Em Patamuté, um retrato da humildade

As grandes e nobres amizades são desprovidas de interesse. Qualquer interesse.

O verdadeiro caminho que nos leva aos muitos sentidos da vida não passa pela indiferença, tampouco pela arrogância. Desvia-se das incompreensões.

“A gente pode ter orgulho de ser humilde”, dizia D. Hélder Câmara. Talvez a forma mais nobre de descer do pedestal e entender o outro que está no chão seja a humildade.

Aníbal Ferreira Barros viveu em Patamuté e lá se transformou numa espécie de símbolo da humildade e da decência.

Aníbal se dedicava ao seu trabalho humilde e à sua decência. Presumo que falta em seu túmulo um epitáfio que reconheça a essencialidade de sua contribuição a Patamuté.

Este é um pequeno registro e exemplo de como a riqueza não pode ser razão e fundamento de tudo, como pensam alguns. Os humildes também são importantes, necessários uns, indispensáveis outros, essenciais outros tantos.

Aníbal prezava todos, era amigo de todos e incapaz de pronunciar uma palavra de desagrado. Gostava dos adultos, gostava dos jovens, gostava das crianças, gostava de Patamuté.

E de vez em quando Aníbal tomava umas canjebrinas para desanuviar as dificuldades, que eram muitas, incontornáveis.

Aníbal tinha duas pessoas em Patamuté em alta consideração. Incontáveis vezes ia chorar diante delas: Raquel do Carmo Paixão e seu esposo Antonio Ferreira Dantas Paixão. Aníbal os obedecia. Em sinal de respeito, pedia-lhes a bênção.

Aníbal chorava para aliviar seu sofrimento. O choro era o bálsamo para amenizar as dores da humildade, o sândalo que perfumava seu viver difícil.

Tenho saudade dele.  

araujo-costa@uol.com.br

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