Voto impresso, cemitérios e ministros infalíveis

O presidente Bolsonaro e milhares de seguidores estão perdendo tempo com esse estapafúrdio movimento fora de hora, com vistas à implantação do voto impresso e “auditável”.

Não terão êxito.

O Brasil chegou até aqui, implantou a urna eletrônica há mais de duas décadas e, acho, seria um retrocesso falar de voto impresso hoje.   

O Tribunal Superior Eleitoral e o Supremo Tribunal Federal juram de pés juntos que as urnas eletrônicas não são suscetíveis de fraudes. 

A segurança das urnas é inquestionável, segundo nossas subidas e intocáveis autoridades.

Consoante alguns ministros do Supremo e do Tribunal Superior Eleitoral, as urnas eletrônicas são à prova de fraude e não se fala mais nisto.

Sequer admitem o debate sobre o assunto.  

Para alguns membros do Poder Judiciário, que vivem nas nuvens, a democracia é ditada por eles e não pela vontade popular e soberana.   

Por que não debater?

A democracia pressupõe antagonismo e o enfrentamento civilizado às ideias contrárias.

Entretanto, não é bem assim como apregoam as superiores autoridades eleitorais.

Em 2016, 24 anos após a adoção das urnas eletrônicas – que a Justiça Eleitoral diz que são extremamente seguras – somente numa zona eleitoral da Bahia, em Simões Filho, um levantamento constatou que havia 30 mortos “aptos” a votarem nas eleições de 2016, segundo o cadastro da Justiça Eleitoral.

Políticos daquele município provaram, com atestado de óbito, que 30 “eleitores” não estavam tão “aptos” assim a votar, como dizia a Justiça Eleitoral. Simplesmente estavam mortos (A Tarde, 16/11/2015).

Por isto, afigura-se estranha a crença absoluta de nossas autoridades do TSE e STF no sistema eleitoral eletrônico, vez que até o sistema financeiro nacional está sujeito a ataques externos, situação até comum na rede bancária.

Se a Justiça Eleitoral não tem condições de identificar seus mortos no cadastro de eleitores, como ter tanta certeza quanto à inviolabilidade das urnas eletrônicas? 

A fraude eleitoral existe desde a República Velha que encerrou a monarquia em 15 de novembro de 1889. A mais tradicional era a “bico de pena” efetivada com a adulteração das atas elaboradas pelas mesas eleitorais, responsáveis pela apuração dos votos. Nesse cenário, os mortos e ausentes já “votavam”.

O processo era todo controlado no interior pelos “coronéis” que através do “voto de cabresto” indicava em quem o eleitor deveria votar.

“Havia ainda a fraude que consistia em dividir entre candidatos em conluio os votos em branco e nulo, evidentemente com mesários cúmplices” (A Tarde, 16/11/2015).

Outra questão que a Justiça Eleitoral ainda não conseguiu resolver é a discrepância entre a quantidade de eleitores e o número de habitantes de alguns municípios.

O Portal G1 Bahia, de 14/06/2018, publicou matéria sobre o assunto, como se vê a seguir:    

“Maetinga, na região sudoeste do estado, é o município baiano com a maior discrepância entre eleitorado e população. A cidade possui 6.736 pessoas aptas a votar, enquanto a população não passa de 4.456 – diferença de 2.280 pessoas”.

O município aparece na quarta posição nacional e na terceira do Nordeste entre as cidades com maior diferença entre o número de eleitores e o de habitantes.

Serra Preta, a cerca de 150 quilômetros de Salvador, aparece em segundo lugar na Bahia. Possui eleitorado formado por 16.941 pessoas, enquanto a população é de 16.036. A cidade ocupa a 14ª posição nacional e na 7ª posição no nordeste.

Outra cidade com mais eleitores do que habitantes é Lajedão, no sul da Bahia, que tem eleitorado de 4.805 pessoas, enquanto a população não passa de 4.068. Completam a lista Potiraguá (com 8.747 eleitores e 8.438 habitantes) e Ribeirão do Largo (7.502 eleitores e 7.437 habitantes)”.

O G1 Bahia, acrescentou:

“A explicação do TSE para as discrepâncias consiste na distinção entre domicílio eleitoral e domicílio civil.

Enquanto o chamado domicílio civil é mais restrito por limitar-se à residência na qual se anseia permanência definitiva, o domicílio eleitoral é aplicado de forma mais flexível, abarcando a localidade na qual o eleitor comprova residência acrescida de envolvimentos afetivos, familiares e sociais.

Dessa forma, é possível o cidadão morar em uma cidade e votar em outra”.

