O Poder Judiciário e os juízes delinquentes

“Brasil de ontem e amanhãDai-nos o de hoje, que nos falta” (Ruy Barbosa, 1849-1923)

É comum e até frequente, em todo o Brasil, desembargadores e juízes serem processados, afastados das funções, aposentados compulsoriamente e até presos, em razão da prática de crimes no exercício da honrosa função jurisdicional.

Os casos assombrosos vão desde venda de sentenças e decisões judiciais afins até outra infinidade de crimes tipificados nas leis penais e capazes de assustar até mesmo o mais esperto e perigoso dos delinquentes.

Em data recente, foram presos quatro desembargadores do Tribunal Regional do Trabalho do Rio de Janeiro (TRT) pela prática de corrupção ativa e passiva, peculato, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

Como se vê, esses arremedos de magistrados, que enxovalham o Poder Judiciário, devem ter passado todo o tempo de exercício da judicatura ocupados em urdirem formas de arrebanhar dinheiro ilícito em direção aos seus bolsos.

Isto envergonha todos os brasileiros decentes que veem no Poder Judiciário, às vezes erroneamente, a única e última solução e o amparo necessário para muitas das injustiças que lhes afligem em nossa sociedade desigual e cruel.

A quantidade de magistrados delinquentes em todo o País é assustadora. E muitos deles ainda se arvoram em paladinos da honestidade, da hombridade, da decência e da retidão de caráter. Mais: são arrogantes.

À semelhança dos antigos cavaleiros andantes, esses magistrados se dizem defensores dos oprimidos.  

Além de hipócritas, esses magistrados são criminosos que se igualam a centenas de presidiários, muitos deles até condenados injustamente, com uma diferença: os pobres criminosos apodrecem nas cadeias e os ricos delinquentes ficam soltos em suas mansões.

Os delinquentes do Judiciário desfrutam de outra vantagem vergonhosa: o corporativismo abunda nos tribunais e a punição esvai-se como cinza ao vento.

No Rio de Janeiro, dentre os acusados, estão o presidente do Tribunal Regional do Trabalho e um ex-presidente do mesmo TRT, todos corruptos, conforme sustenta a Procuradoria-Geral da República.

Somente um deles, o “articulador do grupo”, segundo as investigações, teria recebido a bagatela de R$ 3,6 milhões de propina.

Esses e outros criminosos da mesma espécie se escudam na toga para espezinhar a sociedade, que lhes paga salários e mordomias. Ao invés de exercerem a magistratura com dignidade, cometem crimes.

Uma realidade que se vê com frequência, infelizmente.

Este é o escandaloso e deprimente retrato de parte do Poder Judiciário que nos julga, que se encontra aos pedações e está sucumbindo a esta vergonhosa realidade incompatível com a Justiça.

O Poder Judiciário, em parte, está de cócoras.

araujo-costa@uol.com.br       

O flagrante perpétuo que o Supremo inventou

“O medo instaurou-se como poder no País” (jornalista e escritor Flávio Tavares, in Memória do Esquecimento)

Não é nenhuma novidade para os operadores do Direito e grande parte da sociedade que o Supremo Tribunal Federal se tem arvorado na condição de legislador e criado “leis” que não existiam no ordenamento jurídico nacional e passaram a fazer parte da bagunça de normas que o próprio Supremo instalou em nossa combalida República.

O Supremo Tribunal Federal fomenta a insegurança jurídica.

O exemplo mais solar é a prisão em segunda instância, que a Constituição da República veda inequivocamente e os ministros do STF autorizaram essa barbaridade, mas tiveram que recuar, depois do imbróglio que envolveu a prisão do ex-presidente Lula da Silva, de resto amigo pessoal de alguns dos ministros de nossa subida Corte.  

Ficaria feio não recuar. Ficaria feio deixar Lula preso ilegalmente e aqui não se discute o mérito da condenação do ex-presidente (se culpado ou inocente), mas a prisão indevida, que não podia prosperar, porquanto ainda com uma série de recursos interpostos pela defesa e pendentes de julgamento.

Ninguém será preso, enquanto não houver trânsito em julgado da sentença penal condenatória, diz a Constituição Federal.

Agora, outro problema criado pelo STF: a prisão dita em flagrante e por crime inafiançável do deputado federal Daniel Silveira (PSL-RJ).

Primeiro é bom desanuviar as interpretações e as paixões políticas. O retro aludido deputado foi grosseiro, estapafúrdio e inconveniente. Feriu a honra de alguns ministros do STF e, por extensão, jogou no ralo o decoro parlamentar.

O deputado fluminense deve ser punido, se não com a cassação do mandato parlamentar, que não sabe exercer, ao menos com uma reprimenda judicial. É um destemperado incompatível relativamente ao Poder Legislativo.

O deputado vomitou palavras duras contra ministros da Suprema Corte. Aquilo não podia ser dito sequer contra o menor dos juízes. Sabemos que há juízes grandes e juízes pequenos, mas isto não nos autoriza a ofendê-los.

Todavia, o que se discute aqui é o corporativismo exacerbado que o Supremo Tribunal Federal deixou às claras.

