Chorrochó, 67 anos: quando a utopia esmorece

Neste 12 de setembro, o município baiano de Chorrochó comemora 67 anos de emancipação política.

Vejo nas redes sociais votos de parabéns ao aniversariante, inclusive do prefeito, que diz: “Cidade do progresso e do desenvolvimento”.  

Tive dúvida quanto à afirmação do prefeito. Continuo tendo.  

Já escrevi muito e alhures sobre Chorrochó e reivindiquei algumas demandas que sequer foram apreciadas, o que atribuo a indiferença à minha insignificância.

Uma delas era uma biblioteca pública municipal para servir de sustentáculo cultural aos jovens de hoje e do futuro e à sociedade chorrochoense, como um todo.

Ousei até, inocentemente, sugerir o nome: Biblioteca Municipal Professora Marieta Argentina de Menezes, em homenagem àquela que foi um esteio do ensino e da cultura de Chorrochó.

Debalde. Ninguém me ouviu, ninguém deu importância, embora a reivindicação não fosse, em nada, em meu benefício, mas para lastrear a cultura do município.

Santa ignorância esta minha. Para as autoridades municipais, cultura em Chorrochó teve ou tem importância?

De outra feita, sugeri que a Rua Coronel João Sá, por decisão da Câmara Municipal, mudasse o nome para Rua Dorotheu Pacheco de Menezes. Idiotice, ninguém deu importância.

Minha ignorância nunca me clareou no sentido de entender porque o coronel João Sá, lá das bandas de Jeremoabo, político e poderoso latifundiário, foi mais importante para a história de Chorrochó do que Dorotheu Pacheco de Menezes.

A Câmara Municipal de Chorrochó tem um histórico de apatia e ociosidade, não obstante alguns presidentes dinâmicos que dirigiram a edilidade, a exemplo de Pascoal Almeida Lima Tercius (Tércio de Fafá), que considero um jovem abalizado para a construção do futuro de Chorrochó.

Tirante alguns interregnos louváveis, a Câmara de Chorrochó mais se destacou como anuente de decisões e atos do Poder Executivo Municipal.

Todavia – e apesar de tudo isto – continuo esperançoso quando ao futuro de Chorrochó.

Esperança é como água no leite. Sempre há.

Mas a utopia tem o seu momento de esmorecer. Beirando a idade septuagenária, os sonhos vão-se esvaindo paulatinamente, de modo que não tenho mais expectativa de ver Chorrochó tal como o prefeito vê hoje: “cidade do progresso e do desenvolvimento”.

De qualquer modo, como já escrevi muito sobre este meu querido município de Chorrochó, hoje sou econômico nas palavras, até para contribuir com aqueles leitores que acham meus textos jurassicamente longos.

O escritor e jornalista francês Georges Bernanos (1888-1948) dizia que “a única diferença entre um otimista e um pessimista é que o primeiro é um imbecil feliz e o segundo é um imbecil triste”.

Quanto ao futuro de Chorrochó, apesar do prefeito achar que é a “cidade do progresso e do desenvolvimento”, acho que sou um imbecil triste.

Não consigo vislumbrar o progresso, nem o desenvolvimento de Chorrochó, talvez por me faltar inteligência.

Deixo aqui a homenagem àqueles que, dentre outros, contribuíram ou contribuem para que Chorrochó ainda continue em pé:

Eloy Pacheco de Menezes, Aureliano da Costa Andrade, Dorotheu Pacheco de Menezes, José Calazans Bezerra (Josiel), Antonio Pires de Menezes (Dodô), Pascoal de Almeida Lima, Sebastião Pereira da Silva (Baião), José Juvenal de Araújo, João Bosco Francisco do Nascimento, Paulo de Tarço Barbosa da Silva (Paulo de Baião), Rita de Cássia Campos Souza e, por último, Humberto Gomes Ramos, que acha que colocou Chorrochó na trilha do progresso e do desenvolvimento.

Que Deus acorde o prefeito de seu sono profundo e torne seu sonho realidade. Todos torcemos pelo prefeito e pelo êxito de sua administração.

Por último, deixo meus votos de feliz aniversário também para a professora Maria do Socorro Menezes Ribeiro, ilustre aniversariante, filha de Dorotheu Pacheco de Menezes, baluarte da luta pela emancipação de Chorrochó.

Socorro vive permanentemente no altar de minha admiração.

Parabéns Chorrochó.

araujo-costa@uol.com.br

A esquerda que Bolsonaro gosta

“Não há esperança de sobrevivência humana sem homens dispostos a dizer o que acontece” (Hannah Arendt, filósofa alemã, 1906-1975)

Para o PT e a esquerda em geral não dizerem que o presidente Bolsonaro não fala de flores, está aí uma situação que nem Freud explica.

Até os admiradores do paraibano Geraldo Vandré devem estar confusos, mesmo caminhando, cantando e seguindo a razão.