Então, tá.

Como se vê, para a Justiça Eleitoral, nem sempre dois mais dois dá quatro. É assim na Bahia, assim é noutras partes do Brasil.

Por conseguinte, as eleições com voto impresso ou com voto eletrônico não parecem tão invioláveis assim.

Mas a Justiça Eleitoral diz que nosso processo eleitoral é seguro e, portanto, inviolável.

Não podemos discordar de nossas inalcançáveis autoridades eleitorais.

Suas Excelências são infalíveis. Mais que a infalibilidade do Papa.

araujo-costa@uol.com.br

Os respiradores de Rui Costa

Quando presidente do Consórcio Nordeste, Rui Costa (PT), governador da Bahia, comprou, pagou adiantado – e não recebeu – 300 respiradores da empresa Hempcare Pharma que, segundo ela própria anunciou, entende  de confecção de roupas femininas íntimas e importação de medicamentos à base de maconha.

Números de funcionários da empresa à época do contrato: dois, apenas dois.

Qualquer aprendiz ou estagiário de departamento de compras não faria a aquisição sequer de um copo plástico de uma empresa dessas. Está na cara que a empresa é inidônea relativamente ao quesito respirador.

Mas Rui Costa não vislumbrou nenhum problema. Fez o negócio milionário.

Esses respiradores seriam distribuídos aos nove estados do Nordeste. Suas Excelências os governadores da região formaram um complô político e o denominaram Consórcio Nordeste, a pretexto de promoverem o crescimento sustentável e o desenvolvimento social.

Os governadores nordestinos se fecharam iguais a tatu-bola e silenciaram quanto à maracutaia que engoliu R$ 48 milhões de dinheiro público e não receberam um respirador sequer. Nem vão receber.

Como se vê, a empresa contratada entende tanto de respiradores quanto alguns membros da CPI da Pandemia do Senado entendem de honestidade.

A grande imprensa noticiou o fato timidamente. Não pode fazer estardalhaço. Os governadores nordestinos fazem oposição ao governo federal e, como tais, a imprensa os trata muito bem. Isto os habilita a serem os queridinhos da imprensa.

A CPI da Pandemia do Senado deu de ombros quanto ao assunto.

O que se pode esperar de uma CPI presidida por um ex-governador acusado e investigado de desviar R$ 260 milhões da saúde em seu estado?

O que se pode esperar de uma CPI cujo relator coleciona inquéritos no Supremo Tribunal Federal, versando sobre corrupção e lavagem de dinheiro, dentre outros crimes?

Em data recente, o governador Rui Costa prestou depoimento à Polícia Federal sobre o caso. Discípulo aplicado de Lula da Silva foi logo dizendo: “Não sei de nada”. E não disse mais nada e, suponho, nem lhe foi perguntado.

Como o inquérito envolve o governador Rui Costa na condição de investigado, a suposta “capivara”  deve ser enviada ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), órgão competente para conhecer, processar e julgar governadores de estado, que vai dizer qual o próximo passo.

A revista Veja apurou: “O negócio, fechado a toque de caixa através do WhatsApp  e com pagamento adiantado, previa a compra e a distribuição dos equipamentos aos nove estados da região”. A revista vai além: “O negócio, desde o início, foi planejado para dar errado” (Veja, 23/07/2021). 

Mais, segundo a Veja: “A microempresa, como se sabe, na verdade aplicou um monumental golpe: sumiu com o dinheiro e nunca entregou as máquinas”. 

Esta história vai longe. E vai dar em nada.

Interessante é que os governadores do Nordeste cobram eficiência do governo federal quanto ao combate à pandemia. Enquanto isto, enterram R$ 48 milhões que deveriam ser usados no combate à doença.

O governo federal foi negligente, o que não se pode negar. O presidente da República deve ser cobrado por isto.

Mas daí a dizer que os governadores nordestinos são eficientes no combate à pandemia vai uma longa distância.

Sempre entendi que o governador Rui Costa é o nome mais abalizado do PT para disputar a presidência da República em 2022. Melhor do que Lula e melhor do que Haddad.

Mas, diante de tudo isto, pergunto:

Até tu, Rui Costa?

Post scriptum:

O senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) tem feito equilibradas intervenções na CPI da Pandemia no Senado Federal.

Ex-Delegado Geral da Polícia Civil de Sergipe, o senador Alessandro Vieira deve ter aprendido muito sobre o andar de investigações com o ínclito Dr. João Eloy de Menezes, que vem construindo rica e ilibada história na Secretaria de Segurança Pública de Sergipe.