Por unanimidade, que raramente existe em suas votações, os ministros referendaram a prisão do deputado decretada ilegalmente por Sua Excelência o ministro Alexandre de Moraes.

Tudo leva a crer que a unanimidade foi combinada. O ministro Alexandre de Moraes consultou primeiro os colegas sobre a decretação da prisão e, para inglês ver, submeteu a seguir o ato prisional ao plenário do Tribunal até por imposição regimental.

Tudo já estava acertado entre eles, tanto que os senhores ministros não fundamentaram seus votos, apenas concordaram com a prisão e disseram que depois juntariam seus votos ao processo, fato que não é incomum, desde que em situações normais .

Isto se deveu à pressa, ao atabalhoamento do momento, a ânsia dos ministros de mostrarem a decisão para a imprensa, imprensa de resto ávida por linchamento contra aliados do governo federal. Deu certo.

A prisão do deputado feriu frontalmente o artigo 53 da Constituição Federal. O deputado não podia ser preso em flagrante e, menos ainda, por crime inafiançável.

Não houve flagrante. Não houve crime inafiançável.

“Deputados e senadores são invioláveis, civil e penalmente, por qualquer de suas opiniões palavras e votos”. Ressalve-se que os excessos devem ser considerados e punidos na forma da lei.

O Supremo Tribunal Federal entendeu que tudo isto é verdade, está na Constituição, desde que palavras e opiniões ditas por deputados não sejam endereçadas aos membros do STF.  Em sendo, aí é outra coisa, muda de figura.

Elogio pode.

Entretanto, o absurdo maior na prisão do deputado foi o flagrante inventado pelo STF: o Tribunal entendeu que o vídeo do deputado estava nas redes sociais e isto caracteriza flagrante permanente.

O precedente é perigoso. Perigosíssimo.

Qualquer brasileiro que, por exemplo, há dez anos, tenha postado um vídeo ou um texto nas redes sociais considerado ofensivo a uma autoridade que se acha intocável, estará sujeito a ter sua prisão em flagrante e por crime inafiançável decretada por qualquer juiz de primeira instância, mesmo que dos rincões mais distantes.

Mais: Suas Excelências transformaram a liberdade de opinião em crime inafiançável.

Ou seja, os ministros do Supremo Tribunal Federal acabaram de inventar o flagrante perpétuo, permanente, inextinguível.

Há absurdo legal maior?

Noutras palavras: os ministros do STF rasgaram o artigo 53 da Constituição Federal, o Código Penal, o Código de Processo Penal e leis extravagantes correlatas.

O Supremo Tribunal Federal se acostumou a se imiscuir nos assuntos dos outros poderes da República (Legislativo e Executivo), de modo que a teoria da separação dos poderes idealizada pelo filósofo francês Montesquieu (1689-1755) e adotada em todo o mundo civilizado não existe para os atuais subidos ministros de nossa Suprema Corte.

O Supremo Tribunal Federal precisa entender que o poder de seus ministros não é absoluto.

Os ministros do STF precisam de freios, de humildade, de menos vaidade, menos arrogância e mais vigilância da sociedade.

araujo-costa@uol.com.br

Chorrochó: Joãozito, uma saudade

“Nessas horas lentas e vazias, sobe-me da alma à mente uma tristeza, uma amargura e uma coisa externa que não está no meu poder alterar” (Fernando Pessoa, 1885-1935)

O tempo corrói em silêncio. Assim, a saudade. Assim, a dor da saudade. Assim, as lembranças, que se abancam e nos cutucam no dia a a dia.

Noticiou-se o falecimento de João Bosco de Menezes (Joãozito), honrado e digno filho de Chorrochó.

Joãozito vinha de estirpe exemplar. O pai Dorotheu Pacheco de Menezes e a mãe Izabel Argentina de Menezes (D. Biluca), exemplos de esteio de vida da sociedade de Chorrochó.

Inobstante as palavras de São Francisco de Assis, segundo o qual “é morrendo que se vive para a vida eterna”, a morte sempre representa uma tragédia que dilacera, rompe cruelmente os laços da existência e nos deixa atônitos e impotentes diante da realidade irreversível.    

Em Chorrochó, Joãozito representava a cordialidade, a afabilidade, a generosidade, a decência.

Joãozito era incapaz de melindrar, de ofender, de menosprezar qualquer pessoa. Era avesso a tudo isso.

Convivi com Joãozito algum tempo e guardo boas lembranças de seu comportamento sereno, educado e grandioso. Discreto, limitava-se ao seu mundo e de sua família, sempre indiferente às maldades e pequenezas da vida.

Caráter irrepreensível, Joãozito se agigantou diante de todos à medida em que foi deixando dignificantes traços de convivência sadia e socialmente responsável.

Não posso alterar a tristeza, a amargura, o vazio, a certeza da finitude, nem há nenhuma força de gesto suficiente para amenizar a dor da família. Resta-me tão-somente a solidariedade.