Um dos cargos mais importantes na estrutura burocrática do Estado brasileiro é o de Corregedor da Receita Federal.

Se o Brasil fosse um país sério – e todos sabemos que não é – esse cargo  deveria ser imune a quaisquer ingerências de políticos ou de partidos políticos. Deveria manter-se à distância de influências nem sempre sadias, nem sempre bem intencionadas.

Entretanto, dá-se o contrário.

O senador fluminense Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ), filho do presidente da República, que a esquerda detesta, indicou e quer emplacar no cargo de Corregedor da Receita Federal o auditor Dagoberto Lemos.

Dagoberto Lemos é de esquerda e beneficiado com a “bolsa ditadura” desde julho de 2012, na condição de anistiado político (Lei 10.559/2012), que a direita tanto critica até hoje.

Mais: o preferido do ultradireitista senador Flávio Bolsonaro é simpatizante petista e, como tal, integrante da chamada esquerda barulhenta e perseguida pela ditadura militar (1964-1985).  

Se a moda pega – e o presidente Bolsonaro começar a nomear pessoas da esquerda para o governo – alguns petistas vão gostar e acabar fazendo campanha para a reeleição de Bolsonaro, o que não será nenhuma surpresa, já que petistas adoram poder, cargos e dinheiro público como, aliás, todos os políticos.

Parece até recorte de imprensa sensacionalista, mas não é. É tão-somente o resultado de nossa política de embromação, sem princípios, sem ideais, sem pudor.

À primeira vista, parece mesmo coisa de “imprensa marronzista”, como diria o corrupto e demagogo prefeito Odorico Paraguaçu, de Sucupira.

Com essa indicação, Bolsonaro pode ter achado o caminho para ensaiar um namorico com a esquerda ou parte dela. Em tempos estranhos, não se pode duvidar de nada.

A esquerda não gosta de dinheiro público, desde que desague no bolso dos outros. No bolso dela é outra coisa.

Essas são contradições laboradas nos bastidores do poder e longe daqueles que, ingenuamente, vão para as ruas gritar em defesa de seus políticos de adoração, sejam eles de direita, de esquerda ou de qualquer posição no universo político.

O Brasil precisa de mais escolas, de mais professores. Só assim será possível agigantar nossa consciência política.

araujo-costa@uol.com.br

A outra face da ditadura

“Um dia vieram e levaram meu vizinho que era judeu.
Como não sou judeu, não me incomodei.
No dia seguinte, vieram e levaram
meu outro vizinho que era comunista.
Como não sou comunista, não me incomodei.
No terceiro dia vieram
e levaram meu vizinho católico.
Como não sou católico, não me incomodei.
No quarto dia, vieram e me levaram.
Já não havia mais ninguém para reclamar.”

(Martin Niemoller, pastor luterano alemão e antinazista, 1892-1984)

As ditaduras se apresentam de muitas formas, quer ostentando tanques e armas de guerra, quer ostentando canetas. Todas são temerárias.

No Brasil de hoje, o que menos preocupa é o destempero verbal e o extremismo inoportuno do presidente da República.  “Cachorro que late não morde”, diz o ditado.

Os golpes ditatoriais não são precedidos de avisos. Quem quer instalar golpe não avisa antes. Isto é elementar. É ingenuidade pensar de modo diverso.  

Os golpes militares são engendrados estrategicamente, em silêncio, sem estardalhaço, com serviços eficientes de inteligência e vigilância de setores da sociedade.

Ou não será golpe. Assim foi em 1964.

O que deve preocupar a população em geral é a ditadura do Poder Judiciário, que está a todo vapor e a sociedade não percebe. Pior: sob o argumento de que está agindo em defesa da democracia.

Democracia não se exerce com prisões arbitrárias, tampouco com a disseminação do medo e da insegurança jurídica e, menos, ainda, rasgando páginas da Constituição Federal.

Parece que o Supremo Tribunal Federal está abdicando de sua condição de Corte Constitucional para assumir o protagonismo de juiz criminal de primeira instância.

O STF tem expedido mandados de prisão contra deputado federal, presidente nacional de partido político, jornalistas, blogueiros e cidadãos comuns, até contra caminhoneiros e ameaçando fazê-lo em desfavor de inofensivos cantores da Jovem Guarda, a exemplo de Eduardo Araújo e Sérgio Reis que, inocentemente, andaram falando um bocado de asneiras.

Não precisa ser inteligente para saber que os cantores Eduardo Araújo e Sérgio Reis não têm índole de terroristas. Mas o STF acredita que têm.

Quem passou a vida inteira cantando e enaltecendo o amor não vai se transformar de um dia para outro, já na velhice octogenária, num perigoso terrorista e demolidor de instituições.

Em consequência, o que assusta é que esses mandados de prisão, geralmente preventiva, são expedidos ao arrepio da lei, sem o devido processo legal e sem o amplo direito de defesa, de resto assegurado na Constituição, que o Supremo Tribunal Federal diz defendê-la.  