O Dr. João Eloy de Menezes é filho de Chorrochó e provém de família exemplar do município. Conduta irrepreensível, tem e dá bons exemplos.

araujo-costa@uol.com.br

A arte de amparar paredes

O assunto é recorrente e até faz parte da cultura nacional: a preguiça de baianos e cariocas.

O jornalista mineiro Ivan Ângelo diz, em brilhante crônica: “No caso dos baianos, é mais estilo do que preguiça. É ritmo. Enquanto outros praianos descansam a metade da semana e trabalham a outra metade, os baianos vão trabalhando e descansando ao mesmo tempo”. 

Como se vê, um mérito. Os baianos também sabem inventar. Somos inventores de coisas difíceis de serem imaginadas como, por exemplo, conviver com governantes ruins. E assim vamos levando, enquanto os políticos não acabam com a Bahia. Bem que eles vêm tentando há séculos.

Cronista e romancista, Ivan Ângelo foi buscar lá, no começo do século XX, um amparo para sustentar essa suposta preguiça nossa.

Conta que o poeta Olavo Bilac escreveu que, em 1903, diante da grande quantidade de pessoas desocupadas no Rio de Janeiro, ouviu a seguinte pergunta de um jornalista argentino: “Que faz toda essa gente, que ampara as paredes das casas com as costas?”

Parece que o argentino confundiu não ter o que fazer com preguiça.

Hoje é pior. Temos milhões de brasileiros desempregados, subempregados, desalentados, desamparados, desesperançados.

Na condição de baiano, ergo-me em defesa de todos nós de minha encantadora província. Não somos preguiçosos. Damos um duro danado. Talvez tenhamos uma malemolência elegante, filosófica, uma sábia forma de viver.

Grande entendedor de hábitos e costumes baianos, o cantor Dorival Caymmi vivia em constante malemolência, mesmo morando no Rio de Janeiro.

Honra e glória da Bahia, Caymmi ria-se desse seu estado de graça e enfeitava essa sua maneira de viver e de muitos baianos.

Até Toquinho e o poeta Vinícius de Moraes – Vinícius morou em Salvador – entenderam esse espírito baiano e cantaram Tarde em Itapoã:

“Depois, na Praça Caymmi

Sentir preguiça no corpo

E numa esteira de vime

Beber uma água de côco”.

Baiano não é preguiçoso. Sente preguiça no corpo, o que é diferente. Não cuida dessa arte de amparar paredes.

Pala lembrar:

No próximo ano serão comemorados 200 anos da Independência do Brasil. Em 1972, a ditadura militar – governo Emílio Garrastazu Médici – lançou o Hino do Sesquicentenário que fez sucesso até em clubes de carnaval.

Lá para tantas, o Hino diz: “O Brasil faz coisas que ninguém imagina que faz”.

O Brasil está precisando fazer algumas coisas em benefício dos brasileiros, dentre elas possibilitar emprego e comida para todos e não somente para os ricos.

Isto é possível imaginar.

Não podemos nos transformar em miseráveis e famintos, como se estivéssemos nos escombros de uma guerra.

A guerra que o Brasil vive é outra: falta de vergonha do Executivo, do Legislativo e do Judiciário, em todas as esferas de governo.

araujo-costa@uol.com.br

Bem-te-vis e sabiás também são boêmios

“Ser boêmio é o mais lúcido ato de protesto de um homem” (Jehová de Carvalho, jornalista e advogado baiano, 1930-2004)

Nascido em Santa Maria da Vitória, Jehová de Carvalho foi um dos mais famosos jornalistas e boêmios da Bahia.

Jehová de Carvalho assinou, durante anos, na condição de cronista, a seção A cidade que não dorme, no jornal A Tarde, de Salvador.

A frase que encima esta crônica foi dita ao também jornalista Guido Guerra, baiano de Santaluz, o “papagaio devasso”. Assim o chamava o escritor e amigo Jorge Amado.

Mas a boemia é somente um quê para o assunto desta crônica.

Ao romper da madrugada, alvorada à vista, ilustres companheiros de insônia despontam em meu quintal à espera da primeira refeição: são bem-te-vis, sabiás, periquitos e outras tantas espécies que se acostumaram há anos com a minha companhia ou com a minha generosidade. Ou com ambas.

Alguns já os conheço de longa data, outros desapareceram, muitos mais vão surgindo de repente e me fazem companhia. São tantos!

Costumo dizer que os melhores amigos são os bichos, cachorros inclusive. Eles não me aporrinham, não têm maldade, não me repreendem.