Registro aqui a saudade de Joãozito e deixo pêsames à família: Neusa Maria Rios Menezes de Menezes, Pollyana Menezes Correia, Maria do Socorro Menezes Ribeiro, Virgílio Ribeiro de Andrade e todos do esteio familiar.

araujo-costa@uol.com.br

PSDB: a diferença entre a decência e o caráter

Ano passado, não vai muito longe, escrevi neste mesmo espaço – e agora isto se confirma – que o governador-pavão de São Paulo vai implodir o Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB).

O processo de desmoronamento do partido já começou. João Dória deu início à derrocada da agremiação e levará com ele os escombros de sua inexperiência política.

João Dória arvorou-se, fora de hora, como único habilitado para ser o presidente nacional do partido e, de maneira arrogante e abominável, próprio de seu estilo, lançou e encabeçou um movimento baseado em São Paulo, para destituir o atual presidente e ocupar o lugar do dirigente.

Aliás, João Dória já tentou, sem sucesso, a expulsão do deputado mineiro Aécio Neves, que lhe faz sombra no partido. É possível que João Dória entenda que não há espaço no PSDB para dois embusteiros.

João Dória pretendia assumir o comando do PSDB para adquirir cacife com intuito de percorrer o País e viabilizar sua candidatura a presidente da República em 2022. Esqueceu-se de “combinar com os russos”.

Não deu certo. A Executiva Nacional vislumbrou a malandragem baixa de João Dória e, mais que depressa, amparada no regimento, aprovou por unanimidade, a recondução do deputado pernambucano Bruno Araújo à presidência nacional do partido.

João Dória ficou atordoado com a surpresa e a retumbante derrota que lhe foi imposta.

O problema de João Dória é a flexibilidade de caráter. Na ânsia de ser presidente da República saiu atropelando colegas de partido e correligionários e engendrou uma farsa insustentável segundo a qual o PSDB precisa fazer oposição ao governo Bolsonaro e ele deve ser o esteio dessa oposição.

Entretanto, sua clara intenção é tão-somente assumir o poder federal, sabe-se lá com que intenção, já que é inegável admirador de decisões autoritárias e seu péssimo governo em São Paulo tem mostrado isto indubitavelmente.  

O certo é que, para fazer oposição a Bolsonaro, o PSDB não precisa que João Dória determine o que deve ser feito.

Petulante e pernóstico, ele acha que o PSDB gira em torno dele.

No fundo, oposição a Bolsonaro é um elemento secundário para o governador-pavão de São Paulo. Se assim não fosse, ele não teria subido em palanques para tecer constrangedores elogios a Jair Bolsonaro em 2018, com o intuito de eleger-se governador de São Paulo à sombra do então candidato a presidente, que hoje renega e que à época a popularidade estava em alta.

A mente obsessiva de João Dória só vê uma coisa: ser presidente da República. Não importam os caminhos para chegar lá. E os caminhos, por enquanto, não parecem ser os mais recomendáveis.

João Dória revelou-se falso, embusteiro, interesseiro e, sobretudo, desleal politicamente.

Mas voltando ao início, aconteceu o que João Dória não esperava. O PSDB o rejeitou liminarmente e grande número de próceres do partido indicou o decente governador Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul, para disputar a presidência da República em 2022.

No mínimo haverá prévias para definirem o candidato do partido em 2022, o que arranca de João Dória seu desejo autoritário de comandar o partido e se lançar candidato a presidente da República, como se o partido fosse uma propriedade dele e o único capaz de concorrer dentre tantos outros nomes, de resto mais respeitáveis que ele.

João Dória é o Lula da Silva II.

De qualquer modo, a eleição presidencial está distante.

O governador Eduardo Leite, jovem político de 35 anos, demonstra-se decente, equilibrado e avesso a qualquer tipo de narcisismo, ao contrário do governador de São Paulo, que se pavoneia a mais não poder e se acha o máximo dentre todos os demais políticos do Brasil.

Se, depois, por composição de membros do partido ou quaisquer circunstâncias que levem João Dória a ser o candidato do PSDB a presidente em 2022, isto representará, sem dúvida, a vitória do mau-caratismo sobre a decência.

O Brasil está carente de homens públicos sérios e João Dória certamente não é um deles.

A diferença de caráter entre o governador do Rio Grande do Sul e o governador de São Paulo é abismal.

araujo-costa@uol.com.br

O PT chega aos 41 anos

“Nada está mais próximo da ingenuidade do que a malícia levada ao extremo” (San Tiago Dantas, 1911-1964).

O Partido dos Trabalhadores (PT) chega aos 41 anos.

É inegável que o PT foi fundado com nobreza de propósitos, porque assim pensavam seus fundadores. Entretanto, muitos deles abandonaram o barco quando perceberam que o partido estava à deriva e rumando em sentido contrário às convicções que defendiam.

Insta acentuar que isto ficou evidente tão logo o PT assumiu o poder da República, nos primeiros anos de Lula e sinais do mensalão e com o surgimento de outras práticas antes condenadas pela agremiação.

Em 10/02/1980, o PT nasceu errado. Com grande apoteose, foi fundado nas dependências do tradicionalíssimo e centenário Colégio Nossa Senhora de Sion, frequentado pela elite quatrocentona paulistana.