O Supremo Tribunal Federal inventou uma figura que não existe em nenhum ordenamento jurídico, exceto em regimes arbitrários: o flagrante permanente baseado na internet.

Exemplo: um texto escrito há dez anos. Ao ler a matéria hoje e achar-se ofendida, qualquer autoridade pode pedir a prisão do autor, porque, diz o STF, se o texto continua no ar, o flagrante persiste. Um absurdo, uma ilegalidade.

É a caçada contínua a escritores, jornalistas, cronistas em geral, pessoas que lutam com as palavras. É a ameaça permanente de censura prévia, o tolhimento da livre manifestação do pensamento.

Ninguém se assuste se vereadores dos mais afastados rincões do Brasil, prefeitos, deputados estaduais e líderes políticos do interior, mesmo sem mandato, forem surpreendidos com decisões do Supremo Tribunal Federal, com decretos de prisão, por simplesmente terem usado o sagrado direito de expressão para fazer críticas a poderosos.

Ninguém se assuste se o guarda da esquina, em qualquer cidade ou povoado do interior, começar a dar voz de prisão a incautos internautas, porque expressaram suas opiniões em redes sociais. O Supremo Tribunal Federal certamente dará o beneplácito, se não mudar o entendimento.  

O que mais assusta é o silêncio de quem tem o dever de protestar contra o desmoronamento do direito dos cidadãos: de falar, de opinar, de defender, de contestar, de manifestar-se livremente.

Cadê a Associação Brasileira de Imprensa (ABI), cadê os partidos políticos, cadê as entidades que se dizem defensoras dos direitos humanos?

Estão todos silentes, coniventes, extasiados com esse estado de coisas.

Exemplo claro, cristalino e inegável dessa indiferença estarrecedora:

O ex-presidente Lula da Silva foi regularmente processado, teve assegurado seu direito de ampla defesa, foi julgado e, por fim, condenado e preso, após o trâmite em todas as instâncias, como mandam as normas processuais.  

O PT, o lulopetismo e a esquerda em geral alardearam para o Brasil e o  mundo que Lula da Silva foi encarcerado na condição de preso político. Até levaram isto a cortes internacionais. 

Hoje o PT – maior partido de esquerda – o lulopetismo e a esquerda em geral aplaudem – ou, no mínimo, silenciam – quanto às prisões decretadas pelo Supremo Tribunal Federal contra jornalistas, blogueiros, deputado federal, presidente nacional de partido político, mesmo não havendo condenação contra essas pessoas.

Por quê?

Porque as prisões ainda não atingiram pessoas da esquerda, mas estão concentradas em correntes políticas adversárias.

Por aí se vê, que no Brasil não se faz política com seriedade. Os partidos políticos não defendem ideais, mas interesses nem sempre confessáveis.

As ditaduras às vezes se apresentam sorrateiramente, caneta em punho, prendendo, arrebentando consciências, suprimindo direitos, oprimindo e calando a voz de cidadãos que ousam discordar dos poderosos.

A obediência às leis e decisões judiciais é dever de todo cidadão.

Eventuais excessos devem ser evitados e punidos na forma da lei. Mas a subserviência não é virtude, não é dever. É covardia.

Parafraseando Martin Niemoller: quando nos levarem, poderá não haver mais ninguém para reclamar.

araujo-costa@uol.com.br   

Adonai Matos Torres e a história de Patamuté

Adonai Matos Torres e Cleonice Pedroza Torres/álbum de Cleonaide Pedroza Torres

“Aprendi que não há homem meio honesto. Ou são inteiramente honestos ou não o são” (Jânio Quadros, 1917-1992)

Adonai Matos Torres, nascido em 22.08.1925 e falecido em 30.10.2007, seguramente foi o político de maior destaque de Patamuté antes da ascensão de Theodomiro Mendes da Silva.

Entretanto, na época de Theodomiro, que foi prefeito de Curaçá por dois mandatos (1973-1977/1983-1988), surgiram outros homens públicos que também se dedicaram inegavelmente ao distrito. Exemplos, que não são únicos: João Brandão Leite e João Pedro Cunha (Didi). Ambos foram vereadores de Curaçá.

Noutra quadra do tempo, mais tarde, da mesma linhagem familiar de Adonai, outros filhos de Patamuté foram vereadores de Curaçá e o fizeram com brilhantismo e considerável destaque e dedicação ao lugar: José Valberto Matos Leite e Anselmo Vital Matos (legislatura 2000-2004), ambos sobrinhos de Adonai.

O cotidiano de político do interior é sinônimo de presença diuturna na vida das pessoas carentes. Adonai fez isto com maestria. Filho de Otaviano Matos, major da Guarda Nacional, uma honraria instituída pelo Império e neto do coronel Galdino Ferreira Matos (1840-1930), primeiro chefe político de Patamuté, Adonai herdou de seus ascendentes o gosto e a dedicação à causa do povo.

