Eleições no Nordeste e conversa para nordestino cochilar

Abertas as urnas de 04 de outubro no Nordeste, o mapa da vontade  popular permanece intacto relativamente aos pleitos anteriores: a dianteira de Lula da Silva.

Como se vê, a grande  votação de Lula da Silva foi assegurada, basicamente, pelos estados da Região Nordeste. Lá ele ganha em grande estilo.

Isto foi suficiente para que vozes ancoradas  nas redes sociais lançassem pedras contra os nordestinos, que precisam mesmo é de sossego para enfrentar os problemas diários, que são muitos e não há hipótese de Lula da Silva resolvê-los, inobstante as promessas. 

No segundo turno, a mesma lengalenga vai se repetir, certamente.

Nordestino e baiano que sou, quero meter o bedelho nessa conversa insossa, excessivamente idiota, desconexa, inoportuna e abominável.

O pessoal que fala mal dos nordestinos gosta mesmo é de lorota, balela. O voto é a expressão maior da democracia, que todos dizem querer. Ou não?

Então, devemos conviver com os contrários e respeitar suas escolhas.

A população nordestina tem o direito de votar em quem bem entender, seja em candidatos da esquerda ou da direita, ou em quaisquer outros sustentados por essas excrescências partidárias que estão por aí.

Eleição não é mesmo para escolher? 

Oportuno lembrar que na região Nordeste, ainda prevalece, com muita clareza, a figura do político bonachão que se sobressai sobre questões ideológicas, que pouco ou nada importam.

O eleitor vota no candidato, independentemente do partido político que o abriga.       

Contudo, os nordestinos são duros na queda.

Estamos acostumados com seca, sofrimento, fome, miséria, abandono do poder público, críticas de sociólogos e cientistas políticos e abismos de toda ordem. E continuamos firmes, fortes, decididos e, sempre, dando o que falar.

Somos mesmo importantes. E daí? 

E mais: não obstante as constantes safras de políticos ruins, eles ainda não conseguiram destruir o Nordeste. Bem que tentam.  

Os nordestinos não estão interessados em conversa fiada. Têm o direito de decidir sobre o seu destino. Se a escolha não for bem-feita, isto não invalida o direito de escolher.

Escolher errado também faz parte do exercício democrático.

Na Bahia, persiste o feudo petista, como já era esperado.

ACM Neto perdeu simplesmente porque o governador petista Jerônimo Rodrigues teve mais votos. Só isto. A democracia é assim, a maioria vence e a minoria baixa a crista.

Entretanto, ACM Neto disse que a derrota foi reflexo de uma campanha de “baixo nível” (G1 Bahia, 04/10/2026). Isto é o que o PT sabe fazer com maestria, mas a maioria dos eleitores baianos acolheu a campanha petista.

A diferença, acima de um milhão de votos, parece não comportar explicações para justificar a derrota.

Havemos de nos submeter às regras. E as regras dizem que a disputa se dá nas ruas e nas urnas. Quem tiver mais votos vence. É lógico, razoável, incontrastável, inquestionável.

Essa conversa cabeluda de que o Nordeste não sabe escolher tem tanta importância quanto a falta de importância. É de somenos, coisa de gente que não está acostumada com as surpresas das disputas eleitorais.

Nós nordestinos conhecemos muito bem isto. Desde sempre convivemos com campanhas eleitorais desde os tempos das oligarquias rurais.

Temos experiência até para dizer que o candidato que ganhar nas urnas de outubro não vai resolver a situação do Nordeste. Nem do Brasil. Mas fará o seu papel de demagogo, como todos fazem em épocas eleitorais e dirá estrategicamente o que o povo quer ouvir.

Há muita gente do Sul e Sudeste em polvorosa, criticando os nordestinos. Isto nos dá uma malemolência danada.

É conversa para nordestino cochilar.

araujo-costa@uol.com.br

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