Não se servem de meu ombro como escada para angariar poder, dinheiro, fama. Tampouco me traem, nem agem com falsidade. São puros, admiravelmente puros. Essencialmente puros.

Os animais são, de fato, amigos de verdade. E não têm interesse em saber a que classe social pertenço, se rico, se pobre, se miserável ou sei lá o que mais dizem sociólogos, antropólogos e críticos de qualquer governo.

Se, eventualmente, não tenho comida para lhes dá, voltam depois, humildemente alegres e não perguntam porquê, nada querem saber.

Imagino como seria minha vida sem esses amigos diários, meigos, alegres, importantes. Nunca os vi tristes. Sempre alegres, cantando, fazendo algazarra.  

Alguns chegam gritando, como se anunciando: cheguei, bom dia, quero comer.

Nós humanos, intercalamos momentos de tristeza, alegria, indiferença, idiotices. Os animais, nunca.

Passarinhos e cachorros são melhores, infinitamente melhores que pessoas.

Gosto de meus amigos boêmios. Sempre gostei da boemia alegre, sem hora de acabar, sem maldade, assim como a boemia dos passarinhos.

Na noite ou na madrugada também é tempo de protestar. É no silêncio que adquirimos forças para a continuidade da luta, seja política, seja profissional, seja para discordar, simplesmente.

Para não esquecer, lembro: é tempo de protestar, principalmente contra a indiferença.

Milhões de brasileiros estão passando fome.

araujo-costa@uol.com.br    

Atividade de pecador e dissidência demagógica

“Política é uma atividade para pecador” (Hermes Lima, político, jurista e jornalista baiano, 1902-1978)

Atividade de pecador, a política se sustenta em conchavos e, mais do que isto, costuma fincar tentáculos efêmeros na lama, tentáculos esses nem sempre revelados ou reveláveis.

Lula da Silva estava negociando com o chamado Centrão, bloco de partidos políticos formado de parlamentares fisiologistas, com assento na Câmara dos Deputados e ramificação no Senado Federal.

Lula manobra para que o bloco de partidos abandone o governo Bolsonaro e alie-se à candidatura petista em 2022.

O senador Renan Calheiros do MDB-AL, partido integrante do Centrão, está cavando a chance de ser candidato a vice-presidente na chapa de Lula da Silva em 2022 ou colocar seu filho e governador de Alagoas como companheiro de chapa do ex-presidente.  

Por isto, os ataques de estrelismo de Renan Calheiros na CPI da pandemia, onde os holofotes são mais importantes do que a investigação.

Se o senador Renan Calheiros emplacar seu nome na vice de Lula da Silva, juntar-se-á a fome com a vontade de comer: os inúmeros inquéritos de Renan em andamento com o histórico nebuloso de alguns petistas e, por extensão, do PT.

Mas o Centrão gosta de dinheiro. Muito dinheiro. Não pode esperar essa definição.

Entre a promessa de um cheque em branco de Lula da Silva, para somente ser preenchido em janeiro de 2023 – condicionado à vitória do ex-presidente – e a imediata abertura do cofre de Bolsonaro, o Centrão preferiu não esperar. E sinaliza cair de vez nos braços de Bolsonaro, sem nenhum pudor.

Se nada mudar, o presidente nacional do Partido Progressista (PP), âmago do Centrão, vai ser mesmo ministro da Casa Civil do governo, o ministério mais importante, espécie de coordenação geral de toda a máquina política e administrativa do governo federal.

Portanto, o senador Ciro Nogueira (PP-PI) poderá assumir a Casa Civil. Sua mãe Eliane Nogueira, que é primeira suplente, assumirá uma cadeira no Senado Federal, o Centrão toma conta dos cofres da República e tudo continua como dantes, sem nenhuma novidade.

Essencialmente clientelistas e ávidos por cargos e benesses, sem nenhuma firmeza ideológica, os parlamentares do Centrão têm como objetivo primeiro a aproximação com o governo, qualquer governo, seja de direita, de esquerda ou saia das catacumbas.

Quando o governo de plantão não cede aos interesses do Centrão, seus parlamentares engendram uma dissidência fajuta e passam a votar contra todas as matérias de interesse do governo.

O presidente Jânio Quadros dizia, com muita propriedade e do alto de sua experiência: “O Congresso Nacional é um clube de ociosos em permanente dissidência demagógica”.

Todavia, como no Brasil “até o passado é incerto”, o futuro próximo do governo Bolsonaro pode mudar de rumo a qualquer momento e direcionar-se por outro caminho.

Mas é o que está delineado, por enquanto.