A política partidária foi sua glória e seu fracasso.

Político marcadamente populista, Adonai entendia que o povo é a razão de ser do homem público. Assim, teve seus momentos efêmeros de glória e outros tantos de fracasso, que não ofuscaram sua biografia.

Tinha qualidades inquestionáveis, dentre essas a fidelidade aos amigos e o respeito aos eleitores.

Quando aliado do prefeito José Félix Filho (Zé Borges), talvez nesse período tenha experimentado o auge de sua glória como político e representante de Patamuté.

Seu declínio político deu-se espontaneamente, por não mais acreditar nos homens da terra e em razão de decepções constantes e traições de próprios correligionários.

Homem sincero, Adonai não aceitava falhas de caráter. Nunca transigiu com falcatruas e jamais aceitou vantagens para flexibilizar as posições que defendia.

Irredutível em seus pontos de vista, a tocha que iluminava o seu caminho era a honestidade. Quando os ventos deixaram de lhe ser favoráveis, achou melhor ficar à margem da política, não obstante décadas de presença e atuação na vida de Patamuté.

Casado com D. Cleonice Pedroza Torres, uma elegante e respeitável senhora e esposa exemplar, Adonai constituiu família numerosa. Com ela viveu seus dias de ostracismo político, recolhido aos ditames de sua consciência.

A esposa Cleonice era sua fortaleza e seu esteio. Com ela dividiu os momentos de glória e de angústia.

Exemplo de dedicação aos filhos, mesmo em tempo de dificuldades, deixou-os criados, encaminhados profissionalmente, respeitáveis e moralmente sadios.

Homem de caráter irrepreensível, a atividade política de Adonai não lhe tirou a capacidade de dedicação aos mais humildes, independentemente de cor partidária. Era presença de destaque em tudo que se discutia no distrito de Patamuté.

Em 13.06.1968 foi um dos fundadores da Sociedade 13 de Junho de Patamuté e fez parte de sua primeira Diretoria ao lado de Manoel Brandão Leite, Mário Matos Lopes, José Mendes Fonseca e José Gomes Reis Filho.

Exemplo de homem público, Adonai Matos Torres deixou um legado para Patamuté: a honestidade e o amor que sempre dedicou à terra. Filho ilustre do lugar, merece ser reverenciado, sempre.

A história também se escreve com os ideais dos antepassados que indicaram, cada um a seu modo, o caminho por onde hoje trilhamos.

Adonai faz parte da história de Patamuté.

Post scriptum:

Eu venho de família pobre, sem recursos, morando na caatinga de Patamuté. Comi macarrão, pela primeira vez, na casa de Adonai. Lembro a cozinha, ao fundo do casarão em Patamuté, que está lá, impecável, até hoje. D. Cleonice fez e serviu o prato farto de macarrão.

Memória de infância, difícil de esquecer.

araujo-costa@uol.com.br

Sete de setembro, o rei e a barriga do rei

“Bafejado pelo êxito qualquer homem se imagina predestinado a grandes missões. Se é um medíocre, não tardará a cair, mas se estiver à altura da oportunidade, a vitória lhe proporcionará energias imprevistas” (Luís Viana Filho, 1908-1990, historiador, ex-governador da Bahia)

Alfredo Sirkis (1950-2020), jornalista e escritor, esquerdista carioca de relevante atuação política na ditadura militar, conta em seu livro Os carbonários (Global Editora, 1980) um episódio que aconteceu quando regressou ao Brasil.

De volta do exílio, ao desembarcar no aeroporto do Rio de Janeiro, o policial que o atendeu, antes treinado pela ditadura para perseguir e torturar militantes de esquerda, ao analisar seu passaporte e sua condição de anistiado, disse-lhe ironicamente:

– “Agora que tu vais ficar complexado, né rapaz? Não damos mais bola pra ti”.

Quando o Brasil mostrar aos torcedores do caos, que o 7 de setembro de 2021 será apenas mais uma data cívica no calendário, ministros do Supremo Tribunal Federal, que gostam de holofotes, vão ficar complexados ao se darem conta de que os brasileiros exigem deles trabalho e não militância política.

Ministros do Supremo Tribunal Federal ganham estratosféricos salários e mordomias inalcançáveis pelo cidadão comum, pagos pelos brasileiros, para trabalhar e não para fazer política.

Só para dar um exemplo: em 2016, segundo dados do próprio STF, cada um dos 11 ministros do Supremo tinha uma média de 222 assessores.

Rapadura doce, não é?

Quem quer fazer política não deve usar toga. Deve habilitar-se nas urnas e usar a tribuna democrática, que é o lugar próprio para arroubos, defesa de ideias e campo para a luta em benefício da sociedade.

Entretanto, o que se pode esperar de ministros do STF que nunca foram magistrados e sequer redigiram uma sentença na vida e estão no topo do Judiciário por serem amigos do rei de plantão que os indicou?