Naquele dia, ali tinha de tudo: intelectuais exaltados, esquerdistas frustrados, sonhadores, líderes bem-intencionados, ex-presos políticos, opositores ferrenhos da ditadura militar e ingênuos de toda ordem, et cetera. Menos trabalhadores.

O simbolismo não podia ter sido maior. Lula diz até hoje, com todas as letras e até com uma ponta de orgulho, que nunca os banqueiros e a elite empresarial do Brasil ganharam tanto dinheiro como nos dois mandatos dele.

Com o tempo, o PT foi arrebanhando ativistas da esquerda católica, profissionais liberais e marxistas de alto costado, de forma que atingiu robustez suficiente para sustentar-se por longas décadas, como principal voz da esquerda.

O fôlego do PT ainda não acabou. Está longe disto. Ele tem estrutura e estofo para liderar o pensamento da esquerda no Brasil e carregar com ele outros partidos satélites, por muitos anos.

O PT também lidera grande massa de seguidores que sequer entende o que é ideário partidário. São os fanáticos lulistas e outros milhares que foram beneficiados com benesses, cargos públicos, mordomias e posições de destaque nos governos petistas.

São os deslumbrados que, à época dos governos petistas, gastavam com regabofes, jatinhos, viagens nababescas, hotéis, bebidas caríssimas e outras inacreditáveis coisas mais.

Em seu aniversário de 41 anos, o PT vive às voltas com o maior de seus dilemas: readquirir a confiança de milhões de trabalhadores e de grande parte da juventude que migraram para outras bandas, em razão do desmoronamento moral do partido.

Lula da Silva criou a polarização “nós” e “eles”, uma imbecilidade, sem dizer exatamente onde estão, distanciou-se arrogantemente de outros partidos e hoje, contraditoriamente, quer reaproximar-se desses segmentos que ele mesmo espezinhou.

O fato é que, com o passar do tempo, o PT foi-se desviando de seu ideário e descambou para a vala comum dos demais partidos comumente inchados de inescrupulosos, aproveitadores, mentirosos e meliantes ávidos por cargos públicos. Muitos deles conseguiram seu intento sob a égide petista.

Outro dilema do PT é a incapacidade de desatrelar-se do morubixaba Lula da Silva. O partido não consegue construir ou vislumbrar outra liderança nacional capaz de substituí-lo e possa assumir a candidatura presidencial em 2022, exceto se Lula indicar.

O PT é Lula. Sem Lula o PT é uma estátua corroída pelo tempo e pelas más ações do partido.

Vaidoso, Lula da Silva dificulta o caminhar do PT com suas próprias pernas. Ele determina com que e com quem o partido deve seguir para retomar o poder que jogou para o alto, em razão de ter priorizado as práticas abomináveis de nossa história política.

Fora da prisão, mas não livre, a estratégia de Lula da Silva foi lançar o maior número possível de candidatos nas eleições municipais de 2020 para lastrear a eleição presidencial de 2022.

O exemplo de 2016 gritou fundo nas entranhas do partido. O desempenho do PT nas eleições municipais daquele ano foi um descalabro em todo o Brasil.

Em São Bernardo do Campo, berço do partido, o PT sequer conseguiu reeleger vereador um dos filhos do ex-presidente que tinha mandato na Câmara Municipal.

Inegável é que, com o passar do tempo, o PT foi-se desviando de seu caminho e descambou para a vala comum dos demais partidos abarrotados de dirigentes inescrupulosos, aproveitadores, mentirosos, meliantes.

Daí para passar às páginas policiais foi um passo, situação que ofuscou o protagonismo do partido e levou alguns de seus dirigentes ao cárcere.

Deu no que deu: Lula da Silva, sua maior liderança, foi-se caindo no despenhadeiro das incertezas jurídicas e, seguramente, decepcionou parte dos brasileiros que nele acreditavam.

Lula nega seus desvios éticos, mas parece não ser o caso de continuar tapando o sol com a peneira.

Como dizia San Tiago Dantas, “nada está mais próximo da ingenuidade do que a malícia levada ao extremo”.

Lula levou a malícia ao extremo. Seguirá líder, mas um líder capenga, desacreditado, inclusive por um grande número de pessoas que antes o admiravam.

Mesmo laborando na hipótese de que Lula da Silva possa ser absolvido, em fase recursal, em todos os processos, não há mais como ele e o PT recuperarem a credibilidade do patamar anterior aos governos petistas. Serão sempre vistos como raposas no galinheiro.

A presidente nacional do PT, destemperada e engajada na tentativa de desmoralizar as instituições nacionais, mormente Poder Judiciário, Polícia Federal e Ministério Público, vomita impropérios a cada vez que abre a boca. É um mau exemplo.

Até petistas convictos vêm discordando do discurso piegas da direção do partido. Entendem que o discurso de perseguição alardeado pelos dirigentes não cola mais. E a direção do partido não sabe mudar de estratégia, ou por falta de inteligência ou por cara de pau mesmo.