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Catolicismo: alicerces da Igreja de Chorrochó

Fachada e interior da Igreja de Senhor do Bonfim de Chorrochó

Data de 15 de agosto de 1915 a ata de fundação do Apostolado da Oração de Chorrochó.

A então capela de Senhor do Bonfim de Chorrochó pertencia à Freguesia de Santo Antonio de Abaré, da Paróquia do Senhor Bom Jesus da Boa Morte, de Curaçá. 

A Paróquia Bom Jesus da Boa Morte é uma das mais antigas da região sanfranciscana e indissociável historicamente de Santo Antonio do Pambu.

O nome se associa também à fundadora de Curaçá, Feliciana Maria de Santa Thereza de Jesus.

A ata referida, vertida em vernáculo de uso atual e fielmente adstrita ao texto original, consta de valioso acervo do Dr. Francisco Afonso de Menezes, nobre e conspícuo chorrochoense, sobre parte da história do município.

A ata original e histórica faz parte do retro aludido acervo do Dr. Francisco Afonso de Menezes que este blog teve acesso por permissão generosa do ilustre e referido chorrochoense.

O documento é importante em razão do conteúdo e do situar do Apostolado da Oração no tempo e, mais ainda, tendo em vista tratar-se de sustentáculo desta secular instituição religiosa local.

A reunião de fundação foi presidida pelo Cônego Paschoal dos Santos Valle, que delineou os princípios, finalidade e frutos do Apostolado da Oração.

Fizeram parte da fundação e “foram admitidos”: João Alves dos Santos, Agripina Argentina de Menezes, Antonia Alves de Carvalho Menezes, Antonia Cecília Alventina Fonseca, Antonia Rosa Pacheco de Menezes, Djanira Pires de Avelins Belfort, Josefa Pires de Carvalho, Maria da Glória Cordeiro de Menezes e Maria Umbelina de Avelins.

João Alves dos Santos foi escolhido presidente, porque, segundo a ata, “já estava devidamente empenhado nos trabalhos organizacionais da capela do Senhor do Bonfim”.

Naquela data – 15/08/1915 – foi instituída a festa do Sagrado Coração de Jesus em Chorrochó, precedida do Tríduo “com muita devoção” e coadjuvada pelo uso de trajes pretos, quando dos atos litúrgicos em honra e louvor ao Sagrado Coração de Jesus.

Dentre as atribuições do Apostolado da Oração, vislumbram-se no documento, “o esforço para promover a glória divina para salvação das almas e o culto ao Santíssimo Coração de Jesus”.

A transcrição do texto original registra “as indulgências que cada um lucra com a participação nas reuniões mensais” e faz referência à prática da comunhão reparadora, o dever de pedir perdão a Deus “pelos pecados da humanidade”, a reza diária do terço mariano, a busca da paz e união entre pessoas e nações e o dever de evangelizar.

Como se vê, sucintamente, o papel do Apostolado da Oração é abrangente e fundamental para a sustentação dos alicerces tradicionais da Igreja de Chorrochó.

Post scriptum:              

Este blog deseja pronto restabelecimento a Dom Guido Zendron, bispo da diocese baiana de Paulo Afonso e responsável pela Igreja de Chorrochó.

Dom Guido fez parte do clero da arquidiocese italiana de Trento, uma das mais tradicionais do mundo católico e hoje responde pela diocese de Paulo Afonso, na Bahia. Submeteu-se a uma cirurgia na Paraíba e está se recuperando.

Que Deus lhe dê muita saúde para continuar orando por todos nós, seus admiradores e pelas bênçãos de D. Jackson Berenguer Prado, primeiro bispo da diocese de Paulo Afonso siga em defesa de nossas fraquezas.

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Os trambiqueiros do Ministério da Saúde

“Não há esperança de sobrevivência humana sem homens dispostos a dizer o que acontece” (Hannah Arendt, filósofa judia, 1906-1975)

Constrangedor. Muito constrangedor.

É provável que nem Janete Clair, com sua inteligência criativa, teria construído esse enredo novelesco tão ilógico, absurdo e surreal do Ministério da Saúde. Nem seu marido Dias Gomes, autor de O Bem Amado.

Servidores do Ministério da Saúde se reuniram com um cabo da Polícia Militar de Minas Gerais, que se dizia representante de uma empresa americana atravessadora para, segundo eles, negociarem a aquisição de 20 milhões de doses da vacina Covaxin, produzida na Índia, ao preço unitário inicial de 3,50 dólares americanos.

Esse preço aumentou misteriosamente, durante a negociação, para 15,50 dólares americanos.  