O Brasil precisa prosseguir em sua caminhada, em paz, independentemente da arrogância de alguns poderosos que se elevam acima dos ombros dos demais brasileiros.

Uma das aulas mais memoráveis que tive – e guardei a lição – foi na condição de ginasiano no querido Colégio Municipal Professor Ivo Braga, de meu belo município baiano de Curaçá.

Dr. Pompílio Possídio Coelho, médico, exemplo de caráter irrepreensível, ex-prefeito do município no período 1967-1971, então professor de Português do Colégio, em aula memorável, transformou em prosa os versos do Hino Nacional.

Foi lá que aprendi, de verdade, que “as margens plácidas do Ipiranga ouviram o brado retumbante de um pouco heroico”.

Continuemos sendo heroicos, apesar do rei e da barriga do rei. E de alguns ministros do Supremo Tribunal Federal.

Não devemos dar bola para gestos extremados, mesmo que venham de lugares de onde se espera a moderação.  

Que fiquem complexados os que apostam no caos.

Algum rei, nalgum lugar, pode estar grávido de arrogância. Não é bom, nunca será bom.

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Patamuté, Antonio Paixão e seu tempo

Antônio Ferreira Dantas Paixão/foto álbum de Josias Paixão

“Digo a verdade não tanto quanto sei, mas tanto quanto ouso. E ouso mais à medida que envelheço” (Michael de Montaigne, 1533-1592)

Recolho parte de fragmentos de minha memória esburacada pelo tempo e ouso dizer algumas coisas, embora à semelhança de Montaigne, essas coisas tenham muito de ousadia.

Recolho informações de meus amarelados papéis de arquivo, já conhecidas de todos, de modo que não há novidade nisto que escrevo hoje, mas o cronista às vezes se perde e se acha e se enrola no próprio tempo, eleva-se pretensiosamente à condição de memorialista e, quase sempre, acaba colocando os burros n’água.

Quiçá este seja o meu caso que, reconheço, quase sempre meto o bedelho onde não fui chamado.

Em minha trajetória de vida fui ajudado por algumas pessoas que me são caras até hoje, mesmo que já se tenham ido para a eternidade “antes do combinado”, como diz o caipira paulista.  

Prolegômenos à parte, vou aos fatos. Importam aqui os fatos e não o achismo do escrevinhador.

Década de 1960. Em Patamuté, sertão baiano de Curaçá, Antonio Ferreira Dantas Paixão (1899-1976) e sua esposa Rachel do Carmo Paixão (que me chamava “meu filho”, honra que carrego até hoje) muito me ajudaram no princípio de minha caminhada rumo ao desconhecido.

Sob os auspícios de ambos, que condição eu não tinha, foi-me possível frequentar o curso primário na Escola Estadual de Patamuté, então pertencente ao Departamento de Educação Primária, da Secretaria de Educação da Bahia.

A ordem natural na época, para quem podia estudar fora de Patamuté – e eu não podia –  era alcançar o ginásio e depois o curso clássico ou científico.

O prédio da escola ainda está lá, salvo engano, em ruínas, recusando-se ao desmoronamento completo e ao abandono da história, graças ao descaso de nossas competentes autoridades do estado e do município de Curaçá que o ignoram.

Há quem pondere que o prédio escolar de Patamuté é de responsabilidade do Estado da Bahia e não do município de Curaçá. Este argumento não exclui o dever de zelar por ele, já que o prefeito, qualquer que seja ele e seu partido político, tem atribuições para reivindicar do governo estadual tudo que se faça necessário à população.

Ou, então, se o prefeito do município não souber disto, é caso de pegar o boné e escafeder-se em direção ao ostracismo.

Considerando o estado de abandono do prédio escolar de Patamuté, parece razoável entender que o prefeito de Curaçá não conhece bem o alcance de suas atribuições. Possivelmente o prefeito está confundindo política com politicalha.

Em ciência política e na estrutura de direito do estado, há outras figuras importantes no município: os vereadores, por exemplo. Patamuté está precisando de vereadores. Carece de vereadores. Se os tem, precisam ser cobrados, já que não atuam a contento.

Autoridades eleitas pelo povo que não operam em benefício da população devem ser ignoradas e, na primeira oportunidade, substituídas por outras, nas urnas.

Política é arte, nem todos sabem exercê-la. Mas deixa pra lá.

Volto-me à memória de Antonio Ferreira Dantas Paixão, comerciante e político de Patamuté, que é mais importante neste espaço.

Empreendedor de visão, Antonio Paixão exercia o comércio em Patamuté e instalou uma fábrica de beneficiamento de sisal e caroá na Fazenda Bom Jardim. Lá fundou escola e nomeou professora com destaque para Graziela Ferreira da Silva, baluarte do ensino na localidade e circunvizinhanças.    