O PT sabe que errou. Entretanto, não pode exteriorizar sua derrocada, para não desencorajar a militância desinformada e admiradores. Faz um discurso inverso, sem base fática, difícil de convencer, às vezes delirante.

Em consequência, a cada dia fica mais escancarado que o PT não prima pela verdade, mas por tudo aquilo que lhe interessa, principalmente dinheiro e poder.

O partido foi ávido por cargos em todos os níveis e posições da República, mas se descuidou de seu maior patrimônio: a ética.

O inventário de 41 anos do PT apresenta um amontoado de resultados abomináveis, entulhos de radicalismo e, sobretudo, falta de compromisso com a ética, que tanto defendeu.

Todavia, o PT não está isolado neste imbróglio de desfaçatez e lama. Estão aí os outros partidos políticos que lhe fazem companhia, igualmente desmoronados sob o ponto de vista ético. São aliados espertos, comparsas, malandros, velhacos.

A explicação para tudo isto é simples: o PT abandonou o caminho que idealizou e abraçou o fisiologismo, a avidez por posições e cargos, a ânsia pelo poder, o radicalismo, o apoio a ditaduras cruéis.

O PT faz 41 anos. Aniversário triste, macambúzio, insignificante.

araujo-costa@uol.com.br

Lula da Silva insiste em Haddad.

A semelhança entre Lula da Silva e Ciro Gomes é o copo.

A diferença é que, em estado etílico, Lula desanda-se a contar lorotas e a disputar com Deus para saber quem dos dois é mais poderoso no Universo. Deus sempre ganha, mas a ficha de Lula nunca cai.

Lula tem mágoa de Pedro Álvares Cabral. Não concorda que o navegador português tenha tirado dele a oportunidade de descobrir o Brasil.

Entretanto, Lula da Silva é um animal político inofensivo e, portanto, não se deve levá-lo a sério quanto aos destemperos, lorotas e afirmações inverossímeis que ele costuma dizer.

É o jeito dele, sempre foi assim.

Erros e eventuais desvios de conduta de Lula, enquanto presidente da República, são coisas diferentes, que aqui não vêm ao caso.

Ciro Gomes, ao contrário, em estado etílico, fica violento, agride Deus, o diabo e o mundo e já saiu por aí, tarde da noite, determinando aos desavisados que se atreviam a usar o direito de ir e vir:  “circulando, circulando, circulando”.

Outra feita, litro de uísque em punho, também à noite, enfrentou um grupo de pessoas que certamente não concordava com sua linha política.

À moda dos antigos inspetores de quarteirão, Ciro Gomes confunde poder com arrogância.

Mas a diferença mais robusta entre Lula e Ciro Gomes é que Lula é fiel aos amigos, dentro do possível; Ciro Gomes labora na ingratidão. Taí o exemplo de sua relação conturbada com o próprio Lula de quem foi ministro.

Antes de entrevistarem Ciro Gomes, os órgãos de imprensa deveriam exigir dele teste de bafômetro. Isto facilitaria mais o entendimento de seu raciocínio destrambelhado e violento.

O Supremo Tribunal Federal já sinalizou a Lula da Silva que o ex-juiz Sérgio Moro será declarado parcial no processo do tríplex do Guarujá, mas o ex-presidente continuará inelegível, por conta de outra condenação, a do sítio de Atibaia, cuja sentença condenatória não foi proferida pelo ingênuo Sérgio Moro

Sérgio Moro foi um arremedo de juiz que envergonhou o Poder Judiciário do Brasil. Enxovalhou a Justiça, que já anda capengando e com grande descrédito perante a sociedade.

Sérgio Moro construiu um pedestal para nele entronizar sua derrocada moral. O STF fará o resto.

Lula da Silva tem seguras fontes no STF para inteirar-se dos futuros e muitos julgamentos no tribunal que envolvem seu nome. Uma dessas fontes, de resto respeitável, é um membro da Corte que sempre fez parte da copa e cozinha de Lula, em São Bernardo do Campo.

Mas é bom que não se misturem as coisas. Ninguém é proibido de ser amigo de ninguém. O ministro em referência é amigo de Lula e de sua família muito antes de ser ministro do STF e de Lula ser famoso e presidente do Brasil. Não há nenhum mal nisto. Nem demérito.

Informado do previsível resultado do julgamento no STF, que provavelmente lhe será parcialmente desfavorável, Lula se antecipou e mandou o ex-prefeito paulistano Fernando Haddad começar informalmente a campanha como pré-candidato do PT a presidente da República em 2022.

Tudo de novo: polarização entre direita e esquerda, petistas, antipetistas e Ciro Gomes no meio, ciscando, atrapalhando a seriedade das coisas, com direito a palavrões e outros destemperos.

Quem não deve estar contente com a decisão de Lula da Silva é Flávio Dino (PCdoB), governador do Maranhão que, em tempo de pandemia, mandou construir “módulos de encontros íntimos” em 11 presídios maranhenses, os chamados “motéis”, ao tempo em que critica o governo federal por negligência quanto ao combate à pandemia do coronavírus.

