos movimentos sociais. Tudo que Boulos quer, palanque para vomitar suas intragáveis esquisitices e excentricidades.

Nas eleições municipais de 2024, a população da capital de São Paulo o rejeitou nas urnas, enterrando, sabiamente, o intento do estrambótico deputado do PSOL de ser prefeito da capital dos paulistas.

Como se vê, São Paulo ainda tem juízo.  

A Secretaria Geral da Presidência atualmente é comandada pelo ministro Márcio Macedo, amigo de Lula da Silva, o mesmo que levou assessores a tiracolo, pagos com dinheiro público, para se deleitarem no Pre-Caju de 2024, famosa prévia carnavalesca que acontece anualmente em  Sergipe.

O escândalo foi parar no Tribunal de Contas da União.

O fato é que Márcio Macedo continua no Palácio do Planalto até hoje, ao lado do presidente.

É bom ser amigo do rei.

Quem entende de Lula diz que ele está perdido e isolado politicamente.

Acho que não. Ele sempre esteve envolto em devaneios.

Lula é um carrapato do poder. Agarra-se a ele cada vez mais e com os meios que ele entende disponíveis.

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Dom José Rodrigues, lembrar para refletir

D.José Rodrigues de Souza, da Congregação do Santíssimo Redentor/Crédito: Arquivo Padre José Bertanha, C.Ss.R

Corria o ano de 1975. D.José Rodrigues de Souza, da Congregação do Santíssimo Redentor, tomou posse em 16 de fevereiro na Diocese de Juazeiro. O Papa Paulo VI o nomeou bispo de Juazeiro em 12/12/1974 na condição de sucessor de D. Tomás Guilherme Murphy, estadunidense e primeiro bispo diocesano.

Nascido em Paraíba do Sul (RJ) em 25.03.1926, o redentorista D. José Rodrigues viria a ser, com afinco e tenacidade, o defensor dos excluídos, mormente das populações atingidas pela Barragem de Sobradinho, realidade que encontrou em ebulição e lutou para mudar as condições de vida daquela gente.

Deu amparo, diuturnamente, às populações sanfranciscanas agasalhadas pela Diocese, em seus momentos mais difíceis, inclusive em programas semanais na Rádio Juazeiro e Emissora Rural, da vizinha e próspera Petrolina.

A propósito, o jornalista Siegried Pater publicou na Alemanha o livro intitulado “O Bispo dos Excluídos: Dom José Rodrigues”.

Embora fluminense, D. José Rodrigues construiu toda sua formação religiosa em São Paulo, a partir do ingresso, em 10.08.1938, no Seminário Redentorista Santo Afonso, de Aparecida. Cursou Filosofia e Teologia no Seminário Santa Terezinha, em Tietê (SP). O noviciado foi feito em Pindamonhangaba, também em São Paulo.

Ordenado sacerdote em 27.12.1950, celebrou sua primeira missa em 07.01.1951 e foi sagrado bispo em 09.02.1975

Em 1969 já havia feito especialização em Catequese e Pastoral, em Bruxelas, Bélgica. Foi professor em Aparecida e integrou as Santas Missões Populares em diversos estados, dentre eles Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul.

Sua renúncia ao governo da Diocese de Juazeiro, aceita pelo Papa João Paulo II, deu-se em junho de 2003, em obediência às regras da Santa Sé e considerada a idade prevista nas leis canônicas.

Passou a viver em Trindade, Goiás, na condição de bispo emérito de Juazeiro. Na década de 1970, havia sido Superior Vice-Provincial de Brasília, depois Província de Goiás.

Faleceu em 09/09/2012 aos 86 anos.

Independentemente dos títulos que possuía, a vasta cultura e conhecimento profundo da Língua Portuguesa, D. José Rodrigues era humilde e exemplo de urbanidade.

Conheci-o  em Curaçá, encantador município baiano debruçado à margem do Rio São Francisco. Já morando em São Paulo, tive com ele diversos contatos.

Participei, em 1975,  do Cursilho de Cristandade da Diocese de Juazeiro por ele presidido. Impossível não admirá-lo.

Guardo com carinho em meus alfarrábios uma frase que ele escreveu à mão e me passou numa agradável ocasião: “A palavra de Deus é semente. Que ela encontre, sempre, um bom terreno em seu coração”.

Lembrar do redentorista D. José Rodrigues é encontrar momentos para refletir sobre sua dedicação à Igreja e à causa dos mais humildes, que nunca os abandonou e, sobretudo, lembrar da intensidade da fé que professava.    