Antonio Paixão foi vereador de Curaçá em dois mandatos e chegou a arriscar-se na disputa ao cargo de prefeito do município contra o impoluto Gilberto da Silveira Bahia, que ganhou a eleição e governou no período de 1959-1963.  

Gilberto Bahia capitaneou orgulho e admiração dos curaçaenses e seu legado estende-se até os dias de hoje. Sua linhagem herdou a decência política e o amor a Curaçá.

Homem de caráter irrepreensível e reputação ilibada, Antonio Paixão tinha bons relacionamentos com respeitáveis homens públicos.

Em Curaçá, por exemplo, Antonio Paixão foi aliado de Euvaldo Torres de Aquino e Jayme da Silveira Coelho. Em âmbito estadual, Francisco Waldir Pires de Souza e Oliveira Brito, ícones da decência política na Bahia.

Termino este artigo como comecei. Citando Montaigne: “Digo a verdade não tanto quanto sei, mas tanto quanto ouso. E ouso mais à medida que envelheço”.

araujo-costa@uol.com.br     

O ministro e o padre

Em recente artigo na Folha de S.Paulo, o ministro Ricardo Lewandowiski, do Supremo Tribunal Federal, ao discorrer sobre a crise política e as iminentes manifestações previstas para 7 de setembro vindouro,  acaba alertando sobre a inconveniência da impunidade quanto a eventuais transgressores da ordem constitucional.

Titulo do contundente artigo do supremo ministro: Intervenção armada: crime inafiançável e imprescritível.

Admiro muito o ministro Ricardo Lewandowiski. Foi meu professor na Faculdade de Direito de São Bernardo do Campo, quando seus cabelos ainda não tinham sido tingidos pelo tempo e numa época em que o Brasil tinha juízo.

Mestre preocupado com o andar da sociedade e com aquilo que o Direito podia fazer por ela, Lewandowiski brilhava na cátedra e entusiasmava todos nós, seus discípulos. Seus cabelos esvoaçavam à semelhança do poeta baiano Castro Alves.

Qualquer aula de Lewandowiski era memorável, inesquecível, enriquecedora.

Contudo, hoje o ministro Lewandowiski me faz lembrar a história do padre bonito.

Mulheres iam à missa com o intuito de purgar seus pecados, mas quando se deparavam com o padre, diziam que era impossível não continuar pecando, ainda que por pensamento, tamanha a beleza do sacerdote celebrante, já que por palavras e obras não podiam pecar.

O ministro Lewandowiski abomina a impunidade como todos nós, mas  peca, neste particular, pelo apego à teoria e ao excesso de formalismo doutrinário.

Vejamos.

Reiteradas decisões do Supremo Tribunal Federal ou reflexos delas, muitas com o voto de Lewandowiski, mandaram para a rua mais de uma centena de ricos, magnatas e famosos delinquentes que a Lava Jato mandou para os presídios por corrupção, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e outros delitos mais, todos adstritos à dilapidação dos cofres públicos.  

Recente notícia veiculada na imprensa diz que, dos sentenciados pela Lava Lato – cerca de 140 ou perto disto – mesmo considerando os exageros da operação, somente está preso Sérgio Cabral, ex-governador do Rio de Janeiro.   

Pergunta-se:

Todos os demais são inocentes ou foram alcançados pela impunidade?

É justa a justiça tardia, quando os crimes já prescreveram?

Deixá-los soltos não é impunidade?

É elementar e óbvio que todos os brasileiros devem respeitar nossas instituições.

Devemos respeito ao Poder Judiciário como um todo e, por extensão, ao Supremo Tribunal Federal e aos seus supremos ministros.

Mas é preciso ponderar, sem excluir a obediência às normas legais e às instituições nacionais que o Brasil construiu.

Em respeito ao Direito e à democracia, não podemos admitir que a impunidade preocupe o insigne magistrado Lewandowiski somente em relação a eventuais manifestantes discordantes nas ruas e, ao contrário, se transforme num manto aconchegante e protetor para amparar ladrões do dinheiro público.

Pecar em razão da beleza do padre, como as beatas, é admissível. Mas pecar por conivência com o mal feito é, no mínimo, trair o Brasil, independentemente das leis.

A moral fala mais alto, não é, ilustre professor Lewandowiski?

araujo-costa@uol.com.br

Lula quer amordaçar a imprensa

“Os desenganos vão conosco à frente e as esperanças vão ficando atrás” (Celso Furtado, 1920-2004)

Em espalhafatosa entrevista à Rádio Metrópole, de Salvador, Lula da Silva desenterrou seu desejo de instituir a censura no Brasil.

A repercussão foi imediata e negativa para Lula, nacionalmente. Vista como sinal de censura à imprensa, a fala do ex-presidente não caiu bem.  

A ideia é sustentada por Franklin Martins, ex-guerrilheiro comunista do Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8), de extrema-esquerda, que em ação armada com a Aliança Libertadora Nacional (ALN), de Carlos Marighella, sequestrou o embaixador americano Charles Elbrick em 1969 e provocou um quiproquó danado na ditadura militar.