Custo dos “motéis” de Flávio Dino: R$ 1,3 milhão. Infectados no Maranhão: 210 mil; mortos: 4,8 mil.

Há hipocrisia maior do governador? Deve haver.

O dinheiro dos “motéis” de Flávio Dino provém do Ministério da Justiça, verba para melhoria do sistema prisional. Ele está gastando na construção de “motéis”, que seu governo elegeu como prioridade.  

Flavio Dino ainda sonha com o apoio de Lula a uma eventual e certamente fracassada candidatura a presidente da República.

Lula da Silva dá de ombros e insiste em lançar o nome do ex-prefeito paulistano Fernando Haddad, mais uma vez, como pré-candidato do PT a presidente da República em 2022.

Lula quer o PCdoB como linha auxiliar do PT, subserviente, como sempre.

Todavia, o melhor nome do PT para disputar a presidência da República em 2022 ainda é o governador da Bahia, Rui Costa, mas Lula da Silva não quer, embora pretenda fortalecer o feudo petista na Bahia.

Além de Rui Costa, há o ex-ministro Tarso Genro, do Rio Grande do Suil. Mas Tarso Genro só aceita se o PT mudar e o PT não muda.

Lula prefere Fernando Haddad, seu confiável ex-ministro da Educação.

Haddad não carrega manchas em seu nome, por enquanto. Apenas alguns rumores incompatíveis com a conhecida conduta do ex-prefeito de São Paulo.  

Sujeito decente e educado, a dificuldade de Haddad é uma só: penetrar nos distantes rincões do Brasil e se tornar conhecido eleitoralmente, lugares em que Lula era visto como santo.

Em muitos desses lugares, os aplausos que Lula recebia transformaram-se em vaias.

A era dos postes não é a mesma.

Post scriptum:

Interessante.  Semana passada o deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) aliou-se ao Partido dos Trabalhadores (PT) com o intuito de, juntos, elegerem os presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado Federal.

O fiasco todos conhecem,mormente na Câmara.

Neste domingo, 07/02, uma semana depois, o mesmo deputado Rodrigo Maia esteve na casa de João Dória (PSDB), governador-pavão de São Paulo e ambos conjecturam a formação de uma frente contra o Partido dos Trabalhadores (PT) e Jair Bolsonaro com vistas às eleições de 2022.

Como parte do conluio, João Dória convidou Rodrigo Maia para ingressar no PSDB.

Deram um chute no PT.

Difícil entender o caráter desses senhores.

araujo-costa@uo.com.br

Crônica desconexa

Walter Araújo Costa/arquivo pessoal

“Talvez a velhice seja um naufrágio” (Milton Hatoum, escritor amazonense)

Quando a ditadura militar corria solta, estudantes, escritores, jornalistas e um sem número de antagonistas do statu quo mantinham seus redutos de boemia, muitos dos quais ficaram famosos. Como dizia Carlos Heitor Cony, intelectuais reunidos incomodam muito.

Refiro-me, por óbvio, aos anos de chumbo, propriamente: governos Costa e Silva, Garrastazu Médici e parte do governo Geisel.

A ditadura, embora una, indivisível, teve períodos mais escabrosos que outros.  

O temido Serviço Nacional de Informações (SNI) se infiltrava até em botequins e lá auscultava se havia ou não a presença de subversivos.

Lá, nesses redutos, se discutia e falava-se mal do governo, das pessoas do governo, dos amigos do governo e de todo mundo que não comungasse as mesmas ideias sustentadas naqueles ambientes.

De tanto beberem cerveja, a direita os apelidou de “esquerda diurética”.

Essa esquerda – ou o que sobrou dela – quando vislumbrou o poder no governo de Fernando Henrique Cardoso e, mais adiante, nos governos Lula da Silva e Dilma Rousseff, passou a ser chamada de “esquerda caviar”, pelas razões que todos conhecem. É a esquerda deslumbrada e elitista que adora lambuzar-se no dinheiro público.

Quando fora do poder, a esquerda critica as mordomias, os exageros das mordomias. Quando chega lá, incorpora-as, acintosamente, ao seu cotidiano de glamour.  Os exemplos pululam.

Mas esta é outra história e só faz parte desta crônica porque muitos dos meus amigos daquela época, que também contestavam, já morreram. Sobraram poucos, alguns, que estão por aí cavando a persistência da vida, tropeçando no caminho do tempo, ainda com força de sacudir a poeira.

A velhice chega, mas os sonhos não vão embora. Ela se vem anunciando como uma brisa agradável e depois se vai abancando como uma tempestade. Em muitos casos chega a ser um naufrágio.

Com frequência, chegam notícias de amigos que se foram, alguns inesperadamente, porque não estavam doentes.

Um amigo, dentre os poucos que me restam, gozador e espirituoso, me disse:

– Não se impressione. Sua vez vai chegar. Não tenha pressa.

Disse-lhe que não tenho pressa de cair nos braços da finitude.

De qualquer modo, embeveço-me de lembranças e vou dando seguidos pontapés nas notícias ruins, que são muitas e chegam aos borbotões.

