Governador da Bahia é o Odorico Paraguaçu sem graça

Governador Jerônimo Rodrigues (PT-Bahia)

“De tanto defender os pobres, os petistas acabaram ficando ricos.” (Ferreira Gullar, poeta e escritor, 1930-2016)

A semelhança do governador baiano Jerônimo Rodrigues (PT) com o prefeito Odorico Paraguaçu, da imaginária Sucupira (Sucupira, ame-a ou deixe-a, de Dias Gomes, Editora Civilização Brasileira, 1982) é assustadora.

O prefeito (personagem de Paulo Gracindo) tentava desesperadamente inaugurar um cemitério na cidade, mas não conseguia, por uma razão muito simples: não havia defunto, ninguém morria. Mas o prefeito tinha pressa em deixar esse defuntíssimo marco em seu governo.

Contudo, o prefeito sucupirano tinha qualidades inquestionáveis que convenciam a população: entendia da língua portuguesa e sabia fazer eficiente propaganda de seu governo, embora nada houvesse de positivo na administração.

O governador da Bahia vive às voltas com estradas abandonadas (a BR 324, Salvador-Feira é um exemplo); caos na condução da segurança pública (a violência vem aumentando exponencialmente na Bahia); altos índices de analfabetismo, embora o Estado seja coadjutor na política educacional; problemas recorrentes de regulação na área de saúde; a polêmica ponte Salvador-Itaparica que virou meme nas redes sociais.

Há quase 20 anos o PT promete a ponte e o projeto não sai do papel. Sucederam-se os governos Jaques Wagner, Rui Costa e Jerônimo Rodrigues e nada de ponte.

E por aí vai o descalabro.

Mas o governador Jerônimo insiste em dizer, em seus insossos discursos, que a Bahia vai muito bem, obrigado. Os investimentos cresceram nos governos petistas e que está fazendo entregas, muitas entregas, que chegam à casa das duas mil em seu governo.  

Todavia, a população – ou parte dela – diz que não vê entregas, mas muito barulho em ano eleitoral, tendo em vista as urnas de outubro vindouro.

A imprensa lulopetista da Bahia está calada, sepulcralmente em silêncio e a mirrada oposição se esguelhando para apontar os erros e marasmo do governador para tentar evitar a reeleição de Sua Excelência.

Todavia, o PT deve ganhar na Bahia. O partido domina vergonhosamente o feudo petista há duas décadas e tem a caneta numa mão e a demagogia na outra.

Os cabos eleitorais do governador Jerônimo são eficientíssimos e têm votos, muitos votos, dentre eles os nobres ex-governadores Jaques Wagner e Rui Costa.

Jaques Wagner é experiente. Vive no batente político desde jovem. Rui Costa aprendeu a malandragem política. Ambos começaram no sindicalismo do morubixaba Lula da Silva.

Entretanto, o surrado discurso petista de que Lula da Silva exterminou a pobreza e tirou o Brasil do mapa da fome não se sustenta mais, virou fumaça, ninguém acredita.

A realidade é cruel, fala mais alto, demonsta esse embuste petista. Há muita gente passando fome no Brasil. Basta andar nas ruas de São Bernardo do Campo, berço político de Lula da Silva.

Contudo, o governador Jerônimo continua nessa linha ilusória. Em data recente, Sua Excelência disse, em discurso, que Jaques Wagner se dedicou a cuidar dos pobres. Então, a teoria de Ferreira Gullar, que apoiou o PT durante muitos anos, está correta: de tanto apoiarem os pobres, os petistas ficaram ricos.

Há algum tempo uma deputada estadual petista das bandas de Paripiranga (BA) disse que “o PT tirou a lata d’água da cabeça das mulheres”. Ela deve conhecer pouco o sertão seco e esturricado e a realidade das famílias que vivem sob as agruras da seca.

O presidente Jânio Quadros dizia que político ruim se assemelha a um “ataúde de chumbo”, é difícil de carregar.

Ainda assim, Jaques Wagner e Rui Costa estão conseguindo carregar, mais uma vez, o governador Jerônimo em direção ao Palácio de Ondina. Parece que vão conseguir.

No mais, o governador Jerônimo Rodrigues é o Odorico Paraguaçu sem graça da Bahia.

araujo-costa@uol.com.br

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