Exilado, Franklin Martins fez curso de guerrilha rural em Cuba e hoje integra a elite abastada da esquerda do Brasil. É um esquerdista que adora dinheiro público, mas esta é outra história.

Franklin Martins foi ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social do segundo governo Lula entre 2007 e 2010 e agora cuida da comunicação da embrionária e possível candidatura presidencial de Lula em 2022.  

Quando chefe de comunicação do governo Lula, Franklin Martins engendrou um projeto de regulação da imprensa, que não prosperou em razão de pressões contrárias de setores da sociedade.

Mais tarde, D. Dilma Rousseff, sabiamente, desestimulou a desastrada iniciativa do ex-guerrilheiro atabalhoado.

Como se vê, Lula não desistiu do projeto ou não querem que ele desista. O morubixaba petista quer implantar o modelo de Cuba, embora negue.

Em Cuba, que Lula da Silva e os petistas menos moderados se espelham, funciona assim: o Partido Comunista controla os sindicatos, as associações de bairro, as entidades profissionais e artísticas, inclusive teatros, assim como editoras de livros e toda forma de manifestação cultural.

Imprensa livre não existe em Cuba. A imprensa é monopolizada pelo Comitê Central do Partido Comunista e, portanto, a notícia é viciada e publicada de acordo com a vontade dos governantes da Ilha.

Cuba tem uma população de 11 milhões de pessoas. O Partido Comunista tem 700 mil filiados e forma, compulsoriamente, os Comitês de Defesa da Revolução. Esses comitês, são os “olhos e ouvidos da revolução”. Assim dizia o líder Fidel Castro, que foi amigo pessoal de Lula da Silva e seu mentor político.

Os Comitês de Defesa da Revolução vigiam intelectuais e população em geral. Eventuais protestos são punidos com a perda de emprego dos participantes e familiares e com o cancelamento dos restritos direitos civis que ainda restam por lá.

O jornalista Franklin Martins quer que a imprensa do Brasil se transforme numa extensão do Partido Comunista de Cuba e quintal de Lula da Silva e publique somente o que for de interesse dos petistas e de seus seguidores.

Lula da Silva foi claro na entrevista à Rádio Metrópole. Disse textualmente: “Estou conversando com muita gente, ouvindo muito desaforo, leio muito a imprensa e tem setores da imprensa que não querem que eu volte a ser candidato porque, se eu voltar, vou regular os meios de comunicação desse país”.

Daí, não é exagero concluir que, se a imprensa estiver de acordo com ele e apoiar sua candidatura, não será necessária a regulação.

Ato falho ou sincericídio, o fato é que Lula escorregou politicamente.    

Lula de quando em vez dá uma recaída em seu viés autoritário.

É conhecido o episódio de 2004, quando Lula exigiu a expulsão do jornalista americano Larry Rohter, do The New York Times, porque o profissional publicou uma matéria naquele jornal dizendo que o então presidente tem preferência por bebidas alcóolicas, ou seja, gosta de umas canjibrinas, o que passa longe de ser inverdade.

Ao ler a matéria, Lula deu murros na mesa, exigiu a expulsão do jornalista, mas o Superior Tribunal de Justiça (STJ) concedeu um salvo-conduto para que o profissional americano permanecesse no Brasil e a turma do “deixa disso” convenceu Lula a abandonar a ideia de expulsão.  

O advogado e ministro da Justiça de Lula, Márcio Thomaz Bastos, teve papel fundamental para debelar a crise de estrelismo do então presidente da República.

Contudo, a rigor, Lula não tem pinta de ditador, não tem jeito de ditador. De vez em quando ele pensa que é Deus, mas depois passa.

Lula gosta mesmo é de lorotas e embromação, sua especialidade. É um sujeito divertido, apaixonado pelo poder.

O estorvo que acompanha Lula é a presença dos radicais do PT ao seu redor, os monstros que ele criou e foram responsáveis pelos seus tropeços morais à frente do governo da República.

Mas Lula não vive sem eles.     

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Jânio Quadros, 60 anos da renúncia

Jânio Quadros/Crédito da foto: Jânio Quadros Neto

“A conspiração está em marcha, mas vergar eu não vergo” (Jânio Quadros, 1917-1992)

Dia do soldado, 25.08.1961: Sob a égide da Constituição de 1946 e eleito em votação histórica com 48% dos votos, Jânio da Silva Quadros renunciava à presidência da República, depois de participar da solenidade militar em Brasília.

Assim como hoje, o Brasil estava em crise, experimentando momentos de turbulência política, incompreensão generalizada e incapacidade dos homens públicos de resolverem os problemas nacionais.

Jânio Quadros alegava que o Congresso Nacional e a elite política não o deixavam governar.  