Prefiro dar espaço às lembranças dos redutos boêmios contestatórios, quando nossos sonhos eram utópicos, ingenuamente utópicos.  

É uma forma de achar que ainda irei longe, mesmo que seja duvidosa.

Como diz o Prefácio dos mortos, aos que a certeza da morte entristece, a promessa da imortalidade consola.

A vida é mudada, não é tirada.  

Termino com a incoerência desta crônica, a rigor, desconexa.

araujo-costa@uol.com.br

Coisas da política: a rasteira de ACM Neto

Em política, o importante não é o que se vê, mas o que não se vê.

As coisas vistas, mais do que fatos, vão-se para o universo das versões; as não vistas, embora fatos, têm o condão de decidir momentos importantes da história.

Em data recente, deu-se a inauguração de uma ponte lá para as bandas de Sergipe (Propriá) e Alagoas (Porto Real do Colégio) se, geograficamente, não estou equivocado a ponto de misturar alhos com bugalhos.

A Bahia – feudo do PT – nada tinha com a inauguração, mas ACM Neto estava lá, matreiramente, conjecturando com o presidente Bolsonaro, sem estardalhaço.

A imprensa não notou o fato político ou não quis dar importância, uma maldosa e silenciosa forma de dizer que o presidente da República está isolado politicamente.

A imprensa, que tem o dever de informar, não informou.

A experiente jornalista Rosângela Bittar (O Estado de S.Paulo) saiu à frente e resumiu o fato político: “A Bahia, ausente do fato, estava na foto”.

É o bastante.

O que veio depois, todos sabem. ACM Neto deu uma monumental rasteira em Rodrigo Maia (DEM-RJ), então presidente da Câmara dos Deputados que, em conluio com João Dória (PSDB), governador-pavão de São Paulo, engendrava impor uma derrota ao presidente da República na Câmara e no Senado Federal.

Rodrigo Maia contava com a força do DEM, mas se esqueceu de avisar ACM Neto, presidente do partido.

Não deu certo. Ingênuos e pedantes, Rodrigo Maia e João Dória se viram diante de uma cilada preparada por ACM Neto e ambos perderam retumbantemente as presidências da Câmara e do Senado, que davam a vitória como favas contadas.

Quem acompanha política de bastidores sabe. As eleições para as presidências da Câmara dos Deputados e do Senador Federal estavam sendo transformadas em trampolim para o palanque sujo que João Dória está montando para 2022. Rodrigo Maia fazia parte do complô.

João Dória está irritadíssimo, principalmente depois que, em debate ao vivo, o colunista e ideólogo Rodrigo Constantino disse ao governador que ele não ganhará mais eleição nem para síndico de prédio, tamanha a desfaçatez de suas ações gritantemente voltadas aos seus interesses pessoais escusos.

À beira de um ataque de nervos, João Dória não tem preparo para governar o Estado de São Paulo e tem dificuldade de absorver as críticas.

Péssimo estrategista, João Dória vale-se da pandemia do coronavírus, da vacina do Instituto Butantan e do sofrimento do povo para se promover politicamente.

Convenhamos, este não é um bom atestado de caráter.

Um governador decente e atento às suas atribuições fá-lo-ia diferente, diria Jânio Quadros.

Mas os erros que as urnas produzem também fazem parte do exercício democrático e João Dória está lá por vontade soberana do povo.  

De outro turno, ACM Neto está preparando o terreno para sair candidato ao governo da Bahia nas futuras eleições e cavando a estrutura do PT para desmoroná-lo no estado. Por isto seu desempenho nas eleições da Câmara e Senado.

Por aí se vê que as eleições para o comando das duas casas do Congresso Nacional acabaram sinalizando como será o cenário das eleições de 2022.

Quase egresso da adolescência política – tem 42 anos – ACM Neto pode surpreender.

araujo-costa@uol.com.br

As vergonhosas mordomias pagas com dinheiro público

Estão aí as razões pelas quais o Congresso Nacional (Câmara dos Deputados e Senado Federal) não tem interesse em votar as privatizações pretendidas pelo governo federal, quaisquer que sejam os governos.

O Ministério da Economia divulgou a lista parcial de benefícios de 46 empresas estatais com controle direto da União, dentre elas Petrobras, Eletrobras e BNDES.

Essas empresas são antros de apadrinhamento de políticos, com ou sem mandato, de modo que, se privatizadas, esses políticos perdem as mordomias asseguradas a filhos, genros, noras, parentes, aderentes, amigos, amigos dos amigos, avó do amigo do filho do amigo e et cetera.

A seguir, alguns exemplos estarrecedores:

O adicional de férias que nas empresas privadas é 1/3 do salário, de acordo com a CLT, na Petrobras é 100%, ou seja, as férias correspondem ao dobro do salário do privilegiado.

O salário médio na Petrobras é R$ 18.930,00 e no BNDES é R$ 29.200,00 e teto de R$ 75.600,00, o que se depreende que há funcionário ganhando esse valor e/ou acima disto, considerados os penduricalhos.

A Petrobras paga por mês R$ 1.261,65 para cada filho de funcionário menor de 18 anos, a título de ajuda educacional. Só a título de ajuda educacional.  

