Os estúpidos da República

“Aquele que nesciamente se torna frade, nesciamente morre e, ainda, quiçá, se vai para o inferno” (Alfonso de Valdés, humanista espanhol, 1490-1532)

O Brasil está infestado de néscios. Os estúpidos abundam. Mentecaptos povoam acintosamente os Poderes da República.

O bem público deixou de ser público para ser pretexto de enriquecimento de inescrupulosos.

A ética parece figura desprezível, obsoleta, em extinção.

Alguns ministros do Supremo Tribunal Federal estão moralmente esfacelados, em decorrência do caminho reprovável que escolheram, incompatível com a nobreza da magistratura.

Além de triste e estarrecedora, a situação é vergonhosa. O STF está de cócoras, ajoelhado diante das degenerescências morais e humilhado perante o mundo.

Em consequência, a respeitada e honrada instituição Supremo Tribunal Federal vem perdendo substancialmente a credibilidade diante de parte da sociedade.

Pesquisa Datafolha diz que 48% dos brasileiros não confiam no Supremo Tribunal Federal (G1, 18/09/2026).

De outro turno, pesquisa Atlas/Intel/Estadão diz que 6 a cada 10 brasileiros não confiam em nossa Suprema Corte (Gazeta do Povo, 22/09/2026).

A mesma pesquisa atesta que o índice entre os jovens eleva-se. A desconfiança chega a 81,9% entre jovens de 16 a 24 anos.

Ou seja, os jovens estão perdendo a esperança na Justiça do Brasil que sempre foi exemplo de seriedade e honradez.

Até a Procuradoria-Geral da República, antes inatacável por significar o esteio de defesa da sociedade e instituição altamente respeitada, foi atingida por respingos indecentes protagonizados pelo atual Procurador-Geral.

O sonho de um Brasil decente e gigante se esvai à semelhança de fumaça ao vento.

O Poder Legislativo (Câmara dos Deputados e Senado Federal) caiu no despenhadeiro da falta de credibilidade. Os presidentes das duas casas do Congresso Nacional estão sendo apontados de desvio de conduta o que, a rigor, não chega a ser nenhuma novidade.

Exemplos de pequenez política pululam quaisquer que sejam as ocasiões.

O Poder Executivo federal está capengando, em razão de acusações frequentes contra pessoas do entorno do presidente da República, inclusive quanto possível prática de corrupção, o que não chega a ser nenhuma surpresa nos governos petistas, tampouco noutros governos.

É razoável ponderar que o caráter dos corruptos – ou a falta desse caráter – não escolhe coloração partidária, seja de direita, de centro, de esquerda ou de qualquer lado.

Como se vê, há néscios de sobra em nossa cambaleante República.

Neste particular, eventual vontade de mudar se materializa na voz das urnas. Se não soubermos definir nossas escolhas, estaremos condenando o Brasil a continuar com um Judiciário que abriga indecentes, um Executivo insincero e um Legislativo apodrecido.

araujo-costa@uol.com.br

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