A suspeita negociação estendeu-se para 400 milhões de doses de vacina, desta vez da AstraZenica e, em consequência, os pilantras aumentaram o valor e outras coisas mais.

Custo total da tramoia: R$ 1,6 bilhão. O empenho da verba foi feito, o que significa dizer que o Ministério da Saúde reservou o crédito orçamentário para pagamento das vacinas.

O militar mineiro disse que, embora tivesse negociado a venda de vacinas, não dispunha sequer de uma dose para entregar ao Brasil, o que é compreensível, tendo em vista a natureza do trambique.

Experiência do cabo da PM de Minas, intermediário na negociação da venda de vacinas: vendedor de salsichas.

Porte da empresa americana que o militar dizia representar: 3 empregados.   

O que o cabo da polícia de Minas entende de vacina: nada, absolutamente nada.

De salsichas, talvez entenda alguma coisa.

O trapaceiro diretor do Ministério da Saúde, que negociou o inegociável, já demitido, cobrou 1 dólar americano de propina por dose da vacina, segundo o próprio atravessador referido, o que representaria R$ 200 milhões de propina.

Os vigaristas caíram na malha da CPI da pandemia no Senado Federal. Ouvidos, mudaram o nome de propina para comissionamento. Coisa de malandro, trambiqueiro, enganador.

O negócio acabou não acontecendo. Por sorte do Brasil ou por azar dos trambiqueiros.

Na sequência, servidores graduados do Ministério da Saúde se reuniram também com intermediadores de uma empresa de Santa Catarina, com o intuito de negociar a aquisição de 30 milhões de doses da vacina chinesa Coronavac ao preço de 28 dólares americanos por unidade.

A contradição mais clara é que o governo já havia anunciado tratativas com a China, sem intermediários, para aquisição de 100 milhões de doses, ao custo de 10 dólares americanos, por unidade.

Mais: a China havia informado o governo do Brasil que não tem intermediário e que a vacina é vendida diretamente ao governo e somente o Instituto Butantan, de São Paulo, tem credencial para tratar diretamente do imunizante.

Mais: o chefe da volumosa negociação das vacinas com o Ministério da Saúde vive financeiramente na penúria.  

Cadastrou-se no auxílio emergencial do governo e recebeu todas as parcelas.

Ser pobre não é pecado, não é defeito, nem crime, nem razão de crítica.

Todavia, uma pessoa assim, nessas condições – valendo-se de auxílio emergencial para sobreviver – tem envergadura financeira para viajar aos Estados Unidos, Brasília, Índia e tantos outros lugares, para viabilizar o sonhado negócio bilionário?

Nada disto soou estranho ao Ministério da Saúde?

Onde estão os órgãos de inteligência do governo?

Aliás, o Ministério da Saúde está cheio de criaturas estranhas, muito estranhas.

Eduardo Pazuello, experiente e roliço general de três estrelas, que ocupa o ápice da carreira de intendente, à época ministro da Saúde, não conseguiu captar o trambique que seus subordinados estavam tramando contra os brasileiros?

O general Pazuello é o primeiro general barrigudo que vi, embora já tenha visto muitos generais na vida.

Ou a história está mal contada – e parece estar mesmo – ou o general Pazuello não tinha a mínima condição de, sequer, ser office boy do Ministério da Saúde.

Aliás, office boy é uma profissão respeitável, que exige competência.

Neste caso –  parece – mais respeitável que de ministro da Saúde em tempos de governo Bolsonaro.

Com um Ministério da Saúde assim, além dos milhares que já se foram, todos nós começamos a morrer.

araujo-costa@uol.com.br

Judiciário da Bahia está em colapso moral

É razoável entender que o desvio isolado de conduta de alguns desembargadores e juízes da Bahia não tem o condão de contaminar toda a instituição Poder Judiciário.  

Todavia, em se tratando da Bahia, parece ser um caso recorrente e não isolado, propriamente, mas estarrecedor.

A desembargadora baiana Sandra Inês, presa por falcatruas (corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa), fez delação premiada e apontou 12 outros colegas desembargadores, doze juízes do Tribunal de Justiça da Bahia, 15 advogados e 16 funcionários do tribunal, além de filhos e parentes de magistrados, todos envolvidos em venda de sentenças, totalizando 68 pessoas.

Dentre os supostamente envolvidos estão Gesivaldo Britto, ex-presidente do Tribunal de Justiça e Maurício Teles Barbosa, ex-secretário de Segurança Pública da Bahia nos governos petistas de Jaques Wagner e Rui Costa.