Somente para lembrar, milhões de aposentados brasileiros ganham um salário mínimo por mês, R$ 1.100,00.

O BNDES paga para cada funcionário R$ 3.673,63, a título de assistência à saúde, mesmo sendo aposentado da estatal e 13 cestas de alimentação a um custo que varia de R$ 654,88 a R$ 1.521,80.

Só para se ter uma ideia do desperdício de dinheiro público, devemos considerar que o BNDES tem 2.500 funcionários.  

O Ministério da Economia diz que há funcionários na Petrobrás que ganham R$ 106.189,00. Esses afortunados quando saem de férias embolsam nada menos do que R$ 212.378,00, acrescido de todas as demais vantagens acima referenciadas e outras mais.

Na Eletrobras, dentre um sem número de benefícios, a empresa paga para cada filho de funcionário até 6 anos de idade a quantia de R$ 863,83, a título de ajuda–creche.

Fiquemos nesses exemplos. Persistir com a lista dá enjoo.

Taí as explicações pelas quais deputados e senadores se negam a discutir as privatizações.

Privatizar significa suprimir a mamata de parlamentares e seus privilegiados.

araujo-costa@uol.com.br

A autodestruição da Oposição

O principal derrotado na eleição para presidência da Câmara dos Deputados não é, propriamente, o deputado fluminense Rodrigo Maia (DEM), artífice da candidatura de oposição ao eleito Arthur Lira (PP-AL), como apregoa a grande imprensa.

O derrotado-mor é João Dória (PSDB), governador-pavão de São Paulo, que se aliou a Rodrigo Maia com o intuito de forjar um conluio nacional com vistas à eleição presidencial de 2022, via presidência da Câmara, mas a imprensa silencia quanto a isto para preservar João Dória.

A ingenuidade de Rodrigo Maia foi achar que podia manusear o DEM a seu modo e esqueceu que o partido tem um presidente nacional formado na mais maquiavélica escola política da Bahia: ACM Neto, que apesar da idade tenra, carrega respeitável bagagem política que angariou com o avô Antonio Carlos Magalhães.

Uma semana antes da eleição da Câmara, ACM Neto reuniu deputados baianos e sinalizou que ia abandonar a candidatura de Baleia Rossi (MDB-SP), candidato esculpido no colo de João Dória e Rodrigo Maia, embora oficialmente referendado pelo partido.  

Na véspera da eleição, ACM Neto deu o tiro de misericórdia nas pretensões de João Dória e Rodrigo Maia: liberou os deputados do partido para votarem de acordo com suas convicções e não com fulcro na orientação partidária.

Em política, isto significa dizer que nos bastidores já havia um acordo firmado para abandonar a candidatura de Baleia Rossi.

No Senado Federal, Rodrigo Pacheco (DEM-MG) ganhou com folga acachapante a disputa contra a candidata do MDB, senadora Simone Tebet, um dos nomes mais respeitados da política de Mato Grosso do Sul.

O problema aí não se deve ao desempenho político da senadora do MDB, de resto inquestionável, mas aos respingos da trágica costura que Rodrigo Maia e João Dória fizeram a partir da candidatura de Baleia Rossi, também do MDB.

O fato é que a oposição ao governo está-se destruindo. O Partido dos Trabalhadores (PT), mais importante partido de esquerda, aliou-se a antigos desafetos, os chamados “golpistas”, tanto na Câmara dos Deputados quanto no Senado Federal e carregou de roldão os sobejamente conhecidos puxadinhos do PT, integrantes do bloco “Maria vai com as outras”, dentre esses PSOL e PCdoB.  

Neste cenário político desenhado na Câmara dos Deputados e no Senado Federal, o presidente Bolsonaro se fortaleceu, embora não se saiba até que ponto terá fôlego suficiente para enfrentar essa oposição destrambelhada e vítima de sua própria ingenuidade.

A sorte da oposição e da esquerda em geral é que o presidente Bolsonaro tem-se mostrado despreparado para o exercício do cargo, mormente em razão de seus destemperos verbais, que os opositores sabem explorar muito bem.

Post scriptum 1:

O PDT de Ciro Gomes, que se diz o suprassumo da honestidade, está no despenhadeiro. Em Diadema, município do ABC paulista, o PDT também é suspeito de cultivar um laranjal à semelhança do PSL, que elegeu o presidente Bolsonaro e que Ciro Gomes tanto critica.

Diz a denúncia de um membro do PDT que o partido burlou a cota legal de gênero.

Uma candidata a vereadora do partido em 2020, que recebeu dinheiro do fundo eleitoral não teve sequer um voto. Ou seja, nem ela votou em si própria. Aí tem!

Bom assunto para Ciro Gomes explicar, do alto de sua honestidade.

Post scriptum 2:

Patético o comentarista Gerson Camarotti, da GloboNews, tentando justificar o choro de  Rodrigo Maia (DEM-RJ) após a derrota de Baleia Rossi.

Só faltou Gerson Camarotti chorar também em solidariedade ao protegido do Grupo Globo.

araujo-costa@uol.com.br