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Chorrochó: Quando persiste a estrutura moral dos antepassados

Secretário João Eloy de Menezes/Crédito: Secretaria Estadual de Segurança Pública de Sergipe

João Eloy de Menezes está a caminho dos 62 anos.

Nascido em Chorrochó, município do semiárido baiano, radicou-se no estado de Sergipe, sem, contudo, abandonar suas robustas raízes fincadas no município.

Graduado em Direito na Universidade Tiradentes, João Eloy de Menezes estruturou toda sua vida profissional na área da Segurança Pública. Exerceu respeitáveis funções na Polícia Civil de Sergipe, tais sejam: delegado, superintendente e diretor de segurança do Tribunal de Justiça, dentre outras titularidades.

Contudo, aqui não me refiro aos méritos de Sua Excelência, sobejamente conhecidos, mormente na Região Nordeste e, mais do que isto, respeitado nacionalmente em sua área de atuação. 

Ocupo-me tão somente em registrar sua sadia estrutura moral e sua irrepreensibilidade de caráter.

Seu esteio familiar provém de cepa fundamentada em valores sustentados em caráter irrepreensível e no respeito aos valores tradicionais da sociedade sertaneja.   

Um lado da ascendência de João Eloy de Menezes esteia-se em Maria Argentina de Menezes e Eloy Pacheco de Menezes. O outro sustenta-se em Bernardina de Menezes Mattos (Nanzinha) e João de Mattos Cardoso.

A mãe Maria Menezes (Pina) e o pai Francisco Arnóbio de Menezes sustentaram a educação familiar com afinco e respeitabilidade.

Como se vê – e a História do município de Chorrochó registra de maneira indubitável – esses troncos familiares deixaram, para as gerações que se seguiram, exemplos de decência e urbanidade, além da melhor escola de respeito, seriedade e formação de caráter.

É a lição indestrutível dos antepassados que enriqueceu a vida de João Eloy de Menezes.   

Ingressou na Universidade em 1987 e se formou em 1992. No ano seguinte, participou e foi aprovado em concurso para delegado de Polícia Civil de Sergipe.

Assumiu o cargo em abril de 1994, depois de passar pela Academia de Polícia de Belo Horizonte (MG) em curso preparatório para o exercício da função.

Antes João Eloy havia feito estágio no Ministério Público e foi líder estudantil na universidade, onde participou do Diretório Central dos Estudantes da Universidade Tiradentes.

João Eloy de Menezes é o atual secretário de Segurança Pública do estado de Sergipe, função que já exerceu noutras ocasiões nos governos de Marcelo Déda e Jackson Barreto, além de, antes, haver substituído o secretário de segurança de então no governo de João Alves.

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A morte do centenário José Cícero dos Santos

José Cícero dos Santos (1925-2025). Arquivo da família

De vez em quanto é preciso uma pausa na correria da vida, consultar o tempo, rever as lembranças e parar para reflexão.

É preciso, às vezes, cutucar o tempo, ir buscar as recordações, as boas recordações para flexibilizar nossas arrogâncias neste caminhar difícil rumo ao desconhecido.

A família noticiou o falecimento de José Cícero dos Santos em 26/02/2025. Havia completado 100 anos em 17/01/2025.

Em 18/01/2025, a família se alegrou e fez festa de aniversário, comemorou a vida, os anos vividos, a convivência sadia do aniversariante entre familiares e amigos.

A festa reuniu gente da sede de Chorrochó, São José, Caraíbas de Oscar, Patamuté e fazendas das circunvizinhanças.

Parentes e amigos se fizeram presentes na Fazenda Poço do Xique-Xique, na caatinga de Chorrochó, seu refúgio de sempre.  

Ele perdeu algumas pessoas da família, mas vinha resistindo até completar seu centenário de vida digna e decente.

Teve muitas perdas. Em datas mais recentes, perdeu os irmãos Eliseu e Júlio, a sobrinha Janete, muito querida e admirada por todos nós e, recentemente, perdeu o filho Ariovaldo.

A morte traz angústia, vazio, solidão, desamparo, mas também a resignação.

Neste 26 de fevereiro de 2025 José Cícero dos Santos se foi para a eternidade.

Zé de Cícero, como chamávamos, faz parte do lembrar de minha infância, de minhas andanças por aquelas caatingas, fez parte da convivência sertaneja e da boa vizinhança.

Que Jesus Cristo lhe indique o caminho e Deus o ampare.

Pêsames a todos da família.

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