Estou caminhando em direção aos oitent’anos.
Não sei se chegarei lá, ainda há muito tempo, longo caminho a percorrer. Talvez encontre o túmulo primeiro e nele ficarei a contragosto.
Ainda não vislumbro meu epitáfio: “Aqui jaz…”
À semelhança do homem de Florença que o escritor Carlos Heitor Cony contava, “andando pela estrada, curvado, pensando na vida”.
Estou consciente de que, seguindo em frente – e à direita ou à esquerda do caminho – chegarei nalgum lugar.
As encruzilhadas são muitas, inevitáveis, às vezes ardilhosas, mas a decisão de escolher o destino continua inabalável.
Valeu a pena a caminhada até aqui. Valerá a pena seguir adiante.
Lutei, amei, trabalhei – ainda trabalho muito – construí amizades, mantive algumas de minha juventude.
Fiz escolhas erradas e certas, deixei de fazer outras tantas.
Casei, tive filhas (meus xodós), plantei árvores, escrevi livros, acredito em Deus e isto me basta.
Sonhei, enfrentei escuridão e antevi alvoradas. Tive esperança, continuo a ter esperança.
Tropecei, caí, levantei, equilibrei-me diante das intempéries, enfrentei tempestades emocionais e, sobretudo, tive e ainda tenho forças para prosseguir a caminhada.
Minha maior força se sustenta na origem humilde, na pobreza, nos momentos de desalentos, nos conselhos de minha mãe.
Meus sustentáculos são o entender das adversidades.
Nos momentos de dificuldades e de indecisão, sempre lembro as palavras de D. Elvira Souza Nery, mãe do jornalista e escritor Sebastião Nery, baiano de Jaguaquara:
“Nunca vou dizer a um filho meu: – não vá. Ir nunca fez mal a ninguém” .
Continuo indo em direção ao amanhã, ao desconhecido.
Hoje completo 74 anos.
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