Naquela quadra do tempo – 1961 – a situação era menos grave. O Supremo Tribunal Federal não se imiscuía em política partidária, como hoje, nem se envolvia em assuntos privativos do Legislativo.

Ministros do STF não se reuniam às escondidas com líderes políticos. Os ministros do Supremo Tribunal Federal eram magistrados mesmos, o que conferia grande respeitabilidade ao tribunal e à nobreza da toga.

Mas Jânio preferiu sair.

Conheci Jânio Quadros, frequentei sua casa em São Paulo e fiquei impressionado com sua altivez e firmeza de caráter, qualidades que faltam nos políticos de nosso tempo.

“Não nasci presidente da República. Nasci sim, com a minha consciência. É a esta que devo atender e respeitar”, disse Jânio. E foi embora.

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Os hipócritas da CPI do Senado

O rabo de palha do senador amazonense Omar Aziz ainda não pegou fogo porque no Amazonas tem muita água.

Presidente da CPI da Pandemia no Senado, Omar Aziz (PSD) arrasta nas costas uma tenebrosa investigação na Polícia Federal por desvio de dinheiro público da saúde, quando governador do Amazonas. 

Três pessoas da família de Omar Aziz, que ele omite, foram presas – e depois soltas – acusadas de participarem do esquema, mas ele escapou do xilindró, por enquanto, porque tem foro privilegiado, o famoso foro por prerrogativa de função. É senador, está acima de qualquer pessoa pobre, por isto, o Poder Judiciário lhe beneficia e o coloca no pedestal.

Alguém duvida que o Supremo Tribunal Federal vá declará-lo inocente?

Outro, que não pode passar perto do fogo é o honestíssimo senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP). Este, petista enrustido, acima de qualquer suspeita e, como Lula da Silva, nascido no município pernambucano de Garanhuns.

O Núcleo de Jornalismo Investigativo da Record TV, tendo à frente o premiado repórter investigativo Tony Chastinet, descobriu algumas façanhas do espevitado senador do Amapá, no mínimo cabeludas, dentre elas, esta: ele recebeu do seu chefe de gabinete no Senado Federal, da mulher deste e do filho, expressiva quantia em dinheiro.

Rachadinha?

Não, que é isto?

O senador Randolfe Rodrigues é honesto. Ele vive condenando a prática de rachadinhas e, convenhamos, não está errado em condenar.

Mas seria Randolfe Rodrigues discípulo do colega senador Flávio Bolsonaro, acusado da prática de rachadinha?

Dentre as façanhas honestas de Randolfe Rodrigues está o fretamento de um avião por R$ 8,9 mil, pago pelo Senado Federal, sábado, 08 de maio de 2021.

A aeronave com capacidade para seis pessoas fez o trajeto ida e volta entre a capital Macapá (AP) e o município de Almeirim, no Pará.

Ocorre que, como se sabe, os senadores não trabalham de sexta a segunda, exceto em situações especialíssimas. E preguiçosos não trabalham, nem em situações especiais.

Logo, Sua Excelência Randolfe Rodrigues não estava a serviço, num sábado, para justificar o fretamento do avião para viagem tão longa com seis pessoas a bordo.

Turismo?

Que é isto? Randolfe Rodrigues é honesto.

Mais: Randolfe Rodrigues, que havia usado verba pública para pagar R$ 561 mil a uma produtora de filmes para fazer sua campanha ao Senado em 2018, agora contratou a mesma produtora para fazer propaganda de sua atuação política e, por esse serviço, pagou R$ 16,3 mil.

Agora em julho de 2021, Randolfe Rodrigues contratou uma empresa de pesquisa para avaliar sua atuação na CPI, por R$ 15 mil, ou seja, para saber como está sua imagem diante dos holofotes.

Quem pagou? O Senado Federal, evidentemente.

Não, não foi o Senado. Fomos nós, pagadores de impostos.

Todavia, tanto Omar Aziz quanto Randolfe Rodrigues são políticos honestos e cuidam bem do dinheiro público, assim como Renan Calheiros (MDB-AL), relator da CPI.

Esses são os hipócritas da CPI, que parte de nossa sociedade e da grande imprensa os enaltecem.

Observação 1:

Para quem está lendo a palavra rachadinha pela primeira vez, explica-se como funciona: o político contrata um auxiliar, geralmente com salário alto. Ao receber o pagamento mensal, o auxiliar devolve parte do salário para o político/patrão. Isto é previamente combinado entre eles e há casos em que o contratado não trabalha, mas recebe o salário.

Como se trata de dinheiro público, a prática configura-se delito previsto nas leis penais. 

Observação 2:

A CPI do Senado é necessária e deve investigar e pedir a punição dos envolvidos em falcatruas, seja presidente da República, ministros, auxiliares, etc.

Mas a CPI deve ser composta de senadores de boa reputação, honestos, sem mácula, moralmente irrepreensíveis.

Não é o que se vê na CPI da Pandemia.   

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