Custa acreditar que o ex-secretário de Segurança Pública da Bahia esteja envolvido em crimes dessa espécie, tendo em vista seu honrado e conhecido histórico de delegado da Polícia Federal, instituição reconhecidamente respeitada.

Entretanto, não se pode dizer o mesmo relativamente a desembargadores e juízes, considerando a abundância de casos sobejamente conhecidos em todo o Brasil, muitos deles em apreciação no Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Em razão do corporativismo evidente e inegável, o CNJ costuma passar a mão na cabeça de magistrados corruptos ou supostamente corruptos.

Em caso de punição mais grave, o magistrado delinquente é aposentado com salário estratosférico pago pela mesma sociedade que foi surrupiada, ou seja, para o juiz ou desembargador corrupto, o crime compensa.

Fácil, muito fácil: o sujeito presta concurso público, efetiva-se na condição de juiz, corrompe-se e se aposenta antes do tempo exigido por lei a que todos os brasileiros estão obrigados a cumprir.

Consequentemente, vai viver uma vida nababesca à custa do contribuinte. Os exemplos são muitos em todo o Brasil.  

As investigações envolvendo os magistrados da Bahia estão em andamento e a cargo da Polícia Federal e Procuradoria Geral da República.

Além das investigações envolvendo a desembargadora Sandra Inês, há muitas outras contra magistrados da Bahia.

Se o caminho estiver correto – e se provadas as acusações – o Tribunal de Justiça da Bahia terá de ampliar vagas em presídios para abrigar magistrados e servidores.

O registro mais deplorável é este: a Bahia apresenta ao Brasil, a primeira desembargadora a fazer delação premiada contra membros do próprio Poder Judiciário do qual faz parte.

Imagino quantos desses magistrados, mais mentecaptos do que magistrados, em audiência e despachos, se viram no direito de dar lições de moral em advogados e partes processuais.

A toga, para eles, é o esconderijo das falcatruais.

O Judiciário da Bahia está em colapso moral.   

Os verdadeiros juízes estão envergonhados.

araujo-costa@uol.com.br

Os patifes do Congresso Nacional

“De circunlóquios nada sei.
O caso conto como o caso foi.
Na minha frase de constante lei,
O patife é patife; o boi é boi.”

(Cônego Batista Campos, Jornal O Paraense, Século XIX)

Que pandemia que nada!

Pandemia, desemprego e economia raquítica só existem para deputados e senadores quando é para criticar o governo federal.

Quando se trata de beneficiar os bolsos de Suas Excelências, não há pandemia, o desemprego é relativo e a economia vai muito bem, sim senhor.

O Congresso Nacional aprovou R$ 5,7 bilhões para o fundo eleitoral de 2022.

Nas eleições de 2020 o fundo era R$ 2 bilhões. Ou seja, eles aumentaram R$ 3,7 bilhões para gastarem na campanha eleitoral do próximo ano.

Esses parasitas do Congresso Nacional votam esta e outras matérias de seus interesses, sem nenhum estardalhaço, geralmente sem discussão, sem debate, silenciosamente, quase sempre em votação simbólica.

O dinheiro arrancado dos cofres públicos será dividido entre os partidos políticos para eles gastarem a seu talante, como bem entenderem.

Depois deputados e senadores saem por aí, diante dos holofotes, criticando a falta de hospitais, de leitos, de remédios, de assistência governamental aos mais necessitados e  outras coisas mais.

Pergunta-se: onde estão, por exemplo, os “honestos” senadores Randolfe Rodrigues (Rede-AP), Renan Calheiros (MDB-AL) e Omar Aziz (PSD-AM) e outros tantos hipócritas do Congresso Nacional que, quietinhos, votaram a favor da mamata?

Os parlamentares do Partido dos Trabalhadores (PT) que vivem criticando o fraco desempenho da economia, falando de desemprego e de descuido com a pandemia, também votaram quietos a favor do aumento do fundo eleitoral.

Por que? Porque o PT é o maior e grande beneficiário do fundo eleitoral.

O PT é o primeiro no topo da lista.

Nas eleições municipais de 2020, o PT abocanhou R$ R$ 200.925.914,05. São milhões do fundo eleitoral, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral, que faz a conivente distribuição da bufunfa aos partidos políticos.

Alguém já viu Gleisi Hoffmann, presidente nacional do PT, criticando o aumento do fundo eleitoral?

Entretanto, certamente alguém já viu ela dizer que o auxílio emergencial é irrisório e que os pobres estão desamparados e que só os governos do PT tiraram os miseráveis da linha da pobreza.

Onde estão estes novos ricos que o PT os elevou à prosperidade?

Cadê as manifestações contrárias à ampliação do fundo eleitoral dos combativos deputados José Guimarães (PT-CE), que o imaginário popular o apelidou de “dólar na cueca” e do deputado Paulo Pimenta (PT-RS) ambos tão defensores da moralidade pública?

A democracia ainda é o melhor regime político. E sempre será.

Mas produz, em turbilhões: patifes, parasitas e outros infames que vivem enganando a sociedade.

Pior: há quem acredite neles. Mais do que isto: há quem os defenda.

araujo-costa@uol.com.br

O PCdoB e a “morte” de Gleisi Hoffmann

A melhor propaganda anticomunista é deixar um comunista falar” (Paulo Francis, jornalista e escritor, 1930-1997).

Modelo de regime político admirado pelo Partido dos Trabalhadores (PT) e parte de nossa esquerda caótica, o comunismo de Cuba está se desmoronando.

A população saiu às ruas de Cuba em protesto contra a falta de comida, esfacelamento do serviço de saúde e aumento da pandemia do coronavírus.

Lá, como cá, o governo negligenciou no combate à pandemia. Aqui, um presidente amalucado de direita extremada; em Cuba, um presidente estruturado em base decadente e sórdida.

No Brasil, o comunismo é representado, basicamente, pelo Partido Comunista do Brasil (PCdoB), que nasceu de uma dissidência do velho Partido Comunista Brasileiro (PCB), de Luís Carlos Prestes, Jacob Gorender, Carlos Marighella, Apolônio de Carvalho, Oscar Niemeyer e de tantos outros idealistas de princípios, tão escassos nos dias de hoje.

Entretanto, o PCdoB corre o risco de acabar. Com a saída de Flávio Dino, do Maranhão, único governador do partido, acendeu o sinal amarelo na agremiação.

Flávio Dino sonhava em ser o candidato de Lula da Silva em 2022.

O ministro petista Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, resolveu retribuir o favor que o PT lhe fez com sua nomeação, cancelou as sentenças de Lula e Flavio Dino baixou a crista. Foi se abrigar no Partido Socialista Brasileiro (PSB).

A presidente nacional do PCdoB, salvo engano, é vice-governadora de Pernambuco, mas não tem cacife para levantar o partido e evitar sua derrocada.

Em 2022, o PCdoB vai precisar eleger 11 deputados federais, em razão da cláusula de barreira, que exige dos partidos votação mínima de 2% dos votos válidos em nove Estados, para que possam continuar existindo legalmente.

O quadro parece difícil para o PCdoB, que se esteia no marxismo-leninismo, seu maior pilar, teoria muito desgastada na sociedade. A saída será fazer a fusão com outro partido, coisa que para o PCdoB não é novidade. O partido é apêndice e penduricalho do PT.

O PCdoB enfrentou a ditadura militar, viveu na clandestinidade e organizou a guerrilha do Araguaia, quando morreu um de seus fundadores e destacado dirigente, Maurício Grabois.

Em Cuba, o governo de lá parece ter optado pelo anticomunismo, segundo a teoria de Paulo Francis: a direção do partido está falando muito para justificar o estado de penúria por que passam os cubanos, que decidiram protestar.

Das duas, uma: ou terá fuzilamento, nos moldes de Fidel Castro, ou o comunismo cubano vai virar escombros.

O governo de Cuba já está trancafiando quem participa dos protestos. Depois, será escuridão, não se sabe o que poderá acontecer.

A “morte” de Gleisi Hoffmann

A jornalista Mônica Bergamo, esquerdista acima de qualquer suspeita, publicou em sua coluna na Folha de S.Paulo um caso hilário.

Mônica Bergamo escreveu que a presidente nacional do PT não consegue se vacinar com a segunda dose do imunizante, por uma razão muito simples: já morreu.

Após tomar a primeira dose, Gleisi Hoffmann foi informada por profissionais da saúde que o nome dela foi baixado, por morte, no sistema do SUS.

Gleisi correu atrás e constatou que o procedimento da baixa foi feito corretamente, com base nos documentos dela.

Agora ela tenta provar que está viva para receber a segunda dose da vacina.

Ironia do destino: consta que o apelido de Gleisi Hoffmann no SUS é “Bolsonaro”. Menos mal. Melhor do que o apelido que ela recebeu na Planilha da Odebrecht.

Enquanto Gleisi Hoffmann não provar que está viva, não vai poder fazer turismo em Cuba e assistir aos escombros do comunismo que ela e seu partido tanto enaltecem.

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